O objetivo deste artigo é apresentar os traços de uma filosofia da história no pensamento de Friedrich Kittler a partir do fio condutor da ideia do desaparecimento do homem. Para isso, investigaremos sua arqueologia das mídias a fim de demonstrar como o surgimento do sujeito moderno é resultado de um certo arranjo histórico de tecnologias de produção (processamento), difusão (transmissão) e arquivamento (armazenamento) de informação — isto é, de um sistema de inscrição — estabelecido na virada do século XVIII para o século XIX. A hipótese do desaparecimento do homem surge quando as condições técnicas se alteram fundamentalmente; por um lado, com a mecanização das práticas inscritivas (como a máquina de escrever, o gramofone e a câmera cinematográfica) e, por outro, com os processos de digitalização da segunda metade do século XX.
Palavras-chave
Hermenêutica; filosofia da história; técnica