A coluna digital de tradução de poesia “Arcas de Babel", vinculada à Revista Cult com curadoria da poeta-tradutora Patrícia Lavelle, reúne uma série de traduções de poesia e testemunhos acerca dos processos de subjetivação e historicidades que perpassam a atividade de tradução. No presente trabalho, objetiva-se discutir, após o mapeamento da coluna, como a prática da tradução e a transcriação poética inscritas na cibercultura compartilham entre si o desejo de desencadear as potencialidades da língua de partida e transformar as singularidades que residem no interior da língua de chegada. Compreende-se que essas trocas são mobilizadas via processos de estranhamento recíprocos, que desafiam os limites impostos pelas fronteiras territoriais e glotopolíticas entre o “eu” e o “outro” traduzido, hibridizando-os. Tendo isso em vista, foram selecionadas para análise traduções ao português de doze poemas, pertencentes a doze tendências distintas identificadas, com o intuito de discutir gestos poéticos que buscam fazer da prática da tradução e do meio digital caminhos alternativos no horizonte literário brasileiro contemporâneo.
Palavras-chave:
Tradução de poesia; Transcriação; Translinguismo; Literatura digital; Cibercultura