Open-access ALTERNATIVAS AO CRESCIMENTO ECONÔMICO SEM LIMITES E AS PROPOSIÇÕES DO PÓS-DESENVOLVIMENTO

ALTERNATIVAS AL CRECIMIENTO ECONÓMICO ILIMITADO Y LAS PROPUESTAS DEL POSDESARROLLO

Resumo

O modelo econômico intensivo em carbono encontrou forte questionamento nos anos 1970-1980, levando à disseminação da ideia do desenvolvimento sustentável após os anos 1990 que, por sua vez, entrou em questionamento nessas últimas décadas. Nesse contexto, emergiu o Pós-desenvolvimento, formado por movimentos culturais com um conjunto de proposições e iniciativas distintos, que visam criar alternativas ao modelo de crescimento econômico ilimitado. Mais recentemente, duas frentes pós-desenvolvimentistas ganharam maior visibilidade: o Decrescimento e o Bem Viver. Assim, este artigo visa identificar, mapear e analisar as proposições e práticas de transição provenientes dos movimentos pós-desenvolvimentistas. Para isso, foi realizada revisão integrativa de 45 artigos acadêmicos revisados por pares, seguida de análise e síntese temática. Assim, 415 proposições foram identificadas e classificadas em 13 temas e 53 categorias. Dentre as características das proposições analisadas, nota-se que parte delas é compatível com o desenvolvimento sustentável ou com o modelo de uso intensivo de carbono. Essa variedade de temáticas, categorias e proposições reflete a diversidade e as contradições dos movimentos pós-desenvolvimentistas, que apresentam múltiplas iniciativas transformadoras em diferentes territórios. O mapeamento realizado contribui para dar visibilidade e compreender as interfaces entre as propostas do Pós-desenvolvimento, possibilitando compreender os caminhos para a criação e implementação de iniciativas pluriversais.

Palavras-chave:
Pós-desenvolvimento; Decrescimento; Bem Viver; Sustentabilidade; Alternativas econômicas

Abstract

The carbon-intensive economic model faced significant questioning in the 1970s and 1980s, leading to the dissemination of the idea of sustainable development after the 1990s. However, this concept has also been subject to scrutiny in recent decades. In this context, Post-development has emerged from cultural movements with a set of distinct proposals and initiatives that aim to create alternatives to the model of unlimited economic growth. More recently, two post-developmentalist movements have gained greater visibility: Degrowth and Buen Vivir. This article aims to identify, map, and analyze transitional proposals and practices from post-developmentalist movements. To this end, an integrative review of 45 peer-reviewed academic articles was conducted, followed by a thematic analysis and synthesis of the findings. As a result, 415 proposals were identified and classified into 13 themes and 53 categories. Among the characteristics of the analyzed proposals, it is noted that some are compatible with sustainable development, while others are compatible with the carbon-intensive model. This variety of themes, categories, and proposals reflects the diversity and contradictions within post-development movements, which present multiple transformative initiatives in different territories. The mapping conducted enhances visibility and understanding of the interfaces between Post-development proposals, enabling comprehension of pathways for creating and implementing pluriversal initiatives.

Keywords:
Post-development; Degrowth; Good Living; Sustainability; Economic alternatives

Resumen

El modelo económico intensivo en carbono fue objeto de un fuerte cuestionamiento en las décadas de 1970-1980, lo que llevó a la difusión de la idea del desarrollo sostenible después de los años 1990, el cual, a su vez, ha sido cuestionado en las últimas décadas. Como resultado, surgió el Posdesarrollo, un conjunto de proposiciones e iniciativas distintas que buscan alternativas al modelo de crecimiento económico ilimitado. Recientemente, dos frentes post-desarrollistas han ganado mayor visibilidad: el Decrecimiento y el Buen Vivir. En este contexto, este artículo tiene como objetivo identificar, mapear y analizar las proposiciones y prácticas de transición provenientes de los movimientos del Posdesarrollo. Por eso, se realizó una revisión integrativa de 45 artículos académicos revisados por pares, seguida de una síntesis temática. Así, se identificaron y clasificaron 415 proposiciones en 13 temas y 53 categorías. Entre las características de las proposiciones analizadas, se observa que parte de ellas es compatible con el desarrollo sostenible o con el modelo de uso intensivo de carbono. Esta diversidad de temas, categorías y proposiciones refleja el alcance y contradicciones del movimiento post-desarrollista, que presenta múltiples iniciativas transformadoras que se están estudiando e implementando en todo el planeta. El análisis realizado contribuye con la visibilidad y con la comprensión de las interfaces entre las propuestas del Posdesarrollo, lo que puede permitir entender los caminos para la creación e implementación de iniciativas pluriversales.

Palabras-clave:
Posdesarrollo; Decrecimiento; Buen Vivir; Sostenibilidad; Alternativas Económicas

INTRODUÇÃO

O recente agravamento da crise ambiental parece evidenciar as limitações da lógica do crescimento econômico sem limites, intensivo em carbono, e do próprio desenvolvimento sustentável, já que este contém a noção de crescimento econômico em suas propostas, como explicitam os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Vide o 8º – Trabalho decente e crescimento econômico (LATOUCHE, 2009; MARTINE; ALVES, 2015; THEYS & GUIMONT, 2019; ROCKSTRÖM et al., 2023; ONU, 2024).

Para alguns autores, essa adjetivação de “sustentável” na noção de desenvolvimento representa um paradigma instrumentalista (CAMPAGNA; GUEVARA; LE BOEUF, 2017), mostrando-se um oxímoro (LATOUCHE, 2009; REDCLIFT, 2005). Ou, ainda, representa um trilema, considerando a dificuldade em se “conciliar crescimento econômico, bem-estar social e sustentabilidade ambiental” (MARTINE; ALVES, 2015, p. 434).

Esse cenário tem fomentado debates sobre alternativas ao modelo econômico vigente, que é intensivo em carbono, ameaça os limites planetários seguros e justos (ROCKSTRÖM et al., 2023), e frequentemente prioriza o lucro em detrimento da natureza e da qualidade de vida das populações locais.

Esses debates têm impulsionado a busca por meios de transformações reais ou, ao menos, soluções amenizadoras, sendo debatidas e construídas a partir de diferentes perspectivas, que vão desde tecnicistas e antropocentristas até ecocentristas. Isso constitui o Pós-desenvolvimento. Nas diferentes pesquisas e publicações que tratam dos movimentos que o compõem, em suas díspares vertentes, é possível identificar inúmeros exemplos de proposições e práticas para a transformação do modelo econômico vigente e respectivos estilos de vida (LATOUCHE, 2009; GEORGESCU-ROEGEN, 2013; ESCOBAR, 2021; HICKEL et al., 2022; KOTHARI et al., 2019; ZIAI, 2007; GUDYNAS, 2011; GIBSON-GRAHAM, 2005; ESCOBAR, 2005, 2007; ACOSTA, 2016).

Visando contribuir com o ideal coletivo de “um mundo ecologicamente sábio e socialmente justo” (KOTHARI et al., 2021, p. 28), a recente obra Pluriverso: dicionário do pós-desenvolvimento, organizada por Kothari, Salleh, Escobar, Demaria e Acosta, apresenta um compilado de alternativas transformadoras ligadas ao Pós-desenvolvimento. Essas iniciativas englobam o Decrescimento e o Bem Viver, além de outros movimentos como Ubuntu, Ecofeminismo, Felicidade Interna Bruta, Ecologia profunda, Convivialismo, Ecovilas, Moedas alternativas, Movimento Slow, entre muitos outros.

As proposições pós-desenvolvimentistas estão sendo mapeadas e analisadas em vários estudos de casos e territórios, tanto do Norte (FOUKSMAN & KLEIN, 2019; TZEKOU & GRITZAS, 2023; KAUL et al., 2022; e FITZPATRICK et al., 2022) quanto do Sul global (MARTINS, 2014; Gervazio et al., 2023; Leão et al., 2016; Montero et al., 2019; Nirmal & Rocheleau, 2019; Sánchez & Moscoso, 2017; Santos et al., 2017; Vargas, Zuñiga e Alcantara, 2020; Piaia & Wedig, 2022; Schöneberg, 2015; Gerber & Raina, 2018; Soto, 2019). Escobar (2015, p. 15) destaca que há múltiplas narrativas de transição, as quais articulam “veritable cultural and ecological transitions to different societal models, going beyond strategies that offer anthropocene conditions as solutions”. Mapear essas narrativas é fundamental, especialmente para os estudos pluriversais.

Nesse contexto, diferentes autores (KOTHARI et al., 2021) afirmam que é preciso desconstruir a noção de crescimento econômico hegemônica e dar visibilidade à pluralidade de teorias e práticas ligadas ao movimento do Pós-desenvolvimento. Diante da crescente crise ecológica e emergência climática, com repercussões negativas sobre as vidas humanas e não-humanas, essas discussões representam um “farol de esperança”, segundo Escobar (2015, p. 461). Considerando esse panorama, quais são as principais proposições e práticas de transição provenientes do movimento pós-desenvolvimentista? Em busca dessa resposta, este artigo visa identificar e analisar as proposições e práticas de transição provenientes do movimento do Pós-desenvolvimento. Para isso, foi realizada uma revisão bibliográfica, a partir da literatura pós-desenvolvimentista, com foco nos movimentos do Decrescimento e, sobretudo, do Bem Viver.

É importante lembrar a etimologia da palavra proposição originada do verbo propor, do latim proponere, que significa “colocar à frente”. A partir de uma perspectiva da filosofia, uma proposição exprime “uma representação de possibilidade de um mundo possível, uma afiguração de um estado de coisas possíveis” (RODRIGUES, 2010, p. 157). Em tempos de múltiplas crises (ecológica, política, social, de valores etc.), conforme Morin e Kern (2003), busca-se identificar mundos possíveis, inclusive aqueles historicamente silenciados ou considerados impossíveis devido a suas origens: mundos pluriversais ou diversais (KILOMBA, 2019; KOTHARI et al., 2021; SANTOS, 2023). Essas crises ou policrise têm suas bases na característica maior da contemporaneidade, a velocidade das mudanças tecnológicas e sociais (KURZWEIL, 2024; LOPES-PORTILLO ROMANO, 2018). Rapidez que abre um futuro de agudas incertezas (BUCCI, 2023; HARARI, 2024), causando apreensão, ansiedade e, sobretudo, insatisfação e desinformação em diversos segmentos sociais (DA EMPOLI, 2020). Em última análise, o fundamento da policrise reside na transição que o mundo conhece entre um modelo econômico intensivo em carbono, socialmente excludente e ambientalmente irresponsável e um modelo baseado em energia renovável, socialmente includente e ambientalmente responsável. Transição que ocorre em meio a fortes tensões e embates.

MOVIMENTOS DO PÓS-DESENVOLVIMENTO: BEM VIVER E DECRESCIMENTO

Para compreender o que é o Pós-desenvolvimento, é preciso entender, inicialmente, a polissêmica noção de desenvolvimento. Com origem eurocentrista e disseminada após a 2ª Guerra Mundial no discurso do Presidente Truman, o desenvolvimento passou a significar uma modificação contínua e linear para construção da ordem a partir das desordens sociais (COWEN & SHENTON, 2005; ACOSTA, 2016). Contudo, no modelo econômico vigente, em geral, limita-se ou prioriza a dimensão econômica, com a lógica do crescimento contínuo e infinito, ainda que o desenvolvimento seja adjetivado como sustentável (BRUNDTLAND, 1987; DU PISANI, 2006), como liberdade (SEN, 2010) e humano (PNUD, 1990). No entanto, o objetivo deste artigo não é a análise desse histórico e seus conceitos, algo já disponível na literatura (ESCOBAR, 2005, 2007; COWEN & SHENTON, 2005; SEN, 2010; ZIAI, 2007; KOTHARI et al., 2021; FERREIRA & RAPOSO, 2017; AMARO, 2017) mas, a partir da constatação de sua aparente falência, levantar as alternativas que estão sendo elaboradas ou praticadas.

Das críticas ao desenvolvimento, em seus diversos formatos, nasceu o Pós-desenvolvimento, uma noção “guarda-chuva”, ainda no século XX. Ela abrange iniciativas transformadoras, movimentos e perspectivas distintas, e até divergentes, que buscam ou inspiram alternativas ao modelo de desenvolvimento vigente desde o século XIX, baseado no crescimento econômico ilimitado. Kothari et al. (2021) listaram mais de oitenta iniciativas que exemplificam esses caminhos pluriversais, a maioria iniciativas de natureza locais ou regionais. São exemplos mais notórios o Decrescimento (DEMARIA et al., 2013; LATOUCHE, 2009; KALLIS, 2011) e o Bem Viver (GUDYNAS, 2011; ACOSTA, 2015, 2016). O desafio, entre outros, é como operacionalizar e disseminar as proposições e as práticas locais sem perder a lógica da pluriversalidade.

A pluriversalidade permite que as diferenças coexistam pacificamente, e se contrapõe à lógica dominante, que é universalizante e excludente (Kothari et al., 2021). Ao invés de um único mundo globalizado e homogeneizado, no “pluriverso” busca-se uma confluência de alternativas,

um mundo onde caibam muitos mundos, como dizem os zapatistas de Chiapas. Os mundos de todas as pessoas devem coexistir com dignidade e paz, sem depreciação, exploração ou miséria. Um mundo pluriversal supera atitudes patriarcais, racismo, castaísmo e outras formas de discriminação. Nele, as pessoas reaprendem o que significa ser uma parte humilde da “Natureza”, deixando para trás noções antropocêntricas estreitas de progresso baseadas no crescimento econômico (Kothari et al., 2021, p. 43).

Rigorosamente, o Pós-desenvolvimento não é antidesenvolvimento, mas uma proposta de desconstruir o processo de desenvolvimento-crescimento, como princípio central na organização da vida social (ESCOBAR, 2007). Reconhece-se que esse processo, embora tenha proporcionado melhorias de vida para parte da humanidade, também gera desigualdades, violências e discriminações — simbólicas e físicas (GIBSON-GRAHAM, 2005). Escobar (2005) sustenta que o Pós-desenvolvimento se caracteriza por: revalorizar as culturas tradicionais; confiar nos saberes tradicionais frente à especialização do conhecimento; construir mundos mais humanos, além de cultural e ecologicamente sustentáveis; e considerar os movimentos sociais/populares como a base para avançar para uma nova sociedade (ESCOBAR, 2007).

O Bem Viver está vinculado às cosmovisões e filosofias latino-americanas e dos povos originários no Sul global, especialmente os andinos. Sua visão de mundo fundamenta-se no valor intrínseco dos seres não-humanos, na pluralidade, na coletividade e na melhoria da qualidade de vida de todos os seres vivos, contrastando com o crescimento contínuo individualista (ACOSTA, 2016; ALCANTARA; SAMPAIO, 2017; KOTHARI et al., 2021). Há três correntes principais nos movimentos pelo Bem Viver: (i) indigenista/pachamamista; (ii) socialista/estadista e; (iii) pós-desenvolvimentista/ecologista. A primeira e a terceira são mais ligadas à defesa dos territórios e a segunda, mais ligada à ascensão do Bem Viver às políticas públicas de determinados países (HIDALGO-CAPITÁN; ARIAS; ÁVILA, 2014; ALCÂNTARA & ZUÑIGA, 2021).

Dentre as propostas do Bem Viver, Acosta (2015; 2016) aponta para uma visão de mundo diferente da ocidental, pois emerge de raízes comunitárias não capitalistas, descentralizadas, que visam superar o racismo, o patriarcado e o machismo, além de propor, por exemplo: a promulgação dos Direitos da Natureza, sistemas econômicos solidários, a superação do consumismo e do produtivismo e a redução do tempo de trabalho.

O Decrescimento, por sua vez, está mais relacionado às sociedades do Norte global. Ele propõe o abandono da meta de crescimento ilimitado, a redução da pegada material e adota postura política crítica ao paradigma desenvolvimentista. Propõe sociedades diferentes, mais democráticas, onde se vive, trabalha e consome com justiça social (DEMARIA et al., 2013; LATOUCHE, 2009; FITZPATRICK et al., 2022; NASCIMENTO & TASSO, 2019). Georgescu-Roegen (2012), nas origens do Decrescimento (anos 1970), apresentou oito propostas que abordam a redução das desigualdades, a diminuição do consumo dispensável, o fim da obsolescência programada e da produção de itens supérfluos, além da valorização do tempo para o lazer, família e amigos.

Avançando nessas ideias, Latouche (2009, p. 42) propôs um “círculo virtuoso” de oito ações interdependentes, “capazes de desencadear um processo de decrescimento sereno”: reavaliar (valores), reconceituar (o olhar sobre o mundo), reestruturar (os sistemas de produção e as relações sociais em função dos valores após a reavaliação), redistribuir (as riquezas), relocalizar (produzir localmente, priorizando empresas locais), reduzir (o consumo excessivo e o desperdício), reutilizar (evitar usos únicos, combatendo a obsolescência programada) e reciclar (resíduos). O autor também apontou proposições centrais mais concretas, por exemplo: integrar os danos gerados pelo transporte nos seus custos; restaurar a agricultura camponesa (local, sazonal, natural e tradicional); transformar os ganhos de produtividade em redução do tempo de trabalho e criação de empregos, aumentando o lazer; impulsionar os bens relacionais (ex.: tempo para amizade e conhecimento); reduzir o desperdício de energia; taxar as despesas com publicidade (LATOUCHE, 2009).

No próximo tópico, o método adotado na análise das proposições pós-desenvolvimentistas será apresentado, seguido dos resultados de sua aplicação.

PERCURSO METODOLÓGICO

Para alcançar o objetivo geral, adotou-se um método quanti-qualitativo, exploratório e descritivo, com análise de fontes secundárias sobre o Pós-desenvolvimento (CRESWELL, 2007; MARCONI & LAKATOS, 2003). Para isso, foi realizada uma revisão integrativa de literatura (RIL), que se diferencia das revisões tradicionais por ser uma forma de pesquisa que pode gerar novos conhecimentos sobre o tema, ao sintetizar e criticar a literatura representativa sobre o tópico previamente definido (TORRACO, 2016). Neste caso, o tema engloba as proposições do Pós-desenvolvimento, com ênfase naquelas referenciadas ao Bem Viver e ao Decrescimento.

Com base na pergunta norteadora desta pesquisa (Quais são as proposições de transição provenientes do movimento do Pós-desenvolvimento?), adota-se uma estrutura temática/conceitual de revisão integrativa (ibid.), em que as palavras-chave para a revisão foram: "post development" + propos*; postdevelopment + propos*; "pós-desenvolvimento"; "buen vivir" + propuestas/proposiciones; "good living" + propos*; e "bem viver" + propos*. As bases consultadas foram a plataforma de periódicos CAPES, e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Vale destacar que as proposições relacionadas ao Decrescimento não foram pesquisadas entre as palavras-chave porque há uma recente e atual revisão sistemática sobre o tema, publicada por Fitzpatrick et al. (2022), que foi uma das inspirações para este artigo.

A fase seguinte foi a seleção dos artigos a serem analisados por completo, a partir da análise dos seus títulos e resumos. Os critérios definidos para a seleção e revisão integrativa foram: publicações revisadas por pares nos idiomas português, inglês ou espanhol, que apresentassem proposições ou práticas ligadas ao movimento do Pós-desenvolvimento. Nos periódicos consultados, foram inicialmente identificados 481 artigos. Após a exclusão dos artigos que não atendiam aos critérios de seleção citados, dos duplicados e dos que não estavam diretamente relacionados ao tema da análise, foram selecionados 45, reunindo mais de 70 autores e autoras.

Em seguida, o conteúdo completo desses 45 textos foi analisado. Além da análise crítica (TORRACO, 2016), foram compiladas e classificadas as informações sobre: título; autores; ano e local de publicação; proposições identificadas (síntese e quantidade total); se continha estudo de caso ou não (quando positivo, qual a sua localização) e o link para acesso à publicação completa. A identificação da análise de estudos de caso é relevante, pois ela contribui para atribuir materialidade às proposições. Os casos possibilitam gerar “insights teóricos que se transferem a outras épocas e lugares” (BARTLETT & VAVRUS, 2017, p. 905).

Foram revisados artigos publicados entre 2010 e 2023, conforme o Gráfico 1 (abaixo). Observa-se que a maior parte dos artigos selecionados são de 2017 em diante, com destaque para os anos de 2019 (22% do material analisado), 2021 (13%) e 2022 (13%).

Gráfico 1
Quantidade de publicações identificadas em cada ano. Fonte: os autores, 2024.

Constata-se uma diversidade de revistas publicando sobre o tema, no total de 41 veículos diferentes. Dentre essas revistas, apenas três se destacaram por conterem mais de um artigo: a Ecological Economics (ligado à International Society for Ecological Economics – ISEE) com três publicações diferentes, Alternautas (Londres – Inglaterra, University of Warwick Press) e Desenvolvimento e Meio Ambiente (Universidade Federal do Paraná – UFPR, Brasil), cada uma com dois artigos.

Nota-se que, dos 45 artigos, 51,1% contêm estudos de caso, totalizando 23 artigos. Parte desses estudos de caso é comparativa, abrangendo mais de um território ou país. Assim, os estudos de caso estão distribuídos em 14 países, na sua maioria localizados no Sul global, particularmente na América Latina e no Caribe, conforme a figura 1. O Brasil predominou como o país com mais estudos de caso (oito), seguido pelo Equador (3), México (3), Bolívia (2) e Chile (2). Além disso, há um estudo em cada um dos seguintes países: Argentina, Austrália, Butão, Colômbia, Estados Unidos, Grécia, Haiti, Índia e Reino Unido.

Figura 1
Imagem com países em que foram identificados estudos de caso. Fonte: elaborado pelos autores no Google Maps, 2024.

Com um quadro contendo todas as proposições pós-desenvolvimentistas identificadas nos textos selecionados, iniciou-se a análise e interpretação das informações coletadas, que se dividiu em uma análise bibliométrica e uma análise das proposições. Adotou-se uma síntese temática, reunindo as proposições em temas e categorias mais específicas (MARCONI & LAKATOS, 2003; FITZPATRICK et al., 2022; THOMAS & HARDEN, 2008). Assim, foram construídos 13 temas, subdivididos em 53 categorias.

O caminho percorrido para realizar os agrupamentos foi: a base da revisão sistemática e síntese temática previamente realizada por Fitzpatrick et al. (2022); adaptações com base na realidade da América Latina e teorias do Pós-desenvolvimento, além das próprias características do material coletado. Para refinar os agrupamentos adotou-se o procedimento de similitudes e diferenciações (FACHIN, 2001). Com isso, os temas que agruparam as proposições foram:

  • A- Agricultura e Alimentação;

  • B- Ciência e Tecnologia;

  • C- Cultura e Educação;

  • D- Energia;

  • E- Finanças éticas e não especulativas e democracia financeira;

  • F- Governança e Geopolítica;

  • G- Habitação, Transportes e Planejamento Regional;

  • H- Natureza;

  • I- Produção e Consumo;

  • J- Qualidade de vida e Saúde integral;

  • K- Redução da desigualdade;

  • L- Trabalho;

  • M- Turismo.

Os autores deste artigo reconhecem que toda tipologia tem um grau de subjetividade e intersubjetividade intransponível, e que outros autores poderiam fazer tipologias distintas. O mais relevante, no entanto, são as proposições em si, coletadas nos artigos selecionados com base no método descrito. A seguir, apresentam-se os resultados da pesquisa e sua discussão, com as categorias e principais proposições.

AS PROPOSIÇÕES E PRÁTICAS PÓS-DESENVOLVIMENTISTAS

O exame dos 45 artigos resultou em um quadro com 415 proposições pós-desenvolvimentistas. No entanto, como muitas delas eram similares, o processo de análise e síntese resultou em 217 proposições. Como já dito, elas foram agrupadas em 13 temas, por sua vez subdivididos em 53 categorias, conforme Figura 2 e a Tabela 1 (organizada por ordem decrescente em relação à quantidade de proposições que cada tema agrega).

Tabela 1.1
Classificação temática das proposições e práticas identificadas (ordem decrescente da quantidade total de proposições em cada tema).

Figura 2
Resultados da análise e síntese temática das proposições pós-desenvolvimentistas. Fonte: elaborado pelos autores, 2024.

É importante lembrar que uma proposição pode dialogar com mais de um tema ou categoria. A classificação em categorias foi necessária para a análise, método adotado por Fitzpatrick et al. (2022) e Thomas & Harden (2008), e para facilitar a comunicação dos resultados com diferentes públicos. Uma ilustração é a proposição “Erradicar a pobreza”, que perpassa por diferentes temas, assim como a de “reintegração entre o ser humano e a Natureza”, que dialoga tanto com a dimensão cultural quanto com parte das categorias sobre a Natureza.

A Tabela 1 apresenta a quantidade de proposições por tema (última coluna à direita – “T”) e categoria (penúltima coluna à direita – “C”). Os temas com maior diversidade de proposições estão ligados à Produção e Consumo (42), Cultura e Educação (42), Agricultura e Alimentação (21). No entanto, assim como identificado na análise de Fitzpatrick et al. (2022), é importante lembrar que a exposição ou criação de uma proposição pelos autores nem sempre se desdobra em profundidade de detalhes ou forma de implementação da proposição, ou seja, algumas proposições são apenas rapidamente mencionadas.

Tabela 1.2
Classificação temática das proposições e práticas identificadas (ordem decrescente da quantidade total de proposições em cada tema).

As categorias com maior diversidade de proposições são: Estilos de vida de suficiência (com 13 proposições diferentes, ex.: por meio da superação do consumismo ou da promoção do consumo compartilhado); Cultura e Educação diversas (11, ex.: vida simples, ou a simplicidade voluntária); Reduzir as pressões ambientais, inclusive mineração (11, ex.: extração sustentável, limites à extração de recursos naturais); Autonomia individual (8, ex.: autossuficiência e autogestão das pessoas que vivem em comunidade, descolonização do imaginário social); Reduzir o desperdício (8, ex.: oficinas de reparação, bibliotecas de ferramentas); Soberania alimentar (8, ex.: por meio de políticas produtivas e comerciais com critérios agroecológicos e culturais; biofeiras etc.).

Essas categorias estão distribuídas em quatro temas, com destaque para dois: Produção e Consumo e Cultura e Educação. Provavelmente porque a primeira concentra as questões da emergência climática, enquanto a segunda foca na ação para mudar o rumo da sociedade atual.

No entanto, para a identificação das principais proposições pós-desenvolvimentistas, foi realizada análise com foco naquelas que foram as mais frequentemente mencionadas nos diferentes trabalhos analisados (Tabela 2). Ou seja, a Tabela 2 aponta as que se destacaram porque autores diferentes propuseram iniciativas similares. Essas proposições estão distribuídas em apenas sete temas (Agricultura e Alimentação, Cultura e Educação, Energia, Finanças éticas e não especulativas, Governança e Geopolítica, Natureza, e Produção e Consumo), e 11 categorias, sendo Biocentrismo/Ecocentrismo a de maior recorrência. Na Tabela 2 detalham-se essas proposições pós-desenvolvimentistas.

Tabela 2
Síntese das proposições mais frequentemente mencionadas nas publicações analisadas.

Em Governança e Geopolítica, destaca-se a categoria da Democracia ecológica, que busca descentralizar a tomada de decisões, por exemplo, por meio de processos participativos, fóruns deliberativos regulares, orçamento participativo, grupos de trabalho voluntário, democracia direta local, democracia participativa, auto-organização em pequena escala com redes de coletivos, incluindo também movimentos sociais (FITZPATRICK et al., 2022; BENALCÁZAR & de LA ROSA, 2021; HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022; MONTERO et al., 2019; ACOSTA, 2015; FERREIRA & RAPOSO, 2017; TZEKOU & GRITZAS, 2023; HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019; KAHLAU, SCHNEIDER e SOUZA-LIMA, 2019; FRIGGERI, 2021; SODRÉ & HESPANHOL, 2022; ABREU & PEZARICO, 2020; DINERSTEIN e DENEULIN, 2012; MADRUGA, 2019; FONSECA et al., 2022; ÁVILA-ROMERO, 2018; FONSECA et al., 2022). Já a categoria Plurinacionalidade sinaliza a necessidade de os estados nacionais valorizarem a diversidade étnica, a autodeterminação dos povos, a descentralização do poder local, assim como a heterogeneidade, que desafia a lógica da identidade nacional homogênea. Alguns exemplos são as políticas de descolonização, como cotas, medidas reparatórias etc. (GUERRA et al., 2023; HIDALGO-CAPITÁN e CUBILLO-GUEVARA, 2022; BENALCÁZAR & de LA ROSA, 2021; MARTINS, 2014; HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019; CUBILLO-GUEVARA et al., 2016).

Em Cultura e Educação, com quatro categorias, destaca-se a de Conhecimentos tradicionais/ancestrais, que se aprofunda nas questões ligadas às populações tradicionais e seus modos de vida, cultura e conhecimento. No mais, ela propõe que essas populações sejam mais valorizados e tenham mais autonomia (FITZPATRICK et al., 2022; VENTURIN, et al., 2023; BISHT, 2022; NIRMAL & ROCHELEAU, 2019; KAHLAU, SCHNEIDER e SOUZA-LIMA, 2019; SOTO, 2019; NIRMAL & ROCHELEAU, 2019; FRIGGERI, 2021; MADRUGA, 2019; ASSIS, 2021; DIEDRICH & BIONDO, 2021; SANTOS, et al., 2017; LEÃO et al., 2016; ÁVILA, 2019). Em contraposição à lógica antropocentrista, dominante nas sociedades ocidentais atuais, destacam-se autores que se propõem a valorizar uma visão de mundo mais bio ou ecocentrista. Ou seja, uma visão de mundo em que os seres humanos não estão separados da Natureza, nem acima das demais espécies. Aqui, as proposições focam, por exemplo, na busca de harmonia ou reintegração entre os humanos e a Natureza ou na reconexão dos humanos com o planeta Terra (GERVAZIO et al., 2023; ABREU & PEZARICO, 2020; GUERRA et al., 2023, MONTERO et al., 2019; ALCANTARA & SAMPAIO, 2017; MARTINS, 2014; ÁVILA, 2019; DOURADO, 2021; MADRUGA, 2019; GUERRA et al., 2023; FRIGGERI, 2021). Já a categoria Interculturalidade e Diversidade destaca-se como forma de reconhecimento e defesa das diferentes identidades e culturas, prezando pela heterogeneidade das identidades, culturas e práticas. Nesse caso, propõe-se a coexistência harmoniosa e respeitosa entre diferentes modos de vida (ALCÂNTARA & SAMPAIO, 2017; GUERRA et al., 2023; HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022; MONTERO et al., 2019; HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019; SOTO, 2019; BENALCÁZAR & DE LA ROSA, 2021; MACÍAS, 2017; ÁVILA-ROMERO, 2018).

No tema Natureza, destaca-se a categoria Direitos da Natureza, com ênfase no fortalecimento das legislações que a protejam. Sinaliza-se, inclusive, que esses direitos passem a ser um componente constitucional (FITZPATRICK et al., 2022; FRIGGERI, 2021; HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022; FERREIRA & RAPOSO, 2017; ALCÂNTARA & ZUÑIGA, 2021; HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019; BRASIL & BRASIL, 2014; ACOSTA, 2015; VENTURIN, et al., 2023; SOTO, 2019).

No tema Agricultura e Alimentação predominaram proposições ligadas à Agroecologia e à Soberania alimentar. A Agroecologia refere-se ao desenho de agroecossistemas sustentáveis. Neste grupo de proposições incluem-se, por exemplo, as experiências de transição agroecológica e a agroecologia camponesa (como a permacultura), abordadas por sete artigos diferentes (FITZPATRICK et al., 2022; FONSECA et al., 2022; DIEDRICH & BIONDO, 2021; SANTOS, et al., 2017; DOURADO, 2021; ABREU & PEZARICO, 2020). Já a Soberania alimentar está ligada à capacidade de cada povo em definir suas próprias políticas, por exemplo, para a agropecuária sustentável, proporcionando a sua autossuficiência nutricional (ALCANTARA & SAMPAIO, 2017; ÁVILA-ROMERO, 2018; HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019; DOURADO, 2021; HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022; BENALCÁZAR & DE LA ROSA, 2021; VENTURIN, et al., 2023).

Produção e Consumo destaca-se pela proposição de fomentar Economias Alternativas, incluindo a economia solidária e similares, como a bioeconomia, a economia social e a economia do cuidado (HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019; HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022; SOTO, 2019; ALCANTARA & SAMPAIO, 2017; BENALCÁZAR & DE LA ROSA, 2021; FERREIRA & RAPOSO, 2017; BRASIL & BRASIL, 2014; TZEKOU & GRITZAS, 2023). A proposta de promover a comercialização e o comércio justos também se enquadra na categoria de Economias alternativas/Solidária.

No tema Energia destacam-se proposições decrescentistas (FITZPATRICK et al., 2022), presentes também na categoria Democracia energética. Esta contém a transição para energia renovável, de forma a garantir sistemas renováveis, descentralizados, de convivência e de propriedade das comunidades (FITZPATRICK et al., 2022; LEMOS & BELLO, 2019; FONSECA et al., 2022; MARTÍNEZ-ALIER et al., 2010; ÁVILA-ROMERO, 2018; HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019).

Por fim, o tema Finanças éticas e não especulativas trata da gestão e acesso aos recursos econômicos. Suas propostas visam, principalmente, o apoio a moedas, crédito e sistemas de câmbio não especulativos. Por exemplo, criação de bancos de tempo, cooperativas de crédito, bancos cooperativos, moedas alternativas ou sociais (FITZPATRICK et al., 2022; ÁVILA-ROMERO, 2018; VARGAS, ZUÑIGA e ALCANTARA, 2020; ÁVILA-ROMERO, 2018; FONSECA et al., 2022; CUBILLO-GUEVARA et al., 2016).

UMA ANÁLISE CRÍTICA: AMPLITUDE, DIVERSIDADE E ESPECIFICIDADE

Constata-se uma grande amplitude de temas, categorias e proposições pós-desenvolvimentistas. Elas permeiam diferentes setores e dimensões da sociedade, como modos de vida diferentes, redução da desigualdade social, diminuição do consumo e a redução da produção desnecessária. Além disso, propõem uma mudança na relação entre humanos e outras espécies, tanto que a categoria mais recorrente foi a relacionada ao Bio/Ecocentrismo (LATOUCHE, 2009; GEORGESCU-ROEGEN, 2012; KOTHARI et al., 2021, ESCOBAR, 2021; HICKEL et al., 2022).

Aparentemente, para os defensores do Pós-desenvolvimento, um período de policrises (MORIN & KERN, 2003), de desafios complexos e problemas perversos (HEAD, 2008; WEHRDEN et al., 2017), em que limites planetários seguros e justos estão ameaçados (ROCKSTRÖM et al., 2023), exige múltiplas abordagens, assim como perspectivas de mundos menos antropocêntricos e mais diversas para enfrentar os desafios (SANTOS, 2023). O ecocentrismo, por exemplo, aceita que humanos são parte da Natureza e possuem “(...) responsibility to respect the web of life and heal the damage caused by the ideological dominance of anthropocentrism” (KOPNINA et al., 2018, p.123).

Outros temas diretamente conectados ao que autores seminais propuseram são a relocalização (LATOUCHE, 2009; ESCOBAR, 2021), a priorização do uso de energias renováveis (LATOUCHE, 2009; GEORGESCU-ROEGEN, 2012; KOTHARI et al., 2021), assim como a agricultura local e orgânica para todos (LATOUCHE, 2009; GEORGESCU-ROEGEN, 2012; KOTHARI et al., 2021).

No entanto, a questão do tempo para o lazer (GEORGESCU-ROEGEN, 2012) não foi abordada diretamente nas proposições analisadas, mas se aproxima de parte do debate levantado na categoria Reconceitualizar o trabalho, presente nas proposições decrescentistas (FITZPATRICK et al., 2022; ACOSTA, 2015; MARTÍNEZ-ALIER et al., 2010; BELING, 2019), assim como na categoria Produção e Consumo – Estilos de vida de suficiência (HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019; HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022).

Nota-se que as proposições não são focadas apenas na economia, nem na da lógica mercantil, ainda que o tema Produção e Consumo seja um dos principais temas abordados. O mapeamento realizado engloba, também, propostas focadas no comportamento humano e modos de vida individuais cotidianos (ex.: redução do consumo de carne), na coexistência em grupos, comunidades ou associações).

As escalas das propostas são distintas: municipais, regionais e algumas focadas em países (ex.: estados plurinacionais), além de diferentes citações a questões globais (ex.: reforma de organizações internacionais). Ou seja, vão desde a escala humana, local, perpassando por aquelas que dependem de movimentos sociais, políticas públicas ou legislação setorial, até instituições ou regulamentações internacionais.

Foi possível verificar, também, que há uma extensa agenda de políticas públicas com 50 metas, 100 objetivos e 340 instrumentos ligados ao Decrescimento (FITZPATRICK et al., 2022), além dos Planos Nacionais ligados ao Bem Viver (MONTERO et al., 2019; SOTO, 2019; CUBILLO-GUEVARA et al., 2016).

Nesse sentido, observa-se que as propostas pós-desenvolvimentistas também poderiam ser analisadas, assim como os objetivos do Bem Viver, a partir de suas escalas de atuação (HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022), que pressupõem três enfoques: (i) sustentabilidade biocêntrica (harmonia com Natureza e outros seres), que dialoga diretamente com as proposições sobre o ecocentrismo na categoria Cultura e Educação e na categoria Natureza; (ii) equidade social (harmonia entre as pessoas), que se conecta com as categorias Governança e Geopolítica e Redução das desigualdades; e (iii) satisfação pessoal (harmonia consigo mesmo), mais ligada a algumas proposições das categorias Cultura e Educação, Trabalho e Qualidade de vida e saúde integral.

Essa diversidade contribui, em seu conjunto, para a construção do ideal pós-desenvolvimentista, com a desconstrução do princípio central da organização da vida social contemporânea: a noção de crescimento econômico (ESCOBAR, 2005, 2007). No entanto, essa variedade também pode ser ofuscada pela profusão de temas, categorias e propostas, o que pode contribuir para a fragmentação da sociedade e reduzir as condições de mobilização dos indivíduos, famílias e eleitores.

Quanto à caracterização dos elementos próprios do Pós-desenvolvimento, tendo por base as diferenças entre as iniciativas transformadoras e as soluções reformistas descritas no dicionário do Pós-desenvolvimento (KOTHARI et al., 2021), observa-se que a maior parte das proposições identificadas estão em conformidade com premissas pós-desenvolvimentistas, como a agroecologia (FONSECA et al., 2022; DIEDRICH & BIONDO, 2021; SANTOS, et al., 2017; DOURADO, 2021; ABREU & PEZARICO, 2020); os bens comuns (FITZPATRICK et al., 2022; LEMOS & BELLO, 2019; FONSECA et al., 2022); e a filosofia e o movimento slow (food), de origem italiana, identificados tanto na pesquisa de Fitzpatrick et al. (2022) quanto na de Alcantara e Sampaio (2017).

Por sua vez, as proposições das categorias Conhecimentos tradicionais/ancestrais e repolitização e fortalecimento dos movimentos sociais remontam a elementos pós-desenvolvimentistas essenciais na perspectiva de Escobar (2005; 2007).

Por outro lado, parte das proposições identificadas não apresentam essas especificidades pós-desenvolvimentistas, são mais genéricas/abstratas (ex.: na categoria Qualidade de vida e saúde integral) ou apresentam características alinhadas à agenda do desenvolvimento sustentável, como a Economia Circular (HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022; HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019), a bioeconomia (TZEKOU & GRITZAS, 2023) e a reforma de organizações internacionais (FITZPATRICK et al., 2022).

Portanto, reforçando a lógica de que o Pós-desenvolvimento não é antidesenvolvimento (ESCOBAR, 2007), apesar das críticas e oposição ao paradigma do crescimento contínuo, observa-se que parte das propostas não são incompatíveis com a economia de mercado vigente, o que facilita o processo de transição para a sustentabilidade e pode ser ilustrado por meio das proposições para reciclagem obrigatória (FITZPATRICK et al., 2022; FONSECA et al., 2022), agricultura familiar (GERVAZIO et al., 2023; ABREU & PEZARICO, 2020) ou orgânica, artesanal e de subsistência (FITZPATRICK et al., 2022; GERBER E RAINA, 2018), disseminação de tecnologias sociais (KAHLAU, SCHNEIDER E SOUZA-LIMA, 2019; POZZEBON & FONTENELLE, 2018), regulação da publicidade (FITZPATRICK et al., 2022; GERBER e RAINA, 2018), entre outras. Outros dois exemplos são a criação de garantias ao abastecimento universal das necessidades humanas fundamentais, presentes nas propostas de renda básica universal (FITZPATRICK et al., 2022; FOUKSMAN & KLEIN, 2019) e na implementação de políticas públicas de discriminação positiva (ação afirmativa) (HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019; HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022).

Considerando a quantidade de proposições identificadas nas publicações analisadas, observa-se que o movimento do Pós-desenvolvimento é propositivo e contribui para a pluriversalidade de iniciativas transformadoras, ainda que parte das suas proposições seja de difícil implementação a curto ou médio prazos, ou até mesmo utópicas, ou de difíceis concretizações, sob um olhar pragmático. Portanto, há um grande desafio em estabelecer as condições efetivas para concretização de parte das proposições, ainda que em termos teóricos, tanto que Latouche (2009) reconhece que o decrescimento é revolucionário na teoria (em seu projeto de sociedade), mas reformista na prática (considerando seu realismo político), destacando que o potencial revolucionário de sua utopia concreta “não é incompatível com o reformismo político desde que os inevitáveis compromissos da ação não degenerem em comprometimento do pensar” (LATOUCHE, 2009, p. 93).

É muito relevante observar que há um avanço em relação às análises de proposições e práticas do Pós-desenvolvimento realizadas anteriormente (SODRÉ & MEDEIROS HESPANHOL, 2022; DINIZ FILHO, 2022), que não haviam identificado tantos casos ou proposições concretas. O que nos retoma Escobar (2015, p. 461), para quem um “farol de esperança” se manifesta na medida em que as alternativas transformadoras contribuem para evidenciar as diferentes possibilidades de ação para a transição rumo à sustentabilidade, ou seja, diferentes caminhos possíveis e interconectados. Um exemplo ilustrativo é a comparação realizada por Schöneberg et al. (2022), na qual constatam-se diferentes práticas e iniciativas de alternativa ao desenvolvimento, capazes de transformar as relações socioecológicas na direção do pluriverso, ainda que permeadas por contradições ou que, em alguns casos, os seus autores ou stakeholders não façam referências diretas ao Pós-desenvolvimento.

Pode-se observar, também, as diferenças e similitudes entre proposições dos autores decrescentistas (Norte) e do Bem Viver (Sul), destacando-se o potencial de complementariedade entre eles, assim como Beling (2019), Sparn (2019) e Kaul et al., (2022) observaram. Beling (2019) concluiu que os autores do Bem Viver demostram uma maior conexão com as proposições associadas aos povos tradicionais, com ênfase nos territórios e nos processos de produção, além de sua crítica ao neoextrativismo, ao passo que os decrescentistas tratam mais sobre relações globais, consumo exacerbado, ações com foco nas cidades, energia, entre outros.

Neste sentido, o quadro de proposições evidencia que a plurinacionalidade, por exemplo, é levantada majoritariamente em pesquisas sobre o Bem Viver (GUERRA et al., 2023; HIDALGO-CAPITÁN & CUBILLO-GUEVARA, 2022; BENALCÁZAR & DE LA ROSA, 2021; MARTINS, 2014; HIDALGO-CAPITÁN et al., 2019; CUBILLO-GUEVARA et al., 2016), ao passo que as proposições do tema Trabalho e das categorias Troca e Justiça terrestre concentram proposições decrescentistas. Além disso, há maior diversidade de perspectivas nas proposições da categoria Estilos de vida de suficiência, por exemplo, quando se trata da redução/superação do produtivismo e do consumismo, questionando os padrões de consumo vigentes (POZZEBON & FONTENELLE, 2018; TZEKOU & GRITZAS, 2023; LEMOS & BELLO, 2019; ACOSTA, 2015; BELING, 2019) e da necessidade de se promover o consumo compartilhado e suficiente (FITZPATRICK et al., 2022; FERREIRA & RAPOSO, 2017; FONSECA et al., 2022).

Acosta (2015), Cubillo-Guevara et al. (2016), Ávila-Romero (2018) e Madruga (2019), em suas pesquisas sobre o Bem Viver, são alguns dos autores que apontam para uma cosmovisão mais biocentrista, visando fortalecer uma relação menos extrativista com a Natureza, promovendo sua desmercantilização. Assim, enfatiza-se a importância das plataformas de integração entre cientistas, filósofos, ativistas, produtores e demais interessados no tema a partir do Sul e Norte global, proposta por Martínez-Alier et al. (2010).

CONCLUSÃO

Em conformidade com o objetivo de analisar proposições e práticas de transição provenientes dos movimentos que conformam o Pós-desenvolvimento, esta pesquisa foi centrada na literatura acadêmica revisada por pares constantes das fontes de busca (periódicos Capes e Base de dissertação e teses doutorais). A revisão integrativa permitiu sintetizar 415 proposições extraídas de 45 publicações de mais de 70 autores e autoras de diferentes países, resultando em 217 proposições que promulgam a desconstrução do paradigma do crescimento econômico ilimitado. Elas foram classificadas em uma ampla diversidade de temas e categorias, os quais possuem interações em diferentes níveis. Essa variedade de temáticas reflete a abrangência, diversidade e mesmo contradições, do movimento pós-desenvolvimentista, com iniciativas transformadoras em vias de implementação em diferentes territórios do planeta.

A análise bibliométrica aponta esta relação mais prática na abordagem do tema por meio dos casos estudados em diferentes territórios. Os estudos de caso evidenciam os diálogos e aproximações das proposições pós-desenvolvimentistas com diferentes contextos socioeconômicos em quatorze países. Parte das proposições requer um tempo para sua materialização, especialmente aquelas ligadas a processos educacionais, de conscientização, mudanças comportamentais, culturais ou políticas, que envolvem muitos atores-chave nas arenas de debate e implementação. Em contrapartida, registram-se proposições pós-desenvolvimentistas adentrando processos de formulação de políticas públicas, planos de governos e instituiçõesmultilaterais.

A diversidade é grande nos movimentos ligados ao Pós-desenvolvimento. Foram identificadas proposições mais específicas e outras mais genéricas, umas mais utópicas e outras menos. Algumas proposições possuem um grau de compatibilidade com o modelo econômico vigente, evidenciando que o Pós-desenvolvimento não é, em geral, necessariamente antidesenvolvimento. A análise também permitiu verificar diferenças, divergências e complementaridades entre as proposições provenientes de autores do Norte e do Sul. Elas merecem ser melhor conhecidas e esclarecidas com o intuito de ampliar as possibilidades de colaboração e integração global. Sem cair na utopia da universalização, pois os territórios têm suas especificidades e as culturas suas identidades que devem ser respeitadas.

O método utilizado, que permitiu mapear a diversidade de propostas do Pós-desenvolvimento, tende a fragmentar a perspectiva dos trabalhos analisados, dificultando uma compreensão mais aprofundada sobre o contexto em que foram elaboradas, dificultado maior compreensão das sinergias, interações ou contradições entre essas proposições. Lacuna que se apresenta como uma das possibilidades de pesquisas futuras.

Considerando a limitação do levantamento de publicações em apenas três idiomas, e sem considerar a literatura proveniente de livros e capítulos, recomenda-se que pesquisas futuras possam expandir o mapeamento, incluindo esse tipo de literatura e aquelas provenientes do Oriente. Acrescenta-se às sugestões de pesquisas futuras a possibilidade de aprofundamento da compreensão das formas de implementação das proposições, além da realização de outras formas de classificação das proposições, quanto à materialidade, especificidade e aplicabilidade em diferentes escalas.

APENDICES

Proposição Tema: categoria
Agricultura familiar (inclusive com produção diversificada) Agricultura e alimentação: Agricultura sustentável
Conhecimento e utilização de plantas alimentícias não convencionais (PANC) da biodiversidade local
Institucionalizar a agricultura orgânica artesanal e de subsistência (incluído a proposta de mudança para agricultura 100% orgânica)
Promover a agricultura em pequena escala (ex.: Jardinagem intensiva comunitária, doméstica e urbana; lojas e cooperativas de alimentos locais)
Restauração de ecossistemas associada à produção de alimentos e de plantas medicinais
Agroecologia - incluídas as experiências de transição agroecológicas; bem como restaurar a agroecologia camponesa (ex. : Permacultura) Agricultura e alimentação: Agroecologia
Agroflorestas
Geração de renda por meio de práticas regenerativas (agricultura orgânica e agroecológica etc.)
Acabar com o desperdício de alimentos Agricultura e alimentação: Dietas sustentáveis
Coma comida local e sazonal
Normalize a filosofia slow food (e movimento slow)
Reduzir o consumo de carne e laticínios
Reformar a educação agrícola e do consumidor (ex.: Visitas a fazendas; divulgação, literatura; cursos práticos)
Conservação ambiental dos recursos naturais e valorização da sociobiodiversidade a partir do resgate e do uso de sementes crioulas Agricultura e alimentação: Soberania alimentar
Desenvolver redes e cooperativas, mercados orgânicos e comércio justo, além de redes alimentares alternativas (ex. : biofeiras, cooperativas de consumo, mercados municipais, rotular e tributar milhas alimentares; autoabastecimento de alimentos; agricultura apoiada pela comunidade)
Efetiva segurança alimentar, assim como segurança alimentar e nutricional com a diversificação dos plantios
Eliminar gradualmente pesticidas químicos, fertilizantes e OGM
Promova o compartilhamento de sementes, bancos de sementes (ex. : festivais de partilha de sementes)
Reconstruir a fertilidade do solo (ex.: Redes de instalações de armazenamento de estrume; bancos locais de matéria orgânica)
Redistribuição de terras para camponeses e/ou sem-terra (Promover o regresso à terra)
Soberania alimentar (ex.: por meio de políticas produtivas e comerciais com critérios agroecológicos e culturais; a produção orgânica)
Difusão do patrimônio tangível e intangível e criação de redes de pesquisa com foco nos patrimônios Ciência e tecnologia -Ferramentas de convívio
Incentivar a (re)apropriação tecnológica (incluído o Desenvolvimento de ferramentas gráficas interativas e processos de grupo para identificar caminhos concretos para desvincular e religar com base na conexão empírica e na dependência em múltiplas escalas. Criação de estudos de caso e demonstrações multiescalares em linguagem simples com ilustrações acessíveis e ferramentas de aprendizagem interativas, como jogos)
Promova tecnologias de convívio (incluídos o Desenvolvimento de métodos replicáveis/adaptáveis para documentar/diagramar/ilustrar as ligações de diferentes grupos de pessoas em redes de mercadorias e/ou redes de consumo daqueles interessados em desligarse das economias em crescimento)
Tecnologia social (ex.: entendida como um processo de construção social e político capaz de produzir resultados emancipadores desde o ponto de vista local)
Ciência liderada por ativistas Ciência e tecnologia -Soberania tecnológica
Moratória e reorientação da inovação tecnocientífica
Reavaliar o papel da tecnologia
Reduzir ao mínimo os monopólios de patentes
Acesso à educação, livre fluxo de informação Cultura e Educação
Bens relacionais
Busca pelo autoconhecimento, pela mudança de valores, pela sensibilização e pela ampliação dos níveis de consciência
Consciência de classe ecológica
Culturas de suficiência e vida simples (ex.: Simplicidade Voluntária; concepção anti-acumulação do minimalismo; teoria do ritual de interação, e a necessidade de constituição de uma sociedade fundada sobre bases mais materialmente despojadas)
Dissolução de binarismos
Educação e saúde gratuitos para todos
Estimula um repensar sobre o caráter artificial de muitos dos pilares da sociedade contemporânea
Priorizar o valor de uso ao invés do valor de troca, transformação para uma economia baseada na reciprocidade, na solidariedade, na sustentabilidade, na suficiência, na inclusão social e na relacionalidade
Promoção da participação em processos de cooperação com foco nas indústrias culturais da América Latina
Revisão epistémica crítica dos pressupostos capitalistas, coloniais e modernos.
Ecocentrismo, biocentrismo Cultura e Educação -biocentrismo, ecocentrismo
Equilíbrio/harmonia/reciprocidade/reintegração entre as sociedades, o ser humano e a natureza
Reconectar com a Terra
Respeito mútuo entre humanos e extra-humanos, com relações igualitárias, respeitáveis e equilibradas, compreensão da profunda integração entre todos os elementos do cosmos
Entender o corpo como território, fim da separação humanos-natureza
Nova formulação sociopo lítica e cultural: que assente no diálogo entre as perspectivas e contributos da pré-modernidade, modernidade epós-modernidade Cultura e Educação -Conhecimentos tradicionais/ancestrais
Resgate o sentido solidário e comunitário entre as pessoas
Restaurar /revalorizar os conhecimentos indígenas e locais (povos tradicionais incluídos), resgate saberes tradicionais ou ancestrais
Revalorização das identidades culturais, autonomia para as populações locais, interação e integração entre movimentos populares, e a incorporação econômica e social das populações.
Valorização dos modos de vida e identidades tradicionais, incluída a retomada de modos de vida comunitários tradicionais, modos de vida alternativos ao ocidental
A ligação da espiritualidade com todos os aspectos da vida Cultura e Educação -Espiritualidades e Afetos
Convivencialidade, que está ligada às dimensões do cuidado, do pertencimento, da criatividade, da liberdade, da autonomia, da espiritualidade, da reciprocidade e da complementaridade
Espírito comemorativo, estilo de vida (auto)suficiente, rico em tempo e menos individualista
Espiritualidades e ética, com laicidade dos Estados, deforma a garantir a coexistência harmoniosa entre religiões e práticas espirituais
Praticar reciprocidade
Recuperar o amor
Ser grato, agradecidos
Democratização das expressões culturais diversas, estímulo do uso dos bens e serviços culturais Cultura e Educação -Interculturalidade e diversidade
In terculturalidade
Reconhecimento da diversidade, identidades diversas; Reconhecer o poder das culturas híbridas ou minoritárias, reivindicando tanto a diversidade cultural, quanto a diversidade de formas de produzir, de entender a produção e de gerar conhecimento
Aprenda a falar vários idiomas Cultura e Educação: Autonomia individual
Autonomia dos processos de cada território, autossuficiência e a autogestão das pessoas que vivem em comunidade
Descolonização e Descolonizar o imaginário social
Estabelecer mecanismos estruturais e institucionais que conduzam ao progresso socioeconómico local através da autodeterminação, governança e autonomia
Foco nas interdependências sistêmicas e nos elementos de poder e dominação
Oponha-se ao imperialismo de língua inglesa
Repolitização dos problemas das comunidades e a promoção de respostas autodeterminadas
Valorização do humano frente ao capital
Oponha-se ao determinismo econômico e ao etnocentrismo Cultura e Educação: Educação crítica
Possibilidade de criação de modernidades plurais, que sejam obras da episteme e da realidade locais, de maneira que tais alternativas ofereçam melhores formas de proteger (e dignificar) a vida no planeta
Promover a educação emancipatória (incluídas a educação integral, inclusiva e intercultural e a educação contextual)
Construa sistemas fora da rede (energética) Energia: Democracia energética
Garantir sistemas renováveis, descentralizados, de convivência e de propriedade da comunidade - transição para energia renovável
Oponha-se aos sistemas renováveis em grande escala
Soberania energética: uma transição rápida para fontes renováveis
Eliminar gradualmente a energia nuclear atual Energia: Pare a energií nuclear
Remover subsídios à energia nuclear
Abolir os subsídios aos combustíveis fósseis Energia: Pare com os combustíveis fósseis
Diminuição do limite global anual e do programa baseado em ações com base na responsabilidade histórica
Eliminar gradualmente os combustíveis fósseis existentes, incluídas políticas para redução das emissões de CO2
Nacionalizar para eliminar gradualmente as empresas fósseis
Reduzir a demanda e o uso de energia (ex. : Imposto sobre o consumo de energia industrial, Compartilhe TPES de forma equitativa) Energia: Suficiência energética
Apoie moedas, crédito e sistemas de câmbio não especulativos (ex. : Banco de tempo; Cooperativas de crédito, Bancos cooperativos; Moedas fundidas ou baseadas no tempo; moedas alternativas ou moedas sociais; Sistemas de troca não mercantis locais ou regionais; Sistemas locais de crédito mútuo; Criptomoeda de prova de cooperação), além de financiamento solidário, Fundos de financiamento público, democracia econômica Finanças éticas e não especulativas e democracia financeira
Democratizar e descentralizar o dinheiro (ex.: Nacionalizar os bancos para fins sociais e ecológicos; descentralizar instituições bancárias e financeiras, Incentivar a desobediência fiscal; Realizar auditorias regulares da dívida; Imposto progressivo sobre lucros e acumulação de capital de todas as fontes, Dinheiro público livre de dívidas; desmonetização/desmercantilização
Investimento socialmente responsável e ecologicamente sensível (ex.: Financiar uma renda básica (desmercantilizada); Projetos de restauração ecológica; Serviços de cuidados)
Justiça tributária para justiça so cio ecológica
Regulação de mercados, deforma a evitar a concentração de poder de mercado nas mãos de poucos stakeholders
Restrições severas aos investimentos estrangeiros
Soberania financeira
Desmantelar hierarquias (ex. : Greve geral de consumo; aquisições de veículos metabólicos por trabalhadores -portos, aeroportos, rodovias etc.) Governança e Geopolítica diversas
Propriedade democrática local de serviços e recursos públicos (ex.: propriedade comunitária)
Reformar organizações internacionais
Regular o lobby
Abolir o investimento em infraestrutura militar Governança e Geopolítica - Acabar com o complexo militar-industrial
Menos atividade militar
Defender e recuperar os bens comuns (ex. : Local - Lojas de brindes; loja com aluguel grátis; loja de presentes; hortas comunitárias; agricultura apoiada pela comunidade (CSA); bibliotecas de ferramentas; oficinas abertas; grupos de autoajuda de cidadãos; clubes de troca; mercados de agricultores; cooperativas; fundos comunitários de terras; abelhas voluntárias que trabalham na comunidade; cozinhas de bicicleta) Governança e Geopolítica - Bens comuns
Fortalecimento e abertura de espaços públicos permanentes para intercâmbio entre populações, direito ao disfrute da cidade e seus espaços
Modo de vida coletivo que valoriza integralmente a vida; valorização da vida em comunidade ou re-comunização da sociedade
Alinhamento Transnacional, ir além das limitações de fronteiras nacionais Governança e Geopolítica - Plurinacionalidade
Convivência na multipolaridade
Plurinacionalidade (ex.: Estado Plurinacional nacional desafiando a identidade nacional homogênea, com diversidade étnica na descentralização do poder local; plurinacionalidade meio de políticas de descolonização (cotas, medidas reparatórias, tratamentos preferenciais), de autodeterminação (reconhecimento constitucional das nações e incorporação de seus direitos próprios no acervo legislativo do Estado) e de interculturalidade (medidas de: coexistência, convergência, complementaridade e unidade);
Fornecer uma plataforma na qual os movimentos sociais do Norte e do Sul global possam convergir (incluindo conservacionistas, sindicatos, movimentos de pequenos agricultores e os movimentos do Sul que defendem uma economia de baixo impacto ambiental) Governança e Geopolítica - Repolitizaçao e fortalecimento dos movimentos sociais
Mobilização política transformadora para o bem da coletividade
Novo imaginário sociopolítico, construído a partir das comunidades locais e consubstanciado em conhecimentos e práticas alternativas aos modelos exportados do Ocidente.
Descentralizar a tomada de decisões (ex.: fóruns deliberativos regulares; democracia económica; orçamento participativo; grupos de trabalho voluntários, direta confederal multinível; democracia direta local; democracia participativa; auto-organização em pequena escala com redes de coletivos; referendos iniciados por cidadãos; Pluridemocracias participativas e pacíficas; incluídos os movimentos sociais) - processos participativos Governança e Geopolítica: Democracia ecológica
Aumentar a habitação social (ex. : Nacionalização de imóveis devolutos; Expropriar grandes proprietários de terras; Políticas de redensificação) Habitação, Transportes e Planejamento Regional -Justiça terrestre
Restringir a mercantilização da propriedade (ex.: Imposto predial progressivo; Cota máxima de área útil per capita; Incentivar contra habitações vazias (por exemplo, impostos); Limites e controles de aluguel; Revitalização e/ou utilização (temporária) de edificios baldios, como permacultura em terrenos baldios)
Limitar a infraestrutura de transporte de alta velocidade Habitação, Transportes e Planejamento Regional -Mobilidade
Promover a transferência modal para o transporte ativo (ex.: caminhar, andar de bicicleta; Construção pro ativa de infraestrutura cicloviária; Bairros caminháveis; Transporte de carga em bicicleta - ex: entrega nos correios, Cargonomia)
Promover a transferência modal para o transporte público (por exemplo, ônibus, trólebus, metrô, trem)
Reduzir a mobilidade fóssil e motorizada (ex. : Limitar os automóveis a nível da cidade e dentro dos agregados familiares; Introduzir impostos ambientais; Reduzir a disponibilidade de vagas de estacionamento; Fechar estradas aos carros nos centros das cidades; Parar a expansão de autoestradas e estradas; Enfatizar a acessibilidade em detrimento da mobilidade veicular; Reduzir o volume de tráfego, o consumo e a utilização de automóveis e aviões; Subsidiar ou reduzir impostos para incentivar os cidadãos a viverem perto dos locais de trabalho; Propriedade restrita de automóveis - taxas de congestionamento, dias limitados de condução para automóveis; Substituição de deslocamentos curtos de carro <5 km por caminhadas e ciclismo; Incentivar bicicletas elétricas; Impor pesados aumentos de impostos sobre o transporte privado; inclusive pesados impostos sobre a importação de automóveis)
Aumentar os padrões socioecológicos para novos edifícios Habitação, Transportes e Planejamento Regional -Planejamento socialmente útil e ecologicamente sensível
Incentive cidades pequenas (incluídos os habitats ideais, habitats otimizados por meio do limite do tamanho das cidades, favorecendo a concentração de populações dispersas nas cidades pequenas e intermediárias)
Projetar e implementar cidades decrescentistas
Reduzir o nível do ambiente urbano construído, reduzindo escalas de estruturas físicas (ex. : Limitar a expansão urbana e a gentrificação; Limitar o uso da terra para assentamentos humanos a nível nacional e internacional; Controlar o desenvolvimento de casas de férias; Limitar a área útil do agregado familiar (per capita em m2); Proibir a construção de moradias unifamiliares isoladas; Proibir empreendimentos em terras agrícolas; além de reduzir, limitar ou proibir megainfraestruturas e megaestruturas
Retrofit (modernização) de edifícios existentes (ex.: Bares com design passivo; Aplicar incentivos e benefícios para uma reabilitação urbana consciente)
Instalações comuns e compartilhadas (ex.: carros partilhados, espaços comunitários, ferramentas, hortas, cozinha, cozinha, lazer, fornecimento gratuito ou a baixo custo de equipamento de cozinha seguro e de baixo consumo energético, instalações de partilha na vizinhança; Mudança de propriedade para usuário) Habitação, Transportes e Planejamento Regional -Suficiência habitacional
Priorize comunidades pequenas e altamente autossuficientes
Promova habitação compartilhada (ex.: Ecovilas; Cohousing e cooperativas habitacionais; Ecocomunas; Aldeias urbanas; Habitação multigeracionai; pequena habitação)
Propriedade coletiva da terra e de edificações
Bioconstrução Habitação, Transportes e Planejamento Regional: Planejamento socialmente útil e ecologicamente sensível
Abandone o PIB e adote uma série de indicadores sócio-ecológicos (ex.: felicidade nacional bruta) Indicadores alternativos de progresso social
Abandonar o concreto como principal material de construção, explorando materiais de construção alternativos específicos para cada localização e clima Natureza: Reduziras pressões ambientais, inclusive mineração
Diminuição dos limites máximos para a utilização de recursos, emissões e poluição (ex. : limitar a entrada de matérias-primas na produção; restringir o consumo final de energia e recursos; cotas energéticas pessoais)
Extração sustentável, limitando a extração de recursos naturais renováveis e não renováveis, condicionando-os à capacidade de reprodução dos recursos (ex. : limites à mineração)
Moratórias sobre extração de recursos e grandes infraestruturas
Oponha-se a tecnologias especulativas de emissões negativas
Opor-se à anexação de recursos por empresas e governos
Proibição da atividade mineraria nos territórios indígenas
Reduzir a produção e uso de produtos químicos
Reduzir as atividades de pesca industrial
Reforma tributária ecológica
Solução da crise hídrica dos territórios indígenas
Empoderamento de baixo para cima das mulheres para controlarem os seus direitos reprodutivos Natureza: Demografia estável
Legislar os Direitos da natureza, ou Pachamama (inclusive na constituição do país) Natureza: Direitos da Natureza
Justiça ambiental decolonial Natureza: Justiça ambiental decolonial Natureza: Restaurar e preservar a biodiversidade
Crie santuários de recursos (ex: Reservas ecológicas e jardins botânicos; projetos de reflorestamento, memoriais para a preservação de conhecimentos) e conservação da Natureza
Cuidado com os ecossistemas para parar a degradação e iniciar regeneração Metade dopais com áreas protegidas; 60% da cobertura florestal; Economia circular Produção e consumo -Economias alternativas/Solidária
Fomento de economias alternativas, incluída a economia solidária e outras como: social, de autoconsumo, familiar, comunitária, popular, colaborativa, da reciprocidade, do cuidado, bioeconomia, além das redes de intercâmbio social/local, bancos de alimentos etc.
Objetivos econômicos devem ser subordinados ao funcionamento dos sistemas naturais sem perder de vista o respeito à dignidade humana, assegurando a qualidade para as pessoas... construir um sistema econômico solidário, sustentado sobre bases comunitárias e orientadas pela reciprocidade, e subordinado aos limites impostos pela Natureza
Promover a comercialização justa, comércio justo
Uso multifuncional do território, ex. : produção agrícola, turismo de base comunitária, projetos educativos, culturais e de saúde, voluntariado, entre outras atividades produtivas alternativas.
Anti-utilitarismo Produção e Consumo -Estilos de vida de suficiência
Consciência acerca de um consumo sustentável e responsável
Economia sustentável, por meio de transição para sistemas de produção, consumo e trabalho que gerem menos consumo de recursos naturais, menos produção de resíduos e maior disponibilidade de tempo gratuitamente
Mudança para modo de produção que tenha as questões ecológicas como pilar, para uma utilização da natureza de forma equilibrada - harmonia seres humanos-natureza
Promover o consumo compartilhado e suficiente
Formas de produção obedecem às necessidades vitais da sociedade
Que se supere a defesa do crescimento econômico infinito, de progresso como algo linear, assim como a visão utilitarista sobre a natureza como sinônimos ou meios para o desenvolvimento
Recriar ou regenerar redes locais interdependentes (de conhecimentos, práticas e solidariedade) que operem em termos diferentes, com um ethos de suficiência. Ao mesmo tempo em que diminuir as redes globais coloniais e dependentes
Redução de consumo de unidades per capita de produtos à base de areia
Redução/superação do produtivismo e do consumismo, inclusive questionando os padrões de consumo (Norte global) e do extrativismo (Sul)
Reduza o consumo conspícuo
Sistemas de trocas
Proibir publicidade (ex.: Painéis publicitários; Publicidade de brinquedos infantis ou combustíveis fósseis) Produção e Consumo -Limitar publicidade
Publicidade fiscal (ex.: Tributar produtos não saudáveis e insustentáveis, como : junk food, combustíveis fósseis, automóveis, aviação etc.)
Regular a publicidade (ex.: Limitar em espaços públicos; Controle público de publicidade e mídia; Eliminar reduções fiscais para publicidade; Restringir os anúncios apenas às necessidades humanas fundamentais e à auto-realização; Hipotecas e casas grandes); sem publicidade externa
Autoprodução (ex.: Incentivar a produção do tipo "faça você mesmo", artesanal; Promover makerspaces, fablabs, hackerlabs, estúdios de criatividade, fabricação de bancada; Ampliar o apoio financeiro público, subsídios, isenções fiscais e subvenções para promover a ajuda mútua) Produção e Consumo -Modelos democráticos s fins lucrativos
Cooperativas sem fins lucrativos (ex. : Institucionalizar as organizações sem fins lucrativos como padrão; Incentivos fiscais para cooperativas)
Empresa menor (Promover empresas de hobby, pequenas empresas privadas, empresas sociais baseadas na comunidade)
Produção entre pares baseada em Commons (Projetar produção global local; bens comuns digitais; produção colaborativa; licença Creative Commons (github)
Ativismo direto e sabotagem (ex.:programa de malware anticapitalismo)
Desmantelar grandes corporações (ex.: começar por reduzir a maioria dos sectores socioecologicamente destrutivos, como a produção de SUVs, armas, carne bovina, transporte privado, publicidade e obsolescencia planeada) Produção e Consumo -Produção socialmente útil
Diversificação da produção
Sistemas de produção de propriedade dos trabalhadores
Avaliações de impacto ambiental obrigatórias (Avaliações do ciclo de vida de todos os bens e serviços; Esquemas progressivos de preços unitários na gestão de resíduos) Produção e Consumo -Reduzir o desperdício
Captação de água da chuva
Contra o desperdício: a austeridade
Garantir o direito de reparação (ex.: oficinas de reparação, bibliotecas de ferramentas, oficinas abertas, cozinhas de bicicletas)
Proibir a obsolescência planejada
Reciclagem obrigatória, inclusive a compostagem dos resíduos orgânicos
Rotulagem obrigatória da pegada ecológica
Tratamento ecológico de efluentes
Relocalizar atividades económicas (produção local, incluídas as em pequena escala) Produção e Consumo -Relocalização
Reterritorialização, centralidade do território
Propõe transições para o "desenvolvimento à escala humana" Produção e consumo: Economias
Apresentam uma forma semelhante de abordar o cisma que existe entre a forma como vivemos atualmente sob o capitalismo e a sua visão de uma vida digna alternativas/Solidária Produção e Consumo: Estilos de vida de suficiência
Mapeamento das trajetórias e caminhos de crescimento e sua interseção com ecologias/culturas/territórios realmente existentes Produção e Consumo: Relocalização
Melhores condições de vida, baseadas na solidariedade e na reciprocidade Melhoria da qualidade de vida das pessoas (alimentação, habitação, trabalho, etc.), em que se reconhece o processo histórico de cada povo; incluída a qualidade de vida entre sujeito e o meio ambiente Qualidade de vida e saúde integral - Condições de vida
Oposição forte ao capitalismo e personificação da esperança de uma vida melhor
Praticar o cuidado (pessoal, com o outro, e com a Terra) Qualidade de vida e saúde integral - Saúde
Promoção da saúde
Saúde integral (saúde física, mental, emocional, espiritual e social), inclusive por meio de tipos de medicina complementar ou tradicional como a medicina tradicional chinesa, acupuntura, Ayurveda, medicina indígena, Antroposofia, fitoterapia, quiropraxia, homeopatia etc.
Criação de conselho de mulheres para o BV Redução da desigualdade
Igualdade de gênero e soberania do corpo (ex. : plena igualdade de direitos para qualquer pessoa; salário estatal para donas de casa; regularização de trabalhadores domésticos; instituições de crédito públicas para mulheres; paridade de gênero em todas as organizações públicas e privadas; leis contra a violência simbólica contra as mulheres e LGBT nos meios de comunicação; legalização das trabalhadoras do sexo; tribunais especializados e delegacias policiais contra a violência de gênero)
Redistribuir terras, trabalho, capital e recursos dentro e entre países (ex.: Imposto sobre a riqueza altamente progressivo; Limite máximo de riqueza etc.), inclusive a redistribuição de renda e riquezas
Redução das desigualdades, por exemplo por meio de Redes transnacionais capazes de desafiar as estruturas que produzem (e mantêm) desigualdades sociais
Garantir o abastecimento universal das necessidades humanas fundamentais (ex.: Rendimento básico universal, Renda básica universal, Prestação universal de serviços públicos básicos) Redução da desigualdade: Erradicar a pobreza
Apoio a movimentos de resistência política e a defesa da justiça social Redução da desigualdade: Justiça
Defender, respeitar e incluir perspectivas de movimentos populares locais e pluralistas para garantir a justiça distributiva
Direitos coletivos e/ou renegociação de direitos e necessidades, incluídas, por exemplo: Movimento político, mobilizações populares, que valorizam os direitos do coletivo
Implementação de políticas de discriminação positiva (ação afirmativa), incrementando as capacidades e oportunidades iniciais para as pessoas mais desfavorecidas e de limitação aos mais favorecidos
Justiça econômica
Justiça transformativa (ex.: Oponha-se a todas as formas de racismo-seja anti-racista; Medidas de justiça restaurativa; Desmantelar o colonialismo e as suas estruturas; Acesso a serviços jurídicos, etc), e ainda: Superação do racismo, do patriarcado e do machismo; eliminando preconceitos de raça e gênero, valorizando diferenças, inclusive a pluralidade de povos originários; Protagonismo das mulheres e dos povos tradicionais na condução da mudança e na ocupação de espaços de poder
Compartilhamento de trabalho Trabalho - Baixo desemprego
Garantia de emprego (com salário digno)
Programas proativos de reciclagem e aquisição Trabalho - Empregos socioecológicos Trabalho -Reconceitualizar o trabalho
Direitos ao tempo parcial (Facilitação legal de programas de transição e/ou legislação de "semana curta ")
Realocar os ganhos de produtividade para trabalhar menos (e criar empregos)
Reduzir o tempo de trabalho assalariado remunerado (redução jornada), e sua redistribuição
Trabalho autodefinido
Mutirões Trabalho: Redistribuir atividades (re)produtivas
Redistribuir atividades (re)produtivas (ex.: Financiar as pensões de acordo com as contribuições de trabalho de cuidados não remuneradas; Incentivar os homens a partilhar equitativamente o trabalho de cuidados; Expandir o voluntariado comunitário)
Limitar o comércio de longa distância (ex.: Cotas de exportação; Transição de frete rodoviário para trem elétrico; Estabelecer sistemas portuários cooperativos com limites de tráfego; Reduzir as exportações; Reduzir o comércio intra-industrial entre países semelhantes; Cadeias de abastecimento mais curtas) Troca
Renegociar acordos comerciais e direitos de propriedade intelectual (ex. : Organização Mundial do Comércio, especialmente subsídios agrícolas; Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio -TRIPS da OMC) ou mesmo não aderir à OMC
Limitar as viagens baseadas em combustíveis fósseis, especialmente com alto teor de carbono e distantes, assim como limites severos ao turismo de massa (e proibição do alpinismo); Turismo - Limitar o turismo
Moratória sobre empreendimentos turísticos
Promova o turismo lento
Educação turística Turismo - Repensar o turismo
Planejamento espacial detalhado
Priorizar o direito de viver em detrimento do direito de viajar

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Editado por

  • Editores Responsáveis
    Alexandra Maria Oliveira
    Alexandre Queiroz Pereira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    05 Set 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    04 Out 2024
  • Aceito
    31 Maio 2025
  • Publicado
    10 Set 2025
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