A maternidade pode ser impactada por decisões judiciais que impõem a separação materno-filial via acolhimento e destituição do poder familiar. Este estudo buscou analisar como as alianças inconscientes e os processos de transmissão psíquica familiar compõem a experiência de mães que vivenciam a separação de seus filhos por meio de processos judiciais de acolhimento ou destituição do poder familiar. Trata-se de um estudo descritivo-exploratório de abordagem qualitativa que utilizou entrevistas semidirigidas para a coleta de dados. Foram entrevistadas cinco mulheres submetidas a decisões judiciais, entre 25 e 37 anos de idade. Os dados foram submetidos à análise temática reflexiva, com o marco teórico da psicanálise de família e casal. A análise revelou o sofrimento psíquico materno e apontou uma tendência, por parte do sistema de justiça, de culpabilização individual das mulheres pelas rupturas familiares. Essa tendência se articula com a herança patriarcal, associada às alianças inconscientes e à transmissão psíquica familiar. São necessárias políticas que fortaleçam os vínculos familiares vulnerabilizados e favoreçam a permanência dos filhos com suas mães.
Palavras-chave:
maternidade; alianças inconscientes; transmissão psíquica familiar; destituição familiar