O objetivo deste artigo é analisar, a partir de uma perspectiva intercultural, interseccional e multiescalar, as narrativas sobre as mulheres indígenas na governança climática chilena, bem como suas próprias percepções e concepções de si mesmas neste contexto. Para isso, analisamos os principais instrumentos de gestão das mudanças climáticas associados à Lei Marco de Mudanças Climáticas (LMCC) e um documento de sistematização de experiências em que mulheres indígenas refletem sobre a governança climática em diferentes espaços de pesquisa-ação e, especificamente, com a técnica do sociograma. Concluímos que as mulheres indígenas não são reconhecidas como atuantes na governança do clima no Chile, mas como beneficiárias de uma política fragmentada e desarticulada para sua inclusão. Isso contrasta com a visão que elas próprias têm e exigem, na qual se reconhecem seus direitos diferenciados e se promove uma lógica de colaboração e articulação em dinâmicas horizontais com diversos atores.
Palavras-chave:
mulheres indígenas; governação climática; interseccionalidade; interculturalidade