No século XV, pontífices, senhores seculares e homens de poder italianos, imbuídos do desejo de restaurar a dignidade que outrora caracterizou a antiga Roma, identificavam as virtudes de liberalitas e magnificentia como instrumentos de legitimação política. No entanto, contavam com disposição territorial e financeira tanto mais estreita que aquela de pregressos impérios. Nesse contexto, Leon Battista Alberti, vislumbrando incitar investimentos edilícios e profícuas relações de mecenato a arquitetos, identifica em valores antigos a chave para essa complexa questão: a dignificação da arquitetura e do artífice para construção de registros sempiternos do ‘bom governo’. Em seu De Re Ædifcatoria, o humanista prescreve a excelência da arte fundada na concinnitas, que perpassa a ratio mediocritatis e cinge os preceitos vitruvianos de decor e symmetria descritos no De Architectura. Assim, este artigo propõe compreender como ambos os tratadistas, cada um a seu modo, demonstram que o valor excelso da Arquitetura, alcançado pela sollertia ingenium guiada pela reflexão doutrinal, ultrapassa a preciosidade vulgar de investimentos suntuosos. Assim, conferindo auctoritas a obras que fizessem presente dignitas e honestas no reconhecimento visual, mesmo com investimentos parcimoniosos.
Palavras-chave:
Decor; Auctoritas; Concinnitas; Razão média (ratio mediocritatis). Vitrúvio; Leon Battista Alberti.
Thumbnail
Thumbnail

(Fonte: Warren [Morgan],