Open-access TEORIA DOS TRAÇOS E PROCESSO DE SIMBOLIZAÇÃO NA CLÍNICA DA PSICOSE

LA TEORÍA DE LOS RASGOS Y EL PROCESO DE SIMBOLIZACIÓN EN LA CLÍNICA DE LA PSICOSIS

RESUMO.

O presente artigo é uma revisão temática acerca do campo conceitual e dos processos de simbolização na clínica da psicose. Na primeira parte, fazemos um percurso no campo conceitual da psicose, especialmente nas relações com o pathos e a constituição do Eu, na perspectiva da fenomenologia e, sobretudo, da psicanálise. Na segunda parte, desenvolvemos aspectos da simbolização na psicose em referência contínua à teoria dos traços de Freud e de Roussillon. No contexto da clínica, a exploração de formas primárias de simbolização permite levar em conta os aspectos mais primitivos da experiência subjetiva. Na psicose, existem falhas no campo da simbolização primária, que dizem respeito à organização da sensorialidade em representações imagéticas. As experiências precoces que compõem a “parte psicótica da personalidade” demandam trabalhos de transformação e apropriação subjetiva. A “matéria primeira” é sincrética e complexa e, por serem pré-verbais, fazem-se necessários dispositivos de mediação adequados que evitem a dispersão transferencial, favoreçam investimentos parciais e auxiliem no resgate da criatividade e da comunicação.

Palavras-chave:
Psicose; simbolização; teoria dos traços

ABSTRACT.

This article is a thematic review about the conceptual field and the symbolization process in the clinic of psychosis. In the first part, we do a route in the field of conceptual field of psychosis, specially in the relations with the pathos and the constitution of the self, in the perspective of the phenomenology and, mainly, of the psychoanalysis. In the second part, we develop symbolization aspects in the psychosis in continuous reference to the trace theory of Freud and Roussillon. In psychosis, there are flaws in the field of primary symbolization, that concern the sensoriality in imagetic representations organization. the premature experiences that make up the "personality psychotic part" demand transformation works and subjective appropriation. The "matter first" é syncretic and complex and, because the are pre-verbals, adequate mediation devices that avoid the transferencial dispersion are needed, favour parcial investments, and help the creativity and communication rescue.

Keywords:
Psychosis; symbolization; trace theory

RESUMEN.

Este artículo es una revisión temática acerca del campo conceptual y de los procesos de simbolización en la clínica de la psicosis. En la primera parte, examinamos el campo conceptual de la psicosis, en especial lo que se refriere al pathos y a la constitución del Yo desde la perspectiva de la fenomenología y, sobre todo del psicoanálisis. En la segunda parte, desarrollamos aspectos de simbolización en la psicosis en continua referencia a la teoría de los rasgos de Freud y de Roussillon. En el contexto de la clínica, la exploración de formas primarias de simbolización permite tener en cuenta los aspectos más primitivos de la experiencia subjetiva. En la psicosis existen fallas en el campo de simbolización primaria, las cuales se refieren a la organización de la sensorialidad en representaciones de imágenes. Las experiencias precoces que componen la “parte psicótica de la personalidad” demandan trabajos de transformación y de apropiación subjetiva. La “primera materia” es sincrética y compleja y, por ser preverbal, es necesario contar con dispositivos de mediación adecuados que eviten la dispersión transferencial, que favorezcan las inversiones parciales y que auxilien el rescate de la creatividad y de la comunicación.

Palabras clave:
Psicosis; simbolización; teoría de los rasgos

Introdução

O presente artigo tem como objetivo discutir os processos de simbolização na clínica da psicose focando as experiências precoces. Diversos autores (Aulagnier, 1975/1986; Balestrière, 2003; Roussillon, 2014a; Brun, 2014b), embasados na teoria psicanalítica, abordam problemáticas relacionadas às representações imagéticas nos transtornos psicóticos, o que denota a importância de estudos que tratem desse tema e as respectivas possibilidades de tratamento.

Em um primeiro momento, faremos um percurso no campo conceitual da psicose, especialmente nas relações com o pathos e a constituição do Eu. Investigaremos as falhas na sensação de existir, o que nos traz para o estudo do campo da sensorialidade em busca de compreensões acerca das estases nos processos vitais e primordiais. Estes estão diretamente ligados à fragmentação do Eu e aos prejuízos no processo de mediação com o meio, bem como nas fantasias que não encontram espaços adequados na atividade representativa.

Em um segundo momento, desenvolveremos aspectos da simbolização na psicose em referência contínua à teoria dos traços de Freud (1896/2006) e de Roussillon (2014a, 2014b). A teoria dos traços parte de uma necessidade de se pensar vestígios de memória não organizadas em imagens, constantemente referidas à sensorialidade (Balestrière, 2003). Na psicose, existem falhas no campo da simbolização primária, que dizem respeito à organização da sensorialidade em representações imagéticas. As experiências primeiras demandam dispositivos de mediação que facilitem a emergência da atividade representativa em busca da adequação às capacidades de simbolização dos pacientes.

Pathos e ruthmos na psicose

O sofrimento é inerente ao ser humano, mas as angústias que o acometem não são necessariamente patológicas ao ponto de trazer uma desorganização de si mesmo, pelo contrário, esse dinamismo da vida funda a existência humana. A angústia, em suas manifestações intensas, coloca o ser frente a algo essencial de caráter páthico, que é constitutivo da própria existência do ser. O domínio da psicopatologia lida frequentemente com a angústia, que é um estado afetivo encontrado em todos os campos da existência humana. No sofrimento humano, o aspecto páthico da existência se evidencia (Minkowski, 1968/2000), sendo um campo que se encontra gravemente alterado no psicótico (Oury, 2000).

Segundo Schotte (1984-1985), o vivente se constitui na presença, em um devir constante que se forma por meio do contato. O campo páthico está relacionado com essa experiência sensível que embasa a atividade representativa, pois é nesse encontro primariamente corporal que o objeto se apresenta e se constitui no psiquismo. A presença é o que garante a apreensão do mundo e a sua transformação em objetos, e assim advém a introdução do sujeito, por meio do engajamento e tomada de uma decisão, como algo que se irrompe na tensão crítica entre querer, poder e dever.

A vivência e a experiência da angústia exemplificam como o comprometimento do pathos se apresenta no esquizofrênico, pois ele a situa comumente no campo da narração, havendo um distanciamento importante. “O esquizofrênico frequentemente fala de si mesmo como se estivesse agindo por intervenção de uma terceira pessoa” (Minkowski, 1968/2000, p. 8).

Minkowski (1927/1997) elucida ainda o comprometimento no campo do páthico do psicótico ao discorrer sobre a “perda do contato vital” com a realidade. Para o autor, a problemática no âmbito da “sensação primordial” na esquizofrenia diz respeito aos fatores “irracionais da vida” (excitação, sensação, reflexo e reação motora). Entretanto, essa perda “não é a possibilidade de um simples contato sensorial com o meio ambiente, mas a dinâmica desses contatos, quer dizer, tudo aquilo que faz o caráter vivo da relação do sujeito com o outro” (Minkowski, 1927/1997, p. 8). O desequilíbrio profundo nesse dinamismo afeta o envelopamento e a constituição do meio para o sujeito, e os principais sintomas são comprometimentos em relação ao sentir e ao existir, especialmente no que tange ao corpo e ao lugar que ocupa. Desse modo, há uma falha na afirmação do Eu e na orientação espaço-temporal (Minkowski, 1927/1997). A psicose é a situação basal, da qual surge o doente que tenta existir (Maldiney, 2003).

A desarmonia no campo do sentir e do existir comparece essencialmente na forma de se relacionar. Segundo Maldiney (2003), a incapacidade do “encontro” está no fundamento da psicose, pois é impossível ao psicótico estar presente, em razão de uma desarticulação na sua temporalidade e espacialidade. O encontro autêntico implica essencialmente o “mistério”, ou seja, um engajamento impossível de enunciar. No melancólico, por exemplo, o seu existir é caracterizado por queixas constantes alimentadas pela impossibilidade de “encontros autênticos”.

Jean Oury (2000) localiza de uma forma mais específica o comprometimento do psicótico, que seria um distúrbio do ritmo, domínio do pré-páthico. Segundo Maldiney (1973), o ritmo é o garantidor da noção de realidade do mundo por intermédio da comunicação que o sentir estabelece. A psicose se encontra no que é da ordem do primitivo, no que tange aos ritmos inadequados ao sujeito e que não o constitui no campo simbólico. O ritmo é a primeira comunicação com o mundo. Por meio dele se opera a mudança do caos à ordem, e nele o sentir se articula com o mover, pois recobre todo o campo da receptividade sensível. A noção grega de Ruthmos diz respeito à forma (esquema) que é improvisada e modificável (Maldiney, 1973).

Um dos aspectos fundamentais que ocorre como consequência das falhas no campo do sentir diz respeito ao “sentimento de harmonia com a vida”. É um sentimento regulador que não é possível de ser intelectualizado. Existe um desejo de se sentir de acordo com a vida e consigo mesmo. Quando reina a desarmonia, ocorrem apenas oposições que não podem ser integradas, por exemplo, quando o sentir se opõe ao pensar (Minkowski, 1927/1997).

O Eu na psicose

As perspectivas psicanalíticas acerca dos fenômenos das psicoses levam em conta especialmente a fragilidade na constituição do Eu e, portanto, da percepção consciente e negociação com a realidade externa. Há um retorno do investimento no mundo para o Eu, trazendo diversas consequências para o sujeito, como o excesso do mundo subjetivo e a não apropriação do corpo próprio. A constituição do Eu encontra-se seriamente comprometida nos psicóticos. No entanto, a ideia do Eu humano é uma metáfora (Martins, 2010), que diz respeito à instância psíquica que proporciona organização, referência e sentido ao que fazemos, mas também que nos dá uma sensação de unidade e medeia as negociações entre os impulsos e as possibilidades da realidade externa.

Para além da questão do comprometimento no campo do Pathos e do Ruthmos, como apontado pelos autores da fenomenologia, a problemática da psicose encontra-se nas perturbações dos laços entre o Eu e o mundo exterior, em que o delírio cumpre a função de um remendo que visa encobrir essa fissura na relação. Assim, as manifestações do processo patogênico são constantemente encobertas nas tentativas de reconstrução e cura diante do despedaçamento radical do Eu (Freud, 1924a/2010).

Assim como nas neuroses, a emergência da psicose advém de frustrações (Versagung3) do mundo externo, mas também do interno (Supereu), por conta da não efetivação de desejos infantis, o que denota também fracassos da função do Eu, que não cumpre plenamente a mediação. Freud (1924b/2010) acredita ainda que a perda da realidade já se encontra na psicose desde o início e enfatiza dois estágios em seu desenvolvimento: desinvestimento do Eu na realidade (negação) e correção dela por um processo de substituição.

O abandono do interesse pelo mundo externo (pessoas e coisas) também ocorre nas neuroses, mas nestas não há a suspensão da relação erótica com os objetos. Segundo Freud (1914/2010), a libido retirada dos objetos na esquizofrenia é dirigida ao Eu (narcisismo secundário), ocasionando uma superestimação do poder dos seus desejos e atos psíquicos (onipotência dos pensamentos), crença na força mágica das palavras e a magia como forma de lidar com o mundo externo. O narcisismo secundário é edificado sobre um narcisismo primário, ou seja, é “a ampliação e a explicitação de um estado que já havia existido antes”, (Freud, 1914/2010, p. 16), em que a criança investe toda a sua libido em si mesma (Laplanche & Pontalis, 1987/2001). Assim, o narcisismo secundário caracteriza-se como um movimento regressivo.

O narcisismo e a relação com o ambiente na psicose

No artigo “O inconsciente”, Freud (1915b/2010) situa a psicose dentro da concepção de “psiconeuroses narcísicas”. Essa posição diz respeito ao sobreinvestimento no próprio Eu e ao desinvestimento nos objetos, o que aproximaria mais os fenômenos psicóticos da ideia de inconsciente em psicanálise. É um processo que afeta especialmente a linguagem, ocasionando transformações consideráveis as quais levam a um estado de desorganização subjetiva. Para Martins (1995), a concepção da psicose como uma psiconeurose narcísica traz necessariamente uma teoria do Eu, de sua origem, gênese e constituição.

O narcisismo primário é o processo que estabelece uma “síntese” do corpo com o psiquismo e no qual ocorre o ponto máximo de diferenciação entre o Eu e o não Eu para advir o Eu ideal. O desenvolvimento do Eu ocorre pelo movimento de distanciar-se desse narcisismo primário (Freud, 1914/2010). O “Eu-realidade inicial” dá lugar a um “Eu-de-prazer”, o qual distingue o mundo externo a partir da incorporação do que lhe dá prazer ou não, o que proporciona, por sua vez, a experiência do ódio, que é a base das relações de objeto (Freud, 1915a/2010).

No psicótico, há uma dificuldade na passagem do princípio de prazer para o de realidade. Essa característica leva as qualidades sensitivas (além do prazer e da dor) a serem compreendidas de forma insatisfatória, ocorrendo um movimento destrutivo dirigido contra os órgãos sensoriais recém-investidos e a consciência que a eles se liga (Bion, 1994). Quando se tem falhas na simbolização “estímulo-corpo”, apresentam-se dificuldades de simbolização (estados primitivos de organização). Na psicose, não ocorre o nó narcísico e as palavras estão submetidas aos processos primários (Freud, 1914/2010). A fraqueza da síntese é a responsável pela manutenção ou conservação dos processos primários (Freud, 1941[1938]/2006).

O movimento de síntese, o qual precede o desenvolvimento do Eu, é um conceito que remete primeiramente ao autoerotismo e à síntese corporal. Assim, “Para cada alteração dessas na erogenidade dos órgãos, poderia haver uma alteração paralela no investimento libidinal do Eu” (Freud, 1914/2010, p. 28), pois o investimento libidinal do corpo é concomitante ao desenvolvimento do Eu. Dessa forma, o Eu é, antes de tudo, corporal e se constitui nas sensações corporais oriundas principalmente da superfície do corpo, bem como representa as superfícies do psiquismo, entendimento base para a noção e teoria do Eu-pele de Anzieu (1985). A síntese narcísica também convoca, essencialmente, à síntese da polimorfa sexualidade infantil em direção à organização genital. Na psicose, há uma estase da libido do Eu (Freud, 1914/2010).

O fracasso na síntese narcísica pode ocorrer devido à “presença excessiva do objeto”. Segundo Winnicott (1952/2000), a perda da sensação de ser ocasionada por intrusões ambientais precoces (ambiente falho) acarreta organizações defensivas e isolamento como tentativa de reconstituição. A psicose, de acordo com Winnicott (1963/1994), seria um modo de defesa frente ao que o autor nomeia “agonias primitivas”: retorno a um estado não integrado, perda do conluio psicossomático, perda do senso do real, perda da capacidade de relacionar-se com objetos, ou seja, uma reação ao medo do colapso, daquilo que é impensável.

A insatisfação de algumas pessoas em relação às suas vidas relaciona-se à perda de contato, pois elas se sentem dissociadas, sem unidade e dispersas. Os psicóticos têm dificuldades de entrar em contato com os fatos da vida. Em casos graves, os indivíduos não se importam com o viver ou morrer - pois encontram-se completamente alheios ao que é real, pessoal, original e criativo - sem que eles mesmos identifiquem o que lhes falta (Winnicott, 1971/1975).

A constituição de um Eu fragmentado, como na esquizofrenia, ressoa na fragmentação do corpo próprio enquanto representação de si mesmo. Freud (1915b/2010) fala da “linguagem do órgão” para enfatizar como alguns psicóticos colocam, em primeiro plano, a relação com algum órgão (ou inervações) para representar todo um conteúdo, o que diz respeito aos processos psíquicos primários.

As diferentes teorias acerca dos fenômenos psicóticos contemplam essencialmente prejuízos na constituição do Eu advindas de experiências disruptivas em momentos precoces do desenvolvimento, que resultam em perdas na experiência sensível e no contato vital. Os comprometimentos na sensação de ser e de existir acompanham os afetos desorganizadores, os distúrbios na corporeidade, bem como prejuízos importantes na atividade representativa.

O registro simbólico precoce e a simbolização primária na clínica da psicose

Teoria dos traços e psicose

No início do movimento psicanalítico, em uma carta a um amigo, Freud (1896/2006) apresentou como hipótese que o mecanismo psíquico é formado por um processo de estratificação, no qual a memória se desdobraria em vários tempos e seria registrada em diferentes espécies de indicações. A passagem de um registro a outro ocorreria por meio de “tradução do material psíquico”. Freud (1896/2006) descreve que existem três formas de inscrição da experiência psíquica. A primeira seria o traço mnésico perceptivo (indicação da percepção). A segunda, que é inconsciente, são as lembranças conceituais, inscritas sob a forma de representações-coisa. Posteriormente, e de forma mais elaborada, temos a inscrição pré-consciente, que é ligada às representações verbais e corresponde ao ego (Eu).

Os traços mnêmicos (Freud, 1937/2006) possuem especial vivacidade e quase indestrutibilidade (como os sítios arqueológicos) dos elementos essenciais das experiências primeiras presentes nos fragmentos de lembranças, nas associações e nos comportamentos. Freud (1939/2006) descreve que tais impressões estão na área visual e auditiva e que, por meio da integração com a função da fala, podem se tornar conscientes.

A teoria dos traços é relacionada ao trabalho dos sonhos em alguns momentos da obra de Freud. Ele descreve que, no trabalho de regressão, “a trama dos pensamentos oníricos decompõe-se em sua matéria-prima” (Freud, 1900/2006, p. 574). Assim, o sonho e a representação advêm em função de reanimar uma impressão ou traço inconsciente incompreensível, ou seja, a elaboração de imagens a partir do material caótico (Freud, 1918[1914]/2010).

De modo similar às formações dos sonhos, o mecanismo dos delírios (individuais e coletivos) estão submetidos ao poder do “elemento de verdade histórica que trouxeram à tona a partir da repressão do passado esquecido e primevo” (Freud, 1937/2006, p. 287). Estes são inacessíveis à lógica, contradizem a realidade externa, são influenciados pela realização de desejo sobre o conteúdo e sofrem deformações e deslocamentos (Freud, 1937/2006).

Freud (1900/2006) destaca que o caráter de um sujeito se baseia nos traços mnêmicos de suas impressões, em especial da primeira infância (que nunca se tornam conscientes), que conservam, até a idade avançada, o caráter de vividez sensorial (Freud, 1900/2006). Destarte, a relação de transferência é fundamental para favorecer o retorno de conexões emocionais, que são a matéria-prima para o trabalho de análise e se apresentam nas repetições e atualizações de reações da primeira infância (Freud, 1913/2006).

A teoria dos traços parte de uma necessidade de se pensar vestígios de memória não organizadas em imagens, constantemente referidas à sensorialidade. No sonho, a representação retorna à imagem sensorial da qual ela saiu um dia, entretanto, para que a matéria primeira dê luz à representação, são necessárias algumas operações. A matéria primeira possui a estruturação que forma os pensamentos inconscientes e estes são aptos a serem figurados por imagens. A imagem, pela sua plasticidade, introduz o movimento, a mobilidade e o jogo necessário à atividade representativa (Balestrière, 2003). Nesse sentido, diversos autores contemporâneos de Freud organizaram sistemas teóricos que contemplam as experiências primitivas não simbolizadas.

Bleger (1967/1981) introduz o conceito de “núcleo aglutinado”, formado de identificações primitivas, nas quais ainda não se estabeleceu uma discriminação entre Eu e não Eu. O autor sugere que o objeto aglutinado é um resíduo das experiências mais primitivas que constituem a parte psicótica da personalidade. É um conglomerado ou uma condensação de experiências muito primitivas do Eu, em relação com os objetos interiores e de partes da realidade exterior. Ele é formado das identificações mais precoces, com uma fusão entre interior e exterior, uma indiferenciação entre os objetos exteriores e as partes do Eu que àqueles se ligam.

A “parte psicótica da personalidade” é um estrato ou organização da personalidade que ficou ou regressou a uma organização sincrética e mantém-se clivada da parte mais integrada da personalidade. Em condições saudáveis do desenvolvimento, essa parte será a precursora da posição esquizoparanoide, sendo essa passagem fundamental e, quando não ocorre, formam-se os “núcleos aglutinados” (tanto a parte sincrética como o núcleo aglutinado são denominados de parte psicótica da personalidade). Nesse pensamento, todo sincretismo não é uma psicose clínica, mas toda psicose é um sincretismo. Todas as restituições psicóticas (tentativas de cura) apresentam uma estrutura sincrética, ou seja, em sua estrutura interna, não há discriminação (Bleger, 1967/1981).

Aulagnier (1975/1986) introduz o conceito de pictograma, o qual se caracteriza por uma indissociabilidade entre espaço corporal, espaço psíquico e espaço exterior. O protótipo do pictograma é o encontro original “seio-boca”, como uma entidade única e indissociável. Essa experiência sensorial inaugura duas formas: prender em si o prazer e rejeitar de si o desprazer. A primeira forma de união acompanhada de prazer é designada como um pictograma de junção. A segunda forma será nomeada de pictograma de rejeição, acompanhada de uma destruição simultânea do seio e da boca.

O pictograma se apresenta, então, na forma de uma sensação alucinada, em que “o sujeito não é mais que esta função (auditiva, olfativa, proprioceptiva) indissociavelmente ligado ao percebido: o sujeito é este barulho, este odor, esta sensação e ele é juntamente esse fragmento e esse único fragmento do corpo sensorial mobilizado, estimulado pela percepção” (Aulagnier, 1975/1986, p. 398). A atividade psíquica passa, assim, de uma introdução em forma (do originário não figurável) à introdução em cena (registro do primário) e à introdução do sentido (registro do secundário).

Anzieu (1985), por sua vez, define o “significante formal” como a primeira etapa de simbolização dos pictogramas e descreve uma configuração do corpo em posse a uma transformação que se impõe sob a forma de um conhecimento alucinatório. Os significantes formais são constituídos de imagens proprioceptivas, táteis, cinestésicas, posturais e não se reportam aos órgãos de sentido a distância.

Botella e Botella (2002) propõem que a ausência de conteúdo representável não quer dizer ausência de acontecimento. O irrepresentável é significado apenas em uma negatividade, uma “não representação”, que é radicalmente diferente da representação. É algo que não se origina do recalcamento, da recusa ou de efeitos do complexo de castração, e a sua existência só pode ser captada no nível do próprio movimento psíquico. A não representação é uma negatividade que, sob a forma de uma alteração do processo, comparece como uma falha do pensamento. Esse pensamento se aproxima do conceito de negativo em Green (1988).

No contexto da clínica, a exploração de formas primárias de simbolização permite levar em conta os aspectos mais primitivos da experiência subjetiva. Estes remetem à construção da ligação com o objeto e aos processos de diferenciação com esse objeto também. No entanto, as experiências arcaicas permanecem presentes durante toda a vida do sujeito. O arcaico relaciona-se às formas primeiras de simbolização, e diferentes processos de metabolização permitem passar de um nível de simbolização a outro (Brun, 2014b).

O campo de experiências precoces ocorre antes do surgimento da linguagem verbal e por isso elas são inscritas na linguagem do corpo, do afeto e do jogo da sensório-motricidade, os quais são bastante demandados na clínica das psicoses. As origens dos processos de simbolização acontecem na articulação entre a sensorialidade do bebê e a virtualidade potencial das respostas do ambiente (Brun, 2014b). O domínio do sensório-motor na clínica psicanalítica é desenvolvido inicialmente por Winnicott (1960/1983), que o relaciona ao impulso espontâneo, self verdadeiro, o qual advém, por seu turno, da teorização freudiana sobre a função da parte do Eu que se volta para as pulsões sexuais.

O trabalho de simbolização é organizado por Roussillon (2014a, 2014b) em um modo de compreensão que abrange a teoria dos traços de Freud, mas que enfatiza também a transformação das experiências primeiras (inscrição primeira) como uma primeira forma de simbolizar. Assim, o autor define o trabalho de transformação e apropriação subjetiva a partir de uma simbolização primária que viabiliza a simbolização secundária.

Apropriação subjetiva e processos de simbolização na clínica da psicose

Freud (1933/2010) descreve que os esforços da psicanálise versam sobre o fortalecimento do Eu, em um sentido de maior independência do Supereu e de ampliação de sua percepção e organização, para que “possa apropriar-se de novas parcelas do Id. Onde era Id, há de ser Eu” (p. 151). Essa compreensão do psiquismo em Freud denota uma tensão (e emergência) de apropriação da parte “obscura e inacessível de nossa personalidade” (p. 154) pela instância da razão.

Nesse pensamento, a apropriação da experiência psíquica não é imediata, pois demanda um trabalho de transformação. As experiências primeiras são submissas ao trabalho de compulsão à integração, ou compulsão à síntese (Laplanche & Pontalis, 1987/2001), a qual se efetua por metabolização de sua forma em uma forma simbólica, que torna possível o processo de subjetivação e reflexividade (Roussillon, 2012a, 2012b).

O sentido de reflexividade que o autor propõe se assemelha à auto-observação do Supereu descrita por Freud (1933/2010). A transformação primeira (simbolização primária) diz respeito aos processos pelos quais o “traço mnésico primeiro” é transformado em representação-coisa. A segunda transformação (simbolização secundária) se relaciona aos processos pelos quais as representações-coisa são transformadas em representação-palavra, ou traduzidas no aparelho de linguagem verbal. Assim, a simbolização é sempre simbolização da ausência, pois é nela que ocorre a representação do objeto (alucinação) (Roussillon, 2012b).

O sofrimento psíquico advém da não apropriação da história e da experiência subjetiva. Essa última deixa traços interiores que são simbolizados ou não. A matéria primeira é inconsciente, enigmática e não pode ser imediatamente integrada. Ela é multissensório-motora, multiperceptiva, multipulsional, mistura o dentro e o fora, o eu e o objeto, mistura fatores subjetivos e objetivos. Ela é sempre ameaçada de confusão, além de ser produzida no encontro eu-outro. O tratamento da matéria primeira exige um trabalho de externalização, bem como a transferência em uma matéria perceptiva, além de descondensar a sua complexidade para repartir entre diferentes objetos articuláveis (Roussillon, 2014a, 2014b).

A reflexão acerca dos dispositivos de cuidado deve levar em conta algumas funções essenciais ao trabalho de apropriação subjetiva. Em termos gerais, esse processo de metabolização ocorre em três funções: a função fórica (conter e portar), a função semafórica (colocar em forma significante) e a função metafórica (tornar simbolizável e integrável) (Roussillon, 2014a, 2014b). Desse modo, a integração da vida pulsional passa pelas funções relacionadas ao sentir, ao ver e ao ouvir. Se sentir é aceitar ser afetado pelo representante afeto da pulsão. Ser capaz de ver e de se ver é integrar a representação de coisa, como na atividade onírica. Por último, ser capaz de ouvir e de se ouvir é integrar a representação de palavra. Logo, um sujeito capaz de se sentir, de se ver e de se ouvir possui um triplo modo de relação consigo mesmo e também é capaz de sentir, ver e ouvir o outro, além de articular esses três sistemas de reflexividade (Roussillon, 2012a). A compreensão desse autor da apropriação subjetiva proporciona uma nova dimensão de complexidade do processo psicanalítico.

O trabalho de apropriação subjetiva envolve a integração do que o sujeito se confrontou em sua vida pulsional e no encontro com os objetos. O sofrimento vem da não integração, ou seja, o objetivo da psicanálise é uma questão mais de apropriação e não apenas de tomada de consciência (Roussillon, 2012a, 2012b). A apropriação ocorre especialmente na experiência criativa (Milner, 1952/1991; Winnicott, 1971/1975; Brun, 2014b), pois ela proporciona o trabalho de figuração de um traumatismo-primário que não pôde ser simbolizado.

Assim, a criação consiste em fazer advir o que ainda não veio inscrevendo na obra as experiências originais até então irrepresentáveis, que revelam constantemente um processo de colocar em forma (Brun, 2014b). No entanto, a criatividade é precedida pela capacidade de brincar: “É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu (self)” (Winnicott, 1971/1975, p. 80).

O trabalho com dispositivos de mediação busca a adequação às capacidades de simbolização dos pacientes, ao que possibilite a subjetivação, em vista das distintas formas de sofrimento (Roussillon, 2014a; Brun, 2014b). Os dispositivos favorecem a emergência de formas primárias da simbolização, pois oferecem a possibilidade de colocar em forma, em uma matéria (matéria à simbolização) (Brun, 2014b). Em outras palavras: “[…] em lugar de falarmos somente de associação de ideias, poderíamos considerar também, no processo analítico, uma associação de sensações. Trata-se, na verdade, de colocar em evidência uma reatualização da sensorialidade pela transferência” (Fontes, 1999, p. 3).

Um exemplo é o trabalho realizado com crianças psicóticas, que se efetua por meio da sensório-motricidade da criança, do objeto e do terapeuta. Colocar em jogo a associação sensório-motora condiciona a emergência de formas primárias da simbolização, caracterizando-se como formas de associatividade não verbal, ligada ao gesto, ao encadeamento de formas e deformações. Nesse contexto, o terapeuta deve atentar-se à gestualidade dos pacientes, às suas mímicas, às suas posturas corporais, ou seja, toda a dinâmica mimo-gesto-postural, bem como às escolhas dos instrumentos para trabalhar.

Esse trabalho com o meio permitirá a ascensão à dinâmica transferencial. Desse modo, existe uma cadeia associativa formal (individual ou grupal), na qual o trabalho do meio vai suscitar mensagens corporais que os terapeutas tomam como mensagens (pictogramas ou significantes formais, não apropriados) possíveis de se transformar em mensagens por meio das quais os pacientes poderão se comunicar (Brun, 2014b). Logo, o trabalho de apropriação subjetiva em psicóticos demanda atenção especial à sensorialidade e às suas diversas formas de associações. O que ainda não foi figurado não adquiriu a plasticidade das representações e alimenta as estases e as dificuldades na comunicação e transições entre os “discursos”.

“Espaços do dizer” e transferência na clínica da psicose

A experiência da psicoterapia institucional na Clinique de La Borde nos traz importantes caminhos para se pensar na adequação de dispositivos eficazes no tratamento de psicóticos e neuróticos graves. Segundo Oury (1983), na psicose há uma dispersão dos investimentos (consequências do processo de cisão), os quais acarretam demandas errantes e formação de estases que dificultam a circulação entre as diversas possibilidades de discursos (linguagens4). Nesse sentido, a eficácia no tratamento reside na dimensão de facilitar a passagem entre os sistemas, entre diferentes lugares e pessoas. São tentativas de construir locais possíveis para o acolhimento do psicótico (nomeados pelo autor como “espaços do dizer”), onde este possa ir, ficar, passar, mas que algo surja, manifeste-se e se modifique. A “liberdade de circulação” torna-se fundamental para favorecer tais “encontros” e isso demanda transformações nas relações institucionais, em suas hierarquias e funções.

A emergência de “espaços do dizer” é crucial na transformação do sofrimento psíquico e no resgate da criatividade. Winnicott (1971/1975) considera que o “viver criativo” está intimamente relacionado a uma noção geral do “viver” e ao modo de abordar a realidade externa, nesse âmbito, a criatividade encontra-se presente principalmente no sujeito que é ativo e toma parte na vida de comunidade, experimentando áreas intermediárias e transicionais, por meio do brincar e da cultura.

Ainda, os fenômenos criativos se relacionam com o verdadeiro self e a organização de unidades integradas em termos de tempo e espaço. Quando o ambiente sufoca os processos criativos, existem prejuízos consideráveis no contato com a realidade externa. Em casos que a realidade externa permanece como um fenômeno subjetivo (esquizoides, esquizofrênicos) ou que existe uma ancoragem extrema na realidade, o viver criativo encontra-se prejudicado: por um lado, há perda de contato com a realidade e, por outro, há perda de contato com o mundo subjetivo (Winnicott, 1971/1975, 1968/1994).

O trabalho acerca da transferência com psicóticos requer cuidados diferenciados e manejo técnico específico. No âmbito institucional, Oury (1983) propõe a definição de práticas que facilitem a emergência de lugares, de espaços e de cenas, com vistas à fixação da multirreferencialidade transferencial, que seriam como “marcas transferenciais”. Nessa vertente, os “espaços do dizer” - que são espaços transicionais (Winnicott, 1971/1975) ou “plata-formas” que aproveitam o espaço da subjetividade mais singular - atuam em proporcionar lugares na fantasia, evitando, assim, que a transferência fique difusa e dispersa.

Desse modo, Oury (1986) incentiva o estabelecimento de relações indiretas com uma estrutura coletiva e sistemas de mediação que se correlacionam com a transferência. Os investimentos parciais nas atividades possuem a sua eficácia em um sistema de trocas constituído, no qual mesmo aqueles com mais prejuízos no contato podem encontrar formas de investimento no sistema, servindo de suportes transferenciais e cumprindo uma função diacrítica, frente ao sincrético na psicose.

O sistema coletivo de cuidado proporciona relações terapêuticas possíveis, nas quais as intensidades transferenciais (Bleger, 1967/1981) e os excessos encontram diversas formas de mediação e simbolização. Na situação analítica, essas intensidades contratransferenciais descritas por Winnicott (1947/2000) comparecem em afetos de ódio e irritação aparentemente sem significados, o que exige do analista atenção e consciência desses fenômenos, para que consiga comunicá-los ao paciente de forma gradual e objetiva (e não reativa). É um trabalho de acolhimento e reflexão no qual o analista proporciona um espaço de integração e continuidade, espaço esse que falhou em um momento precoce da vida do paciente, o qual não pôde odiar a sua mãe, pois não encontrou um objeto que sobrevivesse ao seu ódio primitivo, de maneira ao objeto primário sucumbir ou retaliar os ataques odiosos realizados pelo indivíduo.

A experiência do ódio precede a capacidade de amar (Freud, 1915a/2010, Winnicott, 1947/2000) e apenas aquele que se encontra integrado pode se relacionar de forma mais adequada com os objetos. O psicótico, ao contrário, tem em si a coincidência do amor e do ódio, de modo excessivo e confuso, e busca, em um “encontro autêntico” com o analista, a permissão para expressar o ódio.

Outras questões que advêm do trabalho terapêutico com psicóticos concernem à emergência de angústias relacionadas à perda da identidade, do fusionamento e da confusão, que são os maiores obstáculos para a terapia. É necessário que o terapeuta suporte o distanciamento autístico e a despersonalização da proximidade, mas, sobretudo, deve ter habilidade em conter os afetos violentos, as tensões e as angústias suscitadas pelo caos e pelo “sem sentido” (Balestrière, 2003).

Constantemente, aspectos transferenciais nessa clínica atualizam-se na sensorialidade, nas marcas e nas impressões corporais, em que o discurso não alcança, assim como destaca Pontalis (1990, p. 73) ao abordar sobre os limites do campo verbal na análise: “[…] a transferência escapa à ordem e à violência do discurso”. Fontes (2002), por sua vez, descreve que há uma memória corporal (pré-verbal) que é constituída de fragmentos de impressões sensoriais (traços mnêmicos) dos primórdios da infância, despertadas na análise por meio da “regressão alucinatória” da transferência. Por serem “pré-verbais”, tais experiências são rememoradas pelo corpo, e o retorno de impressões sensíveis traumáticas vem pela memória corporal, na relação transferencial: “O enigmático na transferência desperta a memória corporal e o corpo se utiliza dessa descarga como um pensamento particular” (Fontes, 2002, p. 15). Balestrière (2003) destaca que a teoria do traço advém para se pensar sobre a transferência psicótica, pois, diferentemente da neurose, há uma atualização na forma de uma “matéria-prima” cujos efeitos nos parecem incompreensíveis.

Com base na teoria dos traços diversos autores teorizam acerca da importância dos trabalhos com mediações na clínica da psicose. A produção artística em mediações visa dar formas (criação) que auxiliam na configuração psíquica do paciente, entretanto, o objeto mediador exige o estabelecimento de um enquadre adequado, para que se alcance o seu potencial terapêutico (Brun, 2014a, 2014b; Vacheret, 2014). Roussillon (2014a) enfatiza que os processos de mediação contornam as intensidades das projeções e das transferências na relação entre os usuários e os profissionais, pois facilitam a manutenção da empatia e do trabalho que envolve a utilização do terapeuta como matéria a simbolizar.

Considerações finais

A clínica da psicose é bastante complexa e exige uma escuta atenta às difusas e peculiares manifestações transferenciais. Os comprometimentos e desarticulações no campo do sentir e do existir, ocasionadas por experiências disruptivas precoces, trazem a reflexão sobre a terapêutica do psicótico para a compreensão dos processos de simbolização primária. Nesse sentido, o trabalho com o campo pré-verbal demanda mediações terapêuticas adequadas, que possibilitem a criação de espaços e encontros nos quais algo se manifeste e se transforme, que atuem como suportes para a externalização da matéria primeira. O resgate da criatividade proporciona contatos menos cindidos com a realidade.

O sistema coletivo e as respectivas mediações dão lugar às marcas transferenciais que subsidiam as representações. É importante, assim, que existam diversas ofertas, que o paciente possa circular e fazer investimentos parciais, que a liberdade esteja presente em um enquadramento adequado. Desse modo, diferentes dispositivos, com linguagens diversas, são essenciais na clínica da psicose.

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  • 3
    Versagung é geralmente traduzido por “frustração”, palavra que não corresponde ao termo alemão. O termo utilizado por Freud comumente se refere a um impedimento (bloqueio imposto) e não a um sentimento (Hanns, 1996).
  • 4
    A utilização que Oury faz de linguagens é no sentido de diferentes códigos semióticos.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Jun 2025
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    19 Nov 2020
  • Aceito
    24 Jul 2021
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