Objetivos: avaliar os desfechos maternos em gestantes não-COVID-19 internadas em unidade de alto risco e identificar fatores associados ao desfecho materno adverso (DMA).
Métodos: estudo de coorte prospectivo e observacional realizado entre dezembro de 2019 e dezembro de 2020, incluindo todas as gestantes internadas na unidade de alto risco do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida, Campina Grande (PB). Foram analisadas variáveis biológicas, sociodemográficas, obstétricas, clínicas e diagnósticas. O desfecho materno adverso (near miss e morte materna) foi a variável dependente. As associações foram avaliadas por regressão logística, adotando-se p<0,05.
Resultados: entre 494 gestantes incluídas, 6,1% apresentaram DMA (23 casos de near miss e sete óbitos). Houve associação significativa entre DMA e síndrome HELLP (OR=11,09; IC95%=3,63-33,89), sangramento na segunda metade da gestação (OR=5,18; IC95%=1,50-17,82) e condições médicas preexistentes (OR=3,11; IC95%=1,20-8,05).
Conclusões: o DMA foi fortemente associado à síndrome HELLP, ao sangramento na segunda metade da gravidez e às comorbidades maternas prévias. Estratégias preventivas devem priorizar o rastreamento de risco, a profilaxia com aspirina e cálcio em gestantes suscetíveis e o manejo oportuno das complicações hipertensivas e hemorrágicas, incluindo a redução de cesarianas desnecessárias.
Palavras-chave
Mortalidade materna; Near miss; Síndrome HELLP; Hemorragia pós parto; Gravidez de alto risco
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