Resumo
Objetivo: Relatar a experiência de construção de tecnologias educativas para a promoção da dignidade menstrual por meio de um projeto de extensão universitária. Método: Estudo descritivo do tipo relato de experiência, realizado por meio de ações de um projeto de extensão universitária de uma faculdade de Enfermagem da Região Norte do Brasil, realizadas entre março e setembro de 2023. As ações sistematizadas ocorreram em duas fases: construção de diferentes tipologias de tecnologias educativas (impressas e digitais) e aplicação dessas tecnologias em diferentes contextos. Resultados: Foi sistematizado em duas fases e concentrou-se na construção de diferentes tipologias tecnologias educativas, considerando para isso a busca de evidências sobre o tema, a definição de tipologia e a aplicação em diferentes contextos. Conclusão: Concluiu-se que a criação de tecnologias educativas impressas e digitais contribuiu para a promoção da dignidade menstrual, ampliando o acesso à informação e rompendo barreiras culturais em diferentes contextos.
Palavras-chave:
Tecnologia educativa; Menstruação; Educação em saúde; Promoção da saúde; Aprendizado.
Abstract
Objective: To analyze the educational processes involved in the development of educational technologies for the promotion of menstrual dignity through a university extension project.
Method: This is a descriptive exploratory study with a documentary basis, carried out through media recording reports from a university extension project of a nursing school located in the Northern region of Brazil. The reports were produced between March and September 2023.
Results: Systematized actions were identified in two main phases, which occurred through planning stages and the construction of the extension project, in relation to the planned educational process. These included the development of different types of educational technologies (printed and digital) and the application of these technologies in various contexts.
Conclusion: It was concluded that the creation of printed and digital educational technologies contributed to the promotion of menstrual dignity by expanding access to information and breaking cultural barriers. This approach proved applicable to the educational process through university extension initiatives.
Keywords:
Educational technology; Menstruation; Health education; Health promotion; Learning.
Introdução
Na perspectiva da saúde coletiva, a menstruação transcende o aspecto meramente biológico, constituindo-se como fenômeno social e político, atravessado por determinantes estruturais, que modulam experiências, acessos e direitos. Os corpos que menstruam são territórios, em que se materializam desigualdades sociais, relações de poder e processos de exclusão historicamente construídos (Willig; Schmidt, 2024). O estigma menstrual, longe de ser apenas um tabu cultural, opera como dispositivo biopolítico, que naturaliza opressões e que legitima negações de direitos fundamentais, especialmente para populações em situação de vulnerabilidade social.
Nessas condições, a ausência de políticas públicas efetivas e o silenciamento sistemático sobre o tema refletem e reproduzem iniquidades em saúde, que comprometem a dignidade e a cidadania de milhões de pessoas no Brasil (Ferreira et al., 2023; Patriota et al., 2023). A dignidade menstrual emerge, nesse contexto, como categoria analítica e política fundamental ao campo da saúde coletiva, articulando-se aos debates sobre determinantes sociais da saúde e sobre justiça sanitária. Esse conceito, conforme proposto por Colombo (2023), supera a visão reducionista, que limita a questão ao acesso a produtos absorventes, abrangendo múltiplas dimensões interconectadas: direito à informação qualificada; acesso a saneamento básico; serviços de saúde integrais; e políticas públicas intersetoriais.
A pobreza menstrual, fenômeno multidimensional que atinge especialmente populações racializadas e territorialmente marginalizadas, não representa uma carência circunstancial, mas uma expressão concreta das desigualdades estruturais, que caracterizam a sociedade brasileira (Bussinguer et al., 2022). Essa condição impacta diretamente o direito à saúde em sua concepção ampliada, comprometendo a participação social, o acesso à educação e o exercício pleno da cidadania e reforçando ciclos intergeracionais de vulnerabilidades e de exclusões (Viana, 2024).
No âmbito das políticas públicas brasileiras, a Lei n.º 14.214/2021, que institui o Programa de Proteção e Promoção da Dignidade Menstrual, representa simultaneamente um avanço e um desafio ao enfrentamento destas iniquidades: se, por um lado, o reconhecimento legal constitui marco importante na legitimação da dignidade menstrual como questão de saúde pública, por outro, sua implementação revela as contradições e as limitações do Estado brasileiro na garantia efetiva de direitos sociais (Ferreira et al., 2023).
A fragilidade na articulação intersetorial, a insuficiência orçamentária e as assimetrias regionais na operacionalização do programa evidenciam o descompasso entre o avanço normativo e a materialização de políticas transformadoras. Essa distância entre o formal e o real é particularmente acentuada em territórios periféricos e rurais e em espaços de confinamento, em que a precariedade das condições sanitárias e o sucateamento dos serviços públicos aprofundam vulnerabilidades preexistentes (Cândido; Saliba, 2022; Pellegrini; Costa, 2022). Nesse cenário, a implementação de programas de promoção da dignidade menstrual se confronta com os processos de desmonte das políticas sociais e com a persistência de estruturas institucionais que reproduzem desigualdades.
Além disso, a estigmatização da menstruação continua presente no imaginário coletivo, dificultando a plena efetivação das ações propostas (Colombo, 2023; Ferreira et al., 2023; Willig; Schmidt, 2024). Esses estigmas incluem a percepção da menstruação como algo impuro ou vergonhoso, a falta de diálogo aberto sobre o tema e a ideia de que menstruar é um impedimento a atividades cotidianas, o que reforça discriminações e tabus culturais (Ferreira et al., 2023). Nesse panorama, a educação desempenha um papel essencial para romper com estas marcas, para naturalizar o tema e para empoderar meninas e mulheres sobre seus corpos e seus ciclos.
As Tecnologias Educativas (TE) têm surgido como alternativas inovadoras para apoiar estes processos, incluindo a de apresentação e acesso digital (Ximenes et al., 2022). Essas ferramentas podem facilitar o aprendizado, promovendo a inclusão e engajando estudantes e comunidades de formas ativa e crítica. As TE são fundamentais à criação de materiais adaptados a realidades locais, a diversidades de contextos, bem como fortalecem o diálogo e a participação dos sujeitos envolvidos, promovendo conscientização e combate aos estigmas relacionados à menstruação.
Nesses termos, a utilização de tecnologias simples e acessíveis, como as impressas, amplia as possibilidades de alcance e de impacto, tanto em ambientes escolares quanto comunitários (Ibáñez, 2020). Folhetos e folders, por exemplo, são materiais acessíveis, que podem ser implementados também em formatos digitais, promovendo a disseminação da informação e expandindo o acesso a comunidades isoladas ou com infraestrutura limitada (Ximenes et al., 2022).
Embora existam algumas iniciativas no Brasil e no mundo voltadas à dignidade menstrual, há carências de estudos e de projetos focados na criação de tecnologias educativas, que promovam o conhecimento e a conscientização sobre o tema de forma efetiva (Colombo, 2023). Especialmente em contextos de vulnerabilidade social e de diversidade cultural, há uma necessidade urgente de materiais educativos inovadores, que respondam às necessidades locais e que fortaleçam a autonomia dos sujeitos (Bussinguer et al., 2022; Prado, 2024; Viana, 2024).
Nessa perspectiva, os processos de ensino-aprendizagem desempenham papel importante na exposição do tema, e podem ser executados por projetos de extensão, associados a metodologias ativas, capazes de fomentar integração entre universidade e comunidade. Por outro lado, as estratégias inovadoras da extensão respondem a lacunas significativas sobre o tema existentes na atualidade e nos currículos, em virtude de que este está em expansão e é pouco explorado na literatura. Assim, indagou-se: que potencial os projetos de extensão universitária têm para desenvolver processos educativos, buscando construir tecnologias educativas, que promovam a dignidade menstrual? A proposta busca preencher esta lacuna identificada na literatura e fornecer subsídios para a criação de estratégias educativas sobre o tema.
O objetivo deste artigo é analisar, através de documentos institucionais, estratégias metodológicas e processos pedagógicos sistematizados, objetivando a construção e a aplicação de tecnologias educativas na promoção da dignidade menstrual, por meio de um projeto de extensão universitária, explorando as metodologias utilizadas, os desafios enfrentados e as contribuições destas TE para a conscientização sobre saúde menstrual.
Método
Trata-se de estudo de caso único e instrumental, de naturezas exploratória e descritiva, que analisa retrospectivamente os processos educativos envolvidos na construção e na aplicação de tecnologias educativas, que visam a promoção da dignidade menstrual, em um projeto de extensão universitária. Epistemologicamente, o estudo se fundamenta na perspectiva crítica da saúde coletiva, compreendendo os processos educativos como práticas sociais, historicamente situadas e atravessadas por relações de poder. Para isto, seguiu-se o guia Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ).
A escolha por analisar esse projeto específico retrospectivamente se justifica pela ausência de conhecimentos sobre processos sistemáticos de construção de tecnologias educativas para dignidade menstrual no contexto brasileiro. Considerando que este tema é emergente na saúde coletiva brasileira, existem poucos estudos, que documentam metodologias de desenvolvimento de tecnologias educativas sobre a temática, logo há a necessidade de sistematizar experiências exitosas, buscando fundamentar políticas públicas e práticas educativas.
O estudo foi desenvolvido, por meio de um projeto de extensão universitária, endereçado ao edital Navega Saberes no ano de 2023, através da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal do Pará, localizada na cidade de Belém, no estado do Pará, Região Norte do Brasil. Essa região se caracteriza significativas diversidades étnica e cultural, incluindo populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas, que possuem práticas e conhecimentos tradicionais, relacionados ao cuidado corporal e ao ciclo menstrual, atravessados por particularidades culturais.
O projeto foi selecionado como caso, por representar uma experiência inovadora na articulação entre inclusão digital, construção de tecnologias educativas e promoção de dignidade menstrual, constituindo-se como caso revelador (Yin, 2015) de processos educativos nesta área temática.
O período de execução do projeto foi de março a setembro de 2023 (12 meses de planejamento e de execução), a equipe foi composta por docentes coordenadores, por colaboradores técnicos e por discentes extensionistas e os públicos-alvo de suas ações foram comunidades acadêmicas e não acadêmicas, presentes em espaços formais e não formais de ensino, sem critérios específicos de seleção demográfica ou identitária.
A coleta de dados foi realizada entre outubro e dezembro de 2023, através de buscas sistemáticas em repositórios institucionais e em canais de divulgação oficial do projeto. Para aumentar a validade dos achados, utilizou-se a triangulação de fontes múltiplas, as quais incluíram: documentação institucional (relatório final do projeto disponibilizado, materiais de divulgação institucional e registros públicos de atividades extensionistas); produtos educativos finalizados (seis tecnologias educativas desenvolvidas, sendo quatro específicas sobre dignidade menstrual); repositório midiático digital público (plataforma Link.tree, vinculada ao Instagram, e materiais impressos e digitais, disponibilizados para acesso público); e registros imagéticos (fotografias das ações, divulgadas publicamente, materiais visuais de divulgação do projeto e imagens dos produtos finais, disponibilizadas nos canais oficiais).
Do relatório, foram extraídas as seguintes variáveis: período; tema; local; objetivo; tipologias de tecnologias; e participantes. Do repositório midiático, foram extraídos os registros fotográficos e as diferentes tipologias do tema elencado, considerando autorias e subtemas, totalizando seis tecnologias educativas. Foram incluídos, ainda: documentos oficiais completos do período de execução (março a setembro de 2023); tecnologias educativas, com foco específico em dignidade menstrual; e registros, que evidenciassem processos educativos de construção e/ou de aplicação, e foram excluídos relatórios parciais e tecnologias, cujo tema não convergia com a questão da dignidade menstrual.
A coleta foi realizada pelo autor e pelo pesquisador mais experiente do grupo. Para fins de apreciação dos dados, foi considerada a Análise de Conteúdo, com o objetivo de realizar a codificação dos dados. Para a apresentação das unidades de registro e de contexto, buscou-se o plano de trabalho geral do projeto de extensão e as execuções das ações e das metas. A análise foi submetida à checagem por pares, envolvendo dois pesquisadores com experiência em Educação em Saúde e em metodologias qualitativas, que examinaram o corpus documental de forma independente. As divergências interpretativas foram discutidas em sessões conjuntas, até o estabelecimento de um consenso.
A análise, com a equipe mista (participantes e externos), foi retrospectiva e se adotou uma combinação entre conhecimento vivencial e análise crítica externa, fundamental à consolidação do conhecimento em extensão universitária, permitindo que experiências locais fossem sistematizadas e contribuíssem para o avanço nos campos da Educação em Saúde e da promoção da dignidade menstrual.
A análise do conteúdo seguiu as etapas propostas por Bardin (2016): na pré-análise, realizou-se a leitura flutuante do material e a definição do corpus; na exploração, procedeu-se à codificação e à categorização, guiadas pelos pressupostos do construtivismo organizacional; e no tratamento dos resultados, buscou-se estabelecer conexões entre as categorias emergentes e os determinantes sociais, que impactam a dignidade menstrual (Rocha, 2020).
Este estudo é documental e está de acordo com as resoluções n.os 466/2012, 510/2016 e 580/2018, do Conselho Nacional de Saúde, enquadrando-se como atividade realizada com o intuito exclusivamente educativo, de ensino ou de treinamento, sem necessidade de ser avaliada por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e/ou pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).
Resultados
No percurso das etapas do estudo, foi identificado um relatório, no qual se notou, entre os objetivos específicos, o desenvolvimento de tecnologias educativas inovadoras, tradicionais e digitais em cenários adjacentes a comunidades acadêmicas e não acadêmicas. Nos seus registros, foram identificadas três ações pontuais: um evento itinerante em espaço não formal de ensino; um evento em espaço escolar da Educação Básica; e um evento em ambiente de serviço de saúde. Esses eventos possuíam uma sequência de processos, que subsidiava resultados esperados, de acordo com as metas estabelecidas no desenho do projeto (Quadro 1).
Etapas do planejamento e construções do projeto de extensão, e relação deste com o processo educativo delineado
A primeira fase envolveu a pesquisa de evidências sobre o tema da dignidade menstrual, reunindo informações, a partir de bases de dados científicas, tais quais SciELO e BVS, assim como documentos de organizações nacionais sobre saúde menstrual, considerando artigos científicos entre 2019 e 2023, o site do Ministério da Saúde e o texto da Lei nº 14.214/2021, que institui o Programa de Proteção e Promoção da Dignidade Menstrual no Brasil.
Em seguida, foi definido o desenvolvimento de diferentes tipologias de tecnologias educativas, tanto em formato impresso quanto digital. Para isto, foi realizada previamente a capacitação dos estudantes envolvidos em um editor gráfico, considerando para tal o Canva Pro®. Após as avaliações dos estudos e dos documentos, foi identificado que as tipologias que possibilitavam diferentes apresentações seriam: folhetos, banners e QR Codes (Figura 1).
A fase de constituição das tecnologias educativas se revelou um processo essencialmente construtivista, conforme descrito por Rocha (2020). Os extensionistas reproduziram as informações encontradas na literatura e reconstruíram ativamente o conhecimento, reorganizando conceitos e os adaptando às realidades locais. Esse processo de reorganização ativa do conhecimento é central na perspectiva construtivista e se manifestou claramente na evolução das primeiras versões dos materiais, até suas formas finais (Figuras 2 e 3).
As tecnologias educativas desenvolvidas focalizaram especificamente os seguintes produtos menstruais: coletor menstrual (produto reutilizável de silicone); absorventes descartáveis (produtos convencionais, disponíveis comercialmente); absorventes reutilizáveis (alternativa ecológica e econômica); e materiais de apoio menstrual (produtos complementares para higiene íntima). Os critérios para seleção dos produtos envolveram acessibilidade econômica, disponibilidade regional, sustentabilidade ambiental e adequação cultural, respeitando práticas e valores locais e diversidades de opções.
A figura ilustra a importância do planejamento estruturado na construção das tecnologias educativas, evidenciando como cada etapa - da pesquisa de evidências à aplicação prática - contribui para garantir que os materiais sejam relevantes, promovendo um impacto positivo no conhecimento sobre o aspecto em questão: a dignidade menstrual. No que tange às tecnologias identificadas, verificou-se uma sequência de oito produtos sobre o tema geral elencado: saúde da mulher. Ao final, considerou-se um total de quatro destes para o presente estudo, observado o recorte temático sobre dignidade menstrual.
Essa figura destaca os folhetos educativos distribuídos, que foram elaborados de maneiras acessível e adaptada ao público-alvo, como apoio, reforçando os conhecimentos sobre dignidade menstrual e sobre cuidados de higiene. Por outro lado, é importante destacar alguns aspectos adicionais destes materiais, baseados em uma imagética atraente, de modo a facilitar a assimilação do conteúdo, pelo público-alvo. A utilização de elementos-chave, como ilustrações simples, linguagem clara e exemplos visuais do cotidiano, contribuiu para tornar a comunicação mais direta e para reduzir o estigma, relacionado à menstruação.
Além disso, os materiais educativos foram planejados para incluir QR Codes, que direcionavam as participantes para conteúdos digitais complementares, como vídeos explicativos sobre dignidade menstrual. Essa estratégia permitiu ampliar o alcance e a profundidade da informação oferecida, proporcionando uma experiência educativa híbrida, que combinava recursos impressos e digitais.
A segunda fase foi dedicada à aplicação das tecnologias em diferentes contextos. Nessa etapa, que contou com a participação ativa dos extensionistas, foram realizadas ações educativas, utilizando os materiais desenvolvidos, logo as tecnologias foram distribuídas, tanto de forma impressa quanto digital, buscando ampliar o acesso a informações sobre dignidade menstrual, especialmente às comunidades que enfrentam barreiras de infraestrutura e de conectividade (Figura 4).
Registros de aplicações dos materiais desenvolvidos e de distribuição de informações, via QR Code
A figura apresenta imagens do processo de aplicação das tecnologias educativas, com destaque para a utilização de QR Codes como estratégia inovadora e sustentável. O uso destes links permitiu desenvolver a ação em contextos de grande movimentação, como filas, oportunizando que o público-alvo fosse sensibilizado a acessar os conteúdos digitais complementares em seus dispositivos móveis, em um momento de espera.
Além disso, o QR Code funcionou como uma ponte entre o material impresso e o digital, promovendo uma experiência educativa interativa. Esse recurso também reforçou a autonomia das usuárias, que puderam explorar os conteúdos no seu próprio ritmo e de acordo com suas necessidades específicas, tornando o processo de aprendizado mais personalizado.
Alguns desafios enfrentados no processo educativo emergiram nas diferentes etapas do processo educativo, principalmente os relacionados a aspectos culturais, logísticos e de adaptação metodológica. Conforme o trabalho avançava para a fase de diálogo, notou-se uma crescente apropriação do discurso sobre direitos e uma postura mais crítica, frente aos estigmas sociais, relacionados à menstruação. Essa transformação ficou evidente nas propostas criativas para as tecnologias educativas, que progressivamente incorporaram linguagens mais inclusivas e abordagens centradas nas necessidades dos diferentes públicos-alvo, como observado na Figura 4.
Discussão
A menstruação, que deveria ser encarada como um processo biológico natural, é envolta por marcas, que perpetuam preconceitos e que afetam negativamente a saúde, a educação e o bem-estar das pessoas que menstruam. Esses tabus, reforçados por construções sociais e culturais, rotulam a menstruação como algo impuro ou vergonhoso, resultando em exclusões social e educacional, especialmente para grupos vulnerabilizados (Colombo, 2023; Willig; Schmidt, 2024).
A análise dos processos educativos de promoção de dignidade menstrual revela como este fenômeno é atravessado por múltiplos determinantes sociais de saúde. As tecnologias educativas desenvolvidas no projeto de extensão buscaram informar sobre saúde menstrual e potencialmente interferir na complexa rede de determinações sociais, que configuram os acessos desiguais a informações, a recursos e a cuidados. O desenvolvimento de materiais, que articulam conhecimentos técnico-científicos à realidade local, demonstra como as ações educativas podem contribuir para reduzir iniquidades em saúde, atuando em condições que limitam o exercício pleno da cidadania, pelas pessoas que menstruam (Patriota et al., 2023; Viana, 2024).
Esse público inclui pessoas em situações de rua e de privação de liberdade e alocadas em abrigos e em áreas rurais e periféricas. A pobreza menstrual, um fenômeno multidimensional, reflete-se na falta de acesso a produtos de higiene, a banheiros seguros, a saneamento básico e a coleta de lixo, além das ausências de serviços médicos e de informações sobre saúde menstrual, bem como produz tabus e preconceitos, que segregam as mulheres e os indivíduos que menstruam (Martins et al., 2024). De modo geral, essas carências comprometem a dignidade menstrual e afetam as saúdes física e psicológica destas pessoas (Colombo, 2023).
A dignidade menstrual vai além da acessibilidade a absorventes e a produtos de higiene; ela envolve condições adequadas de saneamento, acesso a informações sobre o ciclo menstrual e inclusão em políticas públicas, que permitam uma vida plena na sociedade. A pobreza menstrual tem recebido atenção global, devido às ausências de infraestrutura e de itens essenciais à saúde e à dignidade humana (Patriota et al., 2023).
A situação é especialmente preocupante entre as pessoas com privação de liberdade. Há registros sobre uma sobrecarga no uso de instalações sanitárias, como evidenciado em prisões em que até 40 mulheres compartilham um banheiro e um chuveiro únicos, além de celas inadequadas, que favorecem o crescimento de fungos e a ocorrência de outras complicações de saúde. Em comunidades LGBTQIA+, o período menstrual pode representar um desafio particular, especialmente para pessoas não binárias ou trans, devido à rigidez social em torno da identidade de gênero, destacando a importância de abordagens inclusiva e sensível, que respeitem cada experiência individual (Bussinguer et al., 2022; Mann; Byrne, 2023).
Nesse sentido, os desafios enfrentados no desenvolvimento das tecnologias educativas evidenciam a dimensão ético-política do cuidado em saúde menstrual. A dignidade menstrual, mais do que um conceito técnico, representa um posicionamento político, que reconhece o direito ao corpo saudável. As escolhas metodológicas e pedagógicas que caracterizaram o projeto não foram neutras e refletem compromissos com a emancipação dos sujeitos e com a transformação das relações de poder, que perpetuam estigmas e exclusões (Bussinguer et al., 2022; Colombo, 2023). Ao promover diálogos sobre temas historicamente silenciados, o projeto confrontou regimes de verdade estabelecidos e colaborou para a construção de novas narrativas sobre os corpos que menstruam.
Além disso, possibilitou-se a discussão sobre a implementação de programas, como o já mencionado Programa de Proteção e Promoção da Dignidade Menstrual, estabelecido no Brasil pela Lei n.º 14.214/2021, que representa um passo importante para enfrentar a pobreza menstrual (Mann; Byrne, 2023). Contudo, a dignidade menstrual envolve mais do que acesso a produtos de higiene: exige infraestrutura, serviços médicos, medicamentos e informações adequadas (Patriota et al., 2023). Willig e Schmidt (2024) reforçam que os estigmas culturais e a ausência de diálogo aberto a respeito da menstruação perpetuam a exclusão social, especialmente em ambientes educacionais.
Exemplos globais ilustram diferentes avanços. A Escócia, por exemplo, foi pioneira em fornecer gratuitamente produtos menstruais em escolas e em locais públicos (The Scottish Parliament, 2021). Na Índia, após reações negativas ao aumento de impostos sobre absorventes, o governo retirou a taxação, para melhorar o acesso das jovens estudantes (Singh et al., 2022). Na África, o Quênia e a África do Sul eliminaram impostos sobre absorventes em 2004 e em 2018, respectivamente (Botes, 2021). No Brasil, a oferta de kits de higiene a estudantes em situações de vulnerabilidades socioeconômicas busca evitar que a menstruação seja um empecilho à educação e à saúde (Pimentel, 2022).
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde implementar medidas, que reduzam a desigualdade menstrual, precariedade que atinge diretamente a dignidade humana, influenciando a saúde e a higiene e, também, a educação e o trabalho. Assim, é fundamental que as ofertas de absorventes e de outros produtos alcancem grupos vulneráveis, incluindo mulheres em privação de liberdade, pessoas em situação de moradia de rua e indivíduos trans e não binários (Cândido; Saliba, 2022).
Por outro lado, os processos educativos analisados dialogam intimamente com os princípios da educação popular em saúde, subárea fundamental da saúde coletiva. A construção coletiva do conhecimento e a problematização da realidade emergiram como elementos estruturantes das tecnologias educativas desenvolvidas, abordagem que possibilitou superar a lógica depositária de informações, avançando para uma pedagogia dialógica, em que os sujeitos participam ativamente da construção do conhecimento (Santana et al., 2021). O uso combinado de recursos impressos e digitais potencializou esta dimensão emancipatória, igualmente, criando espaços para experiências inovadoras no processo educativo.
Outrossim, a experiência de construção das tecnologias educativas evidenciou o caráter necessariamente interdisciplinar das ações de promoção de dignidade menstrual. A articulação entre os saberes da Enfermagem, da Educação, da Comunicação e das Ciências Sociais se mostrou fundamental para abordar a complexidade do tema, superando a fragmentação disciplinar, que frequentemente caracteriza as intervenções em saúde. Esse diálogo pode ser observado no desenvolvimento dos materiais educativos que caracterizaram esta pesquisa, os quais contemplaram múltiplas dimensões: biológica; social; cultural; e política (Galiza et al., 2023; Lima-Dantas et al., 2022). Tal perspectiva contrasta com abordagens reducionistas, que limitam a menstruação aos seus aspectos fisiológicos, desconsiderando seus determinantes sociais e suas implicações para a saúde pública.
Além disso, é necessário discutir o quanto isto pode impactar a formação de profissionais na área da saúde, objetivando colaborar na lida com a menstruação sem tabus e divulgar informações sobre saúde menstrual, para alcançar a redução de estigmas (Favoreto et al., 2023; Viana, 2024). Notou-se que, por meio de projetos, principalmente o de extensão, é possível transcender a simples relação instrucional entre mediador e aprendiz, configurando um espaço de transformação mútua, que fomenta reflexões críticas sobre as marcas e sobre os preconceitos associados à menstruação (Colombo, 2023; Ibáñez, 2020; Santana et al., 2021; Ximenes et al., 2022; Willig; Schmidt, 2024), abordagem que descontrói narrativas normativas, permitindo que os aprendizes identifiquem e questionem preconceitos naturalizados e desigualdades sociais, que perpetuam a pobreza menstrual (Patriota et al., 2023).
Contudo, é fundamental reconhecer que a diversidade cultural do contexto amazônico, em que o projeto foi desenvolvido, demanda atenção especial, quanto às diferentes epistemologias sobre menstruação presentes no território. Estudos revelam que povos indígenas da região possuem cosmologias específicas, relacionadas ao ciclo menstrual, como evidenciado entre os Araweté, para os quais a menstruação se articula a concepções sobre lua e sobre fertilidade (Caux, 2018), e entre os Karipuna, que estabelecem conexões simbólicas complexas entre o sangue feminino e os ciclos naturais (Soares, 2023). Esses saberes localizados (Haraway, 2009) evidenciam que o conhecimento sobre menstruação não é universal, mas culturalmente situado, questionando esquemas educativos, que partem exclusivamente de referenciais biomédicos hegemônicos.
As tecnologias educativas desenvolvidas no projeto de extensão também revelaram tensões, em relação às políticas públicas de promoção de dignidade menstrual no Brasil: se, por um lado, contribuem para ampliar o alcance destas ações, por outro evidenciam suas insuficiências e a persistência de vazios assistenciais, referentes a garantias de direitos fundamentais (Favoreto et al., 2023; Mann; Byrne, 2023). Nesse contexto, cabe questionar: até que ponto iniciativas universitárias localizadas conseguem suprir lacunas deixadas pelo poder público? Em que medida a necessidade destas ações reflete o desmonte das políticas sociais e a fragilização do Sistema Único de Saúde? Essas questões podem apontar os limites e para as possibilidades da extensão universitária, enquanto estratégia de enfrentamento a iniquidades em saúde.
É fundamental assinalar, no entanto, que a sustentabilidade das tecnologias educativas desenvolvidas constitui desafios político e epistemológico simultâneos. Para além de questões operacionais, como recursos financeiros e infraestruturas, a continuidade destas ações demanda transformações nas relações de poder, que estruturam instituições de ensino e serviços de saúde. A análise do processo educativo revelou potencialidades e fragilidades na institucionalização destas práticas, evidenciando a necessidade de articulações intersetoriais e comunitárias, que transcendam os limites temporais dos projetos de extensão (Castro; Mang, 2024; Prado, 2024).
Por outro lado, a vinculação do projeto analisado ao edital de inclusão digital, embora aparentemente incongruente, reflete a realidade estrutural do financiamento à pesquisa no Brasil, ao passo que a escassez de editais específicos para educação menstrual revela estratégias adaptativas para viabilizar tais projetos. Essa situação, longe de constituir uma inadequação metodológica, evidencia a criatividade institucional necessária para abordar temas emergentes, em contextos de recursos limitados e de prioridades institucionais ainda não consolidadas (Castro; Mang, 2024; Prado, 2024).
A articulação entre inclusão digital e dignidade menstrual, demonstrada pelos produtos desenvolvidos, sugere que esta hibridização temática pode gerar inovações metodológicas relevantes, contudo a recorrência desta necessidade de adaptação em editais não específicos demonstra uma lacuna importante nas políticas de fomento à pesquisa, referente à ausência de linhas dedicadas especificamente à educação menstrual, reconhecendo-a como área prioritária de investimento público (Ferreira et al., 2023; Viana et al., 2024).
A construção de redes colaborativas entre universidades, serviços de saúde e movimentos sociais emerge como estratégia fundamental, para garantir que as tecnologias educativas não se limitem a intervenções pontuais, mas contribuam para mudanças estruturais em políticas de saúde menstrual. Por sua vez, os aprendizes, posicionados como sujeitos ativos do processo, precisam ser apresentados a práticas de ação como agentes transformadores em seus contextos, ampliando o impacto das tecnologias educativas criadas por eles para além dos limites do projeto.
Nesse sentido, a integração entre as fases de pesquisa, a construção e a aplicação das tecnologias educativas se revelaram essencial para dar coerência ao projeto, mas também expôs desafios inerentes à transposição das etapas, como o alcance dos objetivos elencados, a partir dos verbos atribuídos: executar; dialogar; construir; e aplicar (Ibáñez, 2020).
A pesquisa desempenha papel central na legitimação científica das tecnologias educativas desenvolvidas, fornecendo uma base sólida de evidências para sustentar as intervenções (Lima-Dantas et al., 2022). Esse rigor metodológico permitiu que as tecnologias criadas, como folhetos e QR Codes, fossem mais do que ferramentas informativas, atuando como instrumentos validados na promoção da dignidade menstrual. A legitimidade científica não apenas assegura a confiabilidade dos produtos, mas também fortalece sua aceitação em contextos educacionais, abrindo espaço para sua integração a políticas públicas e a outras iniciativas em saúde (Lima-Dantas et al., 2022; Santana et al., 2021).
Embora o desenho do processo em fases possibilite diferentes aprendizados, é necessário apresentar a importância de cada fase. Isso é fundamental para que o aprendiz compreenda a importância de executar a pesquisa, buscando a identificação de evidências, de modo que o diálogo tome direcionamento, a partir dos conceitos sobre dignidade menstrual, e possibilite a construção de produtos técnicos e tecnológicos (Cândido; Saliba, 2022; Castro; Mang, 2024; Galiza et al., 2023).
Além disso, o fator-chave “forma” favorece a que subtemas, como mitos, tabus, técnicas, tipos e cuidados com a menstruação, sejam explorados, por meio de artigos científicos e de diferentes documentos de órgãos oficiais da área de saúde. A tradução destes subtemas sobre menstruação em produtos educativos deve ser um processo dialógico, que convide o público-alvo a questionar e a ressignificar suas percepções sobre o assunto (Viana, 2024). Folhetos e banners, por exemplo, têm o potencial de provocar reflexões, pois ilustrações interativas ou narrativas visuais podem conectar seus conteúdos aos desafios cotidianos vividos por pessoas em situações de vulnerabilidade.
Portanto, os diferentes recursos didáticos e as suas tipologias, sejam as tradicionais, sejam as inovadoras, oportunizam diferentes modos de informar e de comunicar ao aprendiz (Rocha, 2020), logo a leitura é uma fase imprescindível para identificar os desafios, as limitações e as potencialidades do tema, para discutir questões sociais e de saúde. Ao implementar uma combinação entre diferentes recursos e tipologias - impressos e digitais, por exemplo -, aumenta-se o alcance das informações, o que permite uma experiência mais interativa e mais autônoma a todos os envolvidos (Galiza et al., 2023).
Além disso, a linguagem e o design dos materiais educativos foram pensados para tornar o conteúdo acolhedor e acessível. Para isto, foram usadas ilustrações simples e uma linguagem clara, contribuindo para a constituição de uma sociedade mais informada (Castro; Mang, 2024; Prado, 2024).
Embora tais instrumentos favoreçam o debate crítico sobre as desigualdades estruturais que perpetuam a precariedade menstrual, é necessário que as universidades atuem como agentes de transformação social, ao articular saberes interdisciplinares e ao incorporar vozes das comunidades ao desenvolvimento de tecnologias educativas (Bussinguer et al., 2022; Ferreira et al., 2023; Patriota et al., 2023; Singh et al., 2024; Viana, 2024). Nesse sentido, a sustentabilidade destas ações e soluções inovadoras permanece um desafio, pois tecnologias, como folhetos, QR Codes e banners, têm o mérito de facilitar o acesso à informação, mas sua replicação e sua escalabilidade dependem de fatores, como recursos financeiros e infraestruturas.
A integração dessas tecnologias a políticas públicas de saúde e de educação poderia ampliar seu alcance, criando redes permanentes de disseminação e de uso. No entanto a ausência de indicadores claros, que mensurem seus custos-benefícios e seus impactos sociais, dificulta a construção de argumentos sólidos, que promovam seu engajamento institucional. Assim, a continuidade dessas iniciativas exige um planejamento, que vá além do ciclo do projeto, contemplando as construções de mecanismos de governança e de colaborações intersetoriais, que assegurem a sustentabilidade e que ampliem o impacto social das tecnologias desenvolvidas.
Considerações finais
A análise dos processos educativos envolvidos na construção de tecnologias de promoção da dignidade menstrual revela resultados técnico-pedagógicos, mas expõem as contradições sociais, que caracterizam este campo. As tecnologias educativas desenvolvidas no projeto de extensão universitária, ao combinarem abordagens híbridas, como materiais impressos e recursos digitais, demonstraram potencial para interferir nas relações de poder, que perpetuam os estigmas menstruais, especialmente em populações marginalizadas, contudo é fundamental reconhecer que estas intervenções, embora relevantes, esbarram nos limites estruturais impostos pelas desigualdades sociais, profundamente enraizadas no tecido social brasileiro.
Os desafios enfrentados no desenvolvimento do projeto transcendem questões meramente operacionais, refletindo resistências culturais e institucionais à desnaturalização da opressão de gênero e à garantia de direitos fundamentais. A persistência dos tabus relacionados à menstruação, mesmo em ambientes educacionais, evidencia como os corpos femininos e diversos continuam sendo territórios de disputa política, em que se materializam relações desiguais de poder. Nesse cenário, as tecnologias educativas desenvolvidas foram usadas como instrumentos informativos e como dispositivos de resistência e de afirmação da chamada cidadania sanitária.
Ademais, a experiência analisada expõe as tensões constitutivas entre iniciativas localizadas de extensão universitária e a necessidade de políticas públicas estruturantes. Se as tecnologias educativas contribuíram para ampliar o acesso à informação sobre saúde menstrual, também evidenciaram a insuficiência das políticas existentes e a fragilidade de sua implementação nos territórios mais vulneráveis.
A construção interdisciplinar das tecnologias educativas se mostrou fundamental para superar as abordagens fragmentadas e biologizantes da menstruação, permitindo compreendê-la como fenômeno atravessado por determinantes sociais, culturais, econômicos e políticos. Essa perspectiva ampliada, característica do campo da saúde coletiva, foi essencial ao desenvolvimento de materiais, que dialogassem com as realidades locais e que respeitassem a diversidade de experiências dos corpos que menstruam.
Os resultados descrevem a necessidade urgente de articulação intersetorial entre Educação, Saúde e Assistência Social na promoção da dignidade menstrual. As tecnologias educativas podem atuar como mediadoras deste diálogo, desde que ancoradas em perspectivas críticas, que reconheçam as assimetrias de poder e que promovam a participação social efetiva, especialmente dos grupos vulnerabilizados. O projeto demonstrou que a participação ativa dos extensionistas no processo educativo foi fundamental à construção de conhecimentos significativos e contextualmente relevantes, contrapondo-se às lógicas verticalizadas e tecnicistas, ainda predominantes nas ações de educação em saúde.
O presente estudo se limitou a analisar o desenvolvimento de um plano de trabalho de um projeto, podendo não expressar diferentes tomadas de decisão em processos de desenvolvimento de tecnologias, razão pela qual se recomenda a execução de pesquisas sobre intervenções em questões de dignidade menstrual, bem como sobre participação e fortalecimento de movimentos sociais por direitos ao corpo e à saúde, considerando o compromisso de instituições de ensino superior com a transformação das estruturas, que reproduzem desigualdades em saúde, e com o desenvolvimento de tecnologias educativas, que possibilitem formações profissionais mais cidadãs.1
Nota
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1
N. J. C. Castro: concepção e planejamento do estudo, coleta, análise e interpretação dos dados, revisão e aprovação da versão final do manuscrito. R. M. Almeida, R. C. S. Furtado, A. F. C. Batista, L. V. V. Viana: coleta, análise e interpretação dos dados, revisão e aprovação da versão final do manuscrito. P. C. Castro: análise e interpretação dos dados, revisão e aprovação da versão final do manuscrito.
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Todos os dados da pesquisa estão disponíveis neste texto.
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Pareceristas:
Clarissa Reche e Naedja Cristiane Vieira Costa
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Editora responsável:
Isabel Rose
Todos os dados da pesquisa estão disponíveis neste texto.





Fonte: as autoras (2025).
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