Open-access Envelhecimento saudável: impacto de grupo de promoção de saúde na representação social de idosos

Healthy aging: impact of health promotion group on social representation of older adults

Vieillissement en bonne santé : impact du groupe de promotion de la santé sur la représentation sociale des personnes âgées

Envejecimiento saludable: impacto del grupo de promoción de la salud en la representación social de los ancianos

Resumo:

Este estudo averiguou o impacto das intervenções multidisciplinares de um grupo de promoção de saúde e envelhecimento saudável do serviço de geriatria de um hospital terciário de São Paulo em 2018 por meio de rodas de conversa psicoeducativas. A amostra teve 25 pessoas idosas - média de idade de 72,08 anos (DP=5,34); sexo feminino (72%); solteiro(a) (40%); ensino superior (44%). Identificaram-se as representações sociais da “pessoa idosa” mediante a técnica do desenho-estória temático. Como resultado, constatou-se a percepção mais realista do envelhecimento, com maior consciência das limitações físicas e do potencial de investimento na aparência; maior expressão da esfera emocional e melhora do aspecto social por intermédio da formação de novos vínculos.

Palavras-chave:
promoção de saúde; idoso; representação social

Abstract:

This study investigated the impact of multidisciplinary interventions of a health promotion and health aging group of the Geriatrics Service of a tertiary hospital in São Paulo in 2018, through psychoeducational conversation circles. The sample consisted of 25 older adults - average age 72.08 years (SD=5.34); female (72%); single (40%); higher education (44%). The social representations of “older adults” were surveyed using the Thematic Story-Drawing Technique. Results showed a realistic perception regarding aging, with greater awareness of physical limitation and the potential of investment in appearance; greater expression of emotional sphere and improvement of the social aspect through the formation of new bonds.

Keywords:
health promotion; aged; social representation

Résumé :

L’étude examine l’impact des interventions pluridisciplinaire d’un groupe de promotion de la santé et du vieillissement en bonne santé du service de gériatrie d’un hôpital tertiaire à São Paulo en 2018, par le biais de cercles de conversation psychoéducatifs. L’échantillon était composé de 25 personnes âgées - âge moyen 72,08 ans (SD=5,34); femmes (72%); célibataires (40%); éducation supérieure (44%). Les représentations sociales de la “personne âgée” ont été identifiées à l’aide de la technique du récit thématique. On constate une perception plus réaliste de l’épanouissement, avec une plus grande conscience des limites physiques et du potentiel d’investissement dans la vie quotidienne, une plus grande expression de la confiance émotionnelle et une amélioration de l’aspect social grâce à la formation de nouveaux liens.

Mots-clés :
promotion de la santé; personnes âgées; représentation sociale

Resumen:

Este estudio evaluó el impacto de las intervenciones multidisciplinarias de un grupo de promoción de la salud y envejecimiento saludable del servicio de geriatría de un hospital terciario de São Paulo en 2018 mediante rondas de conversación psicoeducativas. La muestra estuvo compuesta por 25 ancianos -edad media 72,08 años (DE=5,34); sexo femenino (72%); soltero(a) (40%); educación superior (44%). Se identificaron las representaciones sociales de la “persona mayor” mediante la Técnica del Dibujo de Cuentos Temáticos. Los resultados mostraron una percepción realista del envejecimiento, con mayor conciencia de la limitación física y el potencial de inversión en la apariencia; mayor expresión del ámbito afectivo y mejora del aspecto social mediante la formación de nuevos vínculos.

Palabras-clave:
promoción de la salud; ancianos; representación social

Introdução

O envelhecimento populacional evoluiu nas últimas décadas tanto no cenário nacional como mundial. O órgão consultivo das Nações Unidas prevê um aumento da população com 65 anos ou mais de idade até 2050 de 23% para 28% na Europa e de 18% para 23% na América do Norte; ao passo que América Latina, Caribe, Ásia e Oceania terão mais de 18% de sua população envelhecida (Organização das Nações Unidas [ONU], 2017).

Considera-se pessoa idosa aquela com 60 ou mais anos de idade em países em desenvolvimento e 65 ou mais anos em países desenvolvidos; devido à ampla definição e ao aumento da longevidade, existe uma grande heterogeneidade nessa população (Camarano & Kanso, 2013). É esperado que no envelhecimento ocorram alterações biopsicossociais. Porém, é importante distinguir o envelhecimento saudável ou normal (senescência), que são as alterações esperadas para essa fase, do envelhecimento patológico (senilidade), marcado por adoecimentos que comumente acometem as pessoas idosas (Netto, 2013).

Como parte do envelhecimento saudável, temos dois atributos imprescindíveis: autonomia e independência. A autonomia diz respeito à capacidade de tomar decisões por si próprio, de escolher o estilo de vida que considera mais adequado, ao passo que a independência está relacionada ao fato de poder realizar as ações na direção das escolhas feitas sem necessitar da ajuda de outra pessoa (Netto, 2013; Paschoal, 2013).

Com as limitações físicas e cognitivas impostas pelo envelhecimento, a capacidade funcional pode se reduzir (Ferreira, Maciel, Costa, Silva, & Moreira, 2012). É importante lembrar que a velhice é marcada por perdas, sejam elas de ordem simbólica (papéis antes desempenhados, por exemplo), sejam concretas (falecimento de seus contemporâneos, por exemplo). O isolamento social que essa fase tende a acarretar é uma consequência dessas perdas, consideradas potenciais desencadeadoras da depressão nessa faixa etária (Altman, 2011). O rebaixamento do humor tende a ser naturalizado, manifestando-se com mais frequência por meio de somatizações como forma de expressar o sofrimento (Aprahamian, Aranha, Silva, & Galetti, 2019).

Tendo em vista o envelhecimento populacional e os problemas e desafios decorrentes desse processo, torna-se importante o investimento na promoção da saúde da pessoa idosa, entendida como a conscientização da população para se tornar detentora de conhecimentos capazes de evitar ou reduzir o impacto de determinadas enfermidades (Política Nacional de Atenção Básica, 2012).

Justamente com esse propósito criou-se, em 1984, o Grupo de Assistência Multidisciplinar ao Idoso Ambulatorial (Gamia), do serviço de geriatria de um hospital terciário da capital paulista, com foco no conceito de “senecultura”, que se baseia no atendimento interdisciplinar visando a promoção da saúde da pessoa idosa (Jacob-Filho, 2003; Tamai et al., 2011). Tendo em vista que as representações sociais constituem um campo transdisciplinar (Aiello-Vaisberg, 1997), isto é, busca integração de conhecimentos de diversas áreas profissionais, com o objetivo de responder a questões pouco esclarecidas, a atuação do Gamia torna-se fértil para a investigação das representações sociais relacionadas ao envelhecimento.

As representações sociais são constructos coletivos permeados por estereótipos e preconceitos propagados pela sociedade como um todo, abarcando diversas esferas constitutivas do ser humano, compondo a autoimagem e o autoconceito, e fazendo parte da estrutura de personalidade, enraizada no inconsciente (Aiello-Vaisberg, 1997). O autoconceito diz respeito à crença de “se sentir capaz de”; já a autoimagem é a percepção avaliativa que a pessoa faz acerca de si e que é construída a partir da relação com o outro (Fraquelli, 2016). Um estudo aponta que, na velhice, a autoestima tende a parecer rebaixada, e um dos possíveis motivos é a visão estigmatizada existente na sociedade (Fraquelli, 2016). É importante salientar que a autoimagem é construída desde a tenra idade e está atrelada às representações sociais vigentes de cada época. Ao se analisar o envelhecimento atualmente, verificam-se dificuldades de flexibilização das partes: os jovens com uma visão pejorativa do que é ser velho, considerando-o antiquado, e o velho tendendo à inflexibilidade quanto aos novos padrões sociais, vistos em sua maioria como desrespeitosos ao que se considera certo (Silva, 2018).

O método psicanalítico é um caminho para investigação das representações sociais que abarcam os conteúdos inconscientes, sendo uma das formas de investigação a análise da projeção como mecanismo de defesa. O conceito de projeção, para Freud (1911), postula que a pessoa projeta na realidade externa os conteúdos que desconhece como provenientes de si, atribuindo qualidades ao objeto externo. O estudo das representações sociais fundamenta-se na perspectiva de que na projeção manifestam-se angústias latentes, modos de relacionamentos objetais, mecanismos de defesa e fantasias, frutos de opiniões vigentes socialmente, a respeito de determinado assunto e que, portanto, não se restringem somente a quem as projeta (Pinto, 2014). Esse conceito converge com o objetivo este trabalho, na medida em que se identificam os conceitos trazidos pelas pessoas idosas acerca do envelhecimento, proporcionando ressignificações, permitindo a propagação desse conhecimento e impactando de forma direta a transformação das representações sociais para a promoção de um envelhecimento bem-sucedido. Assim, conhecer o pensamento social do indivíduo fornece um embasamento para direcionar a formulação de intervenções, com foco nas condutas da pessoa enquanto parte da sociedade, já que o homem não é, por natureza, um ser isolado (Aiello-Vaisberg, 1995). Seguindo essa linha de ação e reação, é possível devolver à pessoa idosa o protagonismo de outrora, ou mesmo a chance de ser protagonista, ainda que nunca o tenha sido ao longo de sua vida.

Visto que o envelhecimento por si só tende a demandar mais atenção à saúde, portanto dispêndio aos cofres públicos e necessidade de cuidadores, é necessária não só a criação, mas a verificação da eficácia de programas de promoção à saúde. Levando-se em consideração que existem ainda poucos estudos com esse propósito, especificamente com essa metodologia, justifica-se assim a relevância deste estudo, que teve por objetivo investigar o impacto das intervenções do Gamia na representação social sobre o conceito da “pessoa idosa”, por meio da análise de alterações na autoimagem e autoconceito.

Método

Todas as etapas deste estudo obedeceram às diretrizes sobre a ética na pesquisa com seres humanos (CAEE 19146719.1.0000.0068). Esta pesquisa foi realizada no serviço de geriatria de um hospital terciário da capital paulista. Realizou-se um estudo de intervenção exploratório-comparativo, qualiquantitativo, com referencial teórico psicanalítico e da psicologia social.

Trata-se de uma amostra de conveniência composta por 25 pessoas idosas, homens e mulheres com idade a partir de 60 anos, que participaram do Gamia em 2018. A proposta do Gamia é que a pessoa idosa, além de aprender sobre práticas que promovam o envelhecimento saudável, se transforme em agente propagador desse conhecimento, abarcando também a comunidade à qual pertence.

Anualmente são selecionadas 30 pessoas idosas da comunidade que buscam espontaneamente o programa, e as atividades em grupo têm duração de 10 meses. O programa é multidisciplinar (medicina, enfermagem, psicologia, nutrição, fonoaudiologia, fisioterapia, assistência social, arteterapia, odontologia e farmácia) e cada área define o processo de acompanhamento com os participantes, mas, obrigatoriamente, todos passam por avaliação inicial e final, de forma humanizada e integrada.

Os 30 selecionados foram divididos em dois grupos, e os encontros com a psicologia foram quinzenais, com uma hora de duração cada, por meio de roda de conversa psicoeducativa, totalizando 12 encontros em 2018. Os temas abordados foram: processo de envelhecimento (mudanças biopsicossociais); etarismo; direitos/estatuto do idoso; redes de suporte social (vínculos sociais e familiares); psicopatologias mais comuns na velhice (depressão e ansiedade); demências; sexualidade e finitude. A frequência dos participantes se manteve próxima dos 75% nos encontros.

Os critérios de inclusão foram: ter tido frequência de participação com 75% ou mais e ter realizado o Desenho-Estória Temático (DE-T) inicial e final em 2018. O critério de exclusão foi não ter preenchido os critérios de inclusão.

O questionário sociodemográfico (idade, sexo, estado civil, escolaridade e ocupação) e o procedimento do DE-T foram aplicados nos participantes da pesquisa.

Embora no Gamia, em 2018, 30 pessoas idosas tenham participado das intervenções, cinco foram excluídas, pois não completaram a avaliação com DE-T ao final do programa, dos quais três eram mulheres e dois eram homens, o que não interferiu na proporcionalidade da amostra estudada.

A análise dos dados sociodemográficos (estatística descritiva) foi realizada no software Microsoft Office Excel, com levantamento das medidas de tendência central - média e desvio-padrão para variáveis numéricas e frequência relativa e absoluta para as categóricas.

O procedimento de DE-T (Aiello-Vaisberg, 1997; Trinca, 1997) objetiva auxiliar na compreensão da representação social, e a tarefa consiste em solicitar que o aplicando faça um desenho e depois conte uma história para o que desenhou. À população analisada, pediu-se que se fizesse o desenho de uma “pessoa idosa”. A análise dos dados é qualitativa e há uma sugestão de método para tratamento das informações descritas pela autora (Aiello-Vaisberg, 1997).

A técnica do DE-T foi realizada pela equipe de psicologia, com aplicação grupal e produção individual. Analisaram-se 50 produções (25 DE-T iniciais e 25 finais), seguindo a metodologia proposta por Aiello-Vaisberg (1997) para a análise dos dados: (1) levantamento dos temas relevantes da produção; (2) tipo de dinâmica discursiva utilizada para dar encadeamento aos elementos relatados; (3) estilo da história; (4) teoria implícita em relação ao objeto retratado - no caso, a pessoa idosa; (5) tipo de interesse afetivo-emocional que a teoria apontada abarca; e (6) tipo de configuração mental grupal produzido em relação ao interesse afetivo-emocional, dentro da teoria identificada.

Também utilizou-se o método proposto por Bardin (2011) para tratamento das informações obtidas, por meio da: (1) pré-análise, com a organização do material coletado; seguida da (2) exploração desse material, no qual foi feita uma leitura flutuante dos desenhos-estória e releitura, buscando categorizá-los de acordo com a frequência das respostas que apareciam, mas, ao mesmo tempo, de acordo com os objetivos da pesquisa; e, por fim, (3) tratamento, com as inferências e a interpretação das categorias, visando a compreensão a partir do referencial teórico da psicologia social acerca da representação social do envelhecimento.

Resultados

A amostra compôs-se em sua maioria de pessoas do sexo feminino (72%), solteiros (40%) e casados (36%), com ensino superior (44%) e ensino fundamental (32%), e aposentados (80%) (Tabela 1). A média de idade dos participantes foi de 72,08 anos (DP=5,34), sendo a menor idade 64 anos e a maior 81 anos. A respeito do grau de escolaridade, as categorias consideraram os participantes que tinham concluído ou não o nível em questão.

Para análise da representação social, foram considerados dois conceitos, assinalados como categorias: o autoconceito e a autoimagem. As categorias foram desmembradas em subcategorias de acordo com a frequência da expressão conceitual/simbólica das facetas constitutivas do autoconceito e autoimagem.

Na Tabela 2 é possível conferir os dados da autoimagem, comparando entrada e saída, obtidos por meio da análise dos desenhos. Com o objetivo de evitar vieses, uma subcategoria pode não ter sido incluída numa análise quando não estava representada de forma clara, ou seja, quando nem todos os desenhos apresentaram as subcategorias levantadas. A autoimagem compreende: (1) distorção/realista, que indica se a imagem representada foge ou não ao tema solicitado; (2) limitações físicas/sensoriais, que estão relacionadas à representação gráfica ou não de limitações físicas/sensoriais, mediante dispositivos auxiliares de marcha e/ou recursos que atenuam limitações percepto-sensoriais (por exemplo, óculos); e (3) aparência, entendida como sinônimo de autocuidado, representada por intermédio de destaque para recursos estéticos, como roupas, acessórios, maquiagem e embelezamento.

Tabela 1
Dados sociodemográficos dos idosos do Gamia 2018

Tabela 2
Dados de frequência absoluta da autoimagem

Uma representação gráfica não pôde ser analisada dentro dos dados de entrada das subcategorias limitação física-sensorial/independência, pois retratava uma figura amorfa. Outras duas produções não representaram uma figura humana, mas um elemento da natureza (árvore); em suas análises, nas mesmas subcategorias citadas anteriormente, foi levado em conta para a interpretação a simbolização do desenho como um retrato do ciclo vital da natureza, uma forma de simbolização da própria longevidade (Chevalier & Gheerbrant, 2002). Assim, considerou-se a representação da árvore cortada como dependente, e o retrato da árvore inteira como independente.

O autoconceito (Tabela 3) foi analisado a partir da estória criada pelos participantes. A análise considerou a frequência da expressão conceitual e semântica das facetas constitutivas do autoconceito, especificamente no que tange ao envelhecer e à velhice.

Observaram-se três temas de maior evidência: (1) físico, que compreende aspectos que envolvem a saúde física, o envelhecimento ativo (por meio da realização de atividades) e as mudanças no corpo na velhice (fragilidade/limitações físicas/sensoriais); (2) social, com enfoque dado à rede de suporte percebida pela pessoa idosa, relações interpessoais, realização de atividades sociais e/ou desejo de contato social; e (3) emocional, ressaltando aspectos intrínsecos, indicando a conotação emocional associada ao envelhecimento. Salienta-se que um mesmo participante pode ter sido incluído em mais de um aspecto caso ele tenha mencionado mais de uma dimensão em seu relato. Dois participantes não escreveram estórias para seus desenhos na saída, totalizando 25 estórias na entrada e 23 na saída.

Tabela 3
Dados da frequência absoluta do autoconceito

Qualitativamente, por meio da observação do tipo de dinâmica discursiva, estilo da estória e interesse afetivo-emocional, realizou-se o levantamento de cinco subcategorias do autoconceito utilizando-se o critério de maior frequência nas estórias, sendo elas:

  1. Incongruência, caracterizada pela discrepância entre o que foi escrito e o desenho, e/ou distanciamento do tema ao se referir a outra temática (negação do tema), regressão e/ou ambivalência (sentimentos opostos).

  2. Positivo/negativo: refere-se à percepção do participante acerca dos aspectos apontados na estória, se ela possui conotação positiva (velhice associada à felicidade; mudança do estado emocional - de tristeza para felicidade; velhice associada a lazer e socialização; foco na longevidade; postura ativa frente ao envelhecimento; intergeracionalidade/transmissão de conhecimentos adquiridos; aspectos relacionados ao realce da aparência; valorização da saúde; autocuidado), ou negativa (velhice associada à doença, tristeza e insatisfação; degradação/fragilidade/limitações físicas/sensoriais como aspectos limitantes; velhice associada à solidão; ausência de suporte social; ausência de recursos de enfrentamento; velhice como antagônica à felicidade e percepção pejorativa do envelhecimento).

  3. Neutro, atribuído a relatos imparciais, imprecisos ou sem definição.

  4. Idealizado, referente a ideias fantasiosas sobre a velhice, podendo estar associado tanto ao aspecto físico (não reconhecimento de suas limitações), quanto emocional (enfoque apenas de aspectos otimistas, negando pontos negativos do envelhecimento) ou social (participação em diversas atividades de forma não realista).

  5. Reconhecimento, na qual percebe-se a conscientização e identificação com a velhice.

Alguns exemplos podem ser conferidos no Quadro

Quadro 1
Exemplos de estórias dos participantes

A análise dos DE-T, que compreende a comparação entre a entrada e a saída dos participantes, visando a identificação das mudanças entre esses dois momentos, foi nomeada como Pós-Gamia. A comparação entre as subcategorias da autoimagem e do autoconceito foi realizada em duas etapas, sendo a primeira uma comparação individual; posteriormente, essas diferenças foram agrupadas utilizando o critério de semelhança conceitual, categorizando-as de acordo com a frequência. A Tabela 4 apresenta de forma sintética o resultado quantitativo do Pós-Gamia.

Nas produções iniciais, em relação à autoimagem, evidenciou-se que dez participantes realizaram suas produções em cenários, com objetos e mais de uma pessoa, o que pode representar uma forma de minimizar a angústia frente ao tema utilizando-se de objetos mediadores de contato com o ambiente (Regis, 2014), ao passo que nas produções finais verificou-se que esses mesmos sujeitos realizaram produções em que aparecem sozinhos, assumindo o protagonismo do DE-T, ressaltando-se a limitação/independência física-sensorial de caráter realista, não pejorativo ou idealizado, e a aparência.

Tabela 4
Pós-Gamia: diferença da entrada e saída em autoimagem e autoconceito

Quando comparadas qualitativamente as produções do início e do fim do programa, observou-se que, em relação à esfera emocional, ela foi a categoria que mais apareceu nas duas fases e se manifestou na entrada como forma de desejo de mudança emocional (tristeza para felicidade), carência afetiva e descrição da forma como lida com o envelhecimento, com predomínio do aspecto negativo; ao passo que na saída houve destaque para os aspectos positivos, com mudança do estado emocional anterior, atrelando-o à longevidade e aos vínculos afetivos estabelecidos socialmente no grupo. A segunda categoria mais citada, esfera social/atividade, no início apareceu associada ao desejo de contato social e à realização de atividades, enquanto ao fim exprimiu esse desejo concretizado, destacando as novas amizades feitas e o envelhecimento ativo. Notou-se que o que foi apontado na entrada por alguns participantes como fragilidade social (carência de recursos/suporte social) não apareceu em nenhuma produção ao final do programa.

A última categoria citada - aspecto físico - inicialmente focou em doenças adquiridas na velhice, necessidade de assistência médica/medicamentos e desejo de ter saúde, conceituando-a como ausência de doenças; já na saída houve uma redução importante da expressão direta desse aspecto - quando referiram algum aspecto relacionado à saúde, não o restringiram mais à ausência de doença, apontando também a importância do cuidado com as esferas emocional, espiritual e psíquica.

Discussão

Na amostra analisada observou-se o predomínio do sexo feminino; essa proeminência das mulheres já é esperada, visto que estamos vivenciando uma feminização do envelhecimento (Lins & Andrade, 2018). A literatura também mostra que as mulheres cuidam mais da própria saúde do que os homens, fazendo com que o público feminino procure mais os serviços de assistência à saúde (Levorato, Mello, Silva, & Nunes, 2014). Assim, deve-se pensar em estratégias para se alcançar o público masculino quando se fala em promoção de saúde e envelhecimento saudável.

Também se observou o predomínio, porém com proporção pareada, de solteiros e casados. Vale ressaltar que não foi levado em consideração se os participantes que se declararam solteiros, viúvos ou divorciados tinham ou não companheiro, visto que essa informação não foi questionada na entrada dos participantes, o que pode gerar um viés de disparidade em relação às pesquisas atuais.

Um dado que chama a atenção é o grau de escolaridade: em sua maioria, os participantes possuem ensino superior e fundamental. Para compreender o público da pesquisa é necessário antes ter em mente, conforme descrevem Pilger, Menon e Mathias (2011), que o grau de instrução influencia os cuidados com a saúde, pois está relacionado ao nível de acesso aos serviços de saúde e de conscientização sobre o que podem oferecer. Com isso, destaca-se que o predomínio observado de maiores níveis de escolaridade pode ser decorrente do viés amostral: estamos diante de uma geração de pessoas idosas que tiveram maior acesso aos estudos, sendo esse o perfil esperado para um grupo com o objetivo do Gamia, já que o grupo é formado por meio da busca ativa por parte das pessoas idosas, sendo necessário um certo grau de conhecimento sobre o programa e o que ele pode oferecer.

Ainda sobre o perfil sociodemográfico encontrado, houve prevalência, já esperada, de pessoas idosas aposentadas, já que a disponibilidade de horário é um critério para sua inserção no programa. Sabe-se que a aposentadoria pode causar impacto psicossocial por estar associada não só à perda de um papel desempenhado na atividade laborativa antes exercida, mas também porque está atrelada à improdutividade, inatividade e sensação de inutilidade (Costa, Nascimento, & Moura, 2023), o que pode ter mobilizado essas pessoas idosas a procurarem o Gamia. Levanta-se como preocupação o fato de que o ingresso em programas como o Gamia depende da disponibilidade de tempo livre para participação nas atividades. Mas, se estamos diante de um cenário no qual a pessoa idosa permanece trabalhando em um regime de horário não flexível, por questões psicossociais e financeiras (Ribeiro, Almada, Souto, & Lourenço, 2018), deve-se refletir como as políticas públicas e os serviços de saúde pretendem alcançar esse público, inferindo que futuramente a proporção de pessoas idosas no mercado de trabalho pode ser superior àquela que se sustenta apenas com a aposentadoria.

Examinando a autoimagem, observou-se, ao final do programa, um pequeno aumento da autoimagem realista, seguida da redução proporcional da autoimagem distorcida. A participação no programa e a interação com o grupo proporcionou o reforço de uma autoimagem realista, que é de fundamental importância, visto que permite não só o reconhecimento de limitações e mudanças esperadas para essa faixa etária, facilitando sua aceitação, como também a conscientização acerca de comportamentos que necessitam de mudança para um envelhecimento saudável (Silva & Santos, 2010). A autoimagem também está diretamente ligada à autoestima, portanto uma visão realista e não pejorativa de si mesmo também acarretará mudanças positivas na autoestima das pessoas idosas (Meurer, Benedetti, & Mazo, 2009). O fomento e a conscientização de uma autoimagem realista na velhice fazem parte das propostas da Política de Saúde do Envelhecimento Ativo (World Health Organization, 2005) como forma de construção de recursos de enfrentamento contra o estigma e os estereótipos associados ao envelhecimento.

Com relação à subcategoria dependente/independente, não houve mudança quantitativa quando comparados os dados de entrada e saída dos participantes. Porém, em análise qualitativa individual dos desenhos, observou-se uma inversão em alguns casos: pessoas idosas que se retratavam como dependentes passando para independentes, bem como o inverso. Vale ressaltar que um dos critérios de inclusão no Gamia é ser independente na realização das atividades. Mesmo assim, a limitação físico-sensorial apareceu nas produções iniciais, porém de forma distorcida (pejorativa, negativa), provavelmente projetando o medo de tais limitações.

Notou-se que, na migração desses estados, a alteração foi de cunho realista em seus produtos finais. No caso das pessoas idosas que migraram de dependente para independente, tal mudança foi retratada de forma não idealizada; já no segundo caso, observa-se que os desenhos finais, apesar da redução da independência, quando comparados com os desenhos iniciais, estão menos idealizados e sem o cunho pejorativo, normalmente atribuído à necessidade do uso de recursos de auxílio de marcha e/ou percepto-sensoriais.

A percepção da pessoa idosa acerca de seu próprio grau de limitação físico-sensorial/independência é influenciada por diversos fatores, que vão além de suas condições físicas, sejam elas reais ou imaginárias (Clares, Freitas, & Borges, 2014). Portanto, tornam-se necessários a conscientização e o fomento de uma autopercepção de caráter realista, tanto para tratar o conceito de que certos graus de limitações não representam uma “não funcionalidade”, logo não impossibilitando a velhice ativa, quanto seu inverso, visto que também é importante que a pessoa idosa tenha consciência das limitações do seu corpo, a partir das mudanças ocasionadas pelo envelhecimento, para que não se coloque em situações de risco.

Uma das subcategorias da autoimagem, a aparência, teve um aumento significativo quanti e qualitativamente; notou-se uma mudança positiva na forma como as pessoas idosas passaram a se representar, alcançando em sua maioria o público feminino, com exceção de dois homens. Depreende-se desse dado que o Gamia proporcionou, entre outras coisas, o aumento do autocuidado e a elevação da autoestima por meio do resgate da sexualidade, visto que ela não compreende apenas o sexo e o prazer sexual, mas abarca fatores intrínsecos e extrínsecos que nos acompanham desde o nascimento, estando relacionada à autoimagem, ao desejo e à satisfação consigo mesmo e com o outro (Rozendo & Alves, 2015). Assim, reforça-se a importância de ações que quebrem o tabu atrelado à sexualidade no envelhecimento e naturalizem a abordagem do tema com as pessoas idosas, de forma a estimular a aceitação da nova condição afetiva sexual decorrente de mudanças do envelhecimento, mas que não o transformam em seres assexuados, resgatando o autocuidado, a autovalorização e sua autoestima (Altman, 2011; Rozendo & Alves, 2015).

Uma influência de notório impacto na autoimagem das pessoas idosas é a mídia, que nos últimos anos vem comercializando uma negação do envelhecimento. Houve uma reformulação da representação dos atributos físicos do velho. O que se vê na televisão atualmente são pessoas idosas valorizadas por sua aparência física e cuidado com a estética, apreciadas socialmente por sua beleza remeter à jovialidade.

Se por um lado se torna positivo validar o cuidado com a aparência, estimulando que dentro da singularidade o sujeito se sinta autorizado (pelo outro e por si) a investir sua libido no autocuidado, por outro, sentir-se (e ser) valorizado (pelo outro e por si) apenas mediante o enquadramento nesses padrões de beleza (associada à juventude e à postergação da morte), dificulta a aceitação das alterações inerentes ao envelhecimento, favorecendo o sentimento de não ajustamento e não pertencimento.

Neste trabalho, apenas uma produção inicial abordou a temática da religião e da aproximação com a morte, o que nos faz pensar que houve um distanciamento desse tema (sabidamente fonte de angústia e, portanto, esquiva) que pode estar sendo alimentado pela mídia atual frente à prolongação da expectativa de vida. Também foi alterado o papel social da pessoa idosa, antes representada em comerciais com sua família em meio aos afazeres domésticos, cena esta que agora cede lugar à pessoa idosa “emancipada”, sendo destacado também pelas mídias sociais o envelhecimento ativo, por meio do corpo saudável e do espírito jovem (Braga & Tuzzo, 2018). Tais aspectos foram observados nos DE-T finais, nos quais a pessoa idosa inicialmente fora retratada em um papel no qual tinha responsabilidades com terceiros (cuidando do neto, realizando afazeres domésticos, se preocupando com os filhos etc.), se transformando em alguém que é protagonista da própria história, centrado no autocuidado biopsicossocial.

Pensa-se, portanto, que as ações propostas pelo Gamia, juntamente com a vivência em grupo (que proporciona a troca de experiências), favoreceram a reflexão, desmistificando estereótipos e ampliando a visão dos papéis sociais desempenhados pelos gamistas. Essa mudança foi possível porque houve espaço para que as pessoas idosas pudessem manifestar suas subjetividades acerca desde tema, resgatando muitas vezes suas experiências prévias e permitindo sua ressignificação.

Na análise do autoconceito é importante ressaltar que as mudanças observadas foram prioritariamente de cunho qualitativo. Notou-se uma redução da menção aos aspectos físicos e um aumento na referência a atributos emocionais; infere-se que as pessoas idosas se distanciaram da concepção de saúde como ausência de doenças e se aproximaram do conceito de saúde como sinônimo de “bem-estar físico, psíquico e social”. Observou-se que, ao final, as referências aos aspectos físicos foram de caráter positivo, o que pode estar atrelado a uma nova percepção acerca de seu estado de saúde, que não necessariamente diferente do momento da entrada do programa, mas que então é visto de uma nova forma, sem a visão pejorativa e limitante, resultados que estão em consonância com os achados por Tamai et al. (2011).

Em produções iniciais, houve referência à carência de contatos sociais/familiares; no final, observou-se uma diminuição em frequência, entendendo que o Gamia proporcionou a vivência em grupo e a possibilidade de novos contatos sociais, suprindo a carência social antes destacada. Essas alterações, juntamente com a nova visão sobre o aspecto físico, repercutiram na mudança no estado emocional, que inicialmente fora retratado pelo sentimento de medo, tristeza e solidão, e posteriormente passou para felicidade e alegria, associadas à mudança no social, o que corresponde aos resultados de Tamai et al. (2011). Essa mudança reforça o fato de que o vínculo social favorece a expressão emocional, de fundamental importância, visto que as pessoas idosas costumam ter dificuldades de expressar suas emoções e manifestam suas queixas por meio de aspectos físicos (Regis, 2014).

A incongruência apareceu nas produções iniciais associada a figuras infantis ou personagens sem forma, desestruturados, sendo os primeiros atrelados a aspectos positivos pelas pessoas idosas, ao passo que os personagens amorfos apareceram associados a características sombrias e negativas do envelhecimento. Um estudo feito com pessoas idosas sobre as representações sociais e as crenças normativas sobre o envelhecimento (Torres, Camargo, Boulsfield, & Silva, 2015) revelou que as pessoas idosas consideram a infância como a melhor fase de suas vidas, pois não tinham limitantes físicos e possuíam muito tempo disponível para fazer o que quisessem, com uma mente e um corpo que acompanhavam esse desejo; por isso a velhice é permeada por uma fantasia de retornar a essa fase, o que pode justificar as distorções regressivas observadas.

Quanto aos aspectos negativos, a velhice normalmente suscita temas relacionados à morte, à redução da mobilidade e à necessidade de auxílio, e, se a percepção da pessoa idosa tende a enxergar apenas fatores negativos, é comum que ela associe a pessoa velha à fragilidade e a figuras bizarras (Regis, 2014).

Após as intervenções do Gamia, notou-se nas produções finais uma permanência de incongruência, que, apesar de se manter com baixa frequência, adquiriram outro caráter qualitativo. Os DE-T incongruentes ao final do programa aparecem associados a relatos neutros ou de negação, lembrando que dois participantes não realizaram estórias para suas produções finais, o que não deixa de ser uma negação/rejeição ao tema. Tais fenômenos podem ser explicados levando-se em consideração alguns mecanismos de defesa, como intelectualização (uso excessivo de ideias abstratas para falar sobre algum tema que pode ser sentido como perturbador), isolamento (impossibilidade de vivenciar algo cognitiva e emocionalmente, de forma simultânea, de modo que o afeto é mantido fora da consciência e o relato é puramente racional) e negação (o sujeito nega um aspecto da realidade externa, normalmente aparente para as pessoas ao seu redor, mas que não está integrado em sua personalidade) (Laplanche & Pontalis, 2001).

É possível que, diante das intervenções, o Gamia tenha suscitado em alguns participantes uma angústia que não conseguiram suportar, fazendo com que, de forma inconsciente, utilizassem uma das defesas citadas para lidar com o tema do envelhecimento. Isso não significa que o programa gerou um malefício para o participante, pois a integração dos conceitos aprendidos (parte cognitiva) e sua assimilação na personalidade (parte emocional) não é um processo rápido e, muitas vezes, mecanismos considerados não maduros podem ser usados como mediadores/ferramentas transitórios no processo de assimilação, que pode levar mais tempo para algumas pessoas, já que ele não depende apenas de fatores ambientais, mas das experiências passadas do indivíduo, bem como de seus recursos de enfrentamento (Chaim, Izzo, & Sera, 2009).

Com relação ao reconhecimento do envelhecimento, notou-se uma melhora dessa esfera, pois as pessoas idosas que alcançaram esse estado ampliaram a concepção do que consideram um envelhecimento saudável, incluindo, além dos aspectos físicos, os emocionais e sociais. Segundo Bianchi (1993) diante das perdas multidimensionais enfrentadas pelas pessoas idosas, uma de suas principais tarefas como forma de investimento de sua energia é a manutenção dos vínculos afetivos, de modo que a carência de contatos sociais era uma das principais queixas dos participantes no início do programa. O que foi possível notar é que, para além da manutenção, o Gamia possibilitou a conscientização nas pessoas idosas de suas aptidões para o estabelecimento de novos vínculos afetivos, por meio da socialização com os demais participantes.

O reconhecimento das alterações físicas no envelhecimento proporcionou às pessoas idosas perceber que, apesar da mudança na mobilidade, isto não era impedimento para terem uma vida ativa, além de possibilitar o resgate da sexualidade, por meio do cuidado com a aparência física, permitindo a desmistificação do tema na velhice. Das mudanças na autoimagem observadas ao final do programa, além da ampliação de uma visão mais realista, chama a atenção a aparência e a estética, conforme citado anteriormente; tal efeito pode ser explicado pelo fato de que a autoimagem, quando comparada ao autoconceito, que é multifatorial, possui uma resposta mais rápida ao serem realizadas intervenções grupais voltadas para esse aspecto, visto que as mudanças na imagem corporal estavam relacionadas à concepção do autocuidado por meio de vestimenta, adornos e cuidados estéticos, visando desmistificar o constructo de que “velho não precisa mais se arrumar”. Quando o participante altera algo em sua autoimagem, também gera um resultado no ambiente mediante o reconhecimento das outras pessoas, que reforçam a intervenção feita (Tamai et al., 2011).

Porém, não se pode esquecer que a autoimagem é parte constituinte do autoconceito (que, neste trabalho, foi separada apenas para fins didáticos), sendo observadas mudanças referentes à ampliação do conceito de saúde, agregando os aspectos psicossociais, reduzindo relatos de adoecimento, suprindo desejos de realização de atividades e maior interação social, culminando em um autoconceito de velhice e envelhecimento menos pejorativo e negativo e mais positivo. O que pôde depreender-se também é que o Gamia fomentou o exercício consciente da autonomia, pois é necessário instrumentalizar as pessoas idosas para que tenham conhecimento dos serviços e direitos para realizar suas escolhas, o que só foi possível, não apenas pelo espaço concreto para que fosse realizado esse processo de reflexão, mas também pelo papel de facilitador, exercido pelos profissionais que atuaram nas intervenções psicoeducativas. O objetivo das intervenções, portanto, não era apenas transmitir informações objetivas sobre temas associados ao envelhecimento saudável, mas fomentar a reflexão e a conscientização, visto que é importante dar espaço para discussão da subjetividade que perpassa todos esses temas, de modo que a pessoa idosa possa elaborar e se apropriar daquilo que é transmitido objetivamente, possibilitando assim sua instrumentalização e empoderamento.

Salientam-se como limitações deste estudo que a população foi composta uma amostra de conveniência, já que havia um perfil preestabelecido para critérios a serem preenchidos pelos participantes, bem como pessoas idosas que procuraram o programa por iniciativa própria e tiveram acesso à informação de sua existência (perfil sociodemográfico específico). O recorte realizado também é uma limitação, pois leva em conta os participantes apenas do ano em questão (2018), sugerindo-se para trabalhos futuros que seja feito um levantamento de uma população maior, considerando participantes de anos anteriores.

Sugere-se, portanto, que programas como o Gamia sejam replicados na atenção primária, em diferentes locais, para atingir uma população maior, e que tenha horários flexíveis que possibilitem a inserção e a permanência das pessoas idosas no grupo.

Esses resultados permitem considerar a inserção de pessoas descontentes com seu envelhecimento em programas semelhantes ao Gamia, certamente com um maior conjunto de benefícios e muito menos efeitos indesejáveis quando comparados às terapêuticas medicamentosas, tão frequentemente estudadas.

Declaração de disponibilidade de dados

Os conjuntos de dados analisados durante o estudo estão disponíveis com o autor correspondente mediante solicitação.

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Editado por

  • Editores responsáveis:
    Ianni Scarcelli

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    25 Maio 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    06 Fev 2025
  • Aceito
    21 Abr 2025
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