Table of contents
Revista NERA, Volume: 28, Issue: 4, Published: 2025Revista NERA, Volume: 28, Issue: 4, Published: 2025
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Artigo original The legislative agenda of the ruralist caucus from 1999 to 2022 Martins, Lucas Araujo Abstract in Portuguese: Resumo Este artigo analisa a agenda legislativa da bancada ruralista no período de 1999 a 2022, buscando compreender suas principais pautas e estratégias ao longo dessas duas décadas. Por meio de uma extensa análise documental das proposições legislativas apresentadas ao Congresso Nacional, este trabalho busca evidenciar os diversos projetos de lei, medidas provisórias e outras iniciativas que visam atender aos interesses do agronegócio em detrimento dos direitos dos povos do campo. Essa análise revela uma intensificação recente dessas propostas legislativas e sua priorização, mesmo durante a pandemia de COVID-19 em 2020. Partidos de direita e extrema-direita, como PP, MDB, DEM, PSDB e PL, são os principais responsáveis por reunir parlamentares que propõem tais projetos.Abstract in Spanish: Resumen Este artículo analiza la agenda legislativa del bloque ruralista en el período de 1999 a 2022, buscando comprender sus principales temas y estrategias a lo largo de estas dos décadas. A través de un extenso análisis documental de las proposiciones legislativas presentadas al Congreso Nacional, este trabajo busca evidenciar los diversos proyectos de ley, medidas provisionales y otras iniciativas que buscan atender a los intereses del agronegocio en detrimento de los derechos de los pueblos del campo. Este análisis revela una intensificación reciente de estas propuestas legislativas y su priorización, incluso durante la pandemia de COVID-19 en 2020. Partidos de derecha y extrema derecha, como PP, MDB, DEM, PSDB y PL, son los principales responsables de reunir a los parlamentarios que proponen dichos proyectos.Abstract in English: Abstract This article analyzes the legislative agenda of the ruralist caucus from 1999 to 2022, seeking to understand its main issues and strategies over these two decades. Through an extensive documentary analysis of legislative proposals presented to the National Congress (Congresso Nacional), this study aims to highlight the various bills, provisional measures, and other initiatives intended to serve the interests of agribusiness to the detriment of the rights of rural peoples. This analysis reveals a recent intensification of these legislative proposals and their prioritization, even during the COVID-19 pandemic in 2020. Right-wing and far-right parties, such as PP, MDB, DEM, PSDB, and PL, are primarily responsible for gathering parliamentarians who propose such projects. |
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Original article Popular Agrarian Reform in Brazil from the Perspective of the Sustainable Development Goals (SDGs) Muzeka, Danieli Cristina de Souza Estevam, Dimas de Oliveira Abstract in Portuguese: Resumo A temática fundiária relaciona-se às cotidianidades territoriais e políticas, constituindo a dimensão essencial do desenvolvimento sustentável. Parte-se do pressuposto de que o acesso à terra, a gestão dos recursos naturais e a organização social do território são condições para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Nesse contexto, analisa-se como o plano de Reforma Agrária Popular (RAP) dialoga com a Agenda 2030 e contribui para a governança da questão agrária no Brasil. A governança, embora definida como arranjo institucional voltado à mediação de interesses à sustentabilidade, trata-se de um campo em disputas, no qual pode ocultar assimetrias e limitar transformações, especialmente na questão agrária. A partir da análise textual discursiva, evidencia-se que ao tensionar a noção de desenvolvimento sustentável, a RAP reivindica uma política de Estado voltada à democratização do acesso à terra, à justiça social e a soberania alimentar, aspectos fundamentais diluídos na retórica da Agenda 2030. Constata-se que a RAP e os ODS, embora construídos para acomodar diferentes interesses convergem na defesa de um novo modelo de ordenamento fundiário, na ampliação do acesso à terra e na adoção de práticas sustentáveis, contribuindo conjuntamente para repensar a situação agrária no país.Abstract in Spanish: Resumen Las cuestiones agrarias se relacionan con los asuntos territoriales y políticos cotidianos y constituyen una dimensión esencial del desarrollo sostenible. Se asume que el acceso a la tierra, la gestión de los recursos naturales y la organización social del territorio son prerrequisitos para alcanzar los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS). En este contexto, este artículo analiza cómo el plan de Reforma Agraria Popular (RAP) interactúa con la Agenda 2030 y contribuye a la gobernanza de la cuestión agraria en Brasil. La gobernanza, si bien se define como un arreglo institucional destinado a mediar intereses hacia la sostenibilidad, es un campo controvertido que puede oscurecer asimetrías y limitar transformaciones, especialmente en la cuestión agraria. Con base en el análisis textual discursivo, se hace evidente que al cuestionar la noción de desarrollo sostenible, la RAP exige una política de Estado dirigida a democratizar el acceso a la tierra, la justicia social y la soberanía alimentaria, aspectos fundamentales diluidos en la retórica de la Agenda 2030. Es claro que el PAR y los ODS, aunque construidos para dar cabida a intereses diferentes, convergen en la defensa de un nuevo modelo de gestión territorial, ampliando el acceso a la tierra y adoptando prácticas sostenibles, contribuyendo conjuntamente a repensar la situación agraria del país.Abstract in English: Abstract Land issues are related to everyday territorial and political affairs and constitute an essential dimension of sustainable development. It is assumed that access to land, natural resource management, and the social organization of the territory are prerequisites for achieving the Sustainable Development Goals (SDGs). In this context, this article analyzes how the Popular Agrarian Reform (RAP) plan interacts with the 2030 Agenda and contributes to the governance of the agrarian issue in Brazil. Governance, although defined as an institutional arrangement aimed at mediating interests toward sustainability, is a contested field that can obscure asymmetries and limit transformations, especially in the agrarian issue. Based on discursive textual analysis, it becomes clear that by challenging the notion of sustainable development, the RAP calls for a state policy aimed at democratizing access to land, social justice, and food sovereignty-fundamental aspects diluted in the rhetoric of the 2030 Agenda. It is clear that the RAP and the SDGs, although constructed to accommodate different interests, converge in defending a new model of land management, expanding access to land, and adopting sustainable practices, jointly contributing to rethinking the agrarian situation in the country. |
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Original article The Soybean Frontier in Rio de Janeiro: New Agribusiness Strategies Monteiro, Daniel Macedo Lopes Vasques Bernardes, Júlia Adão Abstract in Portuguese: Resumo Este trabalho objetiva analisar o recente processo de implementação do cultivo da soja no estado do Rio de Janeiro, buscando compreender a expansão dessa fronteira agrícola em uma antiga região do setor sucroenergético, destacando os fatores de atração e as contradições porventura existentes. O presente artigo divide-se em quatro partes: na primeira, buscamos compreender o papel do Estado, através da EMBRAPA, como indutor da recente territorialização dos grãos na região Norte Fluminense; na segunda, analisamos o caráter dispersor da soja no Brasil, procurando novas áreas para expandir a produção, trazendo o debate teórico das forças centrífugas desse grão; na terceira, levantamos o questionamento sobre as possibilidades da implementação da soja no Rio de Janeiro, levando em consideração os limites existentes para a produção dessa commodity ; por fim, trazemos o alerta da possível interferência da expansão dos grãos nos assentamentos da reforma agrária já implementados na região, articulando com a teoria de acumulação por despossessão.Abstract in Spanish: Resumen Este artículo tiene como objetivo analizar el reciente proceso de implantación del cultivo de soja en el estado de Río de Janeiro, buscando comprender la expansión de esta frontera agrícola en una antigua región del sector azucarero-energético, destacando los factores que la atraen y las contradicciones que pueden existir. Este artículo se divide en cuatro partes: en la primera, buscamos comprender el papel del Estado, a través de la EMBRAPA, como inductor de la reciente territorialización de los granos en la región del Norte Fluminense; en la segunda, analizamos el carácter dispersivo de la soja en Brasil, buscando nuevas áreas para expandir la producción, trayendo el debate las fuerzas centrífugas de este grano; en el tercero, planteamos la cuestión de las posibilidades de implantación de la soja en Río de Janeiro, teniendo en cuenta los límites existentes para la producción de este commodity; finalmente, alertamos sobre la posible interferencia de la expansión de los granos en los asentamientos de reforma agraria ya implantados en la región, articulándonos con la teoría de la acumulación por desposesión.Abstract in English: Abstract This paper analyzes the recent introduction of soybean cultivation in the state of Rio de Janeiro, Brazil, seeking to understand the expansion of the soybean production frontier into a region formerly occupied by the sugar/ethanol sector, and highlighting the factors of attraction and any potential contradictions. This article is divided into four parts. In the first, we seek to understand the role of the state, through EMBRAPA, in inducing the recent territorialization of grains in the north of Rio de Janeiro. In the second, we analyze the dispersive nature of soybean production in Brazil and the quest for new areas of expansion, introducing the debate on the centrifugal forces of this grain. In the third, we question the feasibility of soybean production in Rio de Janeiro, taking into account the constraints affecting such production. Finally, we warn of how this new agricultural production could impinge on existing land reform settlements in the region, drawing on the theory of accumulation by dispossession. |
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Artigo original Roots appreciated in the North: changes in production and consumption in five quilombola communities in the Eastern Amazon Felicien, Ana Mota, Dalva Ghirardi, Nazaré Reis Abstract in Portuguese: Resumo O artigo objetiva analisar práticas de produção e o consumo de dois cultivos tradicionais - cará (Dioscorea spp.) e mandioca (Manihot esculenta Crantz) - em cinco comunidades quilombolas do Nordeste Paraense em um contexto de transição e insegurança alimentar e de mudanças globais. A partir do método exploratório, o estudo contou com revisão da literatura, observações, cinco oficinas com 60 participantes e 19 entrevistas com agricultores, agricultoras e lideranças dos quilombos Narcisa em Capitão Poço, Camiranga em Cachoeira do Piriá e Tipitinga, Pimenteiras e Jacarequara em Santa Luzia do Pará. Os resultados mostram que roças e casas de farinha conformam a paisagem nos quilombos, em um contexto de cercamento, despossessão e de territorialidades superpostas que provocam a redução das áreas de mandioca e de cará, muito embora a primeira, no formato de farinha, persista como alimento central num contexto de transição alimentar com a intensificação do consumo de ultraprocessados. A integração ao mercado ocorre em três âmbitos comercialização da farinha, consumo de alimentos processados e ultraprocessados, e pela mercantilização da terra e expansão das monoculturas de pastagem para gado, todos esses influenciando as práticas alimentares associadas as raízes. Com todas as adversidades, as práticas alimentares persistem evidenciando a relação de comunidades com seus territórios e são reconhecidas como alternativas ao modelo alimentar hegemônico.Abstract in Spanish: Resumen El artículo tiene como objetivo analizar las prácticas de producción y consumo de dos cultivos tradicionales - ñame (Dioscorea spp.) y mandioca (Manihot esculenta Crantz) - en cinco comunidades quilombolas del nordeste de Pará en un contexto de transición e inseguridad alimentaria y cambio global. Utilizando un método exploratorio, el estudio incluyó una revisión bibliográfica, observaciones, cinco talleres con 60 participantes y 19 entrevistas con agricultores y líderes del quilombo Narcisa en Capitão Poço, Camiranga en Cachoeira do Piriá y Tipitinga, Pimenteiras y Jacarequara en Santa Luzia do Pará. Los resultados muestran que en los quilombos el paisaje está constituido por hondonadas y casas de harina, en un contexto de cercamiento, desposesión y superposición de territorialidades que han llevado a la reducción de las áreas de mandioca y cará, aunque la primera, en forma de harina, persiste como alimento básico en un contexto de transición alimentaria con la intensificación del consumo de alimentos ultraprocesados. La integración en el mercado se produce en tres ámbitos: la comercialización de la harina, el consumo de alimentos procesados y ultraprocesados, y la mercantilización de la tierra y la expansión de los monocultivos de pastos para el ganado, todo lo cual influye en las prácticas alimentarias asociadas a las raíces. A pesar de todas las adversidades, las prácticas alimentarias persisten, destacando la relación entre las comunidades y sus territorios y se reconocen como alternativas al modelo alimentario hegemónico.Abstract in English: Abstract The article aims to analyze production practices and consumption of two traditional crops - yam (Dioscorea spp.) and cassava (Manihot esculenta Crantz) - in five quilombola communities in northeastern Pará in a context of food transition and insecurity and global change. Using an exploratory method, the study included a literature review, observations, five workshops with 60 participants and 19 interviews with farmers and leaders from the Narcisa quilombo in Capitão Poço, Camiranga in Cachoeira do Piriá and Tipitinga, Pimenteiras and Jacarequara in Santa Luzia do Pará. The results show that swiddens and flour houses make up the landscape in the quilombos, in a context of enclosure, dispossession and overlapping territorialities that have led to a reduction in manioc and cará areas, although the former, in the form of flour, persists as a staple food in a context of food transition with the intensification of ultra-processed food consumption. Integration into the market takes place in three areas: the marketing of flour, the consumption of processed and ultra-processed foods, and the commodification of land and the expansion of pasture monocultures for cattle, all of which influence the eating practices associated with the roots. Despite all the adversities, food practices persist, highlighting the relationship between communities and their territories and are recognized as alternatives to the hegemonic food model. |
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Original article Riverside trajectory, public policies and socio-environmental dynamics in the Ilha Grande Agroextractive Settlement Project, Belém, Pará, Brazil Costa, Denise Cristina Torres Lucas, Flávia Cristina Araújo Abstract in Portuguese: Resumo O município de Belém, Pará, configura-se com 36,81% do seu território em ilhas. Nesses territórios insulares, a política nacional de regularização fundiária reconheceu o direito de populações tradicionais residentes e criou sete Projetos de Assentamento Agroextrativista (PAE’s) entre os anos de 2006 e 2009. Dentre esses, foi selecionado para estudo de caso o PAE Ilha Grande Belém, com o objetivo de analisar sua trajetória desde a criação, acessos às políticas públicas e as dinâmicas de transformações socioambientais no contexto de proximidade a uma capital. O estudo embasou-se em entrevistas semiestruturadas, pesquisa documental e bibliográfica. A análise identificou que, historicamente, grande parte dos ribeirinhos esteve sujeita a um patrão, o suposto proprietário da ilha. A política de assentamento representou um marco relevante e, a partir dela, foi possível o acesso a outras. Ainda assim, a população se ressente da ineficácia de políticas públicas essenciais como educação, saúde e água potável. Pressões mercadológicas do agroextrativismo e atividades turísticas configuram oportunidades para as comunidades, mas evidenciam transformações que requerem maior investigação acerca dos possíveis riscos socioambientais.Abstract in Spanish: Resumen El município de Belém, estado de Pará, presenta un 36,81% de su territorio conformado por áreas insulares. En estos territorios, la política nacional de regularización de la tenencia de la tierra reconoció los derechos de las poblaciones tradicionales residentes y creó siete Proyectos de Asentamiento Agroextractivista (PAEs) entre los años 2006 y 2009. Entre ellos, se seleccionó el PAE Ilha Grande Belém como estudio de caso con el objetivo de analizar su trayectoria desde la creación, el acceso a políticas públicas y las dinámicas de transformaciones socioambientales en un contexto de proximidad a una capital. El estudio se basó en entrevistas semiestructuradas, análisis documental y revisión bibliográfica. El análisis identificó que, históricamente, gran parte de los habitantes ribereños estuvieron subordinados a unpatrón, supuesto propietario de la isla. La política de asentamiento representó un hito importante que posibilitó el acceso a otras políticas públicas. Sin embargo, la población manifiesta insatisfacción ante la ineficacia de servicios esenciales como la educación, la salud y el acceso al agua potable. Las presiones del mercado vinculadas al agroextractivismo y al turismo configuran oportunidades para las comunidades, pero también evidencian transformaciones que requieren una mayor investigación sobre los posibles riesgos socioambientales.Abstract in English: Abstract The municipality of Belém, state of Pará, comprises 36,81% of its territory in island areas. Within these insular territories, the national land tenure regularization policy has recognized the rights of traditional resident populations and established seven Agroextractive Settlement Projects (PAEs) between 2006 and 2009. Among these, the PAE Ilha Grande Belém was selected as a case study in order to analyze its trajectory since its creation, access to public policies, and the dynamics of socio-environmental transformations in the context of proximity to a capital city. This study grounded in semi-structured interviews, document analysis, and literature review. The findings reveal that, historically, many riverine inhabitants were subordinate to a “patrão” - the alleged landowner of the island. The implementation of the settlement policy marked a significant milestone and facilitated access to other public programs. Nevertheless, the population continues to face challenges due to the inefficacy of essential public services such as education, healthcare, and access to potable water. Market pressures from agroextractive activities and tourism present opportunities for these communities, yet they also highlight transformations that warrant deeper investigation into potential socio-environmental risks. |
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Artigo original FINAPOP (2020-2022) Land rent and agrarian reform: between the fiction of property and the reality of family farming Assis, Lenir Candida de Lanza, Fábio Sanches, Tales Abstract in Portuguese: Resumo A concentração de terras agrícolas no Brasil é histórica e estruturalmente marcada por desigualdades fundiárias, exploração da força do trabalho rural e dominação capitalista sobre os recursos naturais. Nesse contexto, iniciativas como o FINAPOP (Financiamento Popular da Agricultura Familiar), surgem como contraponto às lógicas hegemônicas do agronegócio e da renda fundiária. Desta forma, o artigo objetiva analisar a experiência do FINAPOP como uma proposta alternativa ao modelo tradicional de financiamento do agronegócio de modo a democratizar o acesso ao crédito agrícola e a fortalecer projetos sustentáveis de base agroecológica. Como resultado de uma tese de doutorado da Universidade Estadual de Londrina (UEL) o trabalho conta com a metodologia qualitativa. Tem como base teórico-epistemológica o materialismo-histórico-dialético referendado na análise da materialidade por meio de revisão teórica observação em campo junto aos assentamentos visitados. O principal resultado do artigo está em apresentar o modelo de financiamento popular que desafia a lógica da renda da terra no capitalismo, propõe novos paradigmas de relação entre sociedade e produção agrícola e fortalece as lutas do campo pela dignidade e soberania alimentar.Abstract in Spanish: Resumen La concentración de tierras agrícola en Brasil es histórica y estructuralmente marcada por desigualdades agrarias, explotación de la mano de obra rural y dominación capitalista sobre los recursos naturales. En este contexto, iniciativas como FINAPOP (Financiación Popular de la Agricultura Familiar), surgen como contrapunto a las lógicas hegemónicas del agronegocio y de la renta agraria. De este modo, el artículo pretende analizar la experiencia de FINAPOP como una propuesta alternativa al modelo tradicional de financiación del agronegocio de modo democratizar el acceso al crédito agrícola y fortalecer proyectos sostenibles de base agroecológica. Como resultado de una tesis de doctorado en la Universidad Estadual de Londrina (UEL), el trabajo cuenta con la metodología cualitativa. Tiene como base teórica y epistemológica el materialismo dialéctico histórico respaldado en el análisis de la materialidad mediante la revisión teórica y en la observación en campo junto a los territorios rurales (donde viven los trabajadores sin tierra) visitados. El principal resultado del artículo está en presentar el modelo de financiación popular que desafía la lógica de la renta de tierra en el capitalismo, propone nuevos paradigmas de relación entre sociedad y producción agrícola y fortalece las luchas rurales por la dignidad y la soberanía alimentaria.Abstract in English: Abstract The concentration of agricultural land in Brazil is historically and structurally marked by land inequality, the exploitation of rural labor, and capitalist domination over natural resources. In this context, initiatives such as FINAPOP (Popular Financing of Family Farming) emerge as a counterpoint to the hegemonic logics of agribusiness and land rent. This article aims to analyze the FINAPOP experience as an alternative proposal to the traditional agribusiness financing model, in order to democratize access to agricultural credit and strengthen sustainable agroecological-based projects. Resulting from a doctoral thesis at the State University of Londrina (UEL), this study adopts a qualitative methodology. It is theoretically and epistemologically grounded in historical-dialectical materialism, supported by a theoretical review, as well as field observation in the visited settlements. The main result of the article is to present the model of popular financing that challenges the logic of land rent under capitalism, proposes new paradigms of the relationship between society and agricultural production, and strengthens rural struggles for dignity and food sovereignty. |
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Artigo original The reconfiguration of the agri-food system and the relationship between the economy and nature: imperatives for a fair and sustainable climate transition Favareto, Arilson Sanseverino, Estela Catunda Nunes-Galbes, Nadine M. Dórea, Olívia Marrocos-Leite, Fernanda H. Abstract in Portuguese: Resumo Ainda que houvesse uma transição energética, a manutenção do modelo convencional de produção e consumo de alimentos seria suficiente para impedir que as metas do Acordo de Paris sejam alcançadas. No Brasil o sistema agroalimentar responde direta ou indiretamente por três quartos das emissões de gases estufa. Uma alteração desse quadro requer inovações tecnológicas, mas também uma mudança nos mecanismos que fazem da expansão da fronteira agropecuária uma válvula de escape para problemas de competitividade, aumento de custos e conflitos internos ao agronegócio. Por isso não haverá transição do sistema agroalimentar que possa ser chamada de justa ou sustentável, sem transformação no modelo produtivo, mas também no padrão de ocupação espacial e de relação entre economia e natureza. Esse é o argumento principal deste artigo. A análise se baseia em revisão bibliográfica e documental e em entrevistas com informantes chave e os resultados se organizam em cinco componentes: papel do sistema agroalimentar na agenda climática; perfil das emissões no Brasil e o vínculo entre modelo tecnológico e formas de uso dos recursos naturais; as respostas produzidas por diferentes forças sociais e pelo Estado; a maneira como fóruns de governança têm tratado esses problemas; um esboço de caminhos para favorecer transformações coerentes com os ideais normativos de justiça e sustentabilidade. A análise destes componentes leva à conclusão de que já há uma reconfiguração em curso, mas ela tem sido até aqui marcada por fortes entraves e ambiguidades que limitam seu alcance.Abstract in Spanish: Resumen Aunque se produzca una transición energética, el mantenimiento del modelo convencional de producción y consumo de alimentos sería, por sí solo, suficiente para impedir que se alcancen los objetivos del Acuerdo de París. En Brasil, el sistema agroalimentario es responsable, directa o indirectamente, de tres cuartas partes de las emisiones de gases de efecto invernadero. Modificar este panorama requiere innovaciones tecnológicas, pero también un cambio en los mecanismos que convierten la expansión de la frontera agropecuaria en una válvula de escape frente a problemas de competitividad, aumento de costos y conflictos internos del agronegocio. Por lo tanto, no habrá una transición del sistema agroalimentario que pueda considerarse justa o sostenible sin transformaciones en el modelo productivo, así como en el patrón de ocupación del espacio y en la relación entre economía y naturaleza. Este es el argumento principal de este artículo. El análisis se basa en una revisión bibliográfica y documental, así como en entrevistas con informantes clave, y los resultados se organizan en cinco componentes: el papel del sistema agroalimentario en la agenda climática; el perfil de las emisiones en Brasil y el vínculo entre el modelo tecnológico y las formas de uso de los recursos naturales; las respuestas producidas por distintas fuerzas sociales y por el Estado; la manera en que los foros de gobernanza han abordado estos problemas; y un esbozo de caminos para favorecer transformaciones coherentes con los ideales normativos de justicia y sostenibilidad. El análisis de estos componentes lleva a la conclusión de que ya se está produciendo una reconfiguración, pero hasta ahora se ha caracterizado por fuertes obstáculos y ambigüedades que limitan su alcance.Abstract in English: Abstract Even if an energy transition were to take place, the maintenance of the conventional model of food production and consumption would be enough, in itself, to prevent the achievement of the Paris Agreement goals. In Brazil, the agri-food system is directly or indirectly responsible for three-quarters of greenhouse gas emissions. Altering this scenario requires technological innovations but also changes in the mechanisms that turn the expansion of the agricultural frontier into a safety valve for problems related to competitiveness, rising costs, and internal conflicts within agribusiness. Therefore, there will be no transition of the agri-food system that can be called just or sustainable without transformations in the productive model, as well as in spatial occupation patterns and in the relationship between economy and nature. This is the main argument of the article. The analysis is based on a literature and document review and on interviews with key informants and the results are organized around five components: the role of the agri-food system in the climate agenda; the profile of emissions in Brazil and the link between the technological model and the use of natural resources; the responses from different social forces and the State; the way governance forums have addressed these issues; and an outline of possible pathways to foster transformations consistent with the normative ideals of justice and sustainability. The analysis of these components leads to the conclusion that a reconfiguration is already underway, but that it has so far been marked by significant obstacles and ambiguities that limit its scope. |
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Artigo original The meanings of charcoal: the community of Vargem da Lua (MG) and charcoal territories in 20th-century Minas Gerais Gomes, João Pedro Magalhães Moraleida Abstract in Portuguese: Resumo O carvão vegetal produziu e se integrou à paisagem da Bacia Hidrográfica do Rio Doce durante mais de quatro décadas em Minas Gerais. Alinhado a expansão das indústrias siderúrgicas a partir da década de 1920, o carvão articulou uma nova fronteira territorial através das diversas formas de ocupação de terras pelas siderúrgicas. Junto a isso, foi responsável por territorializações e por economias ligadas à produção do carvão por camponeses, pressionados pela siderurgia, e por comunidades carvoeiras através da sua apropriação de baixo custo de trabalho humano e extrahumano não remunerado. A comunidade Vargem da Lua, no município de São Gonçalo do Rio Abaixo - MG, surgida nesse contexto, estabeleceu o seu território através da produção de carvão, cujas singularidades e importância são apontadas neste artigo, através das atividades de campo desenvolvidas junto a seus moradores, a fim de contribuir para não invisibilização de tais comunidades, os seus atores e suas atividades nos estudos geohistóricos e da ecologia política. Procura-se apontar as redes formadas pela comunidade na produção de uma economia e uma energia específicas, cujo sentido era a produção carvoeira para subsistência, diferente, porém articulado ao sentido da siderurgia. A hipótese do artigo é a de que a indústria siderúrgica em Minas Gerais, ainda que não tenha iniciado, ampliou formas específicas de organização e apropriação da natureza, em destaque para as florestas atlânticas brasileiras, com base na exploração do trabalho desvalorizado e não remunerado das comunidades carvoeiras, resultante da produção de energia barata a partir da Mata Atlântica, para isso, identificam-se diferentes economias do carvão que se entrecruzam por meio dos diversos agentes envolvidos.Abstract in Spanish: Resumen El carbón vegetal produjo y se integró en el paisaje de la Cuenca del Río Doce en Minas Gerais durante más de cuatro décadas. Vinculado a la expansión de las industrias siderúrgicas a partir de la década de 1920, el carbón articuló una nueva frontera territorial a través de las diversas formas de ocupación de tierras por parte de las siderúrgicas. Al mismo tiempo, fue responsable de territorializaciones y de economías ligadas a la producción de carbón por campesinos-presionados por la siderurgia-y por comunidades carboneras, mediante la apropiación de bajo costo del trabajo humano y extrahumano no remunerado. La comunidad de Vargem da Lua, en el municipio de São Gonçalo do Rio Abaixo - MG, surgida en este contexto, estableció su territorio a través de la producción de carbón, cuyas singularidades e importancia se señalan en este artículo, a partir de actividades de campo desarrolladas con sus habitantes, con el fin de contribuir a no invisibilizar a dichas comunidades, sus actores y sus actividades en los estudios geohistóricos y de ecología política. Se busca señalar las redes formadas por la comunidad en la producción de una economía y de una energía específicas, cuyo sentido era la producción carbonera para la subsistencia, diferente pero articulado al sentido de la siderurgia. La hipótesis del artículo es que la industria siderúrgica en Minas Gerais, aunque no la haya iniciado, amplió formas específicas de organización y apropiación de la naturaleza-con énfasis en los bosques atlánticos brasileños-basadas en la explotación del trabajo desvalorizado y no remunerado de las comunidades carboneras, lo que resultó en la producción de energía barata a partir de la Mata Atlántica. Para ello, se identifican diferentes economías del carbón que se entrecruzan mediante los diversos agentes involucrados.Abstract in English: Abstract Charcoal production shaped and became integrated into the landscape of the Doce River Basin in Minas Gerais for more than four decades. Aligned with the expansion of the steel industry from the 1920s onward, charcoal articulated a new territorial frontier through the various forms of land occupation by steel companies. Alongside this, it was responsible for processes of territorialization and for economies linked to charcoal production by peasants-pressured by the steel industry - as well as by charcoal-making communities, through their low-cost appropriation of unpaid human and extra-human labor. The community of Vargem da Lua, in the municipality of São Gonçalo do Rio Abaixo - MG, emerged in this context and established its territory through charcoal production. The specificities and significance of this trajectory are discussed in this article, based on fieldwork conducted with its inhabitants, in order to contribute to preventing the invisibilization of such communities, their actors, and their activities within geohistorical and political ecology studies. The article seeks to highlight the networks formed by the community in producing a specific economy and energy system, whose meaning lay in charcoal production for subsistence-different yet articulated with the logic of the steel industry. The article’s hypothesis is that the steel industry in Minas Gerais, even if not the origin, expanded specific forms of organization and appropriation of nature-especially of Brazil’s Atlantic forests-based on the exploitation of undervalued and unpaid labor of charcoal-making communities. This resulted in the production of cheap energy from the Atlantic Forest. To this end, different charcoal economies are identified, which intersect through the multiple agents involved. |
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