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Horizontes Antropológicos, Volumen: 32, Numero: 75, Publicado: 2026Horizontes Antropológicos, Volumen: 32, Numero: 75, Publicado: 2026
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Artigos Antropoceno e literatura indígena contemporânea: primeiras aproximações Fernandes, Janaína Ferreira Resumen en Portugués: Resumo A emergência climática tem se tornado um dos principais temas de preocupação de cientistas das mais diversas áreas do conhecimento. Especialmente após a chamada “grande aceleração” - a partir dos anos 1950 -, os impactos das mudanças no sistema Terra passaram a ser sensíveis, sobretudo para povos indígenas no contexto brasileiro. É sabido que as dinâmicas em relação à Terra - ou Gaia - são ontologicamente diferentes entre povos indígenas e a chamada civilização ocidental. Assim, a utilização do termo Antropoceno tem sido repensada e novas possibilidades - como Capitaloceno, ou Plantationceno - foram aventadas para colocar em debate os tipos de atuação humana no ambiente. Este artigo pretende compreender de que modos os povos indígenas no Brasil têm vivenciado a emergência climática, em contraste com o pensamento científico, especialmente a partir da literatura indígena brasileira contemporânea e dos pensamentos de Ailton Krenak, Davi Kopenawa, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara.Resumen en Inglés: Abstract The climate crises has become one of the main topics of concern for scientists in diverse areas. After the so-called ‘great acceleration’ - from the 1950s onwards - especially, the impacts of changes in the Earth system became tangible, including for indigenous peoples in Brazil. As is well-known, the dynamics in relation to the Earth - or Gaia - are ontologically different among indigenous peoples compared to so-called western civilization. Thus, use of the term Anthropocene has been rethought and new possibilities - such as the Capitalocene or Plantationcene - suggested with the intention of focusing discussion on the different types of human action in the environment. This paper explores how indigenous peoples in Brazil have experienced the climate emergency, in contrast to scientific thinking, especially in the contemporary Brazilian indigenous literature and the writings of Ailton Krenak, Davi Kopenawa, Daniel Munduruku and Eliane Potiguara. |
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Artigos A vida cercada pelo monomundo: corpos e territórios kaiowá (guarani) em tempos do Antropoceno Cariaga, Diógenes Egidio Resumen en Portugués: Resumo O artigo examina, sob perspectiva etnográfica e histórica, as transformações nos corpos e territórios dos Kaiowá (Guarani) no sul do Mato Grosso do Sul diante dos impactos do Antropoceno com a expansão do agronegócio. A partir das narrativas míticas e cosmológicas dos Kaiowá, o texto explora a constituição da pessoa e do corpo como processos relacionais, nos quais a humanidade - definida pelo nhe’ẽ (alma-língua-linguagem) - é continuamente produzida por práticas rituais, parentesco e alianças com seres celestes e terrestres. Ao longo do texto irei abordar as narrativas de criação e transformações dos seres e das paisagens. Em seguida procuro discutir os efeitos da intensificação das relações do contato e o avanço das frentes de exploração agropastoril na região tradicionalmente ocupadas pelas famílias kaiowá, para refletir sobre a produção de modos de existência que apontam para mediações, alianças e coexistências cosmopolíticas diante dos conflitos vividos por essas famílias.Resumen en Inglés: Abstract This article examines, from an ethnographic and historical perspective, the transformations of Kaiowá (Guarani) bodies and territories in southern Mato Grosso do Sul in the face of Anthropocene impacts driven by the expansion of agribusiness. Drawing on Kaiowá mythical and cosmological narratives, the text explores the constitution of the person and the body as relational processes, in which humanity-defined by the nhe’ẽ (soul-native language-language) - is continually produced through ritual practices, kinship, and alliances with celestial and terrestrial beings. Throughout the text, I address the narratives of creation and the transformations of beings and landscapes. Subsequently, I discuss the effects of intensifying contact relations and the advancement of agro-pastoral frontiers in regions traditionally occupied by Kaiowá families, reflecting on the production of modes of existence that point toward cosmopolitical mediations, alliances, and coexistences between the conflicts experienced by these families. |
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Artículos “La espiritualidad en defensa del territorio”. Pervivencia y luchas ecológicas entre los pueblos indígenas del sur de Colombia Ruiz Romero, Gabriel Jurado Castaño, Pedro Castaño Zapata, Daniel Resumen en Español: Resumen Este artículo analiza las luchas ecológicas desarrolladas por el Consejo Regional Indígena del Cauca (CRIC), en el suroccidente de Colombia, en el contexto del antropoceno, entendido como una condición histórica marcada por el extractivismo, la devastación ecológica y la ruptura de relaciones entre seres humanos, no humanos y más-que-humanos. En diálogo con las ontologías políticas indígenas y a partir de una etnografía multisituada, sostenemos que la pervivencia, noción elaborada por el propio movimiento indígena, permite comprender una forma de lucha orientada a sostener la continuidad de la vida territorial. Mostramos que esta orientación se realiza mediante prácticas concretas de cuidado y defensa, entre las cuales la rearmonización territorial ocupa un lugar central al recomponer relaciones afectadas por la violencia armada, el extractivismo y otras formas de devastación. El concepto de antropociego permite hacer visibles esas relaciones, invisibilizadas por los marcos dominantes del antropoceno. El caso del CRIC ofrece así una crítica situada tanto de los efectos históricos del antropoceno como de los límites epistemológicos desde los cuales se ha formulado esta categoría.Resumen en Inglés: Abstract This article analyzes the ecological struggles waged by the Cauca Regional Indigenous Council (CRIC) in southwestern Colombia within the context of the Anthropocene, understood as a historical condition marked by extractivism, ecological devastation, and the breakdown of relationships among humans, non-humans, and more-than-humans. In dialogue with Indigenous political ontologies and drawing on a multi-sited ethnography, we argue that “pervivencia” - a concept developed by the Indigenous movement itself - enables us to understand a form of struggle aimed at sustaining the continuity of life within the territory. We demonstrate that this orientation is realized through concrete practices of care and defense, among which territorial reharmonization occupies a central place by restoring relationships affected by armed violence, extractivism, and other forms of devastation. The concept of anthropo-not-seen makes these relationships visible, which have been rendered invisible by the dominant frameworks of the Anthropocene. The case of the CRIC thus offers a situated critique of both the historical effects of the Anthropocene and the epistemological limits from which this category has been formulated. |
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