Open-access Ensaístas da/na América Latina: Ana Pizarro

Nosso interesse pelo ensaio vem de longa data. Por que estudar um gênero que sempre foi visto como de segunda classe, desprestigiado desde os tempos em que Adorno publicou o paradigmático O ensaio como Forma, em 1954. Um não gênero, como querem alguns. O que mais interessa no ensaio é exatamente examinar essa forma de escrever que como nenhuma outra abre espaço ao livre pensar e à reflexão, ao mesmo tempo em que pode incorporar a ficção, a poesia, a filosofia e a história.

Gênero eminentemente de fronteira, foi praticado por pensadores, escritores, poetas, artistas, dramaturgos e intelectuais em geral. Como dizia o poeta e ensaísta mexicano Alfonso Reyes, o ensaio é “este centauro de géneros, donde hay de todo y cabe todo, propio hijo caprichoso de una cultura que no puede ya responder al orbe circular y cerrado de los antiguos, sino a la curva abierta, al proceso en marcha...” (Reyes, 2000 [1963], p. 456).

O certo é que sempre foi considerado um gênero menor ou simplesmente não era lido como literatura. No entanto, na América Latina esse gênero vem sendo praticado por importantes intelectuais, ao longo da nossa história literária, conformando uma tradição ensaística, sobretudo com reflexões relacionadas aos paradigmas de construção das identidades. Desde o século XIX, os ensaístas tiveram importante papel na vida intelectual e política e o ensaio hispano-americano foi essencial na construção de uma reflexão ligada a questões sobre identidade, nação e continente. Não raro, ensaístas tiverem lugar na vida publica e política dos jovens estados-nações.

Marcadamente escrito por homens, a partir das últimas décadas do século passado, o gênero vem sendo exercido por mulheres que deixam sua marca, sobretudo porque quase sempre trabalham a partir da intercesionalidade de gênero, raça e classe, além de temas ligados à literatura e cultura. Inicialmente, proposta deste número seria lembrar alguns desses nomes, mulheres que tanto no Brasil quanto no mundo hispânico, com sua escrita ensaística, nos ajudaram a entender e a traduzir o continente. Seria ler, portanto, com mais atenção as obras das brasileiras Lelia Gonzales e Sueli Carneiro, ensaístas negras que revolucionaram a maneira de entender os problemas de raça e gênero no Brasil. Também pensar em Beatriz Sarlo, ensaísta que tem ensinado a entender os fenômenos da literatura e da cultura argentina, entre outras. No entanto a obra de Ana Pizarro e a proposta deste número da Revista Gragoatá, cuja coordenação estamos dividindo, fez mudar os rumos e objetivos deste ensaio. A obra da ensaísta chilena e a importância que ela foi adquirindo nos estudos literários e culturais da e na América Latina se tornaram o foco e objeto de nosso trabalho. Os textos de Ana Pizarro ensinaram a entender e interpretar esse continente com toda sua complexidade e riqueza cultural.

Pensar a obra de Pizarro é pensar a América Latina que, como poucos, ela estuda, aprofunda, revela novos ângulos de análise e maneiras originais que nos ajudam a traduzir esse espaço, enorme, rico em culturas, textualidades e imaginários distintos e, ao mesmo tempo singulares, em suas identidades que nos unem e nos separam.

Seu trabalho de comparatista avant la letre a levou a organizar o que ousaríamos afirmar como a principal obra de estudos comparados da América Latina, que é a trilogia América Latina palavra, literatura e cultura (Pizarro, 1993a, 1993b, 1994, 1995). Esses livros marcariam os estudos literários e culturais da América Latina. Publicada na década de 90, foi precedida pela publicação de outros dois livros, Hacia uma história de la literatura latino-americana, de 1987 e Literatura latino-americana como processo, de 1985. Ambas as obras trazem a público a complexidade dos debates e reflexões que ocorreram entre críticos convocados por Pizarro com o apoio de Antonio Candido, em duas reuniões, uma em Caracas em 1982 e outra em Campinas em 1983, que tiveram como objetivo pensar, refletir e definir sobre a natureza do que seria essa nova história da literatura latino-americana, capaz de dar conta, entre outros elementos, do complexo binômio unidade x diversidade do continente.

Esses debates evidenciam o processo de construção desta “nova história” que estava sendo gestada. Nas linhas dos diálogos entre os críticos podemos perceber as diretrizes que organizaram o ambicioso projeto e as complexidades que acabaram por gerar as reflexões que o nortearam e que são, na verdade, a raiz de um profundo questionamento sobre a América Latina, em toda sua multiplicidade e heterogeneidade Essas são as primeiras obras latino americanas de historiografia e crítica que, sem abandonar as perspectivas do estudo comparativo, pretendem ampliar, problematizar e aprofundar a noção de literatura e cultura na América Latina. O ineditismo do projeto transformou radicalmente o estudo da literatura comparada na América Latina

Angel Rama dizia que colocar as literaturas de língua espanhola e de língua portuguesa em paralelo, já era algo tão novo que, “solamente hacer eso en América Latina es uma aventura intelectual que quizá, sin demasia yo llamaría revolucionaria” (Rama, 1982, p. 85). Sem dúvida, como aponta o crítico uruguaio, este é o desafio. Este foi o desafio que funcionou como esqueleto e estrutura da trilogia.

O primeiro problema que se coloca seria a própria natureza do objeto, o que se entende como uma “História da Literatura Latino- americana”? O problema está relacionado com a complexidade do conceito de América Latina, ou seja, estamos falando na delimitação da área a ser estudada. De origem francesa, a ideia de latinidade surgiu, para dar nome a todo um continente, que abarca uma grande pluralidade, não apenas de países, mas de áreas culturais, dentro e fora dos limites das fronteiras nacionais. Portanto, essa é a primeira dificuldade da historiografia, na tentativa da delimitação da área a ser estudada e da necessidade de organizar-se, a partir da noção de inclusão e exclusão. Nesta linha, os critérios tradicionais, sejam linguísticos, políticos ou geográficos, não podem dar conta do espaço do literário, e para tal, o projeto incluiu a articulação dos parâmetros culturais, como organizador do sistema literário latino-americano. Ainda na delimitação da área que compreende a “História da Literatura Latino-americana”, foi necessária uma dinâmica, que, em oposição à historiografia tradicional que restringe seu corpus ao sistema literário culto, ela incorporou vozes do mundo indígena e de origem popular. Este é o primeiro grande logro do projeto: considerar as áreas culturais para além da geografia e da geopolítica, incorporando, além do sistema literário do Brasil, o do Caribe francês e dos chicanos dos Estados Unidos, vozes até então excluídas do complexo América Latina.

É importante ressaltar que os debates, ou seja, o processo e as reflexões que surgem na raiz de um projeto como esse podem muitas vezes ser mais inovadores que o resultado em si. Foi o que se deu com a discussão a respeito da delimitação da área que determina uma história literária e cultural do continente, pois subverte as noções de cânone e de corpus dos estudos tradicionais de literatura e de crítica literária. O que está sendo questionado, para além da delimitação da área de estudo, são as noções de continente latino-americano, de regional, de nacional, de cânone e de literariedade.

Neste sentido, o projeto teve o papel de ter sido, como dizia Rama, revolucionário, dentro da tradição de estudos literários e culturais na América Latina.

Outro aspecto que decorre da primeira reflexão, na medida em que os problemas levantados estão de certa forma ligados entre si, diz respeito ao comparatismo latino-americano. Que comparatismo pode e deve ser produzido, tendo como corpus literaturas nacionais tão heterogêneas e, ao mesmo tempo oriundas de uma história colonial e de uma relação com as antigas metrópoles bastante similar? Naquele momento, anos 80, o estudo comparado, era quase inexistente na América Latina e a proposta de análise, nesta perspectiva, foi assumir um vanguardismo, que por sua vez, também está relacionado à noção política de América Latina, sobretudo depois da década de 1960, momento em que os estudos latino-americanos já estavam mais avançados na área das ciências sociais, em função das inúmeras mudanças ocorridas na história e a sociedade do continente.

A perspectiva comparatista se propõe trabalhar a partir das formas de apropriação que a literatura desenvolveu, a partir dos processos transculturais que subvertem as estruturas literárias, a linguagem e o discurso europeu, herdado de seu passado colonial e dependente. Ou seja, respeitar os processos transculturais, como formas de criação literária que se identificam, pela inserção de outros processos culturais, indígenas e africanos, e de núcleos míticos geradores de outros imaginários e textualidades.

Outra proposta que impulsionou e trouxe originalidade ao projeto se relaciona às noções de literatura nacional, regional e latino-americana. Neste caso, o projeto considerou “la necesidad de observar o proceso de la literatura latinoamericana como parte integrante del proceso social en América Latina” (Pizarro, 1987, p. 192). Isso significa entender a literatura produzida no continente como uma totalidade contraditória, em que se respeite a diversidade dos distintos sistemas literários nacionais e regionais. Essa abertura do corpus implica também uma crítica aos estudos historiográficos tradicionais, que atendem e sinalizam apenas a literatura culta, deixando de lado sistemas ancorados nas tradições orais.

Como crítica à historiografia latino-americana, o projeto se propôs a rever as análises e condutas da historiografia tradicional que, conservadoramente redutora, acabou por assumir posturas mecanicistas e critérios de inclusão e exclusão equivocados. Neste sentido, uma história possível da literatura latino-americana apontou para a necessidade de uma abordagem interdisciplinar, com a colaboração de outras ciências sociais, história, antropologia, sociologia e linguística, bem como para a inclusão de outros sistemas de representação, orais, indígenas, africanos e de outras minorias. Ainda no campo da literatura e sua relação com a história, o projeto considerou a importância de se manter essa articulação, na medida em que a literatura do continente sempre tem sido “comprometida, en un sentido específico: no como desígnio ideológico, sino como un empeño en contribuir a la construcción de las nacionalidades a través de la cultura” (Pizarro, 1987, p. 194).

Desta forma, a literatura latino-americana se situa entre dois ângulos: como prolongação das literaturas metropolitanas e como ruptura em relação a elas. “Su función histórica consiste que ha sido aquí, entre otras cosas un instrumento de dominación y simultáneamente un medio de reacionar contra esa dominación” (Pizarro, 1987, p. 194).

Um breve olhar nos três volumes, basta para constatar o resultado da proposta original. Inicialmente, dando base à ideia de integração, os textos que compõem os três volumes foram publicados nas duas línguas em que foram escritos: português e espanhol. Não há textos traduzidos. Os tomos da obra estão reunidos por épocas históricas, a saber: “A situação colonial”, “A emancipação do discurso” e “Vanguarda e modernidade”. Diferentemente das histórias literárias tradicionais, organizadas por estilos de época ou por autores, ou ainda por autores e épocas, a opção de relacionar os momentos da literatura ao processo histórico já indica que estamos diante de um outro tipo de história literária.

O primeiro volume, “A situação colonial”, traz uma seleção de 22 artigos que tratam de aspectos da vida e da cultura na formação do mundo colonial. O volume começa com um capítulo denominado “Formação da imagem da América”, que vai privilegiar as culturas indígenas e sua presença na formação do discurso colonial. O barroco, em suas vertentes hispânicas e portuguesas, transplantadas para o novo mundo e formadoras das novas identidades mestiças, também são objeto de estudo neste primeiro volume. A incorporação de reflexões que tratam do discurso da mulher na colônia é, sem dúvida, uma nova abordagem, que em geral, não frequenta as páginas das histórias literárias. Em outra atitude inovadora, o volume I, além de reflexões sobre a literatura produzida nas colônias, também incorpora textos que se propõem a pensar o papel das línguas naquele momento. De forma emblemática, o volume se encerra com uma versão do icônico texto “La ciudad Letrada” (1993), de Ángel Rama.

O segundo volume, com 35 textos, intitula-se “A emancipação do discurso” e parte da compreensão de que, na América Latina, a emancipação do discurso se deu antes da emancipação política das jovens nações e que esta serviu como legitimadora das autonomias das nações, como afirmação de sua autonomia. Ser original era uma postura que colaborava na construção das nações, e independência intelectual significava possibilidade de independência política. O volume traz análises de textos de alguns dos principais pensadores do século XIX, como Sarmiento, Andrés Bello, Altamirano e Norberto de Souza, além de uma forma inovadora de incorporar ao seu corpus textualidades marginais, populares e ameríndias, tanto quanto os gêneros literários tradicionais, como a poesia, a narrativa, o teatro e o ensaio. O volume, como os demais, incorpora textos do Brasil e do Caribe, além do universo hispânico.

O terceiro e último volume “Vanguarda e modernidade”, como aponta o seu título, vai se debruçar sobre os processos de modernização da linguagem ocorridos na América Latina, sobretudo a partir da explosão dos movimentos de vanguarda, na década de 20. As vanguardas que se deram em todo o subcontinente são um momento aglutinador das diferenças. A partir da proposta de rupturas com os padrões ibéricos e franceses até então vigentes, a cultura e a literatura dos diferentes países começam a construir modelos próprios, e a gerar uma produção intimamente relacionada às questões de identidades, arraigadas na própria memória cultural. O volume incorpora textos que colocam em cena as várias linguagens experimentais e a tensão gerada a partir do impacto da modernização. A conformação dos imaginários se faz a partir de uma gramática local, que se articula com uma sintaxe universal. O último volume contém 30 textos, de diferentes autores.

Como obra, América Latina, palavra, literatura e cultura constitui-se como uma resposta à historiografia tradicional, de corte positivista e, ao mesmo tempo, responde a uma série de questões encenadas pela área de estudos de literatura e de cultura, formula novas perguntas, que surgem da própria dinâmica do processo de reflexão sobre o subcontinente. Os volumes encenam ainda um esforço para conciliar os aspectos internos ligados à análise textual, aos fatores externos, de ordem contextual, seguindo o exemplo dado por Antonio Candido, na sua clássica obra Literatura e sociedade (1965): “O externo se torna interno e a crítica deixa de ser sociológica, para ser apenas crítica” (Candido, 1975, p. 19). Obras em que o político e o social se integram e trabalham na conformação dos imaginários e do literário.

Seguindo, desta vez, uma preocupação marcada por Angel Rama, a obra marca uma clara posição latino americanista, não apenas pela incorporação das regiões, até então deixadas de lado, como o Brasil e o Caribe, mas, sobretudo, porque nela se percebe um resgate das tradições críticas das áreas em questão, em um claro esforço integrador.

Como se percebe este texto não se esgota em si mesmo, o que se pretendeu foi apenas uma revisão dos principais parâmetros que nortearam a execução do projeto de uma História (possível) da Literatura Latino-americana, e uma rápida visão do resultado a que se chegou com a publicação da obra. Não chegamos a analisar texto a texto, nos três volumes, tarefa para outro momento. No entanto, podemos tirar algumas conclusões a partir desde nosso passeio através da importância da obra organizada por Ana Pizarro.

A proposta inovadora conseguiu colocar juntos, em uma mesma obra, os resultados da produção literária da América Latina, em seu verdadeiro sentido, multilinguístico e multicultural. Os volumes trazem grande manancial de textos, tanto em número, quanto à relevância dos temas tratados, como nenhuma outra obra ou história da literatura no subcontinente. Incorpora os imaginários de minorias até então ignoradas em obras deste porte, como a textualidade indígena, de mulheres, produções fincadas na oralidade. Isso não é pouco.

Felizmente, mais de 40 anos depois, podemos identificar que tanto no Brasil de hoje, como em muitas universidades no mundo hispânico, diferente de quando a trilogia foi pensada, uma série de grupos de pesquisadores e professores trabalham em análises comparativas, de literaturas e culturas de diferentes latitudes da América Latina, influenciados pela abertura e quebra dos paradigmas empreendidos pela obra concebida e organizada por Ana Pizarro, que contribuiu, de maneira relevante, para o atual estágio em que se encontram os estudos comparativos na América Latina.

Além das obras comentadas até aqui, a produção crítica e teórica de Ana Pizarro, ao longo de quase seis décadas dedicadas à reflexão sobre a América Latina, contribuiu para alargar o nosso conhecimento sobre o continente, além de nos entregar novas reflexões sobre o Caribe, sobre a Amazônia, sobre as áreas culturais do Continente. Contribuiu também na fortuna crítica de importantes poetas como Vicente Huidobro e Gabriela Mistral. Trouxe a luz uma nova leitura sobre a artista plástica e escritora Martha Traba e nos fez enxergar discursos alternativos sobre os a cultura indígena. Em 2023 publicou sua obra mais recente O voo do Tukui. Como a autora nos explica no prefácio de seu último livro,

o colibri, pica-flor ou beija-flor, como é chamado mais docemente no português do Brasil, tem sua origem e seu habitat na América. Desde o Norte ao extremo sul. Na língua Karib das etnias amazônicas, ele é chamado de tukui, também tucusi. O voo do tukui é como o trajeto do ensaísta. Ele precisa se nutrir muito para sustentar um voo que se detém diante de cada flor ou fruto em uma agitação nervosa durante alguns segundos, para em seguida passar a outro e ficar novamente suspenso frente ao atrativo de uma espécie diferente. O voo do tukui, é como o trajeto do ensaísta, ele precisa se nutrir muito para sustentar um voo diante de cada flor, esse voo é com a abertura a uma maior diversidade de cores e matizes percebidas que o olhar se amplia. (Pizarro, 2023, p. 23).

A metáfora do tukui, escolha da autora para traduzir o modo de produção da sua obra mais recente, agrega a metáfora do condor, colossal pássaro andino, dono de voos altos e longos, que no espaço dá espaço de escrita de Pizarro, se integra ao pequenino tukui amazônico. Enquanto, o beija flor, na sua delicadeza, sustenta o seu voo de flor em flor, o pássaro andino voa alto, em amplas distâncias e um território. Assim, essa obra é como o voo delicado do tukui, de flor em flor, e o do condor, forte e potente através de diferentes paisagens e latitudes.

Na obra, Ana Pizarro faz uma revisão em toda sua obra anterior, e o faz com beleza e erudição, sem deixar de lado novos olhares, incorporações e conexões à sua extensa obra de critica literária e cultural e nos ajuda, de forma primorosa, a traduzir a complexidade deste continente único.

O voo do tukui sugere outros voos, mais livres, mais abertos comprometidos com a natureza e nos ensina que devemos entendê-la, como nos conta Krenak, como formas de cultura, neste continente rico, múltiplo, diverso e plural.

Para finalizar este ensaio que é ao mesmo tempo uma apresentação deste número da Revista Gragoatá, que pela primeira vez está dedicada à obra crítica de uma intelectual latino-americana, devemos confessar nossa alegria em poder, com este volume da Revista, realizar um gesto simbólico que se alinha com as propostas de comparatismo literário e cultural latino-americano realizado por Ana Pizarro em sua obra, qual seja, colocar em diálogo as diversas zonas culturais e linguísticas do continente.

O volume reúne ensaios de intelectuais e professores de diferentes países, escritos tanto em português quanto em espanhol, indistintamente. A obra da pesquisadora chilena também foi analisada a partir de visões e temas distintos. O comparatismo inovador da obra América Latina, palavra, literatura e cultura estão presentes em mais de um artigo, da mesma forma que os estudos sobre o Caribe, sobre a Amazônia e sobre as áreas culturais do continente. A revista se completa com uma bela entrevista e um texto original, na qual ela nos coloca diante de novos desafios ao pensamento latino-americano.

Ou seja, conseguimos reunir em um mesmo volume obras que representam o legado deixado pelos textos e obras de Ana Pizarro. Melhor ainda é que ela continua ativa e escrevendo, estou segura de que muitos novos ensaios estão a caminho.

Referências bibliográficas

  • CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1975.
  • PIZARRO, Ana (org.). Hacia una historia de la literatura Latinoamericana México: Universidad Simon Bolivar, 1987.
  • PIZARRO, Ana (org.). La literatura latinoamericana como proceso Buenos Aires: Centro Editor de América Latina, 1985.
  • PIZARRO, Ana (org.). América Latina, palavra, literatura e cultura São Paulo: Memorial da América Latina; Ed. Unicamp, 1993a. v. 1.
  • PIZARRO, Ana (org.). América Latina, palavra, literatura e cultura São Paulo: Memorial da América Latina; Ed. Unicamp , 1993b. v. 1.
  • PIZARRO, Ana (org.). América Latina, palavra, literatura e cultura São Paulo: Memorial da América Latina; Ed. Unicamp , 1994. v. 2.
  • PIZARRO, Ana (org.). América Latina, palavra, literatura e cultura São Paulo: Memorial da América Latina; Ed. Unicamp , 1995. v. 3.
  • PIZARRO, Ana. O voo do Tukui Rio de Janeiro: Fundação Darci Ribeiro, 2023. v. 4. (Biblioteca básica da América Latina.)
  • RAMA, Ángel. La ciudad letrada. In: PIZARRO, Ana (org.). América Latina, palavra, literatura e cultura São Paulo: Memorial da América Latina; Ed. Unicamp , 1993.
  • RAMA, Ángel. Transculturación narrativa en América Latina México: Siglo XXI, 1982.
  • REYES, Alfonso. Obras completas digital México: Fondo de Cultura Económica, 2000.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Dez 2024
  • Data do Fascículo
    Sep-Dec 2024
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