Resumo
O objetivo deste artigo é analisar o fluxo de turistas de Campo Grande (MS) a partir de uma proposta metodológica. Cabe destacar que a capital de Mato Grosso do Sul é a maior cidade inserida na rota bioceânica; apesar de contar com observatórios e instituições, identificaram-se dificuldades para quantificar o fluxo de turistas, devido à incipiente realização da coleta, do tratamento e da análise dos dados. Entende-se que a operacionalização equivocada desses dados pode comprometer o setor de turismo e viagens. Sendo assim, foi realizada uma análise quantitativa por meio de dados secundários fornecidos por diversas fontes. Aplicou-se uma técnica de ponderação para os locais amostrados, ajustando os valores de acordo com o percentual de turistas que desembarcam tanto no aeroporto quanto no terminal rodoviário da cidade. Os resultados mostraram que cada estrato reflete realidades distintas, e os ponderadores permitiram ajustar essas variações, considerando a diversidade dos turistas que chegam ao longo do ano, em diferentes períodos. Portanto, este estudo apresentou uma proposta metodológica para analisar o fluxo de turistas; a compreensão da dinâmica contida no fluxo pode ser estudada para fortalecer a relação entre as cidades e países que compõem a Rota Bioceânica.
Palavras-chave:
fluxo de turistas; Campo Grande (MS); Rota Bioceânica.
Resumen
El objetivo de este artículo es analizar el flujo de turistas en Campo Grande (MS) mediante una propuesta metodológica. Cabe destacar que la capital de Mato Grosso do Sul es la ciudad más grande incluida en la Ruta Bioceánica. A pesar de contar con observatorios e instituciones, se identificaron dificultades para cuantificar el flujo de turistas debido a la realización incipiente de la recolección, el tratamiento y el análisis de los datos. Se entiende que la operacionalización incorrecta de estos datos puede comprometer el sector de turismo y viajes. Por lo tanto, se realizó un análisis cuantitativo con datos secundarios provenientes de diversas fuentes. Se aplicó una técnica de ponderación a los lugares muestreados, ajustando los valores según el porcentaje de turistas que llegan tanto por el aeropuerto como por la terminal terrestre de la ciudad. Los resultados mostraron que cada estrato refleja realidades distintas y los ponderadores permitieron ajustar esas variaciones, considerando la diversidad de turistas que llegan a lo largo del año y en diferentes periodos. En consecuencia, este estudio presentó una propuesta metodológica para analizar el flujo de turistas; la comprensión de la dinámica contenida en dicho flujo puede estudiarse para fortalecer la relación entre las ciudades y los países que conforman la Ruta Bioceánica.
Palabras clave:
flujo de turistas; Campo Grande (MS); Ruta Bioceánica.
Abstract
The objective of this article is to analyze the flow of tourists in Campo Grande (MS) based on a methodological proposal. It is worth noting that the capital of Mato Grosso do Sul is the largest city included in the bioceanic route. Despite the presence of observatories and institutions, difficulties were identified in quantifying tourist flow due to the incipient collection, processing, and analysis of data. It is understood that the incorrect handling of this data could compromise the tourism and travel sector. Therefore, a quantitative analysis was conducted using secondary data provided by various sources. A weighting technique was applied to the sampled locations, adjusting the values based on the percentages of tourists arriving at the airport and the city's bus terminal. The results showed that each stratum reflects distinct realities, and the weighting factors allowed for adjustments to these variations, considering the diversity of tourists arriving throughout the year in different periods. Thus, this study presented a methodological proposal to analyze tourist flow, and understanding the dynamics within the flow can be used to strengthen the relationship between the cities and countries that constitute the Bioceanic Route.
Keywords:
tourist flow; Campo Grande (MS); Bioceanic Route.
1 INTRODUÇÃO
Atualmente, a atividade turística é um setor relevante, formado por múltiplos agentes, que podem se unir para gerar múltiplos benefícios à economia e à sociedade de uma nação, por meio da promoção da inclusão social e da criação de oportunidades de emprego e renda. O turismo é um segmento fundamental para a economia, pois atrai visitantes que consomem diversos produtos e serviços em um local. Essa dinâmica impulsiona a produção e o consumo, gerando impactos socioeconômicos, os quais podem ser convertidos em benefícios sociais, atingindo milhões de pessoas (Ignarra, 2020).
Considerando a grande dimensão do setor turístico e a multiplicidade de atores sociais e econômicos que compõem sua cadeia, torna-se necessária a aplicação de técnicas e abordagens quantitativas para estudar o turismo. O emprego de técnicas de natureza quantitativa permite analisar o fluxo turístico, estabelecer padrões e tendências e avaliar os impactos econômicos, sociais e ambientais resultantes da atividade turística em determinado local (Buckley, 1987; Viegas, 1997).
Do ponto de vista teórico, a dinâmica dos fluxos turísticos carece de estudos e discussões aprofundadas. Essa lacuna pode ser observada no Brasil, no Paraguai, na Argentina e no Chile, os quatro países que integram o Corredor Bioceânico -- também conhecido turisticamente como Rota Bioceânica --, um eixo de integração rodoviária e turística entre os países (Constantino et al., 2019). Na literatura, autores como Liu et al. (2014), Santos (2004) e Tu (2020) afirmam que o desenvolvimento do setor de turismo e viagens necessita de estudos que explorem os fatores que influenciam ou motivam os fluxos turísticos para determinado local ou região. Em síntese, os dados estatísticos podem ser utilizados para entender a dinâmica presente na chegada e saída de turistas em um destino.
A realidade da falta de dados quantitativos e a dificuldade das secretarias de turismo para processar e analisar os dados sobre o fluxo de turistas estão presentes em diversas cidades que compõem o Corredor Bioceânico. Para isso, é necessário um esforço coordenado entre as fundações de turismo e os observatórios dos países envolvidos na rota, para aprimorar os processos de coleta, análise e descrição de dados, bem como para mensurar corretamente o fluxo de turistas e seus impactos econômicos e sociais (Lunas; Melo; Lunas, 2019).
O percurso desse Corredor se estende por várias cidades, tendo Campo Grande (MS), Brasil, como o ponto de partida e os portos do norte do Chile como destino (Asato; Gonçalvez; Wilke, 2019). Campo Grande é a maior cidade do corredor e a capital de Mato Grosso do Sul, e essas condições favoreceram o estabelecimento da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), uma instituição pública que atualmente é responsável por mensurar o fluxo turístico na cidade.
A materialização do Corredor Bioceânico viabilizará a construção de pontes, rodovias e conexões, as quais vão impactar diretamente no fluxo de turistas a Campo Grande, e, consequentemente, ocorrerá um aumento significativo na demanda turística em cidades que englobam o percurso do Corredor (Asato et al., 2019; Lunas; Melo; Lunas, 2019).
Os dados publicados pela Fundtur em parceria com outras instituições e observatórios revelaram que, para 2018, foram realizados 1,5 milhões de embarques e desembarques na capital, um número expressivo, visto que Campo Grande é classificada como um destino indutor de turismo ou ponto de passagem, porque muitos turistas e viajantes utilizam a cidade como ponto de partida para se deslocar a outros destinos turísticos no estado de Mato Grosso do Sul, seja por aeroportos, seja rodovias (Brasil, 2015; Observatório do Turismo de Mato Grosso do Sul, 2019).
Diante do exposto, identificou-se que, apesar do esforço das instituições e observatórios responsáveis pela coleta, análise e descrição de dados nos extratos do aeroporto e do terminal rodoviário da cidade de Campo Grande, até 2019, os procedimentos utilizados para mensurar e avaliar o fluxo de turistas ainda se encontravam em estágio embrionário.
Uma consequência direta dos equívocos na operacionalização desses dados é o surgimento de problemas, como inconsistências na descrição do perfil do turista e uma compreensão superficial do fluxo de turistas. Portanto, a questão que se coloca nesta pesquisa é: como analisar o fluxo de turistas na cidade de Campo Grande, considerando as vias aéreas e rodoviárias?
Em síntese, este estudo tem como objetivo analisar o fluxo de turistas de Campo Grande, a partir de uma proposta metodológica. É um estudo de abordagem quantitativa e de natureza exploratória e descritiva. Os dados de entrada e saída de passageiros pelas vias aéreas e rodoviárias foram obtidos por meio de bancos de dados fornecidos por diversas fontes: Secretaria de Turismo e Cultura de Campo Grande (Sectur), Fundtur, Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e a pesquisa de Pires (2018).
Para a análise e a operacionalização dos dados, utilizou-se o método de ponderação, o qual atribui pesos aos diferentes estratos (aeroporto e terminal rodoviário). A partir desses ajustes, os dados foram analisados no Microsoft Excel 2010, que calculou o fluxo de turistas ponderado e permitiu explorar outras questões relacionadas ao deslocamento de turistas para a capital sul-mato-grossense.
2 DETERMINANTES DO FLUXO TURÍSTICO
No contexto atual, a busca por lazer, o aumento da renda e do tempo livre e o desejo das pessoas de viajar e conhecer lugares novos podem ser considerados fatores determinantes que estimulam a demanda turística (Beni, 2019). Esses elementos, aliados ao desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação e às reduções no custo de deslocamento, permitiram um aumento significativo na emissão e na recepção de turistas nas regiões mais distantes. A combinação dessas condições impulsionou o aumento do fluxo de turistas no cenário nacional e internacional. O crescimento no número de viagens passou a incluir deslocamentos entre nações, o que contribuiu para o estabelecimento de relações comerciais e ainda pode viabilizar o turismo de negócios (Organização Mundial do Turismo [OMT], 2001).
A OMT (2001) classifica os viajantes em turistas, visitantes de um dia e excursionistas. O turista é o visitante que permanece no local, ao menos, um pernoite fora de seu entorno habitual, induzido por diversos propósitos. Em contrapartida, os indivíduos que não pernoitam no local são denominados excursionistas ou visitantes de um dia. É importante ressaltar que os conceitos de viagens, turismo e recreação estão diretamente ligados.
O turismo, como uma atividade econômica, é composto por uma rede de bens e serviços, a qual abrange desde a hospedagem e alimentação até transporte e atrações turísticas. Todas as atividades do setor turístico são baseadas em recursos naturais e culturais. Essas atividades não só impulsionam a economia local, mas também influenciam diretamente o fluxo de turistas (Beni, 2019).
O desenvolvimento adequado da infraestrutura turística pode potencializar a capacidade de uma região de atrair e acomodar um contingente maior de visitantes (Beni, 2019). No entanto, a ausência de um planejamento eficaz ou a ocorrência de impactos negativos pode prejudicar significativamente o fluxo turístico a determinado local ou região. Essa problemática sugere que é indispensável compreender a dinâmica do fluxo de turistas para atender às necessidades dos visitantes e desenvolver o turismo de maneira sustentável (OMT, 2001).
Oppermann (1995) define “itinerário de viagem” como padrões de viagem e fluxos turísticos. Segundo o autor, o movimento de turistas se baseia em dois elementos: 1) a movimentação entre locais distintos e 2) a permanência de turistas nesses locais. Os componentes destacados podem ser considerados dinâmicos e estáticos, característicos do fluxo turístico. Pearce (1987) propõe que a circulação de turistas é um componente imutável, e para compreender o fluxo turístico, três aspectos precisam ser considerados: 1) pontos de entrada e saída; 2) lugares visitados; e 3) rotas seguidas. Wu e Carson (2008) sintetizam essa ideia, relatando que o movimento de turistas envolve três elementos básicos: a direção (a configuração estática origem-destino), o padrão (a conectividade dinâmica) e a intensidade do movimento (volume e frequência).
Degen (2014) descreve que o conceito de fluxo turístico é proveniente da geografia do turismo e consiste em examinar as características espaciais de um ponto geográfico. É um ponto essencial para o sistema turístico e retrata os padrões das viagens dentro de uma região. A classificação de Beni (2019) sugere que o fluxo de turistas é um movimento migratório em que os viajantes se deslocam de um ponto geográfico emissor para outro ponto receptor.
Em síntese, o turismo, a partir do paradigma do fluxo turístico, pode ser determinado de várias maneiras, dentre as quais destacam-se: a) turismo emissivo - determinado pelo fluxo de saída de turistas que habitam determinado local; e b) turismo receptivo - representado pelo fluxo de entradas de turistas em uma localidade, o qual pode corresponder ao destino turístico. Além disso, Oppermann (1995) aponta que o fluxo turístico pode ser abordado a partir de duas categorias, as quais são formadas por destinos únicos ou múltiplos.
3 DINÂMICA DO FLUXO TURÍSTICO E VIAGENS MULTIDESTINO
Muitos estudos abordam a perspectiva do itinerário de viagens turísticas de maneira fragmentada, ou seja, concentrando-se apenas em um destino turístico. Porém, muitas pesquisas evidenciaram que turistas, ao viajarem, optam por visitar mais de um destino (Mings; Mchugh, 1992; Oppermann, 1995). Mesmo que o fenômeno das viagens multidestino ocorra com frequência, ainda é uma área de pesquisa pouco explorada, e a escassez de estudos afeta o desenvolvimento de estratégias de marketing adequadas para os pontos turísticos configurados como multidestino (Tideswell; Faulkner, 1999).
A abordagem dos fluxos de turistas multidestinação sugere que o visitante, ao explorar um país ou região, busca mais de um destino turístico para ampliar sua experiência. Desta forma, o viajante procura maximizar os benefícios da viagem, visitando um local diferente que pode oferecer outros atrativos turísticos (Mings; Mchugh 1992; Oppermann 1995; Tideswell; Faulkner, 1999). Para compreender a dinâmica presente em fluxos turísticos multidestinação, foi elaborado o Quadro 1, o qual apresenta os cinco fatores básicos que estimulam ou mesmo estão relacionados ao turismo multidestinação.
A dinâmica da viagem multidestinação pode ser muito vantajosa, facilitada em maior grau pelas configurações espaciais, pela mobilidade e pela infraestrutura adequadas. Esses fatores permitem aos turistas ampliarem sua viagem, combinando múltiplos destinos em um único itinerário, visto que aumentam a atratividade das regiões visitadas e diversificam as experiências turísticas (Lue; Crompton; Fesenmaier, 1993; Tideswell; Faulkner, 1999; Wu; Carson, 2008; Yang; Fik; Zhang, 2013).
Foi evidenciado que poucos estudos abordam o fluxo turístico sob a perspectiva de que os locais mais desenvolvidos são utilizados como vetores de deslocamento, para que os turistas se direcionem a pontos turísticos próximos. Sob a perspectiva dos vetores de deslocamento, a cidade de Campo Grande pode ser considerada um ponto intermediário ou porta de entrada para destinos turísticos do estado, como o Pantanal e a Serra da Bodoquena.
Apesar de sua importância na recepção desses turistas, a cidade é historicamente vista como um ponto de passagem ou destino intermediário para os interessados em ecoturismo. Essa posição é atribuída à sua localização geográfica, que a coloca no trajeto de outros municípios turísticos do estado. Assim, Campo Grande desempenha um papel de suporte devido à sua infraestrutura, que inclui hospedagem, alimentação, transporte e comércio, tornando-a um destino intermediário para os turistas (Arruda; Mariani; Caleman, 2014).
A literatura sobre viagens multidestinos revela que esse modelo pode beneficiar tanto os turistas quanto os pontos turísticos estruturados dessa forma (Beaman; Jeng; Fesenmaier, 1997; Tideswell; Faulkner, 1999; Tideswell, 2003). Considerando as discussões em torno dessa questão, identificou-se a necessidade de estudar a dinâmica do fluxo turístico sob o prisma das viagens multidestino.
Nesse sentido, compreender as interações presentes em viagens multidestinos permite a criação de estratégias de marketing para pontos turísticos, especialmente em cidades mais desenvolvidas, que funcionam como vetores de deslocamento para outras regiões. A partir dessas informações, é possível otimizar o processo de chegada e de saída dos turistas.
4 MENSURAÇÃO E ANÁLISE DO FLUXO TURÍSTICO
A complexidade e a dinâmica envolvidas no fluxo turístico indicam a necessidade de utilizar procedimentos para prever a demanda turística e quantificar o número de turistas. O emprego dessas técnicas possibilita análises de composição econômica do turismo, a promoção do destino turístico, a compreensão da demanda turística e as mudanças de mercado (Liu et al., 2014). Em geral, a análise de fluxos de visitantes fornece informações sobre a origem dos viajantes (os mercados emissores e as tendências), o destino (por meio do pernoite em cada local, pode-se identificar se é um ou múltiplos destinos), a duração da viagem (por meio dessa observação, pode-se identificar a quantidade de dinheiro gasto pelo visitante), a distância entre os núcleos emissores e receptores e o meio de transporte utilizado.
No que diz respeito à mensuração e à análise do fluxo de entrada e saída de turistas, o poder público tem desempenhado um papel essencial, visto que sua atuação permite a coleta, o processamento e a divulgação de informações, as quais podem orientar as decisões estratégicas do setor de turismo e viagens, bem como resultar em melhorias na infraestrutura em um ponto receptor. Além disso, os estudos desses fluxos podem promover investimentos em saúde e segurança pública. Assim sendo, o poder público trabalha com técnicas e procedimentos estatísticos para medir o fluxo de turistas, acompanhar o movimento dos viajantes e compreender o comportamento mercadológico do turismo em um núcleo receptor (Ignarra, 2020; Floriani, 2007).
A mensuração dos fluxos turísticos, baseada em técnicas estatísticas, fornece ao setor turístico dados quantitativos sobre a demanda e o perfil do viajante. Esses dados, que envolvem variáveis ligadas à satisfação do consumidor, também facilitam pesquisas e o envolvimento da comunidade acadêmica. Isso possibilita a criação de planos para o desenvolvimento do turismo e a resolução de problemas comuns em pontos receptivos. Por fim, contribui para a maximização dos resultados e para o aprimoramento do serviço turístico (Coelho; Ferreira; Cavalcanti, 2009).
Coelho, Ferreira e Cavalcanti (2009) afirmam que, em algumas localidades, as informações sobre os fluxos turísticos são insuficientes e incompletas. Isso cria barreiras para a formulação de políticas públicas, o planejamento e a eficiência do setor. Entretanto, a aplicação de modelos matemáticos no estudo dos fluxos turísticos fornece uma metodologia consistente para preencher as lacunas encontradas em trabalhos que envolvem o turismo, estudos quantitativos e técnicas estatísticas. Estudos dessa natureza facilitam a compreensão do fluxo de turistas, considerando que fornecem um diagnóstico geral do fluxo a um destino turístico. Por meio dessa avaliação, pode-se criar políticas para melhorar as condições estruturais de um ponto receptivo.
Em resumo, as análises e discussões teóricas exploradas por diversos teóricos da área evidenciam que há estudos e pesquisas realizados em diferentes nações, desde a década de 1980 até os dias atuais, que se dedicam à temática da mensuração do fluxo de turistas, conforme destacado por autores como Opperman (1992), Tideswell e Faulkner (1999), Wu e Carson (2008) e Yang, Fik e Zhang (2013).
Na contramão do cenário internacional, identificou-se que o controle e o monitoramento do fluxo de turistas em Campo Grande foram estabelecidos em 2017 pelos órgãos governamentais de turismo locais. No entanto, a coleta e a divulgação das informações ainda ocorrem de maneira incipiente. Além disso, poucos estudos científicos e trabalhos acadêmicos têm debatido o tema do fluxo de turistas no estado. Os aspectos destacados indicam que a cidade de Campo Grande e o estado de Mato Grosso do Sul podem enfrentar dificuldades na formulação de políticas públicas e de estratégias de gestão para atender às demandas do setor de turismo e viagens (Campo Grande, 2017).
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para desenvolver este estudo, foram utilizados dados secundários fornecidos por diversas fontes, como a Infraero, a Fundtur, a Sectur e a pesquisa de Pires (2018). Esses dados representam a população de interesse: visitantes que entram e saem da cidade por vias aéreas e rodoviárias. Os dados obtidos são constituídos por amostras aleatórias, que apresentam um erro de estimativa de 5% e uma confiabilidade de 95%.
Neste estudo, foram utilizados os dados brutos de fluxo turístico fornecidos pela Sectur de Campo Grande, compreendendo o período de maio a dezembro de 2018, para confrontar as publicações oficiais do seu respectivo observatório. Essa abordagem permitiu identificar que a metodologia da secretaria para mensurar o fluxo de visitantes necessitava de ajustes para oferecer um retrato mais fiel da realidade. Os dados reunidos incluem informações importantes sobre o fluxo de entrada e de saída de turistas, segmentado em diferentes estratos.
Para o cálculo da proporção de turistas que desembarcam no aeroporto de Campo Grande, foi utilizado um levantamento da Fundtur. Entende-se que a instituição iniciou a coleta mensal desses dados em janeiro de 2018, porém, a medição neste local foi descontinuada em março de 2020, conforme verificado na Alumia, a plataforma de Power BI da fundação. Vale destacar que o critério adotado pela instituição para classificar um passageiro como turista se baseia em sua procedência, contabilizando como turistas apenas os indivíduos provenientes de outros estados. Para mensurar esse fluxo, a fundação abordava os passageiros no desembarque, baseando-se em uma amostra de tamanho variável (n) que muda a cada mês e que possui um erro de estimativa (Ԑ), o qual é dependente do número de abordagens realizadas.
No terminal rodoviário, o processo de quantificação do fluxo de turistas, realizado pela Fundtur, esteve ativo de outubro de 2018 a março de 2020. Porém, os valores atribuídos pela fundação divergem dos apurados neste estudo, porque seu critério considera como turista apenas o passageiro proveniente de outros estados, desconsiderando que o terminal rodoviário da cidade recebe um grande volume de visitantes que residem no interior e se deslocam para a capital.
Diante dessas limitações, vale enfatizar que as estimativas oficiais das instituições estaduais e municipais para o período de 2018 careciam de precisão estatística para determinar o número real de turistas no terminal rodoviário. Considerando essa questão, foi desenvolvida uma proposta metodológica para contornar o problema, recorrendo a uma estimativa não oficial estabelecida na pesquisa de Pires (2018). O estudo, realizado em dezembro de 2018, forneceu coeficientes de proporção de turistas em relação ao fluxo total de passageiros nos terminais, sendo: 0,548 (aeroporto) e 0,662 (terminal rodoviário).
A partir dos coeficientes obtidos pela estimativa de Pires (2018), calculou-se a razão entre a proporção de turistas no aeroporto e no terminal rodoviário, resultando em 0,83. Essa razão foi considerada adequada para estimar o percentual de turistas no terminal rodoviário, dado que o quociente das razões calculadas para o número de passageiros que desembarcaram no aeroporto e no terminal rodoviário da cidade, em dezembro, foi o mesmo.
Utilizando a proporção de turistas estimada no aeroporto pela Fundtur e a razão de desembarques de passageiros no aeroporto e no terminal rodoviário, foi possível gerar uma estimativa da proporção de turistas no terminal rodoviário, periodicamente (Tabela 1). Essa abordagem foi aplicada a todos os meses do ano, criando, assim, uma estimativa mensal do fluxo de turistas que desembarcam no terminal rodoviário de Campo Grande.
Com a proporção de turistas definida em ambos os locais, calculou-se a quantidade total de turistas que chegaram à cidade, por estrato e por mês. Esse cálculo foi realizado a partir da multiplicação do percentual estimado de turistas pelo número total de passageiros que desembarcaram em cada local e em cada mês. Como apresentado nas expressões abaixo, a aplicação desses cálculos revelou o número total de turistas que desembarcaram em Campo Grande ao longo de 2018, discriminado por mês e por local de desembarque.
Onde:
NTR = Estimativa de turistas desembarcando no Terminal Rodoviário de Campo Grande (MS)
NR = Total de desembarques no Terminal Rodoviário
pTR = Proporção de turistas no Terminal Rodoviário
NTA= Estimativa de turistas desembarcando no Aeroporto de Campo Grande (MS)
NA= Total de desembarques no Aeroporto
pTA= Proporção de turistas no Aeroporto
Após estimar o fluxo de turistas mensal em cada local, realizou-se a soma para obter o número total de turistas que desembarcaram na cidade ao longo dos meses de 2018, conforme representado pela expressão:
Onde:
NT= Estimativa de turistas desembarcando em Campo Grande (MS)
NTA= Estimativa de turistas desembarcando no Aeroporto de Campo Grande (MS)
NTR= Estimativa de turistas desembarcando no Terminal Rodoviário de Campo Grande (MS)
Para contabilizar as diferenças entre o fluxo de turistas no terminal rodoviário e no aeroporto, utilizou-se a técnica de ponderação de valores. Esta abordagem metodológica atribuiu pesos aos estratos do terminal rodoviário e do aeroporto, que variam de acordo com o local e o mês. A importância da aplicação da ponderação é sustentada pelo ajuste das realidades, as quais marcam a diversidade de turistas que chegam a Campo Grande por período do ano e por estrato. A ponderação fornece um valor fidedigno do fluxo turístico na cidade. Desse modo, a equação aplicada para ponderar os valores das camadas discutidas é representada logo abaixo:
Onde:
PTR= Ponderador de turistas no Terminal Rodoviário
PTA= Ponderador de turistas no Aeroporto
NT= Estimativa de turistas desembarcando em Campo Grande (MS)
NTA= Estimativa de turistas desembarcando no Aeroporto de Campo Grande (MS)
NTR= Estimativa de turistas desembarcando no Terminal Rodoviário de Campo Grande (MS)
O modelo de ponderação proposto neste estudo ajustou as características distintas de cada local de coleta de dados, proporcionando uma análise mais precisa do fluxo turístico em Campo Grande. Essa proposta metodológica foi elaborada porque o observatório da Sectur, ao divulgar seus relatórios, coloca os turistas do terminal rodoviário e do aeroporto em um único grupo e, assim, descreve o perfil do turista da cidade. Identificou-se, no entanto, que cada ponto de desembarque possui particularidades distintas, o que justifica a necessidade de diferenciar os turistas que chegam por esses dois meios.
Dessa forma, a ponderação foi aplicada para oferecer uma visão mais realista e detalhada do fluxo de turistas na cidade. Por fim, com a proposta metodológica estabelecida, os dados foram analisados, por meio de técnicas descritivas de análise (Vergara, 2000), para quantificar o fluxo de turistas, caracterizar seu perfil e, a partir disso, compreender o movimento turístico na região, destacando os padrões de visitação e o potencial da cidade como vetor de deslocamento para outros destinos em Mato Grosso do Sul.
6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O registro da quantidade de passageiros que desembarcam em Campo Grande é feito pela Infraero, no aeroporto, e pela Concessionária do Terminal Rodoviário de Campo Grande (CTRCG). Essas instituições são responsáveis por coletar dados e divulgar informações sobre o fluxo de passageiros na capital sul-mato-grossense. Os dados obtidos por meio das instituições são apresentados na Tabela 2.
Para mensurar o fluxo de turistas que desembarcaram tanto no aeroporto quanto no terminal rodoviário de Campo Grande, foram operacionalizadas as expressões (1) e (2), destacadas nos procedimentos metodológicos, obtendo-se com esse cálculo a quantidade total de turistas que desembarcaram em ambos os terminais. Esse resultado pode ser observado no gráfico da Figura 1, o qual apresenta a estimativa do número de turistas que desembarcaram no terminal rodoviário e no aeroporto ao longo dos meses de 2018.
Os dados apresentados revelam uma diferença significativa no fluxo de turistas entre o terminal rodoviário e o aeroporto. O volume de desembarques no aeroporto foi maior em 2018, com exceção de dezembro, quando foram registrados 65.727 desembarques. Desses, 45.352 correspondem a turistas que chegaram pelo aeroporto. No terminal rodoviário, o total de passageiros desembarcados foi de 77.921, dos quais, considerando a estimativa da proporção de turistas, 63.740 foram turistas.
As estimativas apontam que a proporção de turistas é geralmente maior no aeroporto, porém, em meses como janeiro, fevereiro e abril, a proporção é bastante semelhante nos locais estudados. Observa-se também que a proporção de turistas que chegam ao terminal rodoviário em dezembro é alta em comparação à do aeroporto, com um índice de 0,818. A mudança no fluxo turístico em dezembro, em Campo Grande, deve-se à grande quantidade de turistas provenientes do interior de Mato Grosso do Sul, que chegam principalmente pelo terminal rodoviário para visitar parentes e amigos.
A aplicação da expressão (3) revelou o total de turistas que desembarcaram em Campo Grande em 2018, ou seja, o somatório de turistas que compõem os estratos do aeroporto e do terminal rodoviário. Por fim, aplicaram-se as equações (4) e (5) para ponderar os valores nos estratos do terminal rodoviário e do aeroporto. Os valores ponderados foram usados porque os turistas que chegam de ônibus ou de avião são definidos como turistas de Campo Grande. A compilação de dados pode gerar um valor igual para ambos os estratos. No entanto, cada local de coleta possui características distintas, das quais esta pesquisa visa distinguir o turista que chega ao terminal rodoviário daquele que desembarca no aeroporto. Aplicou-se a ponderação, atribuindo pesos a cada estrato, os quais apresentaram variações de valor de acordo com o mês.
Foi utilizado o banco de dados da Sectur de Campo Grande, aplicando os valores ponderados para variáveis ligadas aos objetivos da pesquisa. Dessa forma, obteve-se o resultado geral ponderado do fluxo turístico mensal em 2018. Para mensurar a região de origem dos fluxos de turistas para Campo Grande, empregaram-se os valores ponderados para cada estrato e mês. Logo abaixo, foi criada a Tabela 3, que apresenta a média dos meses analisados em 2018.
Foi identificado que a maior parte dos fluxos de turistas para Campo Grande é oriunda das regiões Centro-Oeste e Sudeste. Os visitantes do Centro-Oeste são, em sua maioria, representados por turistas do interior do Estado de Mato Grosso do Sul. Em relação à região Sudeste, a maior parte dos turistas vem do estado de São Paulo, o qual é considerado um polo emissor de turismo para Campo Grande (Arruda; Mariani; Caleman, 2014). Compreende-se que a proximidade geográfica do estado de Mato Grosso do Sul com o estado de São Paulo, bem como a facilidade do acesso à cidade de Campo Grande pelo aeroporto, com voos diretos e frequentes, contribuem para esse resultado.
A análise do estrato do terminal rodoviário sugere que uma grande quantidade de turistas que desembarcam no terminal rodoviário de Campo Grande é proveniente do interior do estado, onde o acesso à capital é feito principalmente por rodovias. Apesar disso, observou-se uma presença significativa de turistas da região Sudeste, especialmente do estado de São Paulo, que também utilizam o terminal rodoviário para chegar à cidade.
Em síntese, os resultados revelaram a origem dos fluxos de turistas que se deslocam a Campo Grande: compreende-se que a cidade está localizada no início do corredor Bioceânico, constituindo-se como uma cidade estratégica para a entrada e saída de turistas. Após a conclusão efetiva da obra de infraestrutura viária do Corredor Bioceânico, especialmente com a finalização da ponte entre Porto Murtinho (Brasil) e Carmelo Peralta (Paraguai), a capital sul-mato-grossense terá potencial para aumentar o fluxo de turistas, visto que o corredor proporcionará maior integração entre os países sul-americanos (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile). Desta forma, novas rotas terrestres e rodoviárias serão abertas, interligando Campo Grande a destinos turísticos como o Deserto do Atacama, no Chile, e Salta, na Argentina (Constantino et al., 2019; Asato et al., 2019).
A materialização desta obra propõe a expansão da rede de transportes, agilizando o transporte de cargas e pessoas e, consequentemente, promovendo o turismo na região. O impacto direto do Corredor Bioceânico para Campo Grande será o aumento do fluxo de turistas, que se beneficiarão da integração e da acessibilidade proporcionadas pelas rotas rodoviárias (Constantino et al., 2023).
Vale destacar também que, para a efetividade do setor de turismo e viagens em cidades que compõem o Corredor Bioceânico, será necessária a melhoria da infraestrutura turística e fronteiriça, de modo a garantir a livre circulação de pessoas, com a redução de barreiras burocráticas, as quais podem prejudicar a experiência dos turistas (Lunas; Melo; Lunas, 2019). No que diz respeito aos motivos que induzem os fluxos de turistas para Campo Grande, foi elaborada a Tabela 4, na qual pode ser observada a distribuição do percentual médio por local para o ano de 2018.
Os resultados sugerem que a maioria dos turistas que se deslocam a Campo Grande é motivada pelo lazer. Esse resultado diverge dos estudos do Ministério do Turismo (MTur, 2015) e da Fundtur (2017), os quais indicam que o turismo de negócios é o principal motivo de viagem de turistas. Essa discrepância com os dados da Fundtur pode ser justificada pelo fato de que, até 2018, a fundação coletava dados dos turistas apenas no aeroporto de Campo Grande. Em relação ao terminal rodoviário, notou-se uma mudança no motivo da viagem. A proporção de turistas que desembarcam no terminal rodoviário é maior entre aqueles que visitam parentes e amigos ou buscam lazer.
Ao confrontar os resultados obtidos com o boletim informativo da Sectur, pode-se observar uma variação entre os motivos da viagem dos turistas, alternando entre viagens orientadas para negócios e para lazer. Esse resultado reforça a ideia de que muitos turistas usam Campo Grande apenas como ponto de passagem. Ou seja, os turistas interessados em lazer se dirigem à capital e se deslocam para outros destinos turísticos, dentre os quais se destacam a Serra da Bodoquena (Bonito), o Pantanal (Corumbá, Ladário e Miranda) e outros municípios do estado.
No geral, os turistas tendem a permanecer em Campo Grande por um curto período. O valor geral ponderado revelou que a permanência varia de 1,4 a 2,2 dias ao longo do ano. Isso ocorre porque grande parte dos turistas está apenas de passagem, o que reduz o tempo médio de estadia. No entanto, ao excluirmos os turistas de passagem, o tempo médio de permanência aumenta significativamente, variando entre 3,5 e 4,5 dias ao longo do ano, conforme indicado pelo valor geral ponderado.
Os resultados obtidos nessa variável revelam que os turistas permanecem por períodos curtos em Campo Grande. As evidências sugerem que muitos turistas interessados em lazer utilizam a cidade apenas como ponto de passagem. Por outro lado, é importante destacar que a camada dos turistas de negócios é caracterizada por visitantes que permanecem por períodos curtos em um destino (Beni, 2019).
6.1 Vetor deslocamento tendo Campo Grande (MS) como destino e/ou partida
A cidade de Campo Grande é reconhecida como um ponto de destino ou partida na abordagem dos vetores de deslocamento no turismo. Esse pressuposto relaciona o movimento dos turistas de uma origem geográfica a um destino específico (Santos, 2004). O fluxo turístico em Campo Grande, em 2018, atraiu muitos visitantes das regiões Centro-Oeste e Sudeste. Alguns utilizaram a cidade como ponto de partida para explorar destinos como o Pantanal e a Serra da Bodoquena em viagens multidestinos. Essa tendência é influenciada pela infraestrutura e pela mobilidade oferecidas pela capital sul-mato-grossense (Lue; Crompton; Fesenmaier, 1993; Tideswell; Faulkner, 1999; Wu; Carson, 2008; Yang; Fik; Zhang, 2013).
Seguindo essa linha de raciocínio, o fluxo padrão dos turistas que escolhem Campo Grande como ponto de destino e partida evidenciou a preferência por destinos turísticos dentro do estado de Mato Grosso do Sul. Por isso, foi elaborada a Tabela 5, que exibe o percentual de turistas que se dirigem a Campo Grande e, em seguida, deslocam-se para outros locais. Para efeito de representação, os municípios turísticos foram agrupados, evidenciando uma tendência de deslocamento intraestadual entre os visitantes.
Percentual médio dos turistas que desembarcam em Campo Grande e se direcionam para outros destinos no Estado de MS
Os resultados sugerem que uma parte significativa dos turistas desembarca em Campo Grande e, em seguida, dirige-se a destinos turísticos como a Serra da Bodoquena e o Pantanal. Os achados deste estudo estão alinhados com o Plano Municipal de Turismo de Campo Grande (2017), que revela que a cidade assume uma função de apoio, devido à sua infraestrutura, com a oferta de meios de hospedagem, alimentação, transporte e comércio. Portanto, é possível afirmar que a capital de Mato Grosso do Sul é tradicionalmente vista como um ponto de passagem ou um destino intermediário para turistas interessados em ecoturismo (Oppermann, 1992).
É importante destacar que a cidade de Campo Grande pode se tornar um vetor central de deslocamento com a consolidação do Corredor Bioceânico. Além do papel-chave ocupado pela cidade como um centro logístico, existem as potencialidades turísticas que podem ser exploradas no contexto do ecoturismo e da cultura regional. Nota-se que a cidade está em posição de destaque, tanto como ponto de partida quanto como destino, e a construção desse corredor permitirá o acesso a outros destinos turísticos ao longo da rota. Portanto, Campo Grande precisará otimizar suas ofertas turísticas e melhorar suas infraestruturas rodoviária e aérea para atender à demanda potencial de turistas (Lunas; Melo; Lunas, 2019).
A cidade de Campo Grande apresenta um forte vínculo com o turismo ecológico, por conta da proximidade com o Pantanal e com a cidade de Bonito. A viabilização do Corredor Bioceânico fomentará o potencial turístico do Baixo Pantanal, bem como permitirá a expansão das viagens dos turistas que passam pela capital, possibilitando que conheçam o Chaco Paraguaio, a região de Salta, na Argentina, e o Deserto do Atacama, no Chile. Essa questão reforça a necessidade de desenvolver a Rota de Integração, visto que essa articulação poderá beneficiar todos os países que serão interligados (Asato et al., 2019; Constantino et al., 2019).
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo teve como objetivo analisar o fluxo de turistas em Campo Grande a partir de uma proposta metodológica. Sob uma perspectiva teórica, é possível notar que as cidades turísticas podem se beneficiar de abordagens metodológicas de mensuração do movimento turístico. De modo geral, a análise estatística do fluxo de turistas é um procedimento indispensável, pois permite compreender o perfil socioeconômico de visitantes, o tempo de permanência, os motivos de viagem, entre outras variáveis. Entende-se que uma apresentação fidedigna de dados e informações sobre o fluxo turístico permite a construção de estratégias para aprimorar o desempenho do setor de turismo e viagens em uma cidade ou região turística.
A localização estratégica de Campo Grande e o estabelecimento da Rota Bioceânica podem consolidar a cidade como um local determinante para o transporte de mercadorias e para o turismo. A materialização da Rota Bioceânica facilitará o acesso e o deslocamento de pessoas entre os países que a compõem, refletindo em mudanças no padrão do fluxo turístico e, consequentemente, aumentando o volume de turistas que se deslocarão para a capital sul-mato-grossense.
Esta pesquisa revelou que a cidade de Campo Grande, inserida na Rota Bioceânica, enfrenta dificuldades para mensurar o fluxo de turistas, visto que os relatórios mensais divulgados pela Secretaria de Turismo de Campo Grande são inadequados, pois agrupam dados coletados em diferentes locais, como o aeroporto e o terminal rodoviário. A aplicação do valor geral ponderado permitiu discriminar os locais onde os dados são coletados pela Sectur, constatando-se que há um estrato de turistas no aeroporto e outro no terminal rodoviário.
O modelo estatístico de ponderação de valores foi empregado para atribuir pesos aos diferentes estratos da pesquisa, considerando as estimativas feitas tanto no terminal rodoviário quanto no aeroporto. Isso permitiu determinar a contribuição de cada camada para o resultado geral. A relevância dessa abordagem ponderada reside no reconhecimento das especificidades do aeroporto e do terminal rodoviário, bem como na necessidade de considerar essas diferenças ao quantificar o fluxo de turistas. Os resultados mostraram que cada estrato reflete realidades distintas, e os ponderadores permitiram ajustar essas variações, considerando a diversidade dos turistas que chegam a Campo Grande ao longo do ano, em diferentes períodos. Portanto, a aplicação da ponderação em cada local revelou-se mais apropriada para compreender o fluxo turístico na cidade.
Nesse sentido, o ponderador emerge como uma proposta metodológica viável para quantificar e caracterizar o perfil dos turistas em uma cidade ou região. Neste estudo, adotou-se a técnica de ponderação de valores como modelo estatístico, que se apresentou como uma solução promissora para medir o fluxo de turistas em Campo Grande. Esta técnica pode ser aplicada a outras localidades que desejam analisar o movimento turístico. O perfil turístico divulgado pela Sectur influencia a formulação de políticas públicas. Por isso, é pertinente utilizar o modelo de ponderação nos pontos de entrada e de saída de turistas, visto que essa proposta metodológica oferece uma descrição mais precisa dos visitantes na cidade. Isso facilita a elaboração de estratégias de gestão e de políticas públicas específicas para o setor turístico local.
Diante das limitações identificadas neste estudo, destaca-se a abordagem incipiente da Sectur na coleta e análise de dados turísticos em Campo Grande. Essa abordagem pode resultar em dados e informações inconsistentes, o que dificulta a realização de outros estudos relacionados ao turismo na cidade. Outro desafio é a ausência de dados sobre os turistas que chegam de carro próprio à capital de Mato Grosso do Sul, uma vez que as entidades públicas responsáveis pela coleta, como a Sectur e a Fundtur, não realizavam abordagens nas rodovias de acesso, uma lacuna que limita a compreensão abrangente do fluxo turístico na região.
AGRADECIMENTOS
Ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) pela oportunidade e pelo apoio institucional. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (Capes) - Código de Financiamento 001.
Disponibilidade de dados
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
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Editores Avaliadores do artigo:
Debora Fittipaldi Gonçalves e Joelma Arguelho
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Editora-chefe responsável pelo artigo:
Arlinda Cantero Dorsa.


Fonte: Elaborado pelos autores (2019).