Este artigo propõe uma leitura imanente e empirista transcendental de um trecho do romance La cognizione del dolore, de Carlo Emilio Gadda, à luz da filosofia de Gilles Deleuze e Félix Guattari, especialmente em O Anti-Édipo e Mil Platôs. Rejeitando abordagens que aplicam teorias de maneira externa, a análise parte do próprio funcionamento da linguagem gaddiana, seus ritmos, metáforas, cortes e agenciamentos, para mostrar como a obra produz uma crítica às estruturas normativas, aos sistemas de vigilância e ao desejo de ordem, não por representação, mas por composição material de fluxos. O artigo investiga os dispositivos sensoriais e técnicos do “vigile tipo”, os corpos que falham e resistem à função, e o modo como a linguagem, como o tecido social, se desfaz em rasgos produtivos. A análise revela a afinidade estrutural entre a linguagem de Gadda e os conceitos deleuzianos de corpo sem órgãos, máquina desejante e linha de fuga, além de propor uma cartografia metodológica que possa ser replicada em análises literárias imanentes.
Palavras-chave:
Carlo Emilio Gadda; Gilles Deleuze; rizoma; corpo sem órgãos; literatura italiana; exceção; empirismo transcendental