Open-access Locus amoenus e locus terribilis em Long Weekend (1978)

Locus amoenus and locus terribilis in Long Weekend (1978)

Bafejados por correntes ecocríticas, os Horror Studies medraram, em anos recentes, vertente exegética dedicada ao escrutínio do ecoterror, subgênero no qual o primado do entretenimento é acrescido de inflexão bioética atinente às implicações catastróficas da degradação ambiental. Alinhado a esse prisma hermenêutico, este artigo tem como objetivo medular o exame de Long Weekend (Colin Eggleston, 1978), inscrito numa genealogia de filmes de terror que, entre 1970 e 1985, revigorou o cinema australiano. Para fins metodológicos, tomo de empréstimo dois paradigmas topológicos da poiesis clássica, quais sejam, o locus amoenus e o locus terribilis, aqui ressignificados conforme o texto/contexto de Long Weekend. Espólio do Gênese bíblico, o primeiro topos tinha largo emprego na poesia pastoral latina, por vezes ombreado pelo segundo como tropo retórico contrapontístico. Na película em apreço, ambos os topói são indissociáveis, já que, no “longo” fim de semana vivido por um casal numa praia deserta, o prometido locus amoenos se reverte em locus terribilis precisamente porque a intervenção humana provoca a degeneração daquele neste último. Nesse pioneiro do ecoterror, a quebra distópica de expectativas legatárias da sanha expropriatória imperialista compete, de um lado, para o frisson peculiar ao subgênero e, de outro, para reflexões em torno do consumo abusivo de recursos naturais e seus impactos apocalípticos.

Palavras-chave:
Ficção de terror; Ecoterror; Locus amoenos; Locus terribilis; Long Weekend

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