Resumo
Buscamos, com este trabalho, nos colocar em diálogo, em uma escritura que se pauta pelo circuito dos afetos (Safatle, 2016) e pesquisa qualitativa em dimensão afetiva (Moriceau; Soparnot, 2019), com o livro Garotas Mortas, da escritora argentina Selva Almada. Nossa proposta é acionar noções de temporalidades, corpos e afetos, por meio de autores que refletem sobre o cotidiano e eventos ordinários (Das, 2020; Lingis, 2018; Stewart, 2007), as narrativas (Jácome, 2020; Ricoeur, 1994;) e os desafios de contraposição à romantização do jornalismo (Carvalho, 2019). Trazemos para a discussão, três pesquisadoras sobre violência de gênero: Caldeira (2017), Prates (2022) e Santos (2022). As narrativas poéticas, mas não romantizadas de Selva, conduzem a discussão ao longo de todo o texto.
Palavras-chave
temporalidades; corporalidades; afetos; ética; narrativa
Abstract
With this work, we seek to put ourselves in dialog, in a writing that is guided by the circuit of affections (Safatle, 2016) and qualitative research in the affective dimension (Moriceau; Soparnot, 2019), with the book Dead Girls, by Argentine writer Selva Almada. Our proposal is to trigger notions of temporalities, bodies and affections, through authors who reflect on everyday life and ordinary events (Das, 2020; Lingis, 2018; Stewart, 2007), narratives (Jácome, 2020; Ricoeur, 1994) and the challenges of countering the romanticization of journalism (Carvalho, 2019). We bring into the discussion three researchers on gender violence: Caldeira (2017), Prates (2022) and Santos (2022). Selva's poetic but not romanticized narratives drive the discussion throughout the text.
Keywords
temporalities; corporealities; affections; ethics; narrative
Resumen
Con este trabajo buscamos ponernos en diálogo, en una escritura que se guía por el circuito de los afectos (Safatle, 2016) y la investigación cualitativa en la dimensión afectiva (Moriceau; Soparnot, 2019), con el libro Chicas muertas, de la escritora argentina Selva Almada. Nuestra propuesta es disparar nociones de temporalidades, cuerpos y afectos, a través de autores que reflexionan sobre la vida cotidiana y los acontecimientos ordinarios (Das, 2020; Lingis, 2018; Stewart, 2007), las narrativas (Jácome, 2020; Ricoeur, 1994) y los desafíos de contrarrestar la romantización del periodismo (Carvalho, 2019). Traemos a la discusión a tres investigadores sobre la violencia de género: Caldeira (2017), Prates (2022) y Santos (2022). Las narrativas poéticas pero no romantizadas de Selva conducen la discusión a lo largo del texto.
Palabras clave
temporalidades; corporalidades; afectos; ética; narrativa
Corpos mortos, vivos em afetos
A escritora argentina Selva Almada tinha 13 anos quando a voz do locutor anunciou no rádio o assassinato de uma jovem dentro de sua própria casa. Foi a partir do que ela chama de “revelação” que se deu conta de que o lar, o lugar teoricamente mais próximo, seguro e cotidiano na vida da maioria das pessoas, pode ser um local tão ameaçador quanto mortal para as mulheres. A vida de Andrea Danne, estudante de psicologia, fora arrancada do corpo com uma punhalada no coração enquanto dormia quando ela tinha 19 anos. Esse caso, de repercussão em mídias locais argentinas, está em consonância com aquilo que Leal, Carvalho e Antunes (2020) identificaram a partir de estudos em diferentes países acerca de como relatos jornalísticos costumam tratar violências físicas e simbólicas contra mulheres cometidas em “zonas de proximidade”, isto é, quando há vínculos de confiança entre o perpetrador e sua vítima. Como apontam, “a cobertura recorrente de crimes de proximidade cometidos por parceiros íntimos, estudos internacionais destacam a recorrência de enquadramentos que reiteram mitos e estereótipos que culpabilizam as mulheres e obscurecem a responsabilidade dos agressores” (Leal; Carvalho; Antunes, 2020, p. 45). No caso de Andrea, no entanto, essa vida narrada cobrava existência, aos afetos de Selva Almada, toda vez que ela se deparava com a morte de outra garota.
Desde que estava no quintal de casa na década de 1980, com o pai, ouvindo rádio, considerado ainda hoje um dos veículos de comunicação que integra o cotidiano de famílias mundo afora (Pessoa, Mantovani e Salgueiro, 2022; Pessoa, 2008), Almada viu sua atenção mudar de foco, e anos mais tarde todo este percurso ali iniciado se materializaria no livro de não-ficção intitulado Garotas Mortas (2014). A obra, cuja tradução para o português foi publicada pela Editora Todavia em 2018, aborda essa relação tão brutal quanto banal, na medida em que, a partir da lembrança da morte de Andrea, toda uma rede sobre “chicas muertas” faz-se presente na construção narrativa, revelando aspectos subjetivos, estratégias de sobrevivência e casualidades muito importantes para entendermos como o medo do feminicídio (e sua materialização) é perene no cotidiano das mulheres:
Estamos no verão e faz calor, quase tanto quanto naquela manhã de 1986, quando, de certo modo, esse livro começou a ser escrito, quando a garota morta atravessou o meu caminho. Agora estou com quarenta anos e, diferentemente dela e das milhares de mulheres assassinadas em nosso país de lá para cá continuo viva. Apenas uma questão de sorte
(Almada, 2018, p. 121).
A escritora argentina lidava, no momento da escuta de notícias no rádio, com o parto de um animal doméstico: uma gata. A fêmea havia parido e os líquidos que davam pistas do nascimento dos filhotes estavam ali, em cima da cama de Selva, manchando os lençóis. Enquanto isso, em outro lar e, em especial, no quarto de Andrea, outras manchas davam a dimensão do cotidiano atravessado por um evento catastrófico, que irrompe a sequência de hábitos do dia a dia, invadindo, repentinamente, a vida de familiares ao escancarar os mistérios da morte dela. “Algum tempo depois, acordou, saiu da cama, foi até o quarto das filhas e acendeu a luz. Andrea continuava deitada, mas tinha sangue no nariz” (Almada, 2018, p. 27). Selva passou a reparar nas narrativas sobre a vida das jovens mortas em situações tão enigmáticas quanto insolúveis do ponto de vista policial e judicial. Em meio às estatísticas e à divulgação de casos pela mídia, ela chegou a fazer uma lista, nomeando-as, sempre como um vínculo em busca de informações sobre a impunidade no caso de Andrea.
Durante mais de vinte anos, Andrea esteve por perto. Voltava de quando em quando com a notícia de outra mulher morta. Iam se acumulando os nomes que apareciam a conta-gotas nas manchetes dos jornais de circulação nacional: María Soledad Morales, Gladys McDonald, Elena Arreche, Adriana e Cecilia Barreda, Liliana Tallarico, Ana Fuschini, Sandra Reitier, Carolina Aló, Natalia Melman, Fabiana Gandiaga, María Marta García Belsunce, Marela Martínez, Paulina Lebbos, Nora Dalmasso, Rosana Galliano. Cada uma delas me levava a pensar em Andrea e em seu assassinato impune
(Almada, 2018, p. 10).
Foi de Andrea que Selva se lembrou quando leu um jornal do Chaco, no nordeste da Argentina, sobre os 25 anos da morte de Maria Luisa Quevedo, 15 anos, que teve o corpo violentado e estrangulado. Ninguém foi processado pelo crime. Um terceiro caso não resolvido, de Sarita Mundín, 20 anos, revelou os restos mortais da moça às margens de um rio na província de Córdoba, mas não os culpados. Na década de 1980, quando as três jovens que guiam as investigações jornalísticas e a escritura de Almada tiveram seus corpos dilacerados e os criminosos impunes, o termo feminicídio não fazia parte do cotidiano jurídico nem das narrativas midiáticas da maioria dos países. Pouco antes, na segunda metade da década de 1970, a socióloga sul-africana Diana Russel sustentou a tese, no Tribunal Internacional de Crimes contra Mulheres, em Bruxelas, na Bélgica, sobre a importância de se criar uma definição sobre homicídios contra mulheres. Como aponta Cecília Santos (2022), junto a Radford, Russel trata de conceitualizar o termo “femicídio” com a publicação do livro Femicide: the politics of woman killing, publicado em 1992. Já na introdução do livro, temos a seguinte definição: “Femicídio (femicide) é o assassinato misógino de mulheres por homens, sendo uma forma de violência sexual”. Essa violência, ressalta Santos (2022), conecta-se a muitas expressões como o estupro, assédio sexual, abuso físico, representando uma espécie de “continuum de violência”.
Por sua parte, defende Bárbara Caldeira (2017), ainda que diante de expressões tão entranhadas no cotidiano, em geral, o jornalismo tende a preocupar-se por crimes de grande comoção, tratando-os de forma isolada ou como, em casos de serial killers, assassinatos em série. A autora, ao recorrer a estatísticas de distintos países, sustenta que quando “vários assassinos são responsáveis pela morte de várias mulheres, esse ‘ajuntamento’ não está constituído a priori” (Caldeira, 2017, p. 42), motivo pelo qual o termo específico auxilia na compreensão de “série de assassinatos” sustentada pela misoginia.
Nesse sentido, o gesto de Almada nos parece inusual do ponto de vista das narrativas jornalísticas, ao conectar essas mortes particulares a uma história comum que reúne garotas assassinadas às demais, que vivem sob essa permanente tensão. Se do ponto de vista jurídico, as mortes retratadas no livro não encontraram desfecho, a autora toma para si essa responsabilidade ética como sustento do seu gesto narrativo: “Talvez seja esta a sua missão: recolher os ossos das garotas, armá-las, dar-lhes voz e depois deixá-las correr livremente para onde tiverem que ir” (Almada, 2018, p. 39).
Andrea, Maria Luisa e Sarita dão nome aos corpos vítimas de feminicídio na Argentina e cuja impunidade mobilizou as afecções (Spinoza, 2007) de Selva Almada, afastando-a de um gesto “objetivador”, tipicamente jornalístico, para expor suas angústias, medos, lembranças junto ao continuum de violência compartilhados com outras mulheres. Ao refletir sobre os “afetos ordinários”, isto é, do cotidiano, Stewart (2007) nos lembra que essa proposta deve ser um experimento, e não um julgamento, que se atenta para as forças que aparecem como hábito, choque, ressonância ou impacto. A antropóloga faz referências a um conjunto de eventos, cenas, contingências, emergências, que estão na nossa vida no dia a dia envoltos em uma série de sensações, impulsos, modos de atenção e mundos sociais de diversos tipos, que dão lugar aos sentimentos públicos em circulação. De maneira semelhante, acreditamos que o fazer narrativo de Almada também lança luzes sobre afetos cotidianos e suas múltiplas tensões com as corporeidades no reconhecimento do direito ao tempo (Jácome, 2020). Partindo desse pressuposto, neste artigo, gostaríamos de abordar a obra a partir de dois aspectos centrais: a) relações temporais ali trabalhadas, b) aspectos corporais e afetivos ali mobilizados.
Temporalidades e narrativas
Em Garotas Mortas, chama a atenção o trabalho narrativo elaborado por Selva Almada, sobretudo na maneira como ela lida com acontecimentos violentos sem deles apartar-se. O livro está dividido em dez capítulos e um epílogo, nos quais a autora mescla diferentes temporalidades, passando pelo relato dos três crimes principais abordados, mas sem um tom memorialístico ou arquivístico. Ao contrário, a composição está disposta a demonstrar a atualidade dos eventos que relata. Se a relação entre tempo e narrativa pode ser interpretada como indissolúvel: “o tempo torna-se tempo humano na medida em que está articulado de modo narrativo; em compensação, a narrativa é significativa na medida em que esboça os traços da experiência temporal” (Ricoeur, 1994, p. 15), nos interessa argumentar também a relação intrínseca do gesto de narrar e as tensões tornadas visíveis pela ética de inquirir o outro.
Em Paul Ricoeur, a composição da intriga pode ser entendida como uma síntese do heterogêneo, isto é, a composição de uma história que possui uma configuração para além da mera sucessão de acontecimentos. Ao organizar a inteligibilidade, a narrativa faz com que os acontecimentos estejam relacionados não “um depois do outro”, mas “um por causa do outro”. Nesse sentido, o gesto de narrar mescla componentes e circunstâncias (encontradas e indesejadas) heterogêneas, a relação entre distintos atores sociais e suas interações, bem como as ações realizadas e sofridas. A possibilidade de fazer concordar o que antes não possuía relação revela aspectos que dizem de, ao menos, dos corpos em relação: aquele que relata uma determinada história e aquele que, por meio dessa configuração, é também capaz de segui-la.
A história narrada, postula Ricoeur, é uma totalidade temporal e o ato poético é uma mediação entre o tempo como fluxo e o tempo como duração. Algo que dura e permanece através do que escapa e passa. Nesse sentido, não é “o que passou”, mas o “como foi possível?” que efetivamente importa. Certamente, esses elementos configurativos estão presentes na composição poética de Selva Almada, inclusive na contraposição que realiza com narrativas jornalísticas:
A morte violenta de uma pessoa jovem, numa comunidade pequena, é sempre uma comoção. A notícia do crime que vitimou María Luisa Quevedo foi tratada, quase desde o início, em tom romanesco pela imprensa local. Demorou dois ou três dias para aparecer, num pequeno quadro no jornal Norte, o mais importante da província do Chaco. Título: Misteriosa morte de uma menor, que dividia o espaço com outra: Menor procurado
(Almada, 2018, p. 117).
Como ressalta Caldeira (2017, p. 119), há uma dificuldade dos agentes jornalísticos em reconhecer aspectos de gênero em crimes de proximidade praticados contra mulheres. Muitas vezes, esses crimes tendem a ser tachados como “passionais” para dar unicidade à configuração narrativa desses relatos. As mortes de mulheres, então, são geralmente vistas como casos isolados, narrados por vozes masculinas que tendem a justificar o crime cometido. Como consequência da não mobilização do marcador “violência de gênero”, uma rede de causalidade patriarcal tende a responsabilizar as próprias garotas mortas. Essa crítica realizada por Caldeira, também é bastante presente nas avaliações de Almada (2018, p. 72):
E o crime que em 1986 ficara restrito à imprensa local atraiu a atenção de jornais de circulação nacional, como o Crónica e o Clarín. Com seu estilo característico, o Crónica estampou na manchete: Chinês é preso nove anos após um assassinato. E quando Shaw é posto em liberdade: Chinês foi vítima de jovem despeitada.
Por isso, para além dos aspectos temporais típicos de quaisquer narrativas, nos parece que Garotas Mortas oferece uma dinâmica corporal que incide diretamente na maneira como esse tempo do “continuum de violência” é configurado narrativamente. São corpos mutilados, violados, mas que cobram agência própria e responsabilidade de seus agressores. Nesse sentido, longe de perceber o gesto de narrar como uma metáfora edulcorada e romantizada, nos alinhamos a Carvalho (2019) quando propõe que, em casos de violências não estamos diante de tramas com fios sedosos que emergem sem fissuras ou contradições. Ao contrário, temos “fios de alta tensão desencapados”, que envolvem um trabalho eticamente doloroso, desconfortável e necessário.
O autor nos chama a atenção para a importância de um olhar cuidadoso para os desafios teóricos e metodológicos de alta complexidade: “são advertências metafóricas sobre condições contextuais que exigem proteção específica, indicando as enormes dificuldades de manipular material de elevada letalidade, potencialmente causador de sofrimentos” (Carvalho, 2019, p. 51).
Se para Ricoeur, a narrativa funcionaria como uma condição humana para lidar com as aporias do tempo, gostaríamos de pensar também junto a Veena Das (2020), que defende que o sujeito não pertence ao mundo, sendo antes o limite do próprio mundo, motivo pelo qual é também condição primeira da experiência. Em Vida e palavras: a violência e sua descida ao ordinário, a autora confessa frustração e desconforto nas repetidas vezes nas quais se propôs a escrever sobre a violência, refletindo sobre os próprios limites e experiências ao dialogar sobre dois grandes eventos violentos na Índia: a Partição de 1947, e o assassinato da primeira ministra indiana, Indira Gandhi, por seu segurança pessoal, como vingança ao massacre dos sikhs em 1984, em sua casa, ambiente supostamente seguro e confiável.
Nesse sentido, o gesto de escuta proposta por Das nos parece similar àquele implementado por Almada. Há, em ambas, um alerta para não nos permitir desvencilhar da relação linguagem, narrativas, tempos e afetos: “[...] é como que se um dos aspectos sob os quais se pode compreender uma pessoa é como vítima da linguagem - como se as palavras pudessem revelar mais de nós do que estamos cientes” (Das, 2020, p. 29). Como numa etnografia da violência, a escritora argentina não se coloca como um testemunho objetivo ou ocular dos eventos que reporta. Ao contrário, não perde de vista a tentativa de localizar o sujeito (não o objeto) através das experiências desses limites. “Faz um mês que o ano começou. Pelo menos dez mulheres foram assassinadas por serem mulheres. Digo pelo menos porque esses são os nomes que apareceram nos jornais, daquelas que viraram notícia” (Almada, 2018, p. 141). As “garotas mortas” - em tempos outros nos quais suas experiências tornam-se públicas pelo foco jornalístico que tenta capturar o que está obscurecido, “revelando” - nada mais são do que corpos, estirados na cama, em ambiente doméstico e supostamente insuspeito, em um matagal ou às margens de um rio. “É uma foto dela no necrotério, ele me diz por fim. Sinto um vazio no estômago. Não sei se você vai ter coragem de olhar. Comprei de um fotógrafo da polícia” (Almada, 2018, p. 76).
Sair do silêncio dos traumas vividos no cotidiano para a fala me faz sentir que estou tentando fazer um sinal de socorro segurando fios eletrizados. Subsisto junto ao constrangimento de mostrar-me atrelada às violências que vivi. Escrevo, mas hesito. Tenho o receio de que, ao compartilhar como fui ferida e expor minhas vulnerabilidades, eu acabe por fixar minha atuação intelectual num rótulo de “mulher agredida”, de pesquisadora vítima de violência patriarcal como se isso fosse tudo
(Prates, 2022, p. 37).
Assim, um aspecto importante atrelado ao gesto ético da obra é o de propor uma rede de causalidade outra, que não tem por objetivo o “esclarecimento”, no sentido moderno-colonial do termo, mas ao contrário, embrenhar-se nas sombras produzidas por essas amarras de fios de alta tensão desencapados. Selva aciona um circuito de afetos, partindo de um tempo que tem como origem a escuta da notícia no rádio, mencionada no início deste texto, sem se ater, no entanto, a recortes cronológicos. Parece interessar-lhe as narrativas, compostas por testemunhos e imagens, esmaecidos ou nunca possibilitados pela política, mídia e justiça, ao longo dos anos. Esse gesto da autora estaria relacionado, no nosso entendimento, à convocação dos afetos que emergiram com os crimes violentos e afetos outros que desencadearam a proposta de refazer as narrativas sobre as garotas mortas a partir de perspectivas que a resgatassem do universo de culpabilização e outros atos violentos após os seus assassinatos.
Afetos, violência e a descida ao cotidiano: matar e morrer
Nunca tive tanto medo e nunca tive tanta coragem como dessa vez, disse.
Selva Almada (2018, p. 79).
Em 2022, 252 mulheres foram vítimas de feminicídio na Argentina, segundo dados da Corte Suprema de Justiça daquele país. Isso equivale a uma mulher morta a cada 36h, média que se mantém relativamente estável nos últimos anos, pese a uma maior visibilização desse tipo de violência e também da existência de mecanismos legais para combatê-lo e tentar evitá-lo. Muitas dessas mortes se deram em contextos de confiança, nos chamados “crimes de proximidade”, em que os principais autores são parte do círculo familiar-afetivo das vítimas. Esse tipo de crime também se repete em outros países do continente. Segundo o Observatorio de Igualdad de Género de América Latina y Caribe as maiores taxas de feminicídio foram registradas em Honduras (4,6 casos por 100.000 mulheres), na República Dominicana (2,7 casos por 100.000 mulheres), em El Salvador (2,4 casos por 100.000 mulheres), na Bolívia (1,8 caso por 100.000 mulheres) e no Brasil (1,7 caso por 100.000 mulheres). Longe de ser um problema dos anos recentes, o assassinato de mulheres em razão de gênero é, infelizmente, um problema histórico e estrutural das nossas sociedades.
Como aponta Rita Segato (2016), há uma verdadeira “guerra contra as mulheres”, sustentada por práticas de violência estruturais e cotidianas, fruto daquilo que se pode nomear como “pedagogias da crueldade”, sintagma cunhado pela antropóloga argentina. O exercício da crueldade nos corpos das mulheres pode ser materializado de modos diversos tanto do ponto de vista da violência física, quanto da violência discursiva ao nomeá-las pejorativamente, muitas vezes com ódio, julgá-las e culpa-las por suas experiências ou minimizar e apagar os seus sofrimentos, desconsiderando o impacto que a violência de gênero provoca na vida ordinária.
Acreditamos que a proposição narrativa de Almada pode funcionar como uma contra-pedagogia da crueldade, ao propor redes de causalidades outras, para além de uma reviolentização das mulheres mortas ali retratadas. O trabalho minucioso e cuidadoso de Almada busca contemplar os corpos violentados e suas agências, de modo a resgatar as experiências e vivências de três mulheres, que ali, no livro, simboliza todas.
Ni Una Menos!!!!!
Milhares de mulheres entoaram o grito, que em português significa “Nenhuma a menos”, no dia 03 de junho de 2015, em uma marcha histórica até o Congresso Nacional da Argentina, em Buenos Aires. O evento motivador imediato do movimento, naquela época, foi o assassinato de Chiara Páez, de 14 anos, morta pelo seu companheiro. No entanto, a marcha dava vazão à revolta por assassinatos incessantes de mulheres, vozes silenciadas e corpos invisibilizados ou hiper expostos ao longo de décadas. A partir daí, o 03 de junho se tornou um marco para o combate ao feminicídio.
Disseram que aqueles ossos eram da Sarita, uma porção de ossos limpos. Pegavam um e me mostravam. Olha: são ossos compridos, de uma mulher alta. De uma caixa, tiraram uma caveira com uns tufos de cabelo no cocuruto. Abriram a mandíbula e me mostraram os dentes obturados. A Sarita tinha umas restaurações, mas eu sei lá, tanto podia ser ela como podia ser outra mulher. Para mim, aquilo que me mostravam não passava de um monte de ossos
(Almada, 2018, p. 97).
O enfrentamento da violência de gênero se apresenta como ação importante em uma problemática social grave, estrutural, que envolve corpos diversos, em condições sociais, políticas, econômicas e culturais diferentes, desnudando um cotidiano do qual se pretende fugir ou pelo menos ofuscar diante da crueldade com que se apresenta. Por outro lado, encarar este cotidiano e trazê-lo à cena, uma vez mais, no livro de Selva e neste texto, constitui-se, com a autora, em escolha de investigação jornalística, e conosco, de investigação científica. “Até que a certa altura meu pai levantou uma das mãos, ameaçando acertar um tapa na minha mãe. Ela, sem pensar duas vezes, cravou um garfo no braço que ele tinha apoiado na mesa. Meu pai nunca mais bancou o valentão” (Almada, 2018, p. 39).
Não seria exagerado pensarmos que o próprio modo de fazer ciência e estar em pesquisa desperta nossos modos de atenção e impacta não somente as temáticas e abordagens escolhidas por cada pessoa pesquisadora, mas um conjunto epistemológico que constela ideias, escolhas científicas e acolhimento da problemática social a partir de visão crítica, reflexões conceituais e sensibilidade. Em especial, quando nos atemos à dimensão afetiva da investigação, indica menos analisar e mais nos colocar em diálogo com o corpus, outras pessoas envolvidas, e conosco mesmo, estando abertos para um mergulho que se faz cotidiano, mas também se constitui em abstração teórico-metodológica, sem separação dicotômica entre as fases da pesquisa e a sua própria escritura, que constitui parte fundamental de todo o processo. Como é possível perceber, buscamos estar aqui em posição dialógica com Selva Almada e outra/os autoras/es que nos acompanham nesta escritura. É deste modo que nos organizamos neste trabalho, em método qualitativo, seguindo, com as nossas próprias iniciativas e tomadas de decisão, os passos de uma organização que convida as pessoas pesquisadoras a se expor, caminhar, refletir e compor o seu próprio método (Moriceau; Soparnot, 2019).
O duplo movimento de afetação impacta a vida de milhares de mulheres e familiares no mundo - matar e morrer simplesmente por ser mulher ou porque a condição de ser mulher é, por si só, uma situação de vulnerabilidade explícita e incontestável: “Eu não sabia que uma mulher podia ser morta pelo simples fato de ser mulher, mas tinha escutado histórias que, com o tempo, fui ligando umas às outras. Casos que não terminavam com a morte da mulher, mas em que ela era objeto da misoginia, do abuso, do desprezo” (Almada, 2018, p. 13).
Esta vulnerabilidade acompanha as pessoas que se identificam com o gênero feminino no passo a passo diário, independentemente da hora do dia, da região por onde circulam, das roupas com as quais se vestem, das partes do corpo que decidem deixar à mostra, apenas para mencionar alguns elementos sempre acionados nas narrativas de feminicídio. Há, obviamente, entre as situações potenciais de vulnerabilidades, indicadores que podem agravá-las, dependendo de fatores que constituem as condições de vida de vítimas e agressores. Estamos falando de suas próprias existências. “Do seu guarda-roupa de menina pobre, escolheu uma regata e uma saia de crepe, enfeitada com um cintinho de couro ajustado em volta da cintura” (Almada, 2018, p. 13).
Se, por um lado, as afirmativas acima talvez nos levem, equivocadamente a pensar em discursos deterministas; por outro lado, não podemos abrir mão de trazê-las, tendo em vista as implicações éticas e políticas necessárias no tratamento, no caso da pesquisa, do que Pessoa (2018) chama de “corpus sensível”, isto é, um conjunto de elementos de investigação científica que despertam, de modo inequívoco, afetações que são fundamentais para a compreensão do “mergulho” do qual as pessoas pesquisadoras precisam, a aproximação, e a abertura para lidar com a sensibilidade necessária sobre temas, sujeitos, eventos cotidianos, entre outros fatores e eventos que emergem durante a jornada da pesquisa científica. O “corpus sensível” não está em distanciamento na investigação; pelo contrário, ele requer que se caminhe e dialogue junto, com engajamento das pessoas pesquisadoras. Os eventos da vida cotidiana nos nutrem de elementos de pesquisa, de modo constante, a exemplo do trabalho do filósofo americano Alphonso Lingis, que aqui nos inspira.
Um astrólogo que chamava a atenção dos visitantes do Deer Park, na Índia, explicava aos presentes as relações entre necessidade, escolha e chance. Naquele momento, Alphonso Lingis se deparou com o pensamento aparentemente simples, porém altamente complexo, sobre como todos os dias esperamos as causalidades que determinam o nosso bem-estar físico ou as condições do meio ambiente, mas uma boa dose de chance, que está relacionada ao nosso nascimento, que envolve vários eventos ao longo da vida como os ensinamentos de uma professora a uma criança, como e por quem nos apaixonamos, se a criança nasce com deficiência ou se morre, se somos acometidos por doenças graves, etc. Muitas vezes, estas relações entre necessidade, escolha e chance vão sendo categorizadas como assunto de menor importância, restrito aos profissionais que atuam como tarólogos, astrólogos e cartomantes, comuns em cidades pequenas localizadas no interior de países latinoamericanos. São também consideradas iniciativas de mulheres ou pessoas místicas que buscam no campo espiritual e na previsão do futuro alguma compreensão para eventos que, em princípio, escapam a alguma explicação racional do presente e do passado, como fizeram alguns parentes de algumas “garotas mortas”, e como o fez a própria autora do livro: “Nunca é tarde. Mas eu acho que no além tudo deve estar junto e enredado, como um novelo de lã. É preciso ter paciência e ir puxando a ponta bem devagar. Você conhece a história de La Huesera, a Mulher dos Ossos?” Almada, 2018, p. 24).
Nas experiências cotidianas, somos lançados a todo tipo de sorte quando nos referimos às afetações nossas e de outras pessoas. A chance é algo imprevisível, incalculável e incompreensível, tanto pode ser uma surpresa, um choque bom ou uma sorte ruim. E o que será não depende de nós, e sim de como o outro corpo com o qual estamos nos relacionando pode reagir. Com Lingis (2018), nos lembramos que nunca somos capazes de saber os afetos e os movimentos dos corpos alheios, isto é, como pensam e como agem. “Mas eles falavam sério. Estava na hora de dar uma lição nessas vadias que sempre tiram o cu da reta. Eles também foram embora antes de o baile terminar. E ficaram esperando por ela num terreno baldio, ao lado da sua casa. Fatalmente a moça ia passar por ali” (Almada, 2018, p. 14).
Para Lingis, as interações entre os corpos se dão também a partir da confiança que estabelecemos com uns e não com outros, o que pode impactar os eventos ordinários e extraordinários na vida, como no dia em que Selva e uma amiga, que sempre pegavam carona porque não tinham dinheiro e desejavam viajar para ver os familiares, se depararam com um caminhoneiro que fez inúmeras investidas, em discursos e em toques na pele de uma delas, enquanto dirigia o carro pela rodovia. As duas moças enfrentaram uma situação delicada, tentaram interagir com calma e discrição e contaram com a sorte para que o desfecho, apesar do pavor, não foi pior: “Descemos e caminhamos até a parada do ônibus. O carro alaranjado arrancou e se foi. Quando ficamos sozinhas, jogamos as mochilas no chão, nos abraçamos e desatamos a chorar” (Almada, 2018, p. 24).
Se para a pesquisa o “corpus sensível” demanda o engajamento ético e político da pessoa pesquisadora, podemos, por analogia, pensar na atividade jornalística, cujo movimento e o mergulho no cotidiano e nas narrativas dos envolvidos para abordagem de determinados temas e/ou eventos pode vir a tornar-se, como no caso de um trabalho detalhado e cuidadoso como o livro reportagem de Selva, uma incursão sensível no cotidiano de outras vidas. Na centralidade desta incursão, está, paradoxalmente, a vida associada à morte de corpos, e vice-versa, que foram insensivelmente violados, cuja energia vital foi ceifada: “Rosa olhando-o fixo, ainda sem entender. Demorando para morrer. Ele em cima dela, enterrando a faca repetidas vezes. Ela embaixo dele como na cama da pensão. Ele todo manchado de sangue” (Almada, 2018, p. 70).
Um cotidiano bruscamente interrompido e do qual muitas pessoas desejam se distanciar, ora para evitar problemas, ora para lidar com a dor, ora para aprender a ser e a ter luto, ora para preservar os corpos que aqui não mais estão e sem os quais os tempos e as narrativas não necessariamente dão conta de reconstitui-los ou de fazer jus às vítimas.
Entre o soprar do vento e a ameaça dos sons
O vento norte esfregava entre si as folhas ásperas dos pés de milho, fazia vibrar os talos maduros, tirando um som ameaçador que, apurando o ouvido, também podia ser a música de uma pequena vitória.
Selva Almada (2018, p. 79).
O diálogo que estabelecemos com Selva Almada e suas Garotas Mortas, por meio de outros autores e também da nossa própria leitura, tem como objetivo ressaltar os aspectos poéticos da autora, que operam em um estado de contraposição às narrativas jornalísticas sobre feminicídio. Importante ressaltar que o gesto poético de narrar não significa romantizado. Pelo contrário, como afirma Carvalho (2019), emergem “fios de alta tensão desencapados”. Os acontecimentos violentos vão sendo chamados à cena, por meio de um mergulho, um assumir-se se aproximar e, por que não dizer, com Veena Das, se propor a descer ao cotidiano. Nestas escrituras, que apresentam aspectos temporais típicos encontrados comumente em narrativas diversas, incluindo as jornalísticas, vão se constituindo dinâmicas corporais, em um “continuum de violência”. São corpos violados, que no tempo da narrativa já estão mortos, mas seguem vivos afetando e provocando uma agência própria, por meio do gesto ético da autora, estabelecendo as relações de cobrança da identificação e responsabilização dos agressores.
A escritura de Selva Almada foi articulada na nossa escritura com movimento de dupla afetação, apenas para nos ater aos nossos próprios limites e aos limites do que aqui conseguimos abordar. A primeira delas é respeitar o movimento de afetação da própria autora, que foi tocada pelo senso de urgência de colocar o próprio corpo em uma conversa incessante com os corpos que já partiram e com os demais que ela foi encontrando pelo caminho em busca de informações sobre os assassinatos. A segunda reside no resgate de fragmentos que promovem a articulação da memória de outros, das vítimas e da própria autora, entre as narrativas, as temporalidades e os corpos.
O impacto que a notícia do rádio sobre o primeiro assassinato de uma jovem despertou a atenção de Selva, simbolicamente no dia do nascimento dos filhotes de sua gata, está centrado em outro movimento de dupla afetação: de vida e de morte. As citações literais retiradas do livro Garotas Mortas, que compõem o corpo desse nosso pensar, ancoram, para além de constituir uma retórica da morte, uma espécie de guia, com discursos da escritora, testemunhas e suspeitos, em direção aos corpos mortos, mas presentes na vida de Almada.
Por meio das citações, a partir das quais somos capazes de colocar o nosso corpo em proximidade com cenas dos crimes, personalidades e estilos das vítimas, relações familiares, entre outros elementos, vamos compondo uma rede conceitual e de informações que emergem a partir da experiência da própria autora ao lidar com a série de assassinatos e das vítimas, com limites, que foram compostos pelos discursos e narrativas de outros. A presença das vítimas se fez, de modo tão efetivo na vida da autora, que exigiu dela abertura para libertá-las e seguir, assim como no dia em que ela e a tia foram ameaçadas em um milharal isolado na fazenda. Depois da reação para se livrar do agressor, “Seguimos caminhando, mais apertadas uma contra outra, os braços pegajosos por causa do calor” (Almada, 2018, p. 144).
Agradecimentos
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
-
Sistema duplo cego
-
Como citar:
PESSOA, S. C . e JÁCOME, P. P. Temporalidades, corpos e afetos nas configurações narrativas de garotas mortas . São Paulo: INTERCOM - Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, v. 49(2026). e2026102. https://doi.org/10.1590/1809-58442026102pt.
-
Finaciamento:
CNPq
-
A REVISTA INTERCOM incentiva o compartilhamento de dados mas, por observância a ditames éticos, não demanda a divulgação de qualquer meio de identificação de sujeitos de pesquisa, preservando a privacidade dos sujeitos de pesquisa. A prática de open data é viabilizar a reproducibilidade de resultados, e assegurar a irrestrita transparência dos resultados da pesquisa publicada, sem que seja demandada a identidade de sujeitos de pesquisa.
-
Linguagem inclusiva:
Os autores usam linguagem inclusiva que reconhece a diversidade, demonstra respeito por todas as pessoas, é sensível a diferenças e promove oportunidades iguais.
-
Verificação de plágio:
A Revista Intercom submete todos os documentos aprovados para a publicação à verificação de plágio, mediante o uso de ferramenta específica.
Disponibilidade dos Dados:
Todos os dados que deram base ao presente artigo encontram-se no corpo do texto.
Referências
- ALMADA, Selva. Garotas mortas Trad. Sérgio Molina. São Paulo: Todavia, 2018.
- CALDEIRA, Bárbara Lopes. Entre assassinatos em série e uma série de assassinatos: o tecer da intriga nas construções narrativas de mulheres mortas e seus agressores nas páginas de dois impressos mineiros. 2017. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) — Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Orientador: Elton Antunes.
-
CARVALHO, Carlos. A. É possível Tecer Fios De Alta tensão Desencapados? Comunicação, Jornalismo E Acontecimentos Sociais Que Envolvem Violência. Intexto, Porto Alegre,n. 45, p. 35-54, 2019. DOI:10.19132/1807-858320190.35-54. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/view/81806 Acesso em: 20, julho, 2023.
» https://doi.org/10.19132/1807-858320190.35-54» https://seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/view/81806 - DAS, Veena. Vida e Palavras: a Violência e sua descida ao ordinário. São Paulo: Editora da Unifesp, 2020.
- JÁCOME, Phellipy Pereira. Narrativas, direito ao tempo e vulnerabilidades. In: MIRANDA, Cynthia Mara; SOUSA, Maíra Evangelista de; CARVALHO, Carlos Alberto de; LAGE, Leandro Rodrigues. (Org.). Vulnerabilidades, Narrativas e Identidades 1. ed. Belo Horizonte: Selo PPGCOM/UFMG, 2020. p. 91-108.
- LEAL, Bruno; CARVALHO, Carlos A.; ANTUNES, Elton. Um problema cotidiano: jornalismo e violência contra mulher no Brasil. Belo Horizonte: Selo PPGCOM/UFMG, 2020.
- LINGIS, Alphonso. The Alphonso Lingis reader. Edited by Tom Sparrow. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2018.
- MORICEAU, Jena-Luc; SOPARNOT, Richard. S'exposer, cheminer, réfléchir: Composer sa méthode qualitative. In: MORICEAU, Jena-Luc; SOPARNOT, Richard (coord.). Recherche qualitative en sciences sociales: S'exposer, cheminer, réfléchir: Composer sa méthode qualitative. Caen: Éditions EMS Management & Societé, 2019. p. 9-23.
- PESSOA, Sônia Caldas. Imaginários sociodiscursivos sobre a deficiência: experiências e partilhas. 1. ed. Belo Horizonte: Selo PPGCOM/UFMG, 2018. v. 1.
- PESSOA, Sônia Caldas. Goffman: a fala sutil entre a fala cotidiana e a locução no rádio. In: MEDITSCH, Eduardo; ZUCULOTO, Valci. (Org.). Teorias do Rádio Volume II 1. ed. Florianópolis: Insular, 2008. v. 2. p. 327-335.
-
PESSOA, SÔNIA CALDAS; MANTOVANI, C. M. C. A.; SALGUEIRO, A. C. M. Mundo Corporativo no rádio: gênero e cultura da confiança. RADIOFONIAS REVISTA DE ESTUDOS EM MÍDIA SONORA, Mariana, v. 13, n, 1, p. 128-144, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufop.br/radiofonias/article/view/6364/5039 Acesso em: 01, junho, 2023.
» https://periodicos.ufop.br/radiofonias/article/view/6364/5039 - PRATES, Patricia. Grafias da vida entre o dano e a cura: o reconhecimento da violência e as potências do dizer-se nas mídias sociais. 2022. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) — Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022. Orientador/a: Sônia Caldas Pessoa.
- RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa (Tomo 1). Campinas: Papirus, 1994.
- SAFATLE, Vladimir Pinheiro. O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.
- SANTOS. Cecília Pinto. (Re)existir aos enquadramentos do feminicídio: caminhos afetivos no dar a ver o fenômeno e suas vítimas. 2022. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) — Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022. Orientadora: Camila Maciel Campolina Alves Mantovani.
- SEGATO, Rita. La guerra contra las mujeres. Madrid: Traficantes de Sueños, 2016
- SPINOZA, Benedictus de. Ethica/Ética Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
- STEWART, Kathleen. Ordinary Affects Carolina do Norte: Duke University Press, 2007.
Editado por
-
Editoras Chefes:
Dra. Marialva BarbosaUniversidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJDra. Sonia Virginia MoreiraUniversidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ
-
Editores Executivos:
Dr. Jorge C. Felz FerreiraUniversidade Federal de Juiz de Fora, UFJFDra. Ana Paula Goulart de AndradeUniv. Federal Rural do Rio de Janeiro, UFRRJ
-
Editor Associado:
Dr. Sandro Torres de AzevedoUniversidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ
-
Editores Responsáveis pelo processo de recepção, desk review e avaliação:
Ana Paula Goulart de Andrade (UFRRJ) and Jorge Carlos Felz Ferreira (UFJF)
