Open-access Aplicações do marketing digital em museus: uma revisão sistemática da literatura com ênfase na Ciência da Informação

RESUMO

Introdução:  Este artigo investiga a situação atual da produção científica sobre o uso do marketing digital em museus, considerando os avanços tecnológicos e a informação digital, além de sua interdisciplinaridade com o marketing no âmbito da Ciência da Informação.

Objetivo:  Realizar uma revisão sistemática da literatura sobre as produções científicas nacionais e internacionais referentes ao marketing digital em museus, sob a perspectiva da Ciência da Informação. Metodologia: Trata-se de uma abordagem quali-quantitativa, onde o percurso metodológico foi desenvolvido através de uma revisão sistemática utilizando estatística descritiva simples das produções científicas. Em âmbito nacional, foram realizadas pesquisas na Base de Dados em Ciência da Informação (BRAPCI) e na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Além disso, foram consultadas as bases internacionais Library, Information Science and Technology Abstracts (LISTA) e Taylor & Francis.

Resultados:  Foram recuperados 3.678 estudos, dos quais apenas 33 foram selecionados e apresentados em quadros demonstrativos após a aplicação de critérios de inclusão e exclusão. Apesar do volume considerável, menos de 1% dos estudos foram aproveitados no geral.

Conclusão:  Os estudos selecionados refletem sobre diferentes aspectos do marketing digital em museus, como o uso estratégico de mídias sociais para promover exposições e eventos culturais, e questões de acessibilidade e inclusão. Embora haja poucos estudos disponíveis, eles apresentam discussões importantes sobre o marketing digital em museus, destacando um campo vasto para futuras pesquisas sobre a temática.

PALAVRAS-CHAVE
Marketing; Museus; Ciência da Informação.

ABSTRACT

Introduction:  This article looks into the current state of scientific production on the use of digital marketing in museums, considering technological advancements and digital information, along with its interdisciplinary nature with marketing in the field of Information Science.

Objective:  To conduct a systematic review of national and international scientific productions related to digital marketing in museums from an Information Science perspective. Methodology: This is a qualitative-quantitative approach, where the methodological path will be developed through a systematic review using simple descriptive statistics of the scientific productions. Nationally, research was carried out in the Information Science Database (BRAPCI) and the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD). Additionally, international databases such as Library, Information Science and Technology Abstracts (LISTA) and Taylor & Francis were consulted.

Results:  A total of 3,678 studies were retrieved, out of which only 33 were selected and presented in summary tables after applying inclusion and exclusion criteria. Despite the considerable volume, less than 1% of the studies were used overall.

Conclusion:  The selected studies reflect on different aspects of digital marketing in museums, such as the strategic use of social media to promote exhibitions and cultural events, and issues of accessibility and inclusion. Although there are few studies available, they present important discussions on digital marketing in museums, highlighting a vast field for future research on the topic.

KEYWORDS
Marketing; Museums; Information Science.

1 INTRODUÇÃO

As estratégias e os dispositivos eletrônicos, por meio do marketing digital, vêm se tornando importantes parceiros para a promoção eficaz de produtos, serviços ou marcas, atingindo, assim, um público vasto e diversificado (Ferreira, 2023). Ao implementar estratégias como otimização de mecanismos de pesquisa, marketing de conteúdo e de relacionamento, engajamento em mídias sociais digitais, marketing por e-mail e publicidade paga, as empresas podem alcançar seus públicos estratégicos com mais precisão e efetividade, adaptando suas mensagens para aumentar o engajamento (Antunes, 2017).

Além disso, o marketing digital oferece a vantagem da análise em tempo real do desempenho das ações planejadas e desenvolvidas, permitindo ajustes rápidos e eficientes para melhorar os resultados. A capacidade de mensurar e analisar o comportamento do consumidor/usuário online fornece informações úteis que permitem às empresas, instituições públicas e/ou do terceiro setor adaptarem suas estratégias com agilidade e eficácia, resultando, em última análise, em um maior retorno do investimento quando comparado com abordagens de marketing tradicionais, a exemplo da publicidade em veículos de comunicação de massa.

No tocante ao contexto museológico, a era digital tem revolucionado a maneira como a sociedade (pesquisadores e visitantes) relacionam-se com os acervos, rompendo, assim, com as barreiras geográficas que impossibilitavam o acesso mais plural e democrático às coleções dos museus tradicionais, físicos. As redes sociais digitais e as plataformas online, nessa nova realidade, promovem um acesso sem precedentes a essas coleções, promovendo a colaboração global entre instituições e permitindo a criação de exposições virtuais que podem cativar públicos em todo o mundo (Chaves, 2023).

A integração das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) nas estratégias dos museus tem promovido mudanças na forma como tais unidades informacionais publicizam seus conteúdos (Bauer et al., 2020). A realidade aumentada e a realidade virtual são exemplos de tecnologias que permitem aos visitantes participarem de encontros imersivos e interativos, melhorando a compreensão e o envolvimento com as exposições. Os aplicativos móveis e códigos QR1 oferecem detalhes complementares sobre as obras de arte, permitindo que os visitantes embarquem em passeios autoguiados que atendam aos seus interesses individuais. Além disso, as análises de big data2 auxiliam os museus a compreender os padrões dos visitantes e a otimizar a organização das exposições e dos serviços prestados.

É nesse cenário da cultura digital, mediatizada por TDIC e estratégias de marketing digital, que este artigo buscará responder ao seguinte questionamento: qual a situação atual da produção científica sobre a utilização do marketing digital em ambientes museológicos, segundo pesquisadores da Ciência da Informação?

Para isso, o objetivo geral foi realizar um estudo das produções científicas nacionais e internacionais sobre a temática marketing digital em museus, com ênfase na Ciência da Informação.

Justifica-se a escolha desse tema devido à necessidade da construção de uma base teórica e empírica voltada a subsidiar a elaboração da dissertação de mestrado profissional realizada no Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), voltada à propositura de um plano de marketing digital para museus, através de um Estudo de Caso no Museu de Arqueologia de Xingó, mantido pela UFS.

2 METODOLOGIA

O presente estudo - realizado nas seguintes bases de dados nacionais e internacionais: Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI), Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Library, Information Science and Technology Abstracts (LISTA) e Taylor & Francis (sendo uma empresa internacional originária da Inglaterra que publica livros e revistas acadêmicas, pertinente para a recuperação de artigos internacionais) - servirá para conhecer tendências relacionadas aos estudos teóricos e empíricos acerca do tema em questão por parte da comunidade científica da Ciência da Informação.

As referidas bases de dados oferecem acesso a produções acadêmicas que permitem entender o contexto e as contribuições nacionais e internacionais na área, além de serem frequentemente atualizadas, garantindo informações recentes e relevantes.

A BRAPCI é especializada em Ciência da Informação e fornece uma vasta coleção de artigos, teses e dissertações relevantes. Ela oferece acesso a produções acadêmicas brasileiras. A BDTD reúne teses e dissertações de universidades brasileiras, proporcionando uma rica fonte de pesquisa original e aprofundada. Abrangendo uma ampla variedade de temas, incluindo marketing digital em museus, a BDTD é um espaço robusto de pesquisa para estudantes e profissionais.

A LISTA oferece cobertura abrangente de uma ampla gama de tópicos dentro da Ciência da Informação, incluindo Biblioteconomia, Arquivologia e Gestão da Informação. Isso é fundamental para desenvolver um entendimento mais profundo e internacionalizado do campo.

Por último, a Taylor & Francis publica uma vasta gama de revistas acadêmicas de alta qualidade, muitas das quais são altamente respeitadas no campo da Ciência da Informação e do marketing digital. Com acesso a pesquisas de todo o mundo, ela permite uma compreensão global das tendências e inovações na área; ela possibilita, portanto, a identificação, dentro de uma esfera de estudo, do diálogo e das conexões entre os trabalhos produzidos com a mesma temática. Isso ocorre ao examinar as teorias, aplicações, semelhanças e diferenças que contribuem para a formulação de um novo paradigma científico (Almeida; Dias, 2019).

Através da revisão sistemática da literatura, foi possível verificar a produção e a disseminação de um determinado conhecimento científico, sendo este considerado um método de coleta de dados quali-quantitativo. Este tipo de estudo concentra-se na análise da produção científica já existente sobre um determinado assunto (Quevedo-Silva et al. 2016).

O estudo permitiu identificar as principais linhas de pesquisas, pesquisadores, conceitos e debates acerca do tema proposto e na precisão da busca das palavras-chave para auxiliar na construção e no desenvolvimento do levantamento bibliográfico acerca do tema.

Dessa forma, o propósito deste estudo é que, por meio de uma revisão sistemática da literatura, possa haver o aprofundamento do conhecimento sobre as relações interdisciplinares entre o marketing digital e museus, sob a ótica da Ciência da Informação. A seleção dos trabalhos que integralizaram este estudo foi realizada a partir da adoção de estratégias de buscas específicas, sendo estas a adoção de operadores booleanos e os caracteres “coringas”, como as aspas e os asteriscos, que acabam exercendo grande influência na recuperação da informação nas bases de dados (Araújo, 2020).

Sobre a recuperação da informação, foi utilizado o arcabouço teórico do estudo de Araújo (2020), que buscou analisar estratégias de busca para poderem ser utilizadas em bases de dados digitais, a fim de ampliar e especificar o quantitativo de estudos sobre determinado assunto. Essas estratégias construídas a partir de cinco etapas. A primeira trata-se da extração dos termos mais importantes que compõem os objetivos e problemas da pesquisa. A segunda é a conversão desses termos, para a definição de quais operadores, seguindo um vocabulário controlado, e partindo da utilização de Tesauros da área de conhecimento. A formação de um subsídio para a combinação de descritores com termos em linguagem natural, sinônimos e variantes semânticas e de grafia ocorre. Isso permite a construção de string de busca usando operadores booleanos e caracteres coringas. Finalmente, é feita a escolha e o teste na base de dados selecionada (Araújo, 2020).

A estratégia adotada para este estudo foi a PCC, que corresponde à sigla Population (População), Concept (Conceito), e Context (contexto), que visa a construção da estratégia com base no problema de pesquisa, que não necessariamente contempla termos específicos que estejam presentes neste problema, podendo ser levado em consideração a interpretação e adequação dos descritores (Araújo, 2020).

Ainda segundo o autor

Esta estratégia pode ser interessante como alavanca para o desenvolvimento de pesquisas mais robustas como revisões sistemáticas ou revisões integrativas, haja vista, que ela possibilita criar um panorama, sobre a temática a ser pesquisada, que pode ser útil para a elaboração de perguntas de pesquisa, estratégias de busca e, até mesmo, elencar critérios de inclusão e exclusão da pesquisa (Araújo, 2020, p. 124-125).

A contemplação do modus operandi desta revisão sistemática da literatura seguiu o estudo de Quevedo-Silva et al. (2016), no qual os autores indicam 7 passos para a sua realização. São eles: 1 - a definição das palavras-chaves que contemplam todas as etapas já definidas no estudo de Araújo (2020); 2 - a busca dos termos na base de dados; 3 - a inserção dos filtros de busca; 4 - a exportação dos dados; 5 - a elaboração da matriz; 6 - a análise fatorial exploratória e 7 - a análise dos resultados (Quevedo-Silva et al., 2016).

Vale ressaltar que a etapa 6, descrita como “análise fatorial exploratória”, no momento não teve a sua aplicação necessária, tendo em vista que a quantidade de variáveis nesse estudo foi pequena, utilizando-se apenas de estatística descritiva simples e analisada qualitativamente. Para a contemplação dos resultados, foram adotados critérios de inclusão e exclusão a fim de afunilar o processo de triagem do estudo (Quadro 1).

Quadro 1
Critérios de inexigibilidade

A realização do mapeamento quantitativo serviu para a visualização das produções acadêmicas sobre a temática, através deste, foi possível verificar alguns aspectos sobre a produção científica da temática nacional e internacional.

4 RESULTADOS

A construção da presente seção partiu da realização de um mapeamento de pesquisas direcionadas aos estudos de marketing digital em Museus no âmbito da Ciência da Informação, tendo como objeto de análise o problema de pesquisa proposto na introdução deste estudo, qual seja o marketing digital em ambientes museológicos.

No quadro 2, são apresentados os campos da estratégia PCC deste levantamento, os quais serviram para se adaptar de acordo com cada base de dados utilizada nas estratégias de buscas.

Quadro 2
Estratégia PCC

Além de empregar a estratégia traçada, os filtros disponíveis em cada base de dados foram aplicados, limitando as buscas ao marco temporal estabelecido, assim como a tipologia e língua dos estudos, conforme apresentado no quadro 2.

Partindo desse uso, no quadro 3 apresentam-se as bases de dados, os resultados quantitativos da busca geral e a tipologia dos estudos, sendo utilizadas quatro bases de dados descritas na Tabela 1.

Quadro 3
Recuperação nas bases de dados

Nas bases de dados nacionais, como a BRAPCI e a BDTD, foram identificados o maior percentual de produções relevantes à pesquisa. A BRAPCI liderou com uma proporção aproveitável de 52,38%, evidenciando que uma parcela significativa dos resultados encontrados foi considerada relevante. Em seguida, a BDTD registrou um percentual aproveitável de 10,10%.

Embora a BRAPCI tenha apresentado o número expressivo de resultados de 21 produções abrangentes, uma quantidade de artigos pertinentes ao tema de pesquisa, desse total, contudo, foram contemplados apenas 12 estudos que atenderam aos requisitos desejados.

Já na BDTD, apesar de ter alcançado um quantitativo superior (66) em relação à BRAPCI, o seu percentual de aproveitamento foi menor, quando comparado, sugerindo uma proporção relativamente menor de teses e dissertações sobre o tema em questão. Foram contemplados 7 (sete) estudos, correspondendo a 10,10% que foram considerados relevantes, indicando uma proporção moderada de resultados úteis para a pesquisa.

Nas bases de dados internacionais, como LISTA e Taylor & Francis, os percentuais aproveitáveis foram muito baixos (0,31% e 0,50%), totalizando 10 artigos. Embora ambas as bases tenham gerado um volume considerável de resultados, ao analisar os títulos, temáticas, palavras-chaves e aplicar critérios de inclusão e exclusão, constatou-se que o número de estudos contemplados foi pouco expressivo, ficando abaixo de 1% de estudos aproveitados.

Com relação às produções acadêmicas brasileiras foram utilizados os parâmetros apresentados no quadro 4, indicando respectivamente as informações referentes à autoria, orientação, título, ano de publicação, instituição e tipologia. A escolha das produções se deu pelo direcionamento ao problema de pesquisa proposto e pela relação com as áreas do conhecimento da Ciência da Informação e da Museologia.

Quadro 4
Estudos contemplados da BDTD

Na base de dados da BDTD, como descrito, foram selecionados (07) trabalhos encontrados através dos critérios de pesquisas dos operadores booleanos "museum" OR "information unit" OR "museology" AND "marketing" OR "marketing strategy”.

Os trabalhos de Monte (2022), Silveira (2021), Belizio (2016) e Portela (2015) exploram ideias e conceitos muitos próximos tais como os museus podem ser usados como uma ferramenta de marketing para promover o desenvolvimento local e a responsabilidade social. Além de abordar questões como o papel dos museus na construção de uma imagem positiva da empresa e seu impacto na comunidade local. Nos trabalhos analisa-se o uso de estratégias de marketing em museus para organizar exposições artísticas. Esses métodos ajudam a atrair público, promover exposições e criar experiências significativas para os visitantes.

Os trabalhos de Santos (2020) e Mendonça (2020) analisam como a gestão pública de Recife/PE tem utilizado as estratégias de marketing para atrair visitantes, promover eventos culturais e contribuir para a imagem da cidade como destino turístico e turismo cultural para transformar a percepção do público da região.

O destaque vale para o trabalho de Grezele (2019), que analisou como um plano museológico é desenvolvido levando em consideração aspectos mercadológicos, como a atração de visitantes, a geração de receita e a promoção da instituição. A pesquisa aborda como o marketing está integrado ao planejamento estratégico do Museu de Arte Murilo Mendes para alcançar seus objetivos institucionais.

As análises qualitativas dos trabalhos recuperados na BDTD demonstram que ainda há poucas pesquisas que abordam de forma clara a relação entre o marketing digital e os museus, abrangendo diferentes abordagens e perspectivas, desde o papel dos museus corporativos na responsabilidade social das empresas até as estratégias de difusão implementadas por instituições museológicas específicas, pois sempre é levado de forma muito abrangente.

As produções científicas brasileiras recuperadas na BRAPCI são apresentadas no quadro 5, indicando respectivamente as informações referentes à sua autoria, título, ano de publicação e periódico ou evento.

Quadro 5
Estudos contemplados da BRAPCI

Na base de dados da BRAPCI foram selecionados (12) trabalhos encontrados através dos critérios de pesquisas dos operadores booleanos “museus” AND “marketing” e "unidade de informação" AND "marketing".

O artigo de Serra e Ferreira (2023) analisa as tendências do marketing em museus e organizações culturais. Além disso, foca especificamente no uso das mídias sociais digitais pela Fundação Biblioteca Nacional. O trabalho de Faustino (2023) é mais genérico na sua abordagem ao tema especificamente para museus, mesmo tratando do museu de arte.

O artigo de Silva, Barroso e Paixão (2023), publicado no Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação, explora como o conceito de Marketing 4.0 e o uso de redes sociais digitais são aplicados em uma unidade de informação de patrimônio cultural, abordando a relevância dessas redes para as unidades de informação e para os museus, com um estudo de caso específico.

Os trabalhos de Lima, Brasil e Candido (2023), Silva, Barroso e Paixão (2023) e Mousinho (2019) abordam as estratégias de marketing digital e o uso de redes sociais digitais em museus e unidades de informação, onde exploram a personalização do conteúdo para públicos específicos e o uso de SEO (Search Engine Optimization) na para ampliar a visibilidade digital de museus, além de destacar o papel das mídias sociais no engajamento com o público.

No trabalho apresentado Silva, Barroso e Paixão (2023) analisam a aplicação do Marketing 4.0 por meio das redes sociais digitais, enfatizando como a experiência integrada e consistente entre os ambientes físico e digital pode impactar positivamente o usuário. Também ressaltam a importância de uma análise de dados sólida para entender e ajustar as estratégias conforme o comportamento dos usuários.

Mousinho (2019) se concentra em ferramentas específicas de marketing online empregadas em uma unidade de informação, especificamente no tocante à personalização em larga escala, análise de métricas para avaliar o desempenho das campanhas online, e estratégias de inbound3 marketing para atrair e converter leads4 de forma orgânica.

Por outro lado, os estudos de Amaral e Pinto (2019), Araujo e Araujo (2018), Ferreira, Guerra e Mama (2018) e Bragança e Zaccarias (2016) analisam o marketing em unidades de informação, incluindo museus, e discutem as competências essenciais para uma gestão e marketing eficazes. Amaral e Pinto abordam estratégias de marketing em unidades de informação pública, enquanto Araújo e Araujo exploram o uso estratégico das redes sociais digitais em uma biblioteca específica. Ferreira, Guerra e Mama, portanto, focam nas competências necessárias aos profissionais da informação no contexto do marketing.

Mello (2014) destaca a importância dos aspectos culturais, propriedade intelectual e patrimônio imaterial em museus de ciência e tecnologia, o que pode incluir considerações sobre como esses aspectos se relacionam com as estratégias de marketing adotadas por esses museus, incluindo questões de direitos de propriedade intelectual e a necessidade de colaboração e diálogo entre as comunidades e os curadores de museus.

Observa-se que na BRAPCI, similar à base de dados da BDTD, em trabalhos encontrados pelos mecanismos de busca, um número incipiente de artigos que discutem a temática: marketing digital e museus de maneira aprofundada. Os trabalhos focam, majoritariamente, em bibliotecas e centros de documentação, com pouca ênfase na utilização de estratégias de marketing digital especificamente para os museus.

A seguir são apresentadas as produções científicas de cunho internacional, recuperadas por meio das bases de dados LISTA e Taylor & Francys, indicando respectivamente as informações referentes à sua autoria, título, país, ano de publicação e periódico (Quadro 6).

Quadro 6
Estudos contemplados da LISA e Taylor e Francys

Na LISA, os artigos de Silva e Terra (2024) e de Avgousti e Papaioannou (2023) abordam temáticas semelhantes sobre o papel dos usuários na organização da informação digital em um contexto acadêmico de museu e arquivo em Portugal, oferecendo insights sobre como a participação dos usuários pode influenciar a organização e a acessibilidade da informação digital. Eles discutem, também, os desafios e oportunidades enfrentados pelos pequenos museus na disponibilização de suas coleções online, buscando democratizar o acesso à cultura e ao patrimônio cultural.

Os artigos de Ozrili (2024) e de Stubb (2024) adotam uma abordagem mais abrangente sobre a interseção entre marketing e museus, focando nas coleções online como meio de aprimorar a experiência do visitante. Eles enfatizam a relevância das mídias digitais para as instituições culturais. Exploram formas visuais e conceituais de expressão das obras de arte para atrair e engajar o público. Redes sociais digitais são ferramentas indispensáveis para ampliar o alcance dos museus e envolver um público diversificado.

Os autores Gerrad, Sykora e Jackson (2017) reforçam a importância das mídias sociais digitais e suas métricas para as relações entre museus e seus públicos, enfocando como os museus podem fazer uso das análises de mídias sociais digitais para compreender melhor as reações e o envolvimento do público.

Os resultados obtidos na Base de Dados Taylor & Francy cobrem uma ampla gama de temas relacionados ao uso de mídias sociais digitais em museus, desde perspectivas de liderança e inclusão social até análises específicas sobre o uso durante a pandemia de COVID-19 e o papel na promoção e fidelização de visitantes.

Os artigos de Booth, Ogundipe e Royseng (2019) e Kyprianos e Montou (2023) discutem as opiniões dos gestores de museus sobre o uso de mídias sociais digitais, salientando sua relevância estratégica na divulgação de museus, os obstáculos na execução de táticas eficientes e as chances de aumentar a participação do público. Ao analisar esses artigos, é possível identificar padrões e estratégias de mídias sociais digitais em museus adotados pela gestão de museus, bem como compreender as principais tendências e preocupações no campo da gestão cultural.

O estudo de McMillen e Alter (2017) ressalta a relevância do envolvimento comunitário e da acessibilidade nos museus, especialmente para pessoas com deficiência. Ao explorar o papel das mídias sociais digitais na promoção da inclusão e na facilitação do acesso aos museus, o artigo discute sobre como as instituições culturais podem promover uma experiência mais inclusiva para todos os visitantes. Analisar esse artigo permite compreender as estratégias específicas utilizadas pelos museus para garantir a acessibilidade digital e promover a igualdade de acesso à cultura, tratando, no caso, sobre a importância da inclusão social e da acessibilidade em museus.

Os artigos de Kyprianos e Montou (2023) e March (2023) investigam o impacto da pandemia causada pela COVID-19 nas estratégias de mídias sociais digitais em museus. As instituições culturais responderam aos desafios impostos pela crise de saúde global e adaptaram suas estratégias de engajamento em relação a seus públicos. Ao analisar esses estudos, é possível identificar as principais mudanças nas práticas de comunicação e marketing dos museus durante a pandemia, bem como as lições aprendidas e as oportunidades emergentes para o futuro.

O artigo de Manca (2022) explora o uso da memória digital em museus relacionados ao Holocausto, enquanto Bonacchi (2016) discute questões de participação, sustentabilidade e diversidade nas mídias sociais dos museus. Ambos os estudos proporcionam informações importantes sobre como as instituições culturais utilizam as mídias sociais digitais para promover a educação, preservar a memória e engajar o público. Ao analisar esses artigos, é possível compreender as diferentes abordagens adotadas pelos museus para contar histórias, promover o diálogo intercultural e estimular o pensamento crítico entre os visitantes.

O estudo de Zollo et al. (2022) investiga como os museus podem fomentar a lealdade entre os visitantes por meio das mídias sociais e da experiência digital. Ao examinar as estratégias de engajamento e fidelização adotadas por museus de diferentes países, o texto apresenta reflexões sobre as melhores práticas e os desafios enfrentados pelo setor cultural. Analisar esse estudo permite identificar as estratégias mais eficazes para atrair e reter visitantes por meio das mídias sociais, assim como compreender o papel das experiências digitais na construção de relacionamentos duradouros com o público.

Os artigos recuperados apresentam uma visão abrangente das diferentes perspectivas e abordagens relacionadas ao uso do marketing digital, mídias sociais em museus, permitindo uma compreensão mais profunda das tendências, desafios e oportunidades nesse campo em constante evolução.

Com fundamento na análise das fontes de dados nacionais e internacionais sobre marketing em museus e unidades de informação, é possível observar diferenças significativas nos resultados obtidos. A BRAPCI se distinguiu pelo maior percentual de achados significativos, demonstrando uma amplitude moderada, porém com um alto índice de estudos considerados pertinentes. Em contraste, a BDTD apresentou um volume maior de resultados, porém com um percentual de aproveitamento inferior, sugerindo uma proporção menor de teses e dissertações relevantes sobre o tema. Nas bases nacionais é possível verificar uma convergência e proximidade da temática de marketing digital e museus.

Nas bases internacionais LISTA e Taylor & Francis, os percentuais de resultados aproveitáveis foram ainda menores, indicando uma escassez do tema encontrado para a pesquisa específica em marketing digital em museus. Essas bases proporcionaram uma visão ampla das práticas e desafios globais, destacando o uso das mídias sociais

Portanto, os resultados revelam que há uma lacuna na produção científica específica sobre marketing digital em museus, com uma predominância de estudos voltados para bibliotecas e unidades de informação em geral. A análise qualitativa dos estudos recuperados ressalta a crescente importância das mídias sociais digitais. Destaca também o papel do marketing na gestão cultural e a necessidade de mais pesquisas. Estas devem explorar essas dinâmicas de forma mais aprofundada e integrada ao contexto museológico.

Sobre essas publicações encontradas nas bases nacionais e internacionais, destacam-se alguns conceitos e terminologias que se repetem durante a seleção, em seus títulos e resumos, sendo objeto de destaque para este estudo; na nuvem de palavras da Figura, 1 identifica-se quais foram os termos mais utilizados nessa coleta.

Figura 1
Nuvem de palavras com base no mapeamento dos principais termos e conceitos identificados nos estudos selecionados

A seguir, é apresentada a nuvem de palavras elaborada manualmente a partir das palavras-chave dos trabalhos analisados nesse artigo no Microsoft Word. A nuvem de palavras ajuda a visualizar padrões de associação entre termos, destacando conexões semânticas e áreas de foco dentro do campo de estudo, como marketing em museus.

Destacam-se, além do termo “museus”, a utilização de “informação”, “pandemic” e “social mídia” ou “media”. Isso se dá principalmente pela ascensão pós-pandemia de estudos sobre a aplicação digital nos processos, ampliando o modo como as unidades de informação, de forma geral, utilizaram-se das TDIC para não interromper seu funcionamento durante a pandemia causada pela COVID-19. Esse período foi um divisor de águas em relação à maneira como as pessoas consumiam as informações e conhecimentos, principalmente no contexto digital.

6 CONCLUSÃO

A partir do mapeamento dos conceitos dentro das pesquisas relevantes encontradas, destaca-se a predominância de estudos nas bases brasileiras, como BRAPCI e BDTD, evidenciando a produção científica nacional nessa área. No entanto, as bases internacionais também oferecem uma perspectiva mais aprofundada na interseção entre marketing digital e museus, considerando especialmente o crescente papel das mídias digitais na promoção da cultura e do patrimônio. A realização de pesquisas sobre a temática, bem como o uso das estratégias de marketing para museus e unidades de informação, necessita de mais discussão por pesquisadores das áreas da Ciência da Informação e da Museologia.

A intersecção entre as temáticas marketing digital e museus é um campo de estudo que tem recebido cada vez mais atenção depois do cenário pós-pandemia, porém, como evidenciado na análise das bases de dados nacionais e internacionais, ainda há uma escassez significativa de pesquisas aprofundadas nessa área. Apesar do reconhecimento da importância do marketing digital para as instituições culturais, como museus e unidades de informação, a quantidade de estudos específicos sobre o tema ainda é limitada.

Os poucos estudos disponíveis apresentam discussões importantes sobre diferentes aspectos entre o marketing digital em museus, desde o uso estratégico de mídias sociais para promover exposições e eventos culturais até questões de acessibilidade e inclusão, essas pesquisas destacam a relevância crescente do ambiente digital para a promoção da cultura e do patrimônio cultural.

No entanto, a falta de uma quantidade significativa de estudos aprofundados reflete uma lacuna na compreensão das práticas e desafios enfrentados por essas instituições no ambiente digital. Com o crescente papel das mídias digitais na sociedade contemporânea, é essencial que os profissionais da área de museus e gestores culturais estejam familiarizados com os conhecimentos necessários para aproveitar todo o potencial do marketing digital em suas estratégias de promoção e engajamento do público.

Portanto, a necessidade de mais pesquisas nessa área é evidente. Estudos futuros podem explorar temas como a eficácia das estratégias de marketing digital para museus, os desafios enfrentados na implementação dessas estratégias e as melhores práticas para envolver o público de forma significativa no ambiente digital. Ao preencher essa lacuna de conhecimento, os pesquisadores podem contribuir para o desenvolvimento de práticas mais inovadoras e eficazes no campo, capacitando essas instituições a alcançar um público mais amplo e diversificado no mundo digital em constante evolução.

Reconhecimentos: Não aplicável.

  • 1
    O código QR (Quick Response) é um tipo de código de barras bidimensional que pode ser lido por dispositivos equipados com câmera, como smartphones.
  • 2
    Big Data é um termo que se refere ao conjunto de grandes volumes de dados, estruturados e não estruturados, que são gerados a uma velocidade alta e em grande variedade.
  • 3
    Termo usado no marketing, sendo uma forma de publicidade online focada na atração de clientes no meio digital.
  • 4
    Termo utilizado no marketing para descrever o início do interesse ou questão de um possível cliente num determinado produto, ou serviço de uma empresa.
  • Aprovação ética:
    Não aplicável.
  • Disponibilidade de dados e material:
    Não aplicável.
  • Imagem:
    Foto extraída do Currículo Lattes.
  • JITA:
    FB. Marketing.
  • ODS:
    8. Trabalho crescente e crescimento econômico.
  • Financiamento:
    Não aplicável.

REFERÊNCIAS

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Editado por

  • Editor: Gildenir Carolino Santos

Disponibilidade de dados

Não aplicável.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    13 Dez 2024
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    11 Set 2024
  • Aceito
    24 Out 2024
  • Publicado
    13 Nov 2024
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