| Cabral et al. 40 |
Raça |
12 projetos pedagógicos traziam componentes curriculares que discutiam raça de forma obrigatória; nove como disciplina optativa; três como abordagem transversal; dois contemplavam alguma das características na ementa do internato/estágio obrigatório para conclusão de curso, e dois como programas e ações de extensão. |
Não informado (NI) |
| Soler-González et al.41 |
Raça |
Simulação clínica com pacientes negros e brancos. |
Os alunos priorizavam alguns aspectos da anamnese de forma diferente, a depender da raça do paciente. Percebeu-se que, quando se tratava de um negro, solicitavam-se menos exames, era menos provável que o paciente fosse enviado para um hospital e ele era percebido como propenso a exagerar os sintomas para ganho pessoal. |
| Bright et al. 42 |
Raça |
Fórum de discussão racial na universidade abordando raça, discriminação e preconceito; estereótipos e autoconsciência; racismo; e estratégias para lidar com essas questões. |
Os participantes do fórum mencionaram a necessidade de a universidade abordar maiores discussões sobre raça e racismo na grade curricular. |
| Novak et al. 43 |
Raça |
Os alunos participam de um clube do livro, como atividade extracurricular, sobre racismo; leem a obra Fatal invention: how science, politics, and big business re-create race in the twenty-first century; e posteriormente discutem sobre raça e desigualdades sociais. |
Possibilita o desenvolvimento de práticas antirracistas, com a promoção de cuidados em saúde mais equitativa. |
| Carrijo et al. 44 |
Raça |
Reformulou-se o currículo médico orientado por domínios de competência: conhecimentos, habilidades e atitudes. Esses domínios abrangem temas de saúde da população negra, com o objetivo de discutir o racismo como condição de saúde; epidemiologia dos agravos à saúde da população negra; papel do médico de família e comunidade no enfrentamento das iniquidades; e práticas antirracistas em saúde. |
Os alunos, quando provocados a refletir sobre o racismo estrutural, conseguem produzir resenhas críticas nas quais articulam o conteúdo das aulas com as políticas de saúde, questões éticas, aspectos de comunicação clínica e experiências subjetivas. Desde 2018, os professores observam que, durante as aulas e no exame final, os alunos mostram que entendem a influência das questões referentes à raça negra nos domínios ambiental, orgânico e genético. |
| Madeira et al.36 |
Raça |
NI |
Os estudantes associam negros africanos a traços sociais de promiscuidade, menor inteligência, irresponsabilidade, ignorância, descuido e preguiça. |
| Tsai et al.45 |
Raça |
Disciplinas obrigatórias ou eletivas. |
A menção à raça foi encontrada em 102 slides. A grande maioria sugeriu risco biológico (96%), e apenas 4% reconheceram os determinantes sociais das disparidades raciais das doenças. Em relação à metodologia, 50% dos slides apresentavam raça ao lado de epidemiologia sem contexto; 42%, como fator de risco, diagnóstico ou tratamento; 6%, como estudo de caso de paciente. No geral, a raça é frequentemente apresentada sem contexto. |
| Harris et al. 32 |
Etnia |
NI |
Os estudantes apresentam viés étnico na preferência por pacientes e na cordialidade aos pacientes europeus em detrimento dos indígenas. |
| Cormack et al.35 |
Etnia |
NI |
Os estudantes apresentam preferências por pacientes europeus e acreditam que esses pacientes sejam mais complacentes do que os pacientes indígenas. |
| Pitama et al. 46 |
Etnia |
Disciplina obrigatória sobre iniquidades em saúde indígena. |
A disciplina possibilitou na formação dos alunos: 1. um espaço para a defesa dos direitos e da responsabilidade social para com os povos indígenas; 2. o conhecimento e as habilidades necessários para atender às expectativas da comunidade. |
| Yeung et al. 33 |
Etnia |
NI |
Embora se reconheçam as iniquidades em saúde dos povos indígenas, os estudantes de Medicina não consideram como legítima a forma de conduzir suas reivindicações por meio de protestos. Mais de três quartos dos alunos não se consideram adequadamente preparados para trabalhar em uma comunidade indígena. |
| Ly et al.47 |
Etnia |
NI |
Os estudantes de Medicina reconhecem que os estereótipos estão intimamente relacionados a processos de racismo e discriminação. Ressaltam a Faculdade de Medicina como um dos ambientes em que são comumente expostos a visões negativas do povo aborígine. |
| Soledad48 |
Gênero |
NI |
Alguns dos problemas elaborados nas disciplinas reproduzem estereótipos de gênero, relacionando as mulheres com afazeres domésticos, maternidade e cuidado. Para os homens, reforçam-se aqueles associados à força, à função de provedor da família e à resistência à dor. |
| Bert et al.37 |
Gênero |
Aulas expositivas e estágios clínicos. |
Mais da metade dos estudantes referiu ter tido contato com questões de gênero durante as aulas e os estágios nas enfermarias. Apenas cerca de metade da amostra teve a impressão de que seu tutor levava em consideração o sexo e o gênero dos pacientes durante a prática clínica. Os alunos que tiveram maior contato com questões de gênero na prática clínica parecem mais sensíveis aos pacientes. |
| Hernández-Chablé et al.49 |
Gênero |
NI |
Os alunos não percebem as questões de gênero como um problema de saúde pública, embora reconheçam a existência de discriminação e violência física e psicológica contra a mulher. Também não têm reflexão crítica sobre o tema que possa auxiliá-los na prática médica. |
| Tollemache et al.34 |
Sexo e sexualidade |
Disciplinas obrigatórias ou eletivas. |
Ensino sobre saúde mental LGBTQ+, identidade de gênero, orientação sexual, consciência das desigualdades e discriminação LGBTQ+ na saúde foi relatado por quase todos os entrevistados, enquanto maternidade e parto, doenças crônicas e saúde adolescente LGBTQ+ foram menos representados no currículo. Relatou-se que a carga horária de ensino sobre a população LGBTQ+ nos cursos foi de 11 horas. |
| Barber et al. 50 |
Sexo e sexualidade |
Disciplinas obrigatórias ou eletivas. |
Apenas 40,9% dos alunos relataram ter algum ensino sobre saúde LGBTQ+, e 96,6% deles disseram que eram sessões pontuais ou muito irregulares, sendo o ensino frequentemente limitado à saúde sexual. Apenas 25,3% dos participantes relataram sentir-se confiantes em trabalhar com pacientes LGBTQ+. |
| Bunting, et al.51 |
Iniquidades em geral |
Estágio de verão sobre equidade em saúde, saúde populacional e pesquisa em saúde pública; visitas a bairros de imigrantes com auxílio de agentes comunitários de saúde para conhecer o território, as organizações comunitárias, os pontos de referência, as empresas locais e os postos de saúde. |
NI |
| Hommes et al.52 |
Iniquidades em geral |
NI |
Na Alemanha, existem lacunas importantes na representação dos DSS na educação médica. Entre 3% e 27% dos documentos analisados faziam breves referências aos DSS, e apenas 3% mencionavam referências explícitas. |
| Gostelow et al.53 |
Iniquidades em geral |
Disciplina clínica no formato híbrido, combinando aula online seguida de uma tutoria com paciente simulando questões importantes de sua história social durante um exame. |
Dos alunos, 93% sentiram que a sessão melhorou suas habilidades de coleta de história social dos pacientes, 96% concordaram que a sessão foi relevante para seu treinamento e 98% concordaram que provavelmente usariam essas habilidades para melhorar o atendimento ao paciente. |
| Dixon et al. 54 |
Iniquidades em geral |
NI |
Os estudantes se sentem despreparados e sem habilidades para trabalhar com pacientes em vulnerabilidade social. |
| Freitas-Júnior et al. 39 |
Iniquidades em geral (PcD) |
Disciplinas obrigatórias ou eletiva.s |
Em 89 cursos (52%), foi identificada a inclusão de aspectos relacionados ao cuidado com PcD, sendo mais prevalente nos cursos públicos (n = 56; 62,9%). Os conteúdos curriculares identificados em 90% dos cursos apresentavam absoluta falta de descrição das estratégias processuais para promover o desenvolvimento de competências clínicas relacionadas ao cuidado para PcD. Em 50 (29,2%) dos cursos, observou-se a inclusão do ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras). |
| Ryan et al. 55 |
Iniquidades em geral (PcD) |
NI |
A maioria dos estudantes relatam que cuidar de uma PcD é um desafio e traz ansiedade para a prática clínica e que, embora o ensino sobre PcD possibilite uma maior qualificação do cuidado, instrumentalizando os discentes com conhecimentos e técnicas para sua atuação profissional, essa não é a percepção de seus colegas que desvalorizam esse tipo de ensino e priorizam outras questões clínicas. |
| Trollor et al. 31 |
Iniquidades em geral (PcD) |
Das oito escolas analisadas, sete oferecem uma disciplina eletiva sobre PcD que foi ensinada em departamentos de pediatria, psiquiatria e clínica geral, por meio de palestras e estudos de caso, tutoriais, seminários/oficinas e outros métodos (como encenações e demonstrações clínicas), aula expositiva. |
Quando se comparam as grades curriculares das oito escolas entre 1995 e 2014, percebe-se que pouco se avançou no ensino sobre PcD. Tal conjuntura não é inesperada, uma vez que cada universidade desenvolve seu próprio currículo médico e a educação em saúde da deficiência intelectual não é obrigatória no país. Assim, é urgente pensar em novos esforços para melhorar a capacidade da força de trabalho nessa área e reduzir as barreiras no cuidado, com o objetivo de reverter os maus resultados de saúde observados atualmente para esse grupo de pacientes. |
| Trollor et al. 30 |
Iniquidades em geral (PcD) |
Palestra, workshops, tutorias. |
Das disciplinas, 62% das incluíam alguma forma de palestra, workshop ou tutoria. Quase todas as escolas (83%) usaram algum tipo de aprendizagem baseada em problemas e/ou questionamentos. Um número considerável de alunos ainda está recebendo educação por meio de métodos limitados e pouco reflexivos acerca de PcD. |
| Trollor et al. 29 |
Iniquidades em geral (PcD) |
Disciplinas obrigatórias ou eletivas. |
No geral, o tempo gasto ensinando conteúdo obrigatório e eletivo sobre deficiência intelectual foi mínimo, com a maioria das escolas oferecendo menos de seis horas de ensino obrigatório em todo o curso. Os principais tópicos relevantes para a saúde e o bem-estar das PcD intelectual foram ensinados com pouca frequência. Há incompatibilidade entre as necessidades de saúde não atendidas das PcD e o ensino inconsistente na formação de médicos. |
| Cunha et al. 38 |
Iniquidades em geral (pessoas em situação de rua) |
Ações de extensão com o objetivo de oferecer à população em situação de rua atendimento integral e contextualizado com espaços de educação em saúde e autocuidado, em parceria com a equipe do Consultório na Rua. |
A ação permite potencializar atributos adquiridos ao longo da formação médica, como empatia e sensibilidade, através de um olhar voltado às minorias. Assim, adquire-se uma atuação crítica, reflexiva e transformadora com senso de responsabilidade pelo território. |