Open-access ENVELHECIMENTO E SAÚDE EM AMBIENTES RURAIS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

ENVEJECIMIENTO Y SALUD EN AMBIENTES RURALES: UNA REVISIÓN SISTEMÁTICA DE LA LITERATURA

RESUMO

No cenário mundial, a estimativa é de que o Brasil seja o sexto país do mundo em número de pessoas idosas até 2025. O artigo aqui proposto é uma revisão sistemática de literatura, dos principais aspectos apontados sobre a saúde da população idosa, que vive no meio rural, em pesquisas realizadas no Brasil nos últimos cinco anos. Foram pesquisados, nos meses de março a junho de 2020, artigos indexados nas bases de dados da PePSIC, BVS-Psi e SciELO. Foram encontrados 24 artigos e, após o processo de exclusão, obtiveram-se 14 artigos para essa revisão sistemática. Todos os artigos selecionados foram publicados em revistas nacionais. Destes, quatro se encontram em revistas da área da enfermagem; um na área da educação física; três em periódicos com ênfase em saúde coletiva; dois em revista de epidemiologia; três em revistas de gerontologia e, um em periódico relacionado à educação profissional em saúde. A partir das pesquisas analisadas pode-se compreender quais são as especificidades relacionadas à saúde da população idosa residente no meio rural: foram apontadas as condições ambientais, as dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desigualdades de raça e gênero existentes no nosso país, como os principais aspectos que interferem na qualidade de vida. Os estudos acerca da saúde da população idosa rural se centram majoritariamente na autopercepção das condições de saúde e da qualidade de vida.

Palavras-chave
Envelhecimento; saúde; meio rural

ABSTRACT

In the world scenario, the estimate is that Brazil will be the sixth country in the world in number of elderly people by 2025. The article proposed here is a systematic review of the literature, of the main aspects pointed out about the health of the elderly population, who live in the rural areas, in surveys carried out in Brazil in the last five years. In the months of march to june 2020, articles indexed in the databases of PePSIC, BVS-Psi and SciELO were searched. 24 articles were found and, after the exclusion process, 14 articles were obtained for this systematic review. All selected articles were published in national magazines. Of these, four are in nursing magazines; one in the area of physical education; three in journals with an emphasis on public health; two in an epidemiology journal; three in gerontology journals and one in a journal related to professional health education. Based on the analyzed studies, it is possible to understand the specificities related to the health of the elderly population living in rural areas: environmental conditions, difficulties in accessing health services, race and gender inequalities in our country, such as the main aspects that interfere in the quality of life. Studies on the health of the rural elderly population mainly focus on self-perception of health conditions and quality of life.

Keywords
Aging; health; rural context

RESUMEN

En el escenario mundial, la estimación es que Brasil será el sexto país del mundo en número de ancianos para el año 2025. El artículo aquí propuesto es una revisión sistemática de la literatura, de los principales aspectos señalados sobre la salud de la población anciana, que vive en zonas rurales, en encuestas realizadas en Brasil en los últimos cinco años. En los meses de marzo a junio de 2020 se realizaron búsquedas de artículos indexados en las bases de datos de PePSIC, BVS-Psi y SciELO. Se encontraron 24 artículos y, tras el proceso de exclusión, se obtuvieron 14 artículos para esta revisión sistemática. Todos los artículos seleccionados fueron publicados en revistas nacionales. De estos, cuatro están en revistas de enfermería; uno en el área de educación física; tres en revistas especializadas en salud pública; dos en una revista de epidemiología; tres en revistas de gerontología y uno en una revista relacionada con la educación sanitaria profesional. A partir de los estudios analizados, es posible comprender las especificidades relacionadas con la salud de la población anciana residente en áreas rurales: condiciones ambientales, dificultades para acceder a los servicios de salud, desigualdades raciales y de género en nuestro país, como los principales aspectos que interfieren en la calidad de vida. Los estudios sobre la salud de la población rural anciana se centran principalmente en la autopercepción de las condiciones de salud y calidad de vida.

Palabras clave
Envejecimiento; salud; medio rural

Introdução

Da segunda metade do século XX até o ano de 2025, estima-se que o número de pessoas idosas em todo o mundo apresentará um crescimento de 223% (Organização Mundial da Saúde, 2005). Diante disto, o envelhecimento populacional é apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos maiores triunfos da humanidade e, também, como um dos seus maiores desafios pela necessidade de serem pensados programas, ações e políticas públicas relacionadas às demandas sociais e econômicas decorrentes deste fenômeno global.

Atualmente, existem programas e políticas preocupados com a saúde do idoso associada a uma visão integral de sujeito, que prioriza o entendimento de que saúde significa bem-estar físico, psíquico e social. Tais políticas e programas estão fundamentados na noção de envelhecimento ativo, que objetiva “[...] aumentar a expectativa de uma vida saudável e a qualidade de vida para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados” (Organização Mundial da Saúde, 2005, p. 13).

Deste modo a importância do crescimento deste grupo populacional destaca o interesse, segundo autores como Rosset, Pedrazzi, Roriz-Cruz, Morais e Rodrigues (2011), para as peculiaridades do processo saúde-doença e para a importância da prevenção em todos os níveis de atenção em saúde. Não apenas pensando em diminuir os custos finais para o sistema de saúde, mas principalmente pela importância social do fenômeno da longevidade, pelas peculiaridades deste grupo etário. Assim, os autores reforçam que mais estudos sejam realizados para estudar as particularidades psicológicas, culturais, socioeconômicas e epidemiológicas da população que envelhece.

No contexto brasileiro, são infindáveis as realidades a serem compreendidas, em razão da heterogeneidade do território nacional. Desta maneira, destaca-se a necessidade de compreensão das demandas de cada contexto, para que, assim, possam ser pensadas estratégias que visem a qualidade de vida, a promoção de saúde e a autonomia de pessoas idosas nas diferentes culturas e nos diferentes territórios, em vista de um envelhecimento ativo. Fundamentando-se neste entendimento, o presente trabalho se dedicou à investigação, por meio de uma revisão sistemática da literatura, dos principais aspectos apontados sobre a saúde da população idosa que vive no meio rural, em pesquisas realizadas no Brasil nos últimos cinco anos. Embora o acesso a informações relacionadas às medidas preventivas e de bem-estar individual, bem como o aumento do nível de instrução têm propiciado a uma parcela da população as possibilidades da longevidade e de uma vida mais saudável, grande parte da população mundial ainda se encontra privada destas (Areosa & Freitas, 2020).

Atualmente, alguns estudos destacam as questões de saúde e bem-estar no processo de envelhecimento em diferentes populações, tais como da população indígena (Gallardo-Peralta & Sanchez-Moreno, 2019), da população LGBT+ (Paulo & Esgalhado, 2020), da população negra (Oliveira, Silva, Silva, & Thomaz, 2014), da população residente em contexto urbano (Almeida, Nunes, Duro, Lima, & Facchini, 2020) e em contexto rural (Areosa & Freitas, 2020), entre outras.

O contexto social e cultural, aliado aos aspectos cronológicos, biológicos e psicológicos, constituem os fatores envolvidos no envelhecimento humano, que é um processo heterogêneo (Schneider & Irigaray, 2008). Portanto, para que se pense em um envelhecimento ativo, definido pela Organização Mundial da Saúde (2005) como um processo que visa a melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas por meio da otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, os diferentes aspectos devem ser contemplados nos estudos, programas e políticas relacionados a esta população.

Os estudos relacionados à saúde da pessoa idosa residente em meio rural ainda se mostram escassos, isto é, pode-se afirmar que esta é uma temática pouco e apenas recentemente explorada, visto que os estudos realizados são majoritariamente focados na população idosa que habita o espaço urbano (Konzen & Freitas, 2019).

Método

As diretrizes metodológicas para a elaboração de revisões sistemáticas fornecidas pelo Ministério da Saúde recomendam a estruturação da questão da pesquisa no formato do acrônimo PICO, no qual cada letra diz respeito aos seguintes componentes, respectivamente: População (P), Intervenção (I), Controle (C) e os desfechos (O) (Brasil, 2012). Na presente revisão sistemática, pretendeu-se pesquisar a população idosa (P) questões relativas à saúde (I), com o objetivo de verificar os seus desdobramentos no contexto rural em questão (O). Cabe ressaltar que o componente Controle (C) não foi utilizado nesta revisão, uma vez que não se enquadra no perfil dos artigos selecionados, pois dentre os critérios da pesquisa não se encontrou estudos experimentais com grupos de controle. Por meio de um estudo de abordagem qualitativa, realizado a partir de levantamento bibliográfico, foram pesquisados, nos meses de março a junho de 2020, artigos indexados nas bases de dados da PePSIC, BVS-Psi e SciELO. Realizou-se um cruzamento das palavras-chave ‘Envelhecimento’ AND ‘Saúde’ AND ‘Meio rural’ e foi feita a busca nas bases de dados mencionadas, com restrição referente aos anos de publicação dos artigos, sendo incluídos somente os publicados entre os anos de 2015 e 2020. Os critérios de inclusão foram: A) abordar o envelhecimento no meio rural como temática central; B) artigos que abordam, ainda que de forma não central, a temática da saúde da população idosa. Os critérios de exclusão dividiram-se em A, B e C, sendo eles: A) artigo não publicado entre os anos de 2015 e 2020; B) artigos que não contemplem a temática do envelhecimento como central e C) estudo que tenha sido realizado fora do território brasileiro. A partir disso, foi efetuado o processo de triagem do material encontrado nas bases de dados, que consistiu em uma leitura dos resumos dos artigos, com o objetivo de verificar a adequação destes aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos previamente. Após esse processo, foram removidos os artigos duplicados e, então, foi obtido o banco de dados em sua versão final, a partir do qual foi realizada a extração dos dados. As informações extraídas dos artigos selecionados foram as seguintes: 1) ano de publicação; 2) periódico de publicação do artigo; 3) país de publicação; 4) método; 5) participantes; 6) principais achados e 7) desfecho. Tais dados foram divididos em duas tabelas, a partir das quais se efetuou a síntese explicativa dos estudos. A seleção dos artigos analisados foi realizada segundo os passos explicitados na Figura 1.

Figura 1
Seleção de artigos analisados na revisão sistemática

Resultados

A partir dos critérios selecionados para a busca de artigos sobre a temática, no total, foram encontrados 24 artigos com as palavras-chave ‘Envelhecimento’ AND ‘Saúde’ AND ‘Meio rural’ como descritores nas bases de dados SciELO, PePSIC e BVS-Psi, entre os anos de 2015 a 2020. Após a remoção dos artigos duplicados, obtiveram-se 18 artigos para serem avaliados conforme os critérios de inclusão e exclusão. Na etapa de exclusão de acordo com os critérios pré-estabelecidos, um deles foi retirado no critério A, pois não havia sido publicado dentro dos anos selecionados para a revisão sistemática, embora ainda conste na base de dados como pertencente ao ano de 2019, dois foram removidos por não tratar do envelhecimento como temática central (critério B) e um foi descartado por não ser um estudo realizado em território brasileiro (critério C), totalizando quatro artigos removidos pelo critério de exclusão. Após o processo de exclusão, obtiveram-se 14 artigos que fizeram parte desta revisão sistemática.

Os artigos selecionados concentraram-se no período de 2015 a 2020, sendo que dois deles foram publicados no ano de 2019, seis no ano de 2018, um no ano de 2016 e cinco no ano de 2015. Todos os artigos selecionados foram publicados em revistas nacionais. Destes, quatro se encontram em revistas da área da enfermagem; um em revista da área da educação física; três em periódicos com ênfase na saúde coletiva; dois em revista de epidemiologia; três em revistas especializadas no âmbito da gerontologia e, por último, um em revista com temas relacionados à educação profissional em saúde.

As metodologias utilizadas nos artigos são variadas, sendo dez delas quantitativas, três qualitativas e uma mista. Dentre os estudos qualitativos, dois deles utilizam-se de metodologias inspiradas na etnografia e um deles baseou-se no itinerário de pesquisa de Paulo Freire. Das pesquisas quantitativas, duas são estudos de coorte, sete são de natureza transversal e uma agrupa um estudo transversal a um estudo de coorte. Por fim, o artigo que faz uso de uma metodologia mista agrupa técnicas quantitativas e qualitativas com a finalidade de descrever e analisar interseccionalmente as categorias selecionadas.

Em relação aos participantes dos artigos selecionados, 13 estudos se restringem à população idosa (60 anos ou mais) e um possui foco em estudar homens que vivenciaram adoecimento cardiovascular crônico, sem marcador de idade. Dos 14 artigos selecionados, dez se centram exclusivamente na população rural; um apresenta uma amostra mista (população urbana e rural); um corresponde à área urbana do município de Canindé – CE, Brasil e dois utilizam os dados do Estudo SABE, realizado com a população do município de São Paulo – SP, Brasil. Mais detalhes acerca da população se encontram na Tabela 1.

Tabela 1
Extração de dados: ano, periódico, país, metodologia e participantes

Diferentes achados puderam ser observados a partir da presente revisão sistemática sobre a saúde da população idosa que vive no meio rural, em pesquisas realizadas no Brasil e publicadas nos últimos cinco anos.

Discussão dos resultados

Um dos atravessamentos que aparecem de forma significativa entre os estudos analisados é a relação de gênero e como esta interfere como homens e mulheres tratam de forma diferente a sua saúde e os cuidados que têm com ela. Cabe destacar que a categoria social gênero foi construída criticamente para tratar dos papéis sexuais, “[...] uma categoria de relação prescritiva composta por múltiplos elementos com diversos significados, ainda que todos tenham em comum o fato de se referirem à especificidade de rasgos e características psicossociais vinculados à dicotomia/binariedade sexual” (Caravaca-Morera & Padilha, 2017, p. 1306).

Assim dentre os achados de Burille, Gerhardt, Lopes e Dantas (2018), construídos por meio do estudo realizado com 12 homens residentes em meio rural que se autorreferiram problemas cardiovasculares, os autores destacam três categorias de subjetividades masculinas predominantes: 1) não pensar e nem conversar sobre a doença; 2) vergonha de depender de alguém; 3) quando se é velho, não é a mesma coisa.

Os autores observaram nas falas dos homens rurais que estes, ao envelhecerem, consideram o fato de passarem mais tempo no espaço doméstico e apresentarem menor capacidade de reprodução material como situações de aprisionamento, acompanhadas de um forte desconforto, principalmente por estarem ocupando um lugar que consideram ser da mulher. Ainda, observaram que, no meio rural, o afastamento do mundo do trabalho, seja por doença ou por aposentadoria, comumente traz repercussões negativas aos homens, pois o trabalho muitas vezes é considerado uma fonte de renovação, prestígio e reconhecimento. Por fim, o estudo conclui que as prescrições relacionadas à masculinidade “[...] podem acarretar prejuízos à saúde física, mental e social dos homens, em especial no envelhecimento, quando as fronteiras entre o que se deseja e o que se consegue atender se acentuam” (p. 444), e enfatiza a necessidade de um olhar sensível e acurado em relação às ações de promoção à saúde do homem, que leve em consideração as particularidades desta categoria.

Aqui aparece fortemente uma representação social, um estereótipo construído em nossa sociedade do que é papel de homem e de mulher e as falas caracterizam que ao envelhecer e não ter mais a mesma produtividade os homens sentem-se mal, se comparam as mulheres e por vezes adoecem.

Em um estudo acerca das interrelações entre a subjetividade masculina, o envelhecimento, o meio rural e o adoecimento crônico, Burille e Gerhardt (2018) utilizam-se das matrizes de Reconhecimento de Honneth para analisar como se produzem os reconhecimentos no amor, no direito e na estima e solidariedade de dez homens residentes no meio rural, com 60 anos ou mais, em situação de adoecimento crônico. Os autores apontam que o reconhecimento pelo amor mostrou-se estritamente relacionado à questão do cuidado, a qual é vivenciada não somente em sua via positiva, uma vez que, de acordo com os participantes do estudo, marca suas vulnerabilidades e suas limitações em relação à autossuficiência, principalmente para o exercício do trabalho rural. Em relação ao reconhecimento pelo direito, os achados indicam que a aposentadoria e o acesso aos serviços de saúde se mostram centrais. Autores como Oliveira e Aquino (2017) apontam para a importância do fato de a aposentadoria representar a certeza de que todo mês receberão um dinheiro fixo em uma data combinada, fato que antes não ocorria e que gera um alívio no cotidiano dessas pessoas, que sofrem declínios em sua saúde na velhice.

Os autores apontam que a aposentadoria, na visão dos participantes, também expressa uma dupla face: geradora de reconhecimento – através do resgate histórico dos direitos dos trabalhadores rurais e de recuperação das lacunas deixadas pelo estado em relação às medicações para o tratamento de doenças crônicas –, mas, também, produtora de sofrimento, por não ser um ganho proveniente do trabalho e, ainda, ao estender-se às mulheres, acarreta em mudanças relacionais vistas como negativas. As mulheres passam a receber seu próprio dinheiro/aposentadoria rural, o que às vezes remete à primeira vez que possuem uma renda própria, pois na maioria das propriedades agrícolas os homens são os que vendem e gerenciam o dinheiro da família e este fato pode mudar as relações de poder estabelecidas ao longo da convivência.

Acerca do reconhecimento pela estima e pela solidariedade, os autores apontam que o grupo manifesta as identidades de colono, trabalhador e alemão como reforçadoras de um pertencimento a uma comunidade, que aciona uma rede de solidariedade e propicia um sentimento de segurança. Com estes achados, Burille e Gerhardt pretendem contribuir para a produção de reconhecimentos que gerem políticas públicas que atentem às singularidades, muitas vezes esquecidas ou negligenciadas, seja pelo estado ou mesmo, pelo meio acadêmico.

Considerando como problemática inicial do estudo a questão da velhice no campo, Ferreira, Lesson e Melhado (2019) buscam aprofundar o conhecimento acerca da população idosa por meio de uma análise e descrição das condições sociais relativas à raça/etnia, ao gênero, à classe e à escolaridade de uma amostra de 250 mulheres e 250 homens, 50% da amostra se autodenominaram como ‘brancas(os)’ e ‘pretas(os)’, todos com 60 anos ou mais, residentes no meio rural e usuários do Sistema Único de Saúde. Acerca das informações gerais, os autores apresentam os seguintes dados: renda predominante de um salário mínimo; 59,4% declararam-se analfabetos, 23,8% com ensino fundamental incompleto, 15% com ensino fundamental completo e 1,8% com segundo grau completo. Os autores apresentam resultados que indicam que em relação às mulheres e aos homens, autodeclarados brancos ou pretos, da mesma faixa etária, as mulheres autodeclaradas pretas encontram-se em uma posição de maior vulnerabilidade no que diz respeito à escolaridade e renda, o que demonstra as desigualdades de gênero e raça/etnia existentes no Brasil.

Destacam, também, o fato de que as mulheres, principalmente as autodeclaradas pretas, por apresentarem menor proporção de renda relativa à aposentadoria em relação aos homens, recorrem muito mais do que os homens ao trabalho informal na velhice, com a finalidade de preencher as lacunas deixadas pela seguridade social. Com os resultados expostos no presente estudo, os autores pretendem contrapor a falsa ideia, celebrada a partir da Constituição de 1988 e de suas políticas adjacentes – como a Política Nacional do Idoso e o Estatuto do Idoso –, de uma descontinuidade nas desigualdades geracionais, principalmente em relação à população idosa rural. As desigualdades são muitas, as vulnerabilidades da população idosa também e este artigo mostra uma faceta que já se percebe com mulheres pretas em outras faixas etárias, que novamente é reproduzida na velhice, ou seja, que estas são as mais desassistidas e desamparadas pelas políticas públicas em nosso país.

Por meio de um estudo transversal, utilizando-se de uma amostra de 182 pessoas idosas com idade mínima de 60 anos residentes no meio rural do centro-oeste de Minas Gerais por até 54 anos, Garbaccio, Tonaco, Estêvão e Barcelos (2018) buscam avaliar a qualidade de vida e a saúde desta população. Em relação ao perfil obtido na amostra, os autores apontam que a idade média foi de 69 anos, 50,5% eram do sexo feminino; 70,3% eram casados; 87,9% eram aposentados; 51,6% eram agricultores; 25,8% enquadraram-se na profissão do lar; 54,9% afirmaram não exercer atividades laborais no momento; 54,9% possuíam o ensino fundamental incompleto, com capacidade para ler e escrever; 74,2% possuíam capacidade para ler e escrever; 96,2% afirmaram ter casa própria. Os autores puderam verificar que a população idosa mais jovem, com idade inferior a 69 anos, casados, que residem há menos tempo na zona rural e nasceram em zona urbana apresentaram qualidade de vida satisfatória. Já as pessoas idosas que afirmaram não saber ler e escrever, que recebem ajuda financeira, possuem uma avaliação ruim da memória e estão insatisfeitos com a vida, bem como os que avaliam sua memória como muito boa, que vivem sozinhos, são fumantes e não recebem cuidado quando doentes apresentaram índices de qualidade de vida insatisfatória. Os resultados obtidos neste estudo conduziram os autores à conclusão de que a população idosa residente nas zonas rurais do centro-oeste de Minas Gerais apresenta boa qualidade de vida e saúde, visto que indicam satisfação com a vida e facilidade no acesso aos serviços de saúde. No entanto, apontam que, como em qualquer outra população, há uma parte destas pessoas que necessita de mais atenção. Destaca-se que a compreensão da qualidade de vida da população idosa residente no meio rural é facilitada por meio do conhecimento acerca de como os fatores que influenciam o envelhecimento e a saúde se apresentam no cotidiano desta população.

Utilizando dados obtidos por meio do Estudo SABE (Saúde, Bem-estar e Envelhecimento) realizado entre 2000 e 2006, Gomes, Turra, Fígoli, Duarte e Lebrão (2015) analisam a associação entre as condições socioeconômicas e de saúde na infância e a mortalidade em pessoas idosas. A amostra deste estudo consistiu em 2004 pessoas idosas, sendo 1.355 destes sobreviventes e 649 óbitos. Como resultados do estudo, os autores observaram que o nível de mortalidade foi significativamente maior para pessoas idosas do sexo masculino e para o grupo de idade mais avançada e evidenciam que quanto maior o nível de escolaridade e o status socioeconômico, maior a sobrevivência. O nível de mortalidade mais alto foi verificado para aqueles que autoavaliaram o seu estado nutricional como ruim, para os viúvos, os fumantes, os que não praticavam atividades físicas regularmente e os que faziam uso recorrente de bebida alcoólica. Acerca das regiões habitadas pela população estudada, os autores indicam que o nível de mortalidade foi 26,6% menor para os que viveram pelo menos cinco anos em áreas urbanas até os 15 anos de idade, em relação aos que viveram em áreas rurais. Gomes et al. (2015) concluem que as condições ambientais das crianças e a criação de oportunidades no início da vida adulta contribuem significativamente para maior sobrevivência em idades mais avançadas.

Em uma pesquisa qualitativa, pautada pelo itinerário de pesquisa de Paulo Freire, que consiste na investigação temática, decodificação e desvelamento crítico, Lange et al. (2018) realizaram seis círculos de cultura com uma amostra de 17 pessoas idosas residentes no meio rural de um município do sul do Brasil, com o objetivo de compreender como estes promovem as suas autonomias dentro da perspectiva do envelhecimento ativo. Acerca do perfil dos participantes do estudo, os autores indicam que a média de idade foi de 70 anos; a média de escolaridade em 3,3 anos aprovados na escola; um não possuía o benefício da aposentadoria e nove seguiam trabalhando como agricultores. De acordo com os autores, todos apresentaram alguma doença, sendo que 14 declararam possuir hipertensão arterial e todos realizavam tratamento médico. Os autores destacam duas principais temáticas significativas obtidas através de círculos de cultura realizados para o estudo, sendo elas: dores articulares e participação em grupos. O estudo demonstrou que, para os participantes, as dores articulares se apresentam como empecilho para a autonomia, enquanto a dança sênior se mostra como uma facilitadora da promoção da autonomia. Com os resultados obtidos, os autores concluem que a população idosa em questão considera que a sua emancipação depende necessariamente da sua capacidade física para o desenvolvimento de atividades da vida diária. Essa conclusão está diretamente relacionada ao conceito de envelhecimento ativo proposto pela OMS e trazido na introdução deste artigo quando aponta para a relação estilo de vida e condições de saúde.

Em um estudo transversal com uma amostra de 104 pessoas idosas residentes em meio rural, Mendes, Rocha, Santos, Vasconcelos e Diniz (2015) objetivam analisar quais são os fatores relacionados às queixas subjetivas de memória desta população. O estudo indica que houve maior prevalência de queixa de memória nas pessoas idosas do sexo masculino, com faixa etária de 60 a 79 anos, solteiros, não alfabetizados, com renda de até um salário mínimo, que reportaram cor de pele preta, no entanto, as variáveis não apresentaram associações estatisticamente significantes. Os autores indicam, ainda, que 87,5% das pessoas idosas que reportaram percepção de saúde positiva não apresentam risco de perda subjetiva de memória, e apontam que tal indicativo foi prevalente entre os indivíduos que se autorreferiram estado de saúde regular e negativo, possuidores de hipertensão e com estilo de vida sedentário. Como conclusão do estudo, destacam que há significante prevalência de queixas relacionadas à memória entre as pessoas idosas investigadas, portanto, apontam para a necessidade de maior atenção dos profissionais de saúde na avaliação e prevenção de tal agravo, e, por fim, para que haja maior compreensão de quais são os fatores associados às queixas subjetivas de memória, recomendam a ampliação dos estudos acerca da temática, principalmente relacionada à população idosa residente em meio rural. Porém, mesmo sem terem conseguido mostrar relação significativa entre as variáveis do estudo com a perda de memória, estudiosos da temática alertam que pessoas com maiores dificuldades em sua trajetória de vida, menos oportunidades de uma alimentação e de uma escolarização adequada, possuem mais chances de terem perdas de memória mais precoces.

Com a finalidade de avaliar a prevalência e os fatores que se associam à fragilidade na população idosa que vive no meio rural, Preto, Conceição, Amaral, Figueiredo e Preto (2018) realizaram um estudo transversal com 435 pessoas idosas classificadas de acordo com o fenótipo de fragilidade. Os autores apontam que a amostra do estudo foi majoritariamente feminina (62,3%), com idade média de 74 anos. A condição ‘ser frágil’ prevaleceu em 23,3% das mulheres e 15,9% dos homens. Ainda, os autores destacam que o estado civil e a aposentadoria são fatores sociodemográficos que se associaram com a condição de fragilidade, além disso, observam que os sujeitos frágeis são mais velhos que os pré-frágeis, e estes mais velhos que os não frágeis. Grande parte da amostra apresentava dificuldade de visão, problemas de audição e deglutição, fatores que os autores apontam estarem associados à condição de fragilidade. Dentre os fatores associados à fragilidade verificados no estudo, os autores destacam, também, a presença de internações no último ano, o uso de auxiliares de marcha, uso de maior quantidade de medicamentos, mais comorbidades e pior pontuação média nos instrumentos que avaliam independência funcional para a execução de atividades básicas e instrumentais de vida diária. Eles puderam concluir que as variáveis que mais se associaram à fragilidade foram o score do Índice de Comorbidade de Charlson (ICC), as pontuações na escala Lawton e Brody (ELB), entre a idade e o número de fármacos utilizados diariamente.

Com metodologia fundamentada no estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE) e suas coortes, Santos, Duarte e Lebrão (2019) avaliam as associações entre as condições pregressas e a saúde da pessoa idosa. Os autores investigaram três coortes do estudo SABE, denominadas A, B e C, compostas por integrantes nascidos nos quinquênios de 1935 a 1950. A amostra do referido estudo consiste em 426 pessoas no ano de 2000, 298 pessoas no ano de 2006 e 355 pessoas no ano de 2010. Como resultados significantes desta análise, os autores apresentam os seguintes pontos: 1) a coorte mais recente (C) apresenta melhor avaliação de saúde do que a coorte referência (A); 2) o sexo masculino avalia sua saúde como melhor do que o sexo feminino; 3) indivíduos com 12 anos ou mais de estudo avaliam sua saúde como ‘Boa’ em maior proporção, quando comparados com os sem instrução; 4) pessoas que antes dos 15 anos não passaram pelo menos cinco anos de suas vidas na zona rural avaliam sua saúde como ‘Boa’ em maior proporção. Os autores concluem que a compreensão da influência de causas pregressas na autoavaliação de saúde das pessoas idosas mostra-se significativa para a atenção individual e coletiva ao idoso. Essa conclusão pode ser associada ao conceito de qualidade de vida que é um conceito multidimensional, com uma parte de subjetividade em que cada pessoa avalia a sua qualidade de vida com base nos aspectos que para ela são relevantes, cruciais em sua avaliação. Cabe aqui reforçar que para a Organização Mundial da Saúde (2005, p. 1406), “[...] a percepção subjetiva do indivíduo de sua posição na vida dentro do contexto da cultura e do sistema de valores que vive, deve estar de acordo com seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.

A partir de um estudo transversal, realizado com a amostra de 130 pessoas idosas (65 residentes do meio urbano e 65 do meio rural), atendidas pelo programa saúde da família do município de Benevides, localizado na região Norte do Brasil, Sousa, Gonçalves e Gamba (2018) objetivaram descrever a capacidade funcional desta população. Os autores observaram que os dados comparativos entre as áreas urbana e rural demonstram que na área urbana a maioria era do sexo feminino (55,4%), com média de 73 anos de idade, casados (36,9%) e com escolaridade primária incompleta (44,6%); já na área rural, 60% era do sexo feminino, com média de idade de 67,8 anos, casados (58,5%) e com escolaridade incompleta (73,8%). De acordo com o estudo, a maioria da amostra, em ambas as áreas urbana e rural, sem diferença estatística, demonstrou algum grau de dependência. Os resultados do estudo demonstram que as pessoas idosas da área urbana apresentaram melhor escore, ainda que pouco significativo, para a capacidade funcional preservada. Tal diferença é justificada pelos autores com a suposição de que há melhor acesso aos serviços de saúde em ambiente urbano em relação ao meio rural. Por último, apontam que a avaliação detalhada da capacidade funcional da população idosa é relevante para o controle e a manutenção do envelhecimento ativo e saudável.

A partir de um estudo transversal, realizado com 85 pessoas idosas, residentes na zona rural de um município do nordeste brasileiro, Pedreira, Andrade, Barreto, Pinto e Rocha Jr. (2016) observaram os fatores associados à autopercepção negativa de saúde desta população. A amostra obtida pelos autores apresenta idade média de 73 anos, a maioria (58,82%) do sexo feminino, analfabeta (63,53%), que mora acompanhada (78,82%), de religião católica (67,06%) e autorreferida ‘solteiros/outros’ (56,47%). Os autores observam que a autopercepção de saúde negativa foi referida por 55,29% da população investigada. Ao serem consideradas as condições de saúde e hábitos de vida, os autores verificam que a autopercepção negativa possui associação significativa com as variáveis ‘distúrbio do sono’, ‘pressão alta’, ‘dores na coluna’ e ‘fumante’. Como conclusão, os autores evidenciam a autopercepção de saúde como bom indicador de condições de vida e saúde da pessoa idosa, uma vez que este, por considerar as questões subjetivas no que diz respeito à determinação do estado de saúde, se mostra relevante na identificação das necessidades desta população de forma mais aprofundada, não somente por meio de uma análise de presença/ausência de doenças ou do seu status funcional.

Com o objetivo de observar as relações entre as condições de saúde e qualidade de vida com a prática de atividade física (PAF) no lazer da população idosa rural, Pegorari, Dias, Santos e Tavares (2015) aplicam um inquérito domiciliar transversal, observacional e analítico com amostra de 850 pessoas idosas residentes na área rural do município de Uberaba, no estado de Minas Gerais, que não apresentou declínio cognitivo. Como resultados do estudo, os autores evidenciaram que as pessoas idosas inativas apresentaram maior indicativo de depressão e maior número de morbidades e, ainda, observaram que a prática de atividade física no lazer foi associada aos maiores escores nos domínios físico, psicológico e meio ambiente. Com base nestes achados, os autores concluem que o incentivo da prática de atividade física no lazer é relevante no que diz respeito ao aumento da qualidade de vida e à melhoria das condições de saúde da população idosa rural.

Por meio de um estudo quantitativo, transversal, de base domiciliar, Pereira, Nogueira e Silva (2015) buscam mapear quais são os aspectos que se relacionam à saúde e à qualidade de vida na percepção da população idosa residente do município de Canindé, localizado no Sertão Central do Ceará. A amostra deste estudo, de 372 pessoas idosas, se mostrou majoritariamente do sexo feminino, casada, de cor parda, com faixa etária entre os 60 e 69 anos, ensino fundamental incompleto, aposentada e com renda de até um salário mínimo. Os resultados obtidos no estudo permitiram aos autores a observação de que a maioria da amostra esteve em consultas e internações nos últimos 12 meses. Este fato indicou elevada prevalência de hipertensão, ‘diabetes’, osteoporose, ansiedade e doenças cardiovasculares, mesmo que a maioria tenha apontado a saúde e a qualidade de vida como ‘boas’. Ainda, observaram que os domínios psicológicos e relações sociais se mostram como aspectos positivos da qualidade de vida, enquanto o ambiente se apresenta como o aspecto com menor valor médio. Por conta da influência do ambiente no que diz respeito às boas condições de saúde e de qualidade de vida observada na amostra do estudo, os autores apontam para a relevância da construção de ambientes que promovam a saúde, a qualidade de vida e a longevidade. Por último, apontam para a necessidade de desenvolvimento de ações de promoção à saúde que atentem para a população idosa do Sertão Central do Ceará.

A partir de um estudo transversal aninhado a um estudo de coorte, Teixeira, Martins, Celeste, Hugo e Hilgert (2015) buscam avaliar as associações entre resiliência e qualidade de vida relacionada à saúde bucal em uma amostra aleatória simples de 498 pessoas idosas independentes, residentes na cidade de Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul. A amostra do estudo apresentou uma média de idade de 70,95 anos, em sua maioria do sexo feminino (66,87%), residentes em área urbana (53,21%) e casadas (64,06%), 45,92% não completaram o primário, 60,45% participam de grupos e a maioria (58,43%) relatou buscar o dentista apenas por conta de problemas bucais. Os autores apontam que pessoas idosas independentes, residentes no meio rural e que são casados apresentam maior probabilidade de perceber os impactos de saúde bucal. Com base nestes resultados, os autores concluem que é necessário estudar amplamente as potencialidades e percepções das pessoas para que novos achados possam desvelar o que de fato é relevante na promoção da autopercepção positiva de saúde bucal, bem como da autoeficácia e empoderamento em relação à saúde bucal. Entendem que os cuidados em relação à pessoa idosa no Brasil não se alinharam ao crescimento desta população, o que pode influenciar na sua qualidade de vida. Sendo assim, os autores indicam a importância do conhecimento acerca de como esta população percebe as suas questões, para que sejam desenvolvidas ações que de fato atendam às suas reais demandas.

Assim, para finalizar essa discussão, destaca-se que a qualidade de vida nos diferentes estudos analisados está associada às condições de saúde da população idosa apontada como autopercepção sobre as condições de vida e o contexto onde vivem, lembrando que os achados focaram as pessoas idosas que vivem no meio rural.

Considerações finais

Os estudos acerca da saúde da população idosa rural se centram em sua maioria na autopercepção da qualidade de vida e das condições de saúde, bem como na identificação de quais são fatores que podem promover ou obstaculizar a autopercepção positiva em relação a estes marcadores. Dentre estes fatores, a importância das condições ambientais se mostrou frequente nos estudos selecionados, os quais indicam que a vivência no meio rural nos primeiros anos de vida, pela dificuldade de acesso aos serviços de saúde, associa-se à autopercepção negativa de pessoas idosas acerca de sua qualidade de vida e de suas condições de saúde.

As desigualdades de raça e gênero existentes no nosso país, responsáveis pela posição de maior vulnerabilidade de grupos sociais específicos, também foram evidenciadas como fatores significativos na determinação da qualidade de vida e das condições de saúde da população idosa no meio rural. Além disso, a questão de gênero foi relacionada à percepção acerca da aposentadoria no contexto rural, pois algumas identidades privilegiam o reconhecimento pelo trabalho. Desta forma, principalmente na visão dos homens, aposentar-se significa não mais prover por meio do trabalho, o que foi apontado por estes como algo desfavorável. Neste contexto, a aposentadoria da trabalhadora rural, quando conquistada como um direito pelas mulheres, propiciou uma mudança nas relações de gênero, a qual é vista, por vezes, pelos homens em sua face negativa. E apoiadas no reforço de identidades pautadas nas desigualdades entre os gêneros, as alterações nas relações de gênero refletem em impactos na saúde biopsicossocial da população idosa rural.

Quando se fala em saúde biopsicossocial cabe lembrar que a Organização Mundial da Saúde reforça a importância de se olhar além dos aspectos de saúde e doença, mas poder atentar para aspectos sociais, emocionais, psicológicos, crenças, fatores ambientais entre outros. Todos estes associados à qualidade de vida e ao bem-estar da população.

A capacidade física para atividades da vida diária também foi apontada como determinante da qualidade de vida e das condições de saúde da população idosa rural, uma vez que se relaciona diretamente à possibilidade de autonomia por meio da realização das próprias tarefas cotidianas. Esse conceito de autonomia está relacionado ao conceito de envelhecimento ativo que é defendido pela OMS, que prega que além das condições de saúde física é preciso buscar condições para manter as pessoas por mais tempo podendo tomar suas decisões.

A partir das temáticas levantadas pela investigação nos artigos selecionados, pode-se compreender, com maior precisão, quais são as especificidades e as demandas relacionadas à saúde da população idosa. Evidenciou-se a escassez de publicações científicas na área da psicologia em relação à temática, fundamentais para que se possa pensar nas questões que envolvem as demandas de saúde mental da população idosa.

Portanto, diante destes achados, compreende-se que devem ser estimuladas produções científicas associadas à saúde da pessoa idosa que vive em contextos rurais. Bem como a realização de reflexões e debates acerca da necessidade e luta por políticas públicas, programas e ações que contemplem as demandas desta população.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Jul 2025
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    17 Nov 2020
  • Aceito
    10 Mar 2021
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