Open-access Apresentação

O presente volume de Horizontes Antropológicos publica, em sua sessão Espaço Aberto, a palestra ANTHROPOLOGIE AUJOURD’HUI, proferida pelo antropólogo francês Marc Augé por ocasião da abertura da Vª Reunião de Antropologia (Merco) Sul, realizada em Tramandaí, RGS, de 12 a 15 de setembro de 1995, promovida pelo Departamento de Antropologia e pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Apresenta, também, uma entrevista com o antropólogo holandês André Droogers.

A sessão Artigos reúne textos que foram, em sua maioria, apresentados no 48. Congresso Internacional de Americanistas que teve lugar em Uppsala, Suécia, entre os dias 4 e 9 de julho de 1994, no Grupo de Trabalho Religiões Afro-Americanas em Transição. Organizado por Angelina Pollak-Eltz, da Universidade Católica de Caracas, e por Stephan Palmié, da Universidade de Munique, o referido GT procurou por em evidência a situação atual daquelas religiões, destacando especialmente sua dinamicidade numa perspectiva continental americana.

Com efeito, estruturadas no Brasil e na América Central como religiões de negros e subalternos, hoje as religiões afro-americanas romperam as barreiras de cor, de classe e geográficas, sendo frequentadas por indivíduos de diferentes horizontes étnicos, de várias classes sociais e de múltiplos países, sobretudo americanos. Tornaram-se, dessa forma, religiões multiétnicas, transclassistas, universais e transnacionais.

Vários artigos constantes neste volume de Horizontes Antropológicos procuram analisar as transformações atuais por que passam as religiões afro-brasileiras ou afroamericanas; outros retomam alguns temas que fazem a especificidade dessas religiões. No seu conjunto, os textos, resultantes de material empírico coletado em diferentes países, fornecem uma ampla perspectiva que revela a diversidade, complexidade e riqueza das religiões afro-americanas.

O volume inicia com o texto de Reginaldo Prandi (USP) que situa as religiões afrobrasileiras, especialmente o Candomblé, no contexto das demais religiões populares da sociedade brasileira e analisa suas características próprias e mudanças atuais. Na sequência, Roberto Motta (UFPe) se atêm a alguns elementos centrais do Candomblé e do Xangô, como o sacrifício, a festa e o transe. O transe possessivo, especialmente a “performance” do possuído em “sistemas sociais” específicos, é também objeto de análise de Alejandro Frigerio (Universidade Católica de Buenos Aires) a partir de observações realizadas na Argentina. Por sua vez, Sidney Greenfield (Universidade de Wisconsin-Milwaukee) analisa algumas implicações do uso dos espíritos de Umbanda nos rituais terapêuticos do Kardecismo.

Após a abordagem dessas várias dimensões das religiões afro-brasileiras seguem os textos de Ari Pedro Oro (UFRGS) e de Angelina Pollak-Eltz (Universidade Católica de Caracas), o primeiro discorrendo e analisando o processo de universalização das referidas religiões e a segunda pondo em evidência as suas principais transformações atuais. Enfim, Renzo Pi Hugarte (Universidade da República, Montevideo) discute os efeitos da presença das religiões afro-brasileiras na cultura e no ethos nacional uruguaio e Bettina Schmidt (Universidade de Munique) mostra como o Espiritismo e as religiões afro-americanas, especialmente a Santeria cubana, foram integrados na cultura religiosa porto-riquenha.

Ari Pedro Oro, organizador

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Fev 2026
  • Data do Fascículo
    1995
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