Neste artigo, retomo a aproximação feita por Carneiro da Cunha e Viveiros de Castro entre vingança e temporalidade para introduzir um terceiro elemento nessa díade que é a territorialidade. Isso será feito a partir da etnografia dedicada aos povos tikmũ,ũn-Maxakali buscando analisar três perspectivas diferentes. Em primeiro lugar, observo as dinâmicas vindicativas no interior da socialidade tikmũ,ũn. Em segundo lugar, analiso como a vingança memoria relação com lugares específicos por meio de cantos e narrativas. Por fim, mostro como pessoas tikmũ,ũn respondem ao contexto de práticas de violência interétnica acionando o idioma da vingança. Nesse ínterim, argumento que a vingança funciona como um dispositivo que freia a possibilidade de se ter direito sobre a vida e a morte de outrem. Tal dinâmica possibilita a socialidade tikmũ,ũn a não entrar no território da necropolítica, buscando viver um outro território existencial.
Palavras-chave:
vingança; territorialidade; tikmũ,ũn; Maxakali
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Foto: Douglas Ferreira Gadelha Campelo