A crítica cultural em torno das músicas populares veiculada pela imprensa periódica paulistana entre 1930 e 1960 ainda é pouco conhecida. Diferente da capital do país, que nessa época construiu certa tradição nos jornais diários e possibilitou o aparecimento de estudiosos e analistas das músicas urbanas, na cidade de São Paulo, os rumos seguiram outras direções. De modo geral, após 1945, essa crítica e os estudos da nova cultura sonora se ampliaram e gradativamente alcançaram reconhecimento cultural, sobretudo na imprensa periódica e na especializada, que também passavam por importantes mudanças no período. Neste panorama, a discussão em São Paulo seguiu uma dinâmica muito própria, mantendo-se de diversos modos influenciada por teorias e práticas produzidas sob orientação de Mário de Andrade e instituições vinculadas a ele. Este artigo procura examinar, em parte da grande imprensa, associada a um determinado circuito cultural paulistano, alguns dos rumos e aspectos dessa produção intelectual e como ela circulou, quais seus lugares de produção, suas disputas, alguns de seus profissionais, os temas desenvolvidos, as características construídas, os interesses regionais contidos e, principalmente, como ela criou, durante certo tempo, alguns obstáculos para o aparecimento de uma crítica mais interessada nas músicas que circulavam no universo do entretenimento e nos modernos meios de comunicação.
crítica musical; música popular; imprensa; São Paulo; história cultural