Objetivo: Analisar se a pandemia da COVID-19 está associada ao aumento do sentimento de tristeza entre adultos e idosos do sul do Brasil.
Métodos: Dois estudos transversais de base populacional foram conduzidos com a mesma população-alvo em 2016 e 2020 com indivíduos com 18 anos ou mais. O desfecho foi o sentimento de tristeza, medido pela escala de faces. As variáveis de exposição foram infecção pelo coronavírus SARS-COV-19, contato com alguém infectado pela COVID-19, presença de algum sintoma da COVID-19, trabalho remoto após a pandemia, distanciamento social, comportamento infodêmico e medo da COVID-19.
Resultados: No geral, 1.300 (2016) e 1.307 (2020) indivíduos foram entrevistados no seus domicílios. A prevalência de tristeza foi de 9,0% (IC95% 6,9 a 11,2) em 2016 e 15,2% (IC95% 12,3 a 18,0) em 2020. A única variável do cenário pandêmico associada à tristeza foi o medo da COVID-19. Indivíduos com maior medo da pandemia tiveram 50% mais probabilidade de se sentirem tristes. No entanto, esse efeito desapareceu quando o estresse foi incluído no modelo de análise.
Conclusões: Foi observado aumento na prevalência de tristeza, mostrando que o medo da COVID-19 esteve associado a maior frequência de tristeza. Essa associação foi provavelmente mediada pelo nível de estresse.
PALAVRAS-CHAVE
Tristeza; Pandemia da COVID-19; Saúde mental; Epidemiologia
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