Open-access Descobrindo Dirson Costa: Formação, Contribuições e Obra

Discovering Dirson Costa: Formation, Contributions, and Works

Resumo

Este artigo realiza um estudo sobre a trajetória do maestro Dirson Costa, abordando sua formação musical, suas contribuições para a música no Estado do Amazonas e sua produção artística. O objetivo principal é analisar a atuação do maestro na consolidação institucional da música amazonense, bem como catalogar suas principais obras, contribuindo para a preservação e o acesso ao seu legado musical. A pesquisa adota um método histórico-biográfico, utilizando fontes primárias e secundárias, incluindo manuscritos e documentos preservados no Instituto Dirson Costa. Os resultados incluem a catalogação detalhada de 17 obras do maestro, apresentadas em tabela acompanhada de fichas catalográficas, evidenciando a diversidade de sua produção e sua relevância para a memória musical amazônica. O estudo demonstra que a atuação de Dirson Costa ultrapassou o campo da composição e regência, contribuindo significativamente para a consolidação de instituições e práticas musicais no Amazonas ao longo do século XX. Conclui-se que seu legado possui importância para a compreensão do desenvolvimento musical na região e para a preservação do patrimônio musical amazônico.

Palavras-chave
Dirson Costa; Música no Amazonas; Composição Brasileira

Abstract

This article presents a study on the trajectory of the conductor Dirson Costa, addressing his musical education, his contributions to music in the state of Amazonas, and his artistic production. The main objective is to analyze Costa’s role in the institutional consolidation of music in Amazonas, as well as to catalogue his principal works, contributing to the preservation and accessibility of his musical legacy. The research adopts a historical-biographical approach, using primary and secondary sources, including manuscripts and documents preserved at the Dirson Costa Institute. The results include a detailed catalogue of 17 works by the composer, presented in a table accompanied by catalog records, highlighting both the diversity of his production and its relevance to Amazonian musical memory. The study demonstrates that Dirson Costa’s work extended beyond composition and conducting, contributing significantly to the consolidation of musical institutions and practices in Amazonas throughout the twentieth century. It concludes that his legacy is important for understanding the development of music in the region and for preserving Amazonian musical heritage.

Keywords
Dirson Costa; Music in the State of the Amazon; Brazilian Composition

Introdução

Ao longo do século XX, inúmeros personagens protagonizaram o desenvolvimento da música no Estado do Amazonas. Figuras de destaque na composição coral e na música popular, além de outros que contribuíram para a criação de coros, orquestras e grupos de música de câmara, colaboraram constantemente para a consolidação da prática musical junto ao povo amazonense. Dentre esses nomes, é imprescindível mencionar Dirson Félix Costa (1923-2001), cuja atuação abrangeu diversas áreas da música.

Durante a segunda metade do século XX, Dirson Costa dedicou-se à cidade de Manaus, onde desenvolveu a maior parte de suas atividades musicais. Além de maestro e compositor, desempenhou importante papel na articulação de iniciativas artístico-culturais voltadas à formação e consolidação de instituições musicais no Amazonas, criando orquestras sinfônicas, conservatórios, bandas de música e corais em instituições públicas e privadas. Entre suas principais realizações estão a Orquestra Sinfônica do Teatro Amazonas, o Coro do Teatro Amazonas (atualmente Coral do Amazonas) e o Conservatório Amazonense de Música Joaquim Franco (CMJF), que posteriormente passou a integrar a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), tornando-se o atual Centro de Artes Hahnemann Bacellar (CAUA).

Diante do exposto, este artigo tem como objetivo traçar a trajetória do maestro Dirson Costa, explorando suas influências, experiências, obras e contribuições significativas para a música ao longo de seus anos dedicados ao Estado do Amazonas, bem como refletir sobre sua atuação na consolidação institucional da prática musical amazonense ao longo do século XX. A análise será estruturada em três principais seções: um levantamento histórico-biográfico detalhado de sua formação musical, uma revisão das suas contribuições à formação e prática musical na região Norte, e uma visão geral de suas principais obras catalogadas.

A pesquisa sobre a vida e o legado do maestro Costa começou anos atrás, com a catalogação preliminar de sua obra musical, um esforço pioneiro que é apresentado pela primeira vez neste trabalho. Este projeto só foi viável devido ao apoio substancial do Instituto Dirson Costa (IDC), que possui um acervo significativo de fontes relacionadas ao maestro, incluindo manuscritos, transcrições, documentos, programas de concertos e periódicos. O IDC tem desempenhado papel fundamental na preservação e organização da memória musical relacionada à atuação de Dirson Costa no Amazonas.

Além disso, é fundamental reconhecer as valiosas contribuições de autores como Elson Farias e Hirlândia Milon Neves. Farias, com suas publicações sobre o Coral João Gomes Júnior, e Neves, com seu trabalho sobre o Conservatório Amazonense de Música Joaquim Franco, forneceram insights importantes sobre as atividades desenvolvidas pelo maestro nessas instituições. Seus estudos elucidam não apenas as iniciativas específicas relacionadas à educação musical e práticas culturais promovidas por Dirson Costa, mas também sua relevância para a consolidação da vida musical em Manaus.

Em 2023, celebrou-se o centenário de nascimento do maestro Dirson Costa. Para as comemorações, dezenas de seus ex-alunos se uniram para formar o Coral Dirson Costa, com o objetivo de perpetuar sua obra e legado. No âmbito das celebrações, as pesquisas sobre o maestro ganharam novo fôlego, voltando-se às suas obras avulsas, bem como ao resgate dos manuscritos de duas de suas principais composições: a Missa de São Félix e o Oratório o Cristo. Assim, o presente artigo busca contribuir para a preservação, o reconhecimento e a compreensão da atuação de Dirson Costa no desenvolvimento da música no Estado do Amazonas.

1. Formação musical de Dirson Costa

Dirson Félix Costa nasceu em 20 de novembro de 1923, na cidade de Floriano, Piauí. Desde muito cedo, esteve em contato com a música através de sua família, em um ambiente doméstico fortemente marcado pela prática musical. Seu pai, Antônio Pereira da Costa, foi mestre da Banda de Música Euterpe, enquanto sua mãe, Aurora Lira Costa, era organista e flautista. Segundo o jornal A Notícia (1970), o nome Félix foi dado a Dirson Costa em homenagem ao dia de São Félix de Valois, comemorado em 20 de novembro, uma tradição comum na época. Sendo o filho mais novo, Dirson teve a oportunidade de aprender e interagir musicalmente com seus irmãos, o violinista Devaldino Costa e a pianista Diva Costa.

Embora haja poucos registros de sua infância, sabe-se que Dirson Costa iniciou seus estudos musicais com sua mãe aos cinco anos de idade, aprendendo também a tocar instrumentos de sopro. Aos sete anos, enquanto cursava o ensino básico, já participava ativamente das atividades musicais ao lado de sua família, inserindo-se precocemente em práticas coletivas de formação musical. Em Floriano, concluiu o ensino primário, equivalente ao atual ensino fundamental, mas, por motivos desconhecidos, não finalizou o ensino secundário, conforme registrado pelo Jornal do Comércio (1984).

Em 1943, aos 20 anos, Dirson Costa mudou-se com a família para o recém-criado Território Federal do Rio Branco, hoje conhecido como o Estado de Roraima, durante o auge do garimpo de diamantes. Lá, ele trabalhou no garimpo de Adolfo Brasil (1889-1974), uma figura influente na história da região. Adolfo Brasil, um clarinetista amador e amante da música, transformou o “Casarão dos Brasil” - residência da família desde 1888 - em um palco para saraus com música e dança. Nesse período, o local se tornou um importante espaço de sociabilidade e circulação musical na região.

Nesse contexto, Dirson passava suas horas vagas compondo ao violão. A pedido de Adolfo Brasil, ele frequentemente tocava nos eventos promovidos pelo anfitrião. Nessas ocasiões, Dirson demonstrava sua versatilidade musical ao tocar saxofone, flauta, piano e violão para os convidados, transitando entre repertórios populares e práticas associadas à música de concerto (ANDRADE, 1984).

Diante do exposto, observa-se a vasta gama de experiências e influências musicais de Dirson Costa até este momento. Seu desenvolvimento musical foi eminentemente prático desde o início, sempre ao lado de sua família fazendo música. Ao mesmo tempo, sua formação musical em Floriano parece ter sido bastante sólida, uma vez que todos os membros da família eram músicos, com destaque para seu pai, mestre de banda. Esse ambiente possibilitou ao maestro uma experiência significativa em meio a partituras, arranjos e partes de orquestra, contribuindo com seu pai na função de copista, o que lhe proporcionou um aprendizado relevante na prática da escrita orquestral. Além disso, os relatos sobre sua participação nos saraus e eventos promovidos por Adolfo Brasil destacam a versatilidade de Dirson Costa, evidenciando sua capacidade de executar vários instrumentos e seu ecletismo musical ao transitar entre a música popular e a música de concerto.

Sua musicalidade chamou a atenção de seu mecenas, que procurou apoiar seus estudos. Ao tomar conhecimento de um concurso no Rio de Janeiro para formação em música, Brasil inscreveu o jovem Dirson e financiou sua viagem a Belém para concorrer à única vaga destinada à região Norte. De acordo com Andrade (1984), em 1948, Dirson foi selecionado e partiu para o Rio de Janeiro sob a tutela do governo do Território Federal do Rio Branco, a pedido de seu mecenas.

No Rio de Janeiro, Dirson Costa ingressou no Colégio Santa Terezinha para concluir o Secundário (equivalente ao atual Ensino Médio), que havia sido interrompido com a mudança da família para Roraima. Após finalizar o Ensino Médio, ele iniciou seus estudos na Escola Nacional de Música, cursando o programa de Composição e Regência. Esse período foi marcado por muitas atividades e estudo contínuo, proporcionando-lhe uma formação robusta que iria fundamentar sua carreira. A formação no Rio de Janeiro possibilitou a Dirson Costa contato direto com importantes instituições e agentes centrais da vida musical brasileira da época.

Na década de 1950, o programa de Canto Orfeônico nas escolas brasileiras, instituído por Heitor Villa-Lobos (1887-1959), já estava consolidado há duas décadas. Com o Rio de Janeiro como capital, a cidade concentrava as principais iniciativas do programa, incluindo o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico (CNCO), criado e dirigido por Villa-Lobos (LISBOA, 2005, p. 32). Nesse contexto, é possível compreender o interesse de Dirson Costa pela educação musical como parte de um movimento mais amplo de institucionalização do ensino de música no Brasil durante o período. Para tanto, ele ingressou no CNCO para cursar o programa de Especialização de Professores para Canto Orfeônico, e no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP) para o curso de Formação de Professor de Música.

Dirson Costa teve o privilégio de receber a melhor formação musical disponível no Brasil na época, aproveitando todas as oportunidades para adquirir uma base sólida. Durante sua estadia no Rio de Janeiro, ele estudou com inúmeras personalidades importantes da história da música brasileira. Entre seus mestres estavam Lorenzo Fernandez (1897-1948), com quem aprendeu Regência Orquestral; José Vieira Brandão (1911-2002), especialista em Regência Coral; José Paulo da Silva (1892-1967), em Harmonia; José Cândido de Andrade Muricy (1895-1984), em História da Música; e Theobaldo Miranda Santos (1904-1971), em Filosofia da Educação. Além disso, Dirson estudou Etnografia e Folclore com Brasílio Itiberê da Cunha Luz (1896-1967), Filosofia Vocal com Asdrubal Lima (s.d.), Orquestração e Instrumentação com Florêncio de Almeida Lima (1909-1996), e Análise Histórica orientado pelo musicólogo Gazzi Galvão de Sá (1901-1981). Sua formação em Composição foi orientada pelo próprio Heitor Villa-Lobos (CONSERVATÓRIO DE MÚSICA, 1970). Essa formação diversificada contribuiu para consolidar uma atuação musical abrangente, posteriormente refletida em suas atividades como educador, regente e articulador cultural na região Norte.

Fig. 1
: Foto da Formatura na Escola Nacional de Música - na parte superior à esquerda encontra-se Dirson Costa e na parte inferior central seu professor de composição Heitor Villa-Lobos. Fonte: Acervo do Instituto Dirson Costa.

Em 1954, após concluir seus estudos no Rio de Janeiro e obter três titulações, Dirson Costa retornou a Boa Vista com a missão de desenvolver o cenário musical da cidade que o acolheu e lhe possibilitou estudar música. Nessa localidade, o maestro fundou o Coral Villa-Lobos, assumiu a direção do ensino de música em duas escolas e se tornou diretor da Rádio Roraima. Em 1963, Dirson transferiu-se para Manaus, cidade onde dedicaria a maior parte de sua carreira. Lá, ele se engajou profundamente em atividades musicais, fundou instituições e grupos musicais e contribuiu significativamente para a educação musical na região.

O retorno de Dirson Costa à região Norte marcou o início de uma carreira musical prolífica. Durante seus anos em Boa Vista e Manaus, Dirson incentivou a prática musical, possivelmente influenciado pelas experiências vividas no Rio de Janeiro. Nesse período, ele atuou como maestro de corais e orquestras, compôs grande parte de sua obra, foi educador e se destacou pela articulação de iniciativas voltadas ao ensino e à prática musical.

2. Contribuições de Dirson Costa para a Música no Amazonas

A primeira experiência profissional de Dirson Costa ocorreu durante seu último ano no Rio de Janeiro, em 1954, quando lecionou música no Colégio Anglo-Americano, no Instituto Santa Terezinha e no Colégio São João. Essa fase inicial de sua carreira evidencia a centralidade da educação musical em sua formação e atuação profissional, refletindo diretamente as influências do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico (CNCO) e do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). Tal perspectiva estaria presente em inúmeros projetos de formação e prática musical desenvolvidos pelo maestro ao longo de sua trajetória.

Com a conclusão de seus estudos no Rio de Janeiro, Dirson Costa retornou a Boa Vista (RR) e se envolveu inicialmente na área educacional, lecionando em diversas instituições de ensino, como o Ginásio Euclides da Cunha e a Escola Normal Monteiro Lobato. Além disso, esteve à frente de iniciativas voltadas à formação e à prática musical de jovens, como o Coral Villa-Lobos e a Banda de Música de Boa Vista. Todavia, foi em Manaus (AM) que Dirson Costa desenvolveu de forma mais ampla seu trabalho de criação e direção de instituições e corpos artísticos voltados ao ensino e à prática musical no Estado do Amazonas.

Dirson Costa transferiu-se para Manaus por volta de 1963 para assumir a direção do Coral João Gomes Júnior1. O convite foi feito por Cleomar dos Anjos Feitosa (1934-)2, membro fundador da instituição, e incluía um contrato de trabalho no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), onde Dirson permaneceu por sete anos. Um dos objetivos de Cleomar Feitosa ao convidar Dirson era garantir a continuidade das atividades do Coral João Gomes Júnior, que na época estava à beira da extinção devido à partida de seu fundador, o maestro Nivaldo Santiago (1929-2021), para Belém (PA), onde foi trabalhar na Universidade Federal do Pará (MADEIRA, 2009, p. 46).

A mudança de Dirson para Manaus contou também com o apoio do então Governador do Estado do Amazonas, Arthur Reis, que não mediu esforços para trazer o maestro à cidade. Em um dos primeiros encontros com o governador, Dirson Costa e Cleomar Feitosa discutiram a necessidade da criação de um conservatório de música na cidade, ideia que vinha sendo amadurecida há algum tempo durante os ensaios do coral. Sobre esse tema, o jornal A Notícia (1970), publicou:

[...] o governador já tinha esse plano, mas faltava-lhe quem o liderasse com amplos conhecimentos, como Dirson Costa. Autorizado pelo Chefe do Estado, o sr. Dirson Costa preparou o plano de Instituição do Conservatório, que imediatamente se transformou em lei aprovada na Assembleia Legislativa. Assim nascia o Conservatório Amazonense de Música “Joaquim Franco”.

Observa-se, nesse contexto, a atuação de Dirson Costa na articulação de iniciativas institucionais voltadas à consolidação do ensino e da prática musical em Manaus. Nesse sentido, o maestro não apenas participou da criação do conservatório, mas também incorporou o Coral João Gomes Júnior à instituição, buscando garantir a continuidade das atividades do grupo.

Fig. 2
: Coral João Gomes Júnior em concerto no Teatro Amazonas, 1962 Fonte: Acervo do Instituto Dirson Costa.

O Conservatório de Música Amazonense Joaquim Franco (CMJF) foi organizado em 1965, com o maestro Dirson Costa assumindo o cargo de primeiro diretor. O local escolhido por Dirson Costa e Cleomar Feitosa foi, de forma estratégica, a antiga residência de Arthur Reis, local onde o governador conheceu sua esposa anos antes. Emocionado pela escolha, o então governador concordou, efetivando a compra e adaptação do local para abrigar o recém-criado conservatório. A aula inaugural evidenciou a importância do apoio do governador e o envolvimento da sociedade, conforme destacado por Maria Lúcia Frota em O Jornal, 1965:

Após assistirmos à aula inaugural do Conservatório de Música “Joaquim Franco”, não podemos deixar de reconhecer mais uma vez o valioso governo de Arthur Reis [...] A classe musical vibra. E com toda ela o povo angustiado. Sim, porque o preenchimento rápido das vagas e a afluência aos cursos, excedendo a todas as expectativas, são sintomas positivos da frustração dessa gente valorosa…

Segundo Aidalina Costa (2008 apud NEVES, 2015, p. 26), esposa de Dirson Costa, a criação do conservatório representava, para o maestro, uma oportunidade de formar “orquestras, quartetos de todos os tipos de instrumentos, corais”. Publicações da época, como a do O Jornal (1965), corroboram essa visão, destacando que os planos para a formação de orquestras e grupos de câmara já estavam presentes desde o início das atividades do conservatório, demonstrando o projeto institucional idealizado pelo maestro e o impacto esperado na cena musical local, como observado a seguir:

[...] Entregue à direção do fabuloso maestro Dirson Costa, criador e realizador [...] já se planeja a criação da Orquestra Sinfônica do Conservatório, segundo nos disse o maestro, com a fé inabalável dos grandes idealistas. E com ele todo o corpo docente…

A criação do Conservatório Amazonense de Música Joaquim Franco (CMJF) foi viabilizada também graças à colaboração de notáveis personalidades da música presentes em Manaus na época. A participação desses indivíduos foi crucial para a implementação bem-sucedida de uma instituição de tal envergadura. Neves (2015, p. 28) oferece um relato detalhado sobre a formação do corpo docente inicial do conservatório, abordando desde o processo de seleção dos professores até as disciplinas oferecidas no início das atividades. A colaboração desses profissionais foi essencial para a consolidação das atividades pedagógicas e artísticas do CMJF3.

Nos primeiros anos do CMJF, a prática pedagógica foi fortemente influenciada pelo canto orfeônico, o que era natural, dada a formação de Dirson Costa e de outros professores que passaram pelo Conservatório Nacional de Canto Orfeônico (CNCO). O canto orfeônico já era uma prática estabelecida em Manaus desde os anos 1930 nas escolas públicas (AFONSO; PEREIRA, 2021, p. 6). A metodologia de ensino adotada no CMJF refletia não apenas as influências do CNCO, mas também a circulação de modelos pedagógicos musicais oriundos do Rio de Janeiro. Como observou Nelson Eddy (2008 apud NEVES, 2015, p. 34), “todo o modelo usado nos conservatórios daquela época vinha do Rio de Janeiro, da Escola Nacional [...]. Então, quem tinha experiência nesses assuntos, trazia a sua contribuição”.

Os primeiros anos do CMJF foram marcados por adaptações. As instalações não eram adequadas para o ensino de música, e o número de professores era insuficiente para atender à grande demanda. Além disso, havia incerteza sobre a continuidade do conservatório diante das mudanças de governo (NEVES, 2015, p. 43). Essa situação levou Dirson Costa e outros professores a considerarem a transferência do CMJF para a esfera da então Universidade do Amazonas (UA), como uma forma de garantir sua sustentabilidade institucional e continuidade. Neves (2015, p. 44) destaca que o interesse na transferência refletia "a manifestação do pensamento de um grupo de pessoas no sentido de manter o CMJF como instituição pública." Professores, alunos e a comunidade em geral viam na UA um meio para assegurar a continuidade do conservatório.

Em 1968, o CMJF interrompeu suas atividades para iniciar o processo de transferência para a UA. Em entrevista para O Jornal (1970), Dirson Costa comentou as dificuldades enfrentadas nesse período, devido à necessidade de apresentar numerosos documentos e pareceres. No ano seguinte, o conservatório foi incorporado à Universidade do Amazonas, com Dirson Costa reassumindo o cargo de diretor do agora denominado Conservatório de Música Joaquim Franco, vinculado à Fundação Universidade do Amazonas (FUA). Embora as matrículas tenham começado em 1970, as atividades de ensino só foram retomadas em 1971, após reformas nas instalações e a contratação de novos professores (O JORNAL, 1968).

No desejo de dar continuidade às atividades musicais, enquanto as aulas não iniciavam no CMJF, Dirson Costa organizou o Coral da Universidade, ainda em 1970. A estreia foi no Teatro Amazonas, em 21 de dezembro do mesmo ano. O evento foi noticiado em diferentes jornais, todos com críticas positivas, destacando a recepção positiva do público e da imprensa local. A citar, a matéria do jornal A Notícia (1970) que relata: “foi realizada no Teatro Amazonas a primeira apresentação do Coral da Universidade do Amazonas com presença de mais de uma centena de pessoas que ficaram realmente maravilhadas…”. Este coral, o primeiro de caráter universitário na região, desempenhou um papel crucial no ensino e na difusão da música no Amazonas.

Em 1972, com o retorno do maestro Nivaldo Santiago a Manaus, ele assumiu a direção do coral, que passou a ser chamado Coral Universitário. Desde então, o Coral Universitário destacou-se em concertos realizados em Manaus, além de participar de festivais e competições em diferentes regiões do Brasil. Ao longo das décadas, diversos músicos, professores e maestros estiveram envolvidos em suas atividades, contribuindo para a continuidade de suas ações artísticas e pedagógicas no âmbito da Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Com o reinício das aulas no CMJF em 1971, Dirson Costa considerou o momento propício para a criação de uma orquestra sinfônica. Em diálogo com o então Secretário de Educação e Cultura, Professor José Maria Cabral Marques, Dirson Costa conseguiu apoio para o projeto, elaborando planos de pagamento e uma programação de concertos. A Orquestra Sinfônica do Teatro Amazonas estreou em 19 de novembro de 1971, nas comemorações do Dia da Bandeira, inicialmente composta por 25 músicos, com planos para expandir gradualmente até 50 membros. Embora a orquestra fosse vinculada ao Estado, Dirson Costa, como diretor do CMJF, buscava integrar atividades pedagógicas e artísticas entre as instituições, como evidenciado na estreia da orquestra, que contou com a participação ativa do Coral da Universidade (A SINFONIA DE HOJE, 1971).

Fig. 3
: Concerto do Coral e Orquestra Sinfônica do Teatro Amazonas na Catedral Metropolitana de Manaus. Fonte: Acervo do Instituto Dirson Costa.

Com o objetivo de consolidar a formação musical por meio de um curso superior no Estado do Amazonas, o CMJF foi integrado ao Departamento de Música da Universidade do Amazonas (UA) em 1972. A partir desse momento, o CMJF passou a oferecer cursos de nível técnico e superior em música, ampliando significativamente suas ofertas educacionais. Dirson Costa assumiu a direção do conservatório até 1975, um período durante o qual a incorporação à UA garantiu a continuidade e expansão das atividades da instituição. No entanto, essa transição não ocorreu sem desafios, sendo a contratação de professores uma das principais dificuldades enfrentadas, conforme detalhado por Neves (2015, p. 52). Adicionalmente, Dirson Costa manteve-se à frente do Coral do Teatro Amazonas, que havia recém-criado, acumulando assim responsabilidades paralelas.

Embora Dirson Costa tenha se afastado das atividades do CMJF após 1975, seu impacto na educação musical continuou a ser significativo. No final dos anos 1970, a extinção do Departamento de Música da Universidade do Amazonas levou à transformação do CMJF em um novo formato: o Setor de Artes. Este novo setor incorporava não apenas a música, mas também a dança, o teatro e as artes visuais, refletindo uma abordagem mais abrangente e multidisciplinar para as artes. Paralelamente, o curso superior em Educação Artística foi estabelecido, hoje conhecido como Faculdade de Artes (FAARTES), consolidando a formação artística superior na região. Esse processo evidencia a relevância das iniciativas articuladas por Dirson Costa para a consolidação da formação artística institucionalizada no Amazonas.

No início dos anos 1990, o Setor de Artes foi reestruturado e passou a se chamar Centro de Artes Hahnemann Bacelar (CAUA) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Essa transformação não apenas preservou o legado do Conservatório de Música Joaquim Franco (CMJF), mas também ampliou suas atividades de formação artística e musical. Paralelamente, consolidou-se a Faculdade de Artes (FAARTES) da UFAM, atualmente responsável pelos cursos superiores de Música e Artes Visuais, incluindo a Licenciatura e o Bacharelado em Música. Nesse contexto, observa-se que a incorporação do CMJF à universidade representou um passo decisivo para a institucionalização do ensino de música e artes no Amazonas, possibilitando a criação e continuidade de estruturas voltadas à formação técnica e superior na área artística. Anualmente, essas instituições formam novos músicos, professores e artistas, evidenciando a permanência e os desdobramentos das iniciativas articuladas por Dirson Costa ao longo da segunda metade do século XX.

3. A obra de Dirson Costa

Dirson Costa, ao longo de sua trajetória em Manaus, consolidou sua atuação como educador, maestro e articulador de iniciativas voltadas à formação musical na região Norte. Sua participação foi importante para o estabelecimento de instituições musicais que permanecem em atividade até os dias atuais, como o Conservatório de Música Joaquim Franco (CMJF), que se tornou uma referência no ensino musical no Amazonas. Além da atuação institucional, Dirson Costa também desenvolveu intensa atividade como compositor e arranjador, produção que será abordada a seguir.

A carreira de Dirson Costa como compositor e arranjador teve início ainda durante a conclusão de seus estudos no Rio de Janeiro, em 1953, sob influência de seu professor de composição, Heitor Villa-Lobos. Desde o começo, sua produção musical concentrou-se majoritariamente na música coral e em arranjos de música popular, adaptados para corais, orquestras e bandas sinfônicas. Essa orientação evidencia tanto sua aproximação com práticas ligadas à música coral quanto sua capacidade de transitar entre repertórios da música popular e da música de concerto.

As obras de Dirson Costa foram interpretadas por coros no Amazonas e em outros estados brasileiros, contribuindo para sua inserção no repertório coral da região Norte. Ao longo de sua carreira, o compositor recebeu diferentes premiações por suas obras, entre elas Engenho, baseada na poesia de Da Costa e Silva, a Missa de São Félix e Manaus Saudade. Esta última recebeu medalha de ouro em concurso promovido pelo Governo do Estado do Amazonas em 1970, durante as comemorações do tricentenário da cidade de Manaus.

Gostaria de abordar três obras do maestro Dirson Costa: a já mencionada Missa de São Félix, o Oratório O Cristo e a Ode Lírica. A Missa de São Félix teve sua gênese em 1953, com a composição do Kyrie, que se tornou o primeiro movimento da missa. Esta obra foi escrita como parte dos requisitos para a conclusão do curso de Composição e Regência na Escola Nacional de Música. Destaca-se que essa peça foi regida por Heitor Villa-Lobos na cidade de Haia, como parte de um intercâmbio cultural entre Brasil e Holanda. Originalmente composta para coro misto a quatro vozes, a obra foi posteriormente revisada e expandida para incluir coro misto, solistas e orquestra sinfônica, compreendendo um total de cinco movimentos (NASCIMENTO, 2009, p. 11).

O título da missa faz referência ao dia de nascimento do compositor, 20 de novembro, dia dedicado ao santo católico São Félix de Valois (1127-1212), canonizado no final do século XVII. Em Floriano, cidade natal de Dirson Costa, era tradição incluir o nome do santo nas crianças nascidas nessa data, contexto que ajuda a compreender o nome completo do compositor: Dirson “Félix” da Costa. A Missa de São Félix foi concluída apenas nos anos 1990. Entretanto, até a data de publicação deste trabalho, a obra nunca foi publicada ou teve sua estreia oficial4.

Em 1970, Dirson Costa compôs o Oratório O Cristo, uma obra significativa com letra do escritor amazonense Max Carphentier, destinada a coro misto e orquestra sinfônica. Embora não existam registros detalhados sobre o contexto que levou à criação dessa peça, seu valor histórico e artístico é inegável. Um manuscrito bem preservado da obra, mantido no Instituto Dirson Costa (IDC), serve como testemunho da dedicação do maestro à música sacra. A composição é estruturada em um prólogo seguido de três atos, demonstrando a complexidade e profundidade de sua visão musical. Assim como a Missa de São Félix, o Oratório O Cristo permanece inédito e sem estreia oficial, evidenciando a existência de parte significativa da produção do compositor ainda pouco conhecida e não incorporada ao repertório musical regional5.

A partir de 1998, o maestro Dirson Costa intensificou sua atuação como compositor, dedicando-se a arranjar diversas músicas para corais, bandas e orquestras, além de compor um número significativo de obras, marcando um período de grande produtividade em sua carreira. Em 1999, iniciou a composição da Ode Lírica, estreada em 1º de setembro de 2000, uma obra criada para celebrar os 28 anos de atividade da Fundação Rede Amazônica (UMA PARCERIA COM MANAUS, 2000). A obra é uma exaltação à cidade de Manaus, reunindo 15 poesias de autores locais, das quais 4 são recitadas e 11 cantadas, todas musicadas por Dirson Costa, evidenciando o diálogo estabelecido por Dirson Costa com a produção literária amazonense.

Entre as poesias musicadas na Ode Lírica, destacam-se Canção do Rio, de Moacir Andrade; Rio Negro, de Astrid Cabral; Vozes, de Luiz Bacellar; Tarde, de Tenreiro Aranha; Manaus Saudade, de Alfredo Fernandes; Prece Pagã, de Pereira da Silva; Águas de Manaus, de Aníbal Beça; Torres, de Álvaro Maia; Soneto do Entardecer no Porto, de Élson Farias; Noturno da Rampa do Mercado, de Luiz Bacellar; e Canto do Poeta que Meus Olhos Não Viam, de Farias de Carvalho. Essas obras foram digitalizadas por Maria de Castro Lima, uma corista de longa data do maestro, e revisadas por Dirson Costa especificamente para a ocasião da estreia da Ode Lírica.

Ainda em relação à obra Ode Lírica, Aidalina Costa, esposa do maestro Dirson Costa, e Salette Lima, em sua obra Manaus em Poesia – Ode Lírica, relatam que:

[...] o projeto Manaus e Poesia nasceu com o intuito de despertar o Eu Amazônida em cada habitante da cidade, para a partir daí, ver a sua terra e sua cultura com o seu próprio olhar mediante seus próprios conceitos. Para isso só havia uma fórmula: despertar o amor a terra através da poesia e da música, num clima de lirismo. Encontramos na Ode, do grego oidê, que significa canto, o ambiente poético propício para esta façanha lírica. Daí a importância deste lindo espetáculo de auto-estima amazônida neste alvorecer de um novo milênio (COSTA; LIMA, 1999).

Além das obras já mencionadas, Dirson Costa deixou um legado musical vasto e diversificado. Entre suas composições destacam-se peças para coro misto, como O Homem, Súplica, Ave Maria, Suíte para Temas Brasileiros, Hóstia Santa, Aruana e O Vale. Essas obras demonstram sua profundidade e versatilidade na música coral, explorando diversos recursos expressivos com uma abordagem única. Na música instrumental, o maestro também fez contribuições significativas. Composições como a sua Sinfonia, Manaus Fantasia para orquestra de cordas e oboé, e a Sonata para Flauta e Piano (1972) revelam sua habilidade em criar obras complexas e sofisticadas. A Abertura do Programa Canal Verde, igualmente para orquestra de cordas e oboé, e a Ode a Roraima com letra de Amazonas Brasil, são exemplos de sua capacidade de explorar diferentes gêneros e formatos musicais. O conjunto dessas obras evidencia a diversidade de sua produção musical, abrangendo repertórios sacros, corais e instrumentais, além de demonstrar aproximações entre referências da música brasileira e elementos associados ao contexto cultural amazônico.

Dirson Costa deixou também peças inacabadas, como Nossa Senhora de Manaus, evidenciando uma produção musical contínua ao longo de sua trajetória. Seu catálogo musical contribuiu para a ampliação do repertório coral e instrumental relacionado à região Norte, além de registrar aspectos importantes da vida musical amazonense no século XX. Nesse sentido, a preservação, catalogação e estudo de sua obra tornam-se relevantes não apenas para a memória musical do Amazonas, mas também para a compreensão de processos de formação, circulação e institucionalização da música na região.

3.1. Processo e critérios de catalogação

Neste trabalho, foram catalogadas 17 obras do maestro Dirson Costa, organizadas em ordem alfabética e apresentadas tanto em forma de tabela quanto em fichas catalográficas. Além dessas 17 obras, inúmeras outras foram mencionadas ao longo do texto, mas não incluídas na catalogação devido à insuficiência de informações para uma análise documental mais precisa. As fontes dessas obras encontram-se preservadas no acervo do Instituto Dirson Costa, em Manaus, sendo constituídas principalmente por manuscritos originais do compositor.

As obras catalogadas abrangem um período significativo da vida de Dirson Costa, começando em 1953, ano em que ele concluiu seu curso de composição e regência na Escola Nacional de Música. Outras peças foram compostas durante as décadas de 1960 e 1970, com a maior parte de sua produção concentrada na década de 1990, nos últimos dez anos de sua vida. No final da década de 1990, para o espetáculo Ode Lírica, o compositor revisitou várias de suas obras anteriores. Durante esse processo, o maestro fez revisões e ampliações das partituras para coro misto e orquestra sinfônica com a seguinte instrumentação: 1111 - 0000 - cordas6, com reduções para piano realizadas pela professora Irina Kazak.

Uma das metas do projeto Manaus em Poesia era, após o espetáculo, publicar as obras do maestro inclusas na Ode Lírica. Contudo, o seu falecimento logo após o evento impediu a concretização desse objetivo. Nesse contexto, a catalogação realizada neste trabalho buscou organizar e tornar acessível parte de sua produção musical, contribuindo para a preservação documental e para a ampliação do acesso às obras por pesquisadores, intérpretes e demais interessados. Optou-se por apresentar separadamente as obras incluídas na Ode Lírica, uma vez que muitas delas continuam sendo executadas individualmente.

As informações utilizadas na catalogação foram obtidas a partir da análise direta dos manuscritos preservados no acervo do Instituto Dirson Costa. O material encontrava-se inicialmente sem organização sistemática, composto por folhas soltas, trechos de diferentes obras reunidos em um mesmo conjunto e, em alguns casos, com sinais de deterioração física. Dessa forma, foi necessário um processo de identificação, reconstituição e organização das partituras em unidades de obra, de modo a possibilitar sua catalogação. Para fins de registro e padronização, foram digitalizadas as primeiras páginas de cada manuscrito, utilizadas como referência documental na elaboração da tabela e fichas catalográficas.

3.2. Tabela Catalográfica

A tabela a seguir apresenta a catalogação das obras de Dirson Costa em formato sintético, com o objetivo de facilitar a visualização e comparação dos dados levantados. Nela, as obras estão organizadas em ordem alfabética, contemplando informações como título, formação vocal e/ou instrumental, data de composição, texto (quando existente), além de indicações de andamento e caráter musical.

Esse formato permite uma leitura panorâmica do conjunto da produção do compositor, funcionando como um instrumento de apoio à análise detalhada apresentada nas fichas catalográficas subsequentes. Os dados foram extraídos diretamente dos manuscritos preservados no acervo do Instituto Dirson Costa (IDC), a partir do processo de identificação e reconstituição das obras descritas anteriormente.

Título da Obra Cabeçalho[7] Característica Data de Composição Texto Andamento Caráter 1 Águas de Manaus* Coro Masculino a 3 vozes, TBB 1970 Aníbal Beça Sem Informação 2 Aruana Tema Amazônico Índio do Brasil Coro a 4 vozes, SCTB 1965 - 1966 Dirson Costa Pouco Rápido 3 Canção do Rio* À Aida Coro a 4 vozes, SCTB 1990 Moacir de Andrade Andante 4 Canto ao Poeta que meus Olhos não viam* À Aida Coro a 4 vozes, SCTB e orquestra 1 1 1 1 - 0 0 0 0 - cordas s. d. Farias de Carvalho Sem Informação 5 Manaus Saudade* solo voz média e orquestra 1 1 1 1 - 0 0 0 0 - cordas 1970 Alfredo Fernandes Marcha Rancho 6 Missa de São Félix 5 movimentos, Solo de soprano, Coro a 4 vozes, SCTB e orquestra 2 2 2 2 - 3 3 3 0 - tímpano - cordas 1953-1995 Texto tradicional em Latim Informações pontuais ao longo da obra 7 Noturno da Rampa do Mercado* À Aida Coro a 4 vozes, SCTB s. d. Luiz Bacellar Andante 8 O Homem À Aida Coro a 4 vozes, SCTB s. d. Jorge Humberto Um pouco Lento 9 O Engenho Coro a 4 vozes, SCTB 1953 Da Costa e Silva Sem Informação 10 Oratório O Cristo Prólogo e 3 atos Solo de soprano e tenor, Coro a 4 vozes, SCTB e orquestra 2 2 2 2 - 3 3 3 0 - cordas 1970 Max Carphentier Informações ao longo da obra 11 O Vale Coro a 4 vozes, SCTB 1978 Oder Brasil Moderato 12 Prece Pagã À Aida Tenor solo e orquestra de cordas. s. d. Pereira da Silva Sem informação 13 Rio Negro* Obra para duo, ST. Duo para ST s. d. Astrid Cabral Pouco Lento 14 Soneto do Entardecer do Porto* À Aida Coro a 4 vozes, SCTB 1 1 1 1 - 0 0 0 0 - cordas s. d. Elson Farias Sem informação 15 Tarde* À Aida Coro feminino a 4 vozes, SSCC e orquestra 1 1 1 1 - 0 0 0 0 - cordas s. d. Tenreiro Aranha Pouco Lento Tempo de Valsa 16 Torres* À Aida Coro a 4 vozes, SCTB e orquestra 1 1 1 1 - 0 0 0 0 - cordas 1999 Álvaro Maia Andante 17 Vozes* À Aida Coro a 4 vozes, SCTB s. d. Luiz Bacellar Andante

3.3. Fichas Catalográficas

As fichas catalográficas apresentadas a seguir têm como objetivo sistematizar e descrever as obras de Dirson Costa a partir do acervo preservado no Instituto Dirson Costa (IDC). A organização dessas fichas foi realizada com base na análise direta dos manuscritos autógrafos, que se encontravam inicialmente sem ordenação sistemática, exigindo identificação, reconstituição e agrupamento das obras.

Cada ficha reúne informações padronizadas, incluindo título, gênero, formação instrumental/vocal, data de composição, fonte documental, autoria e observações pertinentes ao estado de conservação e circulação das obras. Esse conjunto de dados visa oferecer uma referência descritiva e analítica que facilite o acesso ao repertório do compositor e contribua para sua sistematização no campo da pesquisa musical.

Águas de Manaus

Aruana

Canção do Rio

Canto ao poeta que meus olhos não viam

Manaus Saudade

Missa de São Félix

Noturno da rampa do mercado

O Homem

O Engenho

Oratório O Cristo

O Vale

Prece Pagã

Rio Negro

Soneto do Entardecer do Porto

Tarde

Torres

Vozes

Considerações Finais

Ao longo deste artigo, buscou-se apresentar aspectos da trajetória de Dirson Costa, abordando sua formação musical, sua atuação institucional e parte de sua produção composicional. A partir do levantamento histórico-biográfico realizado, observou-se que sua atuação esteve diretamente relacionada ao desenvolvimento de práticas de ensino, formação musical e organização de instituições artísticas no Amazonas durante a segunda metade do século XX.

A análise das iniciativas desenvolvidas pelo maestro evidencia sua participação em processos importantes de consolidação da atividade musical em Manaus, especialmente por meio da criação e direção de corais, orquestras e instituições de ensino. Nesse contexto, destaca-se o papel do Conservatório de Música Joaquim Franco (CMJF), posteriormente incorporado à Universidade do Amazonas, processo que contribuiu para o fortalecimento da formação musical técnica e superior na região.

Paralelamente à sua atuação como educador e maestro, Dirson Costa desenvolveu uma produção musical diversificada, voltada principalmente à música coral, à música sacra e aos arranjos de repertório popular. A catalogação apresentada neste trabalho permitiu reunir, organizar e sistematizar parte desse acervo, contribuindo para ampliar o acesso às suas obras e para a preservação de fontes relacionadas à memória musical amazonense. Nesse sentido, um dos principais resultados deste trabalho é a organização e catalogação de 17 obras do compositor, sistematizadas a partir de manuscritos preservados no acervo do Instituto Dirson Costa. Esse processo permitiu a reconstituição de um conjunto de obras até então dispersas, contribuindo para a preservação e o acesso ao repertório do compositor.

Dessa forma, o artigo oferece uma contribuição de natureza documental e musicológica, ao estruturar um catálogo de referência para futuras pesquisas sobre a produção de Dirson Costa e sobre a música no Amazonas. Além disso, evidencia a importância da articulação entre memória, acervo e pesquisa musical na preservação de repertórios ainda pouco difundidos.

Por fim, considera-se que este estudo abre possibilidades para investigações futuras, especialmente no que se refere à análise musical das obras catalogadas, à sua contextualização estética e à ampliação do estudo sobre redes institucionais de formação musical no Amazonas ao longo do século XX.

Referencias

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  • TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira São Paulo: Editora 34, 1998.
  • 1
    O Coral João Gomes Júnior, fundado em 1956 pelo maestro Nivaldo Santiago, é atualmente considerado um dos mais antigos do Brasil. Com uma rica trajetória, o coral realizou inúmeros concertos no Teatro Amazonas e em outras cidades do país. O grupo continua em plena atividade e, por muitos anos, esteve sob a direção de Cleomar Feitosa.
  • 2
    Cleomar Feitosa é a atual mantenedora do Coral João Gomes Júnior. Sua presença na vida artística de Manaus remonta aos anos 1940, sendo uma figura influente como cantora, magistrada e professora. Feitosa foi um dos principais nomes, ao lado de Dirson Costa, na criação do Conservatório de Música Amazonense Joaquim Franco. Além disso, ela é membro da Academia Amazonense de Música, ocupando a cadeira n.º 14, cujo patrono é o maestro João Gomes Júnior.
  • 3
    A relação de cursos e disciplinas oferecidas pode ser encontrada no Diário Oficial de 24/08/1965. Ver também a relação de professores por disciplina no Diário Oficial de 03/01/1966.
  • 4
    Manuscritos autografados e anotações referente a Missa de São Félix podem ser encontradas no acervo do IDC. Estes documentos contêm valiosas informações sobre datas e processos composicionais.
  • 5
    Manuscritos autografados do Oratório O Cristo podem ser encontrados no acervo do IDC.
  • 6
    Referência utilizada para indicar os instrumentos e suas respectivas quantidades em cada obra orquestral mencionada, seguindo a metodologia do catálogo musical no livro Orchestral Music de David Daniels. Os quatro primeiros números representam as madeiras, o grupo de números subsequente indica os metais, e o último grupo refere-se às cordas.
  • 7
    Todas as obras marcadas com (*) foram revisadas e ampliadas para serem inclusas na Ode Lírica.
  • Disponibilidade de dados:
    Os dados estarão disponíveis mediante solicitação.
  • Modalidade de avaliação:
    Duplo-cega por pares.

Editado por

  • Editor Responsável:
    Dr. Vinícius Eufrásio.

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Os dados estarão disponíveis mediante solicitação.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    20 Ago 2024
  • Aceito
    22 Mar 2026
  • Publicado
    25 Maio 2026
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