O artigo analisa, a partir da obra O castelo, de Franz Kafka, um traço em comum entre os personagens kafkianos, a saber, a facilidade com que se desviam de seus propósitos centrais, desvirtuados por acontecimentos ou situações menos relevantes ou até insignificantes. Para isso, emprega-se a Teoria Mimética de René Girard como referencial de análise, com base, principalmente, nas obras Mentira romântica e verdade romanesca, de 1961, e Coisas ocultas desde a fundação do mundo, de 1978. São mobilizadas as noções de mediação, skandalon e desejo metafísico a fim de lançar luz sobre o mecanismo de funcionamento do desejo do protagonista de O castelo, o agrimensor K., com o objetivo de propor uma hipótese explicativa acerca da “desmedida” que o acomete, lançando-o a empreendimentos fracassados. Alguma crítica literária especializada sobre Kafka também foi mobilizada neste trabalho, em especial Modesto Carone e Erich Heller e, mais pontualmente, Harold Bloom e Vilém Flusser.
PALAVRAS-CHAVE:
O castelo; Franz Kafka; teoria mimética; René Girard; desejo mimético