Open-access Cobertura vacinal infantil de hepatite A, tríplice viral e varicela: análise de tendência temporal em Minas Gerais, Brasil

RESUMO:

Objetivo:   Analisar a tendência temporal da cobertura vacinal de hepatite A, tríplice viral e varicela em um estado brasileiro no período de 2014 a 2020.

Métodos:   Estudo ecológico de séries temporais, que considerou dados dos 853 municípios de Minas Gerais que compõem as 14 regiões do estado, sendo estas as unidades territoriais de análise. Foram analisados registros de doses aplicadas das vacinas hepatite A, tríplice viral e varicela registrados no Sistema de Informação de Imunização do Brasil. As tendências foram estimadas pela regressão de Prais-Winsten e calculados os intervalos de confiança 95% das medidas de variação.

Resultados:   Identificaram-se baixas coberturas vacinais de hepatite A, tríplice viral e varicela. Coberturas acima de 95% foram observadas somente no ano de 2015 para a vacina contra hepatite A (98,8%) e, em 2016, para a varicela (98,4%). A vacina tríplice viral apresentou cobertura inferior a 95% em todos os anos analisados. Uma queda de 13,6 e 4,3% entre os anos de 2019 e 2020 foi identificada para as vacinas tríplice viral e hepatite A, respectivamente. Observou-se tendência decrescente na cobertura vacinal da hepatite A nas regiões Sul (p=0,041), Leste (p=0,030) e Norte (p=0,045); para a tríplice viral, nas regiões Jequitinhonha (p=0,002), Leste (p=0,004) e Norte (p=0,024). A cobertura crescente foi observada somente para a varicela em oito regiões do estado.

Conclusões:   Os dados apontam heterogeneidade no comportamento temporal das coberturas vacinais em Minas Gerais. A tendência decrescente em algumas regiões desperta preocupação pela possibilidade do recrudescimento de doenças, como o sarampo, até então controladas.

Palavras-chave:
Programas de imunização; Cobertura vacinal; Sistemas de informação em saúde; Avaliação em saúde; Estudos ecológicos

ABSTRACT:

Objective:   To analyze the temporal trend of vaccination coverage for hepatitis A, measles, mumps and rubella, and varicella in a Brazilian state from 2014 to 2020.

Methods:   An ecological, time-series study that considered data from 853 municipalities in the state of Minas Gerais that compose the 14 regions of the state, these being the territorial units of analysis. Records of applied doses of hepatitis A, measles, mumps and rubella, and varicella vaccines registered in the Brazilian Immunization Information System were analyzed. Trends were estimated by Prais-Winsten regression and 95% confidence intervals of measures of variation were calculated.

Results:   Low vaccine coverage of hepatitis A, measles, mumps and rubella, and varicella was identified. Coverages above 95% were observed only in 2015 for the vaccine against hepatitis A (98.8%) and, in 2016, for varicella (98.4%). The measles, mumps and rubella vaccine showed coverage of less than 95% in all analyzed years. Decreases of 13.6 and 4.3% between the years 2019 and 2020 were identified for the measles, mumps and rubella, and hepatitis A vaccines, respectively. There was a decreasing trend in hepatitis A vaccination coverage in the South (p=0.041), East (p=0.030), and North (p=0.045) regions; and for the measles, mumps and rubella in Jequitinhonha Valley (p=0.002), East (p=0.004), and North (p=0.024) regions. Increasing coverage was observed only for varicella in eight regions of the state.

Conclusions:   The data point to heterogeneity in the temporal behavior of vaccination coverage in Minas Gerais. The downward trend in some regions causes concern about the possibility of resurgence of diseases, such as measles, which until then had been controlled.

Keywords:
Immunization programs; Vaccination coverage; Health information systems; Health evaluation; Ecological studies

INTRODUÇÃO

O cumprimento de metas de coberturas para todas as vacinas do calendário nacional de imunização até 2020 foi proposto pelo Global Vaccine Action Plan 2011-2020. Contudo, menos de dois terços dos países atingiram a meta proposta, a exemplo da terceira dose da tríplice bacteriana, com 66% de cobertura1. No Brasil, um estudo recente apontou tendências temporais de redução da cobertura vacinal nas cinco regiões brasileiras no período de 2006 a 20162. A circulação de notícias falsas sobre os imunobiológicos3, a hesitação vacinal4 e, mais recentemente, a pandemia causada pela covid-195 são alguns dos determinantes apontados na literatura. Não obstante, o declínio da imunização é heterogêneo entre os municípios brasileiros2 e pode ser reflexo das desigualdades sociais6 e de acesso aos serviços de saúde7.

Atualmente, a estratégia global Agenda de Imunização 2030 prevê um mundo onde as pessoas, de todas as idades e todos os lugares, beneficiem-se plenamente das vacinas ofertadas para melhorar a saúde e o bem-estar da população. Essa intervenção propõe manter os resultados positivos conquistados na vacinação e recuperar as perdas ocasionadas pela covid-198.

Os impactos mais significativos da não vacinação têm sido a morbidade e a mortalidade por infecções graves que afetam desproporcionalmente as crianças9. Entre as vacinas ofertadas a esse público, preocupa-se a queda da cobertura observada em vários países da vacinação contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela, doenças altamente contagiosas e com várias complicações clínicas associadas10.

A introdução da vacinação viva atenuada contra a varicela é uma estratégia preventiva adotada em vários países. Os esquemas são variáveis quanto ao número de doses, à combinação com outras vacinas e à idade da imunização11. A eficácia da vacina contra varicela de dose única na prevenção de infecção e doença moderada/grave é estimada em 81 e 98%, respectivamente12. No entanto, sua cobertura apresentou média de 78% em 2016 no Brasil, e desde então uma queda é observada, chegando a 34,3% em 201913.

Outra vacina que faz parte do calendário nacional é a tríplice viral, que previne a ocorrência do sarampo, caxumba e rubéola. As estimativas da eficácia da vacina tríplice viral são de 99% na prevenção do sarampo após segunda dose, mais de 95% na prevenção da caxumba e de 90% na prevenção da rubéola após dose única14. No entanto, uma redução de 2,7% ao ano da sua cobertura foi observada no Brasil no período de 2006 a 20162.

Além dessas, a vacina contra a hepatite A também teve queda de coberturas em todas as regiões do Brasil após o ano de 2015, variando entre 60,0 e 82,0%, entre os municípios brasileiros15. Embora a hepatite A tenha manifestações clínicas brandas na infância, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima mais 7 mil mortes ao ano no mundo16.

Considerando as variações da cobertura vacinal entre os países e dentro do Brasil, é oportuno analisar o território em unidades espaciais com maior nível de desagregação. O estado de Minas Gerais, segundo mais populoso do Brasil17, recentemente enfrentou epidemia e surtos de doenças imunopreveníveis18.

Portanto, considerando as baixas coberturas vacinais infantis, e suas consequências já visíveis, justificam-se os esforços para propor um planejamento estratégico condizente com as características de cada região brasileira para a tomada de decisões assertivas. Assim, o objetivo deste estudo foi analisar a tendência temporal da cobertura vacinal da hepatite A, tríplice viral e varicela em um estado brasileiro no período de 2014 a 2020.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo ecológico, de séries temporais, cujo cenário é o estado de Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do Brasil e o quarto em extensão territorial17. Utilizou como unidades territoriais de análise as 14 regiões do estado: Sul, Centro-Sul, Centro, Jequitinhonha, Oeste, Leste, Vale do Aço, Sudeste, Norte, Noroeste, Leste do Sul, Nordeste, Triângulo do Sul, Triângulo do Norte17.

A população do estudo foi constituída por crianças residentes nos 853 municípios mineiros que tinham registros de vacinação por imunobiológicos ofertados pelo Plano Nacional de Imunizações (PNI) no Sistema de Informação do PNI (SI-PNI). Foram utilizados os dados das doses de vacinas aplicadas para prevenção de hepatite A (dose única aos 15 meses), tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola) (segunda dose aos 15 meses) e varicela (primeira dose aos 15 meses), no período 2014 (prazo final para implantação do SI-PNI no Brasil) a 2020. A meta de cobertura preconizada pelo PNI para todas essas vacinas é de 95%19.

É importante destacar que a vacina tetraviral não foi analisada, uma vez que, segundo informações da Coordenação do PNI de Minas Gerais, houve falhas na sua oferta ao serviço de saúde municipal no período estudado.

Os dados da vacinação de rotina em criança foram extraídos do SI-PNI disponibilizado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, e os dados referentes às populações-alvo das vacinas por município foram obtidos por meio de acesso ao Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde/Sistema de Informação Sobre Nascidos Vivos. O software Microsoft Office Excel (2016) foi utilizado para a estruturação do indicador cobertura vacinal. Esse indicador apresenta, no numerador, o número de crianças vacinadas considerando o esquema completo da vacina e, no denominador, a população-alvo para a vacina. Fator de multiplicação: 10019.

Para a análise de tendência foi utilizado o software Stata (versão 12) e empregado o modelo de regressão linear de Prais-Winsten, em que a variável independente (x) foi o ano (2014 a 2020) e a variável dependente (y) a cobertura vacinal. Esse modelo é indicado para corrigir a autocorrelação serial em séries temporais e permite analisar tendências com sete ou mais pontos20.

Inicialmente, foi realizada a transformação logarítmica dos valores de y para reduzir a heterogeneidade da variância dos resíduos da análise de regressão. Posteriormente, foi realizada a aplicação do modelo de Prais-Winsten. Para identificação da variação percentual média anual (APC, do inglês annual percent change), os valores do coeficiente b1 correspondentes a cada um dos indicadores foram aplicados à seguinte fórmula: APC=-1+10 b1 *100%. Por fim, foram calculados os intervalos de confiança (IC) 95% das medidas de variação mediante a aplicação das seguintes fórmulas: IC95% mínimo= -1+10 b1-t*e *100%; IC95% máximo= -1+10 b1+t*e *100%.

Os valores do coeficiente b1 (beta) e de e (erro padrão) foram gerados pelo programa de análise estatística. O t refere-se ao t de Student e corresponde a seis graus de liberdade (2,447), que indica os sete anos de análise (2014-2020), com nível de confiança de 95%. A interpretação dos resultados foi realizada da seguinte forma: tendência crescente, quando a taxa de variação média anual foi significativamente positiva; decrescente, quando a taxa de variação foi significativamente negativa; estacionária, quando se aceita a hipótese nula de que não há diferença significativa entre o valor da variação e zero20.

O presente estudo utiliza-se de dados de domínio público de acesso irrestrito, para o qual não existe identificação dos indivíduos participantes da investigação, portanto não sendo necessária apreciação por parte de Comitê de Ética em Pesquisa.

RESULTADOS

Ao longo do período analisado, o estado de Minas Gerais apresentou oscilações na cobertura vacinal da hepatite A, tríplice viral e varicela. Coberturas acima de 95% foram observadas somente no ano de 2015 para a vacina contra hepatite A (98,8%) e em 2016 para a varicela (98,4%). A vacina tríplice viral apresentou cobertura inferior a 95% em todos os anos. Uma queda de 13,6 e 4,3% entre os anos 2019 e 2020 foi identificada para as vacinas tríplice viral e hepatite A, respectivamente (Figura 1).

Figura 1.
Cobertura vacinal no estado de Minas Gerais, Brasil, de 2014 a 2020 para as vacinas hepatite A, tríplice viral e varicela.

O gráfico foi o primeiro passo para compreender os processos subjacentes às medidas ordenadas temporalmente. Na sequência, os valores, delineados para cada região do estado, demonstram um resultado ainda mais emblemático. Na Tabela 1 é possível observar o predomínio da tendência estacionária, por região, para as vacinas de hepatite A e tríplice viral. Destaca-se a tendência decrescente na cobertura vacinal da hepatite A nas regiões Sul (p=0,041), Leste (p=0,030) e Norte (p=0,045) e da tríplice viral nas regiões Jequitinhonha (p=0,002), Leste (p=0,004) e Norte (p=0,024). A variação percentual anual da cobertura vacinal de queda ficou entre -5,21 e -8,43% no período de 2014 a 2020. Já a tendência crescente foi observada somente para a vacina contra varicela na maioria das regiões, com variação percentual anual de incremento de 29,15 a 49,57%.

Tabela 1.
Tendência da cobertura vacinal nas 14 regiões do estado de Minas Gerais, Brasil, de 2014 a 2020 para as vacinas hepatite A, tríplice viral e varicela.

DISCUSSÃO

A cobertura vacinal média no território mineiro, para as três vacinas analisadas, não demonstrou o alcance das metas de 95% conforme preconizado pelo PNI19. Os achados do estudo estão de acordo com a impressão de baixas coberturas recentes em outros países21,22.

No mundo, cerca de 14 milhões de crianças perderam vacinas vitais, como a de sarampo, o que resultou em surtos registrados na Venezuela em 2017, em Madagascar, nas Filipinas e no Brasil entre 2018 e 201923,24. Na Ucrânia, em 2016, apenas 42% dos recém-nascidos e 31% das crianças de até seis anos foram vacinados contra o sarampo25. Na Inglaterra, houve queda de 19,8% das doses aplicadas da vacina de sarampo-caxumba-rubéola entre 2019 e 202026. Nos Estados Unidos a cobertura para a hepatite A ficou abaixo da meta do Healthy People 2020 de 85%, atingindo cerca de 76,6% entre as crianças nascidas em 2015-201627.

Segundo os registros oficiais do Ministério da Saúde, a queda das coberturas vacinais no Brasil foi demarcada a partir de 2016, com cerca de 10 a 20 pontos percentuais28. Redução também foi observada na presente investigação para as coberturas da tríplice viral e hepatite A, em 2020.

Com a pandemia de covid-19, estima-se que a probabilidade de uma criança de até os cinco anos de idade tomar todas as vacinas é de 20%29. O comparecimento nas unidades de saúde caiu drasticamente nesse ano, inclusive para a vacinação infantil, em razão das medidas de distanciamento social para mitigar a transmissão do vírus Sars-CoV-230.

Associado a isso, o crescente movimento antivacina, intensificado com a vacinação contra a covid-19, a circulação de notícias falsas sobre os imunobiológicos e a hesitação vacinal são alguns dos determinantes apontados na literatura para acentuar as quedas nas coberturas vacinais, já identificadas desde 20163,31,32.

No entanto, esse declínio não foi observado para a vacina contra varicela, aplicada juntamente com a tríplice viral aos 15 meses (em substituição à tetraviral), já que no estado de Minas Gerais essa vacina não está disponível desde 201733. Pressupõe-se que alguns profissionais estejam realizando o lançamento da segunda dose da tríplice viral no campo da vacina tetraviral. Esse pressuposto aponta para coberturas subestimadas dessa vacina, que condizem com os achados deste estudo, em que a vacina tríplice viral foi a que teve maior declínio na cobertura vacinal.

Ademais, é necessário mencionar a mudança do SI-PNI ocorrida em 2014. O sistema, que antes era alimentado de acordo com as doses aplicadas, passou para o registro nominal. Essa mudança inseriu dificuldades, pois além dos equipamentos e de toda a logística necessária, foi preciso ter pessoal treinado para alimentá-lo34,35. Atualmente, o lançamento do registro de doses aplicadas é feito no Prontuário Eletrônico do Cidadão, software desenvolvido a partir da estratégia e-SUS Atenção Primária36. É possível que esses fatores tenham resultado em menor registro das doses administradas, tornando imprecisos os dados da cobertura vacinal em alguns locais15.

Na tentativa de reduzir as distorções intrínsecas das agregações de um local de grande extensão territorial, as análises deste estudo foram realizadas por região, as quais permitiram identificar heterogeneidades importantes dentro do estado de Minas Gerais. Além disso, mais do que delimitar as diferenças geográficas, foi possível diagnosticar o ritmo de elevação, redução ou estabilização da cobertura de uma área no decorrer do tempo por meio de modelos de regressão.

Destacam-se as regiões Norte, Leste, Sul e Jequitinhonha, que tiveram tendências decrescentes para as vacinas tríplice viral e/ou contra hepatite A. Essas áreas devem ser consideradas as de maior risco para a transmissão das doenças sarampo, caxumba, rubéola e hepatite A, exatamente pelas baixas coberturas vacinais.

Apesar da diminuição na incidência de hepatite A, a cobertura vacinal no ano da sua implementação foi baixa em todo o país, sugerindo o impacto das melhorias das condições sanitárias37 ou mesmo uma subnotificação da doença15. Além disso, a falta da vacina contra a hepatite A, que ocorreu do início de 2016 ao fim de 2017, também contribuiu para a redução da cobertura vacinal15. Entretanto o desabastecimento da vacina contra hepatite A parece não estar associado ao fato das baixas coberturas vacinais no estado de Minas Gerais, pois a tendência decrescente se restringiu a apenas três regiões do estado e a falta da vacina afetou todo o território nacional.

As vacinas infantis recomendadas em todo o mundo baseiam-se no princípio científico de seu efeito preventivo38. O sarampo, a caxumba e a rubéola são outras doenças infantis imunopreveníveis altamente contagiosas. Embora nem sempre graves, essas doenças podem causar incapacidades (como surdez), complicações e morte10.

Em Minas Gerais, as regiões Norte, Leste e Jequitinhonha apresentam elevadas proporções de pobreza39, o que poderia explicar as quedas na cobertura vacinal da tríplice viral e/ou hepatite A. Entretanto esse fenômeno deve ser analisado com cautela. A baixa cobertura já também é vista entre os estratos populacionais com maior poder aquisitivo40.

Outros elementos importantes para a baixa cobertura vacinal são o desabastecimento de vacinas33 e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde (distância entre a residência e a unidade, ausência de transporte público, horário reduzido de funcionamento da unidade, deficiência na educação permanente dos profissionais de saúde)7.

Assim, promover o envolvimento intersetorial, como ações de conscientização em igrejas e escolas40, monitoramento da cobertura mediante a realização de inquéritos domiciliares de forma periódica e ampliação da oferta de vacinas de modo a torná-las mais próximas às comunidades41, são algumas intervenções-chave.

A baixa cobertura vacinal em algumas regiões de Minas Gerais desperta grande preocupação, dada a possibilidade do recrudescimento de doenças até então eliminadas ou controladas. Esse cenário pode ser bem ilustrado ao se relembrar o surto de sarampo ocorrido em 2018 nos estados de Roraima e Amazonas42.

Nesse sentido, é válido mencionar que, mesmo em países com programas de imunização efetivos, como o Brasil, os avanços alcançados em anos anteriores podem ser perdidos com facilidade sem o constante monitoramento2. O acesso à imunização deve ser universal, independentemente de sua localização geográfica, por isso é importante que políticas e programas realizem medidas mais efetivas para a redução das iniquidades na vacinação. A equidade deve continuar a ser um forte impulsionador para garantir que todos desfrutem dos benefícios da imunização, incluindo as populações mais desfavorecidas e marginalizadas8.

Entre as limitações deste estudo cabe destacar que a utilização de dados secundários pode, frequentemente, resultar em inconsistências no indicador estimado (cobertura vacinal), mas, apesar disso, a escolha por esse tipo de fonte reduz os custos operacionais e não inviabiliza a realização de análises. Para minimizar essa limitação, foi feita a análise de consistência da base de dados.

O estudo apresenta evidências de redução da cobertura vacinal da hepatite A nas regiões Sul, Leste e Norte e da tríplice viral nas regiões Jequitinhonha, Leste e Norte do estado de Minas Gerais. Por outro lado, a cobertura crescente foi observada somente para a varicela, em oito regiões do estado. Dessa forma, constata-se que a heterogeneidade no comportamento temporal da cobertura vacinal demanda um planejamento estratégico condizente com as características de cada localidade.

Para estudos futuros, seria oportuno compreender os fatores associados aos comportamentos temporais identificados, inclusive com o desenvolvimento de pesquisas em campo. Além disso, os registros de vacinação do Sistema Informatizado de Imunização são questões que requerem atenção e devem ser continuamente acompanhados para aprimoramento da qualidade das informações utilizadas nos serviços e nas pesquisas.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem o apoio da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES - código 001) e da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais.

REFERÊNCIAS

  • Fonte de financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG - Demanda Universal - APQ-00638-21). Número de identificação/aprovação do CEP: parecer número 3.612.038, Certificado de Apresentação de Apreciação Ética 20670819.9.0000.5545.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Maio 2022
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    22 Nov 2021
  • Revisado
    15 Fev 2022
  • Aceito
    17 Fev 2022
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