Open-access Medidas de ruído urbano e seus efeitos na saúde humana: uma revisão de escopo

RESUMO

Objetivo:  revisar a literatura científica sobre os métodos de aferição do ruído urbano e os efeitos deste na saúde humana.

Métodos:  trata-se de revisão de escopo acerca dos métodos de aferição do ruído urbano e seus efeitos na saúde humana. O levantamento foi realizado nas bases de dados científicas: BVS, LILACS, Pubmed, MEDLINE, Cochrane Library e Scopus. Foram incluídos artigos que investigaram os efeitos do ruído urbano na saúde humana e que descrevessem os métodos de aferição do ruído e os valores em decibels (dB). Foram excluídos os artigos que referiram efeitos do ruído urbano na saúde animal.

Revisão da Literatura:  a amostra final foi composta por 33 artigos. A medida do ruído considerando a escala logarítmica tem sido mais utilizada nos últimos anos. Os principais efeitos do ruído provocados na saúde foram: estresse ou irritabilidade; alterações no sono; doenças cardiovasculares; interferência nas atividades de vida diária e/ou qualidade de vida; aumento na frequência cardíaca ou respiratória; prejuízo na audição e zumbido e câncer de mama.

Conclusão:  os efeitos do ruído urbano na saúde humana estão mais evidenciados nos sintomas extra auditivos. Ainda, faz-se imperiosa a elaboração e validação de instrumentos confiáveis para medir a percepção do ruído urbano pelos indivíduos.

Descritores:
Ruído; Ruído dos Transportes; Efeitos do Ruído; Saúde Pública; Qualidade de Vida

ABSTRACT

Purpose:  to review scientific literature on urban noise measurement methods and its effects on human health.

Methods:  this scoping review of urban noise measurement methods and its effects on human health surveyed the following scientific databases: VHL, LILACS, PubMed, MEDLINE, Cochrane Library, and Scopus. It included articles that investigated the effects of urban noise on human health and described noise measurement methods and values ​​in decibels (dB) and excluded those reporting the effects of urban noise on animal health.

Literature Review:  the final sample comprised 33 articles. Noise measurement, using the logarithmic scale, has become more widely used in recent years. The main health effects of noise were stress or irritability, sleep disturbances, cardiovascular diseases, interference with activities of daily living and/or quality of life, increased heart or respiratory rate, hearing impairment and tinnitus, and breast cancer.

Conclusion:  the effects of urban noise on human health are most evident in extra-auditory symptoms. It is necessary to develop and validate reliable instruments to measure people’s perception of urban noise.

Keywords:
Noise; Noise, Transportation; Noise Effects; Public Health; Quality of Life

INTRODUÇÃO

O ruído urbano é indubitavelmente um problema de saúde pública. O advento da tecnologia, a ampliação dos meios de transporte e o aumento da concentração humana nos centros urbanos têm sido citados na literatura como as principais fontes de ruído urbano no mundo1. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o ruído urbano como poluição sonora. Apesar dos seus impactos na saúde humana serem evidentes, o ruído urbano ainda é negligenciado por grande parte da população2.

A presença do ruído urbano causa interferência no cotidiano dos moradores e trabalhadores das grandes cidades e isso tem impacto direto no bem-estar. Independente da fonte causadora do ruído, seja este ruído urbano ou proveniente de dispositivos sonoros, ruído ocupacional ou de atividades de recreação, é reconhecido pelo seu aspecto nocivo3. A literatura apresenta evidências que relacionam o efeito do ruído a distúrbios do sono, desconforto, risco de doença cardiovascular, interferências nas atividades de vida diária, raiva, desprazer, exaustão e estresse4-7.

Para provocar esses prejuízos, o grau de nocividade do ruído depende de fatores como tempo de exposição e da intensidade da sua emissão. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio das regras da NBR 10.152 e 10.151, determina limites para níveis de ruído produzidos em ambientes internos e externos e ruídos que causam interferência nos interiores dos domicílios8. De acordo com a NBR 10151, os valores máximos permitidos, sem que seja causado prejuízo à saúde, variam de 60 dB para o período diurno e 55 dB no período noturno8. Valores de intensidade sonora acima destes provocam alterações na qualidade de vida da população. Outros países também apresentam normativas que estabelecem os valores máximos aceitáveis para emissão de ruído no espaço urbano. Acompanhando o alerta emanado pela OMS sobre os efeitos do ruído, destacam-se na Europa, a Diretiva 2002/49/EC que estabelece o nível máximo de ruído do tráfego rodoviário a 55 dB durante o dia e 50 dB à noite9. Dentre esses, destaca-se a Alemanha, que estabeleceu que os valores de ruído do tráfego não devem ultrapassar os níveis de 53 dB durante o dia e 45 dB à noite9. Na Ásia destaca-se o Japão que possui diretrizes que estabelecem o limite de 60 dB para áreas residenciais durante o dia e 50 dB à noite10. Apesar dessas diretrizes e leis, todos esses países estão sujeitos a enfrentar níveis de ruído superiores ao estabelecido, conforme descrito em outros trabalhos2,11-14. Essa situação é preocupante e demanda uma discussão entre todos os setores da sociedade.

Além dos efeitos auditivos, há evidências de outros problemas de saúde pela exposição contínua ao ruído e impactos na qualidade de vida9. Apesar de estar descrito na literatura os efeitos auditivos e não-auditivos causados em decorrência do ruído, fez-se pertinente conduzir uma revisão de escopo com o objetivo de mapear sistematicamente as publicações produzidas sobre esse tema, bem como identificar eventuais lacunas no conhecimento. Dessa forma, para que se possa, ainda, contribuir para a compilação dos principais métodos de investigação do ruído urbano e reduzir as eventuais confusões da literatura sobre quais unidades logarítmicas são adotadas na literatura especializada, a pergunta de pesquisa foi: quais são as formas de aferição do ruído urbano e seus principais impactos na saúde humana?

MÉTODOS

Protocolo de pesquisa e critérios de eligibilidade

Esta é uma revisão de escopo que teve como objetivo investigar as formas de aferição do ruído urbano, bem como os seus efeitos na saúde humana. O protocolo desta revisão foi cadastrado na base pública OSF e está sob o DOI: 10.17605/OSF.IO/Z98SK.

Primeiramente foi elaborada a pergunta de pesquisa considerando a estratégia PCC em que P (População) se referiu a estudos com seres humanos, C (Conceito) métodos de aferição e níveis do ruído urbano e C (Contexto) efeitos do ruído urbano na saúde humana. A pergunta norteadora foi: “Quais são as formas de aferição do ruído urbano e o impacto deste na saúde humana?”

Foram incluídos, nesta revisão, artigos científicos e trabalhos oriundos da literatura cinzenta. Todos os trabalhos que investigaram os níveis de ruído urbano e a sua relação com a saúde humana, em qualquer faixa etária e que descrevessem os prejuízos causados pelo ruído, assim como os valores em decibels (dB) e dB(A). O período de inclusão dos artigos foi de 2012 a 2022, com a finalidade de abranger as evidências mais atuais sobre o tema. O período de busca nas bases de dados foi de fevereiro a setembro de 2023. Esta revisão está apresentada segundo as diretrizes dos Principais Itens para Relatar Revisões Sistemáticas e Meta-análise estendido para Revisões de Escopo - (PRISMA-ScR)15.

Tabela 1
Elaboração da pergunta norteadora e estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão

Bases de dados e busca dos artigos.

A busca dos artigos foi realizada nos portais BVS, Cochrane Library, Medline e Scopus. A base de dados Lilacs foi acessada via portal BVS e a base Medline pelo portal PubMed. As buscas foram realizadas por dois revisores separadamente, ambos seguiram os mesmos critérios de avaliação, inclusão e exclusão dos artigos. Foi realizada uma reunião de consenso entre os revisores e todas as divergências foram resolvidas. Para a seleção dos artigos, foi realizada a identificação dos termos controlados (descritores DeCS/MeSH) e termos livres (palavras-chave)

Foram utilizados os descritores em Português, Francês, Espanhol e Inglês: “Ruído”, (“Bruit”), (“Ruido), (“Noise”); “Ruído dos Transportes”, (“Bruit des transports”), (“Ruido del transporte”), (“Noise, Transportation”); “Efeitos do ruído”, (“Effets du bruit”), (“Efectos del ruido”), (“Noise effects”); “Saúde Pública”, (“Santé Publique”), (“Salud Pública”), (“Public Health”); “Qualidade de vida”, (“Qualité de vie”), (“Quality of life”). Termos livres, tais como sinônimos, termos relacionados, variações de grafia, siglas, acrônimos, palavras-chave também foram utilizados, sendo eles: Ruído Urbano, Urban Noise, Noise Pollution, Noises, Transportation Noise, Transportation Noises e HRQOL, Health Related Quality Of Life, Health-Related Quality Of Life, Life Quality.

Estes descritores e termos foram organizados em equações de buscas pelos operadores AND e OR. As equações de busca foram adaptadas conforme cada base de dados (Tabela 1), pois cada uma apresenta particularidades em seus mecanismos de busca. A literatura cinzenta retomada nessa revisão adveio da BVS, uma vez que esta permite a filtragem de publicações como essa.

Tabela 2
Estratégias de busca por base de dados

Seleção nas bases de dados e dos artigos

O resultado das buscas foi importado para uma planilha do Excel, os títulos e os resumos foram triados de forma independente por dois revisores. Não houve discordância nesta etapa e, portanto, os textos completos foram triados e lidos, também de forma independente pelos mesmos dois revisores. Nesta etapa, as discordâncias foram resolvidas em reuniões, não sendo necessário convidar um terceiro revisor para estabelecer consenso. Por fim, foram coletados os seguintes dados dos artigos remanescentes:

  • Ano de publicação

  • cidade/país onde foi realizada a pesquisa;

  • amostra pesquisada;

  • desenho do estudo

  • instrumentos e formas de medidas do ruído;

  • níveis de ruído urbano encontrados;

  • relação entre as medidas e a saúde humana.

Os estudos que foram incluídos foram organizados em dois quadros, um quadro com artigos científicos revisados e outro contendo dissertações e teses com os dados referentes de interesse da pesquisa destacados.

REVISÃO DA LITERATURA

Seleção nas bases de dados e artigos

As bases de dados foram pesquisadas no período de fevereiro a setembro de 2023. No Portal BVS foram identificados 568 artigos, na base PubMed 581, na Cochrane Library 50 e na base Scopus foram identificados 1.656 artigos. A soma dos resultados identificados nas referidas bases totalizou 2.855 artigos. Após a triagem foram excluídos 2.482 artigos na etapa anterior à leitura completa e a justificativa mais prevalente para isso foi a ausência de relação entre títulos e resumos com o tema da pesquisa. Permaneceram 373 artigos para a leitura dos textos completos. Alguns artigos só puderam ser acessados na íntegra via o Portal Capes e Acesso CAFe. Após a leitura completa desses artigos, foram excluídos 340 e a justificativa mais prevalente foi a ausência de métodos de aferição do ruído, seguida de estudos voltados à saúde auditiva ocupacional e condições de saúde não relatadas ou relacionadas. Outras justificativas para exclusão dos artigos estão apresentadas na Figura 1 do fluxograma PRISMA-ScR.

Figura 1
Etapas da revisão conforme os Principais Itens para Relatar Revisões Sistemáticas e Meta-análise estendido para Revisões de Escopo - (PRISMA-ScR)

Características dos artigos entre as bases de dados

Após as etapas de identificação, triagem e aplicação dos critérios de elegibilidade sobre os artigos entre as plataformas, restaram 33 artigos que foram considerados elegíveis para a leitura completa. Desse total, 11 artigos provenientes da BVS7-13, dois da PubMed21,22, cinco da Cochrane Library16-20 e 15 artigos da Scopus21-35. O perfil amostral investigado nos artigos variou desde aqueles que pesquisaram a relação entre áreas ruidosas e os efeitos nos indivíduos residentes em seu entorno7,8,11,13,16,19,22,25-27,29,33,34,36-39, aqueles que pesquisaram a cidade inteira ou uma amostra representativa34,35. Outros artigos realizaram a aferição do ruído e entrevistaram diretamente a população21,25,28,31,34,38.

Considerando que o ruído é um problema de saúde global, optamos por apresentar as evidências por continentes. Dessa forma verificamos que 18 (54,5%) trabalhos são oriundos da Europa9,10,14,15,17,22-24,27-29,31,32,39, oito (24,2%) da América do Sul7,8,11-13,36-38, cinco (12,1%) da Ásia10,18,23,29,38, dois (6%) da América do Norte33,37, um (3%) da Oceania36. Na Tabela 3 estão apontados os 18 países de onde os artigos foram publicados. Destaca-se que a maioria foi publicada em língua inglesa.

Ainda sobre o desenho de estudo dos trabalhos, destaca-se um artigo estudo de coorte34, outros cinco foram classificados como revisões sistemáticas5,17,18,22,27, um como revisão narrativa33 e outro como revisão de escopo23. Outros três artigos são do tipo caso-controle21,25,29,15 artigos apresentaram-se como estudos transversais7,8,22,24,26-29,33-39, dois estudos de caso12,35 e dois estudos tratavam-se de dissertações14,20 e uma tese de doutorado19. Vários estudos revisados utilizaram delineamentos transversais para investigar as relações entre ruído urbano e saúde4,7,13,26,28,39. Esse tipo de delineamento é vantajoso por oferecer um panorama amplo e por identificar associações entre variáveis, porém esses estudos não apresentam desfechos que considerem a determinação de relações causais, uma vez que a exposição ao ruído e os efeitos sobre a saúde são avaliados de forma simultaneamente, sem o acompanhamento longitudinal necessário para verificar como a exposição cumulativa afeta a saúde ao longo do tempo. No entanto, esses estudos identificaram associações significativas entre níveis elevados de ruído e a incidência de problemas como distúrbios do sono e cardiovasculares, mas suas conclusões são limitadas em relação à causalidade devido ao delineamento transversal utilizado​.

Em contrapartida, as revisões sistemáticas e meta-análises incluídas neste artigo permitem uma análise mais robusta ao reunir evidências de múltiplos estudos sobre o impacto do ruído urbano. Essas revisões ampliam a compreensão sobre o tema, oferecendo uma visão geral dos efeitos negativos do ruído em diferentes contextos e populações. No entanto, enfrentam desafios relacionados à heterogeneidade metodológica dos estudos revisados, pois cada estudo utiliza diferentes métodos de medição e faixas de ruído, o que dificulta a comparação direta entre os resultados.

Tabela 3
Número de publicações por países

Síntese dos resultados

Os procedimentos de aferição do ruído variaram entre os artigos. Em uma análise temporal é possível verificar que os artigos publicados entre os anos de 2012 e 20148,19,33-35 preocuparam-se em estabelecer medidas de ruído a partir de dispositivos medidores. Contudo, outros artigos publicados ao longo do ano 2014 apresentaram em sua metodologia de aferição por dispositivos associados às escalas logarítmicas de previsão do ruído urbano33,34. Isso também é reproduzido em anos posteriores, como 201526,27 e 201623. Ainda ao longo de 2014, observa-se uma preocupação, por parte dos pesquisadores em analisar as normas regulamentadoras de tolerância e emissão de ruído urbano dos países25,27-29. Esses pesquisadores descrevem em seus artigos um paralelo entre a efetividade das normas e a realidade das cidades.

Os níveis de ruído urbano aferidos variaram, e é importante ressaltar que dentre os artigos que citaram normas regulamentadoras de emissão e tolerância ao ruído urbano, os valores aferidos estavam acima dos limites determinados11,30,31,36. Os valores máximos obtidos nesses artigos foram 56.7dB31, 60 a 80 dB30, 65 a 70 dB(A)11 e valores entre 55 e 65 dB36. Outros artigos apontaram valores mais intensos de ruído urbano tal como 85.8 dB10 em uma rodovia que liga Paka, Dungun e Terengganu em Kuala Lumpur (Malásia). Outros artigos obtiveram o valor de 93.3 dB37 em uma área residencial no Canadá. Outro trabalho apontou o valor de 94 dB16 nos arredores de um mercado público em João Pessoa (Brasil). As revisões sistemáticas apresentaram valores mais intensos variando de 96.5 dB24 a até 120 dB27. Um estudo investigou o ruído produzido por drones e relatou medidas de ruído de até 102,6 dB, e destacou que o ruído dos drones era substancialmente mais incômodo do que o do tráfego24. A pesquisa realizada na Coreia do Sul observou valores de ruído de até 100 dB em áreas de alta exposição. O estudo relatou distúrbios do sono como consequência do ruído29.

No Quadro 1 estão descritos todos os artigos incluídos nessa revisão, bem como os dados coletados que foram objeto desta revisão de escopo. O Quadro 2 apresenta as evidências por parte da literatura cinza. A relação dos efeitos do ruído na saúde humana foi realizada na maioria dos estudos por meio de questionários semiestruturados7,11,16,18,19,21,38, predição/inferência do impacto do ruído urbano na saúde humana4,13 e por aplicação de questionários concomitantes a exames físicos e sanguíneos após a exposição ao ruído32.

As consequências do ruído para saúde humana variaram devido o objetivo da proposta de cada pesquisa. Dessa forma, alguns autores concluíram que há um efeito significativo no distúrbio cognitivo, na habilidade e leitura, linguística e função executiva24. Outro autor identificou que o ruído dos drones é substancialmente mais incômodo6 do que outros ruídos. Os níveis de ruídos obtidos por pesquisadores em Santiago (Chile) revelaram associações entre a exposição ao ruído e distúrbios do sono, risco de doença cardiovascular, interferências na atividade de vida diária, raiva, desprazer, exaustão e estresse4. No Brasil, as pesquisas apontaram associação entre a exposição ao ruído e desconforto, desagrado19, incômodo11, interferências laborais, zumbido, cefaleia, estresse, desconcentração e irritabilidade16, indisposição, estresse e redução do desempenho físico7, efeitos negativos na saúde em geral13, incômodo e irritabilidade14 e perda auditiva20. Outros estudos apontaram outros sintomas associados à exposição a níveis elevados de ruído, tais como hiperatividade/desatenção5. Uma revisão sistemática qualitativa de 5 artigos aponta para efeitos como excitação simpática, aumento da frequência respiratória e variações perceptivas em resposta ao ruído22. Um estudo de caso-controle, realizado com estudantes revelou que o ruído do tráfego pode aumentar a velocidade do caminhar e, isso sugere uma resposta de estresse estimulado pelo ambiente21. Outro estudo de caso-controle com mulheres próximas ao aeroporto de Frankfurt sugere uma associação entre o ruído do aeromotor e o risco de câncer de mama25.

Quadro 1
Formulário de coleta de dados - principais achados dos artigos selecionados

Quadro 2
Formulário de coleta de dados principais achados

Resumo das evidências

Esta revisão objetivou analisar as principais evidências que mensuraram o ruído urbano e estabeleceram a relação entre os níveis de ruídos identificados e os efeitos na saúde humana. Por tratar-se de uma revisão de escopo, foram analisadas as metodologias empregadas nos estudos retomados e as formas de mensuração do ruído urbano. Por meio dessas análises pode-se estabelecer um raciocínio crítico sobre as formas de aferição do ruído e análise, os níveis de ruído e seus efeitos/impactos na saúde humana. Os artigos reunidos nessa revisão expressam a preocupação da ciência no entendimento dos fenômenos de adoecimento relacionados ao ruído urbano. Nenhum dos artigos avaliados abordou a dificuldade de percepção da fala e não usou a categorização de ouvintes e não ouvintes.

A identificação do ruído urbano é importante para o estabelecimento das medidas de prevenção e controle do ruído. Essa ação precisa ser realizada de maneira padronizada, considerando a natureza física do ruído e a sua fonte. Nesta revisão, boa parte das pesquisas que investigaram o ruído em campo atenderam essa prerrogativa em suas metodologias7,8,11,13,21,24-26,32,34,36-38. Destaca-se que as aferições do ruído urbano ocorreram em ruas, rodovias, em momentos de grande tráfego de veículos, assim como em momentos silenciosos. Em outras pesquisas autores investigaram a comparação dos valores mensurados em ambientes exteriores e interiores de domicílios. Estas são estratégias que apresentam aplicabilidades importantes para a caracterização das fontes e níveis de ruído urbano, das áreas de maior ou menor contaminação acústica e exposição da população. Tornando a evidência científica mais próxima da realidade em que os indivíduos estão expostos. Os indivíduos dos estudos variaram em relação a idade, gênero e nacionalidade, sendo majoritariamente indivíduos adultos e sem condições de saúde aparente ou informada16,21,25,26,28,30,31,37,38. Essas características se alinham aos objetivos dos estudos contidos nesta revisão.

Os níveis de ruído urbano encontrados e descritos nos artigos revisados apresentaram-se, em sua maioria, acima dos valores estabelecidos como aceitáveis, tanto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto para as leis e normas dos seus respectivos países11,13,16,19,21,39. A OMS especifica que o nível de pressão sonora não deve exceder 50 dB LAeq 16 hour nas áreas externas durante o dia e a noite não exceder a 30 dB LAeq 8 hour em áreas fora do quarto18. De acordo com a OMS a exposição a nível de ruído sem prejudicar a qualidade de vida e a saúde é de 55 dB(A) e durante o sono deve diminuir para 45 dB(A). A OMS ainda aponta que valores acima de 65 dB(A) podem gerar efeitos negativos11.No Brasil, a NBR 10151 estabelece o nível de pressão sonora equivalente (LAeq) em decibels ponderado em dB(A) estabelecendo os períodos diurno (das 7h às 22h) e noturno (das 22h às 07h), e limitando os valores de 55 dB e 50 dB respectivamente40. Como consequência são descritos diversos efeitos na saúde dos indivíduos pesquisados. Nesta revisão foram encontradas evidências de que o nível de ruído acima de 80 dB favorece a perda auditiva, o surgimento do zumbido, assim como causa incômodo, interferência nas atividades laborais, cefaleia, estresse, desconcentração e ansiedade16,20. Uma revisão da literatura apontou associação entre a exposição ao ruído de aeronaves e do tráfego com a habilidade cognitiva de atenção, em crianças24. Embora os sintomas auditivos sejam os primeiros a serem percebidos, a percepção subjetiva também merece destaque uma vez que repercute em todo organismo do indivíduo. Nenhum dos estudos incluídos nesta revisão mencionou tipo ou grau de perdas auditivas em decorrência do ruído urbano.

Entre os artigos revisados, alguns pesquisadores analisaram os aspectos subjetivos na percepção do ruído urbano e concluíram relações entre eles e os efeitos não-auditivos7,11,16. Esses autores destacaram o incômodo, desconforto, declínio do desempenho mental e a irritabilidade. Uma revisão sistemática apontou declínios nos desempenhos de leitura, fala e habilidade de linguagem. Os autores descrevem a relação entre a piora no desempenho na leitura com a distração causada por ruído de aeronave, cujo nível de ruído aferido foi igual a 60 dB LAeq24. O ruído urbano ainda promoveu efeitos negativos na qualidade de vida13,18, qualidade do sono4,10,23,27,29,34 e na saúde do sistema cardiovascular17,22,27,33,39. Uma revisão sistemática identificou um aumento da frequência cardíaca associado à exposição a níveis elevados de ruído, especificamente ao som de sirenes. Por meio de análises de regressão, os autores estabeleceram essa relação e destacaram que o impacto observado na frequência cardíaca foi equivalente ao registrado durante a prática de atividades físicas, como o jogo de tênis22. A literatura aponta que além desses sinais, o aumento da pressão sistólica e diastólica causa a liberação de hormônios de estresse, tais como catecolaminas e glicocorticoides22. Adicionalmente, níveis elevados de ruído foram associados a outros sintomas cardiovasculares, incluindo hipertensão, doença cardiovascular isquêmica e infarto39.

Essas evidências sustentam a preocupação das autoridades de saúde sobre o aumento do nível de ruído urbano. É plausível hipotetizar que estes efeitos podem culminar no aumento da prevalência do uso de medicações para regulação da pressão arterial, do sono e concentração. E isso pode ter impacto nos sistemas públicos e privado de saúde. É preciso discutir com a sociedade medidas de prevenção, assim como promover outros estudos que investiguem as repercussões socio-interacionais e nos sistemas de saúde relacionadas ao ruído urbano.

Considerando que no Brasil há legislação vigente, como a Resolução do CONAMA nº 001 de 03/03/1990 que instituiu o Programa Nacional de Educação e Controle de Poluição Sonora - Silêncio40, além das Normas de nº 10.151 e 10.152 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ainda assim, nesta revisão verificamos que os níveis de ruído ultrapassam as normas neste país7,11,13,14,16,20. Essas evidências reforçam mais uma vez a necessidade de discutir esse assunto com a sociedade e setores governamentais de infraestrutura e urbanismo.

Métodos de aferição do ruído urbano e a relação com a saúde humana

Alguns autores consideraram aspectos como local e o período do dia26,36-38 para aferição do ruído. Em sua maioria, essa consideração tem a ver com o fato do fluxo de trânsito que é a fonte de ruído urbano mais prevalente nos estudos. Outros autores realizaram predição do ruído urbano por meio de escalas logarítmicas23,33,34. Essa metodologia mostrou-se mais específica e, apesar deles não apresentarem a justificativa pela escolha deste método, sabe-se que a escala logarítmica permite representar grandes variações de intensidade sonora de forma mais compreensível e prática. Alguns autores especificaram o uso da escala L Aeq e justificaram o seu uso pelo fato de que esta escala é frequentemente usada para sintetizar os níveis sonoros em um determinado período. Outros autores também apontaram que essa escala é mais precisa11,23. Estes mesmos autores apontaram a evidência de que o ruído comunitário durante a noite é mais perigoso do que durante o dia, e propuseram as escalas LAeq,dn e LAeq,den nas quais os descritores de ruído (d refere-se a dia e e mostram noite). Outros autores também consideraram a especificidade do ruído durante os períodos de aferição, eles propuseram as escalas Lden e Ln para calcular a atividade de ruído nos espaços urbanos26. Um artigo de revisão apontou a evidência que subsidiou a OMS a elaborar um guideline que recomenda o limite logarítmico de Lden 45 dB a fim de evitar efeitos adversos na saúde por aeronaves18. O ouvido humano percebe o som de maneira logarítmica, o que torna essa escala mais adequada para avaliar o efeito do ruído na percepção e na saúde das pessoas. Outros pesquisadores utilizaram como base os valores já estabelecidos dos níveis de ruído urbano dos locais de estudo e, a partir deste utilizaram escalas logarítmicas26,27 para predizer os efeitos do ruído. Isso demonstra um avanço organizacional desses países, pois sinaliza que os setores de infraestrutura e urbanismo caracterizaram as regiões e zonas por meio de aferições direta do ruído.

A metodologia para aferir o ruído urbano está estabelecida e publicada em alguns países, como Áustria com o Austrian Guidelines32, a Bulgária com o Método Nacional Francês (NMPB-Routes-96)30, a Espanha com o European Noise Directive 2002/49EC (END)31 que utiliza o Método de Previsão do Ruído de Tráfego-96, Portugal com o Método de Previsão do Ruído de Tráfego - 9612. Estes instrumentos demonstram que aqueles países europeus há tempos investigam e preocupam-se com o ruído urbano. No Brasil existe legislação vigente que limita e promove o controle da poluição sonora40, além das Normas nº 10.151 e 10.152 da ABNT o que reflete a consciência dos prejuízos do ruído urbano, assim como os esforços em enfrentar os efeitos do ruído. Esta informação é relevante, pois as particularidades físicas do ruído e da sua fonte geradora exigem precisão e critério para aferição.

Os métodos de aferição apresentados pelos estudos reunidos nesta revisão são reprodutíveis e os níveis de ruído urbano identificados por meio deles demonstram a acurácia na metodologia empregada por eles, haja vista aos sintomas relatados por todos os entrevistados. Os aparelhos e as técnicas empregadas na aferição do ruído urbano também são destacados pela maioria dos autores. É importante ressaltar que houve uma grande variabilidade de aparelhos, contudo, a descrição das técnicas empregadas foi o que mais sobressaiu entre artigos7,8,11-13,24,26,28,34,36-38. Deve-se esclarecer que os objetivos de cada estudo implicaram em formas, posições, horários e período diferentes de aferição. As características dos aparelhos de aferição também variaram desde aparelhos portáteis (Hand-Held) com protetor de vento acoplado ao microfone11, um medidor de nível de som acoplado a um microfone externo4, medidor de nível sonoro (MNS)20, medidor de nível sonoro tipo 1, com bandas de oitava, calibrador de nível sonoro especificações ANCI S1.40-1984 e IEC 942:1998 Classe 1. Frequência: 1000 Hz. Amplitude: 114 dB14, medidor de pressão sonora digital (decibelímetro)7,16 e medidor de pressão sonora tipo II, com circuito de compensação “A” e resposta rápida13. Entre os estudos de revisão sistemática, somente um apresentou o detalhamento dos aparelhos de medição do ruído, estes estudos apresentaram 22 (vinte dois) microfones, uma sonda de intensidade e uma superfície hemisférica de medição6. Contudo, consideramos que a diversidade de dispositivos e a falta de informação sobre calibração e precisão de aferição pode de alguma forma ter influenciado os resultados dos estudos. Nos artigos, o estabelecimento da relação entre os efeitos do ruído urbano e a saúde humana foi feito a partir de entrevistas e questionários. Esta metodologia é prática, barata e rápida, contudo, pode não traduzir a total realidade destes efeitos por parte do entrevistado. Da mesma maneira, aqueles estudos que inferiram os efeitos do ruído urbano na saúde com base em modelos preditivos. É imperioso considerar que outras metodologias de estudo possam ser desenvolvidas, a fim de reduzir os vieses em torno da coleta dos dados.

Os efeitos do ruído urbano não ocorrem de forma homogênea, variando conforme fatores socioeconômicos e culturais, além de condições geográficas. O estudo realizado nos bairros de Santiago no Chile4, e o estudo realizado em Campos do Jordão (SP - Brasil), demonstram variações nos níveis de incômodo e saúde em regiões de diferentes características. Essas diferenças ressaltam a necessidade de políticas locais adaptadas a cada realidade, considerando a densidade populacional, os padrões de atividade urbana e os recursos disponíveis para mitigar os efeitos do ruído. Em áreas urbanas densamente povoadas, como as grandes metrópoles, a concentração de veículos, atividades comerciais e industriais contribuem para níveis de ruído mais altos e persistentes. Alguns estudos mostram que bairros com alta movimentação urbana tendem a registrar níveis de ruído mais elevados, provocando um efeito negativo na qualidade de vida dos moradores4,14. O aumento no incômodo e nos problemas de saúde, como estresse e distúrbios do sono, é especialmente comum nessas regiões devido à exposição contínua ao ruído acima de 60 dB, o que ultrapassa os limites considerados seguros para a saúde.

Os efeitos do ruído urbano podem ainda ser mais graves em comunidades de menor renda, nas quais verifica-se menos recursos para investimentos em infraestrutura para isolamento acústico e menos acesso a áreas silenciosas. Um estudo conduzido em Capivari em Campos do Jordão13 apontou que a população de menor poder aquisitivo, em geral, reside em áreas mais próximas das fontes de ruído intenso e menos sujeitas a intervenções regulatórias. Essas comunidades podem enfrentar riscos consideráveis de problemas cardiovasculares e de saúde mental devido à exposição prolongada ao ruído sem a possibilidade de mitigação por meio de estruturas adequadas22. Os fatores culturais também influenciam como o ruído é percebido e como ele afeta os indivíduos. Em áreas onde há uma cultura de convivência mais tolerante em relação ao barulho, como certas regiões metropolitanas, os moradores podem relatar menor incômodo subjetivo, embora os efeitos na saúde física ainda estejam presentes. Por outro lado, em países como a Suíça, onde os padrões de ruído são mais rígidos e os habitantes estão acostumados a ambientes mais silenciosos, mesmo pequenos aumentos nos níveis de ruído são percebidos como incômodos, conforme apontado em uma pesquisa6.

Considerar a influência do clima e da geografia é importante, pois esses aspectos podem amplificar ou reduzir os efeitos do ruído. Em áreas com temperaturas elevadas, é comum que as pessoas mantenham as janelas dos espaços abertas por mais tempo e isso pode aumentar a exposição ao ruído externo. Por outro lado, em regiões mais montanhosas, o som tende a reverberar, intensificando a sensação de incômodo. Um estudo realizado em áreas específicas, localizadas em regiões montanhosas de Kuala Lumpur10 aponta que o ruído gerado pelo tráfego pode se propagar de maneira mais intensa, afetando a qualidade de vida e o bem-estar dos residentes.

Avanços e Recomendações

Para a redução do ruído urbano, uma série de intervenções pode ser considerada. Embora os artigos incluídos não apresentem estratégias para a prevenção do ruído, a literatura mostra que medidas como a instalação de barreiras acústicas em áreas de grande circulação e a criação de zonas de silêncio em bairros residenciais são estratégias eficazes em muitas cidades. Adicionalmente, monitoramentos em tempo real podem permitir ajustes rápidos nos níveis de ruído urbano. Essas soluções, aliadas a um trabalho de conscientização da população e a uma fiscalização rigorosa sobre os ruídos de tráfego, podem oferecer melhorias significativas na qualidade de vida e na saúde da população. Em algumas cidades europeias, políticas rigorosas de controle de ruído, como as que seguem a Diretiva Europeia de Ruído, oferecem proteção adicional à população, impondo limites máximos e incentivando zonas de silêncio. Isso contrasta com áreas de países com menos regulamentação, onde os níveis de ruído são menos controlados e a população fica mais exposta. Um estudo que compara aeroportos em cidades na Europa e Ásia2, destaca que a diferença nas regulamentações e políticas públicas é um fator determinante para a variação na qualidade de vida e na incidência de problemas de saúde em regiões distintas.

Limitações

Apesar do nível de critério na identificação dos artigos selecionados e de a busca ter seguido estratégias sugeridas na literatura, ainda assim boa parte dos estudos foram descartados. A maioria dos artigos retornados é do tipo transversal e, tal desenho de estudo não permite generalizar os resultados, assim sendo, ainda que sejam realizadas outras revisões, faz-se plausível, incentivar outros desenhos de estudo dentro desse tema, para que se compreenda, a longo prazo, os efeitos do ruído urbano, bem como a eficácia das medidas de prevenção.

Entre os artigos revisados nem todos apontaram as suas limitações, contudo, aqueles que apresentaram essas informações destacaram: a influência do contexto de coleta da percepção do ruído nos resultados4, dificuldade no mapeamento do ruído por ruas11. Entre as revisões sistemática, a escassez de pesquisas por períodos de tempo foi a limitação mais prevalente6,22,24,25. Outro artigo apontou o nível de evidência relativamente baixo nos seus resultados39. Nenhum dos artigos revisados informou fatores de interferência entre os equipamentos de aferição e os resultados.

É pertinente ressaltar que as evidências encontradas a partir dessa revisão suscitam a importância de analisar os efeitos do ruído urbano para a saúde humana. Da mesma maneira, esta revisão chama à atenção para a necessidade das áreas da saúde e da infraestrutura pública estabelecerem ações baseadas na ciência e na prevenção dos agravos de saúde demonstrados por meio das evidências já publicadas. Assim sendo, essa revisão mostra-se como um instrumento de fundamentação para o reconhecimento e de ponto de partida para tomadas de decisão.

CONCLUSÃO

Os resultados desta revisão destacam o crescente interesse dos pesquisadores em explorar os efeitos não auditivos do ruído urbano sobre a saúde humana. Os artigos selecionados nesta revisão apresentaram métodos diversos de aferição do ruído, porém todos pautados e fundamentados em evidência científica e nas normas vigentes dos seus respectivos países. A aplicação da escala logarítmica aumentou nos últimos anos nos artigos selecionados nesta revisão. O estabelecimento da relação entre o ruído urbano e seus efeitos na saúde humana foi, em sua maioria, realizados por meio de questionários e modelos de predição ou por inferência. Dessa forma, os efeitos do ruído urbano na saúde humana mais prevalentes nessa revisão foram sustentados de forma não objetiva. Essas evidências reforçam a preocupação de pesquisadores e das autoridades de saúde no enfrentamento do ruído, com a defesa e criação de medidas preventivas. Ainda, faz-se imperiosa a elaboração e validação de instrumentos confiáveis para medir a percepção do ruído pelos indivíduos.

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  • Estudo realizado na Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.
  • Fonte de financiamento
    O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
  • Declaração de compartilhamento de dados
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Editado por

  • Editor Chefe
    Hilton Justino da Silva
  • Editor Associado
    Kelly da Silva

Disponibilidade de dados

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Nov 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    23 Mar 2024
  • Revisado
    29 Maio 2024
  • Aceito
    02 Abr 2025
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