Resumo
A pesquisa aborda as Agroflorestas e suas gentes que transformam paisagens e criam outros mundos e formas de se relacionar com a terra. De forma que resistem e re-existem ao modelo hegemônico de agricultura e contribuem com pistas para imaginar outras agri-culturas frente aos diversos desafios socioambientais. Nesse sentido, a partir de uma pesquisa-intervenção pelo
Método Cartográfico, teve como objetivo mapear os movimentos micropolíticos que se intensificam nas relações das gentes e florestas em quatro agroecossistemas localizados no Escudo Cristalino Sul-Riograndense, na região sul do estado do Rio Grande do Sul. A partir da vivência e experimentação juntamente com as agricultoras e agricultores, esta escrita traz as narrativas que operam como pistas para devir-outro.
Palavras-chave:
Agroflorestas; agroecologia; cartografia.
Abstract
This research addresses Agroforestry and its people, which transform landscapes and create alternative worlds and ways of relating to the land. They resist and re-exist against the hegemonic agricultural model, offering clues to imagine other agri-cultures amid diverse socio-environmental challenges. Through an intervention-research approach using the Cartographic Method, this study aimed to map the micropolitical movements intensifying in the relationships between people and forests across four agroecosystems located in the Sul-Riograndense “Escudo Cristalino”, in the southern region of Rio Grande do Sul state of Brazil. Grounded in lived experiences with farmers, this work presents narratives that serve as clues for becoming-other.
Keywords:
Agroforestry; agroecology; cartography.
Resumen
Esta investigación aborda las Agroflorestas y sus gentes, que transforman paisajes y crean otros mundos y formas de relacionarse con la tierra. Así, resisten y re-existen frente al modelo hegemónico de agricultura, aportando pistas para imaginar otras agri-culturas ante diversos desafíos socioambientales. En este sentido, a partir de una investigación-intervención mediante el
Método Cartográfico, se propuso mapear los movimientos micropolíticos que se intensifican en las relaciones entre las gentes y los bosques en cuatro agroecosistemas ubicados en el Escudo Cristalino Sul-Riograndense, en la región sur del estado de Rio Grande do Sul. A partir de la vivencia y experimentación junto a agricultoras y agricultores, este escrito presenta narrativas que operan como claves para devenir-otro.
Palabras-clave:
Agroforestería; agroecología; cartografía.
Introdução
Este trabalho tem como ponto de partida as diversas crises socioambientais que se alastram no espaço-tempo, profundamente enraizadas no modo de vida capitalista de degeneração da vida (Melo, 2006; Comitê Invisível, 2018). Esta pesquisa problematiza a dissociação entre ciência, natureza e saberes tradicionais - herança colonial-capitalística1 - que reduz a vida em mercadoria e ignora as dimensões bioculturais e micropolíticas2 (Rolnik, 2018; Toledo; Barrera-Bassols, 2015).
A expansão das monoculturas no Bioma Pampa gaúcho é o principal responsável pela perda da vegetação nativa (MapBiomas, 2022, 2023), que evidencia o apagamento e invisibilização histórico das agri-culturas com medidas desprotetivas3 da biodiversidade por um imaginário que além de não reconhecer e valorizar as espécies de ocorrência natural, também se dissemina a ideia de que o bioma é formado apenas por campos. Fato é, que Hasenack et al (2010) descreve as formações fitoecológicas do Bioma Pampa, demonstrando a vasta diversidade de formações que acompanham sua diversidade geológica e são fortemente atravessadas pelo uso do solo (Figueiró; Sell, 2020; Hasenack et al., 2010).
Como é o caso da região geomorfológica do Escudo Cristalino Sul Rio-Grandense, umas das formações mais antigas, composta por relevos de altitude até 600m e afloramento de rochas que dificultaram o avanço das monoculturas em larga escala. Além de que essa região é a que permanece mais conservada, onde há a grande presença da agricultura familiar, além de concentrar as experiências agroecológicas, evidenciado pela concentração das certificações orgânicas e também pela presença das Agroflorestas (Figura 1) (Zalamena et al, 2024; Santin; Silva; Fernandes, 2024; MapBiomas, 2022, 2023; Zalamena; Silva, 2021; Salamoni; Waskievicz, 2013).
Levantamento das Agroflorestas na unidade geomorfológica do Escudo Cristalino Sul-Riograndense.
Vale ressaltar que nesta região a transição agroecológica é datada da década de 19904, e as primeiras movimentações em torno das agroflorestas em 2000, que foi posteriormente formalizado em 2009 a partir da Embrapa por meio de uma pesquisa-ação a implementação de Unidades Experimentais Participativas Agroflorestais em três agroecossistemas (Henzel et al., 2021; Cardoso, 2018, 2016). Essas experiências surgem justamente a partir de discussões envoltas dos impactos gerados pelo modelo hegemônico de agricultura na simplificação dos ecossistemas.
As Agroflorestas ou Sistemas Agroflorestais, aqui compreendidos a partir do prisma da Agroecologia como a última fase do redesenho de agroecossistemas (Gliessman, 2016), são estratégias que foram polinizadas5 na região do Escudo Cristalino Sul-Riograndense que mostram impactos no aumento da biodiversidade, unindo conservação e produção de alimentos (Santin et al., 2023; Henzel et al., 2021; Cardoso, 2018, 2016).
Nesse sentido, as Agroflorestas se apresentam como estratégias ancestrais, que se faz na relação do ser humano com o ambiente, em sua heterogeneidade de elementos que o constituem - social-cultural-geológico-biológico (Steenbock, 2021; Toledo-Barrera-Bassols, 2015). Essa relação é uma coprodução de sujeitos e do ambiente, que se expressa na transformação das paisagens - gentes e florestas - onde a ciência Agroecológica ajuda a compreender a lógica de funcionamento da natureza, cujos princípios Agroflorestais se orientam.
A Figura 1 apresenta a localização do Escudo Cristalino Sul Rio-Grandense e a presença das Agroflorestas a partir dos pontos georreferenciados do levantamento do Observatório das Agroflorestas do Extremo Sul do Brasil até o momento da realização desta pesquisa.
Movidos a partir de experiências juntamente as agricultoras, agricultores e da rede agroecológica composta por instituições e coletivos como a Embrapa Clima Temperado, Emater/Ascar-RS, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Grupo de Agroecologia (GAE/UFPel), Observatório das Agroflorestas do Extremo Sul do Brasil, foi lançada a linha de fuga6 a partir da indagação de como aprendemos a aprender, a forma como é reproduzido pelas instituições e o impacto na transição dos sistemas alimentares.
Esse movimento surge de uma contradição a partir da vivência prática nos agroecossistemas que evidenciam as tensões em sua complexidade. Primeiro da invisibilização das experiências agroflorestais no Bioma Pampa, tendo em vista que em suma as práticas estão associadas ao clima tropical. Em seguida, se conecta justamente aos modelos de agricultura difundidos a partir dos pacotes tecnológicos, ou ainda na romantização dos modos de vida associados a lógica da natureza, sem considerar as pressões aos quais tais sistemas biodiversos são impostos ao se relacionar com suas externalidades, que se intensificam em disputas de território e se apresentam nas fronteiras dos agroecossistemas e, sobretudo, no imaginário coletivo.
Nesse caminho, unem-se as contribuições de diversas áreas do conhecimento para desenhar o problema que se apresenta. Primeiro, parte-se da ideia a qual Krenak (2019) nos chama atenção para o descolamento de nós com o mundo, e esse pensamento se encontra ao de Rolnik (2018), que declara a perda do saber-do-vivo. Por sua vez, Steenbock (2021) complementa ao discutir a redução da capacidade de aprendizado. O que os autores apontam é justamente no distanciamento que se toma em relação ao mundo que afeta a capacidade cognitiva, de criação e, portanto, de fazer-saber dos indivíduos.
Esse distanciamento, se faz na medida em que se deixa de trabalhar com e enquanto natureza para agir numa abstração daquilo que se entende de mundo. Caso é, que a natureza a todo momento nos mostra a vida em coletividade e diversidade. Contudo, a ideia de progresso, desenvolvimento e as inovações vão no sentido de uma simplificação da vida, a partir da monocultura que se espalha pelos campos agrícolas, do pensamento, das formas do fazer e saber. Orientados por uma lógica que Rolnik (2018) denomina de uma patologia histórica nomeada de regime colonial-capitalístico, para se referir a união destas forças que permanecem até os dias de hoje, que impossibilita pensar em mundos-outros (Rolnik, 2018).
Por isso, as palavras de Antônio Nêgo Bispo dos Santos (2023) são reforçadas no sentido de que é preciso Envolver, esse seria o princípio daquilo que o autor chama de biointeração, que se faz na partilha, como uma outra forma de viver anticapitalista e contra-colonial. Nessa canoa, muitas pessoas embarcam para contribuir com pistas para criar mundos outros, que se confluem com a Agroecologia e Buen Vivir, lançando linhas para outras maneiras de viver e se relacionar com a terra (Ferreira, 2021; Acosta, 2016; Primavesi, 2016).
Portanto, tanto a Agroecologia quanto o Buen Vivir, não devem ser dissociadas do seu contexto territorial em sua complexidade social-geológica-biológica-cultural, e muito menos é a construção de um outro modelo de valoração, mas de múltiplos. Ambas se fazem no encontro, e caminham sobre outras formas de se relacionar com a terra com saúde. As agroflorestas nesse sentido, não são diferentes, na medida que representam sistemas que dialogam com a lógica da natureza (Steenbock, 2021).
Nesse caminhar, a Cartografia surge a partir de uma inversão epistemológica (hódos-metá), que assume a não dissociabilidade dos pesquisadores e aquilo que se estuda, também como estratégia política, na medida que o que se tenta combater se faz das monoculturas. Por isso, a metodologia segue na superação do modelo da representação da realidade, a partir do entendimento de subjetividade enquanto cognição/criação. A criação é o processo de acoplagem estrutural em si que constitui a dinâmica autopoiética, como a capacidade de criar a si mesmo (Passos; Kastrup; Escóssia, 2020).
Se faz necessário, nesse sentido, afirmar-se nas relações de forças políticas e sociais. Portanto, as narrativas das agricultoras e agricultores também operam como essa potência de afirmação, no momento em que outros modos de vida também contribuem para pensar o devir-outro, superando a visão hegemônica de mundo que impõem uma única perspectiva, numa generalização histórica que se estende a todas formas de vida.
Por isso, partimos do entendimento sobre micropolítica (molecular) a partir de Deleuze e Guattari (1995), de forma indissociável a macropolítica (molar). Para os filósofos, o entendimento de micropolítica se faz na dissolução das binariedades e instituições, e ganha corpo na imprevisibilidade da composição heterogênea das sociedades e suas intensificações. De maneira mais direta, trata das percepções, afecções, desejos para além do ontológico, pois não pretende criar categorias. As intensificações que tomam certa centralidade ao nível molar, se constituem modelos e representações que escapam ao nível molecular, seja na experiência individual ou coletiva, e mesmo assim capazes de afetar molecularmente (Neto, 2015; Deleuze; Guattari, 1995).
A compreensão de tais conceitos, necessita uma abertura antimoralista, que supere tendências dualísticas. A questão aqui no caso, da abordagem territorial, a micropolítica salta trazendo a potência da diferenciação a nível molecular, onde permite processos de singularização, num movimento que pode tender a uma descentralização do corpo, e juntamente do seu entorno. Evitando utilizar demasiados conceitos deleuzo-guattariano, a micropolítica a partir dos filósofos ganha espaço, na medida em haja a compreensão dos territórios como espaços vivos, em constante transformação, e juntamente a isso, avançar no debate pode contribuir na formação de Políticas Públicas mais adequadas frente a heterogênese que se apresenta (Rolnik, 2014; 2018; Neto, 2015; Deleuze; Guattari, 1995).
Essas relações se reforçam, na medida em que avançam os impactos de mudanças climáticas sobre o território. As mudanças climáticas se somam a um conjunto de riscos, de dimensão global, a que a humanidade está exposta e que redireciona o modo de viver das comunidades (Beck, 2010). O capitalismo tem provocado transformações drásticas na paisagem, afetando diretamente o ambiente, o que exige um repensar no modo de produção, de consumo e de relacionar com o espaço. Nesse sentido, as experiências dos agricultores ecologistas, em especial os que já estão em uma fase avançada de transição agroecológica se sobressaem, especialmente em um dos estados brasileiros que mais tem sido afetado, nos últimos anos, com eventos climáticos extremos (Pillar; Overbeck, 2024).
Este artigo tem como objetivo mapear os processos micropolíticos envolvidos nas relações das gentes e florestas e sua co-evolução a partir das transformações nas dinâmicas do espaço rural por meio das Agroflorestas, e quais pistas para criar outros mundos possíveis, no traçar das linhas que resistem e re-existem as pressões da Política Monocultural. Esse movimento se faz no sentido de sensibilizar, pois de acordo com Guattari (2012), não se trata sobre destruir tudo o que há para construir algo novo. O caminho se constrói de forma processual, e a transformação dos dispositivos de valorização assim, deixarão de ser operados pela política monocultural para abrir espaço para novos dispositivos.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, no campo social, que se teceu pelos encontros e afetos, onde o território cartografado foi delimitado, primeiro pela própria capacidade de intervir destes corpos-pesquisadores-cartógrafos, mas também por conveniência, na medida em que se buscou seguir e conectar linhas da rede agroecológica e agroflorestora da região do Escudo Cristalino Sul Rio-grandense.
A Cartografia ou Método Cartográfico, surge da filosofia de Deleuze e Guattari (1995), e vem sendo construída enquanto metodologia a partir de diversas autoras e autores brasileiros7. Ao compreender a metodologia como o caminho do pensamento (Minayo, 2016), na cartografia o que ocorre é justamente uma inversão epistemológica - hódos-metá - onde o caminho se faz na medida em que se caminha, e dos encontros, afetos e perceptos que co-produzem estes corpos-pesquisadores-cartógrafos e o território ao mesmo tempo (Rolnik, 2014; Passos; Kastrup; Escóssia, 2009). Por isso a pesquisa se faz intervenção, pela própria capacidade de intervir e transformar (Passos; Barros, 2009).
A partir do exposto, fica evidente que não se compreende uma separação entre sujeito-objeto e os dados são produzidos ao mesmo tempo que estes corpos-pesquisadores-cartógrafos interferem na realidade. É por isso que os filósofos sugerem a cartografia enquanto um princípio rizomático, pois o rizoma seria a própria realidade em constante produção (Deleuze; Guattari, 1995). Esta premissa parte de forma a contrapor a ideia daquilo que Deleuze e Guattari nomearam como pensamento arborescente, ou tipo raiz.
A diferença se faz justamente na estrutura do pensamento, o rizoma assim como na botânica é um caule polimorfo que cresce de forma horizontal, se expandindo para todos os lados com grande capacidade de se diferenciar e multiplicar. Já a raiz, consiste numa estrutura estática que quando cortada não é capaz de se multiplicar, e o único movimento que faz é linear e hierárquico. Essa genealogia dos conceitos, é trazida para evidenciar sobretudo que as estruturas rígidas, lineares e hegemônicas, estão no pensamento e se expressam nas formas e modos de vida da Política Monocultural (Núñez, 2023; Rolnik, 2014; Deleuze; Guattari, 1995).
O que guia a pesquisa é a ethos, seguindo as pistas das gentes e florestas, para mapear a relação de co-evolução que se faz a partir das interações sociais-geológicas-biológicas-culturais. As ferramentas utilizadas durante esta Cartografia foram diversas, e envolvem o uso do diário de campo e registros audiovisuais mediante apresentação do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE), o qual as agricultoras e agricultores aqui são identificados por nomes de árvores escolhidas em conjunto com elas e eles.
No sentido da intervenção, foram propostas três atividades, sendo elas: (a) a caminhada pelo agroecossistema que se trata de uma visita guiada pelos agricultores pela propriedade, de forma que durante a caminhada é possível observar por onde o pensamento se move, e quais coisas chamam mais atenção; (b) o desenho do agroecossistema, que se faz interessante justamente para entender como as agricultoras e agricultores enxergam o agroecossistema, e mostra como é feita a organização do espaço no tempo; (c) os mutirões são ferramentas sociais muito importantes para a troca de fazeres e saberes, e são pura intervenção, na medida em que são atividades com alta capacidade de transformação da paisagem e também das pessoas.
A Cartografia envolveu diversos encontros com a rede agroecológica da região do Escudo Cristalino Sul Rio-Grandense em feiras agroecológicas, de sementes crioulas, reuniões, saídas técnicas, mutirões e outros. Este trabalho considera onde a cartografia se fez intervenção, a partir de visitas às agricultoras e agricultores com a realização da caminhada e do desenho do agroecossistema e os mutirões. Ao todo, foram realizadas nove saídas (Tabela 1) no contexto dos quatro agroecossistemas. Conforme apresentado na tabela 1, é possível identificar os nomes das árvores escolhidas para identificar cada agroecossistema, o município os quais se localizam e o período das saídas.
Seguindo o rizoma que se desenha dos quatro agroecossistemas para a apresentação dos dados produzidos, nos inspiramos nos filósofos (Deleuze e Guattari, 1995) para uma escrita-rizoma, de tal forma que a escrita se aproxime de como se vive. Aqui a cartografia se faz pelas narrativas das agricultoras e agricultores, e das percepções e afetações.
As narrativas estão expostas seguindo as orientações para citações diretas, com identificação ao final da agricultora ou agricultor e ano, mesmo para as que apresentam menos de três linhas. Essa decisão foi tomada para destacar as narrativas que demarcam as intensidades do território cartografado para este trabalho. Também aparecem anotações feitas no caderno de campo, identificadas da mesma forma, conforme: (Diário de Campo, Ano). Os registros fotográficos são trazidos em mosaicos de fotos sobrepostas, que surge de uma inspiração das Agroflorestas que formam mosaicos que são a expressão dos padrões da natureza em distintos espaços-tempo.
Resultados
Para contextualizar e facilitar a compreensão dos dados produzidos, a Tabela 2 apresenta as questões norteadoras, bem como a sistematização dos dados coletados a partir das vivências com os agricultores e agricultoras. A partir dele, é possível perceber uma diversidade de experiências no território em torno do sistema agroflorestal.
Questões norteadoras para a contextualização dos agroecossistemas e percepção sobre a diversidade.
Os dados apresentados na Tabela 2 demonstram a heterogênese das relações das gentes e florestas e também suas intersecções que surgem da relação com a terra degradada, nessa potência de regenerar que se apresenta na biodiversidade percebida na vivência nos agroecossistemas, em distintos tempos que variam de três a doze anos. Sobretudo, marca as linhas de fuga das agricultoras e agricultores na re-existência, essa capacidade de criar-se a si mesmo, que se formam como fissuras nas estruturas enrijecidas do saber-poder colonial-capitalístico.
As linhas de fuga, aqui demarcam a construção do cartografar, pois são esses movimentos de diferenciação na produção das subjetividades ao nível molecular (micropolítico) que nos interessam. É aqui onde as representações, a normatividade e dualidades se diluem e abrem espaço para a realidade em constante acontecimento e extravasa tais institucionalizações, as quais categorizam modos de vida e modos de agricultura - modelos.
A vivência com as agricultoras e agricultores permitiu uma ampla percepção da relação intrínseca das gentes no agenciamento da biodiversidade, mas sobretudo apontou caminhos enrijecidos, que se fazem nas fronteiras. Aqui, refere-se às fronteiras em um dúbio sentido, da mente, do social e do institucional. Nesse sentido, se expressam nas fronteiras agrícolas com a deriva de agrotóxicos e pólen que contaminam as sementes de variedades crioulas, como também se expressam nas relações de julgamento e isolamento que as agricultoras e agricultores vivem quando praticam uma agricultura “diferente” do modelo difundido. Também, se refletem nas normas e valores construídos com base na lógica colonial-capitalística, que no caso corresponde a falta de assistência técnica, políticas públicas e tecnologias adaptadas localmente.
Tu sabe o que foi acontecendo assim com as pessoas? eu acho que as pessoas estavam um pouco animadas com o SAF, é que a gente foi muito sufocado pelo modelo da agricultura convencional. O que que acontecia com as pessoas? As pessoas se encontravam com os outros agricultores e os outros agricultores só diziam “qual é a tua fazendo isso aí? o que tu quer com isso?. Aqui tô ganhando dinheiro na soja, no tabaco e tu vai ficar fazendo isso, brincando de fazer agricultura, onde é que já se viu plantar mato?” (Agricultor Butiá, 2024).
O que o agricultor relata, aconteceu num contexto em que no início eram 13 famílias que se reuniam envolto sobre o tema das agroflorestas, faziam reuniões, mutirões e trocas de sementes, e que a pandemia foi o evento central para a desarticulação das atividades. Vale destacar que no mesmo período também vivenciávamos a ascensão da extrema direita no país que operou na desarticulação e enfraquecimento de diversas Políticas Públicas, como o caso do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Durante a Cartografia fica evidente que ao mesmo tempo que a Agroecologia, Buen Vivir e Agroflorestas só funcionam em diversidade e coletividade, o que se faz na realidade é um desafio enorme para mobilizar as pessoas na construção coletiva, com atividades voltadas ao manejo de sistemas complexos que favoreçam fluxos de cooperação e ajuda mútua. Essa percepção se expandiu ainda mais, no decorrer da cartografia para a articulação dos mutirões, os quais em nenhum mutirão houve a participação de agricultoras e agricultores que não fossem do agroecossistema onde aconteceu a prática, contando com a participação em suma de estudantes da graduação e pós da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Trabalhar isolado aqui, se torna mais difícil. Porque, primeiro aqui, aqui é o atrasado, eu sou atrasado. Eles dizem: “está perdendo dinheiro, cadê o dinheiro? (Agricultor Cambará, 2024).
Esse movimento, indica não somente os efeitos da pandemia, mas em como o isolamento fortaleceu projetos políticos das forças coloniais-capitalísticas, que se sustentam sobre a lógica da acumulação de capital acima da reprodução da vida. Estas forças operam na captura dos processos de diferenciação, que se apropriam das pulsões de criação coletivas e individuais (Rolnik, 2018) e aqui surge nesse rompimento da relação em coletividade.
Não conseguia mexer com ninguém pra plantar alimento, só tabaco e soja. Não via que tinha um retorno, não dava pra comparar, o retorno era incomparável. E eu me incomodava com isso assim, mas vem cá, plantar comida tem menos valor do que plantar fumo e plantar soja, que droga é isso, né? (Agricultor Butiá, 2024).
As narrativas se interseccionam nos valores que se tem como base de referência por onde as relações se fazem. Aqui, fica evidente a importância da afirmação das singularidades, que são justamente formas-outras, de diferenciação do desejo, do pensamento e da própria relação com o mundo, como as gentes e florestas, que denunciam as pressões as quais são submetidos por valores antropocêntricos, sob a lógica degenerativa da natureza, como sinônimo de progresso e desenvolvimento. Núñez (2023) contribui nessa reflexão ao apontar tal processo de generalização do pensamento hegemônico, como uma arrogância metodológica e epistêmica, pois é justamente esse o processo colonial vivenciado até os dias de hoje, pela imposição de políticas construídas a partir da sociedade dominante (Núñez, 2023).
O módulo de subjetivação produtivo-econômico-subjetivo edita pré-discursivamente o modo de se relacionar com o mundo, e para além da luta de classes, passou a uma luta multifatorial que atravessa burgueses e proletários, como o racismo, machismo, crise climática, etc (Guattari, 2012).
Nas gentes e florestas, essa questão se expressa na dificuldade de apropriação dos meios técnicos-científicos, que resulta numa propagação desigual, de forma que marginaliza agricultoras e agricultores agroecológicos e agroflorestores por meio da racionalidade hegemônica (Santos, 2006).
As principais coisas que faltam é tecnologia adaptada. As tecnologias disponíveis, tão muito mais ligadas aos monocultivos. Vejam assim, ó. Aqui do lado tem uma propriedade com 10 hectares com soja. Esse produtor que é dono dessa propriedade, ele consegue manejar sozinho, essa e muitas outras áreas, sozinho, plantar, limpar, colher, sozinho. Na agrofloresta, que bom que não é sozinho que dá para fazer as coisas. O trabalho. Mas não tem tecnologia adaptada para colher, para beneficiar. A gente criou, desenvolveu tecnologia para beneficiar o pêssego, que é da Grécia, e não consegue ter uma tecnologia para colher e beneficiar uma guabirova adequadamente, de forma, vamos dizer assim, sanitariamente viável, que é preciso. A gente tem que investir em tecnologia para a gente conseguir ter mais gente trabalhando com agrofloresta. Uma propriedade que tem a diversidade de coisas que a gente tem nas 15 hectares, eu não tenho um equipamento, não tenho equipamento que atenda essas necessidades que eu tenho para beneficiar essa produção, para manejar essa produção, não são adequados. Tem muitas adaptações que os próprios agricultores fazem. Que são ótimas. Mas, não dão conta de tudo. A gente precisa da pesquisa, precisa da ciência nisso (Agricultor Butiá, 2024).
Essa desigualdade da distribuição das tecnologias, se faz antes na criação de conhecimento técnico-científico voltado ao pacote tecnológico das monoculturas, e se expressa também àquilo que é externo ao agroecossistema, da construção de mercados, condições das estradas, transporte público e nas próprias relações sociais e de construção coletiva (Steenbock, 2021; Minayo, 2016; Toledo; Barrera-Bassols, 2015; Passos; Kastrup; Escóssia, 2009).
Apesar disso, as agricultoras e agricultores se fazem artistas, pela capacidade de criar novas ferramentas, estratégias, técnicas e tecnologias, construindo novos fazeres e saberes a partir do envolvimento com a realidade. Numa confluência, gentes e florestas se mostram como cartografia e rizoma, que nasce justamente dessa relação com e enquanto natureza.
A questão da agrofloresta para mim hoje ela é a saída. Eu não vejo outra alternativa, pra sair da questão climática, né? A gente sabe que é bastante difícil, porque eu sempre trabalho muito isolado. Uma das coisas, quando eu cheguei aqui, eles falaram, que o maior problema vai ser a escoação da produção. Porque a gente está longe (Agricultor Cambará, 2024).
As agroflorestas surgem como respostas para diversos desafios socioambientais, e durante a cartografia, isso se evidencia, na medida em que as intensificações dos processos micropolíticos não se debruçam sobre uma ethos8 envolto nas dificuldades de manejar sistemas complexos, na relação da diversidade. É nesse sentido que a cartografia se abre para uma ecosofia (Guattari, 2012), como a prática de reinventar outros modos de viver. Guattari (2012) afirma que é necessária uma transformação política-social-cultural para superar os desafios ecológicos. Portanto, as dobras seguem as narrativas das agricultoras e agricultores. E em um certo momento, nos questionamos se não deveríamos aprender cartografia como as e os agricultores, devido a sua relação intrínseca e íntima em relações de multiplicidade. E ademais, suas cartografias levaram a justamente questões sociais-culturais-políticas e não necessariamente ecológicas. Pois as questões que envolvem a produção em meio a diversidade e estratificação florestal estão superadas (Steenbock, 2021).
A gente tem o nosso cedro, o louro pardo, o angico, até pau-brasil. Tem algumas frutas ali, mas não se adaptaram muito bem. Tem a canjerana, a grapia, tem a tarumã, tem o cambará, tem a coronilha, são da nossa paisagem. Elas são nossas, só que elas foram dizimadas e quase não se encontram mais. As pessoas só tiravam essas madeiras da paisagem e ninguém se preocupava em plantar. Quer dizer, as pessoas não plantam, um dos motivos é porque demora muito pra ter retorno. Mas se o meu pai tivesse plantado, eu tinha. E se eu não plantar, meu filho não terá. Então alguém tem que voltar a plantar. A gente é de uma cultura muito desbravadora, de achar que tem que estar sempre limpando tudo, pra poder produzir. E esse é o nosso grande erro (Agricultor Butiá, 2024).
Os quatro agroecossistemas tiveram suas agroflorestas implantadas em locais com histórico de solo degradado (Tabela 2), e em seus distintos tempos que variam de 3 a 12 anos de experiência, as agroflorestas demonstram uma alta capacidade regenerativa. As florestas estão sendo estudadas como elementos centrais em desenhos de produção que possam ser mitigadoras dos danos causados pelas mudanças climáticas antropogênicas, pois são sistemas produtivos que fixam Carbono em sua biomassa e atuam no armazenamento de gases de efeito estufa (Sanson, 2016), sendo, portanto, potências para uma saída às mudanças climáticas.
Além disso, mesmo que nem todas as agroflorestas tenham produção para a venda, todas possuem em algum nível contribuição na alimentação, e sobretudo se mostram na recuperação do solo e no desempenho de papéis como atrativo da fauna e equilíbrio no sistema. É justamente a ampliação da diversidade que faz das agroflorestas, sistemas resilientes e responsivos frente às mudanças climáticas (Frederico; Moral, 2022).
Ser safeiro, agrofloresteiro, eu não me denomino exatamente assim, mas eu acho que isso faz parte da construção que a gente se propôs. Ele é um processo, a agrofloresta está dentro de um processo que a gente vem construindo ao longo da vida. Ao longo da vida. Eu sou defensor do meio ambiente desde menino. De menino de 5, 6 anos. Desde lá. Isso está no meu DNA. Preservar. E aí a gente, a agrofloresta é a forma de preservar com renda. Com renda. Tendo renda, sustentando a família, com dignidade. Então, é isso para nós (Agricultor Butiá, 2024).
As caminhadas e os desenhos do agroecossistema, chamam a atenção para a diversidade e a relação das gentes com o ambiente para além do espaço designado como ou para a agrofloresta. Surgem na presença da vegetação nativa que formam ilhas e cordões, ou ainda nas barreiras em linhas de contenção, cortina vegetal, na horta e em pomares em diversificação. As paisagens desenham outros sistemas de valores, para além do lucro, que consideram a reprodução social, ecológica e cultural extremamente envolvidas (Steenbock, 2020; Figueiró; Sell, 2020; Guattari, 2012).
Tais arranjos, que se formam nos agroecossistemas, são esse constante diálogo inter-espécie, que se faz na acoplagem estrutural numa dinâmica autopoiética. Esse processo é observado nas estratégias de manejo e da própria natureza de se regenerar.
Eu deixei a natureza se manifestar (Agricultor Cambará, 2024).
Outras estratégias de manejo são os mutirões entre agricultoras e agricultores, visitas técnicas em grupo, que apesar da redução de participantes nas atividades, ainda resistem. Durante os mutirões realizados no contexto desta pesquisa-intervenção (Figura 2), se evidencia a necessidade de mão-de-obra, tendo em vista a redução do número de pessoas nas famílias que trabalham na agricultura ao mesmo tempo que há a necessidade de trabalhar fora do agroecossistema (Tabela 2). Por isso, os mutirões se mostram uma atividade potente com muitas trocas de fazeres e saberes, e de potência de transformação das paisagens e sobretudo das pessoas que participam das práticas.
A pista é a coletividade, e a terra é nesse sentido, a multiplicidade, pluralidade de gentes numa muvuca trabalhando pela terra (Diário de Campo, 2025).
Dos mutirões realizados nos agroecossistemas, ocorreram a partir da necessidade das e dos agricultores que naquele momento consideravam prioridade. Nesse sentido, os mutirões também afetam a atenção da cartografia, que leva a distintas percepções, que caminham em relação à complexidade das atividades realizadas. Algumas delas foi a necessidade de mão-de-obra especializada para a realização da poda, principalmente das nativas; escancarou o impacto da oscilação dos mercados institucionais durante o período pandêmico, onde o mutirão envolveu a reutilização de sucos fora da validade para adubação dos pomares; necessidade de manutenção e expansão de bordaduras para proteger de derivas; e também do impacto dos mutirões na motivação para o manejo.
A natureza não acompanha o ritmo do capitalismo (Agricultor Yatay, 2024).
A todo momento, o movimento que a Agroecologia, Agroflorestas, Buen Vivir e suas gentes, agentes de transformação, mostram a vida em diversidade de espécies e da multiplicidade de fluxos de matéria e energia, que se fazem, desfazem constantemente, numa dança sem fim. A relação se faz nômade. Por isso também, que a diversidade convida para alternativas às monoculturas e aos modos de produção/consumo capitalista. Elas abrem caminhos para imaginarmos possibilidades para criar a partir da terra enquanto multiplicidade pura.
Nessa tessitura, gentes e florestas se co-produzem a partir do envolvimento. Novamente, Antônio Nêgo Bispo dos Santos (2023) contribui com o conceito de biointeração e seu princípio da partilha que se faz na confluência de fazeres e saberes. Assim como Guattari (2012) a partir da ecosofia, remete aos processos de diversificação seja dos sistemas agroflorestais e das práticas de conservação da agrossociobiodiversidade, como a nível genético as sementes crioulas. O autor defende que “os indivíduos devem se tornar a um só tempo solidários e cada vez mais diferentes.” (Guattari, 2012, p. 55).
Considerações Finais
A realidade cartografada se apresenta como mapa móvel, de tal maneira que tudo aquilo que tem aparência de “o mesmo” não passa de um concentrado de significação, de saber e de poder, que pode por vezes ter a pretensão ilegítima de ser o centro de organização do rizoma. Entretanto, o rizoma não tem centro (Passos;Kastrup;Escóssia, 2020, p.10).
O problema central que envolve este trabalho, tem como ponto de partida a dissociação dos saberes técnicos-científicos dos fazeres-saberes e tecnologias populares ancestrais em co-evolução com a diversidade geológica-biológica-social-cultural. Nesse sentido, aquilo que se caracterizou como um deslocamento dos viventes com o mundo, se faz na disseminação de valores produzidos a partir do regime colonial-capitalístico, que envolve a redução da capacidade de aprendizado, na medida em que se distancia do mundo para tentar entendê-lo.
A cartografia surge não só como uma outra epistemologia, mas antes se faz na confluência da arte-filosofia-ciência, nesse movimento para ampliar as ferramentas para enfrentar o caos. Aqui esse caos, segue as linhas de Guattari (2012) que sugere uma revolução político-social-cultural para a superação dos problemas ecológicos.
Nesse ponto fica nítido que as questões ecológicas, que envolvem os desafios de conviver com as mudanças climáticas, não só tem sua reprodução, mas também as pistas para criar outros mundos possíveis para Buen Vivir, e a agroecologia e agroflorestas que se fazem nos modos de vida que articulam a diferença com saúde, numa estreita relação com a terra e sua multiplicidade. Esse movimento surge justamente na limitação das monoculturas, a partir das representações macropolíticas que articulam a partir de categorias generalizantes de “uma forma” ou modelo de fazer, viver e saber
As micropolíticas das gentes e florestas cartografadas se fazem no constante confronto de valores e racionalidades que se apresentam macropoliticamente, nas instituições que orientam os modos de viver para uma única forma - mono-cultura - que se esparrama em todas dimensões da vida e se expressa em nosso imaginário social e nas diversas crises sociais-ambientais-políticas-econômicas.
As gentes e florestas constituem o próprio rizoma das possibilidades de vir-a-ser, em suas múltiplas ramificações que se diferenciam, e por isso não só resistem, mas re-existem na medida em que criam modos de vida. As narrativas neste trabalho não vem no sentido de dar voz ou se fazer afirmar às gentes e florestas, pois essas relações já existem antes e para além deste trabalho, mas aqui o movimento é pensar a partir da linguagem das gentes, que se opõem às narrativas tipo raiz que impedem o processo coletivo.
A cartografia não tem começo, nem fim, é sempre meio que se faz a todo momento. Nesse sentido, este trabalho não se fecha numa resposta que tenta representar a realidade e concluir alguma verdade. Ela se faz das intensidades que se apresentam no campo da experiência da realidade cartografada, que neste trabalho mapeou linhas das gentes e florestas que desenham para além de outras formas de agricultura, mas de modos de vida, de valores, desejos que são aquilo que nos move enquanto viventes e, enquanto viventes, transformamos a realidade. Talvez as pistas para guiar as andanças esteja em: como agenciar a diferença com saúde? Na medida que isso se faz necessário responder a partir de cada contexto social-geológico-biológico-cultural, dos encontros e afetos que se constituem em cada território.
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1
Conceito de Suely Rolnik (2018), que se refere a uma patologia histórica impregnada no imaginário coletivo, que impacta diretamente a estrutura e funcionamento das instituições.
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2
Micropolítica para Guattari (2012) se refere ao nível molecular das formações de desejo no campo social.
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3
Caso do Decreto nº 52.431/2015 que foi revogado apenas recentemente (2025), e que flexibilizava o uso dos 20% destinados às áreas de conservação para outros usos como a pecuária.
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4
Mais especificamente na Serra dos Tapes.
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Linha de fuga na filosofia de Deleuze e Guattari (1995) se refere aos movimentos que resistem às pressões impostas a partir de uma visão hegemônica das formas e modos de vida.
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7
Autoras e autores que fazem parte da fundamentação metodológica e estão citados no corpo do texto.
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8
A atenção que guia a cartografia que envolve o tema das gentes e florestas.
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Como citar este artigo
ZALAMENA, Caroline; FERNANDES, Lúcio André de Oliveira; KAUFMANN, Marielen Priscila. Gentes e Florestas: pistas para imaginar outras agri-culturas. Revista NERA, v. 28, n. 3, e11064, jul.-set., 2025. https://doi.org/10.1590/1806-675520252811064.
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Declaração de disponibilidade de dados da pesquisa
Acerca da disponibilidade dos dados da pesquisa, os(as) autor(es) do manuscrito intitulado Gentes e Florestas: pistas para imaginar outras agri-culturas informam que:O conjunto de dados de apoio aos resultados deste estudo não está disponível ao público.
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O processo de editoração deste artigo foi realizado por Lorena Izá Pereira.
Acerca da disponibilidade dos dados da pesquisa, os(as) autor(es) do manuscrito intitulado Gentes e Florestas: pistas para imaginar outras agri-culturas informam que:
O conjunto de dados de apoio aos resultados deste estudo não está disponível ao público.



Fonte: Elaborado por Felipe Aires Thofehrn e Caroline Zalamena com base no IBGE e nos pontos georreferenciados das Agroflorestas levantadas pelo Observatório das Agroflorestas do Extremo Sul do Brasil (2024).
Fonte: Acervo autores (2024).