Este artigo analisa a Rota de Integração Latino-Americana (Rila) como trajeto cultural e semiótico, para além de sua função logística, destacando os signos culturais e transculturais que marcam sua promoção turística – paisagens, patrimônios e símbolos nacionais. O objetivo é discutir as potencialidades do turismo literário como vetor de integração regional, evidenciando as tensões entre integração e preservação identitária, bem como entre turismo de consumo e turismo de experiência. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de base bibliográfica e documental, ancorada na análise semiótica-discursiva de autores e obras representativas do Brasil, do Paraguai, da Argentina e do Chile, como Manoel de Barros, Hélio Serejo, Raquel Naveira, Augusto Roa Bastos, Josefina Plá, Elvio Romero, Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Florencia Bonelli, Pablo Neruda, Gabriela Mistral e Isabel Allende. A fundamentação teórica se apoia na Semiótica da Cultura da Escola de Tártu-Moscou (Lotman, 1996; 1998; 1999), articulada às epistemologias críticas de vanguarda (Haidar, 2003; 2005; 2019; 2022; 2023) e aos estudos de turismo cultural e literário (Andrade, 1992; Barretto, 2001; Quinteiro; Baleiro, 2017; Naveira, 2024; Roiphe, 2024). Os resultados indicam convergências temáticas que permitem a construção de roteiros literários transnacionais – como natureza e poesia, fronteira e memória, literatura urbana e vozes femininas – que ressignificam territórios em chave cultural. Conclui-se que a Rila se configura como espaço semiótico fronteiriço, no qual a tradução cultural e transcultural potencializa narrativas de integração latino-americana, abrindo caminho para práticas de turismo literário inovadoras, sustentáveis e inclusivas.
Palavras-chave
Rota de Integração Latino-Americana; turismo literário; semiótica da cultura; transculturalidade; integração regional