Open-access Práticas corporais como dispositivo de cuidado ampliado: relato de experiência no SUS com ênfase na intersetorialidade e autonomia dos sujeitos

Body practices as an extended care device: experience report in the SUS with emphasis on intersectorality and subject autonomy

Prácticas corporales como dispositivo de cuidado ampliado: relato de experiencia en él SUS con énfasis en la intersectorialidad y la autonomía del sujeto

RESUMO

Este artigo relata a experiência de um residente em Educação Física na implementação de um grupo de práticas corporais em um Centro de Reabilitação do SUS, na região metropolitana de Fortaleza-CE. A proposta se constituiu como dispositivo de produção de cuidado, articulando corpo, subjetividade e produção de saúde. As práticas, alinhadas ao Projeto Terapêutico Singular e aos princípios da clínica ampliada, incluíram também atividades educativas, uso de materiais alternativos e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. A experiência evidencia os potenciais do trabalho interprofissional e da intersetorialidade, ao mesmo tempo que denuncia fragilidades estruturais na ausência de políticas públicas que garantam continuidade a essas ações.

Palavras-chave:
Práticas corporais; Integralidade em saúde; Colaboração intersetorial; Sistema Único de Saúde

ABSTRACT

This article reports the experience of a Physical Education resident in implementing a group of body practices in a SUS Rehabilitation Center in the metropolitan region of Fortaleza-CE. The proposal was established as a device for care production, articulating body, subjectivity and production of health. The practices, aligned with the Singular Therapeutic Project and the principles of expanded clinical practice, also included educational activities, use of alternative materials and Integrative and Complementary Health Practices. The experience highlights the potential of interprofessional work and intersectorality, while denouncing structural weaknesses in the absence of public policies that guarantee continuity to these actions.

Keywords:
Body practices; Integrality in health; Intersectoral collaboration; Unified Health System

RESUMEN

Este artículo relata la experiencia de un residente de Educación Física en la implementación de un conjunto de prácticas corporales en un Centro de Rehabilitación del SUS, en la región metropolitana de Fortaleza-CE. La propuesta se constituye como un dispositivo de producción de cuidado, articulando cuerpo, subjetividad y producción de salud. Las prácticas, alineadas con el Proyecto Terapéutico Singular y los principios de la clínica ampliada, también incluyeron actividades educativas, uso de materiales alternativos y Prácticas de Salud Integrativas y Complementarias. La experiencia destaca el potencial del trabajo interprofesional y la intersectorialidad, al mismo tiempo que denuncia debilidades estructurales ante la ausencia de políticas públicas que garanticen la continuidad de estas acciones.

Palabras clave:
Prácticas corporales; Integralidad en salud; Colaboración intersectorial; Sistema Único de Salud

INTRODUÇÃO

A inserção das práticas corporais no campo das políticas públicas de saúde tem se fortalecido como parte das estratégias de produção do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente a partir da valorização da integralidade e da intersetorialidade na atenção à saúde. No contexto da saúde mental e da reabilitação, essas práticas ganham relevância não apenas por seus benefícios fisiológicos, mas por seu potencial de promover vínculos, fortalecer a autonomia dos sujeitos e afirmar o cuidado como um direito social (Mendes e Carvalho, 2015; Bedin e Scarparo, 2011; Brasil, 2004).

O princípio da integralidade do cuidado, demanda abordagens que superem a lógica medicalizante e hospitalocêntrica, reconhecendo o usuário como sujeito histórico e social, produtor de sentidos e de vida (Amarante, 2007; Ayres, 2009). Nesse cenário, o acesso às práticas corporais deve ser compreendido como parte do direito à saúde e como dispositivo potente na construção de redes de cuidado que acolham a complexidade das demandas dos(as) usuários(as).

A produção do cuidado, entendida como um processo relacional e cotidiano, implica a construção de ações que não apenas tratem sintomas, mas que considerem o sujeito em sua totalidade, inserido em um território, com história, desejos e necessidades múltiplas (Merhy e Onocko-Campos, 2003). Nesse sentido, o Projeto Terapêutico Singular (PTS) emerge como uma ferramenta fundamental para a construção compartilhada de estratégias de cuidado, organizadas a partir do diálogo entre diferentes saberes e das demandas singulares de cada usuário(a) (Farias e Santos, 2022). O PTS permite, portanto, que as práticas corporais se integrem de forma orgânica aos objetivos terapêuticos, sendo apropriadas como espaços de escuta, convivência e protagonismo, na medida em que as PC são utilizadas para: acolher as necessidades de saúde dos sujeitos, estimular a expressão dos sentidos e afetos, potencializar vivências que dialoguem com os projetos de vida dos usuários e ressignificar encontros com a equipe (Varela e Oliveira, 2018).

A atuação do profissional de Educação Física (PEF) nos serviços de saúde, em especial nos centros de reabilitação, vem sendo cada vez mais reconhecida como parte integrante da equipe multiprofissional. Sua contribuição vai além da condução técnica de exercícios, assumindo um papel essencial na articulação entre corpo, subjetividade e cidadania (Mendes e Carvalho, 2015). Para tanto, é necessário romper com modelos prescritivos e moralizantes, desenvolvendo metodologias que valorizem o vínculo, a corresponsabilidade e a construção coletiva do cuidado.

Diante desse contexto, este artigo tem como objetivo relatar a experiência de um PEF residente na implementação e desenvolvimento de um grupo de práticas corporais em um centro de reabilitação de um município da região metropolitana de Fortaleza-CE. Acredita-se que os achados poderão subsidiar a boa prática da categoria junto aos usuários(as) do SUS. A partir dos referenciais da clínica ampliada, da integralidade e do PTS, discutem-se os desafios e potências do trabalho interprofissional na produção do cuidado em saúde centrado no(a) usuário(a) e na afirmação da vida.

METODOLOGIA

Trata-se de um relato de experiência de caráter retrospectivo e descritivo, referente ao período de agosto de 2022 a agosto de 2023 que foi vivenciado em um grupo de práticas corporais no Centro de Reabilitação do município de Guaiúba, Ceará, Brasil.

Segundo o IBGE (2022), o município está localizado a 38 km de Fortaleza e tem uma população de 24.217 habitantes, distribuídos em 256.053 km2 em seis distritos: Sede, Água Verde, Baú, Dourado, Itacima e São Jerônimo, Guaiúba é um município com curta trajetória administrativa, com apenas 36 anos de emancipação (Guaiúba, 2023).

No ano de 2021, o município ampliou sua rede de serviços de saúde com a criação do Centro de Especialidades. O espaço abriga o Centro de Reabilitação e concentra os atendimentos realizados por fisioterapeutas da rede municipal, além de ofertar consultas especializadas nas áreas de Neurologia, Pediatria, Obstetrícia, Ginecologia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia. No local, também foram desenvolvidas atividades vinculadas ao grupo de práticas corporais sob a orientação do profissional de Educação Física, bem como vivências conduzidas pelo residente da área, ambas contribuindo para uma abordagem integral do cuidado em saúde.

As práticas corporais realizadas incluíram vivências de sensibilização e movimentação corporal inspiradas nas atividades de vida diária, mediante o uso de técnicas lúdicas e relaxantes, sempre adaptadas às condições e necessidades de saúde dos(as) participantes. Os encontros ocorreram na sala multiuso do Centro de Reabilitação, ambiente com limitações de espaço e controle de temperatura, mas que permitia a organização em roda, favorecendo o acolhimento e a interação entre os(as) usuários(as), o profissional de Educação Física e outros profissionais envolvidos na produção do cuidado.

Para a coleta de dados foi utilizado o diário de campo do PEF residente em Saúde da Família e Comunidade da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), no qual o residente registrou suas vivências com usuários(as) que participam do grupo de práticas corporais. A análise dos dados foi por meio da categorização dos diferentes períodos das vivências: contextualização do território e atores sociais, implementação do grupo, reorganização do processo de produção de cuidado e criação de materiais para os encontros.

Os autores detêm o direito de utilização da imagem, uma vez que a Figura 1 pertence ao acervo pessoal do profissional de Educação Física.

Figura 1
Painel de imagens dos materiais construídos coletivamente por usuários(as) de um grupo de práticas corporais. Fonte: Acervo do autor.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Inicialmente, torna-se imprescindível contextualizar a realidade na qual esteve inserida a atuação do PEF residente, uma vez que se tratava do primeiro e, até então, único profissional de Educação Física inserido na saúde pública do município. O PEF residente integrava formalmente a equipe da Atenção Primária à Saúde; entretanto, a criação do grupo de práticas corporais surgiu como fruto de uma articulação intersetorial, envolvendo também profissionais da atenção especializada. O processo de concepção e construção coletiva desse grupo será detalhado nas seções seguintes.

Um aspecto relevante a ser considerado diz respeito à localização da sala dos residentes, situada no Centro de Especialidades, o que favoreceu significativamente os processos de comunicação entre os diferentes níveis de atenção, fortalecendo a intersetorialidade e a interdisciplinaridade no cuidado em saúde.

No que se refere à territorialização e às condições estruturais, destaca-se que o grupo de práticas corporais foi alocado nas dependências do próprio Centro de Especialidades. Essa escolha foi determinada por questões climáticas e estruturais: o horário dos encontros, fixado para as 9h da manhã, visava evitar a exposição à altas temperaturas, tendo em vista a ausência de espaços comunitários cobertos, arborizados ou adequados para a realização das práticas em outros contextos territoriais.

A definição do horário também levou em consideração as especificidades do público atendido, composto majoritariamente por mulheres, em sua maioria mães, com filhos em idade escolar e com dedicação prioritária ao trabalho doméstico e ao cuidado familiar. Assim, o período matutino, especialmente o intervalo em que as crianças estavam na escola, mostrou-se mais viável e acessível à participação dos(as) usuários(as), respeitando suas rotinas e fortalecendo a adesão ao grupo.

Essa adequação do espaço e do tempo à realidade concreta dos usuários reforça a dimensão do cuidado como prática situada, que rompe com a universalização normativa da atividade física e se aproxima da perspectiva das práticas corporais enquanto processos culturais, relacionais e subjetivos (Damico e Knuth, 2013). Além disso, ao articular atenção primária e especializada, evidencia-se o potencial das PCAF para materializar a integralidade (vertical e horizontal) no SUS, em consonância com o que Luz (2003) denomina de necessidade de tensionar a hegemonia biomédica e reconhecer o cuidado como produção coletiva.

Implementação do grupo: do convite biológico-funcional para uma proposta ampliada-compartilhada

O grupo de práticas corporais teve início em agosto de 2022, com um convite da coordenação do centro de reabilitação como forma de continuidade da atenção/cuidado dos(as) usuários(as) que estavam finalizando seus atendimentos juntos aos fisioterapeutas do setor. O convite teve caráter biomédico e hegemônico, pois a intenção era reduzir a demanda dos(as) usuários(as) assistidos pelo setor de reabilitação e foi proposto como grupo de treinamento funcional.

Assim, foi realizada uma triagem, na qual foram identificados(as) os(as) usuários(as) encaminhados(as) pela equipe de fisioterapia, sendo posteriormente organizados em dois grupos – primeiro ciclo (2022) e segundo ciclo (2023) - que serão detalhados a seguir. A formação de cada grupo se deu a partir da demanda espontânea do serviço e do interesse e disponibilidade dos(as) usuários(as) em ser parte do processo.

No início das atividades do grupo de práticas corporais, foi realizada uma avaliação inicial pelo residente em Educação Física, com o objetivo de identificar as potencialidades e limitações dos(as) usuários(as), visando qualificar e dar continuidade ao cuidado ofertado.

O processo avaliativo combinou escuta ativa, organizada em formato de roda de conversa, com instrumentos específicos: a Escala de Percepção Subjetiva de Dor (Brasil, 2021) e a avaliação observacional das respostas físicas e comportamentais dos(as) participantes durante as atividades. Dessa forma, o cuidado não seguiu um modelo prescritivo, mas emergiu das demandas, interesses e subjetividades expressas pelos(as) usuários(as), valorizando suas experiências e saberes.

Esse diagnóstico inicial teve o objetivo de conhecer os(as) usuários(as) e suas demandas no âmbito mais integral do cuidado, considerando desde questões contextuais sociais e culturais, como também físicas. Nesse sentido, buscou-se apreender as demandas contextuais nos momentos de roda e escuta ativa, enquanto as demandas físicas foram sinalizadas pelos(as) usuários(as) mediante o uso da escala de percepção subjetiva de dor e pela observação das expressões dos(as) participantes durante as atividades realizadas nos encontros. Ou seja, a limitação do(a) usuário(a) podia ser um determinado ângulo de movimentação corporal, mas também podia ser a falta de conhecimento sobre os tipos de violência doméstica. Bem como, as potencialidades poderiam ser o interesse de movimentar-se ao som de uma determinada música e o autorreconhecimento como rede de apoio para a comunidade.

Os achados da avaliação inicial foram utilizados para ajustar as propostas das atividades, garantindo experiências adaptadas às necessidades individuais e coletivas, e promovendo momentos de prazer e engajamento. Assim, o diagnóstico inicial permitiu compreender os(as) usuários(as) de forma integral, considerando tanto aspectos físicos quanto contextuais, sociais e culturais, orientando a construção de um processo de cuidado compartilhado e dialógico.

Essa conjuntura se aproxima do enfoque da integralidade, pois exige-se integração vertical, entre atenção primária, secundária e terciária, e horizontal, entre promoção, proteção e recuperação da saúde. O enriquecimento destas necessidades reivindica também que a esfera biomédica se articule entre si e com outras ações, tendo como decorrência a multi, inter e transdisciplinaridade e a intersetorialidade. Também não há como reconstruir necessidades e recursos sem transformar as relações, de modo que não há integralidade sem enriquecimento do diálogo entre os sujeitos implicados nas práticas de saúde, tanto entre os profissionais e os usuários quanto dos profissionais entre si (Ayres, 2009).

As vivências foram constituídas em dois momentos: primeiro ciclo (2022) e segundo ciclo (2023). No primeiro ano, a produção do cuidado se deu a partir de práticas corporais que envolviam a autopercepção corporal, sua relação com as dores sentidas, estratégias para melhorar a dinâmica de vida dos(as) usuários(as) e a apresentação das Práticas Integrativas e Complementarias em Saúde (PICS) (auriculoterapia, musicoterapia e aromaterapia). No segundo ciclo, os encontros foram ampliados para atividades de educação em saúde com outros profissionais da área da saúde (campanhas mensais de saúde), oficinas de construção de materiais para as práticas corporais e momentos de confraternização (datas comemorativas).

Esse movimento de expansão revela não apenas a consolidação dos vínculos com o grupo, mas também a potência das práticas corporais como articuladoras de cuidado integral e de interprofissionalidade, na medida em que a atuação do residente em Educação Física se integra às demais áreas da saúde, promovendo um trabalho colaborativo e compartilhado. Tal perspectiva interprofissional permite que os conhecimentos, saberes e técnicas de diferentes profissionais sejam mobilizados de forma complementar, fortalecendo a integralidade do cuidado e o protagonismo dos(as) usuários(as) no processo (Ceccim e Bilibio, 2007).

Práticas corporais: construção coletiva de cuidado e movimento

As práticas corporais realizadas com o grupo ocorreram semanalmente, com encontros de aproximadamente 30 minutos, em ritmos suaves e respeitosos às possibilidades dos corpos presentes. Diferente da lógica dominante que normatiza a atividade física a partir de índices de rendimento e prescrição universalizada, neste espaço as movimentações foram pensadas a partir da escuta atenta das histórias corporais singulares dos(as) usuários(as) – majoritariamente pessoas que vivenciaram períodos de reabilitação e que carregam diferentes limitações de mobilidade. Essa escuta implicou adaptações sensíveis dos movimentos propostos, numa perspectiva de prevenção de lesões, mas, sobretudo, de cuidado com os corpos diversos, muitas vezes atravessados por marcas de dor, exclusão e silenciamento.

Nesse contexto, o uso de tecnologias leves – como o acolhimento, a formação de vínculo, a escuta qualificada e os grupos terapêuticos – constitui estratégias fundamentais no cuidado em saúde voltado aos usuários(as) e seus familiares. Assim, o PTS é construído de maneira horizontal e compartilhada, com a participação ativa dos profissionais de saúde, dos(as) usuários(as) e de seus familiares, favorecendo a elaboração de estratégias singulares e contextualizadas às necessidades específicas vivenciadas por cada sujeito (Farias e Santos, 2022).

As práticas consideraram também os atravessamentos do processo formativo do residente em Educação Física, que articula diversas frentes de atuação dentro da residência multiprofissional. Tal realidade exige uma reorganização do tempo e das prioridades que, longe de serem vistas como limitações, se tornam possibilidades de reinvenção do cuidado em saúde.

Cada encontro era dividido em dois momentos: um primeiro tempo de sensibilização corporal, de cerca de 5 minutos, voltado à ativação corporal de maneira leve e conectada com o momento presente; e uma etapa de movimentação corporal, de aproximadamente 25 minutos, com movimentos voltados à funcionalidade do cotidiano, mobilizando tanto os membros superiores quanto os inferiores. As escolhas dos gestos buscaram evitar impactos articulares, respeitando o fluxo dos corpos e recusando qualquer tipo de imposição técnico-performativa. Com o passar do tempo, e observando cuidadosamente o processo de apropriação das práticas pelos(as) usuários(as), foi possível inserir elementos de maior resistência, como mini bands, como uma forma de explorar outras formas de desafio e resposta corporal. O acolhimento desses novos elementos foi positivo e expressou o fortalecimento do vínculo com o grupo e com a proposta.

Ao término de cada prática, era oferecida, de forma livre e respeitosa, a auriculoterapia combinada com a musicoterapia e aromaterapia, como outras possibilidades de cuidado integrativo. Esse gesto, além de valorizar as medicinas populares e os saberes não hegemônicos no campo da saúde, dialoga com a proposição de Antunes et al. (2023), ao reconhecer as práticas corporais integrativas como um campo em construção que articula dimensões culturais, subjetivas e coletivas do cuidado. Assim, a experiência vivida não apenas diversificou as ofertas terapêuticas no SUS local, mas também reforçou a legitimidade dessas práticas enquanto estratégias de promoção da saúde que ampliam o escopo da atenção para além do paradigma biomédico tradicional.

O primeiro ciclo de encontros se estendeu até dezembro de 2022, quando o residente realizou, de forma dialógica, uma escuta coletiva sobre a experiência vivida. A partir dessa partilha, emergiu a necessidade de reestruturação das práticas para o ciclo seguinte. A experiência relatada evidencia como a formação em saúde se dá no plano da micropolítica, marcada pelas interações entre residentes, equipe multiprofissional e usuários. Conforme apontam Abrahão e Merhy (2014), o processo formativo não se restringe à transmissão de conteúdos técnicos, mas se constrói nos encontros que produzem sentidos, afetações e novas formas de cuidar. O primeiro ciclo de encontros, ao promover uma escuta coletiva e dialógica, revelou essa dimensão micropolítica do cuidado, pois a partir das falas dos usuários e profissionais emergiu a necessidade de reestruturação das práticas, resultando em maior tempo dedicado às atividades, na incorporação de espaços de educação em saúde e na ampliação da escuta e do cuidado com as PICS. Esse movimento reflete a formação como “produção de si” e como experimentação, em que os residentes se transformam ao mesmo tempo em que transformam os modos de cuidado, num processo coletivo e criativo de aprendizagem em ato.

Nesse sentido, se por um lado a experiência aponta para a potência da micropolítica e da experimentação como caminhos de formação e produção do cuidado, por outro revela também tensões e limites estruturais que atravessam a constituição do campo. Entre eles, destacam-se os desafios relacionados à formação do PEF para atuar no SUS (Carvalho e Vieira, 2024). Historicamente marcada por uma matriz voltada ao rendimento esportivo e ao condicionamento físico, a formação acadêmica muitas vezes não contempla de forma suficiente os princípios da saúde coletiva, da educação popular e da micropolítica do cuidado. Essa lacuna limita a capacidade de futuros profissionais de reconhecerem os usuários como sujeitos ativos na produção do cuidado e de mobilizarem tecnologias leves em saúde. A residência multiprofissional surge, nesse contexto, como espaço privilegiado de aprendizagem, pois possibilita vivências cotidianas de trabalho em equipe, escuta qualificada e construção compartilhada de práticas corporais. Ainda assim, permanece o desafio estrutural de consolidar, nos currículos da Educação Física, competências voltadas à integralidade, interprofissionalidade e defesa do SUS como campo de atuação estratégico para a profissão.

Reorganização das práticas e criação de materiais: movimentos com sentido

No segundo ciclo, iniciado em janeiro de 2023, os encontros passaram a ter duração de 60 minutos. Nessa nova configuração, as práticas corporais foram estruturada em três tempos não fixos, mais sensíveis às demandas do grupo e aos atravessamentos do cotidiano: um tempo de convocação do corpo - em que se buscava despertar a escuta de si e do coletivo, promovendo presença e vínculo; um tempo de experimentação - no qual os corpos podiam explorar movimentos, resistências e possibilidades sem a exigência de eficiência ou rendimento; e, por fim, um tempo de partilha - espaço destinado à desaceleração, ao cuidado mútuo e à circulação de saberes produzidos na vivência.

Nessa perspectiva, as práticas corporais não se configuram como instrumentos de correção ou adequação dos corpos a um ideal normativo de saúde, mas como espaços de produção de subjetividades e reapropriação dos corpos por aqueles que historicamente foram regulados, silenciados ou medicalizados. Rompe-se, assim, com a lógica do corpo dócil e disciplinado (Foucault, 2021, 2022), criando-se um campo de invenção onde o cuidado se desloca do prescritivo para o relacional, do funcional para o ético-político. A ampliação do tempo de encontro possibilitou a experimentação de variações de ritmo, ângulo e tempo de execução, sempre em diálogo com os desejos, limites e saberes das participantes.

Como estratégia de fortalecimento do cuidado ampliado, passou a ser proposto, uma vez por mês, um momento de diálogo sobre temas de interesse coletivo e relacionados às campanhas de saúde, alguns exemplos são compartilhados a seguir. Essa inserção resgata o sentido integral do cuidado, que ultrapassa o corpo individualizado e se estende ao território, à informação e ao acesso.

  • Agosto lilás – diálogos sobre violência doméstica, emergiram relatos sobre violências vivenciadas pelos(as) usuários(as) e por outros familiares;

  • Setembro amarelo – momento compartilhado com um profissional da Enfermagem e um profissional da Odontologia, ambos relataram sobre a importância de buscar ajuda nos distintos espaços do serviço, pois o odontólogo relatou que observa sinais de violência e que sua cadeira também configura como um espaço de escuta ativa;

  • Outubro rosa para além do autoexame e da prevenção do câncer de mama, mas como espaço para falar sobre a autopercepção corporal – “o corpo fala”;

  • Novembro azul e diálogo sobre masculinidades;

  • Além de outros momentos de reconhecimento da rede pública de saúde como espaço de pertencimento e direito.

Os momentos destinados à educação em saúde no grupo de práticas corporais foram concebidos não como intervenções pedagógicas unidirecionais, mas como processos dialógicos, construídos a partir dos saberes emergentes das trocas cotidianas entre usuários(as) e o PEF residente. O planejamento dessas atividades partiu das demandas reais expressas pelos(as) participantes ao longo dos encontros, evidenciando a centralidade da escuta ativa e da sensibilidade do profissional para que os temas abordados fizessem sentido e se alinhassem às experiências concretas do grupo.

Essa abordagem se insere na perspectiva de um cuidado horizontal, onde os sujeitos não são posicionados como receptores passivos do conhecimento, mas como coautores de saberes e práticas em saúde, em sintonia com os princípios da educação popular propostos por Freire (2021). Trata-se, portanto, de uma prática que rompe com a lógica verticalizada da educação em saúde tradicional, muitas vezes marcada por prescrições e normatizações, e que valoriza a experiência, o contexto e a autonomia dos(as) usuários(as) como componentes centrais no processo de cuidado.

A Residência Multiprofissional proporciona aos residentes experiências práticas cotidianas que contribuem significativamente para a qualificação de sua formação profissional no contexto dos serviços de saúde. Esse processo formativo ocorre por meio de aprendizados construídos tanto na interação com outros profissionais quanto na convivência com os(as) usuários(as) atendidos. Sob essa perspectiva, o residente integra-se de forma contínua às atividades ofertadas no serviço, destacando-se, entre elas, a elaboração diária dos planos terapêuticos.

Ao adotar uma postura acolhedora, o PEF residente atua como um facilitador de encontros e afetos, mais do que como um transmissor de saberes legitimados. Essa postura se aproxima da noção de clínica ampliada e do cuidado como produção de vínculo e sentido, conforme propõem Merhy e Ayres, para quem o cuidado em saúde não se restringe a procedimentos técnicos, mas inclui o reconhecimento da subjetividade e da singularidade de cada encontro (Merhy, 2002; Ayres, 2009).

A presença da Educação Física na rede municipal ainda é recente e, como em muitos outros contextos, encontra desafios materiais e simbólicos. A ausência de espaços adequados e de equipamentos não foi vista como impedimento, mas como oportunidade de inventividade. A partir de abril de 2023, o residente passou a construir, junto com o grupo, materiais alternativos para a realização das práticas.

Foram criados implementos com materiais recicláveis – cabos de vassoura, garrafas PET com água ou areia, canos de PVC e embalagens reutilizadas –, que, ressignificados, tornaram-se "halteres", "barras" e "kettlebells" (Figura 1). Estes não apenas ampliaram as possibilidades das práticas, mas também reforçaram o compromisso com uma pedagogia do cotidiano, popular, criativa e afetiva. Ao envolver as participantes na construção dos próprios materiais, fortaleceu-se o sentimento de pertencimento e de autoria sobre os caminhos trilhados nas práticas corporais.

A construção de materiais alternativos para as práticas corporais – como barras feitas com cabos de vassoura, garrafas PET preenchidas com água ou areia, canos de PVC, entre outros objetos reutilizáveis – emergiu como uma resposta criativa e coletiva frente à escassez de recursos físicos e estruturais na rede pública. Essa iniciativa, longe de se restringir a uma solução paliativa, se inscreve em uma perspectiva de sustentabilidade, valorizando o reaproveitamento de materiais e ressignificando objetos do cotidiano em implementos para o cuidado em saúde.

Mais do que uma resposta técnica, trata-se de uma ação pedagógica potente que reforça a autonomia dos sujeitos e a capacidade coletiva de produzir cuidado com os recursos disponíveis, sem que isso signifique naturalizar a ausência de políticas públicas efetivas. Pelo contrário, ao mesmo tempo em que se promove a criatividade e o protagonismo dos participantes, reafirma-se a exigência de que o Estado garanta, por meio do SUS, acesso qualificado e equitativo às práticas corporais em sua diversidade – com espaços adequados, profissionais capacitados e equipamentos apropriados.

Essa prática, portanto, se insere em uma lógica contra hegemônica, ao não submeter os corpos às normas do desempenho técnico-esportivo, mas sim ao potencial da invenção, do compartilhamento e da escuta sensível. O fazer com as mãos, em coletivo, gera pertencimento e sentido, ao mesmo tempo em que tensiona as ausências históricas do cuidado com os corpos populares dentro das estruturas institucionais.

Outra dinâmica que contribuiu significativamente para o fortalecimento dos vínculos e da potência dos encontros foi a realização de momentos festivos, organizados em torno de datas simbólicas, como aniversários dos(as) participantes, festividades regionais (a exemplo da festa junina) e celebrações religiosas (como o Natal). Tais ocasiões foram marcadas por uma construção coletiva, na qual os(as) próprios(as) usuários(as) se responsabilizavam pela organização dos eventos, utilizando, para isso, um grupo de mensagens via aplicativo WhatsApp como ferramenta de articulação. Por meio desse canal, definiam de forma autônoma as contribuições individuais - desde itens de ornamentação até alimentos e bebidas -, reafirmando o protagonismo do grupo na produção de um cuidado que transcende o técnico e se alinha à dimensão relacional, afetiva e comunitária da saúde.

Por fim, os encontros eram encerrados com um convite à experimentação de PICS, como auriculoterapia, musicoterapia e aromaterapia. Esses momentos tinham como objetivo principal a promoção do alívio das dores físicas e emocionais frequentemente relatadas pelos(as) usuários(as), muitas delas associadas a condições clínicas crônicas, cirurgias prévias ou diagnósticos médicos. Observou-se uma elevada adesão às práticas, o que evidencia a abertura e o interesse do grupo por formas de cuidado que ultrapassam os limites biomédicos tradicionais, reforçando a importância das PICS na ampliação do escopo terapêutico ofertado no SUS.

Tais experiências dialogam diretamente com a definição de Piggin (2020), ao propor que a atividade física, aqui ressignificada como práticas corporais, deve ser entendida de forma holística, abrangendo dimensões físicas, emocionais, sociais e até espirituais do ser humano. Essa perspectiva reforça que pensar em atividade física como experiência humana significa reconhecer seu papel na produção de sentido, pertencimento e bem-estar coletivo, o que converge diretamente com a valorização das práticas corporais enquanto espaços de sociabilidade e cuidado, para além da lógica do rendimento físico.

Em uma das últimas vivências, no encerramento do ciclo do grupo, o residente em Educação Física optou por não levar os materiais utilizados para a aplicação das PICS, já que era um encontro atípico, com caráter mais festivo de finalização de atividades. A reação imediata dos(as) participantes - que questionaram a ausência dos materiais e manifestaram o desejo pela continuidade da prática - revela o grau de vínculo, reconhecimento e pertencimento construído ao longo do processo.

No entanto, com a finalização do período de residência, o grupo precisou ser descontinuado, uma vez que o município não dispunha de profissionais de Educação Física na rede SUS local. Tal situação evidencia uma fragilidade estrutural persistente: a dependência de programas formativos para a garantia de determinadas ações em saúde, bem como a carência de políticas públicas que assegurem a presença contínua de profissionais de diferentes áreas do cuidado na atenção básica e especializada, comprometendo a continuidade e a integralidade das ações implementadas.

A experiência relatada reforça a compreensão das práticas corporais como um direito em saúde, inscrito no escopo ampliado do SUS e respaldado pela Política Nacional de Promoção da Saúde (Brasil, 2010). Ao propor atividades dialógicas, criativas e alinhadas às demandas reais dos(as) usuários(as), o residente de Educação Física não apenas promoveu ações de cuidado, mas também materializou a concepção de que o acesso às práticas corporais deve ser garantido como parte da integralidade da atenção. Essa perspectiva converge com dos avanços no financiamento federal e nas políticas voltadas à universalização da atividade física na Atenção Primária, que têm buscado ampliar a oferta e reduzir desigualdades no acesso, mediante o aumento na densidade de PEF nos três níveis de atenção, com maior ênfase na Atenção Primária à Saúde (Bernardo et al., 2024) e, consequentemente, através do aumento da oferta de atividades coletivas de PCAF que contribuiu para o engajamento de participantes nas atividades desenvolvidas (Carvalho et al., 2025).

Apesar dessas iniciativas, autores como González (2015) já apontavam os desafios da inserção das práticas corporais no SUS, destacando a necessidade de consolidar políticas públicas que assegurem sua sustentabilidade. Essa preocupação se mantém atual, como demonstram análises mais recentes que evidenciam retrocessos e descontinuidades no financiamento da União para a área no período de 2004 e 2023, fragilizando a implementação dessa agenda (Vieira e Carvalho, 2024), pois a principal inserção das práticas corporais/atividades físicas no SUS tem ocorrido via enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, ainda que se reconheça uma visão ampliada orientada à redução de iniquidades e à promoção da saúde. Entretanto, a implementação de programas estratégicos, como o Academia da Saúde, apresenta severas limitações, marcadas por discrepâncias entre o planejado e o executado, congelamento de recursos e baixa habilitação de polos, o que compromete a ampliação da oferta e evidencia fragilidades estruturais no financiamento e na gestão. Nesse cenário, torna-se necessário revisar os mecanismos de custeio e acompanhar iniciativas mais recentes, como o Incentivo à Atividade Física, a fim de avaliar seus potenciais e desafios para a efetiva consolidação das práticas corporais no SUS.

Além disso, estudos como os de Antunes et al. (2023) sugerem que a avaliação da participação em práticas corporais não deve se restringir ao aumento numérico, considerando também dimensões qualitativas relacionadas ao sentido e à intencionalidade dessas ações, ainda pouco contempladas nas políticas. Luz (2003) evidencia que a valorização de racionalidades diversas e a incorporação de práticas não hegemônicas ainda não foram plenamente absorvidas, limitando os impactos esperados. Nesse sentido, González (2015) ressalta que avanços quantitativos no acesso não se sustentam sem uma política estruturada no SUS, capaz de garantir continuidade e efetividade. As tensões políticas também se refletem na prática: Damico e Knuth (2013) demonstram um desencontro entre o campo das práticas corporais e a noção de atividade física tradicional, o que explica por que, mesmo com maior prevalência, os resultados permanecem aquém das expectativas em termos de promoção da saúde integral.

Em consonância com essas observações, proposições recentes indicam a importância de incluir as práticas corporais/atividade física nos Planos Municipais de Saúde e no Plano Plurianual, como estratégia para garantir continuidade, financiamento e ampliação do acesso (Santos et al., 2025; Carvalho et al., 2024). Em diálogo com essa literatura, destacamos que as práticas corporais no SUS seguem atravessadas por processos de descontinuidade, cobertura restrita e insuficiente articulação sistêmica, o que reforça a necessidade de problematizar não apenas seus potenciais, mas também as condições políticas e estruturais para sua efetiva consolidação no campo da saúde pública. Quando reconhecidas como direito, tais práticas transcendem o caráter instrumental de prevenção e tratamento, configurando-se como espaços de produção de autonomia, vínculo e pertencimento coletivo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A experiência relatada reafirma o potencial das práticas corporais enquanto dispositivos contra hegemônicos de produção do cuidado no SUS, especialmente quando articuladas aos princípios da integralidade, da escuta qualificada e da participação ativa dos(as) usuários(as). O trabalho desenvolvido pelo residente em Educação Física não apenas ampliou o acesso às práticas corporais, mas também promoveu espaços de convivência, vínculo e construção de autonomia, valorizando saberes plurais e afetividades como potências terapêuticas.

A incorporação das PICS, o uso de materiais sustentáveis, a participação coletiva nas decisões e a abertura para temas emergentes nas rodas de conversa revelaram um modelo de cuidado sensível ao território e às subjetividades. Contudo, a descontinuidade das ações após o término da residência denuncia a fragilidade de políticas estruturantes que assegurem a presença permanente de profissionais da área no SUS, comprometendo a continuidade das ações interprofissionais.

Nesse sentido, torna-se urgente a incorporação definitiva da Educação Física como parte integrante das equipes multiprofissionais da atenção básica e especializada, reconhecendo o corpo como território político de cuidado, expressão e transformação social. Reforçamos, assim, o posicionamento político do trabalho em defesa da inserção estrutural e contínua das práticas corporais no SUS, avançando da descrição para uma análise crítica e propositiva, que reconhece tanto os avanços conquistados quanto os desafios ainda presentes para sua consolidação.

  • FINANCIAMENTO
    O artigo contou com financiamento próprio.
  • DISPONIBILIDADE DE DADOS
    O conjunto de dados de apoio aos resultados deste estudo não está disponível ao público, pois os registros do diário de campo contêm dados pessoais sensíveis dos participantes.

REFERÊNCIAS

  • Abrahão AL, Merhy EE. Formação em saúde e micropolítica: sobre conceitos-ferramentas na prática de ensinar. Interface. 2014;18(49):313-24. https://doi.org/10.1590/1807-57622013.0166.
  • Amarante P. Saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2007.
  • Antunes PC, Martinez JFN, Fraga AB. Práticas corporais integrativas: reflexões conceituais e metodológicas no campo da Educação Física e saúde. Movimento. 2023;29:e29017. https://doi.org/10.22456/1982-8918.127188
    » https://doi.org/10.22456/1982-8918.127188
  • Ayres JRCM. Cuidado: trabalho e interação nas práticas de saúde. In: Czeresnia D, Freitas CM, editores. Promoção da saúde: conceitos, reflexões, tendências. 2. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2009. p. 189-210.
  • Bedin DM, Scarparo HBK. Integralidade e saúde mental no SUS à luz da teoria da complexidade de Edgar Morin. Psicol Teor Prat [Internet]. 2011 [citado 2025 Abr 15];13(2):195-208. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/psicologiaptp/article/view/8100
    » https://revistas.pucsp.br/index.php/psicologiaptp/article/view/8100
  • Bernardo D, Carvalho FFB, Martins FM, Andrade DR, Schmitt ACB. Tendência temporal de densidade de profissionais de Educação Física no Sistema Único de Saúde no Brasil, 2008-2022. Movimento. 2024;30:e30030. https://doi.org/10.22456/1982-8918.135622
    » https://doi.org/10.22456/1982-8918.135622
  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: Política Nacional de Humanização: a humanização como eixo norteador das práticas e atenção e gestão em todas as nst6ancias do SUS [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde, 2004 [citado 2025 Abr 15]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_2004.pdf
    » https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_2004.pdf
  • Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2010.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Guia de tutoria – etapa 7: Atenção Primária à Saúde (anexo 14) [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2021 [citado 2025 Set 25]. Disponível em: https://planificasus.com.br/upload/guiatutoria_etapa7_aps_anexo14.pdf
    » https://planificasus.com.br/upload/guiatutoria_etapa7_aps_anexo14.pdf
  • Carvalho FFB, Guerra PH, Silva DB, Vieira LA. Oferta e participação nas práticas corporais e atividades físicas na atenção primária no Brasil: análise de 2014 a 2022. Cien Saude Colet. 2025;30(1):e09492023. https://doi.org/10.1590/1413-81232025301.09492023
    » https://doi.org/10.1590/1413-81232025301.09492023
  • Carvalho FFB, Sposito LAC, Vieira LA. Brasil Participativo: as práticas corporais e atividades físicas no Sistema Único de Saúde no Plano Plurianual 2024-2027. Interface. 2024;28:e230524. https://doi.org/10.1590/interface.230524
    » https://doi.org/10.1590/interface.230524
  • Carvalho FFB, Vieira LA. Estamos caminhando para a universalização da atividade física na atenção primária à saúde? O SUS e o direito da população brasileira a uma vida mais fisicamente ativa. Corpoconsciência. 2024;28:e16730. https://doi.org/10.51283/rc.28.e16730
    » https://doi.org/10.51283/rc.28.e16730
  • Ceccim RB, Bilibio LF. Singularidades da educação física na saúde: desafios à educação de seus profissionais e ao matriciamento interprofissional. In: Fraga AB, Wachs F, editores. Educação Física e Saúde coletiva: políticas de formação e perspectivas de intervenção [Internet]. Porto Alegre: Editora da UFRGS; 2007. p. 47-62 [citado 2025 Abr 15]. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/213836/000611701.pdf?sequence=1&isAllowed=y
    » https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/213836/000611701.pdf?sequence=1&isAllowed=y
  • Damico JG, Knuth AGO. (des)encontro entre as práticas corporais e a atividade física: hibridizações e borramentos no campo da saúde. Movimento. 2013;20(1):329-50. https://doi.org/10.22456/1982-8918.39474
    » https://doi.org/10.22456/1982-8918.39474
  • Farias CLS, Santos ALB. A importância do projeto terapêutico singular (PTS) no acompanhamento dos(as) usuários(as) de um centro de atenção psicossocial álcool e outras drogas (CAPSad): relato de experiência. Motrivivência. 2022;34(65):1-16. https://doi.org/10.5007/2175-8042.2022.e89527
    » https://doi.org/10.5007/2175-8042.2022.e89527
  • Foucault M. Microfísica do poder. 25. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 2021.
  • Foucault M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 45. ed. Petrópolis: Vozes; 2022.
  • Freire P. Pedagogia do oprimido. 60. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 2021.
  • González FJ. Práticas corporais e o Sistema Único de Saúde: desafios para a intervenção profissional. In: Gomes IM, Fraga AB, Carvalho YM, editores. Práticas corporais no campo da saúde: uma política em formação [Internet]. Porto Alegre: Rede UNIDA; 2015. p. 135-62 [citado 2025 Abr 15]. Disponível em: https://editora.redeunida.org.br/wp-content/uploads/2023/04/Livro-Praticas-Corporais-no-Campo-da-Saude.pdf
    » https://editora.redeunida.org.br/wp-content/uploads/2023/04/Livro-Praticas-Corporais-no-Campo-da-Saude.pdf
  • Guaiúba. Prefeitura. O município [Internet]. 2023 [citado 2025 Abr 15]. Disponível em: https://www.guaiuba.ce.gov.br/omunicipio.php
    » https://www.guaiuba.ce.gov.br/omunicipio.php
  • IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo de 2022 [Internet]. 2022 [citado 2025 Abr 15]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/ce/guaiuba.html
    » https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/ce/guaiuba.html
  • Luz MT. Novos saberes e práticas em Saúde Coletiva: estudos sobre racionalidades médicas e atividades corporais. São Paulo: Hucitec; 2003.
  • Mendes VMM, Carvalho YM. Sem começo e sem fim... com as práticas corporais e a Clínica Ampliada. Interface. 2015;19(54):603-13. https://doi.org/10.1590/1807-57622014.0718
    » https://doi.org/10.1590/1807-57622014.0718
  • Merhy EE. Em busca do tempo perdido: a micropolítica do trabalho vivo em saúde. In: Merhy EE, Onocko R, editores. Agir em saúde: um desafio para o público. 2. ed. São Paulo: Hucitec; 2002. p. 197-228.
  • Merhy EE, Onocko Campos RT. O trabalho em saúde: olhando e experienciando o SUS no cotidiano. 3. ed. São Paulo: Hucitec; 2003.
  • Piggin J. What is physical activity? A holistic definition for teachers, researchers and policy makers. Front Sports Act Living. 2020;2:72. https://doi.org/10.3389/fspor.2020.00072 PMid:33345063.
    » https://doi.org/10.3389/fspor.2020.00072
  • Santos ALB, Siqueira JA Jr, Loch MR, Rech CR. Os planos municipais de saúde e a pauta da promoção da atividade física. Ativ Fis Saude. 2025;30:1-6. https://doi.org/10.12820/rbafs.30e0404
    » https://doi.org/10.12820/rbafs.30e0404
  • Varela SH, Oliveira BN. Alongamento? Dinâmica? Chama o Professor de Educação Física! Rediscutindo o fazer da categoria em um CAPS. Licere. 2018;21(1):313-40. https://doi.org/10.35699/1981-3171.2018.1780
    » https://doi.org/10.35699/1981-3171.2018.1780
  • Vieira LA, Carvalho FFB. Planejamento do SUS: a agenda das Práticas Corporais e Atividades Físicas de 2004 a 2023. Saude Debate. 2024;48(141):e8865. https://doi.org/10.1590/2358-289820241418865p
    » https://doi.org/10.1590/2358-289820241418865p

Editado por

  • Editores:
    Christiane Macedo.

Disponibilidade de dados

O conjunto de dados de apoio aos resultados deste estudo não está disponível ao público, pois os registros do diário de campo contêm dados pessoais sensíveis dos participantes.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    12 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    15 Abr 2025
  • Aceito
    29 Out 2025
Creative Common - by 4.0
Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/), que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.
location_on
Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) Rua Benjamin Constant, 1286, Bairro Aparecida, CEP: 38400-678 - Uberlândia - MG - Brazil
E-mail: rbceonline@gmail.com
rss_feed Acompañe los números de esta revista en su lector de RSS
Ir para arriba Notificar error