Á BEIRA DO LEITO
CLÍNICA CIRÚRGICA
Qual a melhor conduta paliativa no câncer inextirpável da cabeça do pâncreas?
Elias Jirjoss Ilias
Somente de 5% a 20% dos carcinomas da cabeça do pâncreas são ressecáveis na época de seu diagnóstico. O cirurgião sempre se encontra frente a um dilema nos casos inextirpáveis, e que geralmente apresentam sinais obstrutivos da via biliar ou duodenal.
A conduta mais conservadora é a colocação de próteses por via endoscópica tanto na via biliar quanto no duodeno. A prótese auto-expansiva duodenal não tem mostrado bons resultados, pois leva a nova obstrução em 5 a 7 semanas após a sua colocação, além de ter custo elevado.
A conduta cirúrgica paliativa mais adequada parece ser a anastomose biliodigestiva com o jejuno em Y de Roux, associada a anastomose gastrojejunal para evitar a obstrução duodenal a longo prazo, que pode ocorrer devido ao aumento do tumor pancreático. Cerca de 40% dos tumores de cabeça de pâncreas não ressecados acabam levando a obstrução duodenal, daí a necessidade da derivação gastrojejunal.
A morbidade das derivações cirúrgicas giram em torno de 25% e a mortalidade em torno de 5%. A média de sobrevida desses pacientes é de cerca de nove meses. A associação de quimioterapia e ou radioterapia pós-operatória não mostrou aumento significativo na sobrevida desses pacientes (média de 10 meses de sobrevida).
A morbimortalidade das derivações cirúrgicas, quando comparadas com os procedimentos endoscópicos em vários estudos da literatura, não mostraram diferenças significativas.
Como conclusão, podemos afirmar que, mesmo nos dias atuais, a derivação biliodigestiva associada a derivação gastrojejunal é segura, apresenta baixo custo com índices aceitáveis de morbimortalidade. Além disso, a quimioterapia e ou radioterapia pós-operatória não trouxe aumento significativo na sobrevida.
