Resumo:
A formação para uso dos Métodos Projetivos nos processos de avaliação psicológica é tema relevante e sempre atual, mas pouco abordado nos últimos anos. Os Métodos Projetivos, como Rorschach e Teste de Apercepção Temática (TAT), permitem acessar dinâmicas internas únicas das pessoas, mas enfrentam desvalorização acadêmica e redução de carga horária em currículos de graduação. Neste artigo, pretende-se inicialmente apresentar a abordagem idiográfica como pressuposto teórico de fundamental relevância nesse campo. Em seguida será exposto um resgate histórico sobre o status do ensino e a utilização desses métodos em âmbito internacional para, posteriormente, afunilar reflexões sobre a realidade brasileira. Se outrora os desafios da área perpassavam pelas distâncias geográficas num país de tamanho continental, atualmente os desafios envolvem o tempo destinado à formação e ao uso dos Métodos Projetivos numa sociedade marcada pela modernidade líquida e McDonaldização das práticas profissionais. Por fim, serão apresentadas perspectivas para formação e prática com ênfase nas avaliações psicológicas multimétodos.
Palavras-chave:
Formação em Psicologia; Métodos Projetivos; Ensino
Abstract:
Training in the use of projective methods within psychological assessment processes remains a relevant and timely topic, despite limited attention it has received in recent years. Projective methods, such as the Rorschach and Thematic Apperception Tests, offer access to people’s unique internal dynamics but face academic devaluation and reduced workload in undergraduate curricula. This study initially aims to describe their idiographic approach as a theoretical foundation of fundamental importance in this field. It then offers an international historical overview of the status of the teaching and application of these methods, followed by a more focused reflection on the Brazilian context. Whereas in the past, challenges in this area were often related to geographical distances in a continental country, current challenges concern the time allocated to training and the use of projective methods in a society shaped by liquid modernity and the McDonaldization of professional practices. Finally, this study discusses perspectives on training and practice, stressing multi-method psychological assessments.
Keywords:
Psychological Academic Training; Projective Techniques; Teaching
Resumen:
La formación para el uso de los métodos proyectivos en los procesos de evaluación psicológica es un tema relevante y siempre actual, aunque ha sido poco abordado en los últimos años. Los métodos proyectivos, como Rorschach y el test de apercepción temática (TAT), permiten acceder a la dinámica interna única de las personas; sin embargo, enfrentan una devaluación académica y una carga de trabajo reducida en los programas de grado. En este artículo se pretende inicialmente presentar el enfoque idiográfico como un supuesto teórico de fundamental importancia en este campo. A continuación, se hace un repaso histórico sobre el estado de la enseñanza y el uso de estos métodos a nivel internacional, para luego centrar la reflexión en la realidad brasileña. Si en otro momento los desafíos del área estaban relacionados con las distancias geográficas en un país de dimensiones continentales, en la actualidad los desafíos giran en torno al tiempo dedicado a la formación y al uso de los métodos proyectivos en una sociedad marcada por la modernidad líquida y la "McDonaldización" de las prácticas profesionales. Finalmente, se presentan perspectivas para la formación y la práctica, con énfasis en las evaluaciones psicológicas multimétodo.
Palabras clave:
Formación en Psicología; Métodos proyectivos; Enseñanza
Princípios fundamentais dos métodos projetivos de avaliação psicológica
Os métodos projetivos são instrumentos psicológicos em que o indivíduo é instigado a expressar aspectos únicos de sua organização interna, incluindo características e dinâmica de personalidade, ao atribuir conceitos a estímulos ambíguos. Esses instrumentos são também nomeados na literatura como técnicas ou testes projetivos, porém estes termos atribuem um caráter excessivamente tecnicista ao processo de avaliação psicológica, de modo que optamos pela denominação Método Projetivo (MP), adotada neste trabalho. Por meio dos MPs, o indivíduo revela traços, conflitos, dinâmicas internas e, principalmente, sua maneira típica de pensar, agir e sentir que podem não se evidenciar em contextos mais estruturados (Kim, 2025 ; McGrath, Twibell, & Carroll, 2023 ; Villemor-Amaral & Cardoso, 2019 ; Villemor-Amaral & Pasian, 2022).
O foco na singularidade da pessoa humana enfatiza a importância de uma abordagem idiográfica no uso dos MPs (Santillo, Morra, Esposito, & Romani, 2025 ; Villemor-Amaral & Cardoso, 2019). Assim, considera-se que cada indivíduo manifesta características únicas que foram constituídas a partir de experiências de vida, traços culturais, crenças e emoções que influenciam diretamente a maneira como os estímulos são percebidos e interpretados no teste, tanto quanto na vida em geral. Reconhecer a singularidade individual significa não apenas valorizar o conteúdo das respostas em si, mas principalmente compreender os processos subjacentes do funcionamento psíquico que levaram às respostas dadas (Villemor-Amaral & Cardoso, 2019). Essa compreensão demanda que o avaliador mantenha uma postura sensível e reflexiva, capaz de integrar os aspectos qualitativos e particulares das produções individuais com o suporte teórico necessário para sua compreensão.
Os MPs mais comumente conhecidos são o Psicodiagnóstico de Rorschach, publicado em 1921 na Suíça, o Teste de Apercepção Temática (TAT), criado em 1934 nos Estados Unidos, e os métodos gráficos, cuja associação como estratégias de avaliação projetiva teve início na década de 1940. Desde então esses métodos foram amplamente divulgados pelo mundo. Para ilustrar a expansão desses métodos, em 1952 foi fundada a International Society of the Rorschach (ISR), em Berna, na Suíça, dedicada ao Rorschach e a outros métodos projetivos. Atualmente existem associações científicas ou grupos de pesquisa dedicados ao Rorschach e a demais métodos projetivos, vinculados à ISR, em pelo menos 22 países, nomeadamente na Argentina, na Áustria, no Brasil, no Canadá, em Cuba, na República Tcheca, na Dinamarca, na Finlândia, na França, em Israel, na Itália, no Japão, no México, na Holanda, no Peru, na Espanha, na Suécia, na Suíça, na Turquia, no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Vale destacar que a designação de MP para o Rorschach há muito vem sendo questionada, por exemplo, por Bornstein (2012). Embora Hermann Rorschach, criador do método, conhecesse muito bem a Psicanálise, jamais usou a palavra projeção ao se referir ao seu método, pois estava fundamentalmente interessado nos estudos sobre a percepção (Rorschach, 1921/ 1978). A atribuição do termo MP para o Rorschach foi proposta por Lawrence K. Frank (1939), que, por sua vez, também não estava se referindo ao mecanismo de projeção tal como descrito por Sigmund Freud. Frank aglutinou diferentes estratégias psicológicas avaliativas disponíveis na época e as examinou a partir do modelo da Física, considerando o fenômeno projetivo como o processo de imprimir marcas de um objeto sobre algum outro, deixando ali características próprias. Assim, a percepção da existência de uma partícula só seria possível pela marca que ela imprimiria em uma superfície, implicando colocar algo sobre outro objeto (projeção). Considerando tal ponto de vista, e acompanhando boa parte da literatura científica da área, optamos neste artigo por incluir o Rorschach no rol dos MPs de avaliação psicológica, com a devida ressalva. O movimento projetivo implicado no processo de responder ao Rorschach é que demanda projeção, trazendo à vista conteúdos do mundo interno do indivíduo (Villemor-Amaral & Pasian, 2022).
O uso e ensino dos métodos projetivos de avaliação psicológica em diversos países
Em 1959, verificou-se que os três testes psicológicos mais comumente usados na prática clínica no contexto norte americano eram projetivos (Sundberg, 1961 citado por McGrath, Twibell, & Carroll, 2023). Levantamentos realizados ao longo de décadas de produção científica, contudo, sugerem alterações nessa realidade, com diferentes usos e mesmo abusos relativos aos MPs (Lilienfeld, Wood, & Garb, 2000). Emergiu um tom pessimista em relação aos MPs (Piotrowski, 1984), que perdurou por quase três décadas.
Como apontado por Bornstein (2012), apesar desse movimento, os principais MPs se mantinham resistentes à pressão negativa e às críticas perenes geralmente direcionadas às suas propriedades psicométricas, que teriam contribuído para declínio do status dos MPs entre a comunidade de Psicologia Clínica. Esses métodos permanecem e seguem sendo pesquisados e utilizados em vários contextos (Kim, 2025 ; Santillo et al., 2025), incluindo em práticas psicodiagnósticas de clínicos e em consultórios particulares.
Piotrowski, Keller e Ogawa (1993) analisaram os resultados de quatro pesquisas, cada uma em um país, sendo eles Estados Unidos, Holanda, Japão e Hong Kong, e verificaram que as abordagens projetivas eram os principais métodos de avaliação de personalidade nos quatro contextos. Houve diferença entre os MPs mais populares em cada país e, ao final, os autores reafirmaram que essas estratégias de avaliação psicológica são universais, pois estímulos não estruturados servem como base e não representam uma barreira linguística ou cultural.
Anos mais tarde, Piotrowski (2015a , 2015b , 2015c) publicou uma trilogia sobre o ensino de MP e voltou a chamar atenção sobre a diminuição dos processos formativos nessa área nos âmbitos acadêmico e de supervisões clínicas, em especial nos Estados Unidos. Numa pesquisa com os programas credenciados pela American Psychological Association (APA) sobre treinamento em avaliação, Ready e Veague (2014, citado por Piotrowski, 2015b) descobriram que nenhum método projetivo foi classificado entre os 10 testes mais ensinados, enquanto os estudos de revisão voltados à utilização na clínica indicavam que os MPs continuavam a ser considerados como valiosa ferramenta por psicólogos atuantes.
Na perspectiva de compreender o status diminuto dos MPs na pós-graduação dos Estados Unidos, Piotrowski (2015a , 2015b) expôs algumas reflexões, das quais merecem destaque mudanças nas políticas de saúde mental dos Estados Unidos em meados de 1990. Essas medidas impactaram significativamente a extensão e a disponibilidade dos testes psicológicos na prática profissional, priorizando-se o uso de instrumentos breves, de formato curto e por autorrelato, em detrimento dos MPs, por demandarem administração individual e tempo para codificação e interpretação dos dados. Em consequência, houve tendência de os docentes em Psicologia privilegiarem, gradualmente, treinamento clínico em avaliação voltado a instrumentos economicamente mais viáveis na prática, procurando diminuir custos relativos ao tempo avaliativo. Deste modo, a 12ª Divisão da APA, no ano 2000, recomendou que o treinamento em MP fosse excluído do currículo de pós-graduação em Psicologia. Essa tendência, posteriormente, levou à menor ênfase na formação em MP também em ambientes acadêmicos e de estágio profissionalizante na graduação. Assim, na medida que docentes mais antigos se aposentavam e deixavam o cenário, o treinamento educacional e a competência em MP passaram a existir somente por meio de oportunidades extracurriculares, como workshops ou formações complementares buscadas pelos profissionais. Adiciona-se, a esse cenário, o número cada vez mais restrito de estudos voltados ao ensino e à formação em MP, limitando suas possibilidades na prática profissional.
Na sequência de seus trabalhos relativos aos MPs, a terceira publicação de Piotrowski (2015c) elaborou uma revisão da literatura no período de 1995 a 2015, analisando a utilização dos MPs em diferentes países. Analisaram-se 28 estudos, dos quais 70% eram dos Estados Unidos, mas outros países (por exemplo, África do Sul, Reino Unido, China, Bélgica e Brasil) também estavam representados. Seus achados apontaram que ao menos um MP foi mencionado entre os cinco principais testes psicológicos usados na prática profissional em 50% dos estudos. O Rorschach, o Desenho da Figura Humana (DFH), os métodos de completar frases e o TAT foram classificados entre os 15 principais instrumentais em 25 dos 28 estudos. Essas descobertas confirmaram o uso contínuo (embora em menor grau do que há 50 anos) de MP entre profissionais de saúde mental em todo o mundo. Assim, Piotrowski (2015b) afirmou que os proponentes e os utilizadores de MPs se tornarão uma espécie rara, mas não extinta, com destaque à riqueza de informações que trazem aos processos de avaliação psicológica (Kim, 2025 ; Santillo et al., 2025).
Para Piotrowski (2017), o principal diferencial para que os MPs continuem a ser valorizados envolve o grau de ênfase no treinamento e na formação profissional, que, no caso dos Estados Unidos, dá-se em nível de pós-graduação. Para esta pesquisadora, o corpo docente exerce papel fundamental ao inspirar os alunos de graduação e de pós-graduação na avaliação de personalidade, de modo a evitar o risco de que próximas gerações de profissionais desconsiderem os MP como ferramenta clínica útil no empreendimento da avaliação psicológica. Para ilustrar a afirmação de que está ocorrendo redução no interesse de pós-graduandos dos Estados Unidos em MP, Piotrowski (2017) realizou um levantamento quanto ao número de dissertações e teses que utilizaram MPs como recursos técnicos. Os anos entre 1990 e 1999 foram o período com maior número de trabalhos com Rorschach (n=490), TAT (n=174) e House-Tree-Person - HTP (n=28), notando-se queda de aproximadamente 40% para todos os instrumentos em anos posteriores. Essa redução foi mais impactante no período de 2010 a 2017 para cada um dos três MPs citados anteriormente: Rorschach (n=132), TAT (n=33) e House-Tree-Person (n=3), correspondendo respectivamente a 27%, 19% e 11% da quantidade de dissertações e teses produzidas nos Estados Unidos, na década de 1990.
Em sua tese de doutorado, Kim (2025) procurou avaliar a percepção e as atitudes que profissionais de saúde mental dos Estados Unidos tinham a respeito de MP. Desenvolveu amplo levantamento da opinião desses profissionais naquele contexto e evidenciou um estigma a respeito dos MPs, mas que foi atribuído à limitada disponibilidade de cursos e treinamentos em avaliação projetiva nos programas de pós-graduação nos Estados Unidos. Apesar disso, encontrou evidências empíricas da utilização dos MPs em diferentes contextos profissionais nos Estados Unidos na contemporaneidade, mostrando inexistência de correlação direta entre as atitudes e as concepções sobre MP e o uso real das avaliações projetivas. Sua hipótese é a de que aqueles profissionais com treinamento insuficiente ou nenhum treinamento em MP teriam menor confiança ou habilidade para utilizar avaliações projetivas. Propõe que, para reverter esse quadro, seria necessário explorar os fatores que influenciam a oferta desses cursos e as oportunidades de formação profissional nessa área.
Apesar das críticas, da redução da carga horária de treinamento profissional ou da influência de outras ferramentas de mensuração, o Método de Rorschach permanece resiliente, possivelmente devido à sua utilidade clínica percebida, conforme apontou Fouques, Castro, Mouret e Le Chevanton (2021). O mesmo é observado não somente sobre esse instrumental, mas com relação a outros instrumentos projetivos de avaliação psicológica. Santillo et al. (2025) realizaram uma revisão sistemática sobre MP na era digital, indicando que os "testes projetivos podem oferecer insights valiosos sobre o funcionamento psíquico dos indivíduos, suas vidas emocionais e seus mundos relacionais" (p. 9).
Piotrowski (2022a) abordou os resultados de dois estudos (dissertações/teses) realizados nos Estados Unidos sobre o uso de MP por psicólogos. No primeiro estudo, 510 membros da Divisão 12 da APA (psicólogos clínicos infantis e pediátricos) foram convidados para uma entrevista sobre o uso de instrumentos gráficos (HTP, DFH, Desenhos de Famílias Cinéticas) em suas práticas de avaliação, sendo que 25% dos profissionais consultados participaram da pesquisa (Longest, 2006 citado por Piotrowski, 2022a). Essa atenção aos desenhos na prática clínica demonstra um interesse profissional contínuo na avaliação projetiva. No segundo estudo, Hanigan (2021, citado por Piotrowski, 2022a) entrevistou psicólogos licenciados nos Estados Unidos. Dos 293 entrevistados, 29% se dedicavam à avaliação psicológica por mais de 20 horas semanais, sinalizando um pequeno aumento em relação aos dados da pesquisa relatados nas duas décadas anteriores. Além disso, 55% desses profissionais referiram utilizar pelo menos um MP, sendo os mais citados: Rorschach (35%), TAT (26%), HTP (24%), Teste de Completamento de Frases (Rotter) (20%), Desenhos Cinéticos de Família (17%) e Children’s Apperception Test (CAT) (14%).
Numa busca no banco de dados PsycINFO, Piotrowski (2022b) identificou 35 artigos revisados por pares com foco em MPs aplicados em pessoas idosas, publicados entre 1954 e 2016. Nesse trabalho foram destacadas as vantagens para uso dos MPs por revelarem elementos da psicodinâmica latente, identificarem possíveis déficits cognitivos e diferenciarem grupos diagnósticos nessa etapa do desenvolvimento.
A mesma pesquisadora insistiu na investigação sobre a aplicabilidade nos MPs, publicando outra revisão da literatura pautada em dados da base PsycINFO, agora voltada à faixa etária infantil (Piotrowski, 2024). Identificou 250 artigos revisados por pares, envolvendo diversos instrumentos, a saber: Rorschach (n=97), DFH (n=28), Desenho de uma pessoa (n=17), Completar frases (n=12), HTP (n=9), Série de manchas de tinta somáticas (n=8), CAT (n=7), Desenhos de famílias cinéticas (n=7), Teste de mãos (n=6) e Tell-Me-A-Story (TEMAS) (n=6). Desse grupo de artigos científicos foram selecionados 38 estudos considerados referências-chave e publicados entre 2000 e 2022. Suas considerações analíticas apontam que o uso dos MPs em crianças favorece a obtenção de informações relacionadas a marcos do desenvolvimento, adaptações sociais, regulação emocional e expressão verbal, que são desafios clínicos centrais na avaliação nessa faixa etária. Argumenta que, apesar das críticas quanto às limitações em relação aos MPs, há evidências empíricas que corroboram sua utilidade clínica nos processos de avaliação psicológica infantil.
Deixando o continente americano, Pérez Solís (2016) abordou o ensino de avaliação psicológica na Espanha. Mencionou que, ao longo dos anos, o emprego dos testes recebeu críticas abrangentes, e ainda recentemente, para muitos, a área do psicodiagnóstico é equivocadamente associada à prática de mera classificação das pessoas, sendo pejorativamente conhecida como atribuição de rótulos. O desconhecimento do que é a avaliação psicológica, a falta de preparação de certos profissionais para fazer adequado uso dos testes e a proliferação de instrumentos insuficientemente validados figuram como argumentos para originar essas críticas. O pesquisador argumentou que o ensino do psicodiagnóstico alcançou importante impulso na Espanha, em especial após a constituição da Sociedade Espanhola de Rorschach e Métodos Projetivos, na década de 1970. Anos depois, com a melhora da qualidade dos testes e da formação profissional foram compostas comissões que auxiliaram o desenvolvimento da área. Em 1999, a European Association of Methodology realizou a primeira pesquisa para conhecer as atitudes dos psicólogos europeus em relação aos testes psicológicos (Muñiz & Fernández-Hermida, 2000, citado por Pérez Solís, 2016). Verificaram que profissionais especialistas em educação, clínica e trabalho manifestaram a necessidade de alguma regulamentação profissional para controle no uso de testes psicológicos, exigindo formação permanente e atualizada e restrição de uso para profissionais qualificados, em especial no tocante aos MPs de avaliação psicológica.
Ao focalizar a contextualização do ensino de MP na América do Sul, vale destacar o estudo realizado por Ráez Ramírez (1999) no Peru, apontando que havia pouco mais de 5.000 estudantes de Psicologia distribuídos em 15 Instituições de Ensino Superior (IES) na capital e seis no interior, naquela época. Somente uma IES de Lima não ensinava MP. Foi aplicado um questionário nos professores de MP dos cursos de graduação em Psicologia de Lima e de especialização da Sociedade Peruana de Rorschach e Métodos Projetivos, totalizando 31 respondentes. Destes, 13 eram mestres, cinco eram doutores, sete licenciados e seis bacharéis em Psicologia. Dos MPs referidos pelos voluntários, o Rorschach era o mais utilizado, seguido das técnicas gráficas e dos testes temáticos. Dos 31 docentes, 62% consideravam que era "totalmente necessário" o ensino dos MPs e nenhum avaliava como desnecessário esse treinamento profissional.
Mais recentemente, Portocarrero-Ramos (2024) objetivou descrever a evolução da psicologia peruana desde 1980 até 2024 por meio de uma organização cronológica de ocorrências nas práticas profissionais naquele contexto, realizando revisão da literatura científica. Verificou a inexistência de um direcionamento quanto às especialidades de formação em Psicologia de cada IES. Ao tratar especificamente da área de Avaliação Psicológica, a única menção feita foi de que, das sete universidades mais reconhecidas na cidade de Lima (seis privadas e uma pública), apenas duas apresentavam a psicometria como linha de pesquisa. Para esse pesquisador, não há evidências de uma cultura voltada para a criação de testes psicológicos no Peru e sim para sua adaptação ao contexto sociocultural daquele país.
Cabe citar que durante o XI Congresso Iberoamericano de Avaliação Psicológica, ocorrido em Portugal em 2023, foi dedicada especial atenção à temática da realidade das práticas formativas em avaliação psicológica no espaço ibero-americano. Foi realizada uma mesa-redonda com professores de Portugal, Espanha, Chile e Brasil, examinando destinatários, nível de formação, objetivos, métodos de ensino, práticas, instrumentos e questões deontológicas, envolvidos nos cursos oferecidos no campo da avaliação psicológica na graduação e na pós-graduação nesses países, destacando-se o papel dos MPs (Jiménez-Gómez, Sánchez-Crespo, Rodriguez-Cancino, Pasian, & Campos, 2012). Após relato dos docentes, ficou evidente a tendência de menor carga horária para o treinamento profissional no campo da avaliação psicológica nos cursos de graduação em Psicologia, em especial envolvendo MP. A impressão geral é de que esse tipo de formação deverá se realizar no nível de pós-graduação em Psicologia, embora nem todos os profissionais busquem ou alcancem esse tipo de treinamento, o que pode comprometer a qualidade dos processos de avaliação psicológica, exigindo reflexão internacional a respeito dessa temática.
Desafios à formação em Avaliação Psicológica e Métodos Projetivos no Brasil
A Psicologia foi regulamentada como profissão no Brasil há mais de 60 anos por meio da Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962 ( Decreto nº 53 .464, 1964), e a regulamentação da formação em nível superior se dá pelo Ministério da Educação, que publica Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) específicas para cada curso. Os cursos de graduação em Psicologia estão atualmente regidos pela Resolução CNE/CES nº 1, de 11 de outubro de 2023 ( Resolução nº 1 , 2023). No art. 5º da referida resolução, tem-se como um dos eixos estruturantes dos cursos de Psicologia "Procedimentos para a investigação científica e para a prática profissional, garantindo tanto o domínio de instrumentos e estratégias de atuação, quanto a competência para selecioná-los, avaliá-los e adequá-los a problemas e contextos específicos". Mais adiante, no Art. 10º, dispõe-se sobre a avaliação psicológica como uma das possibilidades de ênfases curriculares do curso de Psicologia.
A partir da DCN de Psicologia tem-se a importância da AP na formação dos futuros profissionais. Assim, valoriza-se a criação de entidades científicas nacionais como Associação Brasileira de Rorschach e Métodos Projetivos (ASBRo), em 1993, e Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP), em 1997, além da criação da revista científica Avaliação Psicológica, em 2002, bem como das diretrizes para o ensino de Avaliação Psicológica (Nunes et al., 2012) e do livro Formação e estratégias de ensino em avaliação psicológica (Lima, Oliveira, Muniz, Zanini, & Santos, 2021), ambos desenvolvidos por pesquisadoras vinculadas ao Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP). As ações da ASBRo e do IBAP, bem como as publicações da revista Avaliação Psicológica, contribuem sobremaneira para que estudantes, professores, pesquisadores e profissionais possam se manter atualizados sobre a área. Já os textos de Nunes et al. (2012) e Lima et al. (2021) permitem que os professores reflitam sobre possibilidades de aperfeiçoamento do ensino de avaliação psicológica, incluindo-se a formação em MP.
Há uma preocupação com a gradativa redução de horas destinadas às disciplinas de Avaliação Psicológica em geral, nos cursos de graduação em Psicologia. Essa diminuição na carga horária tem limitado significativamente os conteúdos teóricos e práticos passíveis de serem ensinados durante a graduação, bem como dificultado o desenvolvimento das competências básicas esperadas para o manuseio dos testes psicológicos (Henklain & Muniz, 2022), o que acaba por reforçar o descrédito ao invés de superá-lo.
Ao tratar especificamente do ensino dos MPs, essa situação tem sido agravada, haja vista suas particularidades e diversidade técnica, que demandam mais tempo de ensino-aprendizagem. Adicionalmente, a aplicação e a interpretação de MP estão intimamente relacionadas ao manejo clínico, demandando bases sólidas das teorias da personalidade, do desenvolvimento humano e de psicopatologia, além dos necessários conhecimentos em psicometria. Raciocínio clínico e competências para condução do rapport e adequada observação dos comportamentos da pessoa avaliada também são exigidos nesta atuação profissional (Miguel & Cardoso, 2021). Na prática, o que se observa é que os desafios envolvendo o ensino de MP ficam ampliados ao pensar na complexidade das técnicas, o que aprofunda o impacto negativo da contínua redução da carga horária das disciplinas nos cursos de graduação em Psicologia no Brasil.
Para investigar como ocorria o ensino de MP em cursos de graduação em Psicologia no Brasil, Castro (2001) enviou um questionário para as 104 IES que tinham curso de Psicologia em 1998. Os dados foram gerados a partir das respostas de 58% (n=59) das IES, sendo 51% (n=30) instituições privadas, 32% (n=19) públicas e 17% (n=10) confessionais ou religiosas, das quais 80% estavam localizadas no Eixo Sul-Sudeste e 20% nas demais regiões geográficas do país. Do total de IES, 68% (n=40) contemplavam o Psicodiagnóstico de Rorschach em seus currículos, sendo 82,5% (n=33) no formato de disciplinas obrigatórias, com carga horária variando entre 60 e 120 horas-aula. Em 58% (n=21) das disciplinas havia atividades práticas de Rorschach em clínicas-escola ou clínicas conveniadas, e outras 28% (n=10) desenvolviam as atividades práticas e pedagógicas em sala de aula.
Numa outra pesquisa, Paula, Pereira e Nascimento (2007) objetivaram investigar a percepção de estudantes sobre o ensino de Avaliação Psicológica. Participaram da pesquisa 358 alunos de Psicologia que cursavam o último ano da graduação entre junho de 2004 e junho de 2005. Os alunos pertenciam a quatro instituições de Belo Horizonte (MG), sendo 20% provenientes de uma IES pública e 80% de três instituições particulares. Os estudantes responderam a um questionário composto por 19 itens relativos à formação sobre AP durante a graduação, com ênfase no uso de testes psicológicos. O instrumento tinha questões abertas e fechadas pautadas em três eixos principais: Formação acadêmica; Articulação entre teoria e prática e Identificação dos problemas mais frequentes no uso dos testes psicológicos. Durante a formação, os estudantes tiveram entre três e quatro disciplinas obrigatórias na área de AP e as disciplinas optativas mais cursadas pelos alunos foram Rorschach (12,1%); Técnicas Gráficas (10,1%); Psicodiagnóstico Miocinético – PMK (6,9%) e Teste de Apercepção Temática/Teste de Apercepção Infantil – TAT/CAT (4,2%). Duas faculdades não ofereciam disciplinas optativas na área e, nas que ofertavam essa modalidade de disciplina, um percentual baixo de alunos se matriculavam, o que, para as autoras, expressava desinteresse dos alunos pelo assunto e/ou dificuldade das instituições de ensino para fomentar o interesse. Não foram encontrados estudos semelhantes aos realizados por Castro (2001) e Paula, Pereira e Nascimento (2007) mais recentemente.
Numa tentativa de compreender o que tem levado a essa redução de interesse por métodos psicológicos mais sofisticados (como os MPs), que possibilitam compreender a complexidade e a riqueza da pessoa avaliada, buscou-se tecer reflexões exploratórias a partir do contexto sociocultural mais amplo e contemporâneo da sociedade, para as particularidades dos processos de avaliação psicológica. Assim, resgatamos o fenômeno da modernidade líquida de Bauman (2000).
Modernidade líquida e os Métodos Projetivos
O fenômeno da modernidade líquida, conforme descrito por Bauman (2000), caracteriza-se por uma sociedade em constante fluxo, sendo predominantemente marcada pela superficialidade e pela volatilidade nas relações humanas e na produção de conhecimento. Esse fenômeno, fortemente arraigado na sociedade atual, contribuiu para um conceito denominado McDonaldização (Ritzer, 1983), no qual a lógica da alimentação fast food foi transposta para outros setores da sociedade, tal como no contexto educação e ensino superior (Najafi, 2015). Para o sociólogo Ritzer (1983), essa organização da sociedade envolve quatro componentes: busca pela identificação de um método mais eficiente para cumprir uma tarefa; quantificação, visando a tornar mensuráveis por critérios numéricos e, portanto, mais objetivos, os aspectos qualitativo-subjetivos; previsibilidade, de modo que os serviços possam ser mais padronizados e normalizados e, por fim, o controle das ações humanas, cada vez mais substituídas por tecnologias não humanas.
Os componentes desse modelo de organização da sociedade podem ser observados no campo da avaliação psicológica diante das expectativas de processos cada vez mais breves; da perspectiva de criação de instrumentos com menor número de itens para reduzir o tempo de resposta e da valorização do uso e do ensino de métodos quantificáveis em detrimento dos métodos qualitativos. Além disso, parece subexistir uma demanda acirrada para que os testes psicológicos possam ser corrigidos por plataformas virtuais e, se possível, que ainda gerem uma síntese de seus resultados, como se esses não dependessem do contexto e das condições situacionais em que foram administrados. Mais recentemente, com o advento da pandemia de covid-19, intensificou-se também a expectativa por instrumentos que possam ser administrados de modo remoto (Muniz, Cardoso, Rueda, & Noronha, 2021).
Esses fenômenos da sociedade, concomitantes aos avanços tecnológicos, têm proporcionado ferramentas que buscam agilizar as análises psicológicas, tornando-as mais acessíveis e rápidas. Há algumas ferramentas cuja correção ou mesmo aplicação por meio das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) podem ser vantajosas. Para Miguel (2017), entre as vantagens pode-se citar: redução dos custos com papel e impressão, possibilidade de utilizar imagens em movimento e sons, criar recursos mais atrativos e tornar aleatória a ordem das alternativas de um teste psicológico. Já ao tratar especificamente da informatização dos MPs, o pesquisador argumenta que são necessários alguns cuidados extras. No caso dos testes com manchas de tinta, por exemplo, há que se cuidar da qualidade da imagem. No caso de testes que envolvam desenho ou outro tipo de produção gráfica, haveria demanda de utilização de canetas digitais, o que elevaria o custo do material, entre outros.
Algumas alternativas já vêm sendo empregadas no uso das TDICs com métodos expressivos e projetivos de avaliação psicológica. A exemplo pode-se citar o software de Sistema de Correção Informatizada do Teste Palográfico (SKIP), que auxilia na codificação de aspectos qualitativos desse instrumento (Cardoso et al., 2014); os estudos com uma versão informatizada do Rorschach (Ales et al., 2023) e a publicação da versão informatizada do Teste das Pirâmides Coloridas de Pfister (Villemor-Amaral & Cardoso, 2025).
Importante, neste ponto, demarcar um posicionamento dos autores desse artigo. O uso das tecnologias para facilitar o manuseio dos MPs é sugerido apenas à administração e para a codificação de variáveis que sejam quantitativas, mas defendemos que a classificação dos indicadores que pressupõem alguma análise qualitativa e o julgamento do avaliador sejam sempre realizados por profissional capacitado. Essa medida visa a assegurar que sejam preservados aspectos mais particulares e idiográficos do modo como o indivíduo responde aos MPs.
Convém também uma defesa por parte dos autores para que não sejam utilizadas plataformas que gerem síntese interpretativa dos protocolos, uma vez que nos MPs se faz necessária a articulação entre os indicadores obtidos e sua relação com a demanda. A associação que é feita a partir de pontuações e escores obtidos em escalas de autorrelato, a exemplo de como ocorre na Bateria Fatorial de Personalidade (BFP), não cabe na complexidade analítica dos achados com MP.
Por fim, uma terceira defesa é que se compreenda que o uso dos instrumentos em meios remotos requer adequado estudo de verificação da equivalência entre a aplicação no formato tradicional e a versão informatizada. Soave et al. (2020), em meio à pandemia de covid-19, propôs adaptar a coleta de dados de uma pesquisa que estava em andamento com o Rorschach para essa modalidade de aplicação. A autora mencionou tratar-se de estudo piloto; escaneou as pranchas do Rorschach em arquivo digital e administrou o teste remotamente em 117 voluntários de pesquisa. Os principais desafios identificados foram os recursos tecnológicos necessários para a aplicação virtual do teste, visto que 51% dos voluntários apresentaram dificuldades ou limitações vinculadas a essa variável. Assim, 18% das administrações foram prejudicadas pela falta de familiaridade com dispositivos tecnológicos, 15% por interrupções não previstas na conexão de internet e 16% em função da baixa qualidade de imagem ou áudio. Além disso, ao tratar de questões inerentes à aplicação do Método de Rorschach, também houve prejuízo associado a 50% da amostra. Entre os problemas mais recorrentes estão dificuldade em localizar suficientemente as respostas e limitações referentes à virada espontânea das pranchas. Por fim, observou-se tendência à fadiga para 22% dos respondentes. Como aspecto positivo foi destacada unicamente a possibilidade de gravação dos dados oferecida pela modalidade virtual.
No cenário descrito tem-se a valorização da agilidade no amplo contexto social, previamente identificada por Ritzer (1983), e potencializada na contemporaneidade pela velocidade de processamento da informação propiciada pela internet e Inteligência Artificial (IA). Nota-se também uma demanda por diagnósticos rápidos, muitas vezes incentivados por interesses financeiros, que comprometem a credibilidade das ações no campo psicológico. Assim, as preocupações citadas acentuam-se em alguns contextos, como por exemplo, o de avaliações compulsórias.
Nas avaliações psicológicas de caráter compulsório, o indivíduo se propõe a participar de um processo avaliativo para obter algum tipo de benefício a si mesmo ou a terceiros, tais como Carteira Nacional de Habilitação (CNH), manuseio de arma de fogo e concurso público (Faiad & Alves, 2018). Nestes contextos, a avaliação psicológica apresenta desafios éticos, técnicos e humanos que exigem atenção cuidadosa por parte dos profissionais da área. Muitas vezes determinadas por demandas judiciais, escolares ou organizacionais, essas avaliações colocam o psicólogo em uma posição delicada, de ter que lidar com o problema da privacidade e de atender ao melhor interesse do avaliado ao reportar resultados a terceiros.
Nas avaliações psicológicas compulsórias, muitas vezes os profissionais se deparam com prazos exíguos e altas expectativas por resultados imediatos. Este fenômeno pode levar a uma abordagem reducionista, focalizando apenas padrões técnicos que se transformam em ações estereotipadas e análises superficiais dos achados, deixando de lado a compreensão profunda e contextualizada das dinâmicas psíquicas. Assim, embora o uso de padrões normativos seja indispensável para garantir a objetividade em avaliações compulsórias, enfrenta-se o desafio de equilibrar essa abordagem com a valorização da singularidade da pessoa avaliada. A título de exemplo, pode-se citar a Instrução Normativa no 78/2014 da Polícia Federal, que torna obrigatório o uso de pelo menos um instrumento expressivo e um projetivo em processos de avaliação psicológica, ao mesmo tempo que há uma expectativa de retorno dessas avaliações em tempo incompatível ao demandado, limitando uma análise adequada desses métodos. Provavelmente dessa pressão imposta surge a ilusão de que o uso de tecnologias avançadas possa substituir aquilo que depende, em última instância, de capacidade de compreensão e sensibilidade humanas.
Nesses cenários em que a superficialidade (Bauman, 2000) permeia a sociedade fast food (Ritzler, 1983), mina-se o embasamento teórico e técnico, podendo levar, como consequência, a decisões injustas que geram impactos sociais adversos, como facilitar o acesso a arma de fogo a uma pessoa que não tenha estabilidade emocional para tal, ou crianças que são equivocadamente diagnosticadas com transtornos do desenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, quando não têm essa condição. Acredita-se que a maneira mais eficaz de proteger a sociedade é assegurar uma formação profissional de qualidade para que os psicólogos possam ter uma compreensão da subjetividade e do contexto de vida da pessoa avaliada.
Perspectivas para formação e prática profissional com métodos projetivos
Tratando-se especificamente do contexto de ensino dos MPs, Piotrowski (2017) sugeriu que professores de avaliação psicológica em programas clínicos/profissionais se posicionem firmemente para não excluir a cobertura didática/prática do ensino de MP, mesmo diante das pressões departamentais para a inclusão de áreas temáticas emergentes de especialização na psicologia profissional. Apontou ainda que docentes com interesse em MP também deveriam incentivar e apoiar a área geral da avaliação da personalidade, pois a colaboração e coesão técnico-científica são essenciais nos processos de AP. Sua argumentação aponta que, tanto na formação acadêmica quanto profissional voltada aos MPs, em seus diferentes níveis (graduação, especialização, pós-graduação), os professores devem se esforçar para incluir questões relacionadas aos princípios norteadores desses instrumentais quando o tema da avaliação psicológica baseada em evidências for discutido e apresentado em artigos acadêmicos. Por fim, a pesquisadora sugere que os proponentes dos MPs devem encorajar e abraçar esforços para proporcionar, aos colegas interessados e recém-formados, oportunidades de estudo intensivo de MP por meio de workshops e mentoria individual, fora da academia, focalizando a prática clínica.
Ainda refletindo sobre perspectivas de continuidade da utilização dos MPs, Piotrowski (2017) defendeu que seriam necessárias algumas providências. Em primeiro lugar, apontou a obrigatoriedade da publicação de resultados empíricos que apoiem as propriedades psicométricas dos MPs. Em especial, destacou a importância da condução de estudos que evidenciem o valor clínico e a utilidade dos MPs na avaliação idiográfica, no progresso do tratamento e em resultados terapêuticos. Sugeriu também que seria relevante a emissão de respostas rápidas de investigadores, com base em pesquisa empírica e comentários perspicazes, sobre quaisquer críticas tendenciosas e infundadas a MP que apareçam em periódicos importantes.
Pensando mais especificamente nos pontos sobre a condução de estudos que evidenciem o valor clínico e a utilidade dos MPs na avaliação tanto nomotética quanto idiográfica, no progresso do tratamento e nos resultados terapêuticos, tem-se a perspectiva das avaliações psicológicas multimétodos. Contrariamente aos antigos embates sobre a preferência por MPs em detrimento dos testes de autorrelato e vice-versa, a literatura científica hoje aponta que a melhor avaliação psicológica é a avaliação multimétodos. Corresponde à avaliação psicológica que combina os dois tipos de instrumentos, pois dessa integração originam-se novos dados, resultantes da compreensão sobre as convergências e eventuais divergências de resultados entre eles (Bornstein, 2022 ; Finn, 2007/ 2017).
Os MPs enquanto testes psicológicos possibilitam a compreensão da singularidade e complexidade do indivíduo de modo mais profundo do que os instrumentos de autorrelato, que. por sua vez, possibilitam compreender a maneira como a pessoa avaliada se percebe ou a imagem que quer passar. Portanto, as divergências que aparecem nos resultados não invalidam o dado de um ou do outro instrumento, mas apontam para eventuais contradições entre o como a pessoa se vê (autorrelato) e como ela realmente tende a funcionar tipicamente em situações menos estruturadas, projetivas (Finn, 2007/ 2017 ; Santillo et al., 2025).
É precisamente essa capacidade que possibilita aos MPs identificarem nuances significativas que contribuem sensivelmente à compreensão mais ampla do funcionamento psíquico (Weiner, 2000). O mesmo argumento foi recentemente reforçado por Santillo et al. (2025) ao afirmarem que:
Os testes projetivos também podem oferecer insights valiosos sobre os relacionamentos interpessoais e a presença de conflitos internos. Além disso, servem como ferramentas complementares que enriquecem os dados obtidos a partir de questionários e listas de verificação padronizadas, possibilitando uma avaliação mais abrangente do indivíduo.
(p. 15)
Compreende-se, deste modo, que a valorização de singularidade e particularidades individuais não envolve somente aspectos técnicos no uso dos MPs. Trata-se de compreender o processo de avaliação psicológica com MP como um entendimento ético e humanístico, reforçando o compromisso de considerar cada pessoa avaliada como uma pessoa única em seus aspectos mais subjetivos (Finn, 2007/ 2017). Alguns autores também sugerem que os MPs podem ser utilizados como ferramentas terapêuticas, proporcionando aos pacientes um espaço para autorreflexão e processamento emocional (Santillo et al., 2025).
A compreensão dos fundamentos teóricos que sustentam os MPs é imprescindível para que os profissionais possam integrar e interpretar os dados gerados de forma consistente e coerente com a pessoa avaliada e seu contexto de vida (Villemor-Amaral & Pasian, 2022). Mais uma vez recorremos às palavras de Santillo et al. (2025) ao referirem que:
A exatidão da interpretação exige treinamento especializado e conhecimento aprofundado das metodologias projetivas; a aplicação mecânica de ‘receitas’ de interpretação predefinidas é inadequada.
(p. 16)
Nota-se, entretanto, que o cenário contemporâneo, marcado por demandas crescentes por eficiência e uniformidade, dificulta o aprofundamento em informações singulares do indivíduo com MP. Isso tem se tornado um desafio justamente por demandar amplos conhecimentos teóricos e tempo para reflexão sobre os achados. Esse processo tende a ser raramente privilegiado em tempos de internet, redes sociais e uso da IA, com pressão por diagnósticos rápidos e soluções imediatas para questões altamente complexas envolvidas no comportamento humano.
Uma das considerações finais da revisão da literatura realizada por Santillo et al. (2025) a respeito dos MPs na era digital merece ser transcrita nesse momento. Em suas palavras:
Como resultado, esses testes (MP) não devem ser considerados instrumentos diagnósticos isolados, mas sim complementares, que podem aprimorar práticas clínicas e de triagem quando aplicados por profissionais capacitados. Seu custo-benefício e caráter não invasivo levaram ao uso disseminado em diversos contextos — desde ambientes escolares e comunitários até populações clínicas variadas.
(p. 17)
O estudo defende, em última análise, uma abordagem de métodos mistos, incorporando MP para ampliar a compreensão sobre os fenômenos psicológicos nas diferentes etapas do desenvolvimento.
Torna-se crucial, portanto, a adequada formação profissional para lidar com essa complexidade de indicadores dos MPs, diversidade de instrumentos de AP e particularidades das pessoas, com suas diversificadas demandas e contextos de vida. A esta altura faz-se necessária a questão: este exigente treinamento técnico-científico pode ser alcançado durante as disciplinas de graduação em Psicologia? Seria formação a ser conduzida em cursos de pós-graduação lato sensu (como especializações) ou stricto sensu (mestrado ou doutorado)?
Na realidade da formação profissional no Brasil, esse treinamento consta como competência a ser desenvolvida durante a graduação em Psicologia, visto que o profissional estará autorizado a realizar quaisquer processos de avaliação psicológica. Apenas em 2019 foi instituída a área de especialidade em Avaliação Psicológica pelo Conselho Federal de Psicologia ([CFP] Resolução nº 18 , 2019), o que já constituiu grande avanço no campo, reconhecendo a complexidade dessa atuação profissional.
A partir das provocações de Piotrowski (2017), professores de avaliação psicológica precisarão trabalhar arduamente para inspirar seus discentes a reconhecerem a riqueza das informações advindas dos MPs, apesar da complexidade envolvida em sua aprendizagem. A facilidade técnica dos instrumentais de autorrelato e de correções informatizadas (às vezes até com aplicações remotas) tendem a encantar os jovens pela agilidade com que dados emergem e são organizados em tabelas didáticas e interpretações padronizadas. Muitos discentes parecem até vidrados pela possibilidade de alcançarem conhecimentos rápidos sobre a personalidade a partir de testes psicológicos denominados como "objetivos", questionando-nos sobre a razão da multiplicidade de variáveis envolvidas na análise de qualquer produção derivada de um MP. Quase que surpresos pela exigência técnico-científica de levar em consideração as particularidades relacionais envolvidas no uso dos MPs, inseguros ao buscarem a integração de diferentes indicadores relativos à complexidade do mundo interno humano. Neste momento retomamos a fala da citada pesquisadora, identificando o papel do docente de incentivar a busca do conhecimento e do aprofundamento das bases teórico-técnicas envolvidas nos processos de avaliação psicológica com MP.
Conclusão
A sociedade fast food impõe desafios significativos ao campo da Psicologia, especialmente no que diz respeito à avaliação e aos processos diagnósticos. O aprofundamento teórico e reflexivo deve ser reafirmado como pilar essencial da prática psicológica, resistindo à tendência tecnicista e superficial que permeia a modernidade líquida. Somente com uma abordagem que equilibre aprofundamento teórico, rigor técnico, sensibilidade empática e ética será possível oferecer avaliações que promovam justiça social e valorização da singularidade humana. Para tanto, no uso dos MPs, é imprescindível conhecer a origem e o propósito de cada um dos indicadores, favorecendo a consideração das particularidades da dinâmica psíquica manifestada nas respostas da pessoa avaliada. Além disso, também é preciso desenvolver um raciocínio clínico que permita compreender a complexidade envolvida em cada processo, exigindo dedicação e persistência na interação com a pessoa humana.
Por fim, vale considerar que a relação custo-benefício e o caráter não invasivo dos MPs levaram ao uso disseminado em diversos contextos (Santillo et al., 2025). E as evidências empíricas a respeito da cientificidade desses instrumentais tendem a ganhar espaço em periódicos científicos altamente qualificados, exigindo permanente atualização profissional. Os avanços tecnológicos e a IA poderão constituir recursos promissores neste processo, porém com a devida parcimônia, de modo a não desvalorizar ou querer magicamente substituir a sensibilidade humana e a empatia necessária nas intervenções psicológicas.
Acompanhando as sugestões apresentadas no interessante trabalho realizado por Kim (2025), estudos futuros também poderiam investigar a prevalência de cursos de avaliação projetiva no Brasil e em outros países, focalizando cursos de graduação em Psicologia e programas de pós-graduação, de modo a explorar os fatores que influenciam a oferta dessas formações e oportunidades de treinamento. Isso pode impactar a oportunidade dos profissionais de realizar formações em avaliação projetiva, bem como adequadamente reconhecer e utilizar os MPs em processos de investigação psicológica.
Referências
-
Ales, F., Meyer, G. J., Mihura, J. L., Loia, A. C., Pasqualini, S., Zennaro, A., & Giromini, L. (2023). Can the Rorschach be administered remotely? A review of options and a pilot study using a newly developed R-PAS app. Psychological Injury and law, 16(2), 99-115. https://doi.org/10.1007/s12207-022-09447-z
» https://doi.org/10.1007/s12207-022-09447-z - Bauman, Z. (2000). Modernidade líquida. Zahar.
-
Bornstein, R. F. (2012). Rorschach score validation as a model for 21st-century personality assessment. Journal of Personality Assessment, 94(1), 26-38. https://doi.org/10.1080/00223891.2011.627961
» https://doi.org/10.1080/00223891.2011.627961 -
Bornstein, R. F. (2022) Toward an Integrative Perspective on the Person. Rorschachiana, 43(2), 103-127. https://doi.org/10.1027/1192-5604/a000160
» https://doi.org/10.1027/1192-5604/a000160 - Cardoso, T., Esteves, C., Silva, F. C. D., Arsuffi, E. D. S., & Franzim Neto, L. (2014). Precisão do sistema de correção informatizada do teste Palográfico-SKIP. Boletim de Psicologia, 64(141), 185-194.
-
Castro, P. F. (2001). O ensino do Rorschach em uma amostra brasileira. Psicologia: Ciência e Profissão, 21(1), 46-53. https://doi.org/10.1590/S1414-98932001000100006
» https://doi.org/10.1590/S1414-98932001000100006 -
Decreto nº 53.464, de 21 de janeiro de 1964. (1964, 21 de janeiro). Regulamenta a Lei nº 4.119, de agosto de 1962, que dispõe sobre a Profissão de Psicólogo. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/d53464.htm
» https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/d53464.htm -
Faiad, C., & Alves, I. C. B. (2018). Contribuições do SATEPSI para Avaliações Psicológicas Compulsórias (Trânsito, Porte de Arma e Concursos Públicos). Psicologia: Ciência e Profissão, 38(spe), 50-59. https://doi.org/10.1590/1982-3703000208851
» https://doi.org/10.1590/1982-3703000208851 - Finn, S. E. (2017). Pela perspectiva do cliente (C. C. Bartalotti, Trad.). Hogrefe. (Trabalho original publicado em 2007)
-
Fouques, D., Castro, D., Mouret, M., & Le Chevanton, T. (2021). Teaching the Rorschach Comprehensive System. Rorschachiana, 42(1), 1-20. https://doi.org/10.1027/1192-5604/a000138
» https://doi.org/10.1027/1192-5604/a000138 -
Frank, L. K. (1939). Projective methods for the study of personality. The Journal of Psychology, 8(2), 389-413. https://doi.org/10.1080/00223980.1939.9917671
» https://doi.org/10.1080/00223980.1939.9917671 -
Henklain, M. H. O., & Muniz, M. (2022). Proposição de objetivos de aprendizagem para uma disciplina introdutória de avaliação psicológica. Avaliação Psicológica, 21(2), 215-226. https://doi.org/10.15689/ap.2022.2102.19477.09
» https://doi.org/10.15689/ap.2022.2102.19477.09 -
Instrução Normativa n° 78, de 10 de fevereiro de 2014. (2014, 10 de fevereiro). Estabelece procedimentos para o credenciamento e fiscalização de psicólogos responsáveis pela expedição de comprovante de aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo e regulamenta a atuação do psicólogo na avaliação psicológica do vigilante. Polícia Federal. https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/armas/psicologos/instrucao-normativa_78_10defevereiro2014-1.pdf
» https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/armas/psicologos/instrucao-normativa_78_10defevereiro2014-1.pdf - Jiménez-Gómez, F., Sánchez-Crespo, G., Rodriguez-Cancino, M., Pasian, S. R., & Campos, R. (2023, 4-5 de maio). Realidades y retos de la formación em evaluación psicológica em el espacio iberoamericando [Apresentação de trabalho]. XI Congresso Iberoamericano de Avaliação Psicológica – Avaliação Psicológica: Modelos, Metodologias e Aplicações, Faro, Portugal.
- Kim, C. (2025). Mental Health Clinicians’ Attitude Toward Projective Assessments [Dissertation for the Degree of Doctor of Psychology, Faculty of The Chicago School].
-
Lilienfeld, S. O., Wood, J. M., & Garb, H. N. (2000). The scientific status of projective techniques. Psychological Science in the Public Interest, 1(2), 27-66. https://doi.org/10.1111/1529-1006.002
» https://doi.org/10.1111/1529-1006.002 - Lima, T. H., Oliveira, K. L., Muniz, M., Zanini, D. S., & Santos, A. A. A. (2021). Formação e estratégias de ensino em avaliação psicológica. Vozes.
-
McGrath, R. E., Twibell, A., & Carroll, E. J. (2023). The current status of "projective" "tests". In H. Cooper, M. N. Coutanche, L. M. McMullen, A. T. Panter, D. Rindskopf, & K. J. Sher (Eds.), APA handbook of research methods in psychology: Foundations, planning, measures, and psychometrics (2nd ed., pp. 433–450). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/0000318-020
» https://doi.org/10.1037/0000318-020 -
Miguel, F. K. (2017). A utilização da informática nas pesquisas em avaliação psicológica. Avaliação Psicológica, 16(4), 1-3. https://doi.org/10.15689/ap.2017.1604.ed
» https://doi.org/10.15689/ap.2017.1604.ed - Miguel, F. K., & Cardoso, L. M. (2021). Estratégias e metodologias para o ensino de testes psicológicos projetivos. In Lima, T. H., Oliveira, K. L., Muniz, M., Zanini, D. S., & Santos, A. A. A. Formação e estratégias de ensino em avaliação psicológica (pp. 270-283). Vozes.
-
Muniz, M., Cardoso, L. M., Rueda, F. J. M., & Noronha, A. P. P. (2021). Desafios da Avaliação Psicológica para a Prática diante da Atuação Profissional Mediada pela Tecnologia de Informação. Psico-USF, 26(spe), 9–19. https://doi.org/10.1590/1413-8271202126nesp03
» https://doi.org/10.1590/1413-8271202126nesp03 -
Najafi, H. (2015). McDonaldization, society, and education. International Journal of Humanities and Social Science, 9(1), 211-214. https://www.researchgate.net/publication/358226592_McDonaldization_Society_and_Education
» https://www.researchgate.net/publication/358226592_McDonaldization_Society_and_Education -
Nunes, M. F. O., Nascimento, M. M., Reppold, C. T., Faiad, C., Buen, J. M. H., & Noronha, A. P. P. (2012). Diretrizes para o ensino de avaliação psicológica. Avaliaçao Psicologica: Interamerican Journal of Psychological Assessment, 11(2), 309-316. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712012000200016
» https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712012000200016 -
Paula, A. V. D., Pereira, A. S., & Nascimento, E. D. (2007). Opinião de alunos de psicologia sobre o ensino em avaliação psicológica. Psico-USF, 12, 33-43. https://doi.org/10.1590/S1413-82712007000100005
» https://doi.org/10.1590/S1413-82712007000100005 -
Perez-Solís, M. (2016). La evaluación psicológica en contextos educativos: aciertos del pasado, errores del presente y propuestas de futuro. Estudos de Psicologia (Campinas), 33(3), 465–476. https://doi.org/10.1590/1982-02752016000300010
» https://doi.org/10.1590/1982-02752016000300010 -
Piotrowski, C. (1984). The status of projective techniques: Or,"wishing won’t make it go away". Journal of Clinical Psychology, 40(6), 1495-1502. https://doi.org/10.1002/1097-4679(198411)40:6%3C1495: :aid-jclp2270400640%3E3.0.co;2-j
» https://doi.org/10.1002/1097-4679(198411)40:6<1495::aid-jclp2270400640>3.0.co;2-j -
Piotrowski, C. (2015a). Clinical Instruction on Projective Techniques in the USA: A Review of Academic Training Settings 1995-2014. SIS Journal of Projective Psychology & Mental Health, 22(2). https://psycnet.apa.org/record/2015-31596-003
» https://psycnet.apa.org/record/2015-31596-003 -
Piotrowski, C. (2015b). On the decline of projective techniques in professional psychology training. North American Journal of Psychology, 17(2). https://psycnet.apa.org/record/2015-22432-006
» https://psycnet.apa.org/record/2015-22432-006 -
Piotrowski, C. (2015c). Projective techniques usage worldwide: A review of applied settings 1995-2015. Journal of the Indian Academy of Applied Psychology, 41(3), 9-19. https://www.academia.edu/26014801/Projective_Techniques_Usage_Worldwide_A_Review_of_Applied_Settings_1995-2015
» https://www.academia.edu/26014801/Projective_Techniques_Usage_Worldwide_A_Review_of_Applied_Settings_1995-2015 -
Piotrowski, C. (2017). The linchpin on the future of projective techniques: The precarious status of personality assessment in the (overcrowded) professional psychology curriculum. Journal of Projective Psychology and Mental Health, 24, 71-3. https://psycnet.apa.org/record/2017-34256-001
» https://psycnet.apa.org/record/2017-34256-001 -
Piotrowski, C. (2022a). Editorial: Further evidence that projective techniques continue as popular clinical assessment tools in practice settings. Journal of Projective Psychology & Mental Health, 29(2), 61–63. https://psycnet.apa.org/record/2022-77586-001
» https://psycnet.apa.org/record/2022-77586-001 -
Piotrowski, C. (2022b). Use of Projective Techniques with the Elderly: An Historical Analysis of Key Research Studies. SIS Journal of Projective Psychology & Mental Health, 29(2). https://psycnet.apa.org/record/2022-77586-003
» https://psycnet.apa.org/record/2022-77586-003 -
Piotrowski, C. (2024). Editorial: Positive psychological assessment: The contribution of projective techniques. Journal of Projective Psychology & Mental Health, 31(1), 1-3. https://psycnet.apa.org/record/2024-42637-001
» https://psycnet.apa.org/record/2024-42637-001 -
Piotrowski, C., Keller, J. W., & Ogawa, T. (1993). Projective techniques: An international perspective. Psychological Reports, 72(1), 179-182. https://doi.org/10.2466/pr0.1993.72.1.179
» https://doi.org/10.2466/pr0.1993.72.1.179 -
Portocarrero-Ramos, C., & Miñan, M. Á. (2024). Psychology in modern Peru: an overview since 1980. Revista de Historia de la Psicología, 45(2), 12-21. https://doi.org/10.5093/rhp2024a6
» https://doi.org/10.5093/rhp2024a6 -
Ráez Ramires, M. (1999). Situación actual de la enseñanza del psicodiagnóstico de Rorschach y los métodos proyectivos en el Perú. Revista de Psicología, 17(2), 147-167. https://doi.org/10.18800/psico.199902.002
» https://doi.org/10.18800/psico.199902.002 -
Resolução nº 18, de 05 setembro de 2019. (2019, 5 de setembro). Reconhece a Avaliação Psicológica como especialidade da Psicologia e altera a Resolução CFP nº 13, de 14 de setembro de 2007, que institui a Consolidação das Resoluções relativas ao Título Profissional de Especialista em Psicologia. Conselho Federal de Psicologia. https://atosoficiais.com.br/cfp/resolucao-do-exercicio-profissional-n-18-2019-institui-condicoes-para-concessao-e-registro-de-psicologa-e-psicologo-especialistas-reconhece-as-especialidades-da-psicologia-e-revoga-as-resolucoes-cfp-n-13-de-14-de-setembro-de-2007-n-3-de-5-de-fevereiro-de-2016-n-18-de-5-de-setembro-de-2019
» https://atosoficiais.com.br/cfp/resolucao-do-exercicio-profissional-n-18-2019-institui-condicoes-para-concessao-e-registro-de-psicologa-e-psicologo-especialistas-reconhece-as-especialidades-da-psicologia-e-revoga-as-resolucoes-cfp-n-13-de-14-de-setembro-de-2007-n-3-de-5-de-fevereiro-de-2016-n-18-de-5-de-setembro-de-2019 -
Resolução nº 1, de 11 de outubro de 2023. (2023, 11 de outubro). Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Psicologia. Ministério da Educação, Conselho nacional de Educação. https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-cne/ces-n-1-de-11-de-outubro-de-2023-518120795
» https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-cne/ces-n-1-de-11-de-outubro-de-2023-518120795 -
Ritzer, G. (1983). The "McDonaldization" of Society. Journal of American Culture, 6(1), 100-107. https://doi.org/10.1111/j.1542-734X.1983.0601_100.x
» https://doi.org/10.1111/j.1542-734X.1983.0601_100.x - Rorschach, H. (1978). Psicodiagnóstico: Método e resultados de uma experiência diagnóstica de percepção – interpretação de formas fortuitas. Mestre Jou. (Trabalho original publicado em 1921)
-
Santillo, G., Morra, R. C., Esposito, D., & Romani, M. (2025). Projective in Time: A Systematic Review on the Use of Construction Projective Techniques in the Digital Era-Beyond Inkblots. Children, 12(4), e406. https://doi.org/10.3390/children12040406
» https://doi.org/10.3390/children12040406 - Soave, M., Muszio, S. V., Giraudo, M., Rubiolo, V., Rassino, A., Carnero, C., & Aparicio, V. (2020, ). Administración remota de la prueba de Rorschach en tiempos de pandemia. Anuario de inestigaciones de la Facultad de Psicología. Anais de IV Congreso Internacional de Psicología "Ciencia y Profesión": Desafíos para la construcción de una psicología regional, 5(2), 117-125.
- Villemor-Amaral, A. E. D., & Cardoso, L. M. (2019). Avaliação da personalidade no Brasil utilizando métodos projetivos. In M. N. Baptista, & A. E. Villemor-Amaral (Orgs.), Compêndio de Avaliação Psicológica (pp. 475-482). Vozes.
- Villemor-Amaral, A. E., & Cardoso, L. M. (2025). As pirâmides coloridas de Pfister. Hogrefe.
- Villemor-Amaral, A. E. D., & Pasian, S. R. (2022). Métodos projetivos de avaliação psicológica: da origem até a atualidade. In A. E. Villemor-Amaral, S. R. Pasian, & D. M. Amparo, D. M. (Orgs.), Avanços em Métodos Projetivos (pp. 9-18). Hogrefe.
-
Weiner, I. B. (2000) Making Rorschach interpretation as good as it can be. Journal of Personality Assessment, 74(2), 164-74. https://doi.org/10.1207/s15327752jpa7402_2
» https://doi.org/10.1207/s15327752jpa7402_2
-
Disponibilidade de dados:
Os dados da pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.
-
Como citar:
Cardoso, L. M., Pasian, S. R., Villemor-Amaral, A. E, & Silberstein, F. (2025). Formação em Métodos Projetivos de Avaliação Psicológica: Uma Conversa Necessária. Psicologia: Ciência e Profissão , 45 (n.spe1) , 146-160. https://doi.org/10.1590/1982-3703003297387
-
How to cite:
Cardoso, L. M., Pasian, S. R., Villemor-Amaral, A. E, & Silberstein, F. (2025). Training for the Use of Projective Methods in Psychological Assessment: A Truly Necessary Conversation. Psicologia: Ciência e Profissão , 45 (n.spe1) , 146-160. https://doi.org/10.1590/1982-3703003297387
-
Cómo citar:
Cardoso, L. M., Pasian, S. R., Villemor-Amaral, A. E, & Silberstein, F. (2025). Formación en Métodos Proyectivos de Evaluación Psicológica: Un Diálogo Necesario. Psicologia: Ciência e Profissão , 45 (n.spe1) , 146-160. https://doi.org/10.1590/1982-3703003297387
Os dados da pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.
