Open-access Percepção auditiva e percepção visual em crianças: uma revisão de escopo

RESUMO

Objetivos:  reportar as produções científicas sobre a relação entre percepção auditiva e percepção visual em crianças na literatura mundial.

Métodos:  trata-se de uma revisão de escopo realizada nas bases de dados nacionais e internacionais: Pubmed, Scielo, Lilacs, Scopus, Cochrane, Science direct e Web of Science. Os critérios de elegibilidade adotados para construção desta revisão abrangeram os estudos que abordassem a relação entre Percepção Auditiva e Percepção Visual em crianças.

Revisão de Literatura:  oram selecionados seis artigos que cumpriram os critérios de elegibilidade. Observou-se que as formas de avaliação, objetivos e o público infantil dos estudos foram diversificados. Dos seis artigos, três mostraram a relação entre percepção auditiva e visual em crianças com dislexia ou com risco para dislexia, um mostrou a assincronia audiovisual em crianças com Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem, e dois observaram a associação entre percepção auditiva e visual em crianças com e sem alteração do Processamento Auditivo Central.

Conclusão:  foram identificadas produções científicas que mostram a relação entre a percepção auditiva e percepção visual em crianças. Apesar disso, é válido considerar que, a literatura ainda possui poucos registros referindo a essa correlação, sendo importante que novas pesquisas sejam realizadas, a fim de beneficiar a população infantil e preencher lacunas deixadas na literatura.

Descritores:
Percepção Auditiva; Percepção Visual; Criança; Audiologia

ABSTRACT

Purpose:  to report on global scientific literature about the relationship between auditory perception and visual perception in children.

Methods:  a scoping review conducted using the following national and international databases: PubMed, SciELO, LILACS, Scopus, Cochrane, ScienceDirect, and Web of Science. The eligibility criteria for this review included studies that addressed the relationship between auditory perception and visual perception in children.

Literature Review:  six articles that met the eligibility criteria were selected. The assessment methods, objectives, and child samples of the studies were diverse. Three of the six articles demonstrated the relationship between auditory and visual perception in children with or at risk for dyslexia, one demonstrated audiovisual asynchrony in children with developmental language disorders, and two observed the association between auditory and visual perception in children with and without central auditory processing disorders.

Conclusion:  the review identified scientific studies demonstrating the relationship between auditory and visual perception in children. However, the literature still has few records reporting this correlation. Hence, further research is necessary to benefit children and fill gaps in the literature.

Keywords:
Auditory Perception; Visual Perception; Child; Audiology; Learning

INTRODUÇÃO

A percepção para os seres humanos é de extrema importância e, em geral, é definida como sendo a capacidade de associar as informações sensoriais a partir dos sentidos, por isso chama-se de percepção visual, auditiva ou somestésica. A percepção envolve processos complexos ligados à memória, cognição e ao comportamento, e é a base do desenvolvimento da linguagem1. Assim, uma desordem na percepção, perturba todos os níveis de experiência que estão posteriores a ela2.

O sistema auditivo é constituído por estruturas sensoriais e conexões centrais responsáveis pela sensação e percepção dos estímulos sonoros. Esse sistema pode ser referido em duas porções distintas, inter-relacionadas, definidas como sistema auditivo periférico e sistema auditivo central. A porção periférica compreende estruturas da orelha externa, da orelha média, da orelha interna e do sistema nervoso periférico (nervo vestíbulo coclear)3. O sistema central refere-se às vias auditivas localizadas no tronco encefálico e nas áreas corticais relacionadas a audição4.

A percepção auditiva refere-se ao processamento de um sinal acústico audível, que é iniciado por células receptoras, que são sensíveis a um determinado estímulo sonoro. Diante de tal complexidade, o processamento desses estímulos consiste em uma série de conexões neuroanatômicas originada nos neurônios da cóclea e finalizadas no córtex auditivo cerebral5. O som, após detectado pela orelha interna passa por vários processos fisiológicos e cognitivos para ser decodificado e compreendido no cérebro. Esses processos são constituídos por um conjunto de habilidades auditivas das quais o indivíduo depende para interpretar a mensagem sonora6.

Dessa forma, o acesso às funções auditivas vai muito além da simples medição de limiares auditivos. É necessário que o sinal acústico seja analisado e interpretado para que ele se transforme em uma mensagem com significado. Em função disso, é fundamental a integridade orgânica e funcional de todo sistema auditivo7 para permitir uma compreensão auditiva eficiente.

Quando há uma alteração nesse processo ocorre o chamado Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC), que é o termo utilizado para descrever um déficit na percepção ou análise completa da informação auditiva verbal ou não verbal, por falha no sistema auditivo central8. Os mecanismos e o processo do sistema auditivo central interferem e influenciam também nas funções mais elevadas, incluindo a linguagem e aprendizagem9. Crianças com TPAC tendem a ter dificuldades escolares e podem muitas vezes serem caracterizadas como distraídas, esquecidas, inquietas, falantes e apresentar dificuldade com o conceito de tempo10, por isso, elas tendem a ignorar informações auditivas relevantes.

Além das alterações de percepção auditiva, as alterações de percepção visual também vêm sendo descritas em crianças com dificuldades de aprendizagem11. A percepção visual é a capacidade de processar estímulos visuais, sendo composta por um conjunto de habilidades perceptivas visuais essenciais para a leitura e o aprendizado, as quais se encarregam de analisar e processar a informação visual, obtendo assim uma compreensão do que se vê12. Essa percepção favorece a construção da experiência e da consciência do mundo visual, a partir da atenção, orientando as ações motoras3,4. Para que a percepção visual seja adequada, tanto as funções, quanto as estruturas corticais visuais devem estar intactas13.

O desenvolvimento da percepção visual é rápido durante a infância e se aproxima do nível de desenvolvimento do adulto por volta dos 11 e 12 anos de idade14. A função percepto-viso-motora é resultado da combinação de habilidades viso-motoras, planificação motora e cognitiva, habilidades perceptuais visuais (como coordenação óculo-manual), posição no espaço, relações espaciais, figura-fundo e constância de forma15. Por isso, crianças com distúrbios de aprendizagem são propensas a manifestar alterações perceptivas visuais pelo fato de apresentarem disfunções em áreas cerebrais responsáveis pela percepção visuoespacial necessária para a realização da escrita16.

Além das queixas e características em comum que são relatadas na população infantil diante de alterações de percepção auditiva ou percepção visual, ao estudar mais detalhadamente as vias centrais da audição pode-se encontrar relações anátomo-fisiológicas entre os dois sistemas17-19.

O colículo inferior (CI) que é uma estrutura auditiva do mesencéfalo, que além de servir como estação de transmissões auditivas, também está relacionado aos reflexos auditivos-visuais17 e, provavelmente, nele ocorrem modulação e integração das informações de diversas vias sensoriais, de forma que as informações auditivas são alteradas por essas informações18. O corpo geniculado medial é uma estrutura que responde pela via auditiva e o corpo geniculado lateral responde pela via visual, ambos, situados no tálamo e configuram o primeiro local em que as vias auditivas e visuais se cruzam, uma disfunção nesta conexão pode acarretar intercorrências na leitura19.

Sabe-se que grande parte da aprendizagem de uma criança está relacionada à sua habilidade de integrar informações sensoriais, e é por meio da atuação dos sistemas sensoriais que as informações recebidas são enviadas ao Sistema Nervoso Central, onde ocorre o processamento sensorial, e a partir desta percepção e da troca de informações entre o meio ambiente e os diferentes centros nervosos, que a aprendizagem ocorre. Um exemplo disto é o desenvolvimento e aprendizado da leitura e para cálculos, cuja base está na Integração Sensorial20.

Dessa forma, diante da importância da integração sensorial para as questões de aprendizagem, é de grande relevância entender e buscar se há existência de uma correlação na literatura entre a percepção auditiva e visual, tendo em vista que a busca por essa relação poderá contribuir para entender mais sobre essa integração e verificar os impactos que alterações nesses sistemas de forma conjunta podem causar. Assim como, ajudar em diagnósticos e intervenções na área da fonoaudiologia e nas demais áreas que atuam nas questões de aprendizagem da população infantil, de formas mais embasadas e completas. Sendo assim, esse estudo teve como objetivo reportar produções científicas sobre a relação entre a percepção auditiva e percepção visual em crianças na literatura mundial.

MÉTODOS

O estudo trata-se de uma revisão de escopo seguindo as recomendações do PRISMA para escrita de scoping review (PRISMA-ScR)21, registrado na plataforma Open Science Framework (OSF) com DOI 10.17605/OSF.IO/RBXQD

Para atender ao objetivo dessa revisão de escopo a pergunta de pesquisa consistiu em: “Existe relação entre a percepção auditiva e percepção visual em crianças, na literatura mundial?”. Foi considerada a estratégia população, conceito e contexto (PCC) para inclusão dos estudos: a) População: serão incluídos estudos realizados em crianças entre dois e 12 anos de idade; b) Conceito: deverão abordar a relação entre percepção auditiva e percepção visual; c) Contexto: estudos de pesquisa original, casos clínicos, sem limitação de idiomas e disponíveis na íntegra.

Para a identificação dos estudos relevantes foram consultadas as bases de dados: PubMed, SciELO, Lilacs, Scopus, Cochrane, ScienceDirect e Web of Science. Os termos para a busca nas bases foram definidos a partir de descritores de assunto dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e do Medical Subject Headings (MeSH), que facilitam a pesquisa e a recuperação de artigos nas bases de dados bibliográficas da área da saúde. Foi aplicado o filtro para busca de artigos publicados no marco temporal de dez anos e disponibilidade de texto na íntegra.

As buscas foram feitas utilizando os marcadores AND, OR e All Fields com cruzamento dos descritores em inglês e português em ciências da saúde (DecS) e Medical Subject Heading (MeSH). O Quadro 1 apresenta as estratégias de busca utilizadas nas bases de dados.

Quadro 1
Estratégias de busca utilizadas para cada base de dados

Critérios de elegibilidade

Os critérios de elegibilidade adotados para construção desta revisão abrangeram os estudos que abordassem a relação entre percepção auditiva e percepção visual em crianças em artigos de pesquisa original e estudos de casos clínicos. Como critérios de exclusão, foram removidos estudos realizados em adultos e idosos, estudos duplicados, sem acesso gratuito, artigos de revisão da literatura e resumos científicos.

O processo de seleção dos estudos ocorreu em quatro etapas. Na primeira etapa, iniciada em novembro de 2023, com atualização em junho de 2024, foi realizada a busca com os descritores para todas as bases de dados e aplicados os filtros. Após a coleta nas bases de dados e exclusão dos artigos repetidos, na etapa seguinte, foram selecionados os artigos que continham, em seu título, a relação entre percepção auditiva e percepção visual em crianças, seguindo, posteriormente, para a terceira etapa, na qual foi realizada a leitura dos resumos dos estudos. Na última etapa os artigos selecionados na etapa anterior, de forma independente, atenderam aos critérios da pesquisa e à pergunta norteadora.

Os artigos foram submetidos à triagem por dois revisores (ACM e NCOL) de forma independente. Os revisores selecionaram os estudos por meio do título e resumo. Após a seleção desses estudos os mesmos revisores fizeram a leitura integralmente dos artigos. Dois outros revisores (VNM e DFF) ficaram disponíveis para tomada de decisão consensual junto com os outros dois revisores nos casos de divergências, tanto para os resumos quanto para os textos completos. Para última fase, foi adicionado mais um revisor, a fim de que, na presença de conflitos, os casos fossem discutidos e resolvidos.

REVISÃO DA LITERATURA

O processo de busca dos artigos é apresentado na Figura 1, por meio do fluxograma de seleção do PRISMA, descrevendo as etapas de coleta e quantitativo de artigos dentro do escopo da pesquisa.

Figura 1
Fluxograma com as diferentes fases da revisão baseada nas diretrizes do PRISMA 2020 para novas revisões sistemáticas que incluíram pesquisas em bases de dados, registros e outras fontes

A busca inicialmente identificou 775 estudos com a combinação proposta dos descritores nas respectivas bases de dados. Seguindo as etapas definidas e descritas anteriormente, após a exclusão dos estudos duplicados e diante da leitura dos títulos e resumos, oito artigos foram elegíveis para sua leitura na íntegra. Dos oito artigos, dois foram excluídos pois não abordavam a relação entre percepção auditiva e percepção visual em crianças. Dessa forma, a amostra final totalizou em seis artigos. Para sintetizá-los foi feito um quadro que contempla o título do artigo, ano de publicação, autor, métodos e principais resultados (Quadro 2).

Quadro 2
Dados extraídos dos artigos selecionados para revisão

Dos seis artigos, três22,24,25 mostraram a relação entre percepção auditiva e visual em crianças com dislexia ou com risco para dislexia, um mostrou a assincronia audiovisual em crianças com Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem23, e dois observaram a associação entre percepção auditiva e visual em crianças com e sem alteração do Processamento Auditivo Central26), (27.

Sendo a leitura um processo multissensorial complexo e que está prejudicada em pessoas disléxicas24. A leitura envolve percepção/processamento visual, memória visual, associação viso-auditiva, memória/reconhecimento auditivo, processamento fonológico, expressão oral e processos verbais28.

Em um dos estudos selecionados nessa revisão, um grupo de crianças com risco para a dislexia ao serem avaliados em tarefas de julgamento de ordem temporal auditiva e visual apresentaram desempenho inferior nas tarefas temporais quando comparado a crianças sem risco para dislexia25, corroborando com a evidência de que crianças com alterações nas habilidades auditivas temporais são mais suscetíveis para apresentarem alterações de linguagem e aprendizagem29.

Outro estudo que avaliou crianças pré leitoras, com risco para dislexia, usando simultaneamente a ressonância magnética funcional (fMRI) e potenciais relacionados a eventos (ERP), mostrou que em tarefas audiovisual na correspondência de alvos entre pares de grafema e fonema treinados e não treinados, há mudanças nas regiões cerebrais temporais e occipitais para os pares treinados, estas que são áreas conhecidas por estarem envolvidas na integração audiovisual. Esse resultado fornece informações adicionais e importantes sobre o curso temporal da integração audiovisual na fase inicial de aprendizagem22 e na correlação entre esses dois sistemas.

Além dos artigos que correlacionam a percepção auditiva e visual em crianças com dislexia ou com risco, foi vista essa correlação também em crianças com Distúrbio Específico da Linguagem (DEL), nomenclatura antiga para o atual Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL), ao ser avaliada a assincronia temporal audiovisual em um julgamento de simultaneidade tarefa (SJT). As crianças com TDL mostraram prejuízos na detecção de assincronia temporal audiovisual, elas perceberam assincronia significativamente menos frequentemente do que as crianças com desenvolvimento típico (DT)23.

Dessa forma, a falta de precisão no processamento temporal audiovisual pode representar uma desvantagem significativa para crianças com TDL, visto que integração bem sucedida dos sentidos auditivos e visuais proporcionam benefícios significativos durante uma série de tarefas, incluindo a percepção da fala no ruído, tarefa encontradas corriqueiramente no dia a dia23. Diante de uma função temporal audiovisual deficiente, é visto que essa função pode ser melhorada por meio do treino temporal audiovisual para melhorar as habilidades linguísticas em crianças em idade escolar com o TDL30.

Dois estudos26,27 avaliaram a percepção auditiva por meio de testes que englobam a avaliação específica do Processamento Auditivo Central (PAC). O primeiro deles verificou que escolares com alteração no processamento temporal auditivo tem maior chance de ter também alteração no processamento visual e encontrou uma chance três vezes maior dessas crianças, com alteração no processamento temporal, apresentarem comprometimento concomitante no processamento visual, por compartilhamento na via magnocelular. Verificou-se que essas crianças com alteração auditiva centrais apresentaram mais sintomas de estresse visual, menor taxa de leitura e maiores chances de melhorar a velocidade de leitura com o uso de sobreposições coloridas, quando comparadas ao grupo controle27.

Diante disso, esse estudo se correlaciona com um aspecto essencial para a proficiência da leitura, o processamento sequencial temporal das informações auditivas e visuais, que possibilita a formação de representações precisas da ordem dos sons de uma palavra e do sequenciamento visual das letras31, e demonstra que existe uma importante associação entre processamento auditivo e processamento visual27.

Outro estudo, que utilizou testes da avaliação do PAC, teve o objetivo de avaliar o perfil sensorial de crianças com TPAC e encontrou que as crianças com TPAC parecem ter mais diferenças sensoriais do que aquelas com PAC normal. Na associação entre PAC e perfil sensorial, nenhum dos resultados indicou significância estatística entre as variáveis estudadas, mas, o tamanho do efeito das diferenças entre eles teve magnitude moderada para o sistema visual26.

Pode-se inferir que, a informação auditiva que chega até as crianças com TPAC não são precisas, elas utilizam a informação visual como recurso complementar, assim, automaticamente os indivíduos recorrem aos demais sistemas sensoriais na tentativa de compensar a ineficiência da função auditiva para a realização de suas tarefas no cotidiano (acadêmicas, de autocuidado e lazer). Isso pode acontecer porque as informações sensoriais se interconectam por meio das estruturas neurológicas do Sistema Nervoso Central (SNC) e dos colículos, estrutura primariamente visual, que contém um mapa espacial auditivo com seus neurônios de diferentes regiões que respondem ao estímulo auditivo32.

Apesar dos estudos incluídos relacionarem os dois processos sensoriais, é importante mencionar a limitação na revisão, não sendo encontrados muitos estudos que descrevessem em sua metodologia tão detalhadamente e especificamente como estão e como são avaliadas as habilidades auditivas e visuais nessa população, correlacionando-as e em caso de alterações, direcionando-as para algum tipo específico de intervenção.

No PAC, por exemplo, é possível fazer por meio de testes a avaliação das várias habilidades auditivas: detecção, localização e discriminação do som, reconhecimento, ordenação temporal, figura-fundo para sons verbais e não verbais, síntese auditiva, integração, interação e separação binaurais, fechamento auditivo e reconhecimento do padrão temporal, e assim poder classificá-lo como normal ou alterado33. Já com relação as habilidades visuais, pode-se utilizar para sua avaliação o Teste Evolutivo de Percepção Visual (DTVP-2), que é constituído por uma bateria de oito subtestes que medem diferentes competências de percepção visual e viso-motoras, sendo elas a coordenação viso-motora, posição no espaço, cópia, figura-fundo, relações espaciais, closura visual, velocidade viso-motora e constância da forma, com o DTVP-2 é possível observar o desempenho da criança nas habilidades de percepção visual34.

A literatura mostra a importância da Integração Sensorial para as questões de aprendizagem na infância20 e estudos trazem a importância de avaliações das habilidades auditivas e visuais, principalmente em crianças com dificuldades de aprendizagem35,36, já que essa é uma queixa que ocorre com frequência quando esses dois processos apresentam alterações, como também foi observado nos estudos dessa revisão. Diante disso, torna-se necessária a proposição de estudos que utilizem procedimentos normatizados de avaliação, para que programas de intervenção sejam elaborados, com a finalidade de minimizar o impacto dos prejuízos que essas alterações podem causar.

Intervenções voltadas para a população infantil com alterações perceptivas auditivas e visuais já existem na literatura com resultados positivos37-40, mas de forma individual, aplicando protocolos de atendimento para um processo ou outro separadamente, ou seja, os estudos não trazem ainda a possibilidade de intervenções que unam a percepção auditiva e a percepção visual.

Com essa revisão pode-se inferir a relação entre a percepção auditiva e percepção visual em crianças e sua importância para o desenvolvimento infantil, principalmente para os aspectos da aprendizagem, e pode-se pensar em novos insights para futuras pesquisas voltadas para avaliações e intervenções desses processos de forma conjunta.

CONCLUSÃO

A revisão de escopo realizada identificou estudos científicos relacionando a percepção auditiva e visual em crianças. É válido considerar que, ainda assim, a literatura possui poucos registros referindo-se a essa correlação, seja em estudos de avaliações e principalmente em estudos de intervenções. Por isso, é importante que novas pesquisas sejam realizadas na área em questão, a fim de beneficiar a população infantil e de preencher lacunas deixadas na literatura.

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  • Estudo realizado na Universidade Federal da Paraíba-UFPB, João Pessoa, Paraíba, Brasil.
  • Fonte de financiamento: Nada a declarar
  • Declaração de compartilhamento de dados:
    Os dados individuais dos participantes, incluindo os dicionários de dados, não estão disponíveis. Informações sobre quais dados em particular serão compartilhados também não estão disponíveis. Documentos adicionais relacionados, como o protocolo do estudo ou o plano de análise estatística, não estão disponíveis. Não se aplica a disponibilidade dos dados nem o período durante o qual estariam acessíveis. Da mesma forma, não se aplicam critérios de acesso para o compartilhamento dos dados, incluindo com quem, para quais tipos de análises e por qual mecanismo isso ocorreria.

Editado por

  • Editor Chefe
    Hilton Justino da Silva
  • Editor Associado
    Kelly da Silva

Disponibilidade de dados

Os dados individuais dos participantes, incluindo os dicionários de dados, não estão disponíveis. Informações sobre quais dados em particular serão compartilhados também não estão disponíveis. Documentos adicionais relacionados, como o protocolo do estudo ou o plano de análise estatística, não estão disponíveis. Não se aplica a disponibilidade dos dados nem o período durante o qual estariam acessíveis. Da mesma forma, não se aplicam critérios de acesso para o compartilhamento dos dados, incluindo com quem, para quais tipos de análises e por qual mecanismo isso ocorreria.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Out 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    30 Ago 2024
  • Revisado
    02 Nov 2024
  • Aceito
    28 Maio 2025
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