Open-access Dicção lírica do português brasileiro: questões aplicadas às Oito canções populares brasileiras de José Siqueira

Lyric Diction of Brazilian Portuguese: Applied Issues in the Oito Cancões Populares Brasileiras by José Siqueira

Resumo

O presente artigo discute a aplicação das Normas para a Pronúncia do Português Brasileiro no Canto Erudito, publicadas em 2007, às Oito Canções Populares Brasileiras, do compositor paraibano José Siqueira (1907-1985). Tendo em vista que não só essas canções, mas toda a obra de Siqueira possui forte caráter regional, é nosso entendimento que adaptações das normas são necessárias. Sugerimos aqui uma pronúncia do português brasileiro que acreditamos que trará mais credibilidade, autenticidade e expressividade à performance de tais canções. Este artigo é também um esforço consciente na luta contra o preconceito linguístico e a estigmatização de variedades linguísticas que comumente não são consideradas corretas ou apropriadas.

Palavras-chave
canção de câmara brasileira; José Siqueira; dicção lírica

Abstract

This article discusses the application of the Normas para a Pronúncia do Português Brasileiro no Canto Erudito [Guidelines for Brazilian Portuguese Pronunciation in Classical Singing] published in 2007, to Oito Canções Populares Brasileiras by Paraiban composer José Siqueira (1907-1985). Given that these songs, like Siqueira’s entire body of work, possess a strong regional character, we believe adaptations to the guidelines are necessary. We propose a pronunciation of Brazilian Portuguese that we believe enhances credibility, authenticity, and expressiveness to the performance of these songs. This article is also a conscious effort to combat linguistic prejudice and the stigmatization of linguistic varieties that are often considered incorrect or inappropriate.

Keywords
Brazilian art song; José Siqueira; lyric diction

No início do século XX, o movimento nacionalista brasileiro trouxe à tona questões acerca do desenvolvimento da canção brasileira de câmara e da pronúncia do português brasileiro para o canto lírico. Alberto Nepomuceno (1864-1920) foi o primeiro compositor brasileiro a expressar uma intenção de desenvolver uma tradição de canção brasileira de câmara. Ele e outros compositores brasileiros consideravam o Lied alemão, com seu alto nível de expressividade e conexão entre texto e música, como parâmetro através do qual se poderia medir a excelência e efetividade do português brasileiro cantado. Para que essa excelência fosse atingida, um estudo minucioso acerca da língua nacional cantada teve de ser realizado, com vistas à compreensão de suas possibilidades musicais.

Organizado por Mário de Andrade, o Primeiro Congresso da Língua Nacional Cantada aconteceu em São Paulo em 1937, com o objetivo principal de “unificar a forma na qual a língua é falada e cantada através da eliminação ou minimização do uso de dialetos regionais. Tanto na música quanto em outras áreas, essa mudança se direcionava à criação de uma língua nacional” (Porter, 2016, p. 640, tradução nossa)1. Esse intento de estabelecer uma pronúncia-padrão do português brasileiro para o canto foi “animado pelo desejo de bem servir à causa da nacionalidade brasileira nas artes da linguagem e do canto” (Andrade, 1938, p. 2 apud Kayama et al., 2007, p. 18), e as normas foram publicadas em 1938.

Em 1956, o Primeiro Congresso Brasileiro da Língua Falada no Teatro aconteceu em Salvador, mas o objetivo deste congresso não era o de estabelecer uma pronúncia-padrão. De acordo com os organizadores do evento, isto aconteceria naturalmente através da reiteração de certas práticas fonéticas por trabalhadores do rádio, TV e cinema, dentre outros meios (sem menção ao canto) (Kayama et al., 2007, p. 18).

Quase setenta anos após o Primeiro Congresso, a pronúncia do português brasileiro cantado ganhou mais uma vez lugar proeminente nas discussões e trabalhos de pesquisadores da área de canto, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Em 2007, novas normas foram publicadas após discussões que aconteceram entre 2003 e 2007 em vários congressos brasileiros de música, incluindo o IV Encontro Brasileiro de Canto, que aconteceu em São Paulo em 2005.

O principal objetivo das Normas para a Pronúncia do Português Brasileiro no Canto Erudito foi o de “estabelecer um padrão de pronúncia reconhecivelmente brasileira para o canto erudito, sem estrangeirismos ou regionalismos, reservando-se a consideração das influências internacionais e das importantes variedades regionais e históricas da nossa língua para estudos futuros” (Kayama et al., 2007, p. 17). Uma versão em inglês dessas normas foi publicada em 2008 no Journal of Singing, periódico da Associação Estadunidense de Professores de Canto (National Association of Teachers of Singing - NATS) (Herr; Kayama; Mattos, 2008).

Em 2017, Marcía D. Porter publicou Singing in Brazilian Portuguese: A Guide to Lyric Diction and Vocal Repertoire (Cantando em português brasileiro: um guia para dicção lírica e repertório vocal), cujo objetivo foi de “fornecer a cantores e pianistas amadores e profissionais, professores de canto, coaches, estudantes de canto e outras pessoas interessadas em dicção lírica do português brasileiro, uma ferramenta ou guia para ajudar na pronúncia da língua” (Porter, 2017, p. xxvii, tradução nossa)2.

O presente artigo discute e relaciona aspectos das referidas normas à dicção lírica do português brasileiro cantado e sua aplicabilidade às Oito Canções Populares Brasileiras, escritas por José Siqueira (1907-1985). Dado o caráter regional da obra de Siqueira em geral, e dessas canções em particular, é nosso entendimento que várias adaptações das normas publicadas são necessárias, porque, como afirmou a linguista brasileira Thaïs Cristófaro Silva, “sistemas linguísticos são dinâmicos e, sendo assim, qualquer documento de caráter normativo apresenta limitações” (Silva, 2007, p. 26). As limitações, neste caso, estão relacionadas ao atendimento das necessidades desse repertório específico e das culturas que ele pretende representar. Nesse sentido, este artigo faz parte dos estudos futuros acerca de influências regionais e variedades históricas do português brasileiro, mencionadas pelas normas de 2007. O objetivo aqui não é mudar as Normas totalmente ou propor uma tabela para a dicção lírica do português brasileiro que seja completamente nova, mas, sim, explorar alguns aspectos da pronúncia do português brasileiro na região Nordeste do Brasil, que nós acreditamos ser a apropriada para este repertório.

Esta discussão apresenta-se necessária por duas razões. Primeiramente, apesar de o objetivo das normas de 2007 ter sido uma pronúncia do português brasileiro livre de sotaques ou regionalismos, este documento também declara que, “no caso de uma música com teor incontestavelmente regional, é de ser esperado que cantores da região da composição ou do compositor cantem com seu ‘sotaque’” (Kayama et al., 2007, p. 19), linha de pensamento já presente nos congressos de 1937 e 1956 (Herr, 2007, p. 37).

Assim como José Siqueira, o autor deste artigo nasceu e cresceu na Paraíba. Dessa forma, as adaptações sugeridas aqui refletem a forma como o autor tem falado e ouvido outras pessoas daquele estado falarem português brasileiro. Nesse sentido, acreditamos poder fornecer valiosa contribuição. Considerando que essas canções de Siqueira foram escritas em um estilo claramente regional (Neves, 2008, p. 112-113. Ramalho de Mello, 2020), é nosso entendimento que elas soariam fora de caráter se a pronúncia sugerida pelas normas de 2007 fosse adotada, pois esta reflete fortemente o sotaque urbano de classe alta falado na cidade de São Paulo. Portanto, a redução do caráter regionalista, no caso do paraibano, não conduz a uma performance expressiva desse repertório. Como Melanie Ohm afirma, “a linguagem se desenvolve como um meio para a expressão de valores, ideias, crenças, e nossa identidade cultural. A linguagem também ancora essa identidade” (Ohm, 2009, p. 46, tradução nossa)3. Nesse sentido, as adaptações propostas aqui têm como objetivo refletir as identidades culturais que as Oito Canções Populares Brasileiras refletem.

Em “Cantando e se comunicando em inglês: um guia de dicção inglesa para cantores” (Singing and Communicating in English: A Singer’s Guide to English Diction), Kathryn LaBouff discute dialetos regionais encontrados no repertório vocal em língua inglesa (óperas, oratórios e canções de câmara). Segundo LaBouff (2008, p. 265, tradução nossa)4,

Cada vez mais, cantar com dialetos regionais tem se tornado uma necessidade para cantores. Com o número de performances transmitidas pela televisão, é muito importante que o trabalho de dialeto não seja tratado de forma genérica, mas com autenticidade. […] As canções folclóricas do País de Gales, Escócia e Irlanda ganhariam vida com pelo menos um pouco do dialeto regional.

É exatamente esse nível extra de expressividade e autenticidade que acreditamos ser possível atingir em uma performance das Oito Canções se a pronúncia sugerida aqui for a adotada. LaBouff discute variedades de pronúncia estadunidenses (sulista, apalache, de Nova Orleans e Gullah) e de ilhas britânicas (escocesa, galesa, irlandesa, anglo oriental e dialetos do oeste), assim como o repertório que pode se tornar mais expressivo se essas pronúncias forem adotadas.

Ao escolher como norma a pronúncia do português brasileiro que é mais semelhante à falada na região brasileira mais forte e influente, tanto economicamente quanto politicamente, o preconceito linguístico é reproduzido. No cerne dessa prática de preconceito linguístico está a ideia de que há uma forma “correta” de pronunciar português brasileiro e que outras pronúncias são incorretas ou de qualidade inferior. Não por coincidência, as pronúncias consideradas incorretas são as formas faladas pela população pertencente a classes econômicas menos privilegiadas (Silva, 2007, p. 27). Como discute o sociolinguista Marcos Bagno em Preconceito linguístico: o que é, como se faz, “não existe nenhuma variedade nacional, regional ou local que seja intrinsecamente ‘melhor’, ‘mais pura”, ‘mais bonita’, ‘mais correta’ que outra. Toda variedade linguística atende às necessidades da comunidade de seres humanos que a empregam” (Bagno, 2007, p. 47). Silva discorre sobre a mesma ideia quando afirma que “a linguagem padrão é tão boa e eficiente para os propósitos de comunicação quanto a linguagem ‘não padrão’ ou ‘linguagem estigmatizada’” (Silva, 2007, p. 26). “Estigmatização” é uma palavra importante aqui. Como discutido pela sociolinguista estadunidense Rosa Lippi-Green, a escolha por uma forma “correta” de falar e a consequente estigmatização de todas as outras formas acontecem em um nível abaixo do consciente (Lippi-Green, 2012, p. 44-65). O artigo que apresentamos aqui é, dessa forma, um esforço consciente na luta contra a estigmatização de variedades linguísticas que comumente são consideradas incorretas ou impróprias no campo da performance de música vocal em português brasileiro.

Considerando que todo e qualquer idioma pode ser considerado um “organismo vivo” que muda com o tempo e de acordo com dinâmicas sociais (Silva, 2007, p. 26-27. Schneider, 1991, p. xi. Bagno, 2007, p. 9-10, 148-149. Lippi-Green, 2012, p. 6-8, 20-22), nas contribuições que aqui apresentamos, não usaremos como parâmetro as normas publicadas em 1938. Como Bagno afirma, “querer cobrar, hoje em dia, a observância dos mesmos padrões linguísticos do passado é querer preservar, ao mesmo tempo, ideias, mentalidades e estruturas sociais do passado” (Bagno, 2007, p. 149-150, grifo do autor), e uma consulta a essas normas mostra o quanto o português brasileiro mudou desde 1938. Além disso, a publicação de 1938 é contraditória por si só, pois, apesar de citar o sotaque carioca (falado na cidade do Rio de Janeiro) como o “mais elegante, essencialmente urbano e mais adequado aos objetivos da normalização”, vários dos sons do referido sotaque não foram aceitos e usados naquele documento – a preferência foi dada ao sotaque paulistano (falado na cidade de São Paulo). Dessa forma, por terem sido publicados mais recentemente, por estarem mais em sintonia com as tendências atuais sobre a pronúncia do português brasileiro e porque usam o Alfabeto Fonético Internacional, basearemos nossa discussão e sugestões nas normas publicadas em 2007 (Kayama et al., 2007), na tese de doutorado de Marília Álvares (2008) e no livro de Marcía Porter (2017)5. As normas, que apresentam uma tabela completa, estão disponíveis on-line tanto em português (Kayama et al., 2007) como em inglês (Herr; Kayama; Mattos, 2008). As publicações de Álvares (2008), Ohm (2009) e Porter (2017) também apresentam tabelas completas das normas. Assim, este artigo apresenta apenas as variedades de pronúncia.

1. Dicção Lírica do Português Brasileiro e Variedades de Pronúncia

O IV Encontro Brasileiro de Canto, que aconteceu em São Paulo em 2005, ao mesmo tempo em que reconheceu a importância e a riqueza das diferentes pronúncias regionais do português brasileiro,

[…] procurou achar aquela “média de falar equidistante de todos os padrões básicos regionais” […]. Tentando evitar “bairrismos” e admitindo a necessidade de ter pelo menos uma pronúncia básica do português brasileiro para a utilização por parte de estrangeiros que queiram aproveitar do repertorio brasileiro, os participantes votaram uma tabela fonética que visasse a adoção de um português “neutro” – sem regionalismos […] (Kayama et al., 2007, p. 18-19).

Definir normas que podem ser usadas por cantores estrangeiros é uma tarefa louvável, mas tentar cantar ou até mesmo falar sem um sotaque é impossível (Agudo, 2018. Lippi-Green, 2012. Bagno, 2007, p. 15). A pronúncia sugerida nas normas de 2007, longe de tentar ser equidistante de padrões regionais de pronúncia e tentar diluir diferenças regionais de pronúncia, mostra a clara influência de cantores e pesquisadores do estado de São Paulo e uma inclinação em direção ao sotaque paulistano, urbano e de classe alta. O guia de pronúncia que essas normas apresentam está mais conectado com a pronúncia encontrada em espaços de classe alta da cidade de São Paulo do que com qualquer um dos outros 26 estados brasileiros ou do Distrito Federal (Kriger; Tober, 2005, p. 105, nota final 6. Álvares, 2008, p. 45). Quando consideramos o grupo de pessoas que esteve a cargo de elaborar essas normas, é possível entender o porquê: dos dezoito membros, catorze eram da região Sudeste (oito de São Paulo, um do Rio de Janeiro e cinco de Minas Gerais), dois eram da região Nordeste, um do Centro-Oeste, e não havia nenhum membro das regiões Sul ou Norte do Brasil (no artigo publicado, um membro não publicou o seu local de nascimento ou trabalho) (Kayama et al., 2007, p. 22-23).

Em seu livro, Porter vai além e afirma que “o que devemos lembrar é que, quando cantando em português brasileiro, devemos procurar um som mais neutro, como o encontrado na cidade de São Paulo, e evitar (ou limitar) o uso de sotaques ou dialetos regionais, como o sotaque carioca encontrado no Rio de Janeiro, por exemplo” (Porter, 2017, p. 3, tradução nossa)6. Essa afirmação deve ser fortemente contestada. Primeiramente, a autora não explica a metodologia que a levou a concluir que o português brasileiro falado na cidade de São Paulo é “o sotaque neutro”. Em segundo lugar, por que a pronúncia do Rio de Janeiro é considerada um sotaque ou dialeto, e a pronúncia falada em São Paulo não o é? E, finalmente, atribuir uma pronúncia “neutra” à encontrada na cidade de São Paulo parece ser uma tarefa impossível de ser realizada, simplesmente porque a cidade é o centro econômico e a cidade mais populosa do Brasil, com uma população estimada, em 2019, em quase 12 milhões de pessoas (IBGE, 2022). São Paulo também é considerada a cidade mais multicultural do Brasil, com imigrantes de dezenas de países e migrantes de todas as regiões do Brasil: 45,5% da população da região metropolitana de São Paulo vêm de outros países e estados brasileiros (IPEA, 2011). Esse aspecto multicultural da cidade de São Paulo e os vários sotaques falados na cidade foram discutidos em um artigo publicado na BBC News Brasil como parte da celebração dos 466 anos da cidade (Silveira, 2020). Em uma cidade tão diversa, como é possível relacionar a cidade de São Paulo a um único “sotaque paulistano”?

Em um artigo publicado em 2016, Porter nos dá uma justificativa para sua predileção pelo sotaque paulistano: “o sotaque carioca usa muitos sons cheios de cores que podem dificultar a clareza do texto, enquanto o sotaque paulista tende a neutralizar ou suavizar esses sons” (Porter, 2016, p. 640, tradução nossa, grifo da autora)7. Novamente, esse argumento tem que ser contestado. Especialmente quando se trata de canção de câmara, não seria um “som cheio de cores” o desejável? É importante notar que tanto o sotaque carioca quanto o paulistano fazem uso extensivo dos sons consonantais africados [dʒ] e [tʃ] em sílabas nas quais os sons consonantais oclusivos [d] e [t] poderiam ser usados sem que o sentido da palavra fosse alterado. Além disso, [dʒ] e [tʃ] podem ser considerados sons mais “barulhentos” do que [d] e [t], porque “sons consonantais africados são formados a partir da combinação de sons oclusivos e fricativos. O fluxo de ar é obstruído (propriedade oclusiva) e, ao ser liberado, a fricção acontece (propriedade fricativa)” (Porter, 2017, p. 76, tradução nossa)8. Em outras palavras, essas consoantes africadas têm mais sons consonantais do que as oclusivas. No entanto, é difícil saber a quais sons suavizados Porter estava se referindo, porque a autora não os especifica.

Essa justificativa ligada a uma pronúncia menos “barulhenta” pode ser encontrada também no trabalho de Ohm (2009), mas a tradição de canto lírico nos ensina que, quanto mais se canta nas vogais e não nas consoantes, melhor. É nosso entendimento que as pronúncias [d] e [t] favorecem a vogal, uma vez que ela sobressai em relação à consoante. Consequentemente, [d] e [t] podem contribuir melhor para clareza do texto e projeção do som. Como podemos ver, essa escolha pelo sotaque paulistano é influenciada mais por motivos sociais e políticos do que por motivos musicais ou técnicos, algo discutido extensivamente por linguistas (Agudo, 2018. Lippi-Green, 2012. Bagno, 2007. Silva, 2007).

Há também o argumento de que a “padronização da pronúncia é uma prática aceita e valorizada não só no canto lírico, mas também na área jornalística” (Ohm, 2009, p. 63, tradução nossa)9. No Brasil, esse processo de padronização começou na década de 1970 e favoreceu o sotaque falado por cidadãos de classe alta nas duas cidades mais economicamente poderosas do país (São Paulo e Rio de Janeiro), apesar de que o suposto objetivo desse processo teria sido neutralizar os sotaques dos apresentadores de jornais televisivos (Medeiros, 2019, p. 38, 58-59. Mendes, 2006, p. 21-22).

Em uma direção contrária a essa, uma pesquisa recente da jornalista brasileira Ana Lúcia Medeiros revelou uma tendência de emissoras de TV de pretenderem livrar-se de padronizações e procurar por mais diversidade em suas transmissões (Medeiros, 2019, p. 71-72, 110-113). Ao menos em emissoras de TV brasileiras, a tendência atual é respeitar e retratar as numerosas variações do português brasileiro, não só os sotaques favorecidos pelo processo de padronização. Um exemplo dessa tendência pôde ser visto em 2019, quando o Jornal Nacional, da TV Globo, celebrou 50 anos de existência e escalou jornalistas de todos os estados brasileiros para apresentar o telejornal, cada jornalista com seu sotaque e forma de pronunciar o português brasileiro (JN 50 anos […], 2019).

2. As variedades de pronúncia

A discussão que apresentamos aqui supõe compreensão, por parte dos leitores, acerca de transcrição fonética e do Alfabeto Fonético Internacional. Não abordaremos temas relacionados ao português brasileiro, tais como silabificação, acentuação gráfica, ditongos ou hiatos. Tais discussões estão presentes nos trabalhos de Porter, Ohm e em publicações sobre a gramática da língua portuguesa. A ortografia de letras isoladas está apresentada entre barras (/a/, /c/, /m/), e a ortografia de palavras está apresentada em itálico (terra). Transcrições fonéticas aparecem entre colchetes ([ˈtɛ.xɐ]), sílabas aparecem separadas por um ponto ([.]), e um apóstrofo ([']) denota que a sílaba seguinte recebe o estresse, como em [pɾe.ˈtĩ.ɲʊ]. Ditongos aparecem separados por dois pontos ([:]) como em eu [e:w], o que mostra que a primeira vogal é o som principal e deve ser levemente mais longa que a segunda vogal.

Vogais

No português brasileiro, vogais podem ser classificadas como abertas/fechadas e orais/nasais. A principal diferença entre as normas de 2007 e a pronúncia encontrada na Paraíba é que, nesta, vogais abertas e nasais serão mais frequentes. Assim, várias palavras que as normas de 2007 classificariam como fechadas ou não nasais serão abertas ou nasais quando adotamos a pronúncia paraibana. Essa variedade de pronúncia claramente contradiz a afirmação de Porter de que, “se uma vogal aberta for substituída pela sua versão fechada, o significado da palavra frequentemente muda” (Porter, 2017, p. 35, tradução nossa)10. O mesmo acontece com as vogais /e/ e /o/ em posição átona (pré-tônica ou pós-tônica), que Porter afirma devem ser pronunciadas [i] e [u] (Porter, 2017, p. 35). Isso depende da região da qual o sotaque vem, como discutido por Álvares: “a execução de vogais em posição pré-tônica é aberta nas regiões Norte e Nordeste do Brasil: [ɛ] e [ɔ]” (Álvares, 2008, p. 28, nota de rodapé 38, tradução nossa)11. Isso é particularmente presente nas Oito Canções Populares Brasileiras. A Tabela 1 apresenta exemplos de palavras para as duas pronúncias12.

Tabela 1
: Pronúncia de vogais abertas

Quando se trata de vogais nasais, o que na verdade acontece é que, em muitos casos, o /m/ e o /n/ afetarão a vogal que vem antes dessas consoantes, transformando-a em uma vogal nasal, estando a vogal e a consoante na mesma sílaba ou em diferentes sílabas. Segundo Álvares (2008, p. 50, nota de rodapé 59, tradução nossa, grifo da autora),

As Normas de 2007 afirmam que as vogais /e/ ou /ê/ em posição tônica quando seguidas por /m/ ou /n/ na mesma sílaba devem ser pronunciadas [ẽ]. […] As Normas de 2007 não tratam das vogais /e/ e /ê/ quando as consoantes nasais /m/ e /n/ estão na sílaba seguinte. De fato, a transcrição de palavras nesses casos é incorreta, como em tema e gênero, nas quais o [ẽ] é transcrito sem nasalização. A consoante nasal interfere no som da vogal tônica que a antecede, transformando-a em um som nasal, a saber, [ẽ]; essas palavras devem ser transcritas como ['tẽ.mɐ] e ['ʒẽ.ne.ɾʊ]13.

Ademais, como a Tabela 2 mostra, a influência da consoante nasal acontece também em uma vogal átona que antecede a sílaba tônica que contém a consoante nasal. Álvares também contesta a escolha das Normas de 2007 de usar [ɐ̃] para representar a vogal aberta nasal e não arredondada “a”, que pode aparecer em palavras como /ã/, /â/, /am/, /an, /âm/, ou /ân/. A autora usa [ã] para representar esse som, argumentando que

Tabela 2
: Pronúncia de vogais nasais

O fonema [ɐ] é classificado como central quase aberta, entre a vogal semiaberta [ɛ] e vogal aberta [a], o que não corresponde à execução brasileira do /a/ nasalizado, mas sim do sotaque paulista. Na seção de informações complementares das Normas de 2007, os organizadores declaram que o som [ɐ̃] se aproxima do som [ʌ̃] como uma representação do schwa, que não existe no português brasileiro (Álvares, 2008, p. 45, nota de rodapé 53, tradução nossa)14.

Usaremos aqui a sugestão de Álvares, pois ela representa o caráter claro, aberto e mais frontal da vogal nasalizada /a/ no português brasileiro falado na Paraíba. Como Porter afirma, “uma característica importante das vogais nasais do português brasileiro é que elas tendem a ser mais claras e mais frontais, no trato articulatório, do que as vogais nasais francesas” (Porter, 2017, p. 31, tradução nossa)15.

Consoantes
/d/ e /t/

Uma das diferenças mais claras entre a pronúncia do português brasileiro na Paraíba e a pronúncia sugerida pelas Normas de 2007 está na pronúncia das consoantes /d/ e /t/. Na Paraíba, estas consoantes são sempre pronunciadas como consoante oclusiva alveolar sonora [d] ou oclusiva alveolar surda [t], não importando a vogal que venha depois das consoantes.

De acordo com as Normas de 2007, a consoante /d/ soará [d] nos seguintes casos:

  • antes das vogais /a/, /e/, /o/, e /u/ e em suas versões com acento (/á/, /à/, /é/, /ê/, /ó/, /ô/, /ú/);

  • se a consoante /d/ for seguida por /r/ na mesma sílaba.

No entanto, as Normas de 2007 dizem que, se /d/ preceder /i/, /í/, /e/ em posição átona ou uma consoante começando a próxima sílaba, deve ser pronunciado como a africada alvéolo-palatal sonora [dʒ] (Tabela 3).

Tabela 3
: Pronúncia de /d/ quando seguido por /i/, /í/, /e/ em posição átona, ou por uma consoante que começa a sílaba seguinte

Quase o mesmo acontece com /t/. De acordo com as normas de 2007, esta consoante será pronunciada [t] nos seguintes casos:

  • antes de /e/ em posição tônica;

  • antes das vogais /a/, /o/, e /u/;

  • se seguido, na mesma sílaba, por /r/ e /l/.

Por outro lado, se seguido por /i/, /e/ em posição átona na última sílaba de uma palavra ou se seguido por uma consoante começando a próxima sílaba, /t/ deve ser pronunciado como a africada alvéolo-palatal surda [tʃ], como mostra a Tabela 4.

Tabela 4
: Pronúncia de /t/ quando seguido por /i/, /e/ em posição átona na última sílaba de uma palavra ou por uma consoante que começa a sílaba seguinte Ohm explica a escolha por [dʒ] e [tʃ]:

A suavização das consoantes /t/ e /d/ antes das vogais /e/ e /i/, na maioria das situações, contribui para a manutenção do fluxo de ar. A frase noite e dia ['no:ɪ.tʃi.dʒi:ɐ] e a palavra advogado [a.dʒi.vo'ga.dʊ] exemplificam tanto uma estrutura silábica aberta e a suavização das consoantes. Esse efeito suavizador é escrito foneticamente, para /t/ e /d/. Na palavra advogado, o efeito suavizador é enfatizado, como mencionado acima, através de uma forma de epêntese – a adição da vogal [ɪ] entre /d/ e /v/ (Ohm, 2009, p, p. 78-79, tradução nossa)16.

Já que, para a produção do som fricativo ([ʒ] ou [ʃ]), é necessário parcialmente obstruir o fluxo de ar, é nosso entendimento que adicionar tal som a um som plosivo ([d] ou [t]) não contribui para a manutenção do fluxo de ar. De qualquer forma, é importante enfatizar que isso não acontece no português brasileiro falado na Paraíba – as consoantes /d/ e /t/ sempre soarão [d] e [t]. As Oito Canções Populares Brasileiras (ou qualquer canção de câmara brasileira com caráter nordestino) soariam totalmente fora de caráter se a pronúncia dos casos específicos de /d/ e /t/ for adotada como sugerido pelas Normas de 2007.

/s/

A principal diferença entre a pronúncia de /s/ sugerida pelas Normas de 2007 e a pronúncia paraibana (e em vários estados nordestinos) está no caso de esta consoante ser seguida por uma consoante sonora ou surda. De acordo com as Normas de 2007, se seguido por uma consoante surda na mesma palavra ou por uma palavra iniciada por uma consoante sonora, /s/ deve ser pronunciado [s]. Se seguido por uma consoante sonora, /s/ deve ser pronunciado [z]. O mesmo vale se a palavra termina com /s/ e é seguida por uma palavra que começa por uma vogal, contanto que as duas palavras sejam pronunciadas sem uma pausa ou separação entre elas (Tabela 5).

Tabela 5
: Pronúncia de /s/ antes de consoantes sonoras e surdas

Na Paraíba, /s/ pode ser pronunciado [ʃ] se seguido por /t/ na mesma palavra ou na palavra seguinte, processo conhecido como palatalização (Tabela 5). Apesar de Álvares afirmar que “a palatalização de tais consoantes é mais presente no português europeu do que em sotaques do português brasileiro” (Álvares, 2008, p. 31, tradução nossa)17, a realidade é que essa é a forma em que o português brasileiro é falado em vários estados, dentre os quais Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio de Janeiro. Esses quatro estados juntos têm uma população de mais de 37 milhões de pessoas (IBGE, 2022). Para comparação, a população de Portugal é de pouco mais de 10 milhões de pessoas (Portugal, 2019).

Se uma palavra termina com /s/ e a próxima começa com /d/ e /n/, as Normas de 2007 sugerem que /s/ seja pronunciado como [z]. Na pronúncia paraibana, poderá soar como [ʒ] (Tabela 5).

Além dessas diferenças, há também a possibilidade de a vogal que precede o /s/ no final de uma palavra ser pronunciada como um ditongo decrescente, processo conhecido como ditongação (Bagno, 2007, p. 138, nota de rodapé 5). Como Álvares discute: “Muitos falantes do português brasileiro transformam em ditongo as vogais /a/, /é/, e /e/ em posição tônica, quando seguidas por uma consoante sibilante: Jesus [ʒeˈzu:js] em vez de [ʒeˈzus]; faz [fa:js] em vez de [fas]; dez [dɛ:js] em vez de [dɛs]” (Álvares, 2008, p. 29, tradução nossa)18. Como a Tabela 6 mostra, /o/ também pode ser uma dessas vogais.

Tabela 6
: Ditongação de vogais antes de /s/ final

/x/

A única diferença entre a pronúncia de /x/ sugerida pelas Normas de 2007 e a paraibana é quando /x/ é seguido por uma consoante. As Normas de 2007 sugerem que a consoante deve ser pronunciada como [s]. Na Paraíba (e em vários estados nordestinos), ela é pronunciada como [ʃ]:

Tabela 7
Pronúncia de /x/

/z/

De acordo com as Normas de 2007, há duas possibilidades para a pronúncia da consoante /z/:

  • [s]: sempre no final de palavras;

  • [z]: quando iniciando sílabas ou quando uma palavra termina com /z/ e a palavra seguinte começa com uma vogal ou uma consoante sonora.

Na Paraíba, a vogal que vem antes de /z/ no final de uma palavra transforma essa consoante em um ditongo decrescente (Tabela 8).

Tabela 8
Ditongação antes de /z/ final

Além disso, se /z/ é seguido por /n/ ou /d/, será pronunciado [ʒ] (Tabela 9).

Tabela 9
: Pronúncia de /z/

Considerações finais

Escrito com o objetivo de que o cantor com conhecimento básico acerca do Alfabeto Fonético Internacional possa entender com facilidade as informações aqui apresentadas, este artigo discutiu aspectos acerca da variedade linguística do português brasileiro falado no estado da Paraíba. É nosso entendimento que uma performance expressiva das Oito Canções Populares Brasileiras de José Siqueira requer as adaptações que sugerimos aqui. Cantar com essa variedade linguística específica trará mais credibilidade e autenticidade para a performance.

Ao focar uma variedade linguística que não é considerada “padrão”, este artigo é também uma luta consciente contra o preconceito linguístico. Como Bagno coloca:

É preciso abandonar essa ânsia de tentar atribuir a um único local ou a uma única comunidade de falantes o “melhor” ou o “pior” português e passar a respeitar igualmente todas as variedades da língua, que constituem um tesouro precioso de nossa cultura. Todas elas têm o seu valor, são veículos plenos e perfeitos de comunicação e de relação entre as pessoas que as falam. Se tivermos de incentivar o uso de uma norma culta, não podemos fazê-lo de modo absoluto, fonte do preconceito. Temos de levar em consideração a presença de regras variáveis em todas as variedades, a culta inclusive (Bagno, 2007, p. 51).

Além do estudo de dicção lírica do português brasileiro, sugerimos que cantores estrangeiros interessados no repertório de canção brasileira de câmara procurem orientação de profissionais (professores de canto, coaches, regentes) que sejam falantes nativos da língua, prática comum em casas de ópera e escolas de música em várias partes do mundo.

É importante enfatizar que o que apresentamos neste artigo não deve ser considerado novas normas para a dicção lírica do português brasileiro. Entretanto, é nosso entendimento que as variedades que apresentamos aqui possam servir de base para outros estudos sobre variedades de pronúncia, já que a pronúncia do português brasileiro falado na Paraíba compartilha aspectos em comum com as pronúncias de vários outros estados nordestinos19.

Referências

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  • SILVEIRA, Evanildo da. "Um chopis e dois pastel": como surgiu o "paulistanês", sotaque falado nas ruas de São Paulo. BBC News Brasil, São Paulo, 1 fev. 2020. Disponível em: www.bbc.com/portuguese/curiosidades-51275192?fbclid=IwAR1wpim1daMaaI-HBmuJiJHJCMFOoKK8vVg8eKRFELllGMTUfeSEDEDqN7I Acesso em: 24 ago. 2023.
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  • 1
    Original: “Unify the way in which the language was spoken and sung by the elimination or minimization of the use of regional dialects. As with music and other arts, the shift was toward the creation of a national language” (Porter, 2016, p. 640).
  • 2
    Original: “To provide professional and amateur singers and pianists, voice teachers, coaches, students of singing and others interested in lyric Brazilian Portuguese (BP) a tool or guide to help with the pronunciation of the language” (Porter, 2017, p. xxvii).
  • 3
    Original: “Language develops as a means to express values, ideas, beliefs, and our cultural identity. Language also anchors that identity” (Ohm, 2009, p. 46).
  • 4
    Original: “Increasingly, singers are required to sing in regional dialects. With the number of internationally televised performances, it is very important that any dialect work not be treated generically but with authenticity. […] The folksongs of Wales, Scotland, and Ireland would come to life with at least a flavoring of the regional dialect” (Labouff, 2008, p. 265).
  • 5
    Para uma descrição das normas de 1938, ver Andrade (1938), Mariz (2002, p. 277-319) e Herr (2007).
  • 6
    Original: “The basic thing to remember is that when singing in Brazilian Portuguese, one should aim for a more neutral sound, as found in São Paulo city and avoid (or limit) the use of regional accents or dialects such as the carioca accent as found in Rio de Janeiro, for example” (Porter, 2017, p. 3).
  • 7
    Original: “The carioca accent uses many colorful sounds that can prohibit clarity of text while the paulista accent tends to neutralize or soften these sounds” (Porter, 2016, p. 640, grifo da autora). Acreditamos que Porter, na verdade, se referiu aqui ao sotaque paulistano (falado na cidade de São Paulo), e não ao paulista (referente ao estado de São Paulo).
  • 8
    Original: “Affricative or affricate consonant sounds are a combination of both plosive and fricative sounds. Airflow is obstructed (plosive) and as this air is released friction (fricative) is created” (Porter, 2017, p. 76).
  • 9
    Original: “The standardization of language patterns is an accepted and valued practice not only in classical singing, but also in network journalism” (Ohm, 2009, p. 63).
  • 10
    Original: “If an open vowel sound is replaced with its closed counterpart the meaning of the word is often changed” (Porter, 2017, p. 35).
  • 11
    Original: “The realization of the pre-unstressed vowels is open at northern and northeastern Brazil: [ɛ] and [ɔ]” (Álvares, 2008, p. 28, nota de rodapé 38).
  • 12
    Neste artigo, a maior parte dos exemplos de palavras provém dos textos das Oito Canções Populares Brasileiras.
  • 13
    Original: “The 2007 Norms assert that the stressed /e/ or /ê/ followed by /m/ or /n/ in the same syllable should be realized as [ẽ] (see case of en below). The 2007 Norms do not address /e/ and /ê/ when the nasal consonants /m/ and /n/ are in the next syllable. Indeed, when transcribing such cases, the words are incorrectly realized, such as in tema and gênero, where the [ẽ] is transcribed without nasalization (Herr, Kayama, and Mattos, 2008). The nasal consonant does interfere in the sound of the previous stressed vowel turning it into a nasalized sound, in this case, [ ẽ ]; these words should be transcribed as ['tẽ.mɐ] and ['ʒẽ.ne.ɾʊ]” (Álvares, 2008, p. 50, nota de rodapé 59).
  • 14
    Original: “The phoneme [ɐ] is classified as unrounded central, between open-middle [ɛ] and open [a] vowels, which does not correspond to the Brazilian realization of nasalized /a/ but in the specific accent of São Paulo City (paulista). In the complementary information section of the 2007 Norms the organizers stated that the sound [ɐ̃] approximates the sound [ʌ̃] as a representation of the schwa, which does not exist in Brazilian Portuguese” (Álvares, 2008, p, p. 45, nota de rodapé 53). Acreditamos que a autora quis dizer paulistano, e não paulista, quando se referiu ao sotaque da cidade de São Paulo.
  • 15
    Original: “An important feature of nasal vowels in Brazilian Portuguese is that BP nasal vowels are brighter and more forward in the articulatory track than French nasal vowels” (Porter, 2017, p, p. 31).
  • 16
    Original: “A softening of consonants /t/ and /d/ prior to vowels /e/ and /i/ in most situations contributes to maintaining the flow of breath. The phrase noite e dia ['no:ɪ.tʃi.dʒi:ɐ] and the word advogado [a.dʒi.vo'ga.dʊ] exemplify both an open syllabic structure and the softening of consonants. This softening effect is written phonetically for /t/ and /d/. In the word advogado, the softening effect is emphasized as mentioned above through a form of epenthesis, the addition of the vowel [ɪ], between /d/ and /v” (Ohm, 2009, p, p. 78-79).
  • 17
    Original: “The palatalization of such consonants is much stronger in European Portuguese than in these dialectal accents of Brazilian Portuguese” (Álvares, 2008, p, p. 31).
  • 18
    Original: “Many Brazilian Portuguese speakers diphthongize the stressed vowels /a/, /ɛ/, and /e/ when followed by a sibilant consonant: Jesus [ʒeˈzu:js] instead of [ʒeˈzus]; faz [fa:js] instead of [fas] (to do, 3person singular in the present); dez [dɛ:js] instead of [dɛs] (ten)” (Álvares, 2008, p, p. 29).
  • 19
    Este trabalho é uma tradução (revista, atualizada e ampliada) do artigo original em inglês intitulado “Issues of Lyric Diction of Brazilian Portuguese as Applied to José Siqueira’s Oito Canções Populares Brasileiras”, publicado pelo periódico musical Journal of Singing (v. 79, n. 3, p. 363-373, 2022).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    19 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    01 Set 2023
  • Aceito
    25 Jun 2024
  • Publicado
    18 Dez 2024
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