Objetivo: Analisar os padrões de mortalidade no trânsito durante os períodos pré-pandêmico, pandêmico e pós-pandêmico em Campinas, Brasil.
Métodos: Estudo observacional retrospectivo realizado em Campinas entre 2019 e 2023, analisando 17.726 sinistros de trânsito, com 406 óbitos, utilizando bancos de dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas e Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo. Foi realizada análise de regressão logística multivariada para identificar fatores de risco independentes associados aos óbitos decorrentes de sinistros de trânsito, como alcoolemia, período noturno, gênero, localização da via, tipo de veículo e final de semana. Testes ꭓ2 foram utilizados para comparar proporções entre os períodos.
Resultados: Apesar da redução de 32,0% no volume de tráfego, as taxas de mortalidade aumentaram de 10,46 para 13,76/100.000 habitantes, com elevação de 26,7% nos anos potenciais de vida perdidos. A frequência de colisões com vítimas fatais aumentou de uma morte a cada 2,9 dias para uma a cada 2,0 dias. O excesso de velocidade constituiu o principal fator contribuinte das infrações, representando 67% no período de pandemia. Os maiores risco emergiram da combinação entre consumo de álcool com direção noturna e excesso de velocidade. Motociclistas representaram 43,1% dos óbitos, aumentando para 47,0% no período pós-pandêmico.
Conclusão: Emergiu um paradoxo pandêmico onde a redução do tráfego conduziu ao aumento da mortalidade. Comportamentos de risco estabelecidos durante a pandemia tornaram-se permanentes ao invés de temporários, afetando particularmente motociclistas jovens do sexo masculino.
Palavras-chave:
COVID-19; Acidentes de trânsito; Mortalidade; Prevenção de acidentes; Ferimentos e lesões
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