Os debates em construção para uma Psicologia não hegemônica devem estar presentes no processo de Avaliação Psicológica. Nessa direção, o objetivo deste artigo é trazer reflexões e proposições para a formação em Avaliação Psicológica nos países do Sul Global. A ideia não é traçar diretrizes únicas para a formação, mas discutir alguns conhecimentos existentes que podem contribuir para a formação de psicólogos comprometidos eticamente com as especificidades dos países do Sul Global e para a construção teórica e prática da Avaliação Psicológica. As reflexões e proposições partem de materiais elaborados sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS/ONU), os direitos humanos, a decolonização, a importância e valorização de modelos teóricos êmicos e a construção de instrumentos e procedimentos de avaliação. Ressalta-se a necessidade de uma formação crítica e contextualizada, que valorize saberes locais e promova práticas avaliativas eticamente responsáveis. Ao final são elencadas competências transversais críticas e orientadas à justiça e ao antirracismo que devem orientar a formação em Avaliação Psicológica, contribuindo para processos avaliativos socialmente comprometidos, culturalmente sensíveis e alinhados às realidades históricas dos povos do Sul Global.
Palavras-chave:
Justiça social; Decolonização; Diversidade cultural; Formação profissional; Validade do teste