Prezado Editor,
Congratulamos Brandi et al.1 pelo artigo “Long-term outcomes after endovascular aortic treatment in patients with thoracic aortic diseases”. O estudo analisou os resultados a longo prazo do tratamento endovascular em pacientes com doenças da aorta torácica tratados com stent-grafts autoexpansíveis. Entretanto, identificamos alguns pontos que merecem discussão.
A heterogeneidade das condições dos pacientes dificulta a generalização dos resultados e a identificação de padrões específicos para cada subgrupo. A alta proporção de pacientes com dissecção do tipo B (83,3%) direciona os resultados para essa condição, enquanto doenças menos frequentes recebem menor destaque. Estudos sobre a dissecção do tipo B demonstram que o reparo aórtico endovascular torácico (TEVAR) melhora a sobrevida e reduz a mortalidade em comparação ao tratamento clínico isolado em 5 anos2 , corroborando os achados desse estudo1 . Contudo, a ausência de estratificação por doença pode gerar confusão e fornecer dados clínicos imprecisos.
A ausência de um grupo-controle limita a comparação da eficácia e segurança do tratamento endovascular com outras abordagens. Apesar das possíveis vantagens, como menor morbimortalidade precoce, os desfechos em médio e longo prazos para doenças da aorta torácica seguem inconclusivos3 . Ademais, o sucesso do tratamento depende de um procedimento inicial eficaz e da adesão do paciente a seguimentos regulares4 , o que levanta dúvidas sobre os benefícios a longo prazo, considerando o rigor exigido no acompanhamento. A inclusão de grupos comparadores ou o uso de métodos estatísticos poderia reduzir o viés de seleção e aprimorar a análise.
A insuficiência renal crônica foi identificada como fator de risco para mortalidade. Todavia, uma análise multivariada mais robusta poderia revelar interações entre os fatores clínicos e os desfechos, especialmente em relação à hipertensão arterial sistêmica (HAS) e ao diabetes melito (DM). O DM tipo 2, por exemplo, tem sido associado a menor mortalidade e a menos complicações na dissecção aórtica tipo B após o TEVAR5 . Já a HAS pode contribuir para danos aórticos e cardíacos6 .
Por fim, é fundamental aprofundar a análise do impacto da heterogeneidade da amostra e da evolução tecnológica nos resultados. O uso de dispositivos endovasculares antigos pode ter contribuído para a maior incidência de complicações.
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Como citar:
Araújo Filho SRM, Teixeira ES, Duarte MGF et al. Tratamento endovascular da aorta torácica a longo prazo: estudo observacional. J Vasc Bras. 2025;24:e20250031. https://doi.org/10.1590/1677-5449.202500311
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Fonte de financiamento:
Nenhuma.
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O estudo foi realizado na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), Paulo Afonso, BA, Brasil.
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Aprovação do comitê de ética:
Não se aplica.
REFERÊNCIAS
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1 Brandi AC, dos Santos CA, Brandi JM, dos Santos MA, Botelho PHH. Long-term outcomes after endovascular aortic treatment in patients with thoracic aortic diseases. J Vasc Bras. 2023;22:e20220156. http://doi.org/10.1590/1677-5449.202201562 PMid:38076580.
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2 Nienaber CA, Kische S, Rousseau H, et al. Endovascular repair of Type B aortic dissection: long-term results of the randomized investigation of stent grafts in aortic dissection trial. Circ Cardiovasc Interv. 2013;6(4):407-16. http://doi.org/10.1161/CIRCINTERVENTIONS.113.000463 PMid:23922146.
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3 Salim S, Jenkins M. Endovascular versus open surgical repair for ruptured descending aortic pathologies: a systematic review and meta-analysis of observational studies: a commentary. Cardiovasc Intervent Radiol. 2021;44(11):1720-1. http://doi.org/10.1007/s00270-021-02936-9 PMid:34414493.
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4 Vinhas PAR, Zanon GS, de Almeida MGL, et al. Eficácia das técnicas endovasculares versus cirúrgicas no tratamento do aneurisma da aorta abdominal: comparação dos desfechos de curto e longo prazo. Braz J Hea Rev. 2024;7(9):e74661. http://doi.org/10.34119/bjhrv7n9-136
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5 Liu H, Shi L, Zeng T, et al. Type 2 diabetes mellitus reduces clinical complications and mortality in Stanford type B aortic dissection after thoracic endovascular aortic repair: a 3-year follow-up study. Life Sci. 2019;230:104-10. http://doi.org/10.1016/j.lfs.2019.05.055 PMid:31128138.
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6 Vallerio P, Maloberti A, D’Alessio I, et al. Cardiovascular remodeling after endovascular treatment for thoracic aortic injury. Ann Vasc Surg. 2019;61:134-41. http://doi.org/10.1016/j.avsg.2019.04.015 PMid:31344466.
» http://doi.org/10.1016/j.avsg.2019.04.015
