Este artigo analisa a construção da alteridade a partir da biografia de Gabriel Monjane, performer que ganhou fama como o “gigante de Moçambique” ou “o gigante de Portugal”, e chegou a ser conhecido como a pessoa mais alta do mundo pelo Guinness Book. O relato biográfico de Gabriel Monjane tem a originalidade de ser um dos poucos casos em que o performer realizava a complexa tarefa de representar simbolicamente uma alteridade interna que contribuiu na construção da identidade e do estado português. Moçambique, local de origem de Gabriel, vivenciava o colonialismo e lutava para se tornar um país independente, desse modo, a performance de Gabriel foi transformada pelos portugueses em índice privilegiado de construção das noções de fronteira nacional “pluricontinental” e de nação “multirracial”. Em continuidade à ideologia salazarista, a espetacularização da condição de “gigante” de Gabriel Monjane foi articulada por empresários em conjunto com a ação do Estado, configurando-se como mais uma estratégia na invenção da nação moderna portuguesa. A análise biográfica de Gabriel sugere que os zoológicos humanos e freak shows ajudaram a moldar a identidade europeia moderna. Como fontes de pesquisa utilizou-se um conjunto heterogêneo composto por livros, notícias de jornais, blogs pessoais e homepages de coletivos de jornalismo e de historiadores.
Palavras-chave:
zoológicos humanos; Moçambique; Portugal; freak shows; Gigantismo
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Fonte:
Fonte: "O Gigante de Manjacaze em Lisboa, 1989, e outras fotografias" (
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Fonte: Gigante moçambicano chega a Lisboa (
Fonte: Cerimónia fúnebre António de Oliveira Salazar: III Parte/
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