Resumo
Introdução Condições de vida, trabalho e saúde de professores(as) têm sido amplamente pesquisadas nas últimas décadas.
Objetivo Apresentar o conjunto de estudos produzidos no âmbito de três projetos de pesquisa sobre situação de saúde, hábitos e comportamentos de professores da educação básica da rede pública estadual de Minas Gerais; com foco nas associações com o trabalho docente.
Métodos Trata-se de um estudo de revisão narrativa dos artigos publicados até o mês de julho de 2024.
Resultados Foram identificados 52 artigos publicados em 37 diferentes periódicos. Em relação à situação de saúde, destacaram-se os desfechos: sobrepeso/obesidade; morbidades autorreferidas; uso de medicamentos e covid-19. Quanto aos hábitos e comportamentos, foram investigados: prática de atividades físicas e de lazer; consumo de água, frutas, verduras e legumes; tempo dedicado às telas; etilismo; tabagismo e horas de sono. Foram encontradas associações entre sintomas de problemas mentais e vocais e aspectos do trabalho docente, como maior jornada semanal, antiguidade na profissão, dificuldades com o trabalho remoto na pandemia e insatisfação com o trabalho.
Conclusão Os estudos revisados contribuem para desvelar um cenário abrangente e aprofundado sobre a saúde de professores(as) e as condições do trabalho docente na educação básica.
Palavras-chave:
Professores Escolares; Educação Básica; Saúde do Trabalhador; Inquéritos Epidemiológicos
Abstract
Introduction Teachers’ living, working, and health conditions have been widely researched in recent decades.
Objective To present a set of articles published within the scope of three research projects focusing on schoolteachers of state public schools of Minas Gerais, Brazil; and to analyze the health situation, habits, and behaviors of these teachers, identifying associations with teaching work.
Methods This is a narrative review study of the articles published until July 2024.
Results A total of 52 articles published in 37 different journals were identified. Regarding health status, the following aspects stood out: overweight/obesity; self-reported morbidities; use of medications; and COVID-19. Regarding habits and behaviors, the following topics were investigated: physical and leisure activities; consumption of water, fruits, vegetables, and legumes; time spent on screens; alcohol consumption; smoking, and hours of sleep. Statistical associations were found between aspects of teaching work, such as longer weekly working hours, seniority in the profession, difficulties with remote work during the pandemic, job dissatisfaction, and symptoms of mental and vocal problems.
Conclusion The reviewed studies provide a comprehensive and in-depth portrayal of the health and working conditions of teachers in basic education.
Keywords:
Schoolteachers; Elementary Education; Worker Health; Epidemiological Surveys
Introdução
A educação é fator essencial na vida do indivíduo e seria impróprio tratar de qualidade de ensino sem uma compreensão abrangente do relevante papel das condições de trabalho encontradas por professoras e professores nas escolas e sem se considerar a saúde e o bem-estar dessas e desses docentes1. Condições de vida, de trabalho e de saúde de professores das diferentes etapas de ensino e redes administrativas têm sido amplamente pesquisadas desde a década de 19902,3, com destaque para estudos realizados entre professores da educação básica1,4,5. A produção científica tem mostrado repetidamente, ao longo desses anos, a desvalorização da professora e do professor, a intensificação do trabalho docente, a precarização das condições de trabalho e o adoecimento físico e mental desses profissionais6,7.
A partir desse panorama, foram desenvolvidos três projetos de pesquisa abordando as condições de vida, trabalho e saúde de professores da educação básica da rede pública estadual de Minas Gerais, com o intuito de subsidiar políticas públicas que busquem atender adequadamente as necessidades em saúde dessa população. As pesquisas aqui focalizadas foram conduzidas por um grupo estruturado a partir da parceria entre os Programas de Pós-graduação em Saúde da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG).
O primeiro projeto realizado, intitulado Condições crônicas de saúde e fatores associados entre professores da rede pública: estudo de base populacional (Projeto ProfSMoc), foi desenvolvido em 2016 e teve como objetivo avaliar as condições de saúde dos professores da educação básica de escolas estaduais de Montes Claros, MG. O relatório com os principais resultados foi publicado por Magalhães et al.8. Em 2020, com a emergência da pandemia da covid-19, o grupo de pesquisa encontrou a oportunidade de ampliar a população de estudo do município de Montes Claros para todo o estado de Minas Gerais, dando origem ao segundo projeto. Condições de saúde e trabalho dos professores da educação básica da rede estadual de ensino de Minas Gerais na pandemia da covid-19 (ProfSMoc – Etapa Minas Covid) foi o título do projeto que teve como objetivo investigar condições de saúde e trabalho de professores da educação básica de escolas estaduais de Minas Gerais no contexto da pandemia. Os principais resultados estão disponíveis em publicação de Souza e Silva et al.9. Em 2021, no momento de retomada das atividades presenciais de ensino, teve início o terceiro projeto, intitulado Condições de saúde e trabalho de professores da educação básica do estado de Minas Gerais: estudo de coorte (Projeto ProfSMinas), que contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) (Edital 001/2022 – Demanda Universal – Processo APQ-00901-22). O objetivo foi avaliar longitudinalmente as condições de saúde e trabalho dos professores da educação básica de escolas estaduais de Minas Gerais, com atividades desenvolvidas em duas fases: o baseline, realizado em 2021; e o seguimento, cuja coleta de dados ocorreu entre outubro de 2023 e março de 2024. Os principais resultados da primeira fase (baseline) estão disponíveis em publicação de Barbosa et al.10.
Este estudo tem por objetivos: 1) apresentar o conjunto dos artigos publicados que relatam resultados dos projetos ProfSMoc, ProfSMoc – Etapa Minas Covid e ProfSMinas; e 2) analisar a situação de saúde, hábitos e comportamentos de professores, a partir de resultados dos estudos epidemiológicos publicados, identificando associações estatísticas observadas entre tais aspectos – situação de saúde, hábitos e comportamentos – e características do trabalho docente.
Métodos
Trata-se de um estudo de revisão narrativa, realizado a partir de levantamento dos artigos que relatam resultados dos projetos ProfSMoc, ProfSMoc – Etapa Minas Covid e ProfSMinas. Estudos de revisão narrativa têm o objetivo de identificar o “estado da arte” acerca de um tema ou assunto e, além disso, podem contribuir no debate de determinadas temáticas, levantando questões e colaborando na aquisição e atualização do conhecimento em curto espaço de tempo11,12. Dessa forma, tal metodologia foi compreendida como adequada para a revisão em questão, permitindo tratar da temática “condições de vida, trabalho e saúde de professores da educação básica da rede pública estadual de Minas Gerais”, sob a ótica dos resultados obtidos nos projetos supracitados.
Os critérios de inclusão definidos foram artigos completos publicados em português ou inglês, no período de 2017 até o mês de julho de 2024, no âmbito dos três projetos.
O processo de busca dos estudos ocorreu em dois momentos: 1) identificação dos artigos já publicados, conforme informações registradas nos relatórios dos respectivos projetos de pesquisa; e 2) busca dos textos completos na internet.
Após leitura, as seguintes informações foram extraídas do conjunto dos textos: autoria, ano de publicação, título do artigo, nome do periódico, idioma em que foi publicado, objetivo, variável dependente, variáveis independentes, tipo de análise estatística realizada e associações encontradas.
Na Plataforma Sucupira (https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf) foram coletadas as informações sobre a classificação de cada um dos periódicos segundo a Classificação de Periódicos Quadriênio 2017–2020 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Qualis/Capes 2017–2020). Nas páginas dos periódicos foram coletados seus respectivos fatores de impacto. As informações foram registradas em uma planilha do Microsoft Excel 2016®.
Os principais aspectos metodológicos dos estudos aqui focalizados são apresentados nas subseções a seguir. Os três projetos foram conduzidos de forma independente, não se tratando de etapas de um mesmo estudo longitudinal. Embora tenham sido conduzidos com professores(as) de escolas estaduais, os estudos não utilizaram a mesma amostra. O ProfSMoc foi conduzido com professores(as) que atuavam em Montes Claros, diferentemente dos outros dois projetos, que tiveram abrangência estadual. Portanto, é possível que determinado(a) professor(a) tenha participado de mais de um estudo. No entanto, o grupo de pesquisa considerou que a probabilidade de repetição seria restrita e decidiu não adotar critérios que impedissem a participação de mesmo(a) professor(a) nos diferentes projetos.
Projeto 1: ProfSMoc
Estudo epidemiológico transversal com amostra probabilística de 745 professoras e professores da educação básica no exercício da função de regente de sala de aula há pelo menos um ano no momento da coleta de dados. Incluíram-se docentes de 35 escolas estaduais localizadas no município de Montes Claros, MG. A coleta de dados ocorreu no período de março a dezembro de 2016, utilizando-se questionário autoaplicável, previamente testado em estudo piloto. As questões foram agrupadas em blocos, conforme descrito no Quadro 1. Adicionalmente, realizaram-se avaliações vocal e física, com aferição de variáveis antropométricas. A conferência das respostas e as avaliações foram realizadas com a utilização de procedimentos padronizados por equipe de pesquisadores treinados. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unimontes (Parecer nº 1.293.458, em 23 de outubro de 2015). Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Blocos e questões do formulário de coleta de dados do projeto Condições crônicas de saúde e fatores associados entre professores da rede pública: estudo de base populacional (ProfSMoc), 2016
Projeto 2: ProfSMoc – Etapa Minas Covid
Trata-se de estudo epidemiológico transversal, do tipo websurvey, com coleta de dados por meio de formulário on-line. Participaram 15.641 professores da educação básica que estavam em exercício da função docente no ano de 2020, em escolas estaduais de Minas Gerais. A coleta de dados ocorreu entre 20 de agosto e 11 de setembro de 2020. O formulário de pesquisa, previamente testado em estudo-piloto, foi organizado em blocos de questões extraídas ou adaptadas de inquéritos de saúde realizados no Brasil, aplicados à população em geral ou especificamente à categoria docente. Detalhes estão descritos no Quadro 2. As perguntas sobre diversos temas eram referentes a situações anteriores e posteriores à pandemia, a fim de captar mudanças em aspectos relacionados ao trabalho docente, às condições de vida e saúde, hábitos e comportamentos. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unimontes (Parecer nº 4.200.389, em 07 de agosto de 2020). Todos os participantes receberam o TCLE ao acessarem o formulário de pesquisa.
Blocos e questões do formulário de coleta de dados do projeto Condições de saúde e trabalho dos professores da educação básica da rede estadual de ensino de Minas Gerais na pandemia da covid-19 (ProfSMoc – Etapa Minas Covid), 2020
Projeto 3: ProfSMinas
Trata-se de estudo epidemiológico longitudinal, do tipo websurvey. Para a coleta de dados da linha de base, foi utilizado formulário on-line. Essa coleta ocorreu entre 26 de outubro e 31 de dezembro de 2021 – período em que estavam sendo retomadas as atividades presenciais nas escolas estaduais de Minas Gerais. Participaram 1.907 professores da educação básica que trabalhavam em escolas do Estado no momento da pesquisa. O formulário foi testado em estudo-piloto e era composto, predominantemente, por instrumentos previamente validados para o Brasil. Os blocos e as questões estão descritos no Quadro 3. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unimontes (Parecer nº 4.964.125, em 10 de setembro de 2021). Todos os participantes receberam o TCLE ao acessarem o formulário de pesquisa.
Blocos e questões do formulário de coleta de dados da linha de base do projeto Condições de saúde e trabalho de professores da educação básica do estado de Minas Gerais: estudo de coorte (ProfSMinas), 2021
Resultados
Características de professoras e professores participantes
Entre 745 participantes do ProfSMoc, 83,0% eram mulheres; 66,6% tinham entre 30 e 49 anos; 70,2% se declararam não brancos(as); 62,4% viviam com companheiro(a); 69,0% tinham filhos(as); 21,4% tinham renda familiar entre um e três salários-mínimos e 55,8% tinham pós-graduação. Sobre as características do trabalho e emprego, 64,7% trabalhavam como professor(a) há, pelo menos, 15 anos; 80,4% tinham jornada semanal de até 39 horas e 55,0% eram contratados(as) ou designados(as) – professores(as) temporários(as), sem vínculo efetivo com as escolas (Tabela 1).
Características sociodemográficas e econômicas, características do trabalho e emprego e situação de saúde de participantes dos projetos Condições crônicas de saúde e fatores associados entre professores da rede pública: estudo de base populacional (ProfSMoc); Condições de saúde e trabalho dos professores da educação básica da rede estadual de ensino de Minas Gerais na pandemia da covid-19 (ProfSMoc – Etapa Minas Covid) e Condições de saúde e trabalho de professores da educação básica do estado de Minas Gerais: estudo de coorte (ProfSMinas)
No ProfSMoc – Etapa Minas Covid, entre os 15.641 participantes, 81,9% eram mulheres; 66,7% tinham entre 30 e 49 anos; 51,1% se autodeclararam não brancos(as); 66,8% viviam com companheiro(a); 72,6% tinham filhos(as) e 52,4% relataram renda familiar entre um e três salários-mínimos. Quanto às características de trabalho e emprego, 58,0% trabalhavam como professor(a) há, pelo menos, 15 anos; 84,2% tinham jornada de trabalho de até 39 horas semanais e 46,0% eram contratados(as) ou designados(as) (Tabela 1).
Na primeira fase do ProfSMinas, entre os 1.907 participantes, 77,2% eram mulheres; 64,5% tinham entre 30 e 49 anos; 45,5% se autodeclararam não brancos(as); 60,8% viviam com companheiro(a); 29,9% tinham filhos(as) menores de 10 anos no domicílio e 51,1% relataram renda familiar entre um e três salários-mínimos. Em relação às características de trabalho e emprego, 59,2% trabalhavam como professor(a) há, pelo menos, 15 anos; 65,7% tinham jornada de trabalho de até 39 horas semanais e 42,5% eram contratados(as) ou designados(as) (Tabela 1).
A Tabela 1 apresenta mais detalhes sobre características sociodemográficas e econômicas, características do trabalho e emprego e situação de saúde de participantes dos três projetos.
Publicações ProfSMoc, Etapa Minas Covid e ProfSMinas
A partir dos dados coletados nos projetos ProfSMoc, ProfSMoc – Etapa Minas Covid e ProfSMinas, foram publicados 52 artigos entre os anos de 2017 e 2024, em 37 periódicos científicos indexados, sendo 28 periódicos publicados no Brasil e nove no exterior. Nos 28 periódicos publicados no Brasil, totalizaram-se 43 artigos, sendo 28 em português, oito em inglês e sete publicações bilíngues (português e inglês). Já nos nove periódicos publicados no exterior, totalizaram-se nove artigos, sendo oito em inglês e um em português. Os periódicos nos quais os artigos foram publicados tinham fator de impacto entre 0,465 e 3,900. Em relação ao Qualis/Capes 2017-2020, 14 artigos foram publicados em periódicos do extrato A, 36 em periódicos do extrato B e dois artigos foram publicados em periódicos não classificados.
O Quadro 4 apresenta o conjunto de artigos de acordo com o projeto ao qual se vinculam os dados, autoria e ano de publicação, título do artigo, nome do periódico e Qualis/Capes.
Artigos publicados que relatam resultados dos projetos Condições crônicas de saúde e fatores associados entre professores da rede pública: estudo de base populacional (ProfSMoc), Condições de saúde e trabalho dos professores da educação básica da rede estadual de ensino de Minas Gerais na pandemia da covid-19 (ProfSMoc – Etapa Minas Covid) e Condições de saúde e trabalho de professores da educação básica do estado de Minas Gerais: estudo de coorte (ProfSMinas)
Do total de artigos publicados, dois deles utilizaram abordagem qualitativa, baseada no Interacionismo Simbólico, com o objetivo de compreender os processos envolvidos na relação saúde-doença a partir das vivências de professoras e professores e de suas condições de trabalho41,55. Os demais 50 artigos caracterizam-se como estudos epidemiológicos e utilizaram metodologias quantitativas para a análise dos dados.
Dentre os 50 estudos quantitativos, sete realizaram apenas análises descritivas das populações dos estudos segundo as variáveis selecionadas. Outros dois, além da análise descritiva, utilizaram testes estatísticos – χ2 de Pearson e teste T para amostras pareadas – para identificar diferenças significativas entre os grupos avaliados. Os demais 41 estudos analíticos utilizaram modelos estatísticos – regressão de Poisson com variância robusta, regressão logística ou equações estruturais – para investigar associações brutas e ajustadas entre as variáveis. Dentre as temáticas gerais, houve a investigação de diferentes situações de saúde, hábitos e comportamentos, condições de vida, condições de trabalho e violência doméstica durante a pandemia.
Desfechos investigados e associação com o trabalho docente
Situação de saúde
Os estudos que investigaram desfechos relacionados à situação de saúde de professoras e professores abordaram os seguintes temas: sobrepeso/obesidade, morbidades autorreferidas, saúde mental, saúde vocal, saúde bucal, relatos de dores nas costas, uso de medicamentos, histórico de covid-19, aumento do peso corporal durante a pandemia e autoavaliação de saúde.
Os estudos que analisaram sobrepeso/obesidade observaram percentuais entre 48,5 e 52,7%38,44,46,68. Entre os fatores que apresentaram associação estatística, destacaram-se: padrão alimentar inadequado, insatisfação com a imagem corporal, sintomas ou diagnóstico de ansiedade/depressão e autoavaliação negativa da saúde. A autoavaliação foi tema investigado por Barbosa et al.47. No referido estudo, aproximadamente um terço dos professores avaliou negativamente a própria saúde (32,9%) e observou-se associação da autoavaliação negativa com doenças crônicas e queixas vocais. O autorrelato de aumento do peso corporal durante a pandemia foi de 58,0% e associou-se diretamente ao aumento do tempo de uso de computadores no período82.
Em relação às morbidades autorreferidas, Souza e Silva et al.39 observaram que 85,0% de professoras e professores relataram, pelo menos, uma morbidade. O percentual de hipertensos na população estudada foi de 17,3%40 e 25,0%45. E foram investigados, ainda, fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis50.
Quanto aos desfechos relacionados à saúde mental, foi observada prevalência de 13,8% da síndrome de burnout48, 40,2% de sintomas de estresse51 e foram investigados fatores associados aos sintomas depressivos54. Além disso, 25,0% relataram diagnóstico médico de ansiedade e 8,6% diagnóstico médico de depressão durante a pandemia83. Ainda, verificou-se 82,3% dos(as) participantes apresentaram pelo menos um problema de saúde mental durante a pandemia, dentre eles: aumento do consumo de álcool, problemas de sono e uso de medicamentos psicotrópicos61.
As investigações sobre a saúde vocal indicaram prevalência de 19,3% de distúrbios de voz52, 79,2% de professoras e professores relataram sinais e sintomas vocais53 e 20,2% apresentaram queixas compatíveis com desvantagem vocal85.
A saúde bucal durante a pandemia foi tema de duas investigações. Observou-se redução na frequência de higiene bucal em 6,5%75 e, ainda, que 15,3% dos(as) respondentes não haviam utilizado o serviço odontológico durante todo o período de distanciamento social (2020–2021) e 43,8% não o fizeram no ano anterior à pesquisa84.
Quanto aos relatos de dores nas costas, 57,8% relataram surgimento62 e 35,4% relataram piora das dores73 em decorrência das mudanças nas atividades habituais devido à pandemia.
Eloy et al.70 investigaram o autorrelato sobre a adesão ao uso de medicamentos prescritos durante a pandemia e observaram que 3,4% haviam diminuído a adesão, para 74,7% não houve diferenças e 21,9% relataram ter melhorado a adesão ao uso de medicamentos prescritos. Outro estudo observou um aumento de 14,5% no uso de medicamentos não prescritos no mesmo período74.
Entre participantes da Etapa Minas Covid, 1,2% haviam apresentado teste positivo para a doença no momento da coleta de dados (entre agosto e setembro de 2020); dentre elas e eles, 6,5% precisaram de internação hospitalar56, 69,6% apresentaram cefaleia, 63,5% perda completa do olfato e do paladar, 52,5% tosse seca e 49,2% fadiga ou cansaço excessivo71.
Hábitos e comportamentos
Dentre os hábitos e comportamentos investigados no ProfSMoc, observou-se insuficiência de atividades físicas – frequência e/ou duração – em 50,6% dos(as) participantes42 e 7,1% necessitavam melhorar aspectos relacionados aos componentes físicos, psicológicos e sociais do estilo de vida49. Ainda, Magalhães et al.43 identificaram diferenciais de gênero com maior frequência entre mulheres, que apresentaram maiores frequências de comportamentos saudáveis, considerando relatos de hábitos tabagista e etilista, consumo alimentar, horas diárias de TV, consumo de água e horas de sono.
Na Etapa Minas Covid, observou-se prevalência de 31,1% de hábitos inadequados – baixo consumo de frutas, verduras e legumes, sobrepeso/obesidade, inatividade física, etilismo e tabagismo79,89, redução das atividades de lazer para 43,0% dos(as) participantes77, 69,5% relataram que não estavam praticando atividades físicas ao ar livre78, aumento significativo do tempo dedicado às telas (computadores, tablets e TV) durante a pandemia em comparação ao período anterior76 e 73,9% não utilizavam transporte ativo – forma de mobilidade dos indivíduos que utiliza apenas meios físicos, tais como caminhar e andar de bicicleta – para deslocamento até o local de trabalho no período anterior à pandemia59.
Na primeira etapa do ProfSMinas, observou-se percentual semelhante de transporte inativo para o trabalho (73,2%)88, elevada exposição ao comportamento sedentário (42,0%) e associação com o uso excessivo de smartphone87e maior frequência de insuficiência de atividades físicas entre indivíduos idosos (idades entre 60 e 72 anos) em comparação àqueles com idade inferior a 60 anos86.
Em relação à adesão ao distanciamento social durante a pandemia, 79,8% dos(as) participantes da Etapa Minas Covid responderam que estavam ficando em casa e saindo apenas por necessidades de atendimento à saúde e/ou compras em supermercados e farmácias67. Durães et al.57 investigaram possíveis relações entre a adesão ao distanciamento social e hábitos alimentares de participantes da pesquisa. Por um lado, observou-se aumento no consumo de alimentos não saudáveis (doces: 19,5%; refrigerantes: 13,3% e embutidos: 12,0%) e, por outro, o aumento no consumo de alimentos saudáveis (verduras: 13,1% e frutas: 12,6%). Adicionalmente, o consumo de alimentos não saudáveis (combinação de carnes processadas, pratos congelados, salgadinhos, doces, refrigerantes e sucos artificiais) foi mais frequente entre professoras e professores com jornada de trabalho igual ou superior a 40 horas semanais, aqueles(as) que estavam insatisfeitos(as) com o trabalho docente durante a pandemia e que relataram sobrecarga de trabalho no período81.
Quanto à ingestão de bebidas alcoólicas durante a pandemia, Cunha et al.65 observaram associação entre perfil de consumo alimentar saudável, diminuição do peso e redução do consumo de álcool. O perfil de consumo alimentar não saudável associou-se ao ganho de peso, consumir mais álcool ou começar a beber durante a pandemia e aumento do consumo de cigarros. Em outro estudo, 7,1% dos(as) respondentes relataram aumento no consumo de álcool em relação ao período pré-pandêmico; sendo maior entre os homens, os mais jovens, aqueles com maior renda familiar e que estavam experimentando problemas de sono66. Aumento no consumo de álcool foi observado também em estudo que focalizou professoras e professores de educação física (10,3%)64.
Entre participantes que se declararam fumantes, 44,9% aumentaram o consumo de cigarros no período; com maior prevalência entre aqueles(as) com problemas de sono, que aumentaram também o consumo de álcool, com sentimentos frequentes de tristeza e entre os(as) que não estavam praticando atividades físicas80.
Associações estatísticas com o trabalho docente
Entre participantes do ProfSMoc, foram observadas associações entre maior jornada semanal de trabalho e sobrepeso/obesidade46, sintomas de estresse51 e presença de distúrbios de voz52. Rossi-Barbosa et al.53 observaram associação entre relatos de sinais e sintomas vocais e mais tempo de atuação na docência.
Indivíduos insatisfeitos com o trabalho apresentaram maior prevalência de comportamentos de risco em relação às doenças crônicas não transmissíveis50, além de maiores prevalências de autoavaliação negativa da saúde47, síndrome de burnout48, estresse51, sintomas depressivos54, diagnósticos de depressão e ansiedade83, estilo de vida não saudável49. Maior prevalência da síndrome de burnout associou-se, ainda, ao desejo de mudar de profissão e à falta de apoio da direção da escola48. Autoavaliação negativa de saúde foi mais prevalente também entre os professores que relataram superlotação das turmas47.
Entre participantes da Etapa Minas Covid, 90,6% relataram algum grau de dificuldade com as atividades de ensino remotas e tais dificuldades foram maiores entre aquelas e aqueles que não possuíam computador ou compartilhavam com alguém do domicílio e possuíam pouco domínio das tecnologias72. Experimentar dificuldades no trabalho remoto também se associou à maior chance de diagnóstico de depressão83, ao surgimento ou agravamento das dores nas costas devido a mudanças nas atividades habituais62,73 e ao aumento do consumo de álcool durante a pandemia66.
O relato de surgimento ou agravamento das dores nas costas na pandemia foi mais frequente entre respondentes com maior tempo de trabalho na docência, maior jornada semanal e que relataram sobrecarga de trabalho na pandemia62,73. Participantes com maior jornada semanal de trabalho durante a pandemia apresentaram, também, maior prevalência de sobrepeso/obesidade68, maior chance de diagnóstico de depressão83, maior frequência de hábitos inadequados de saúde79 e maior adesão ao distanciamento social no período67.
Outra variável que se destacou foi a insatisfação com o trabalho docente durante a pandemia. Entre os(as) participantes, 33,7% estavam insatisfeitos(as) e a prevalência foi maior entre pessoas mais antigas na profissão e aquelas com dificuldades no trabalho remoto60. A insatisfação manteve-se associada, também, ao aumento da automedicação74, do consumo de álcool66 e de cigarros80 e, além de se associar aos hábitos inadequados de saúde79 e à redução da prática de atividades de lazer77.
No ProfSMinas, insatisfação com o trabalho docente apresentou associação com presença de desvantagem vocal85, transporte inativo88 e elevada exposição ao comportamento sedentário87. A desvantagem vocal também se associou ao maior tempo de atuação na docência85.
Outros desfechos
Estudo realizado por Bicalho et al.69 identificou aumento da violência doméstica durante a pandemia em 35,4% dos domicílios de professoras e professores que relataram episódios anteriores de violência. A prevalência foi maior entre pessoas que enfrentaram dificuldades em relação ao ensino remoto, aquelas que aderiram integralmente ao distanciamento social, que observaram piora no estado de saúde no período e entre respondentes que experimentaram, com frequência, sentimento de tristeza e depressão.
Aproximadamente 41,0% dos(as) participantes da Etapa Minas Covid relataram redução da renda familiar em decorrência da pandemia. Os resultados evidenciaram que tal redução foi mais prevalente entre indivíduos que viviam acompanhados, que possuíam vínculo sob a forma de contrato ou designação com a escola estadual, com menor tempo de atuação na docência, com menor jornada semanal de trabalho, com sentimento frequente de ansiedade e que estavam enfrentando dificuldades relacionadas ao sono no período58.
Entre as professoras participantes da Etapa Minas Covid, 47,2% declararam-se principais provedoras financeiras das suas famílias durante a pandemia. Em comparação às coprovedoras, elas eram mais velhas e formavam famílias monoparentais. Além disso, possuíam pior condição socioeconômica, maior acúmulo de trabalho e comportamentos menos saudáveis63.
Destaques em relação aos estudos epidemiológicos
Os Projetos ProfSMoc, Etapa Minas Covid e a primeira fase do ProfSMinas possibilitaram, entre 2017 e 2024, a publicação de 50 artigos que relatam os resultados de estudos epidemiológicos que utilizaram metodologias quantitativas. As publicações ocorreram em periódicos publicados no Brasil e no exterior, nos idiomas português e inglês. Observou-se grande diversidade temática entre os manuscritos, o que demonstra a interdisciplinaridade da equipe técnica do projeto e potencializa a contribuição científica desses estudos, cujos resultados poderão subsidiar políticas públicas de promoção da saúde, de melhoria das condições de trabalho e de valorização social e profissional da categoria90,91.
As características dos(as) participantes dos projetos refletem a realidade da educação básica no Brasil quanto à predominância de mulheres. Dados recentes do Censo Escolar da Educação Básica evidenciaram que as professoras representam a maior parte de trabalhadores(as) da categoria, com diferenças de acordo com a etapa de ensino. Na educação infantil, 96,3% eram do sexo feminino, no ensino fundamental eram 77,5% de mulheres, e no ensino médio eram 57,5% do sexo feminino92. Em todas as etapas, as faixas de idade com maior concentração de professores(as) eram entre 40 e 49 anos, seguida de 30 a 39 anos92.
Quanto às condições de vida e remuneração, um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) comparou professores(as) da educação básica com o restante da população ocupada no Brasil. O perfil traçado foi de sobrerrepresentação de mulheres entre os professores, com tendência a terem menos filhos e expressiva presença em domicílios com renda per capita inferior a meio salário-mínimo93.
Os resultados dos estudos ora revisados permitiram analisar diferentes desfechos referentes às condições de vida, saúde, trabalho, hábitos e comportamentos de professoras e professores da educação básica de escolas estaduais de Minas Gerais. Tais resultados constituem um conjunto de evidências que avolumam a produção científica de diferentes pesquisadores de todo o Brasil que vem, ao longo dos anos, evidenciando o adoecimento físico e mental de professores(as)5-7,94,95.
Destacaram-se a insatisfação com o trabalho e o adoecimento mental que, em conjunto com queixas vocais e relatos de dor musculoesquelética, também presentes entre os professores investigados nos três projetos, representam os problemas de saúde mais frequentes na categoria docente1-3,5,96, além de serem responsáveis por afastamentos do trabalho por motivo de doenças entre professores(as)97-99.
Professoras e professores apresentam perfis de adoecimento semelhantes à população em geral em diversos aspectos, como acometimentos devidos à idade ou à presença de fatores de risco comportamentais. Porém, o trabalho docente possui características específicas100 – tais como: tempo dedicado a atividades extraclasse na própria escola ou em casa, trabalho em dois ou três turnos – que podem representar barreiras para a adoção de hábitos saudáveis, gerando formas adicionais de adoecimento.
Enfrentar dificuldades para a realização das atividades de ensino remotas, além de mudanças abruptas de hábitos e comportamentos durante a pandemia também foram observadas em outros estudos. A realidade de trabalho instituída pela crise sanitária devido à covid-19 fez com que professores(as) tivessem que lidar com exigências e demandas urgentes, além de transformações abruptas nos modos operatórios, muitas das vezes, sem condições para tal, visto que atividades remotas exigiram de professores(as) e estudantes recursos tecnológicos disponíveis e conhecimentos para utilizá-los101,102. Tornou-se imediata a necessidade de modificar a didática, adaptar os planos de aula para o ensino remoto e criar uma nova rotina diária, transformando os espaços dos seus domicílios em sala de aula102-104. Situação que se traduziu em condições de trabalho improvisadas e jornadas extenuantes101-104, além de mudanças significativas de hábitos e comportamentos, com consequências para a saúde física e mental dos professores104, incluindo agravamento de situações anteriores à pandemia.
Os estudos realizados apresentam algumas limitações. As abordagens epidemiológicas transversais não permitem determinar a temporalidade nas relações entre exposições e desfechos. Também estão sujeitas a viés de seleção, podendo ocasionar o efeito do trabalhador sadio, já que um dos critérios de inclusão nos estudos era a necessidade do(a) participante estar em atividade. Portanto, indivíduos afastados do trabalho, inclusive por problemas de saúde, não participaram dos inquéritos. Adicionalmente, há que se considerar que as respostas obtidas por autorrelatos estão sujeitas a viés de recordatório. No caso dos inquéritos cujos dados foram coletados por meio de formulários on-line, não é possível garantir que a amostra seja equiprobabilística entre os elementos da população investigada e há, ainda, a possibilidade de viés de seleção pela dependência do acesso à internet.
Por outro lado, pontos fortes devem ser enfatizados. Foram alcançadas amostras grandes e com características condizentes com a realidade da educação básica brasileira. O ProfSMoc utilizou questionário elaborado com base em ampla revisão de literatura e contou com equipe técnica treinada em todas as etapas. As websurveys – Etapa Minas Covid e ProfSMinas – permitiram alcançar extensa abrangência geográfica na coleta de dados, com baixo custo e segurança em relação ao risco de contaminação pelo coronavírus. Os resultados compuseram relatórios técnicos que foram publicados e estão disponíveis na internet8-10. Tais relatórios foram também divulgados nas redes sociais e encaminhados às professoras e aos professores participantes, buscando a popularização dos dados e uma comunicação científica mais direta e eficaz. Além disso, foram apresentados à SEE/MG com o intuito de subsidiar a revisão ou a criação de políticas públicas educacionais.
A apresentação do Qualis/Capes dos periódicos nos quais os artigos que compuseram esta revisão foram publicados se justifica pelo fato de que tal classificação era sugerida pelas coordenações dos programas de pós-graduação como critério a ser considerado no momento da escolha dos periódicos. A classificação Qualis/Capes era um dos parâmetros utilizados para avaliação dos programas por meio da produção de docentes e discentes. Ressalta-se que a classificação Qualis/Capes se refere aos periódicos e não necessariamente reflete a qualidade dos artigos neles publicados. No momento da redação deste texto, a Capes informou a descontinuação do uso do Qualis para avaliação da produção científica a partir de 2025 e um novo sistema focalizará os artigos, não mais os periódicos em que são publicados.
Conclusão
Os dados coletados no ProfSMoc possibilitaram conhecer as condições de saúde da categoria dos professores da educação básica no município de Montes Claros – MG e os fatores associados. O ProfSMoc – Etapa Minas Covid permitiu, por sua vez, traçar um panorama sobre as mudanças ocorridas devido à covid-19 e como a pandemia afetou condições de vida, saúde e trabalho de professoras e professores da educação básica do estado de MG. Já o ProfSMinas buscou avaliar as condições de saúde e trabalho no momento da retomada das atividades presenciais de ensino em escolas estaduais de Minas Gerais, criando bases para análises a serem realizadas na fase de seguimento do projeto, em que participantes da etapa anterior foram novamente convidados a responder o questionário de pesquisa.
Espera-se, assim, que os estudos em tela e futuras pesquisas relacionadas ao tema permitam o planejamento e a execução de intervenções nas situações de trabalho que estejam baseadas na rotina dos serviços e na escuta de professoras e professores, no sentido de articular e aproximar o universo da pesquisa com o ambiente da escola.
Os artigos publicados a partir deste conjunto de projetos constituem um cenário abrangente e aprofundado sobre a saúde de professoras e professores, contribuindo para recolocar em bases atualizadas a discussão sobre o trabalho docente na educação básica. Ressalta-se que, para além de estratégias de promoção da saúde, fazem-se necessárias políticas públicas que busquem garantir condições materiais e organizacionais para a realização do seu trabalho, além de remuneração adequada e um plano de carreira mais bem estruturado para a categoria. Em conjunto, tais políticas e ações poderão conferir contornos práticos aos discursos – relativamente comuns – da necessidade do reconhecimento da relevância da categoria docente e da valorização social da profissão.
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Informações sobre trabalho acadêmico:
Artigo derivado de tese de doutorado intitulada “Condições de vida, trabalho e saúde de professores da educação básica de Montes Claros e Minas Gerais”, defendida por Rose Elizabeth Cabral Barbosa no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Montes Claros, em 2024.
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Disponibilidade de dados:
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi disponibilizado no repositório SciELO Data, disponível em: https://doi.org/10.48331/SCIELODATA.EGB28C
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Apresentação do estudo em evento científico:
Os autores informam que o estudo não foi apresentado em evento científico.
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Financiamento:
Os autores declaram que o estudo foi subvencionado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Edital 001/2022 – Demanda Universal – Processo APQ-00901-22).
Editado por
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Editora-Chefe:
Leila Posenato Garcia
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi disponibilizado no repositório SciELO Data, disponível em: https://doi.org/10.48331/SCIELODATA.EGB28C
