Open-access Gênero Microspora (Chlorophyceae) no Estado de São Paulo, Brasil

Genus Microspora (Chlorophyceae) in the State São Paulo, Brazil

RESUMO

(Gênero Microspora (Chlorophyceae) no Estado de São Paulo, Brasil). Levantamento florístico do gênero Microspora (Microsporaceae, Chlorophyceae) no Estado de São Paulo, sudeste do Brasil. Foram identificadas seis espécies com base em sua morfologia celular externa e interna, as quais foram descritas em detalhes e ilustradas. Microspora quadrata ocorreu em cinco municípios, M. stagnorum em quatro, M. floccosa em três e M. abbreviata e M. pachyderma em dois municípios cada uma. A ocorrência de M. lauterbornii foi registrada pela primeira vez no Estado de São Paulo e somente no Município de Bauru.

Palavras-chave:
Algas; Brasil; Chlorophyceae; levantamento florístico; Microspora ; taxonomia

ABSTRACT

(Genus Microspora (Chlorophyceae) in the State São Paulo, Brazil). Floristic survey of genus Microspora (Microsporaceae, Chlorophyceae) in the State São Paulo, southeast Brazil. Six species were identified based on their external and internal cell morphology, described in details, and illustrated. Microspora quadrata occurred in five municipalities, M. stagnorum in four, M. floccosa in three, and M. abbreviata and M. pachyderma in two municipalities each. Microspora lauterbornii was cited for the first time for the State São Paulo, occurring only in the Municipality Bauru.

Keywords:
Algae; Brazil; Chlorophyceae; floristic survey; Microspora ; taxonomy

Introdução

Gênero Microspora

O gênero Microspora Thuret, nom. cons. teve sua origem no gênero coletivo Conferva, a exemplo de outras algas filamentosas de águas continentais. Hazen (1902) comentou que a separação de Microspora foi baseada na forma dos cloroplastídios, no tipo de dispersão dos zoósporos e na constituição peculiar em duas peças da parede celular.

Microspora encontra-se amplamente distribuída pelo globo terrestre. Exceto M. ficulinae P.J.L.Dangeard, que vive simbioticamente no interior de esponjas marinhas, todas as demais espécies são dulcícolas (Ramanathan 1964). É o único gênero classificado na família Microsporaceae e inclui espécimes filamentosos simples habitantes, principalmente, de sistemas lênticos e semilênticos, mas também de água corrente (lóticos). O filamento é séssil quando jovem e livre flutuante quando adulto. As células são cilíndricas ou têm a forma aproximada de barril (doliformes), com a parede celular quase homogênea em algumas espécies, mas, na maioria delas composta por duas peças bem evidentes, em forma de “H”, que se sobrepõem na parte média da célula. Essas peças são pouco distintas em algumas espécies, mas em outras são fortemente espessadas e de fácil visualização ao microscópio. Tais peças são vistas com maior facilidade em filamentos mais velhos, quando a parede celular desarticula em duas peças durante a quebra do talo e o protoplasma se transforma em zoósporos e aplanósporos. Cada peça em “H” consiste em dois cilindros em forma de copo (poculiformes) que possuem uma base comum representada pelo septo transversal do filamento. Tais peças podem ser até bastante espessas na base e adelgaçadas na extremidade. A parede da peça em “H” é constituída fundamentalmente por celulose, mas pode também conter certa quantidade de substâncias amiloides e pectina (Ramanathan 1964).

As peças em “H” são simples e homogêneas na maioria das espécies e não apresentam lamelas.

Em algumas, entretanto, quando adequadamente tratadas com agentes que provocam seu intumescimento elas aparecem lameladas e as lamelas são visíveis tanto ao longo das paredes longitudinais quanto dos septos transversais. Em certas condições ambientais, a região do septo transversal das peças em “H” pode ser impregnada por sais de ferro (Ramanathan 1964).

Os filamentos são solitários, crescem livre-flutuantes e podem formar massas visíveis até ao olho nu. A agitação do ambiente provoca a quebra dos filamentos até em vários pedaços, a ruptura sempre ocorrendo na porção mediana da célula por conta da menor resistência da parede celular nesse local. Resulta daí que cada célula ficará com metade da parede da célula-mãe. O cloroplastídio é parietal e varia de forma conforme a espécie e, até mesmo, entre os exemplares de uma mesma espécie. Em Microspora, o cloroplastídio está quase sempre coberto por grãos de amido, o que dificulta sua precisa caracterização morfológica. Nas células jovens, o plastídio tem a forma de lâmina (laminar, placoide) com a superfície irregular, mas também pode ser uma lâmina perfurada (clatrada) e até quase reticulada. Nas células mais velhas, apresenta-se como pequenos discos interconectados constituindo uma estrutura quase moniliforme ou pode ter a forma de taça (ciatiforme) (Bicudo & Menezes 2017). Microspora não possui pirenoide (Ramanathan 1964).

A reprodução vegetativa ocorre por fragmentação ao acaso do filamento e a assexuada pela formação de zoósporos, aplanósporos e acinetos. Microspora forma zoósporos geralmente biflagelados, mas há referência a quadriflagelados em M. willeana Lagerheim. Cada célula pode formar um, dois, quatro, oito ou 16 zoósporos (Ramanathan 1964).

Espessamento da parede celular e formação de acinetos foi observado por Evans (1958) em M. floccosa (Vaucher) Thuret e M. stagnorum (Kützing) Lagerheim e interpretados como estratégias adotadas para sua sobrevivência durante o período seco.

A estrutura da parede das Microsporaceae é semelhante à de Tribonema Derbés & Solier, uma Xanthophyceae filamentosa. Necchi (2016) destacou a semelhança morfológica desses dois gêneros e ressaltou que a presença de amido em Microspora permite individualizá-la.

Segundo Ramanathan (1964), os principais caracteres diagnósticos de Microspora são: (1) estrutura da parede celular representada pelas peças em “H”, (2) medida da largura das células vegetativas, (3) tipo de cloroplastídio e (4) forma e dimensões das estruturas de reprodução.

O nome Microspora Thuret 1850 foi conservado, apesar de ser mais recente, em detrimento do mais antigo Microspora Hassal 1843, nomen rejiciendum.

Gênero Microspora no Brasil

A primeira referência à existência de representante de Microspora no Brasil está em Borge (1918), que citou M. abbreviata (Rabenhorst) Lagerheim, M. amoena (Kützing) Rabenhorst, M. brevis Nordstedt, M. loefgrenii Nordstedt e M. stagnorum (Kützing) Lagerheim para diversas localidades no Estado de São Paulo, principalmente Pirassununga, mas também na cidade de São Paulo e na Serra da Bocaina, esta localidade no limite do Estado de São Paulo com o do Rio de Janeiro.

Dias (1985) identificou M. floccosa (Vaucher) Thuret ao estudar material coletado no rio Bacaxá situado na divisa dos municípios de Silva Jardim e Araruama, no Estado do Rio de Janeiro. A seguir, a mesma autora documentou a ocorrência de M. tumidula Hazen em um charco próximo à margem do rio Vermelho, na fazenda do Sr. Carlos Emílio, em Porto Espiridião, Município de Cáceres; e de M. willeana Lagerheim no córrego Limpo, Município de Salto do Céu e no Córrego dos Patos, Município de Barra do Bugres, ambas localidades no Estado de Mato Grosso (Dias 1989). Microspora pachyderma (Wille) Lagerheim foi identificada por Dias (1990) após examinar espécimes da fazenda Água Limpa, no Distrito Federal; e por Dias (1991) de espécimes provenientes de um córrego e um reservatório sem nome situados no Município de Juína, Estado de Mato Grosso, e de um córrego sem nome e do rio Piracolina localizados, respectivamente, nos municípios de Ouro Preto d’Oeste e Vilhena, ambos no Estado de Rondônia.

Franceschini (1992) identificou M. palustris Wichmann e M. tumidula Hazen após estudar materiais dos lagos Moinhos de Vento, Gaúcho, Chinês e Açorianos e do rio Guaíba, todos os locais no Estado do Rio Grande do Sul.

Os trabalhos taxonômicos de Bicudo (1984, 1996) e Bicudo & Pereira (2003) constituem informação para o Estado de São Paulo. Microspora abbreviata (Rabenhorst) Lagerheim foi descrita e ilustrada nesses três trabalhos, identificada de material coletado do Lago das Ninfeias situado no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, região sul do Município de São Paulo.

O conhecimento do gênero aumentou no Estado de São Paulo com os trabalhos de Necchi et al. (1994a, 1994b), Necchi et al. (1995) e Necchi et al. (2002), com a citação de M. floccosa (Vaucher) Thuret e M. cf. quadrata Hazen nos dois primeiros trabalhos antes referidos e realizados com material proveniente da bacia do rio Preto. Necchi et al. (2002) também relacionaram M. stagnorum (Kützing) Lagerheim para o referido Estado a partir de material de Ipauçu (região de Cerrado) e Apiaí (águas calcáreas). Os quatro trabalhos trataram a relação das espécies com algumas características abióticas identificadas das estações de coleta, além da sazonalidade e da associação das espécies com outras algas.

O trabalho de Necchi et al. (2002) permite reconhecer três espécies de Microspora, M. floccosa (Vaucher) Thuret, M. quadrata Hazen e M. stagnorum (Kützing) Lagerheim, de ecossistemas lóticos do Estado de São Paulo; e o de Sophia et al. (2005) baseado em material do Parque Estadual Floresta do Turvo, no Estado do Rio Grande do Sul, permite identificar M. quadrata Hazen e M. willeana Lagerheim coletadas de ambientes de água parada ou quase no referido Parque.

Material e métodos

O material disponível para o presente estudo foi obtido de coletas aleatórias realizadas, sobretudo, pelo Projeto Temático “Flora Ficológica do Estado de São Paulo” sob a égide do Programa BIOTA/ FAPESP: Instituto Virtual da Biodiversidade. Todo material estudado está depositado no Herbário Científico do Estado “Maria Eneyda P. Kauffmann Fidalgo” (SP). Além do material tombado em SP, foram também examinados os constantes na literatura que apresentaram possibilidade de identificação, isto é, que incluíram descrição, medidas e/ou ilustração.

Os métodos utilizados para coleta e fixação do material foram os usuais para trabalhos de levantamento florístico (veja Bicudo & Menezes 2017); e o material foi analisado em um microscópio tri-ocular Leica, modelo DMi1, equipado com contraste de fase e câmara fotográfica.

Resultados e Discussão

Seis espécies de Microspora foram documentadas para o Estado de São Paulo, as quais podem ser identificadas como segue:

  • 1. Parede celular delgada

    • 2. Filamentos levemente constritos ao nível dos septos .......................................... M. lauterbornii

    • 2. Filamentos não constritos ao nível dos septos

      • 3. Cloroplastídio revestindo totalmente o interior da parede celular ....................... M. abbreviata

      • 3. Cloroplastídio revestindo apenas parcialmente o interior da parede celular

        • 4. Septos geralmente com espessamento em forma de anel avermelhado a acastanhado .... .............................................. M. stagnorum

        • 4. Septos sem espessamento em forma de anel ... .................................................... M. quadrata

  • 1. Parede celular espessa

    • 5. Células 22-24 µm compr., 10-10,1 µm larg. . ...... .......................................................... M. floccosa

    • 5. Células 7,7-14,8 µm compr., 8,4-12,8 µm larg. . ... ..................................................... M. pachyderma

Microspora abbreviata (Rabenhorst) Lagerheim, Berichte der Deutschen Botanischen Gesellschaft 5: 417. 1887.

Basiônimo: Conferva abbreviata Rabenhorst, Flora Europaea Algarum. 323. 1868.

Figuras 1-3

Figura 1-3
Microspora abbreviata (Rabenhorst) Lagerheim (Bicudo 1996). Figura 4-5. Microspora floccosa (Vaucher) Thuret (Necchi et al. 2002). Figura 6. Microspora lauterbornii Schmidle (Ramanathan 1964). Figura 7-8. Microspora pachyderma Lagerheim (Ramanathan 1964). Figura 9-10. Microspora quadrata Hazen (Necchi et al. 2002). Figura 11-12. Microspora stagnorum (Kützing) Lagerheim (Necchi et al. 2002).
Figure 1-3
Microspora abbreviata (Rabenhorst) Lagerheim (Bicudo 1996). Figure 4-5. Microspora floccosa (Vaucher) Thuret (Necchi et al. 2002). Figure 6. Microspora lauterbornii Schmidle (Ramanathan 1964). Figure 7-8. Microspora pachyderma Lagerheim (Ramanathan 1964). Figure 9-10. Microspora quadrata Hazen (Necchi et al. 2002). Figure 11-12. Microspora stagnorum (Kützing) Lagerheim (Necchi et al. 2002).

Filamentos solitários, fixos pela bainha por uma das extremidades, não constritos ao nível dos septos, células quadradas a retangulares, 5,4-8 μm compr., 5,3-6,1 μm larg., parede celular delgada, peças em “H” indistintas, cloroplastídio parietal, reticulado ou perfurado, reveste internamente toda a parede celular.

Distribuição geográfica no Estado de São Paulo Em literatura: Município de Pirassununga (Borge 1918: como ?M. abbreviata). Município de São Paulo (Borge 1918: como ?M. abbreviata; Bicudo 1996 e Bicudo & Pereira 2003: como M. abbreviata).

Material examinado: apenas material da literatura.

Comentários

Segundo Ramanathan (1964), M. abbreviata (Rabenhorst) Lagerheim é uma espécie problemática, pois vários documentos sobre a espécie não correspondem ao espécime original de seu basiônimo, Conferva abbreviata Rabenhorst, na coleção de exsicatas “Die Algen Sachsens” compilada por Rabenhorst, nem à sua descrição em Rabenhorst (1868). Acrescente-se também que Hazen (1902) relacionou M. abbreviata (Rabenhorst) Lagerheim entre as espécies que considerou duvidosas.

De acordo com a monografia de Ramanathan (1964), a espécie assemelha-se a M. quadrata Hazen e M. stagnorum (Kützing) Lagerheim, mas difere da primeira por apresentar menor relação comprimento:largura celulares e da segunda pelo tipo de plastídio, que na presente espécie reveste internamente toda a parede celular. Os materiais examinados por Bicudo (1996) coincidiram metricamente com o de M. abbreviata (Rabenhorst) Lagerheim em Ramanathan (1964) e Printz (1964), mas divergiram por possuírem a parede celular mais delgada, embora certa variação desta característica tenha sido observada por Ramanathan (1964).

Borge (1918) foi o primeiro a documentar a presença da espécie no Brasil através de sua simples citação, o que impossibilitou sua reidentificação. Consequentemente, a primeira referência efetiva à ocorrência da espécie no Brasil é de Bicudo (1996), a partir de material coletado epífita em Vallisneria spiralis Linnaeus no Lago das Ninfeias, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, em São Paulo.

Microspora floccosa (Vaucher) Thuret, Annales des Sciences Naturelles: sér. 3, Bot. 14: 222, pl. 17, fig. 4-7. 1850.

Basiônimo: Prolifera floccosa Vaucher, Histoire des Conferves d’eau douce. 131, pl. 14, fig. 3. 1803.

Figuras 4-5

Filamentos longos, raro constritos ao nível dos septos, células cilíndricas, 1,2-1,8 vezes mais longas que largas, 22-24 µm compr., 10-10,1 µm larg., parede celular pouco espessa, peças em “H” dificilmente visíveis nas células intactas, raramente observadas nas extremidades dos filamentos com grande aumento do microscópio óptico, cloroplastídio laminar, em forma de “C”, não preenche internamente todo o diâmetro da célula.

Distribuição geográfica no Estado de São Paulo.

Em literatura: Municípios de São José do Rio Preto e Votuporanga (Necchi et al. 1995, 1997). Município de Ubatuba (Necchi et al. 2002). Municípios não identificados (Mata Atlântica) (Branco & Necchi 1996a, 1996b).

Material examinado: apenas material da literatura.

Comentários

Microspora floccosa (Vaucher) Thuret forma, comumente, densas massas flutuantes em ambientes de águas paradas ou quase como, por exemplo, na zona litorânea de reservatórios. Morfologicamente lembra M. pachyderma (Wille) Lagerheim, da qual difere só pelo maior comprimento de suas células.

Microspora lauterbornii Schmidle, Hedwigia 34: 69, pl. 1, fig. 4-6. 1895 (como ‘lauterborni’).

Figura 6

Filamentos levemente constritos ao nível dos septos, às vezes torcidos em hélice, células aproximadamente tão longas quanto largas, 9,4-14,3 µm compr., 9,4-12,3 µm larg., parede celular delgada a pouco espessa, peças em “H” bastante evidentes, cloroplastídio laminar, preenche internamente todo comprimento da célula, pirenoide ausente.

Distribuição geográfica no Estado de São Paulo.

Em literatura: nada consta.

Material examinado: Município de Bauru (SP130790).

Comentários

Microspora lauterbornii Schmidle difere de M. pachyderma (Montagne) Lagerheim somente por suas células serem tão longas quanto largas. A literatura também refere o fato de M. lauterbornii Schmidle apresentar os filamentos comumente torcidos, não retos como os de M. pachyderma (Montagne) Lagerheim. O material de M. lauterbornii Schmidle ora examinado não mostrou, entretanto, filamentos torcidos, restando o tipo de cloroplastídio como diferença entre as duas espécies, além da maior espessura da parede celular em M. pachyderma (Montagne) Lagerheim.

Esta é a primeira citação da ocorrência da espécie no Estado de São Paulo.

Microspora pachyderma (Montagne) Lagerheim, Berichte der Deutschen Botanischen Gesellchaft 5: 415. 1887.

Basiônimo: Conferva pachyderma Montagne, Histoire naturelle des Îles Canaries 3(2): 184. 1849.

Figuras 7-8

Filamentos às vezes torcidos em hélice, levemente constritos ao nível dos septos, células aproximadamente tão longas quanto largas, 7,7-14,8 µm compr., 8,4-12,8 µm larg., parede celular moderada a bem espessa, peças em “H” bastante evidentes, cloroplastídio laminar, perfurado, preenche internamente todo comprimento da célula, pirenoide ausente.

Distribuição geográfica no Estado de São Paulo

Em literatura: nada consta.

Material examinado: Município de Águas de Santa Bárbara (SP239243). Município de Queluz (SP164018).

Comentários

A diferença entre Microspora pachyderma (Montagne) Lagerheim e M. lauterbornii Schmidle é bastante sutil. A literatura menciona que os filamentos de M. pachyderma (Montagne) Lagerheim são retos e os de M. lauterbornii Schmidle frequentemente torcidos, contudo, em todo material de M. lauterbornii Schmidle presentemente examinado jamais foram vistos filamentos torcidos e a diferença entre os representantes das duas espécies ficou na maior espessura da parede celular de M. pachyderma (Montagne) Lagerheim e no tipo de cloroplastídio laminar inteiriço de M. lauterbornii Schmidle e laminar perfurado de M. pachyderma (Montagne) Lagerheim.

Esta é a primeira citação da ocorrência da espécie no Estado de São Paulo.

Microspora quadrata Hazen, Memoirs of the Torrey

Botanical Club 11: 178, pl. 24, fig. 14-15. 1902. Figura 9-10

Filamentos não constritos ao nível dos septos, células cilíndricas curtas a quase quadradas, 6,5-7(-9,5) µm compr., 7,5-9,5(-12,9) μm larg., parede celular delgada, peças em “H” pouco evidentes, cloroplastídio laminar, envolve parcialmente todo interior da parede celular, pirenoide ausente.

Distribuição geográfica no Estado de São Paulo

Em literatura: Municípios de Estrela d’Oeste, Ilha Solteira, Jales, São José do Rio Preto e Votuporanga (Necchi et al. 1994a, 1994b: como M. aff. quadrata; Necchi et al. 1995, 1997: como M. stagnorum; Necchi et al. 2002: como M. quadrata).

Material examinado: apenas material da literatura.

Comentários

Esta espécie pode ser morfologicamente confundida com M stagnorum (Kützing) Lagerheim, da qual difere só pela parede celular lisa, não ornamentada.

Microspora stagnorum (Kützing) Lagerheim, Berichte der Deutschen Botanischen Gesellchaft 5: 417. 1887.

Basiônimo: Conferva tenerrima Kützing f. stagnorum Kützing, Algarum aquae dulcis germanicarum. 4. 1833.

Figura 11-12

Filamentos retos, longos, não ou levemente constritos ao nível dos septos, células cilíndricas ou elípticas, polos arredondados, (8-)10-13(-15) µm compr., 8,9-9,5(-11) µm larg., relação celular comprimento:largura (0,9-)1,1-1,7(-1,9), parede celular 0,5-1(-2) µm espess., peças em “H” mais claramente visíveis nas células terminais dos filamentos, septos geralmente com espessamento em forma de anel avermelhado a acastanhado, cloroplastídio laminar, geralmente cobre internamente a maior parte da parede celular.

Distribuição geográfica no Estado de São Paulo

Em literatura: Municípios de Apiaí e Ipauçu (Necchi et al. 2002). Município de Pirassununga (Borge 1918). Município de São Paulo (Borge 1918, Necchi et al. 1997, 2000: como M. tumidula).

Material examinado: apenas material da literatura.

Comentários

Esta espécie pode ser morfologicamente confundida com M. quadrata Hazen, da qual difere apenas pela parede celular ornamentada.

Conclusão

Foram identificadas, descritas em detalhes e ilustradas seis espécies de Microspora com base em sua morfologia celular externa e interna. Microspora quadrata Hazen foi a espécie mais bem distribuída no território do Estado por ocorrer em cinco municípios, seguida por M. stagnorum (Kützing) Lagerheim em quatro, M. floccosa (Vaucher) Thuret em três e M. abbreviata (Rabenhorst) Lagerheim e M. pachyderma (Montagne) Lagerheim em dois municípios cada uma. A presença de M. lauterbornii Schmidle foi documentada pela primeira vez no Estado de São Paulo e ocorreu só no Município de Bauru.

A separação entre M. flocosa (Vaucher) Thuret e M. pachyderma (Montagne) Lagerheim é bastante sutil e feita, exclusivamente, pelo maior comprimento das células da primeira espécie. As demais espécies diferem, contudo, até substancialmente umas das outras permitindo-lhes pronta identificação taxonômica. Espessura da parede celular, constrição dos filamentos ao nível dos septos e extensão ocupada pelo cloroplastídio no interior da célula constituem características de fácil visualização ao microscópio óptico e garantem identificação bastante segura das espécies.

Literatura citada

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Editado por

  • Associate Editor:
    Gisele Carolina Marquardt

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    26 Maio 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    12 Jun 2024
  • Aceito
    28 Ago 2024
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