Open-access Imprensa negra brasileira: enquadramentos produzidos pelos sites Correio Nagô, Mundo Negro e Nação Z

Prensa brasileña: marcos producidos por los sitios web Correio Nagô, Mundo Negro y Nação Z

Resumo

Este texto objetiva analisar a imprensa negra brasileira e seu papel na produção de narrativas jornalísticas a partir da perspectiva da negritude, compreendendo a imprensa negra contemporânea a partir da produção de seus conteúdos, por meio da análise de Conteúdo e do enquadramento. Para tanto, foram desenvolvidas pesquisas bibliográfica e documental sobre negritude e imprensa negra, bem como uma análise das produções dos sites Correio Nagô, Mundo Negro e Nação Z, escolhidos por sua relevância, com foco na observação de três enquadramentos: apresentação, abordagens e ênfases. Foi possível observar que a imprensa negra brasileira produz conteúdos que enfatizam enquadramentos noticiosos em que o negro é o protagonista das narrativas, contribuindo com a inclusão da perspectiva da negritude no debate público sobre os diversos assuntos.

Palavras-chave
Imprensa negra; Negritude; Comunicação popular; Enquadramentos; Jornalismo

ABSTRACT

This paper aims to analyze the Black Press in Brazil and its role in the production of journalistic narratives from the perspective of Blackness, understanding the contemporary Black Press based on the fact of the content it produces, as well as based on content analysis and framing analysis. To this end, bibliographical and documentary research was carried out on Blackness and the Black Press, as well as an analysis of the content produced by the websites Correio Nagô, Mundo Negro and Nação Z, selected for their importance, to investigate three framings: how they are presented, their approaches and what they emphasize. It was possible to observe that the Black Press in Brazil makes contents that underline framing analyses in which the Black person is the main character of the journalistic narratives, contributing with inclusion from the point of view of Blackness to the open debate on several issues.

Keywords
Black Press; Blackness; Popular Communication; Framing; Journalism

Resumen

Este trabajo tiene como objeto de estudio la prensa negra brasileña y su papel en la producción de narrativas periodísticas desde la perspectiva de la negrura. Comprender la prensa negra contemporánea desde la producción de sus contenidos, a través de un análisis del conteudo y marco. Con este fin, se desarrollaron investigaciones bibliográficas y documentales sobre la negrura, la prensa negra, así como un análisis de las producciones de los sitios web Correio Nagô, Mundo Negro y Nação Z, centrándose en la observación de tres marcos: presentación, enfoques y énfasis. Se pudo observar que la prensa negra brasileña produce contenido que enfatiza los marcos de noticias en los que el negro es el protagonista de las narrativas, contribuyendo a la inclusión de la perspectiva de la negrura en el debate público sobre los diversos temas.

Palabras clave
Prensa negra; Negrura; Comunicación popular; Marcos; Periodismo

Introdução

Com espaço limitado na imprensa tradicional, as discussões sobre as questões étnico-raciais brasileiras e a perspectiva da negritude tiveram ao longo da história, e continuam tendo, destaque na imprensa negra. Desde os primeiros pasquins negros, impressos no século XIX, uma das características marcantes da imprensa negra foi a produção de conteúdos relacionados às pautas e questões debatidas pela negritude, a partir de narrativas jornalísticas nas quais o negro é apresentado como protagonista da sua própria história e da formação do Brasil.

A correlação da imprensa negra com os órgãos do movimento negro organizado é uma característica dos jornais negros brasileiros. Muitos desses meios de comunicação foram criados a partir de órgãos negros, o que contribui com a compreensão de uma aproximação entre as pautas da imprensa negra com os posicionamentos da negritude. Destacamos negritude a partir de um sentido ancorado na africanidade e organização sociocultural negra, em conformidade com Munanga (1988), que debruça sobre a construção da identitária no Brasil.

As pautas relacionadas à negritude também são aquelas que buscam denunciar/expor o racismo estrutural – consequência de séculos de escravidão negra e ausência de políticas públicas voltadas à reparação das injustiças históricas –, bem como destacar o protagonismo negro nas diversas áreas, como forma de combate ao pensamento racista de inferioridade/falta de capacidade das pessoas de pele escura. A partir da compreensão de que os meios de comunicação exerceram e continuam exercendo um papel importante na discussão racial, a imprensa negra se destaca ao evidenciar a perspectiva negra sobre esses e os demais assuntos comumente debatidos na sociedade brasileira.

Importa destacar que o objetivo deste estudo é a análise dos conteúdos e enquadramentos dados a esses pela imprensa negra da atualidade. Para tanto, consideramos um total de 49 matérias publicadas pelos sites Correio Nagô, Mundo Negro e Nação Z, em novembro de 2018 (mês da Consciência Negra1), buscando observar a apresentação dos conteúdos, as abordagens dos textos e as ênfases das matérias. As informações extraídas desta etapa da pesquisa, com o auxílio dos conceitos apresentados na discussão bibliográfica, possibilitaram a tessitura de considerações sobre a imprensa negra contemporânea e mensurações sobre a contribuição desses meios de comunicação para a negritude.

A primeira etapa do trabalho consistiu em pesquisas bibliográfica e documental, por meio das quais foram discutidos os conceitos, acontecimentos e documentos históricos relacionados à negritude, à temática do racismo estrutural e à imprensa negra brasileira. A partir dessas pesquisas apresentamos discussões conceituais sobre esses temas, com contribuições de autores que destacam o pensamento e/ou a perspectiva negra.

Para a parte empírica do estudo construímos procedimentos metodológicos para analisarmos os conteúdos e os enquadramentos das produções dos sites negros a partir dos aspectos de apresentação, abordagem e ênfase das publicações. Inicialmente, analisamos todos os conteúdos dos meios de comunicação publicados em 2018 e, num segundo momento, focamos a pesquisa nas matérias publicadas no mês de novembro, por meio de análises de conteúdo e enquadramentos. De acordo com Bardin (2016, p. 42), a análise de conteúdo pode ser compreendida como uma “técnica de investigação que através de uma descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação tem por finalidade a interpretação destas mesmas comunicações”. Nessa etapa, foi possível visualizar as principais publicações para produzir as categorias que foram utilizadas na análise seguinte.

Para essa elaboração buscamos compreender o enquadramento midiático, a partir das contribuições teóricas de Goffman (2012), Porto (2004) e Entman (1993), o que nos permitiu produzir considerações amplas sobre a ênfase dos conteúdos. A análise do enquadramento, por sua vez, possibilitou a identificação do tratamento de determinado assunto nos diferentes meios de comunicação. Isso foi feito a partir da observação dos enquadramentos por meio dos quais o conteúdo é produzido.

Apesar de sua utilização ser recente nas pesquisas em comunicação, a análise do enquadramento tem possibilitado a “dinamização” do processo científico na área, sobretudo no que se refere ao campo da Comunicação Política, a partir do momento que oferece uma perspectiva mais ampla para se compreender o papel dos meios de comunicação (PORTO, 2004). Chamada de framing por Goffman (2012) e Entman (1993), esta abordagem teórico-metodológica pode ser utilizada no estudo da mensagem noticiosa, para evidenciar questões implícitas dos conteúdos produzidos pela mídia. Para Porto (2004), os enquadramentos são utilizados para auxiliar na compreensão dos padrões, que podem ser relacionados à apresentação, à seleção e à ênfase dos conteúdos.

Assim, elaboramos uma análise do enquadramento em que foi observada a apresentação, a abordagem (relacionada à seleção) e a ênfase de suas publicações. Na primeira, identificamos o assunto principal selecionado ou a apresentação da produção jornalística. Por sua vez, na segunda, verificamos que tipo abordagem é utilizado na matéria, isto é, se explicativa, denunciativa, crítica ou outras. Por fim, buscamos o destaque das publicações enfatizadas como favorável ou desfavorável para a negritude.

A partir da abordagem teórico-metodológica do enquadramento foi possível aprofundar a investigação sobre os conteúdos midiáticos produzidos pela imprensa negra brasileira contemporânea, por intermédio da checagem de conteúdo, verificamos a finalidade e a uniformidade dessas publicações. Assim, construímos a parte analítica do trabalho, relacionada à produção dos conteúdos da imprensa negra brasileira.

A Negritude como posição do negro

As discussões sobre a temática racial brasileira são construídas a partir de fatos incontestáveis, como a escravidão dos povos africanos e seus descendentes, bem como a marginalização, a violência e uma realidade de indicadores sociais piores do que os referentes a pessoas brancas nas diversas regiões do país. Ao longo da história, a sociedade brasileira, principalmente as classes políticas e as elites econômicas (majoritariamente brancas), negaceava discutir a temática racial. Já os povos negros se mobilizam desde o período escravocrata (resistência) para reivindicar melhores condições de vida para a população negra, em uma perspectiva de negritude.

O sentido de negritude utilizado neste trabalho está, necessariamente, relacionado ao aspecto coletivo de um grupo étnico-racial de pessoas – africanos e seus descendentes – que buscam a conscientização e a valorização da cultura, da identidade e da memória do negro na sociedade brasileira. Segundo Munanga (1988, p. 59), o sentido de negritude tem uma relação com a “originalidade da organização sociocultural dos negros para, depois, sua unidade ser defendida, através de uma política de contra-aculturação, ou seja, desalienação autêntica”.

A defesa do protagonismo negro na construção da sociedade brasileira se faz importante para a compreensão de uma realidade tão diversa que não pode ser entendida apenas a partir do olhar do branco europeu e seus descendentes. O conceito de negritude está relacionado ao da necessidade de se repensar a temática racial, a partir do conjunto de valores histórico e culturais que afloram dos povos africanos e seus descendentes, isto é, por meio da consciência negra. Almeida (2018, p. 60) lembra que a classificação racial é uma construção racial e destaca sua importância: “O negro se faz humano com a negritude e a consciência negra, que constitui a reação intelectual e política contra as contradições que a eles são impostas pelo racismo”.

A perspectiva negra sobre a temática racial é construída a partir da diversidade de questões enfrentadas pelos povos negros no Brasil e pela forma com a qual essa população interage com esses problemas. A negação do racismo e mesmo a minimização das questões raciais não são discursos exclusivos da população branca, pois parte da população negros assimilou essa perspectiva. Contudo, quando falamos em negritude, nos referimos, necessariamente, a segmentos negros que buscam esse diálogo com o passado negro, como forma de rediscutir o papel atribuído ao negro na história brasileira e, por consequência, a construção de uma visão crítica sobre as estruturas raciais.

Uma visão crítica sobre a temática racial no Brasil não pode nem deveria ser uma prerrogativa específica da população negra, mas a naturalização dessa questão certamente é mais cômoda ao branco que, por questões históricas e culturais, encontra uma maior dificuldade em compreender que faz parte de um grupo racial específico, ainda que numa perspectiva social. “Ser branco é atribuir identidade aos outros e não ter identidade. É uma raça que não tem raça. […] alguns brancos consideram legítimo se chamar de ‘identitários’ outros grupos sociais”, destaca Almeida (2018, p. 60).

Podemos ressaltar que a perspectiva da negritude tem não só uma importância sumária para a população negra, mas também um papel importante na contribuição para a sociedade repensar paradigmas raciais que estão tão entranhados nas subjetividades. Por isso, é importante discorrer mais sobre negritude a partir de três conceitos discutidos por Munanga (1988): caráter biológico ou racial; caráter sociocultural de classe e caráter psicológico.

O caráter biológico ou racial da negritude seria aquele relacionado ao pertencimento da raça e à consciência, ou seja, seria o sentimento de solidariedade. Essa visão de “união negra” é bastante criticada, em razão dos diferentes interesses dos grupos negros dentro e fora da África, mas essa mesma compreensão destaca a importância do compartilhamento das vivências desses diferentes povos identificados como negros. “Se do ponto de vista político, social e econômico e geográfico não é possível conceber uma unidade entre todos os negros do mundo, histórica e psicologicamente ela pode ser estabelecida”, diz Munanga (1988, p. 57), reconhecendo a necessidade de várias formas de luta contra o racismo, em razão das diferenças enfrentadas pelos negros nos diversos países.

Já o conceito sociocultural de classe relacionado à raça é um dos mais polêmicos, mesmo nas discussões do campo progressista, que numa perspectiva global tende a defender a sobreposição da questão classista às demais questões como a racial. Para Munanga (1988, p. 52), a “redução de raça da classe” é um erro e um modo de “negar a negritude gritante constatação social”, pois os estudos a partir dessa perspectiva apontam que o problema do negro no Brasil e em diversas partes do mundo não é apenas de ordem econômica, mas racial. Para Ribeiro (2017, p. 38), as questões de “raça” e “classe”, bem como as de “gênero”, não devem se sobrepor umas às outras, sendo todas de igual modo importantes para a discussão, conforme apontam importantes autoras como Hill Collins e bell hooks.

Uma compreensão assertiva de negritude pode estar relacionada com o que é ser negro de fato numa sociedade como a brasileira. A negritude não é uma associação apenas à coloração da pele e aos traços, mas também um conjunto que envolve a observação crítica da estrutura racial, a partir da existência das classes e suas estruturas que desprivilegiam os não brancos e de uma compreensão que envolve até a observação sobre o psicológico do negro por intermédio de um recorte histórico. A partir dessa compreensão é possível refletir melhor sobre a temática racial, tendo em vista as especificidades da população negra.

O racismo brasileiro enquanto estrutural

No Brasil, assim como em outros países de tradição escravagista, o racismo teve um papel fundamental para a implementação de uma lógica de exploração do povo negro e continuou exercendo um importante papel após o fim da escravidão, pois, apesar da força de uma lei que impedia a escravização das pessoas negras, essas continuavam e em muitos casos continuam a ser vistas como pessoas de “segunda classe”. O racismo brasileiro precisa ser compreendido como estrutural, ou seja, está presente em tudo (ou quase tudo): no sistema educacional, na imprensa, na literatura, na televisão, no judiciário, na política partidária e tudo isso encontra-se camuflado por uma leitura equivocada de que nossa sociedade convive em uma democracia racial.

O racismo estrutural é a compreensão de que o problema não pode ser pesando a partir das ações individuais. Um dos pensadores da negritude contemporânea que defende a argumentação de racismo como estrutural é o jurista, e atual Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida. Para esse autor o racismo estrutural pode ser pensado como sendo um processo histórico e político, que cria condições sociais voltadas para uma discriminação sistemática de forma direta ou indireta e assim, mesmo que “os indivíduos que cometam atos racistas sejam responsabilizados, o olhar estrutural sobre as relações raciais nos leva a concluir que a responsabilização jurídica não é suficiente” (ALMEIDA, 2018, p. 39).

O racismo brasileiro encontra-se acobertado, principalmente, pelo pensamento da ideologia da democracia racial. A definição desse conceito denota de uma compreensão de um grupo de estudiosos brasileiros que apresentaram uma leitura muito particular sobre a temática racial. Esses pensadores – dos quais um dos mais citados é Gilberto Freyre, com a sua obra Casa-Grande & Senzala, publicada em 1933 – romperam com o pensamento eugenista de branqueamento do Brasil e passaram a defender a tese de que no país as relações raciais, mesmo no período escravagista, se deram de forma diferente de outras experiências mundo afora. Desse modo, a democracia racial propõe uma discussão a partir da ideia de um Brasil miscigenado e unificado por essas confluências raciais de europeus, africanos e indígenas.

Com o fim da escravidão e uma população majoritariamente negra ou miscigenada, mesmo após a forte onda de emigração europeia que ocorreu no final do século XIX e início do século XX, o Estado brasileiro encontrou nos estudos de democracia racial o argumento necessário para a construção de um discurso nacional, que o livrasse de obrigações de reparação com os ex-escravizados e seus descendentes. Segundo Schwarcz (2012), a partir da década de 1930, a ideia do mestiço como ícone nacional é amplamente defendida pelo Estado, pelas elites política, econômica, artística e pela imprensa. Apesar de todos esses espaços serem dominados por brancos, passou-se a defender a ideia de que as relações raciais e, por consequência o racismo (quando se admitia), eram particulares e menos cruéis que em outras sociedades formalmente segregadas nesse mesmo período, como os Estados Unidos e a África do Sul.

Denominamos, neste trabalho, a democracia racial como ideologia, pois entendemos que assim como o sentido de racismo, esse termo também decorre de um falseamento a respeito da realidade da população negra. A ideologia da democracia racial foi a principal justificativa para a negação do racismo e a inércia do Estado e da sociedade em reconhecer as mazelas deixadas pelos séculos de escravidão (MUNANGA, 1988, p.7 9). Para Moura (2014, p. 252), ao invés de colaborar com a democratização racial da sociedade brasileira, essa ideologia acaba por contribuir para que “os negros continuem na posição de quem espera benesses da casa grande”.

O Estado, a elite política e econômica e até a imprensa tradicional passam a utilizar o discurso da democracia racial para justificar a fraca discussão sobre o racismo e a necessidade das políticas afirmativas e assim contribuem com a naturalização do preconceito contra o negro. Situação que começa a ser alterada com a Constituição de 1988, considerada um grande salto na luta contra o preconceito racial no Brasil, pois criminaliza o racismo e estabelece como papel do Estado a promoção social e a garantia aos direitos aos diferentes grupos, deixando para trás um modelo liberal sobre a temática racial.

A partir de 1988 foi possível propor legislações específicas para o combate ao racismo, a criação do Estatuto da Igualdade Racial e a implementação das políticas afirmativas, dentre elas as cotas nas universidades públicas federais2 e os programas de auxílio aos estudantes nas instituições particulares. Já no Estatuto da Igualdade Racial (2010) está prevista a garantia para se discutir as questões raciais, chamando a atenção para a importância deste assunto, sobretudo para a população negra.

O racismo acarreta ao negro uma situação de vulnerabilidade muito maior do que a enfrentada por outros grupos na realidade brasileira e, talvez, o exemplo mais cruel seja o de que os jovens negros são as maiores vítimas da violência policial (ação do Estado) no Brasil (ARAÚJO; SILVA, 2017). Dessa maneira, temos um Estado que ora age com total inércia, ao não conseguir implementar políticas que diminuam o abismo social e econômico entre brancos e negros no Brasil, ora tem uma ação (por meio da polícia) para punir com mais rigor a parcela mais negra da população.

Essa situação coloca a sociedade brasileira como um exemplo do conceito defendido pelo camaronês Achille Mbembe (apud ALMEIDA, 2018), da existência da necropolítica, que seria uma forma contemporânea de subjugar a vida ao poder da morte. Almeida (2018) utiliza esse conceito para falar sobre a situação do negro na colonização escravagista sob os regimes de “democracia racial”, Jim Crow e Apartheid, vivenciados no Brasil, nos Estados Unidos e na África do Sul, respectivamente, ou ainda nos contextos de guerras, homicídios e até suicídios de indivíduos negros na atualidade. “A necropolítica, portanto, instaura-se como a organização necessária do poder em um mundo em que a morte avança implacavelmente sobre a vida”, (ALMEIDA, 2018, p. 96).

A partir do conceito de necropolítica podemos pensar na relação dos homens e mulheres negros frente à realidade brasileira forjada por uma compreensão racista de inferioridade dos descendentes de africanos e ao mesmo tempo uma negação às práticas racistas, por meio da ideologia da democracia racial. Assim, o racismo no Brasil precisa ser compreendido como estrutural, pois integra toda a organização econômica, política e social da realidade brasileira.

Imprensa Negra – um conceito em construção

Partindo da compreensão de que os meios de comunicação podem desempenhar um papel importante no processo de desenvolvimento de uma sociedade, a busca pelo conceito de imprensa negra está, necessariamente, atrelada ao seu papel contributivo para a negritude e a sociedade. Os conceitos sobre imprensa negra são variados, tendo em vista o formato (alternativo ou comercial), a localidade (brasileira ou norte-americana), mas como já defendemos anteriormente (ARAÚJO, 2019, p. 213), em comum, “são veículos de comunicação especializados na temática racial, na luta contra o racismo e comprometidos com a construção de narrativas negras sobre os diversos assuntos (economia, política, esportes, cultura, dentre outros)”.

A imprensa negra brasileira surge no século XIX, com os quatro primeiros periódicos negros (pasquins),ainda no período escravagista (PINTO, 2010). Após a Abolição, em 1888, nas primeiras décadas do século XX, foram criados inúmeros de jornais negros, publicados pelos diversos órgãos do movimento negro que efloresceram nesse período (BASTIDE, 1983; NASCIMENTO, 2003). A imprensa negra sofreu com os períodos de interrupção democrática (Estado Novo e Ditatura Militar), mas ressurgiu nas décadas de 1970/80, colaborando com a negritude na inclusão das pautas negras nas discussões da Constituinte de 1988. Na contemporaneidade a imprensa negra brasileira se mantém, através, principalmente, da internet, com sites ou páginas que propõem conteúdos jornalísticos focados na perspectiva negra.

A maioria dos jornais negros brasileiros ao longo da história foi construído em formatos alternativos/independentes e pouco comerciais. Assim, o modelo alternativo/independente é comumente encontrado na realidade brasileira da imprensa negra, a partir de uma abordagem especializada sobre as diversas questões relacionadas à população negra. Para Peruzzo (2008 p. 49), a comunicação alternativa e popular está relacionada à caracterização de uma expressão das lutas populares com conteúdo “crítico-emancipador” e “reivindicativo” e tem o “povo” como “protagonista principal”. Segundo Alakija (2012, p. 148), “a imprensa negra no Brasil teve como uma das características iniciais uma constituição à base de rede de solidariedade e o associativismo. Um dos poucos expoentes do modelo comercial foi a Revista Raça – fundada em 1996, que em 2016 passou a se chamar Afro Brasil.

Para Peruzzo (2008, p.5), o sentido de jornalismo alternativo está mais associado aos canais de comunicação que oferecem conteúdos diferenciados ou especializados: “o que caracteriza o jornalismo como alternativo é o fato de representar uma opção enquanto fonte de informação, pelo conteúdo que oferece e pelo tipo de abordagem”. Nesse sentido, compreende-se boa parte da imprensa negra brasileira como alternativa, em razão de seu comprometimento, tratado de forma subalternizada pela sociedade, e a imprensa tradicional, com predominância das narrativas da branquitude (RAMOS, 2002).

Para melhor compreender a imprensa negra, importa apresentar os conceitos de alguns estudiosos. Moura (2014, p. 249) destaca a imprensa negra como portadora de um “linguagem alternativa, devendo ser considerad[a], dentro da estrutura da expressão, uma parte da cultura brasileira”. Já para Bastide (1983, p. 34) “a imprensa negra nasce do sentimento de que o preto não é tratado em pé de igualdade com o branco; sua primeira tarefa será, pois, ser um órgão de protesto”. Pinto (2010, p. 19), por seu turno, destaca que os “jornais negros [são] feitos por negros, para negros, veiculando assuntos de interesse da população negra”.

A partir dessas contribuições foi possível propor uma conceituação sobre imprensa negra, defendida em Araújo (2019), no sentido da concepção de veículos de comunicação focados na produção de conteúdo jornalístico em que o negro é apresentado como protagonista dos acontecimentos e discussões, ainda que essas não tenham relação direta com as questões raciais, destacando a expressão e a visão de mundo do negro sobre os diversos assuntos, contribuindo, assim, não só com a visibilidade da negritude, como também para com uma pluralidade de ideias no debate público.

É possível considerar o papel da imprensa negra, a partir da conceituação de veículos de comunicação especializados em temáticas relacionadas à negritude, que, na atualidade, destaca: i) a luta contra a marginalização histórica de personalidades negras; ii) a discriminação racial; iii) a necessidade de uma discussão étnico-racial a fim de conscientizar a população, ou parte dela, sobre as demandas da população negra, como a necessidade das políticas afirmativas; e, por fim, iv) a importância da narrativa de outros assuntos (de ordem econômica, política, esportiva, moda ou comportamento) em que o negro é apresentando enquanto protagonista na discussão.

No entanto, defendemos que conceituação da imprensa negra é ampla, plural e passa por um estágio de concretude. Apesar disso, reiteramos nossa compreensão de que são veículos de comunicação produtores de conteúdo jornalístico em que o negro é apresentado como protagonista dos acontecimentos e discussões, em temáticas raciais e não raciais. A compreensão história sobre a imprensa negra é um passo importante para ampliar os horizontes sobre essa conceituação.

Enquadramentos noticiosos da imprensa negra

Com base na perspectiva de que os enquadramentos noticiosos dos canais de comunicação influenciam na compreensão dos acontecimentos por parte dos indivíduos (ENTMAN, 1993, p. 2) buscamos a apresentação dos assuntos, as abordagens dos textos e as ênfases de 49 matérias publicadas pelos sites Correio Nagô, Mundo Negro e Nação Z. Esses canais negros foram definidos a partir de um estudo exploratório sobre a imprensa negra brasileira, por meio do qual foram identificados os veículos de comunicação mais antigos em suas respectivas regiões – Sudeste, Nordeste e Sul (não identificamos jornais negros nas demais regiões). Esses canais são considerados jornalísticos em razão da similaridade com outros meios de comunicação, apesar do foco no individuo negro e da proposta explicitamente antirracista.

O site Mundo Negro foi criado 2001, em São Paulo (SP), região Sudeste. Já o Nação Z foi criado em 2003 em Porto Alegre (RS) e funciona em conjunto com uma publicação impressa do mesmo nome, confeccionada pela Ilu Editora. O Correio Nagô, por sua vez, apesar de ser o mais novo dos três, é o site negro mais antigo da região Nordeste, criado em Salvador (BA), em 2008, pelo Instituto Mídia Étnica.

Partindo da perspectiva de que as matérias jornalísticas são apresentadas a partir de referências temáticas – aqui denominadas “temas” – buscamos identificar os principais temas abordados nos textos, a partir da análise de conteúdo das 49 matérias publicadas pelos três sites durante o mês de novembro de 2018. Na análise de conteúdo das 49 matérias publicadas pelos três sites, durante o mês de novembro de 2018, identificamos as palavras recorrentes (excluindo artigos, preposições, verbos, nomes dos veículos de comunicação e dos autores dos textos), com o suporte do Atlas.ti, e agrupamos essas seis categorias recorrentes: Cultura, Raça, Política, Dinheiro, Religião e Mulher, conforme Gráfico 1.

No Mundo Negro o assunto mais recorrente foi Cultura, com 53% das publicações, seguido por Dinheiro e Raça, com 21% cada, e Política, com 5%. Para discorrer um pouco sobre o assunto Dinheiro destacamos as matérias com recorrência de palavras como “compras”, “feira”, “negócios”, “empreendedorismo”, como os textos relacionados à Feira Preta, que acontece anualmente em São Paulo. Um exemplo é a matéria “Sem ouvir a comunidade negra, Estadão resume Feira Preta a fiasco e polêmica”, do dia 25 de novembro de 2018, do Mundo Negro.

Já o Nação Z publicou conteúdos sobre três assuntos identificados como principais: Raça (50%), Cultura (34%) e Política (16%). Assunto destacado nesse site, Raça compreende as matérias relacionadas à temática racial com recorrência de termos como “negro”, “negra”. Um exemplo é o texto “20 de novembro: Vidas negras importam”, publicado no dia 20 de novembro no Nação Z.

No assunto Política, presente nos três sites, os termos mais recorrentes foram “encontros”, “mobilização”, “eleições”. Os demais assuntos foram identificados apenas no Correio Nagô, Religião, com recorrência dos termos “religião”, “candomblé” e “umbanda”, além de Mulher, no qual os destaques foram “mulher negra” e “feminino”.

O destaque do assunto Cultura na apresentação dos conteúdos (mais de 50% do conjunto de matérias analisadas) reforça uma característica da imprensa negra de destacar a vivência e a expressão da negritude. Essa compreensão se aproxima do que defende Alakija (2012, p. 144), no sentido de que a imprensa negra tem um papel fundamental “na construção e como instrumento de afirmação da identidade negra”.

Por fim, importa ressaltar a diversificação de assuntos tratados pela imprensa negra, com conteúdos sobre Política, Dinheiro, Religião, Mulher, sendo que as matérias sobre Raça, isto é, que destacam a temática racial, representaram apenas 18% do total de publicações analisadas. Esses dados reforçam o caráter diversificado das temáticas abordadas pela imprensa negra. Tal fato nos leva a afirmar que os canais negros não podem ser compreendidos apenas como especializados na produção de conteúdos raciais, mas como veículos de comunicação que destacam o negro ou a perspectiva negra em suas narrativas sobre os diferentes assuntos.

Na segunda etapa de nossa investigação, com base na compreensão de que os enquadramentos noticiosos também compreendem observações acerca dos modos estruturais dos conteúdos, analisamos as abordagens propostas em cada matéria produzida pelos sites selecionados, observando as divisões em abordagens explicativa, denunciativa ou crítica. Conforme o Gráfico 2, a abordagem explicativa esteve presente em 59% do total de matérias, sendo 67% no Correio Nagô, 42% no Mundo Negro e 83% no Nação Z. Já a abordagem denunciativa foi responsável por 18% dos textos, registrando 12% no Correio Nagô, 32% no Mundo Negro e 17% no Nação Z. Por fim, a abordagem crítica representou 23% das matérias, com 21% no Correio Nagô, 26% no Mundo Negro e sem ocorrência no Nação Z.

Compreendemos como matérias explicativas os textos que utilizaram de uma abordagem elucidativa e/ou esclarecedora para a construção das narrativas jornalísticas. Esse enquadramento textual foi utilizado em matérias que trataram de diferentes assuntos a partir de uma perspectiva explicativa. Um exemplo é a publicação do dia 12 de novembro de 2018 no Correio Nagô: “O que ainda vai rolar no Novembro Negro em Salvador?”, na qual identificamos aspectos de uma abordagem explicativa ao discorrer sobre o sentido do “Novembro Negro”, em razão do mês da Consciência Negra, além de apresentar informações sobre uma programação cultural.

Já a abordagem denunciativa compreende as matérias com enquadramentos relacionados à revelação de fatos ou situações vivenciadas por negros. A publicação do dia 17 de novembro do Mundo Negro, “Para Sociedade Brasileira de Dermatologia, pele negra é insensível ao sol”, exemplifica esse tipo de abordagem. A matéria denuncia uma compreensão equivocada sobre a sensibilidade da pele negra ao sol, a partir de uma postagem da Sociedade Brasileira de Dermatologia (Imagem 1) em suas redes sociais, e utiliza uma fonte especializada para contestar essa compreensão em relação à pele negra, que também precisa de cuidados e proteção na exposição ao sol.

Imagem 1
Ilustração de matéria denunciativa

Por fim, a abordagem crítica foi utilizada nos textos que tinham por objetivo fazer uma avaliação, julgamento ou ponderação sobre determinado assunto ou acontecimento. Esse tipo de abordagem mostrou-se comum nos textos dedicados a peças teatrais, filmes ou músicas, como na matéria “Antonio Pitanga e Nando Cunha protagonizam espetáculo ‘Filho do pai’ na Gávea”, publicada no dia 1º de novembro no Mundo Negro. Esse texto não apenas destacou informações de serviço sobre a peça teatral (período de exposição, local, horário e valores), como também a história, a perspectiva dos autores, as interpretações dos públicos e uma avaliação crítica sobre o espetáculo.

As análises das abordagens utilizadas nos enquadramentos das matérias permitiram constatarmos que existe um destaque para os textos explicativos na imprensa negra, com perspectivas elucidativas e esclarecedoras. Por outro lado, como já mencionamos, é importante destacar a diversidade de abordagens nos textos, principalmente no site Mundo Negro, o que pode ser considerado positivo, pois as abordagens denunciativas e críticas podem contribuir de forma mais incisiva para uma compreensão mais assertiva da sociedade sobre as temáticas relacionadas à negritude brasileira.

O estudo dos enquadramentos noticiosos também consistem na observação dos aspectos que são destacados na construção de narrativas que estabeleçam relação com as estruturas e as referências favoráveis ou desfavoráveis à negritude. Com base na observação dos aspectos enquadrados nos textos e considerando a posição da negritude foi possível analisar a ênfase das 49 matérias publicadas pelos sites negros em novembro de 2018.

A maioria das matérias analisadas pode ser considerada como favoráveis (78%), contra uma minoria de publicações (22%) desfavoráveis (Gráfico 3). Na observação desse enquadramento por veículos, não foi possível notar grandes alterações, sendo as matérias com ênfase favorável 83% no Correio Nagô, 68% no Mundo Negro e 83% no Nação Z e as ênfases desfavoráveis 17%, 32% e 17%, respectivamente.

Nas matérias classificadas como favoráveis foram identificadas na análise do enquadramento aspectos construtivos à negritude, como ações proativas da população negra ou o destaque da perspectiva do negro sobre os diferentes assuntos. a publicação “Yuri Marçal: 90% do meu público é mulher preta”, do Mundo Negro, em 15 de novembro de 2018, ilustra bem esse tipo de ênfase. Por outro lado, nas publicações classificadas como desfavoráveis à negritude foram identificadas narrativas relacionadas à violência, discriminação, desigualdade, dentre outras dificuldades vivenciadas pelo povo negro, ou seja, consistem em narrativas construídas a partir de aspectos negativos. Podemos constatar esse tipo de ênfase na publicação do dia 15 de novembro de 2018 do Correio Nagô: “Violência contra juventude negra e periférica é tema de espetáculo teatral”. Na matéria, observamos que a perspectiva sobre a realidade de violência contra a juventude negra é mais destacada que o próprio espetáculo, que possibilitou essa classificação.

A análise das ênfases das publicações nos possibilita observar uma das principais características da imprensa negra: destacar os aspectos favoráveis da negritude, mesmo em meio a uma realidade com tantas dificuldades enfrentadas pela população negra. Essa posição é antagônica à imprensa tradicional, que raramente apresenta o negro ou a temática racial em suas narrativas, e, quando o faz, a ênfase desfavorável à negritude é predominante.

Além disso, ao produzir a maior parte dos conteúdos com ênfases favoráveis, até mesmo ao tratar de assuntos críticos para a realidade da população negra, a imprensa negra evidencia uma posição que é compartilhada pela negritude, no sentido de não limitar suas narrativas às denúncia e reinvindicação – apesar da importância desses aspectos serem ecoados. Assim, a ênfase no protagonismo negro se apresenta como uma forma de expressão mais colaborativa da imprensa para com a negritude.

Considerações finais

Com base na discussão proposta na revisão da literatura e nas análises do conteúdo e do enquadramento realizadas a partir da produção dos sites Correio Nagô, Mundo Negro e Nação Z foi possível estabelecer algumas considerações sobre a imprensa negra brasileira contemporânea. É pertinente destacar que o estudo contribuiu para reforçar a caracterização da imprensa negra, a partir do comprometimento dos veículos de comunicação analisados com o viés antirracista e contribuitivo a visibilidade do povo negro.

As discussões bibliográficas possibilitaram o estabelecimento de algumas considerações fundamentais sobre o papel histórico da imprensa negra, sobretudo no que diz respeito à importância da denúncia do racismo e ao protagonismo negro, que nem sempre é devidamente retratado nos livros de história. Desde o papel do negro na resistência à escravidão, principalmente por meio dos quilombos, até a importante contribuição do movimento negro na construção do que compreendemos como sociedade brasileira. Desde os primórdios a imprensa negra brasileira defendia a ideia do negro como um ‘ser humano’, em um período escravocrata em que muitos jornais publicavam em seus anúncios a ‘venda’ de pessoas escravizadas.

Assim, o conceito de imprensa negra precisa, necessariamente, ser construído a partir de estudos que apontavam o papel dos jornais negros ao longo da história, como as pesquisas de Pinto (2010), Moura (2014) e Bastide (1983). O papel das narrativas dessa imprensa negra, que ao destacar a figura do negro na sociedade contribuem para ampliar a visibilidade e valorização do negro. Todas essas compreensões construídas a partir da revisão de literatura contribuíram com nossa análise dos conteúdos dos sites negros.

Por meio da análise do conteúdo foi possível observar diversos aspectos importantes do ponto de vista das boas práticas jornalistas que nos possibilitou inferir a existência de um recorte diferenciado sobre as narrativas jornalísticas produzidas pela imprensa negra. Já na análise do enquadramento foi possível destacar a diversificação de assuntos tratados pela imprensa negra, o que reforça a posição de que esses canais não são apenas especializados na temática racial, mas sim em oferecer narrativas que valorizam o negro ou a perspectiva negra ao tratar de diferentes temas, com uma abordagem majoritariamente explicativa e ênfase ao protagonismo negro.

Em suma, a pesquisa nos permite considerar que a imprensa negra na internet produz conteúdos enfatizando enquadramentos noticiosos em que o negro é o protagonista das narrativas, confirmando a hipótese inicial do presente trabalho. Assim, foi possível contribuir com o conceito de imprensa negra ao considerar que os sites negros da contemporaneidade são um conjunto de meios de comunicação voltado para a produção e divulgação de conteúdos jornalísticos no qual a temática negra é destacada e a perspectiva negra é evidenciada. A experiência de comunicação da imprensa negra desempenha um importante papel na construção de uma compreensão mais assertiva da negritude nas lutas em favor do povo negro, colaborando para discussões mais plurais e diversificadas.

  • 1
    O critério para a escolha do ano de 2018 se deu em razão da comemoração dos 130 anos da Abolição da escravatura no Brasil, ocasião em que consideramos que haveria, potencialmente, mais eventos e, por consequência, mais publicações para avaliarmos as especificidades e os enquadramentos apresentados.
  • 2
    Lei Nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Lei de cotas de ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio, sancionada pela presidente Dilma Rousseff.

Referências

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  • Editoras responsáveis:
    Marialva Barbosa e Sonia Virgínia Moreira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Dez 2024
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    20 Maio 2022
  • Aceito
    24 Mar 2023
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