Resumo
Resumo Este trabalho descreve a forma com que as populações reassentadas ou atingidas por grandes projetos de desenvolvimento defendem suas moradias, elaboram repertórios de confronto e resistem às modificações temporais e espaciais promovidas pelos executores de projetos. Ao mesmo tempo, o trabalho questiona as abordagens desenvolvimentistas sobre as fases de reassentamento de populações e elabora o conceito de “retiradas triunfais”. O conceito se aplica a partir do momento em que os empreendimentos se retiram de determinada localidade, logo após planejar, executar e celebrar a apropriação de territórios ocupados por outras populações, anunciando como sucesso a extração de um produto e seu fornecimento a outros consumidores. Para tanto, o artigo apresenta narrativas de sucesso de três empreendimentos (uma barragem, um complexo portuário e um estádio) pesquisados etnograficamente, descrevendo os diferentes repertórios confrontacionais de cada um deles. O texto argumenta, por fim, que o anúncio do sucesso afirma a hegemonia do que se planejou, invisibilizando, modificando e prejudicando outros usos anteriores do ambiente. As populações deslocadas, ao serem relegadas, abandonadas, atingidas ou ignoradas, se reposicionam através de associações, alianças e narrativas que valorizam seu uso do ambiente de vida e as relações sociais que as sustentam. Por fim, discute-se a conformação de territórios em disputa, o fortalecimento da resistência e a retirada triunfal como forma de descaso planejado e fuga de responsabilidade, destacando os tempos das fases de planejamento, execução e fuga dos projetos.
Palavras-chave:
projetos de desenvolvimento; remoção forçada; retirada triunfal; confrontos; ambiente