RESUMO
O objetivo deste artigo é discutir as transformações recentes da agricultura da China no contexto da introdução das tecnologias do que se convencionou denominar de 4ª Revolução Industrial. Em programas e documentos oficiais, a agricultura é apresentada no âmbito de fomento de um sistema nacional de inovações para o agro. Esse processo, entendemos neste artigo, pauta-se pela busca do CE e PCCh de melhorar as condições de vida da população rural e aumentar a produtividade agrícola e competitividade internacional de marcas chinesas do agro. A metodologia empregada foi a descritiva a partir de documentos oficiais, como: relatórios de trabalho do PCCh e do orçamento do governo central e governos locais e relatórios de dados de empresas líderes da industrialização da agricultura. Como resultado principal, a agricultura da China de bases consideradas tradicionais está com uma organização industrial cada vez mais uma agricultura inovadora, em que as empresas, privadas ou estatais, têm impulsionado suas vantagens competitivas.
PALAVRAS-CHAVE
Agricultura; China; Inovação; Mudança tecnológica
ABSTRACT
The aim of this article is to discuss the recent transformations in China's agriculture in the context of the introduction of technologies from what has been conventionally called the 4th Industrial Revolution. In official programs and documents, agriculture is presented within the scope of promoting a national system of innovations for agriculture. This process, we understand in this article, is guided by the CE and CCP's quest to improve the living conditions of the rural population and increase agricultural productivity and the international competitiveness of Chinese agricultural brands. The methodology used was descriptive based on official documents, such as: CCP work reports and the budget of the central government and local governments and data reports from leading companies in the industrialization of agriculture. As a main result, China's agriculture, from bases considered traditional, is increasingly being organized in an innovative agriculture, in which companies, both private and state-owned, have boosted their competitive advantages.
KEYWORDS
Agriculture; China; Innovation; Technological change
1. Introdução
A transformação da agricultura da China tem sido analisada por diferentes estudos, por exemplo: Zhang e Donaldson (2013); Huang e Gao (2013); Schneider (2011, 2017); Ye (2015); Schneider e Sharma (2014); Hayward (2018). Desde 2004, os documentos centrais (número 1) de Política do CE (Conselho de Estado) atribuem relevância à modernização da agricultura como elemento central do projeto de desenvolvimento chinês. Em 2013, o documento central de política, lançado pelo Conselho de Estado (CE), enfatizou a C&T (Ciência e Tecnologia) em agricultura deveria passar a ocupar papel de maior destaque. Foi a primeira vez que essa orientação veio por escrito (JIMIN, 2013).
China Association for the Science and Technology (2022) destaca que a inovação tecnológica na agricultura, com base nas premissas destacadas por Xi Jinping ainda no 18º Congresso Nacional do PCCh, induz o desenvolvimento tecnológico e sustentável no rural. De acordo com essa Associação, isso significa que a partir da inovação espera-se garantir abastecimento de alimentos saudáveis e seguros e, ao mesmo tempo, promover o emprego, estabilidade social e sustentabilidade. Como afirmou o presidente da China uma agricultura nacional mais intensiva em C&T é central para o PCCh, constituindo uma ‘tarefa histórica’ para a “vitória decisiva na construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos e na construção abrangente de um país socialista moderno” (XINHUA, 2017, s/p).
O PCCh e CE divulgaram o “Plano Estratégico de Revitalização Rural (2018-2022)”, que apresenta as metas para modernização da agricultura e desenvolvimento agrícola e rural. Podem ser destacadas as grandes metas de desenvolvimento sustentável, de redução da pobreza, do aumento e consolidação da capacidade de produção, da acelerar a transformação estrutural da agricultura, do fortalecimento do apoio à C&T para agricultura. Novos documentos foram produzidos para conceituar e avaliar essa estratégia e, especialmente, em 2021, foi promulgada a Lei da República Popular da China (RPC) (The National People's Congress of the Republic of China, 2021) da promoção da revitalização do Rural pela qual são estabelecidos os mecanismos principais a serem empregados para garantir a modernização da agricultura e das áreas rurais de modo a construir um campo socialista moderno. O significado dessa estratégia está em um novo tipo de relação rural-urbano de complementaridade e promoção da indústria-agricultura (MANKIKAR, 2022).
O desenvolvimento de uma agricultura intensiva em C&T na China se dá em paralelo ao desenvolvimento da própria C&T que será incorporada por ela. Têm sido lançados planos tais como: “Plano de Agricultura Digital e Desenvolvimento Rural (2019-2025)” e “Plano Nacional de Desenvolvimento da Indústria Rural (2020-2025)”, que consistem no desenvolvimento da inteligência artificial, uma área da C&T ainda em franca expansão e repleta de possibilidades enquanto parte do progresso tecnológico na agricultura. O CE, em 2017, lança pareceres com orientações para levar adiante o ‘espírito’ do 18º Congresso Nacional do PCCh por meio da construção das Bases Nacionais de Inovação e Demonstração Integrada em Ciência e Tecnologia Agrícola. Em janeiro de 2025, o PCCh e CE anunciaram o “Plano Integral de Revitalização do Rural (2024-2027)” pelo qual até 2027, o país deverá alcançar um estágio de desenvolvimento da agricultura que produtividade e qualidade, sustentabilidade, infraestrutura, acesso a serviços básicos, renda, erradicação da pobreza, cadeias produtivas rurais e marcas chinesas de alimentos estejam consolidados.
No 14º Plano Quinquenal (2021-2025), dentre as cinco áreas prioritárias definidas para modernização da agricultura da China, estão o investimento em tecnologias agrícolas inovadoras e em sistemas de agricultura inteligente (INSTITUTO DE ESTUDOS PARA O DESENVOLVIMENTO NACIONAL, 2021). O lugar privilegiado da introdução das tecnologias 4.0, que reúnem avanços na digitalização e na engenharia genética, no 14º Plano estão representados em toda a estratégia de se acelerar a revitalização do rural, contemplando metas ambiciosas, variadas e interrelacionadas, como as infraestruturas financeiras, o fortalecimento das cadeias produtivas agroindustriais e a diversificação de fontes de renda no campo, dando ênfase na redução da pobreza rural, no suporte à inovação agrícola, e nos programas de seguros e subsídios (XINHUA, 2021). Consolidar marcas agrícolas chinesas (como alimentos, por exemplo) é estratégico para o país ocupar liderança nas cadeias globais de valor.
De acordo com um levantamento da CAAS em 2022, o país tem realizado esforços para consolidar um sistema nacional de inovação na agricultura, buscando internalizar tecnologias próprias na agricultura e escalar a sua eficiência (GLOBAL TIMES, 2023), cada vez mais apoiadas nas tecnologias da 4ª Revolução Industrial no setor. Ressaltamos, com base em Rodrigues e Martins (2020), a 4ª Revolução Industrial é um sistema de tecnologias avançadas que funcionam sob aspectos físicos, biológicos e digitais, representando-se por tecnologias como: inteligência artificial (IA), robótica, internet das coisas (IoT), nanotecnologia, biotecnologia, energia e computação quântica, dentre outras. Schwab (2016) descreve ainda características como velocidade exponencial, amplitude e intensidade ao combinar diferentes tecnologias e seu impacto sistêmico. Dessa forma, não utilizaremos o termo ‘agricultura 5.0’, mas 4ª Revolução Industrial.
O objetivo principal deste artigo é discutir as políticas de C&T para agricultura como estágio mais recente do fortalecimento do sistema nacional de inovação chinês. Como objetivos específicos, este artigo busca: sistematizar aspectos essenciais da política de C&T para agricultura na China; destacar e analisar o avanço das tecnologias da denominada 4ª Revolução Industrial na agricultura do país, por fim, caracterizar os atores empresariais – como multinacionais chinesas e líderes da industrialização da agricultura – em termos de sua participação nessa política. O artigo pressupõe que fomentar maior capacidade inovativa da agricultura chinesa é uma estratégia puxada pelo PCCh e CE, bem como ministérios e agências estatais em coordenação com atores empresariais para como forma de melhorar as condições de vida da população rural e aumentar a produtividade agrícola e competitividade internacional de marcas chinesas do agro. Além da introdução e das considerações finais, o artigo se compõe de uma seção que apresenta a evolução do tratamento da C&T, particularmente, na agricultura.
2. Inovação tecnológica na agricultura chinesa
Os aumentos sucessivos na produção doméstica de grãos por mais de uma década e da área cultivada são destacados pelo CE como um resultado da política de modernização do setor (CHINA, 2020). Além de grãos, vegetais e frutas têm se destacado na quantidade produzida e na área cultivada. Por outro lado, a discrepância de renda rural-urbano se mantém. De acordo com Huld (2025), entre 2015 e 2024, o crescimento da renda da população rural foi maior do que o da população urbana, mas insuficiente para reduzir a discrepância, chegando em 2024 a US$ 3.190 e US$ 7.451, respectivamente. Desenvolver uma agroindústria nacional e estabelecer centros locais de inovação e produção – como distritos, parques e clusters, por exemplo – é uma das formas consideradas fundamentais para resolver esse problema pelo PCCh e CE.
Durante a 5ª Sessão do 13º Comitê Nacional de Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), Xi Jinping destacou que para revitalizar o rural é prioritário garantir estabilidade no fornecimento de produtos agrícolas e que a solução definitiva para garantir a segurança alimentar e nutricional está na Ciência e Tecnologia (C&T), como a biotecnologia e desenvolvimento de novas variedades (XINHUA, 2022). A premissa de “manter firmemente a tigela de comida do povo chinês com comida chinesa” (SIPINELLI, 2022) está referenciada em praticamente todos os discursos de Xi Jinping e a inovação tecnológica é apresentada como solução. Nesta seção, descrevem-se as políticas de C&T da China como forma de destacar que as metas recentes para modernizar a agricultura são resultado de uma coordenação estatal instalada.
2.1 Políticas de C&T na China
Cassiolato e Lastres (2011) e Jaguaribe (2015) avaliam que as conferências nacionais de C&T, realizadas em, 1978, 1985, 1995, 1999 e 2006, constituíram os instrumentos iniciais de construção do Sistema Nacional de Inovação (SNI) da China. Na primeira conferência, em 1978, o principal feito foi a compreensão do paradigma tecnológico que seria usado como um ‘dos motores da modernização do país’. A partir daí, uma série de mudanças institucionais foram elaboradas para acelerar o processo de modernização pela inovação. Cassiolato e Podcameni (2013) entendem que as reformas que passam a ocorrer, desde 1978, no sistema de C&T do País, voltaram-se para induzir um formato mais concorrencial na alocação de recursos, com vistas ao aumento da eficiência. Anos depois, em 1982, foi estabelecida uma política nacional de C&T, com P&D em tecnologias-chave. Na conferência realizada em 1985, foram conduzidas reformas voltadas para reorganizar relações entre produtores de conhecimento, usuários e governo.
Especialmente a reforma das políticas de C&T, em 1985, incluiu flexibilizar o formato de organização das instituições de pesquisa, estabelecendo-se mercados de tecnologia, que seriam instituições que poderiam comercializar os resultados de P&D e mecanismos para alocação de P&D, segundo sua qualidade (CASSIOLATO; PODCAMENI, 2013). A abertura do mercado para tecnologia se deu por regulamentação específica e resultou em regras para estabelecer as definições e a operacionalização do desenvolvimento tecnológico, da transferência de tecnologia, da consultoria tecnológica e dos serviços de tecnologia, além da promulgação, em 1985, da Lei de Patentes e da Lei de Contrato de Tecnologia (CASSIOLATO; PODCAMENI, 2013).
No 7º Plano Quinquenal (1986-1990), como analisa Zhensheng (1993), o PCCh e o CE apresentaram uma primeira edição do programa chinês de biotecnologia que pavimentaria o ecossistema nacional de inovação da agricultura. Nas décadas de 1980 e 1990, institutos de pesquisa e universidades foram desenvolvendo programas como o Fundação especial de pesquisa e comercialização de plantas transgênicas, de 1999.
Diante da complexidade do conhecimento, inovações bem-sucedidas são cada vez mais dependentes da produção de ciência. As universidades – lócus de formação, treinamento e produção de conhecimento – são parte fundamental de um sistema nacional de inovação, porém há o desafio de atuarem em maior sinergia com empresas, que se apresenta, em geral, pela própria diferença cultural próprias desses atores (GARCIA; SUZIGAN, 2021). O mesmo problema foi detectado pelo PCCh e CE (GU, 1999). Diante dessas dificuldades, em 1988, foi lançado o programa Torch, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MOST), visando desenvolver indústrias de alta tecnologia, promover comercialização e realização de C&T e industrialização dos resultados da P&D, em tecnologia de informação, engenharia de materiais, biotecnologia, energia sustentável e automação (CHINA, 2016). As universidades foram incentivadas a fomentar suas próprias empresas produtivas (CASSIOLATO; PODCAMENI, 2013), tornando-se proprietárias e principais acionistas.
Nos primeiros anos da década de 1990, institucionalizou-se a ideia de inovação a ser orientada e incentivada por PCCh e CE e se desenharam mecanismos de apoio e instrumentos tributários, fiscais e de financiamento (HIRATUKA; DIEGUES, 2021). Foram editadas a Lei do Progresso da Ciência e Tecnologia e a Lei Antitruste para propiciar um ambiente favorável à inovação e tomadas de decisões e foram divulgados documentos voltados para fomentar um sistema socialista de mercado em que a inovação tecnológica e o crescimento econômico teriam uma relação causal.
Em 2005, a política de inovação autóctone foi aprovada pelo PCCh e CE. Cassiolato e Podcameni (2013, p. 16) explicam que essa ideia teve respaldo na “constatação da limitada eficácia da tentativa de apoiar o desenvolvimento tecnológico e inovativo na tarefa de absorção de tecnologias levadas por subsidiárias de empresas transnacionais”. O país precisaria assumir riscos e romper com a premissa de não concorrer diretamente, via inovações radicais, com as grandes empresas multinacionais líderes.
Nesse contexto, aconteceu a última conferência de C&T em 2006 sob a administração de Hu Jintao. Seu resultado foi a elaboração do Plano Estratégico Nacional de Médio e Longo Prazo para o Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia 2006-2020, quando foi introduzido o termo “inovação autóctone” pela primeira vez, evidenciando o objetivo de desenvolver a capacidade nacional chinesa de inovação autônoma daquelas organizações chinesas para C&T, como empresas, universidades e institutos de pesquisa (NAUGHTON, 2018). Cassiolato e Podcameni (2013) avaliam que além do pragmatismo, esse plano previa o desenvolvimento de médio e longo prazo para levar a China à fronteira tecnológica internacional. Anos depois, em 2010, foi criado o SEI – Indústrias Emergentes Estratégicas –, que mirava setores com novos elementos qualitativos, ainda não completamente dominados em nenhum lugar do mundo (NAUGHTON, 2018).
Foi nesta última Conferência de C&T que se alinhavou a construção do Made in China 2025, que foi lançado anos depois, em 2015, encerrando o ciclo de reformas do Sistema Nacional de Inovação (SNI) chinês, iniciado com a primeira conferência, em 1978, com a divulgação do Plano Estratégico Nacional de Médio e Longo Prazo para o Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia 2006-2020. Este Plano com os sucessivos planos quinquenais elenca as metas essenciais para que a China se transforme em uma economia inovadora. Arbix et al. (2018) destacam que, pela primeira vez, tecnologias de fronteira ligadas à manufatura – como escala nanométrica e de precisão, equipamentos integrados e tecnologias para prototipagem, dentre outras – foram mencionadas, bem como se fixou meta de percentual mínimo de investimento em P&D, em 2,5%, redução da dependência da China de tecnologias importadas, estar entre os cinco maiores países no depósito de patentes, além de assegurar produção científica intensa. Essas políticas, no âmbito do C&T da China, organizam-se em inúmeros esforços que se retroalimentam no sistema nacional de inovação chinês em paralelo ao fortalecimento da estrutura produtiva (ZHOU; LIU, 2016; LING; NAUGHTON, 2016). Autores como Naughton (2021), Medeiros e Gouveia (2018) e Majerowicz (2020) avaliaram a política de C&T da China como ‘entrelaçada’ a uma estratégia de desenvolvimento empresarial, sendo primordiais os esforços estatais de difusão internacional de padrões tecnológicos locais.
Para Jaguaribe (2015), na China, o desenvolvimento de tecnologia é um fator de coordenação entre políticas comerciais, de investimento e industrial. Porém, ressalta a autora, que os principais desafios da política de inovação da China estão em governar as contradições no caminho de nação inovadora. As metas fixadas desde a primeira década do século XXI resultam deste planejamento estatal iniciado ainda no período maoísta, quando a agricultura recebeu considerável destaque, incluindo-se a criação de instituições de pesquisa que se mantêm atuantes, como a CAAS. Ao mesmo tempo, coaduna-se o planejamento estatal com o incentivo da troca e eficiência de mercado (JACQUES, 2012; MEDEIROS, 2013), em que a ruptura com o passado de planejamento central é organizada e coordenada pelo PCCh e CE. Hiratuka e Diegues (2025) lembram que o SNI da China apresenta limitações em comparação a países desenvolvidos, como barreiras do planejamento central para materializar os avanços inovativos e tecnológicos em novos produtos e inexistência de incentivos de mercado para transferência de conhecimento de instituições de pesquisa para empresas. Entendemos, que na agricultura a direção do SNI vai no sentido oposto, uma vez que é tomado com nevrálgico para as metas de crescimento e desenvolvimento do país no longo prazo.
2.2 China – nação inovadora
Desde a segunda década do século XXI, a China tem anunciado planos que visam a modernização de seu aparato produtivo numa demonstração de total clareza sobre o papel que o domínio sobre novas tecnologias, isto é, a competência para desenvolver a ciência que lhes sustentam e lançar inovações, terá sobre o futuro do país.
O Made in China 2025 (MIC) tem por objetivo primordial colocar, até 2025, a China na posição de controladora dos pontos de geração de maior valor agregado nas cadeias globais de valor, construindo uma nova imagem para a marca chinesa. Este programa enfatiza as tecnologias da informação, que envolvem sistemas inteligentes para aplicação nas indústrias tradicionais para atualizá-las para apoiar a aplicação da internet nos mais variados setores (NAUGHTON, 2018). Esse processo requer aprimorar e desenvolver capacidades, conhecimento, tecnologia e fontes de capital, promover melhorias em processos produtivos e produtos de melhor qualidade (MARCATO; BALTAR; 2020). Não se restringe meramente a sair de um ponto de especialização em produtos primários para outro, intensivo em tecnologia. Requer combinar e articular uma base produtiva instalada com inovação em processos e produtos.
Na Tabela 1, estão alguns indicadores básicos de P&D no país entre 2019 e 2023. Com base nesses dados, é possível notar que universidades em 2023 aumentaram sua participação nas atividades de P&D em relação a 2019. E o número de pessoas empregadas na educação superior em atividades de P&D e dedicadas em P&D aumentaram mais do que nas instituições de P&D, nesse mesmo intervalo. Os gastos em P&D e os projetos também aumentaram mais no ensino superior. Porém, quanto às patentes as instituições de P&D foram preponderantes.
As estratégias chinesas de desenvolvimento produtivo e tecnológico na agricultura estão calcadas nas tecnologias de comunicação, informação e automação, cada vez mais. Em 2020, programa específico para desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) foi anunciado com financiamento previsto de US$1,4 trilhão em 5 anos. Tecnologias digitais têm sido introduzidas cada vez mais na zona rural do país e têm sido tratadas pelas autoridades como um instrumento para integrar pequenos agricultores aos mercados e facilitar a logística de comercialização, especialmente de produtos de maior valor agregado à internet, Global Positioning System (GPS).
Tomando-se um intervalo curto de tempo, como 2019 a 2023, é possível observar um ritmo de elevação constante dos gastos do país com P&D (Gráfico 1), tendo aumentado 35% em 2023 (US$ 905 milhões, aproximadamente) em comparação com 2019 (US$ 701 milhões, aproximadamente). Especificamente para agricultura, está o envolvimento direto do Estado na criação de fundos de financiamento para o setor e de capitalização dos novos atores (privados) de atuação no setor dos quais se espera a operacionalização da modernização – aumento da escala produtiva, da integração indústria e agricultura, da incorporação do progresso tecnológico e das condições de distribuição (WEGNER, 2023).
Para assegurar uma posição de liderança nas tecnologias da 4ª Revolução Industrial na agricultura seria essencial o domínio do upstream, o que significa a busca incessante pelo domínio das tecnologias em semicondutores e na IA. O desempenho alcançado, no âmbito dos paradigmas atribuídos à Indústria 4.0, pelo sistema nacional chinês de inovação, pode ser estimado por deter a maior plataforma de big data, o BAT, arquitetada pelas empresas Baidu, Alibaba e Tencent. Rodrigues e Martins (2020) lembram que essas empresas são as responsáveis pelo conteúdo digital de todas as indústrias e que representam uma forma de automatização ‘colossal’. Em linha semelhante, Hiratuka e Diegues (2025) concluem que o desenvolvimento da inteligência artificial em nível nacional constitui um passo desafiador para o salto tecnológico do país.
2.2.1 China em busca de protagonismo da agricultura inteligente (IA)
O ecossistema de inovação da agricultura está diretamente ligado à corrida da China por um sistema agrícola competitivo internacionalmente, sustentável e atinente ao abastecimento alimentar e segurança alimentar. De acordo com Organisation for Economic Co-Operation and Development (2022), na China, de 2019 a 2021, as estimativas de suporte público à agricultura (GSSE) para 3 categorias (sistema de estocagem, desenvolvimento de infraestrutura e sistema de inovação e conhecimento em agricultura para China) chegaram a 12,2% do suporte total à agricultura.
O MIC 2025 incorpora a digitalização como um dos pontos essenciais, além da nova geração de tecnologias de informação, máquinas e robôs, espaço e aviação, equipamentos marítimos e navios de alta tecnologia, transporte rápido, equipamentos para energia, máquinas agrícolas, novos materiais, biofármacos e equipamentos médico-hospitalares avançados, incluindo computação em nuvem; Internet das Coisas (IoT), big data, blockchain, IA, realidade virtual e aumentada (WÜBBEKE et al., 2016). O MIC 2025 é considerado uma política de inovação orientada pela demanda, dado o papel desempenhado pelas compras governamentais para inovação disruptiva de conteúdo local (MACEDO, 2017).
De acordo com “Aviso do Escritório Geral do Ministério da Agricultura sobre a impressão e distribuição do plano de trabalho para promover o ajuste da estrutura agrícola na zona agrícola-pastoral do norte do País, em 2017” – a orientação é de fortalecer esses propósitos pela via do planejamento e da integração científica e tecnológica. O documento central de política número 1 de 2015 e de 2016, seguindo a meta estratégica de aumento da produtividade, indicava que a modernização da agricultura enfocaria o fortalecimento das técnicas de plantio e de melhoramento genético, promovendo a produção no modelo ‘recursos – produtos – recursos renováveis – produtos’, combinando o plantio, com a criação de animais, a silvicultura e a própria agricultura. O MARA elaborou um planejamento para a construção de um projeto de demonstração para combinação de plantio, alimentação e agricultura circular (2017-2020).
Em 2017, o CE anunciou o plano “Plano de desenvolvimento de uma nova geração de inteligência artificial”, que incluiu a agricultura na meta de acelerar e promover a indústria inteligente no país. Para tanto, a China avalia os avanços conquistados em outros países quanto aplicação de tecnologia de IA como forma de lição para prosseguir desenvolvendo a ‘agricultura moderna’, tendo-se em conta seus desafios em biotecnologia, genoma, biologia sintética e tecnologia da informação na agricultura, como Internet das coisas (IoT), big data, blockchain e IA (CHINA GLOBAL TELEVISION NETWORK, 2022).
Por agricultura inteligente, o Plano de Desenvolvimento de IA entende-a como pesquisa e formulação de sistemas de sensores, equipamentos inteligentes, sistemas autônomos de tarefas para equipamentos agrícolas de campo, redes de sensores e monitoramento de informações da agricultura, interagindo por ar, espaço e terra. Incluem-se, também, o estabelecimento de modelo de big data para agricultura e tomadores inteligentes de decisão, além do desenho de áreas de cultivo inteligentes, plantas de fábricas agrícolas inteligentes, pastagens, pomares, processamento, cadeias produtivas integradas (WEBSTER et al., 2016).
Huang, Gao e Rozelle (2012) elaboraram uma representação, replicada pela Organisation for Economic Co-Operation and Development (2018), na forma de um organograma do sistema público de P&D em agricultura da China – como os autores denominaram. Em linhas gerais, tendo-se em conta o exposto no Quadro 2, esse organograma pode ser assim descrito: (i) Formuladores, elaboradores de regulamentos e orçamentos; (ii) Executores, supervisores, desenvolvedores: (a) ligados diretamente ao Ministério de Agricultura e Assuntos Rurais (MARA); (b) ligados ao Conselho de Estado e instituições do primeiro grupo. Boa parte dessas instituições foram criadas ainda no período maoísta para então fomentar a produtividade da agricultura, em meio às limitações estruturais. No Quadro 1, são especificadas essas instituições e esses atores.
De acordo com Naughton (2021), há uma separação entre atividades de C&T, em setores da academia, da atividade produtiva industrial. As instituições nacionais de pesquisa são os atores que têm tido um papel de destaque no avanço do nível tecnológico do tecido empresarial por meio da transferência de tecnologia, a partir de programas lançados pelo governo chinês. Na avaliação de Jaguaribe (2015), as instituições que compõem o SNI da China, mesmo que orientadas e coordenadas por CE e PCCh na execução das políticas, preservam grande descentralização. No caso da agricultura, essa característica ganha um contorno especial, pois desde as reformas, iniciadas no fim de 1978, os governos locais assumiram a gestão da atividade de inovação.
CE e PCCh induz ao fortalecimento de um sistema nacional de inovação na agricultura e políticas de C&T para promover inovações setoriais próprias em trajetória tecnológica. O progresso técnico é introduzido na agricultura por meio de incentivos e seguindo as metas pré-definidas para geração e difusão de inovações no setor.
2.2.2 C&T e agricultura na China
Han et al. (2021) analisam o percurso da elaboração das estratégias nacionais voltadas para agricultura da China, apresentadas em planos quinquenais. Os três grandes problemas agrários – agricultores, agricultura e áreas rurais – que foram diagnosticados por CE e PCCh ainda na década de 1990 influenciaram a construção das metas. Wegner (2023) realiza análise semelhante, mas acrescenta parte dos resultados alcançados utilizando os relatórios de trabalho do PCCh e do CE, e de orçamento em relações de trabalho, produção e fiscal. No Quadro 2, são descritas as diretrizes principais de cada Plano Quinquenal (PQ) desde meados da década de 1990 e as diretrizes gerais para a agricultura.
Foram ainda lançados pelas diretrizes desses planos quinquenais – como o 12º Plano Nacional de Desenvolvimento e Modernização da Agricultura (2011-2015) são apresentadas ações como: melhorar políticas preferenciais para a agricultura, aumentar o investimento e acelerar a passagem da agricultura tradicional para a moderna. De modo geral, a partir de 2017 foram identificados os primeiros indícios da ‘agricultura moderna’ ou industrial chinesa na medida em que a escala dos empreendimentos aumentara, pois, a participação de unidades produtivas agrícolas de maior escala cresceu de 30% para 40% (CHINA, 2018). Foram construídos 41 novos parques industriais para agricultura moderna, em que se privilegiava a utilização de insumos industriais para elevar a produtividade (CHINA, 2018).
No documento “Principais pontos do trabalho da indústria rural em 2019” elaborado pela Divisão da Agricultura e Desenvolvimento Rural do Ministério das Indústrias Rurais, apresentam-se os três planos básicos: (i) coordenar desenvolvimento da indústria agrícola doméstica – integração da produção de grãos e ração, agricultura e criação de animais e ciclo de pesca, produção e vendas; (ii) coordenar o desenvolvimento da agricultura com indústrias adjacentes e (iii) finanças, indústrias e tecnologia da informação e comunicação, infraestrutura, cultura, educação e recursos naturais estarem coordenados com o desenvolvimento agrícola e rural.
Os dados da Tabela 2 sugerem que para a indústria de processamento de alimentos a partir de produtos agrícolas, houve um crescimento das atividades de P&D e de inovação em todos os indicadores considerados. Porém, a participação no total dos setores industriais ainda é, em média, reduzida.
Estatísticas de C&T na agricultura na China (2019-2023) – indústria de processamento de alimentos a partir de produtos agrícolas
2.3 Inovação e atores empresariais
Para as empresas do setor agrícola, a inovação consiste em instrumento para superar barreiras próprias da organização rural do país e se classificam em automatização e inteligência artificial, biotecnologia e agricultura de precisão. As empresas do setor agrícola na China estão adotando estratégias de crescimento para aproveitar os incentivos oferecidos para complementar suas estratégias de inovação tecnológica no setor e aumentar sua competitividade e eficiência. Maior controle da cadeia produtiva agroindustrial tem sido buscado por meio da celebração de contratos com agricultores e empresas de tamanho menor, como as empresas líderes da industrialização da agricultura. Recorrem também a joint ventures com empresas multinacionais de outros países como forma de garantir acesso a novas tecnologias, novos mercados e redes de distribuição e comercialização.
De acordo com o ranking 2022 Top 500 Chinese Agricultural Enterprises, as 10 maiores empresas agroindustriais do país, em receita operacional alcançaram receita operacional de RMB 1,9 trilhão (US$299 bilhões), em 2021 (CHINA DAILY, 2023). Todas aumentaram seus investimentos em P&D, implementaram centros de P&D e assumiram como missão a modernização da agricultura da China. No Quadro 3, são apresentadas as 5 maiores por receita operacional, visto que nem todas disponibilizam os dados para todos os indicadores patrimoniais como lucros e ativos em todos os anos.
Segundo o relatório da subsidiária da COFCO Group para Ciência e Tecnologia – a COFCO Science & Tech – publicado em 2023, a empresa está voltada para apoiar o grupo a promover as atuais ‘quatro modernizações’ da agricultura: automação, mecanização, informatização e inteligência artificial. Dentre os projetos de P&D Aplicado, a empresa destacou “Plataforma de Gestão de Internet Móvel + P&D” voltado para otimização inteligente da produção.
De acordo com New Hope (2023), nos últimos anos a empresa conseguiu estabelecer seu sistema próprio de P&D e realizar seus projetos conforme as diferenças regionais do país e considerando as diferentes raças/variedades de animais. A empresa tem avançado em ajustes dinâmicos da produção e na otimização do uso de rações, além de desenvolver projetos de P&D em ração animal, de modo a aumentar a eficiência da criação em seu Feed Research Institute. Em 2022, a empresa gastou com P&D em torno de RMB 299 milhões (US$ 43,3 milhões), com 1,1 mil pessoas empregadas diretamente nesta atividade. Nesse mesmo ano, 28 projetos de P&D estavam em andamento na New Hope voltados para desenvolvimento de melhores rações por meio da sua substituição por um novo produto fabricado por sua área de bioengenharia de alimentos proteicos. Desenvolve projeto de P&D em IA para identificação e contenção rápida de bactérias resistentes a medicamentos, além de pesquisas em tecnologias-chave de propagação, criação e integração de novas variedades de frango.
Beidahuang Agricultural Reclamation Group é um caso interessante de análise. Sua origem é uma fazenda estatal a Heilongjiang Agricultural Reclamation Bureau, fundada em 1976, parte da construção da China, uma vez que em 1947, antes ainda da fundação da RPC, um grupo de militares de Yan’na e próximo de Nanniwan. na província de Shanxi, deixou as tropas na região e fundou o que viria a ser uma das primeiras fazendas estatais. Em 2018, passou a ter a denominação atual e seu registro é de empresa estatal coletiva. É uma Zona Nacional de Demonstração Ecológica e ocupa quase 3 mil hectares e 1,6 milhões de pessoas que se organizam em um sistema produtivo agrícola e industrial integrados. Nakatani et al. (2014) chamavam atenção para a expansão, desde 2008, de suas operações em países como Argentina – acordos comerciais nas operações de grãos, em especial, com a Cresud – e aquisição de terra agrícola para produção de grãos em países como Filipinas e Austrália.
2.3.1 Empresas líderes da industrialização da agricultura
Em 2021, o CE enfatizou a estratégia de fortalecer um grupo de empresas líderes da industrialização da agricultura para que também sejam líderes na inovação científica e tecnológica agrícolas, orientadas para desenvolvimento de mercado em novas áreas tecnológicas estratégicas para a indústria agrícola e de transformação. Nesse sentido, no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento da Indústria Rural (2020-2025) e dos pareceres do MARA sobre a promoção de empresas líderes que sejam mais ‘fortes’, em 2021, foram selecionadas 10 empresas que se destacaram por ramos de atuação para terem acesso a financiamento especial. Ainda no início da década de 2010, o Parecer no 10 de 2012 do Conselho Estadual de Apoio à Industrialização Agropecuária (CHINA, 2012) sobre as empresas líderes da industrialização da agricultura afirma: “apoiar o desenvolvimento de empresas líderes desempenha um papel importante na melhoria do grau de organização agrícola, acelerando a transformação dos métodos de desenvolvimento agrícola, promovendo a construção agrícola moderna e aumentando o emprego dos agricultores.”
O Quadro 4 foi elaborado com informações das 10 empresas líderes na área de inovação em atividades agrícolas e rurais. São empresas com idade entre 62 anos (mais antiga) e 3 anos (mais nova). A maioria delas foi criada até 1998, quando tiveram início medidas de incentivo à criação de empresas líderes na China. Essas empresas, em sua maioria privadas, de diferentes tamanhos, em diferentes ramos produtivos da agricultura e da pecuária, que recebem apoio estatal desde que comprovem, via seleção por editais, ter potencial para executar o principal objetivo estabelecido nas circulares do MARA para modernização da agricultura, que é de induzir a integração vertical, criar mercados e facilitar transferência e absorção de tecnologias pelos agricultores (ZHANG; DONALDSON, 2008; SCHNEIDER, 2017). As empresas listadas no Quadro 4 representam uma nova geração de empresas líderes que recebem incentivos para desenvolver projetos de inovação.
Lista das 10 empresas líderes selecionadas para financiamento especial em projetos de inovação em ciência e tecnologia da China (2021)
Constatou-se, com base nos dados de seus respectivos sites, que o PCCh tem assento na estrutura decisória, confirmando a existência de uma governança empresarial com forte participação do partido. O crescimento da produção agrícola, bem como da sua produtividade, evolui sob uma coordenação empresarial-estatal.
Os avanços tecnológicos no setor devem ser acompanhados de alterações na composição da força de trabalho e de investimento em capital humano que obedecem à lógica política. A política estatal de promoção das fontes de crescimento, no sentido de Nelson (2005), que combina a acumulação de capital, a educação e o progresso tecnológico, são os componentes do lado da oferta. Além da qualificação da mão de obra, o nível médio de salários na zona rural, especialmente em atividades agrícolas, pode ser aumentado. Além de contribuir para manter a população rural na zona rural (LUO; ANDREAS; LI, 2017), a automatização da produção agrícola permitiria superar possíveis limitações de ordem demográfica, como Davies, Harries e Easton (2022) advertem como sendo um dos motivos que impediria China de superar os EUA, na competição tecnológica internacional.
O avanço tecnológico, ao destruir a viabilidade econômica de determinados ramos produtivos (NELSON, 2005), substitui formas artesanais por formas modernas, sem que haja perdedores. No sentido da análise de Rosenberg (2006), a inovação e o progresso tecnológico na agricultura são forças para fazer o socialismo de mercado de características chinesas prosperar.
As empresas líderes listadas no Quadro 4, tem como objetivo desenvolver projetos em P&D, estruturar departamentos, laboratórios, equipes dedicadas, equipamento, escala e selecionar as tecnologias que devem ser incorporadas a sua produção. A partir daí, em vez de construir uma estratégia para liquidar concorrentes e explorar lucros de monopólio, essas empresas guiarão as demais na imitação, funcionando como correias de transferência de tecnologias para o setor. Sua liderança visa a acelerar a aprendizagem pela experiência, próprio da P&D e da inovação, o que envolve, (espera-se) menores riscos e incertezas.
3. Considerações finais
Este artigo buscou apresentar e analisar o estado da política de Ciência e Tecnologia (C&T) para agricultura e pecuária da China, nas últimas décadas, com destaque para o papel das empresas chinesas multinacionais e das empresas líderes. Por fim, apresentou as empresas, multinacionais e empresas líderes da industrialização da agricultura, como atores alçados a estratégicos no período mais recente, no âmbito da modernização da agricultura. Há um consenso de que a agricultura moderna incorpora as tecnologias avançadas, que podem ser tomados como novos tipos de tecnologia para agricultura. O PCCh e o CE têm atuado para facilitar ou induzir a interação entre vaiáveis e fatores determinantes, como tecnologias de diferentes tipos sendo ofertadas para adoção por agricultores e empresas do setor e sua difusão.
Na transferência e/ou imitação de tecnologias comprovadamente bem-sucedidas, bem como sua absorção (sobretudo por agricultores), as empresas líderes que são estratégicas para difusão e disseminação de tecnologias, devem induzir os agricultores, com os quais tenham firmado a contratação da produção, a utilizar novas técnicas e tecnologias. O papel da agricultura no crescimento e no desenvolvimento econômico da China é de dupla via: ao mesmo tempo que aumenta a oferta de produtos agrícolas, sua diversificação e produtividade, essa modernização deve induzir a melhoria do nível de renda e das condições de vida da população rural.
Considerando os objetivos deste artigo, é possível afirmar que a modernização agro da China tem as seguintes características: (1) concepção de que a inovação deve se basear em C&T moderna -digital e biotecnológico - e autóctone; (2) ancoramento em grandes empresas líderes na produção de alimentos e em projetos de C&T; (3) que a difusão das novas tecnologias não eliminará empresas, mas farão parte de um esquema planejado para modernização geral.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados que sustentam as conclusões deste artigo são de acesso público e podem ser consultados China Statistical Yearbook, nos canais oficiais do Conselho de Estado da China e do Partido Comunista da China, como o Theory China. Informações adicionais podem ser obtidas com os autores mediante solicitação.
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Fonte de financiamento:
Não há fonte de financiamento para esse artigo.
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Declaração de Editor Responsável pelo Processo de Avaliação
Os editores Wilson Suzigan (Editor-chefe) e Renato de Castro Garcia (Editor-adjunto) foram responsáveis pelo processo de avaliação, acompanhando e gerenciando todo o processo até a aprovação deste artigo para publicação.


Fonte: Elaboração própria com base em