1. Considerações preliminares
Por que o anonimato é inevitável na vida social e se manifesta de maneiras distintas? Os termos relacionados ao anonimato são reconhecíveis à medida que se constroem em relação uns aos outros historicamente? Tanto o anonimato quanto a identificação dos indivíduos são conquistas performativas? Ao explorar o livro “Anonymous: the performance of hidden identities” (Anônimo: a performance de identidades ocultas), do sociólogo norte-americano Thomas DeGloma (2023),1 encontrei uma análise minuciosa sobre o anonimato e, conforme lia o texto, algumas indagações surgiam, como as que enumerei acima.
Na obra, somos apresentados a um universo crítico, em que o anonimato não é somente um mecanismo de proteção, ocultamento ou subversão da identidade, mas uma força ativa e influente nas interações humanas, uma prática performativa que revela escolhas que dialogam com inúmeros símbolos sociais. O anonimato, para DeGloma (2023), é uma presença poderosa que pode influenciar, desafiar e transformar normas e contextos sociais. Seu estudo enfatiza as sutilezas do anonimato na sociedade contemporânea, revelando como ele é moldado e como influencia os ambientes em que ocorre, ainda que o autor argumente que essa prática não é uma invenção recente, mas um exercício cultural que se manifestou historicamente de diferentes formas, estando presente entre variados grupos humanos.
Temos, portanto, uma análise abrangente e teórica do fenômeno da anonimidade. Com base em uma ampla gama de casos históricos, DeGloma (2023) constrói uma sociologia cultural do anonimato, dialogando com autores da fenomenologia social, como Alfred Schütz (1899-1959); do interacionismo simbólico, como Erving Goffman (1922-1982) e das pragmáticas culturais, como Jeffrey Alexander. No diálogo com essas tradições sociológicas, o social é considerado como algo que se constitui “em relação”.
Em outros termos, ao investigar o anonimato, a performance e as transformações das identidades através de processos discursivos e interacionais, DeGloma (2023) propõe sua sociologia cultural enfatizando o papel central dos significados, símbolos e narrativas na estruturação da vida social. A cultura não é um reflexo passivo da estrutura social, mas uma força ativa que orienta e reconfigura relações de poder, conflitos e experiências.
Seguindo essa linha de pensamento, um argumento essencial fala da existência de uma estrutura fenomenológica subjacente ao anonimato que o torna inevitável, pois é sempre uma opção acessível aos atores sociais. DeGloma (2023) estrutura o livro em torno da noção de que o anonimato não é apenas um estado passivo, mas uma realização performativa. Assim, tornar-se anônimo envolve um processo de dissociação de nossas ações da responsabilidade moral e da limitação de nossa extensão temporal. As pessoas são, defende o autor, simultaneamente, ninguém e qualquer uma, trabalhando ativamente para anonimizar a si mesmas e aos outros, em uma dinâmica entre anonimato e identificação que é parte integrante da estrutura fundamental da vida social.
O cerne do estudo está nos potenciais do anonimato e nas formas que ele assume socialmente. A análise do autor se desenvolve em cinco capítulos substantivos, culminando em uma discussão à parte sobre as contradições sociais das identidades ocultas. Cada capítulo explora diferentes facetas do tema, revelando como o anonimato é utilizado e compreendido em contextos variados.
O primeiro capítulo aborda a proteção oferecida por essa condição; o segundo se concentra no uso do anonimato em movimentos subversivos; no terceiro, evidenciam-se as formas institucionais de anonimato; o quarto examina as categorias sociais e culturais que influenciam e são influenciadas pelo anonimato. Nos capítulos finais, inclusive através de uma conclusão permeada por proposições, DeGloma (2023) ora aborda o anonimato relacionado a categorias e tipos sociais, revisitando classificações como raça, classe e gênero, ora discute as contradições encontradas nas identidades ocultas e nos processos de revelação, os chamados “atos de desmascaramento”.
Ler esses capítulos nos leva a observar diferentes tipologias de anonimato elencadas pelo autor. Por exemplo, DeGloma (2023) argumenta que o anonimato é uma encenação em que os atores sociais ocultam sua identidade pessoal enquanto criam significado para diversos públicos. Desse modo, utilizam códigos e símbolos culturais pertinentes para tornar o anonimato significativo quando o colocam em prática. Portanto, seu significado varia conforme os contextos específicos, servindo a diferentes finalidades. O autor inclui também atores pseudônimos que apresentam uma identidade substituta em vez de apenas anonimizar a original, elucidando que nas duas circunstâncias os atores sociais utilizam representações como frentes impessoais, substituindo os significantes que normalmente estabeleceriam a identidade pessoal.2
Nesse sentido, uma discussão elementar é sobre a “anonimidade protetora”, que considero uma das mais cativantes, em que DeGloma (2023) ressalta como o anonimato pode servir de escudo contra “danos sociais”. Para o autor, todos os atos anônimos possuem, em algum grau, uma característica protetora. Os indivíduos anônimos estão, simultaneamente, atuando sob proteção e manifestando sua necessidade de se resguardar, negociando com as normas e quebrando regras, ainda que temporariamente.
Em diálogo com essa proposição, temos a tipologia do anonimato subversivo, o “outro lado do anonimato”. DeGloma (2023) demonstra como os atores sociais podem desafiar estruturas sociais, preceitos morais e até mesmo sistemas de opressão por meio desse arranjo. Sua investigação, pautada em exemplos históricos, percorre o uso do anonimato em movimentos subversivos, quer executado por grupos, quer por um indivíduo, evidenciando como o anonimato é empregado para contestar a ordem social vigente e promover mudanças, mesmo que em nível micro. Muitas vezes, isso é feito através de performances que simbolizam uma rejeição das normas morais estabelecidas.
De fato, Anonymous abre caminho para uma teorização mais profunda desse aspecto basilar da vida social, algo que pretendo fazer a seguir, em diálogo com determinadas práticas sexuais entendidas como dissidentes por buscarem formas diferentes da “norma” na obtenção de prazer, como o swing (ou troca de casais) e o BDSM — acrônimo para os pares bondage e disciplina; dominação e submissão; sadismo e masoquismo (Gregori, 2016; Zilli, 2018; Pinto, 2023).
2. Práticas sexuais dissidentes e subversão da identidade: o que a sociologia do anonimato tem a dizer?
A expressão “práticas sexuais dissidentes” está em sintonia com o conceito de “dissidentes sexuais”, formulado por Díaz-Benítez e Fígari (2009), referindo-se a indivíduos que realizam práticas eróticas e sexuais que confrontam os impactos políticos da marginalização e do nojo. Essas práticas se situam em territórios considerados inomináveis dentro da norma, mas, ao existirem, minam e expõem as fissuras das sexualidades estabelecidas, pois denunciam seus limites e contradições.
Para discutir o assunto e correlacioná-lo com a discussão de anonimato apresentada anteriormente, selecionei o filme “Swing: em busca do prazer”3 (Figura 1), produzido no Reino Unido e lançado em 2015. Trata-se de um drama erótico dirigido por Colin Kennedy, que explora o universo do swing como elemento central, com ênfase, em alguns momentos, nas práticas BDSM.
Basicamente, o filme acompanha um casal cisgênero heterossexual branco (Alice, interpretada por Elena Anaya, e David, vivido por Owen McDonnell) que, motivado por curiosidade e desejo de reavivar sua vida sexual, mergulha no cenário do intercâmbio de parceiros e, com isso, enfrenta dilemas emocionais, inseguranças e revelações inesperadas. O enredo gira em torno de uma relação estável que, à primeira vista, parece convencional, mas esconde insatisfações e desejos reprimidos. O casal protagonista decide, então, experimentar o swing, uma prática sexual baseada na troca consensual de casais.4 No início, a ideia surge como uma tentativa de renovação do desejo e da cumplicidade, mas logo os protagonistas percebem que a experiência vai muito além do mero prazer físico, uma vez que desestabilizam-se dinâmicas afetivas e suas concepções sobre amor, fidelidade e autonomia são desafiadas.
Com efeito, Silvério (2024) destaca que não é raro que haja impasses do tipo entre os swingers. Essa divisão binária entre amor de um lado e sexo de outro traz dilemas para a vida do casal no cotidiano. O filme demonstra isso quando os personagens são confrontados com a complexidade do desejo e da intimidade, lidando com questões como ciúme, insegurança e a fragilidade dos vínculos amorosos quando expostos a novas possibilidades de afeto e erotismo.
Outro ponto interessante é que o ambiente dos clubes de swing é representado no filme não apenas como um espaço de libertação, mas também como um microcosmo onde hierarquias sociais, dinâmicas de poder e normas implícitas de comportamento são evidenciadas. Esse aspecto é tematizado também por Silvério (2024), que analisa como as dinâmicas heterossexuais, por exemplo, imperam nesses espaços.5 Contudo, é nesses mesmos espaços que as práticas BDSM são apresentadas no filme, muitas vezes de modo indireto, havendo uma fusão com o swing.6
Temos, então, uma interseção entre diferentes formas de experimentação erótica e negociações de prazer dentro de dinâmicas conjugais. Essa mistura se manifesta de diferentes formas no enredo e na estética do longametragem, incluindo cenas em que personagens exploram tanto a liberdade sexual promovida pelo swing quanto as dinâmicas de dominação e submissão características do BDSM. Quer dizer, retratam-se festas e clubes exclusivos nos quais a troca de casais ocorre em um espaço que também incorpora elementos visuais e simbólicos do BDSM, como o uso de máscaras e venda nos olhos, uso de cordas para amarrar (shibari), couro, chicotes e acessórios que remetem ao controle e ao jogo de poder (Figura 2).
– Cena do envolvimento do casal no clube de swing . Fonte: SWING: em busca do prazer: foto 6 (Adoro Cinema, 2022b).
Neste ínterim, entre o uso de máscaras e os jogos, é possível observar também a questão do anonimato. Esse elemento se relaciona à liberdade de expressão sexual, à ambiguidade da preservação da identidade e às dinâmicas de poder, levantando a discussão sobre performances de identidades ocultas, ponto central na obra de DeGloma (2023). O filme indica que os personagens podem explorar desejos sem carregar sua identidade cotidiana (Figura 3). Destaca-se o papel do anonimato na experiência do swing, permitindo que os personagens assumam identidade temporária e explorem desejos que, de outra forma, seriam reprimidos na vida cotidiana. Nota-se que a anonimidade não é apenas um escudo para a privacidade, mas também um meio de reinvenção do eu, um movimento ambíguo entre a resistência e a adequação às normas sociais preestabelecidas.
– Tensões e descobertas no espaço do desejo Fonte: SWING: em busca do prazer: foto 7 (Adoro Cinema, 2022c).
No filme, temos como pano de fundo a frequente dissociação entre identidade pública e privada e a performatividade com a ocultação de identidades. De fato, Silvério (2023) aborda a dificuldade de swingers se assumirem publicamente. Isso se relaciona, em partes, com o medo da discriminação e do que as pessoas do seu meio social podem pensar a respeito. Não por acaso, é recorrente que os swingers busquem casas, festas e bares onde ocorrem trocas de casais em cidades distantes das suas. Há um medo de serem descobertos, de modo que a longa distância contribui para o anonimato. Existe um receio enorme em encontrar pessoas conhecidas. Entretanto, há outro fator relevante: muitas pessoas defendem que o sigilo e o risco de serem descobertas são aspectos que tornam esse estilo de vida ainda mais excitante e atrativo.
Algumas de minhas colaboradoras também alegam que “o swing é uma questão muito particular do casal”; “isso não interessa a mais ninguém”; “é um segredo nosso, é a nossa cumplicidade… o nosso íntimo… é uma coisa pessoal” [...] Tamanho zelo com o anonimato, entretanto, parece contribuir para a manutenção da marginalização do swing. Diante disso, avalio que se os casais assumissem com mais frequência esse estilo de vida, as pessoas teriam a referência de que o modelo monogâmico não é a única opção conjugal existente e passariam possivelmente a enxergar outras formas de conjugalidade com menos preconceito, contribuindo para a aceitação social da prática (Silvério, 2023, p. 69).
Realmente, os personagens do filme frequentemente dissimulam sua identidade, refletindo o desejo de escapar de normas sociais e encontrar liberdade sexual de maneira anônima. Por um lado, eles vivem uma vida dupla, escondendo suas fantasias sexuais atrás de sua fachada pública; por outro, verifica-se a relação entre dois personagens que se envolvem em encontros sexuais explícitos, sem que seus antecedentes sejam completamente revelados a terceiros. Não à toa, nesse meio é comum utilizar codinomes fetichistas (Silvério, 2023).7
A própria prática de BDSM envolve uma performance de papeis que cria uma espécie de anonimato simbólico, em que os participantes se escondem por trás de suas personas dominantes e submissas, como já destacado por Pinto (2023). Isso se relaciona à ideia de DeGloma (2023) de que a anonimidade pode ser um recurso performativo, permitindo que as pessoas explorem dinâmicas de poder sem a responsabilidade associada à sua identidade pública. Além disso, o anonimato aparece como um componente central para o distanciamento emocional e físico dos sujeitos, em que a ocultação de aspectos da identidade pode ser uma forma de proteção emocional, refletindo a ideia de “anonimidade protetora”.
Em suma, diante de todos esses elementos, podemos estabelecer algumas conexões entre o livro e o longa abordados. O primeiro deles está em como o anonimato é uma performance deliberada e como essa ocultação de identidade facilita a transgressão de normas sociais e morais. Tanto o filme quanto o livro indicam que a identidade é um jogo permanente de revelações e ocultamentos. Nota-se que o anonimato é uma estratégia performativa na qual sujeitos negociam suas posições sociais, seus desejos e suas limitações impostas por convenções normativas. Assim, pode ser entendido como um regime de visibilidade e invisibilidade que estrutura as interações sociais. Nesse sentido, o anonimato pode ser adotado tanto como uma forma de proteção, quanto como uma tática de transgressão, permitindo, em certos contextos, uma expressão mais autêntica e sem represálias; em outros, é um espaço de manobra para manipulação e dissimulação.
Constata-se que no ambiente do swing a identidade cotidiana dos indivíduos é momentaneamente suspensa e substituída por um anonimato negociado, através do qual as pessoas vivenciam um paradoxo: ao se esconderem sob o anonimato do clube de swing, também acreditam explorar aspectos mais autênticos de seus desejos e de sua subjetividade. Em outras palavras, nesse clube o anonimato protege os participantes da vigilância social, ao mesmo tempo que lhes permite viver “experiências proibidas”. Isso ressoa com a ideia de que o anonimato pode ser tanto uma forma de fuga, quanto uma oportunidade de autoexploração. Diria que o swing, como retratado no filme, é um microcosmo, um espaço onde o anonimato permite a reconfiguração das relações interpessoais e a reinvenção de si.
A discussão proposta por DeGloma (2023) e pelo filme é essencial para pensar questões contemporâneas sobre privacidade, identidade e normatividade. O anonimato continua sendo um espaço fundamental para a experimentação e a transgressão. Dessa forma, “Anonymous: the performance of hidden identities” e “Swing: em busca do prazer” oferecem reflexões complementares sobre o papel do anonimato na construção da identidade e na negociação do desejo. Ambos demonstram que a identidade não é fixa, mas sim um jogo de revelações e ocultamentos, de performances e desvios, sempre em relação com os regimes de visibilidade e poder que estruturam a vida social.
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1
Thomas DeGloma é professor de Sociologia no CUNY-Hunter College e no Graduate Center em Nova Iorque. Suas pesquisas unem as áreas de sociologia cultural e interacionismo simbólico, com ênfase geral nas fundações sociais da cognição, memória, identidade e conhecimento.
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Aqui, é essencial destacar a distinção feita pelo autor entre anonimidade e pseudonimidade, interpretadas como formas distintas de gestão da identidade em contextos sociais e comunicacionais, nos fazendo entender como os indivíduos negociam sua visibilidade. A anonimidade refere-se à completa ocultação da identidade de um indivíduo, na qual não há nenhum vínculo identificável entre a pessoa e suas ações ou discursos. Nesse estado, a identidade real permanece desconhecida, seja por escolha própria ou por uma estrutura que impossibilita a identificação. Na pseudonimidade, por outro lado, uma identidade substituta é usada, além da ocultação da identidade original. Quer dizer, envolve a adoção de uma identidade alternativa, na qual um indivíduo cria e mantém uma persona identificável, mas sem revelar sua verdadeira identidade. Diferente do anonimato total, o pseudônimo permite uma continuidade na interação social e na construção de reputação em um contexto específico.
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3
Título original: Swing.
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4
A antropóloga brasileira Maria Silvério (2024) explica que a prática de swing envolve a participação consensual de parcerias em atividades sexuais com outros casais ou indivíduos, frequentemente em ambientes controlados, como clubes ou festas privadas, que são verdadeiros espaços de sociabilidade. Esses espaços são permeados por regras e moralidades, em que muitas ações não são permitidas, havendo ampla organização e variados limites, o que faz o swing ser levado para diferentes caminhos a depender da disposição e desejo do casal.
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Silvério (2024) também propõe outras discussões, como a desconstrução da monogamia e os desafios da liberdade sexual; gênero e poder nas relações sexuais entendidas como alternativas; o confronto entre desejo e insegurança.
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O BDSM pode ser compreendido, sob uma perspectiva socioantropológica, como um conjunto de práticas sexuais e relacionais que desafiam normas convencionais de prazer, poder e corporalidade, estruturando-se em torno do consentimento, da negociação e de códigos simbólicos específicos. Estudos etnográficos, a exemplo de Bruno Dallacort Zilli (2018) e Paula Esteves Pinto (2023), apontam que, para seus praticantes, o BDSM não se resume apenas à dimensão sexual, mas constitui uma forma de expressão identitária, de exploração das dinâmicas de poder e, muitas vezes, de construção de comunidades baseadas em regras alternativas de intimidade e desejo. Além disso, tais pesquisas indicam que essas práticas podem desempenhar um papel catártico e terapêutico, permitindo que indivíduos experimentem controle, vulnerabilidade e prazer de maneira estruturada e ritualizada. Portanto, o BDSM pode ser analisado como um campo de performances eróticas e sociais que evidenciam a plasticidade da sexualidade humana e as múltiplas formas de negociação do desejo na contemporaneidade.
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Como observei em minha última pesquisa (Fernandes, 2022) no meio swinger, casais frequentemente adotam codinomes fetichistas para preservar o anonimato e expressar suas preferências sexuais. Esses codinomes costumam ser sugestivos, lúdicos e, muitas vezes, fazem referência a elementos sensuais, eróticos ou misteriosos.
Referências
- DEGLOMA, Thomas. Anonymous: The Performance of Hidden Identities. Chicago; Londres: The University of Chicago Press, 2023.
- DÍAZ-BENÍTEZ, María Elvira; FÍGARI, Carlos Eduardo. Prazeres dissidentes Rio de Janeiro: Garamond Universitária, 2009.
- FERNANDES, Rhuann. Negritude e não monogamia: as micropolíticas do amor. Rio de Janeiro: Autografia, 2022.
- GREGORI, Maria Filomena. Prazeres perigosos: erotismo, gênero e limites da sexualidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
- SILVÉRIO, Maria. Swing eu, tu… nós: amor, sexo e relacionamentos nos dias de hoje. Rio de Janeiro: Telha, 2023.
- SWING: em busca do prazer. Direção: Collin Kennedy. Reino Unido: [s. n.] 2015. 1 filme (90 min), son., color.
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SWING: em busca do prazer: foto 1. Adoro Cinema, Rio de Janeiro, 9 nov. 2022a. Disponível em: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-229617/fotos/detalhe/?cmediafile=21962021 Acesso em: 2 abr. 2025.
» https://www.adorocinema.com/filmes/filme-229617/fotos/detalhe/?cmediafile=21962021 -
SWING: em busca do prazer: foto 6. Adoro Cinema, Rio de Janeiro, 9 nov. 2022b. Disponível em: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-229617/fotos/detalhe/?cmediafile=21256500 Acesso em: 2 abr. 2025.
» https://www.adorocinema.com/filmes/filme-229617/fotos/detalhe/?cmediafile=21256500 -
SWING: em busca do prazer: foto 7. Adoro Cinema, Rio de Janeiro, 9 nov. 2022c. Disponível em: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-229617/fotos/detalhe/?cmediafile=21256499 Acesso em: 2 abr. 2025.
» https://www.adorocinema.com/filmes/filme-229617/fotos/detalhe/?cmediafile=21256499 - PINTO, Paula Esteves. Os interditos do desejo: um estudo autoetnográfico das emoções nas relações de dominação e submissão entre praticantes de BDSM. 2023. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais). Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023.
- ZILLI, Bruno Dallacort. A perversão domesticada: BDSM e consentimento sexual. Rio de Janeiro: Papéis Selvagens, 2018.
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Juliana Farias






