Gradientes ambientais e a geografia são fatores-chave na determinação da biodiversidade e na estruturação das comunidades em ecossistemas recifais. Para investigar como a biogeografia e os gradientes de profundidade moldam as comunidades de peixes recifais, analisamos dois arquipélagos oceânicos do Atlântico Sul-Ocidental: Fernando de Noronha, maior e mais próximo do continente, e São Pedro e São Paulo, menor e mais isolado. Utilizando mergulhos em circuito fechado de gases mistos até 120 m de profundidade, realizamos censos visuais de 6.982 indivíduos de 95 espécies, categorizadas por estratos de profundidade: raso, mesofótico superior e mesofótico inferior. Esperávamos que as assembleias de peixes fossem estruturadas de acordo com as previsões da Teoria da Biogeografia de Ilhas e gradientes ambientais: ilhas maiores e mais próximas e recifes rasos sustentando maior riqueza funcional e de espécies, enquanto ilhas menores e isoladas e recifes mais profundos apresentariam maior originalidade e especialização funcional. Nossos resultados revelaram assembleias estruturadas geograficamente e por profundidade, com o estrato mesofótico inferior mais isolado. Enquanto Fernando de Noronha apresentou maior riqueza de espécies geral, São Pedro e São Paulo exibiu, inesperadamente, maior riqueza funcional, especialmente nos estratos raso e mesofótico inferior, além de maior originalidade e especialização funcional. Esses achados destacam os processos evolutivos e ecológicos combinados que moldam as comunidades recifais insulares e reforçam a necessidade de integrar a diversidade funcional na conservação de recifes profundos e isolados.
Palavras-chave:
Atributos funcionais; Conservação marinha; Ecossistemas mesofóticos; Endemismo; Teoria da Biogeografia de Ilhas
Thumbnail
Thumbnail
Thumbnail
Thumbnail



