Open-access Teste de apoio unipodal como marcador de risco de quedas em pessoas idosas: análise de acurácia de um modelo de classificação binária

Resumo

Objetivo  Investigar a acurácia do teste de apoio unipodal como marcador de risco de quedas em pessoas idosas, por meio da análise da curva ROC.

Método  Participaram 58 pessoas idosas (15 homens e 43 mulheres) com idade média de 66,9 (65,3 – 68,5) anos, estatura média de 1,61±0,09 m e massa corporal média de 67,6±11,6 kg. Foram aplicados o teste de apoio unipodal e o <italic>Mini-Balance Evaluation Systems Test</italic> (Mini-BESTest), instrumento que avalia o equilíbrio funcional, abrangendo transições e controle postural antecipatório, controle postural reativo, orientação sensorial e estabilidade da marcha. A análise estatística incluiu o teste U de Mann-Whitney e a curva ROC, utilizada para verificar a capacidade discriminativa do teste de apoio unipodal em relação ao desempenho no Mini-BESTest. O nível de significância adotado foi de 5%.

Resultados  O tempo mediano no teste de apoio unipodal com olhos abertos de 27,49 segundos para o grupo de baixo risco de quedas e 12,47 segundos para o grupo de alto risco. A área sob a curva ROC foi de 0,828. O ponto de corte ≤16,9 segundos apresentou sensibilidade de 81,8% e especificidade de 80,9%. A razão de verossimilhança positiva (RV+= 4,27) indicou que pessoas idosas com tempo ≤16,9 segundos foram cerca de quatro vezes mais propensas a apresentarem desequilíbrio postural.

Conclusão  O teste de apoio unipodal mostrou-se uma ferramenta prática e eficaz para discriminar pessoas idosas com maior vulnerabilidade postural, reforçando sua utilidade clínica para triagem do risco de quedas.

Palavras-chave
Equilíbrio Postural; Pessoa Idosa; Saúde da Pessoa Idosa; Acidentes por Quedas.

Abstract

Objective  To investigate the accuracy of the Unipedal Stance Test as a risk marker for falls in older adults using receiver operating characteristic (ROC) curve analysis.

Method  Fifty-eight older adults (15 men and 43 women) participated in the study, with a mean age of 66.9 (65.3–68.5) years, mean height of 1.61 ± 0.09 m, and mean body mass of 67.6 ± 11.6 kg. The Unipedal Stance Test and the Mini-Balance Evaluation Systems Test (Mini-BESTest), an instrument that assesses functional balance including transitions, anticipatory postural control, reactive postural control, sensory orientation, and gait stability, were administered. Statistical analysis included the Mann–Whitney U test and ROC curve analysis to verify the discriminative ability of the Unipedal Stance Test in relation to Mini-BESTest performance. The significance level was set at 5%.

Results  Median Unipedal Stance Test (eyes open) was 27.49 seconds for the low fall-risk group and 12.47 seconds for the high fall-risk group. The area under the ROC curve was 0.828. The cutoff point ≤16.9 seconds showed 81.8% sensitivity and 80.9% specificity. The positive likelihood ratio (LR+ = 4.27) indicated that older adults with stance times ≤16.9 seconds were approximately four times more likely to exhibit postural imbalance.

Conclusion  The Unipedal Stance Test proved to be a practical and effective tool for discriminating older adults with greater postural vulnerability, reinforcing its clinical utility for fall-risk screening.

Keywords
Postural Balance; Aged; Health of the Elderly; Accidental Falls.

INTRODUÇÃO

O controle corporal é um componente essencial para a manutenção da autonomia e da qualidade de vida das pessoas idosas, especialmente diante das mudanças fisiológicas decorrentes do envelhecimento, como a redução da força muscular, da sensibilidade somatossensorial e da capacidade de integração sensório-motora1-4. O controle postural refere-se à capacidade do sistema nervoso e musculoesquelético de manter o corpo em equilíbrio, ou seja, dentro dos limites da base de suporte, em posição estática ou durante o movimento. Assim, o termo equilíbrio é utilizado como resultado do controle postural, enquanto instabilidade postural descreve a perda dessa capacidade5,6.

Essas alterações, que aumentam o risco de desequilíbrio e, consequentemente, de quedas, são consideradas um dos principais problemas de saúde pública entre a população idosa por estarem associadas a fraturas, hospitalizações, medo de cair e declínio funcional7,8. Dados da Organização Mundial da Saúde9 apontam que aproximadamente 30% das pessoas com 65 anos de idade ou mais sofrem pelo menos uma queda por ano, índice que pode chegar a 50% entre os maiores de 80 anos. As quedas representam a segunda principal causa de morte por lesão não intencional no mundo, sendo responsáveis por cerca de 684 mil óbitos anuais, afetando majoritariamente pessoas acima de 60 anos. Dados brasileiros do Sistema de Informação Hospitalar do SUS10 (SIH/SUS) apontam que, somente em 2022, mais de 120 mil internações de pessoas idosas foram decorrentes de quedas, gerando expressivo impacto sobre o sistema público de saúde. Além das hospitalizações, quedas frequentemente resultam em fraturas, perda de independência funcional, institucionalização e até morte.

Diante desse cenário, a promoção e a manutenção do equilíbrio são fundamentais para a realização segura das atividades da vida diária e da prática de atividades físicas, contribuindo significativamente para a qualidade de vida e redução do risco de quedas e fraturas nessa população11-13.

Estudos indicam que pessoas idosas tendem a apresentar maior instabilidade postural em comparação a adultos jovens, especialmente em tarefas desafiadoras como o apoio unipodal. Essa instabilidade pode resultar em menor tempo de manutenção da posição, sugerindo um aumento no risco de quedas7. Em termos clínicos, essa condição aponta para a necessidade de diagnósticos que auxiliem os profissionais da saúde na detecção precoce e/ou no acompanhamento de intervenções.

O Mini-Balance Evaluation Systems Test (Mini-BESTest) é amplamente reconhecido como um instrumento abrangente e sensível para a avaliação do controle postural em pessoas idosas, englobando diferentes sistemas do controle postural que contribuem para o equilíbrio14-16. Apesar de ser um método reconhecidamente sensível para a avaliação postural, o número de itens no protocolo e o tempo de análise prolongado podem dificultar sua aplicação na prática clínica diária.

Por outro lado, a literatura descreve avaliações posturais simples que incorporam desafios posturais, como o Teste de Apoio Unipodal17, no qual o indivíduo deve manter-se apoiado em uma perna pelo maior tempo possível. Esse teste está diretamente relacionado à capacidade de equilíbrio e destaca-se por ser de fácil aplicação, baixo custo e por simular situações cotidianas que exigem sustentação em apenas um pé, como caminhar ou subir degraus18.

Entretanto, para que seja utilizado de forma mais precisa na prática clínica, é necessário estabelecer parâmetros objetivos que permitam classificar o risco de quedas com maior confiabilidade19,20. A sua ampla aceitação clínica depende de o teste fornecer ao avaliador um ponto de corte, o que é especialmente útil em pessoas idosas.

Diante disso, analisar a acurácia do tempo de permanência no apoio unipodal em relação às pontuações do Mini-BESTest, por meio da análise da curva ROC, pode oferecer uma ferramenta prática e validada para a identificação precoce de pessoas idosas com maior risco de quedas.

Este estudo, portanto, objetivou investigar a acurácia do teste de apoio unipodal como marcador de risco de quedas nesse grupo etário, por meio da análise da curva ROC.

MÉTODO

Tratou-se de um estudo observacional de caráter transversal21. Para este estudo foram consideradas 58 pessoas idosas (15 homens e 43 mulheres), com idade média de 66,9 (65,3 – 68,5) anos, estatura média de 1,61 ± 0,09 m e massa corporal média de 67,6 ± 11,6 kg. Dentre os participantes, 46 relataram praticar regularmente atividade física, enquanto 12 eram fisicamente inativos. Para o cálculo do tamanho da amostra, utilizou-se o teste t de duas amostras independentes, assumindo um tamanho de efeito grande (d=0,8), com um nível de significância de α = 0,05 e um poder de 80% (0,80).

A pesquisa foi conduzida em conformidade com os princípios éticos estabelecidos pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. O protocolo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual de Maringá (CAEE: 83440724.3.0000.0104; Parecer n°: 7.152.153). Todos os participantes foram devidamente informados sobre os objetivos e procedimentos do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) antes de sua participação. Como critério de inclusão, foi considerada a idade dos participantes correspondente à faixa etária de 60 anos ou mais. Como critério de exclusão, foi considerada a autodeclaração dos participantes que indicassem não possuir condições físicas adequadas para realizar os testes propostos.

A coleta de dados foi realizada em uma única sessão, no Laboratório de Biomecânica e Comportamento Motor, entre os meses de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025. Ao chegarem ao local da avaliação, os participantes foram recepcionados e orientados quanto aos objetivos e procedimentos da pesquisa. Após o esclarecimento de eventuais dúvidas, todos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Em seguida, foram coletadas as informações referentes à idade (em anos) e às medidas antropométricas de massa corporal (em quilogramas - Kg) e estatura (em metros – m). As medidas foram obtidas utilizando a mesma balança digital e o mesmo estadiômetro (Edulab®), ambos devidamente calibrados conforme as orientações do fabricante antes do início da coleta. Todas as avaliações foram conduzidas por um único avaliador previamente treinado para padronizar os procedimentos e minimizar possíveis vieses de medição.

Após o registro das medidas antropométricas, foram aplicados, na mesma sessão, o teste de apoio unipodal17 e Mini-BESTest14, seguindo a sequência padronizada de aplicação para todos os participantes.

O teste de apoio unipodal foi utilizado para avaliar a estabilidade postural em condição de base de suporte reduzida. Os participantes foram instruídos a permanecer em pé, sem qualquer apoio externo, sustentando o peso do corpo sobre apenas uma perna, por até 30 segundos15. O teste foi realizado na condição visual: olhos abertos.

Cada participante escolheu livremente a perna de apoio, ou seja, aquela com a qual se sentia mais confortável para realizar o teste. Para a execução, o participante iniciava em posição bipodal, com os braços ao longo do corpo; em seguida, flexionava o joelho da perna oposta para trás, até que o pé saísse completamente do chão, permanecendo em equilíbrio unipodal pelo maior tempo possível, com tempo máximo limitado a 30 segundos por tentativa. Foram realizadas três tentativas e, para cada voluntário, foi calculada a média dos tempos do apoio unipodal. Todos os participantes utilizaram roupas leves e confortáveis, de modo que a vestimenta não limitasse a execução do teste.

Durante o teste, foi registrado o tempo efetivo de permanência em equilíbrio, caso não atingisse os 30 segundos.

O Mini-BESTest verifica o estado de equilíbrio funcional, especificamente as transições/controle postural antecipatório, controle postural reativo, orientação sensorial e estabilidade da marcha. O Mini-BESTest é composto por 14 subtestes com pontuações que variam de 0 (nível funcional mais baixo) a 2 (nível funcional mais alto). A pontuação máxima do Mini-BESTest é de 28 pontos16.

A pontuação de corte para o Mini-BESTest varia por faixa etária: 25 pontos para indivíduos de 60 a 69 anos, 21 pontos para a faixa de 70 a 79 anos e 20 pontos para pessoas entre 80 e 89 anos. A classificação dos participantes em alto e baixo risco de quedas foi realizada com base nos pontos de corte do Mini-BESTest, conforme o método de Almeida, Marques e Santos22.

Inicialmente, na análise de dados, foi verificado o tipo de distribuição das variáveis por meio do teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov. Após a classificação dos participantes em grupos de alto e baixo risco com base no teste unipodal, a análise de normalidade revelou que a distribuição dos dados do grupo de alto risco era normal, enquanto a do grupo de baixo risco não era. Diante desse resultado, optou-se por utilizar testes estatísticos não paramétricos. Para as comparações entre grupos, utilizou-se o teste U de Mann-Whitney. Também foi utilizada a Curva ROC (Receiver Operating Characteristic) a fim de avaliar a acurácia das variáveis contínuas na discriminação entre os grupos, extraindo-se os valores da área sob a curva (ASC), os pontos de corte e os respectivos valores de sensibilidade e especificidade. O nível de significância adotado foi de 5%.

DISPONIBILIDADE DE DADOS

O conjunto de dados não está publicamente disponível devido à necessidade de resguardar a privacidade dos participantes da pesquisa, sendo utilizado exclusivamente para os fins desta publicação.

RESULTADOS

A Tabela 1 apresenta a comparação dos resultados do Teste de Apoio Unipodal em relação à classificação do teste Mini-BESTest.

Tabela 1
Comparação dos resultados do Teste de Apoio Unipodal em relação à classificação do teste Mini-BESTest (n=58). Maringá, PR, 2025.

A análise do Teste de Apoio Unipodal com olhos abertos revelou que os participantes classificados com baixo risco de quedas pelo Mini-BESTest obtiveram resultados superiores em comparação com o grupo de alto risco.

A Tabela 2 apresenta os parâmetros estatísticos obtidos na análise da curva ROC para a variável Unipodal OA, incluindo o erro padrão, intervalo de confiança, valores de sensibilidade e especificidade, bem como as razões de verossimilhança positiva e negativa, utilizados para discriminar o parâmetro indicativo ao risco de queda.

Tabela 2
Parâmetros estatísticos da área sob a curva e intervalo de confiança de 95% para análise da curva ROC (n=58). Maringá, PR, 2025.

A área sob a curva (ASC) foi de 0,828 (erro padrão de 0,054, IC 95%: 0,706-0,914), indicando uma excelente capacidade discriminativa do teste de apoio unipodal de olhos abertos. O valor de p<0,0001 confirma a significância estatística da curva, sugerindo que o desempenho do teste na predição do risco de queda é significativamente melhor do que ao acaso.

O ponto de corte ideal identificado foi de ≤16,9 segundos, que demonstrou um bom equilíbrio entre sensibilidade (81,8%) e especificidade (80,9%). Isso significa que o teste é eficaz tanto na identificação de pessoas idosas em risco quanto na exclusão daqueles sem risco. A razão de verossimilhança positiva (RV+ =4,27) indica que um idoso com tempo ≤16,9 segundos é aproximadamente 4 vezes mais provável de estar em risco de desequilíbrio, enquanto a razão de verossimilhança negativa (RV- =0,22) sugere que um resultado acima desse ponto de corte reduz significativamente a chance de risco.

A capacidade discriminativa do teste pode ser visualizada na curva ROC (Figura 1), que ilustra a relação entre sensibilidade e especificidade. A forma da curva reforça o desempenho satisfatório do teste na classificação de pessoas idosas quanto ao risco de desequilíbrio.

Figura 1
Teste de Apoio Unipodal com Olhos Abertos como Previsor do Risco de Quedas (n=58). Maringá, PR, 2025.

O gráfico da curva ROC para o teste de apoio unipodal de olhos abertos ilustra o desempenho discriminativo do teste, reforçando sua utilidade clínica. A curva se afasta significativamente da linha de chance, evidenciando a capacidade do teste de distinguir adequadamente os grupos de risco e sem risco.

Em resumo, o ponto de corte ideal, identificado em ≤16,9 segundos, demonstrou um bom equilíbrio entre sensibilidade (81,8%) e especificidade (80,9%). Esses resultados, juntamente com a área sob a curva (ASC) de 0,828 (IC 95%: 0,706–0,914; p<0,0001), indicam a excelente capacidade do teste de prever o risco de quedas em pessoas idosas.

DISCUSSÃO

Os resultados revelaram diferenças significativas entre os grupos de baixo e alto risco de quedas nas variáveis analisadas. O Mini-BESTest é um teste funcional que avalia diferentes componentes do equilíbrio. Neste teste, pontuações mais altas indicam melhor controle postural e menor risco de quedas15,16. Desse modo, os resultados deste estudo indicaram que indivíduos com alto risco de quedas, conforme classificação do Mini-BESTest, apresentaram menor tempo no teste de apoio unipodal. Isso indica que indivíduos com maior propensão a quedas possuem menor estabilidade postural e menor capacidade de manter o equilíbrio em uma base de suporte reduzida.

Os achados demonstram também que o teste de apoio unipodal com olhos abertos possui boa capacidade de discriminar o risco de desequilíbrio em pessoas idosas. Comparado ao Mini-BESTest, é um instrumento mais simples, acessível e de fácil aplicação, útil em contextos clínicos e comunitários. Estudos, como o de Kozinc et al.23, também reconhecem a importância desse teste como marcador funcional.

Na análise da curva ROC para a variável tempo de apoio unipodal, foi observada uma área sob a curva (ASC) de 0,828 (IC95%: 0,706–0,914; p<0,0001), indicando uma excelente capacidade discriminativa na identificação de indivíduos com maior risco de desequilíbrio. O ponto de corte identificado foi de ≤16,9 segundos, apresentando uma sensibilidade de 81,8% e especificidade de 80,9%, o que evidencia alta acurácia na distinção entre os grupos classificados como alto risco e baixo risco, conforme a classificação do Mini-BESTest.

Esses resultados estão alinhados com achados anteriores da literatura que validam o uso de testes clínicos simples como preditores de risco de quedas. Segundo Springer et al.24, o teste de apoio unipodal possui boa validade preditiva, sendo que tempos inferiores a 20 segundos estão associados a um aumento do risco de quedas, especialmente em populações idosas. O presente estudo corrobora esses achados e acrescenta como diferencial a análise da acurácia do teste, evidenciando sua eficácia na identificação de indivíduos com maior vulnerabilidade postural. De forma semelhante, Hurvitz et al.25 destacam que a redução no tempo de permanência em apoio unipodal pode refletir comprometimentos nos sistemas sensorial, motor e de integração central, os quais são essenciais para a manutenção do equilíbrio postural.

A elevada sensibilidade e especificidade observadas neste estudo reforçam a aplicabilidade clínica do teste de apoio unipodal como ferramenta de triagem. Como discutido por Swets26, em análise de desempenho diagnóstico, e por De Abreu et al.19 e Brown et al.20, em estudos com populações idosas, valores de ASC entre 0,8 e 0,9 são classificados como excelentes para discriminação diagnóstica, sugerindo que o teste avaliado é eficaz tanto para identificar indivíduos em risco (sensibilidade), quanto para descartar aqueles sem risco (especificidade).

Com o envelhecimento, diversas mudanças ocorrem nos sistemas do corpo, impactando a qualidade de vida e a capacidade de realizar atividades diárias1. No sistema visual, observa-se uma redução na acuidade visual, além de uma menor sensibilidade ao contraste e à luz, o que dificulta a percepção de profundidade de objetos e a adaptação a ambientes com diferentes níveis de iluminação. No sistema vestibular, ocorre uma diminuição das células ciliadas e da sensibilidade vestibular, comprometendo a percepção do movimento e a orientação espacial. O sistema somatossensorial também sofre declínios, com redução na sensibilidade tátil e proprioceptiva, limitando a capacidade de sensibilidade e a noção da posição do corpo2,4.

Além disso, o processo de integração dessas informações sensoriais no cérebro se torna menos eficiente com o avanço da idade, levando a uma reação mais lenta e menor capacidade de adaptação a mudanças ambientais. Essas alterações, somadas à perda de força muscular e flexibilidade, aumentam o risco de quedas em pessoas idosas, impactando sua autonomia e segurança2,4.

Outro fator relacionado ao equilíbrio é a força muscular, essencial para manter o corpo em uma postura estável e realizar ajustes adequados para sustentar essa posição. O estudo de Wang et al.27 investigou a relação entre estabilidade postural, força muscular e propriocepção em 152 pessoas com 60 anos divididas em dois grupos etários (65–74 anos e ≥75 anos). Os resultados mostraram que a força muscular apresentou associação significativa com o desempenho nos testes de equilíbrio e mobilidade funcional em ambos os grupos, enquanto a propriocepção manteve correlação apenas entre os participantes mais jovens. Esses achados indicam que, especialmente em pessoas idosas com 75 anos ou mais, a força muscular exerce papel determinante na capacidade de manter o equilíbrio, reforçando sua importância para a estabilidade postural e para a prevenção de quedas nessa população.

Este estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos achados. Limitações incluem o delineamento transversal e a amostra não probabilística. A proporção de indivíduos classificados como de alto risco (n=11;18,97%) foi relativamente baixa, o que pode ter influenciado a precisão de medidas complementares, como os valores preditivos positivo e negativo. Além disso, características específicas da amostra, como a faixa etária predominante, presença de comorbidades e nível de atividade física, podem ter influenciado o desempenho nos testes de equilíbrio, devendo ser consideradas ao interpretar a generalização dos achados.

CONCLUSÃO

Este estudo teve como objetivo investigar a acurácia do teste de apoio unipodal como marcador de risco de quedas em pessoas idosas, utilizando a análise da curva ROC.

Os resultados demonstram que o Teste de Apoio Unipodal é uma ferramenta prática e eficaz para discriminar indivíduos com maior vulnerabilidade postural. O ponto de corte de ≤16,9 segundos apresentou uma sensibilidade de 81,8% e uma especificidade de 80,9%, o que reforça sua utilidade clínica.

Os achados contribuem para o campo da Geriatria e da Gerontologia ao reforçar a importância de avaliações funcionais simples no rastreamento do risco de quedas. Esses resultados apoiam o planejamento de ações locais de prevenção e programas de fortalecimento e treinamento de equilíbrio voltados a essa população.

Futuras pesquisas devem considerar estudos longitudinais que avaliem a relação entre o desempenho no teste e a ocorrência de quedas, além de incluir perfis variados de pessoas idosas, para aprimorar a aplicabilidade e a precisão dos protocolos de avaliação e intervenção.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior pela bolsa concedida através do programa de demanda social.

  • Financiamento da pesquisa
    Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. N° do processo: 88887.988249/2024-00. Bolsa Programa de demanda social.

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Editado por

  • Editado por
    Camila Alves dos Santos

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    09 Set 2025
  • Aceito
    11 Nov 2025
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