Este relato de experiência no âmbito das práticas profissionais tem como objetivo explorar possibilidades de acesso de travestis, em contextos de prostituição de rua, aos serviços de saúde destinados às estratégias de prevenção do HIV/AIDS. As narrativas que compõem estas escritas-experiências apresentam situações de precarização e marginalização que tornam tais corpos invisíveis em termos de acesso a políticas públicas, fundamentalmente as de saúde. Os encontros com as travestis ocorreram por meio de intervenções nos territórios de sociabilidade, a partir de estratégias e ações no campo do HIV/AIDS realizadas por uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que atua na prevenção em saúde e uma pesquisa realizada entre 2016 e 2018 no campo da psicologia social. A análise deste relato de experiência parte de uma leitura pós-estruturalista em diálogo com o pensamento contracolonial, em que modos de subjetivação são constituídos nos jogos de relações saber/poder como efeitos de uma política colonial. As narrativas decorrentes dessa escrita-experiência expõem situações de violência e desproteção que engendram condições de invisibilidade desses corpos, no que se refere ao direito de acesso a políticas.
Palavras-chave:
Travestis; Mulheres Transexuais; Prevenção de HIV/AIDS