No presente trabalho, discutimos o erotismo à luz da teoria de Mikhail Bakhtin sobre dialogismo e cronotopia, focando nos episódios das pastoras Leandra e Marcela da primeira parte do Quixote de Cervantes. Essa abordagem elucida como a expressão erótica não apenas representa o desejo sexual, mas o constitui através de linguagens, narrativas e metáforas que organizam a experiência das pastoras com a alteridade. O diálogo é crucial na construção dos signos eróticos, implicando relações de sentido entre enunciados e seus contextos, na interação de diferentes vozes e perspectivas. O erotismo nesses episódios cria um tempo-espaço, cronotopo, do desejo-erótico, no qual as vozes dos personagens e seus conflitos se entrelaçam, refletindo tensões e valores culturais. O cronotopo do desejo-erótico não é apenas um cenário, mas um elemento narrativo que enriquece a história, oferecendo uma compreensão mais profunda das motivações e conflitos dos personagens. Ele evidencia o desejo de forma mais intensa e contextualizada, percebendo como é moldado por fatores externos e internos. Nesse sentido, a partir da teoria de Bakhtin, propomos a inserção do cronotopo do desejo-erótico como uma configuração espaço-temporal específica nas narrativas em que o desejo erótico é explorado e intensificado. Esse conceito proporciona uma lente através da qual podemos entender melhor as dinâmicas do desejo e suas implicações dentro da história. Portanto, considerar o cronotopo do desejo-erótico no Quixote nos oferece uma perspectiva inovadora e vital para a análise literária, permitindo-nos apreciar a profundidade e a riqueza da obra de Cervantes e seu impacto duradouro na literatura universal.
PALAVRAS-CHAVE:
erotismo; dialogismo; cronotopia; Leandra e Marcela; Quixote de Cervantes