RESUMO
Para homenagear a pessoa e a pesquisadora ímpar Ana Pizarro, optamos por fazer uma leitura sincrônica das suas contribuições sobre Amazônia. Suas abordagens apresentam um olhar conhecido e, no mesmo momento, diferente sobre a região. O artigo aborda o tema a partir das três motivações da autora para se dedicar à região: o desconhecimento no Latino-americanismo, a relação do Chile com a região Pan-Amazônica e a questão das ‘nossas’ utopias e da estética ilustrada (literatura e arte). Os discursos sobre Amazônia apontam para particularidades da visão hispânica (Vale do Amazonas) e da lusófona (Bacia Amazônica) e assumem sempre determinadas situações no tempo histórico e no espaço geográfico. As próprias antigas culturas andinas buscavam o Paraíso, o El Dourado da Paz, e dada a complexa construção de Machu Picchu, podemos perceber que havia um ‘plano’ para penetrar na região amazônica. A perspectivação das abordagens de Ana Pizarro mantém viva a complexidade estrutural e semiótica dos acontecimentos históricos e ela é uma voz importante nesta direção de um novo olhar sobre a região. Livrar-se da perspectiva ocidental significa proferir um discurso diferente do pós-colonial e consistente com o atual denominado “decolonialidade”.
PALAVRAS-CHAVE:
Amazônia; literatura e arte; culturas e civilizações andinas; perspectiva ocidental e discursos latino-americanos
ABSTRACT
To honor the unique person and researcher Ana Pizarro, we chose to do a synchronous reading of her contributions on the Amazon. Their approaches present a familiar and, at the same time, different perspective on the region. The article addresses the topic based on the author’s three motivations for dedicating herself to the region: the lack of knowledge in the Latin Americanism, Chile’s relationship with the Pan-Amazonian region and the issue of ‘our’ utopias and illustrated aesthetics (literature and art). Discourses about the Amazon point to particularities of the Hispanic (Amazon Valley) and the Lusophone (Amazon Basin) vision and always depart from certain situations in historical time and geographical space. The ancient Andean cultures themselves were searching a Paradise, The Golden Land of Peace and given the complex construction of Machu Picchu, we can see that there was a ‘plan’ to penetrate the Amazon. The perspectivation of Ana Pizarro’s approaches keeps the structural and semiotic complexities of historical events alive and she is an important voice in this direction of a new look at the region. Getting rid of a Western perspective means delivering a discourse different from the post-colonial and in line with the current one called ‘decoloniality’.
KEYWORDS:
Amazonia; literature and art; Andean Cultures and Civilizations; Amazon Valley/Amazon Basin; Western perspective and Latin American discourses
Ana das Vozes
Dormirem navios
Todos de humor vagabundo1
Contudo […] nada é visível a não ser uma linha contínua, cinzenta, sobre a água.2
Para este artigo de homenagem à pessoa e à pesquisadora ímpar Ana Pizarro, escolhemos fazer uma leitura sincrônica das suas contribuições sobre a Amazônia, justapondo a com as interpretações da literatura crítica do nosso tempo. As abordagens apresentam um olhar conhecido e, no mesmo momento, diferente sobre a região. Escrevo “região”, pois como podemos compreender Amazônia? O chamado reframing sobre Amazônia trouxe na própria região, em 1994, o estudo da Neide Gondim (1994), A Invenção da Amazônia, e, em 2009, Márcio Souza apresenta sua História da Amazônia com as seguintes palavras introdutórias: “Tudo o que se escreve sobra a Amazônia tem um certo sabor de relativismo. A delimitação de suas fronteiras [...] a emergência das sociedades humanas [...] são [...] hipóteses [...] Para os europeus [1492] é o ano surpreendente do descobrimento de um mundo novo. Já para os povos americanos, é o começo de um holocausto”.3
Posterior aos estudos sobre a América Latina (1993-95) e as culturas da Caribe (1994, 2002), Ana Pizarro (2009, p. 11-12) motivou sua investigação sobre Amazônia pelo “desconocimiento disciplinario en el latinoamericanismo” e “esta área se percebe como lejana [de Chile], nuestra prolongada relación con países como Brasil y Venezuela nos sensibilizó desde temprano com ella”. A estudiosa se reconhece como “observadora externa intentando entender el conjunto panamazónico. Sentimos que, de algún modo, las miradas a la Amazonía son en general locales o referidas a um solo país. En este sentido, pensamos que um intento de mirada de conjunto puede ser de interés”. E ela lembra muito bem que os discursos “que han construido a la Amazonía tienen, respecto del resto de los América Latina, la especificidade de lo fluvial” (Pizarro, 2009, p. 15). Em seguida, ela ressalta as particularidades da visão hispânica e a da lusófona. As duas culturas políticas estavam situadas
ambas en um escenario histórico más cercano a la Edad Media que al Renacimiento, tuvieron profundas diferencias que hicieron que en el obstáculo de una lengua muy cercana se proyectaran dos perspectivas del mundo que desde el primer momento no permitieron una aproximación. El que Portugal tuviese ya una experiencia vasta de domínio del mar [...] En la perspectiva de los portugueses ya existía el conocimiento de la alteridade [...] un catolicismo más abierto que el de España, el mestizaje con menor reticencia al contacto. (Pizarro, 2009, p. 17-18).
Com a terceira motivação, a “observadora externa” da Amazônia, mas interna da dos estudos latino-americanos, ressalta “campo de los imaginarios utópicos. De alguna manera necesitábamos indagar em nuestras propias utopías [...] ver [...] los imaginarios de un proyecto nacional para cada uno de los espacios” (Pizarro, 2009, p. 11, 19), para poder compreender a ideia de uma “modernização/democratização” na América Latina,4 se não o discurso continua nos moldes ideológicos do século 19 e 20.
Numa apresentação sobre “fatos e ficções” da Amazônia, no Instituto de Estudios Avanzados de la Universidad de Santiago de Chile, em junho de 2010, confrontei-me com uma visão - para mim - nova, a, oriunda dos países andinos, do “Vale do Amazonas”. Devo dizer que eu cheguei na Amazônia como professor de teoria literária e não como pesquisador da região. Familiarizando-me com o narrativo da colonização portuguesa e atuando como professor na Amazônia Oriental, a região sempre parecia uma vasta bacia de matas e de rios, nada de um vale. Uma vez, em Monte Alegre (próximo de Santarém/Pará), fiquei surpreendido pela arte rupestre: tinha cavernas em uma região montanhosa. Confesso, nunca desci dos Andes, vindo de Peru ou de Equador pelos rios Napo ou Maranhão, para ter uma percepção de um vale. Seria uma experiência de uma percepção andina.5
A narração descritiva ou a descrição narrativa partem sempre de determinadas situações no tempo histórico e no espaço geográfico; o conhecimento formado focaliza seu “objeto” e apresenta conclusões. A prosopopeia escolhida no título do seu livro, identifica a região pelo movimento do rio. “Nunca se entra duas vezes no mesmo rio”, constato Heráclito com um olhar soslaio, mas pode terminar seus dias, como Sidarta Gautama, na beira do mesmo rio que cruzava como jovem. Assim, no centro está o rio, e o estudo da Ana Pizarro focaliza quatro momentos cardiais deste rio que representa a região toda, a bacia e o vale do Amazonas. O estudo acompanha os viajantes, que, por motivos variados, percorreram a região (cap. II), vindo de todas as direções; em seguida, ressalta o auge e o declínio da borracha (cap. III). E, como se fosse o meio da abordagem histórica, um reter, como uma pausa entre as notas musicais, um “silêncio” para a reflexão, o capítulo IV: “Modernización y pluralidade de voces” (também pode ser entendido como “vocês” leitoras e leitores); no final, a análise do avança do narcotráfico na atualidade (cap. VI). No capítulo IV, então, as vozes da arte são chamadas, desde os tempos remotos, “la estética ilustrada”, a poesia, as narrativas dos indígenas e dos ribeirinhos, entre as realidades e a fantasia, e os romances modernos do século 20.
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However, we must come to this with an open mind and employ ´the scientific use of the imagination […] we must balance probabilities and choose the most likely’.6
O olhar crítico-perceptivo da Ana Pizarro sobre Amazônia se formou politicamente engajada pesquisadora no seu país, no Chile, nas décadas de 1960 e 1970 (ver a entrevista com José Leandro Urbano, Pizarro, 2019).7 Uma intelectual engajada que questiona e revisa os fatos e as interpretações sobre realidades, sempre em prol de um conhecimento mais amplo e mais próxima das realidades históricas complexas e preocupada com bem-estar da vida atual no continente e no mundo para seu futuro. Uma postura autêntica tanto pela inserção da atividade intelectual no debate sobre a cultura e literatura chilena e latino-americana, quanto pela reflexão aguda de diferenciar obras e suas recepções e acontecimentos históricos e suas interpretações no contexto universal. Rúben Bareiro Saguier destaca, bem no início da carreira da estudiosa, “el trabajo [la labor de exégesis realizada] sobre Vicente Huidobro realizado por Ana Pizarro, professora de la Universidad de Concepción (Chile)” (2001, p. 235-236), perante da “ausência de critérios metodológicos básicos” daquele tempo, pois “la carencia conduce a menudo a la práctica de la ‘crítica impressionista’”. Lembro-me bem da indicação de Vicente Huidobro nas primeiras conversas com Ana Pizarro sobre a poeticidade de Dalcídio Jurandir (1909-1979), no VIII Congresso Internacional da ABRALIC, em 2002, em Belo Horizonte.
Susanne Klengel (2011, p. 140) ressalta esta característica da Ana Pizarro também na abordagem sobre a figura e a imagem da Gabriela Mistral.8 A escritora e poeta tinha recebido o Prêmio Nobel de literatura (1945) e na atividade como diplomata (Liga das Nações, Consulesa e delegada da Assembleia Geral das Nações Unidas). A escritora mantinha contatos intensivos com intelectuais e diplomatas de países latino-americanas na Europa, entre eles autores brasileiros, ativos no debate ou referidos, que tinham uma visibilidade importante para a Amazônia no Brasil como Mario de Andrade, Raul Bopp e Euclides da Cunha, mas não aparecem, naquele momento na Europa, com o tema Amazônia; a selva significava São Paulo ou Paris, por exemplo, no sonho de Roger Bastide (Klengel, 2011, p. 93). Amazônia ainda não era o tema como “Pulmão do mundo” e pela biodiversidade.9 Klengel salienta as modificações no pensamento geográfico da visão estético-ensaística (“narração descritiva ou a descrição narrativa”) para o discurso científico. Para Fernand Braudel, a geografia, “como fundamento quase imóvel, desempenha um papel essencial na compreensão [...] sobre o espaço histórico”, assim Klengel, “as constantes geográficas assumem uma atenção importante no debate sobre o caráter criador de identidades”.10 A importância da geografia do “novo” continente com um “destino bíblico” aparece em muitas obras, constata Klengel e referencia as Meditações Sul-Americanas (1932), de Hermann Keyserling. A visão do continente como “o terceiro dia da criação” (Keyserling) lembra do livro de Euclides da Cunha, Um Paraíso Perdido.11 Em 1908, Euclides tinha contribuído com um prefácio para o livro de Alberto Rangel, que lançou mais uma vez a metafórica bíblica, O Inferno Verde,12 e em 1909, saiu uma coletânea de artigos de Euclides com o título Á Margem da História.
Não é para se surpreender: “Como em muitas outras mitologias sul-americanas, também na dos Tupinambá existe o motivo mitológico dos cataclismos que destruíram os mundos anteriores e deram origem ao atual” (Pompa, 2003, p. 182; ver Vilena, 2003, p. 227-228; “ciudad eterna “ e “El Regresso al Wiñay Marka, ‘El País de la Utopia’”). Paraíso e Inferno, dois termos bíblicos acompanham, como os religiosos, cada viagem, cada excursão e cada conquista nas Américas. Essa presença levanta duas razões, a busca real do Paraíso bíblico e a conquista daqueles que ainda não se submeteram ao Deus cristão, desde o fim do Império Romano e da conquista de Jerusalém. E com a “descoberta” do Novo Mundo, a busca e a missão ganharam um novo alvo. As duas razões eram e são, até hoje, obsessivas, com certas modificações ideológicas pelo pensamento democrático do Mundo Ocidental Moderno. A matança dos e das indígenas foi um ato “coerente” no interior do conflito religioso, porque as indígenas nuas indicaram a proximidade do Paraíso Bíblico. Assim, nestas circunstâncias perante do acostumado castigo de se mesmo e do sofrimento pela culposa Perda do Paraíso, os padres (somente homens, sic!). não poderiam aceitar a realidade. Os confrontos com os indígenas levaram as contradições religiosas ao extremo: “o padre Manuel da Nóbrega [...] afirma categoricamente: ‘é gente que nenhum conhecimento tem de Deus, nem ídolos’ e reforçava a afirmação, dizendo que ‘esta gentilidad a ninguna cosa adora”.13
A busca do Paraiso era um empreendimento real (ver a existência de mapas),14 mas ideológico ou religiosamente entendida e justificada como “busca eterna” e, assim, a punição pelo “pecado original” significava, insoluvelmente, castigar o outro, aquele outro que aparentemente está mais próximo do paraíso, mais próximo da paz eterna; uma aporia de “cruda realidad”. “As punições corporais eram consideradas parte integrante da transformação dos selvagens em homens [...] A não aceitação dos castigos pelos indígenas era quase incompreensível aos olhos dos missionários” (Pompa, 2013, p. 381). A dialética entre desejo (Paraíso) e castigo (Inferno) foi mantido na dualidade do longe (Paraíso) e do próximo (Inferno verde).
As próprias antigas culturas andinas estavam buscando o Paraíso, o El Dourado da Paz. A terceira motivação, como já mencionada acima, da pesquisa da Ana Pizarro “pertenece al campo de los imaginários utópicas” e deve se desdobrar sobre as próprias utopias dos povos das Américas antes da chegada dos Europeus. Neste sentido, podemos dizer que Ana Pizarro é a voz importante nesta direção de um novo olhar sobre a região; se livrar da perspectiva ocidental significa proferir um discurso diferente do pós-colonial que fica, muitas vezes, preso na percepção dual europeu/indígena.15 Marcio Souza (2009, p. 171) constata as “transformações do discurso colonial [...] a partir de 1750”, o que vale particularmente para o Brasil, mas deve refletir sobre o discurso todo da conquista, da colonização e do Pós-Colonial.
Por exemplo, o título do livro de Kwame Anthony Appiah, The Lies that Bind (2019) indica uma plataforma de um repensar mais dialético. E, nesta direção, uma voz importante é a da Paleoantropologia Andina, uma “voz” daquela “estética ilustrada” como Pizarro refere no capítulo IV. “Tal vez la arqueología en algún momento pueda construir líneas o fragmentos de discurso a tráves de petroglifos, cerámica, u otros elementos que el tempo va poniendo al descubierto” (Pizarro, 2009, p. 153-154).16 Marcio Souza (2009, p. 27-32) apresenta outros discursos que ele chama “teorias fantásticas”, descobertas do continente antes dos Europeus, sempre identificadas com mapas. “O relato”, assim Marcio Souza (2009, p.161-162),
que foi durante a conquista a forma de expressar literariamente a região - ao mesmo tempo, documento e relação -, dissocia-se numa forma que ainda é documento, mas indiretamente por meio da poesia e, por meio do inventário, quando a conquista se transforma em colonização [...] toda a teoria do conhecimento da região acha-se modificada [...] E. em especial, o domínio empírico do relato, no qual a teoria e a prática literária viam a região se estabelecer com semelhanças e afinidades, e no qual se podiam entrecruzar o fantástico e a linguagem da perplexidade.
Talvez esteja na hora de desenvolver uma “autorrepresentação” (Pompa, 2003, p. 27) do continente como realiza o estudo de Carlos Milla Vilena (2003, p. 17, 18, 26) que conceitua a Paleosemiotica Etno-Social, “entendida como la resultante de um largo processo de vivencias, tradiciones y utopias expressadas en figuras, formas, signos, símbolos y niveles semióticos de pertinências de nuestra geografia”. Villena refere-se, também, à “escritura pre-diluvians de los Aymaru Aymara”, publicado em 1628 pelo Fray Baltasár de Salas.
Concluindo, uma leitura desenvolvida a partir das próprias culturas e civilizações andinas pode ser entendida como “uma construção indígena da história em seus próprios termos”, uma visão de um “tempo vertical”, uma “auto-representação” de culturas com outras percepções de tempo, mais em círculos cosmológicos em vez do linear histórico-cronológico do Ocidente (Pompa, 2003, p. 22, 24) Cristina Pompa (2003, p. 376) evidencia a presença das estrelas do Orion e das Plêiades nas celebrações nas culturas indígenas. A complexidade do conhecimento cosmológico (“Arqueoastronomia”, “Cosmobiología”) (Villena, 2003, p. 25-30) e da construção arquitetônica de Machu Picchu se compreende melhor no contexto de culturas andinas ligadas ao Vale do Amazonas.
Uma curiosidade recente, o botânico Carl Friedrich Philipp von Martius (1992; 2005), autor de Flora Brasiliensis e Viagem pelo Brasil, escreveu, em 1831, um romance que ficou desconhecido até 1992, quando foi publicado simultaneamente no Brasil e na Alemanha.17
Em Frey Apollonio, a característica principal do romance recai sobre uma pluralidade de vozes. Esse aspecto ocorre em relação aos diferentes personagens e assuntos abordados na trama, o processo colonizador, a aculturação do autóctone e a religião na região amazônica [...] Frei Apolônio faz parte dos carmelitas, que objetivavam catequizar os índios [...] um homem de muitas indagações religiosas e relacionamento conturbado com uma moça de origem árabe, Solima, com a qual descobre ter tido um filho, Ibrahim, nascido nas Arábias. (Cruz, 2020, p. 35-37).
Um romance que envolve personagens e acontecimentos em continentes diferentes e identifica (ficcionalmente) uma migração anterior de Francisco de Orellana e seu grupo no vale do Amazonas. No cenário aparecem indígenas “estrangeiras”, o líder Tsomei que vive “recluso com sua tribo nas montanhas, que se diferencia muito dos indígenas nesta região”, e tem um filho de nome Pachacutec, um “grande guerreiro indígena que fala fluentemente em espanhol, mas o português com muita dificuldade, e uma filha, Oéli, que viria a ser a namorada do filho de frei Apolônio, Ibrahim. Ibrahim, ou Welli II, é maometano, denominado ‘Santon’” (Cruz, 2020, p. 41). Sem poder entrar na questão entre ficção e fatos,18 somente uma ressalva sobre este romance que está mais próximo de uma “estética ilustrativa” do que da literatura fantástica ou da literatura dos viajantes. Trata-se de um testemunho de viajante real na Amazônia, um botânico que recria as experiências do viajante Hartoman com muitas personagens estrangeiros e indígenas do território brasileiro e vindo dos Andes.
Podemos constatar, em vista o contexto das civilizações andinas a construção complexa de Machu Picchu, que havia um “plano” dos Incas entrar na Amazônia. Machu Picchu não era só um lugar de fuga dos Espanhóis; foi construído como mais uma “cidade sagrada” na entrada ao Vale do “El Dorado”. O povo dos Shuaras, que vive até hoje na Amazônia, entre Peru e Ecuador, testemunha a resistência da conquista de seu território tanto pelos Incas quanto pelos Espanhóis. Pensamos que, antes da chegada dos Espanhóis, no oeste do continente, os Incas foram os vencedores e seguidores dos Wari (Huari), a língua mudou do Aymara para o Quéchua, os Waris seguiram as culturas Chimú, Mapuches, Chan Chan, Moche e Mochica que, “venceram” a cultura Chavin e Sechin até a primeira cultura no continente, por enquanto, foi identificada em Caral (5000 anos antes do nosso tempo; UNESCO Worlds Heritage Site, em 2009; ver também o Museo Tumbas Reales de Sipán, em Lambayeque/Peru).
Atualmente, uma exposição sobre o El Dourado, o ouro da Columbia indígena, realiza uma virada da forma de pensar e representar culturas andinas (More than Gold, Museum Rietberg, Zurich, Suíça). Fernanda Ugalde, arqueóloga e curadora da exposição, descreve seu encontro com os indígenas Arhuaca como ampliação de se horizonte. Os indígenas dizem:
É errado identificar um vaso cerâmica com uma indicação de tempo, por exemplo, 900 anos antes do Cristo [...] pois o vaso está aqui! E talvez tenha sido criado naquele tempo, mas a argila é mais antiga. Não se trata da função do vaso, mas mais importante é o som da substância, que está ligada com a terra. (Ackermann, 2024, p. 4).
Esta visão, que reflete a forma da abordagem tradicional perante da atualidade e da autoafirmação de representantes das sobreviventes culturas antigas, ela possibilita, assim, “um pensar e trabalhar no conjunto entre arqueólogos, acadêmicos, museólogos e os próprios povos indígenas” (Ugalde, 2024, p. 7).
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Pero quando allí me vi,
Sin saber dónde me estaba,
Grandes cosas entendí
Juan de la Cruz
Novos tempos e novas questões diante de fenômenos recentes e descobertas sobre o passado podem falsificar hipóteses de conhecimento estabelecido, e tornar visíveis fenômenos estruturais a partir de um novo ângulo. A história sempre foi escrita pelos vencedores, mas vencedores e vencidos mudam e cada escrita deixa suas marcas para leituras posteriores e, de repente, encontram-se novas fontes em escavações e em bibliotecas que contam outras histórias. Os pontos de vista ideológica oscilam como as perspectivas geográficas e políticas mudam. Tudo está à mercê de novas interrogações, de outras investigações e de interpretações diferentes. A vertente teórica da Narratologia abre uma diferenciação entre os termos “história” e “narrativa”, ou melhor, “o narrativo”, e focaliza a forma da narração com suas implicações, as instâncias narrativas, as perspectivas e a constituição narrativa, quer dizer, relaciona acontecimentos, história, narrativa e apresentação da narrativa. O termo História com a letra maiúscula sempre sugeriu objetividade sem tematizar, explicitamente, o próprio ato do narrar. O Marxismo dividiu a história em aquela dos vencedores e a dos vencidos, para falar com os termos de Walter Benjamin. A complexidade de eventos e estruturas históricas não podem e devem ser simplificados, nem mecânica nem dialeticamente, pois vencedores e vencidos mudam. Os Incas venceram e superam as culturas anteriores, mas foram vencidos pelos espanhóis. Na Amazônia, os Tupinambás do Sul do Brasil não venceram as tribos Aruanãs. Os povos indígenas foram vencidos pelos franceses, ingleses, holandeses, espanhóis, portugueses e pelos Jesuítas e, no século 20, pelos missionários evangelistas dos Estados Unidos, vindos como pesquisadores das línguas indígenas. Então, como escrever uma história da Amazônia? A partir de hoje proferir um discurso de “decolonialidade” - depois de quinhentos anos? Possível? A partir de uma perspectiva interior ou exterior? A partir dos Estados Unidos ou da UNESCO, pensando em Charles Wagley e sua comparação com a cidade Plainville/Massachusetts19 ou verificar o projeto Hudson sobre o Grande Lago (“1968: Relatório do Itamaraty”, Folha de S.Paulo, 17/07/2018)? Refletir a partir do Oriente ou do Ocidente, política e geograficamente? A capa do livro Un Río de Palabras (D’Angelo; Perreira, 2007) mostra dois peixes, um indo para leste e o outro para oeste, que lembra do rio Amazonas e do fenômeno “pororoca”, quando as águas do Atlantico sobem ao rio (Sidarta Gautama não estava sentada no rio Amazonas).
Ana Pizarro ressalta na constituição discursiva “la construcción de una entidad alternativa a la cultura europea” o outro dispositivo da produção simbólica e real, “los imaginários de un proyecto nacional para cada uno de los espacios. Estamos ahora em los momentos de las llamadas independencias políticas” (Pizarro, 2009, p. 19). No século 19, a região compreendida como vale para explorar. “Em el área alta de Los Andes, en la cabecera de los ríos que alimentarán al Amazonas, entre el Putumayo y el Caquetá se diseñó uma zona estratégica para a explotación del caucho”. O discurso sobre a borracha, definitória para a virada do século 19 para o século 20, “se construye em movimento, em oposiciones [...] entre los países del área del seringal: Brasil, Colombia, Perú [...] La relación com el mundo económico europeo adquiere nueva carta de ciudadanía com la incorporación de los capitales ingleses” (Pizarro, 2009, p. 106, 111). E, assim, chegou um novo cenário na Amazônia: a Modernidade europeia. Podemos dizer que a particularidade da Amazônia como uma região de culturas e não de caçadores e colecionadores não foi vista e não tinha importância diante do projeto tecnológico e político das Luzes, dos chips e do agronegócio.20
A abordagem escolhida da Ana Pizarro se diferencia da literatura crítica que apresenta, descreve e narra a região como “exotic” e “foreigh landscape” e está no caminho daquela escrita que Pedro Maligo destaca nos textos de Dalcídio Jurandir. “If Jurandir’s critical text is metaliterary, in the sense that aims at enhancing signification by referring to what I call existing ‘image bank’ on Amazonia, the aesthetic dimension of his literature is based on a non-stereotypical cultural universe”. O estudioso, no primeiro estudo da recepção do autor marajoara no contexto da literatura brasileira, aprofunda a comparação entre literatura “factual” dos viajantes e a literatura ficcional. “Indeed, while the image of Amazônia in naturalist literature was based on a metonymic approach [...] one portion of the scenery stood for the whole landscape […] in Jurandir the setting is constructed as a mosaic, thus depending on an accumulation of individual signifieds […] Therefore, Amazônia itself provides the language for its own invention” (Maligo, 1998, p. 129-130). Dalcídio expressa aquilo que Ana Pizarro chama o “pensamiento interno” em relação à “formación discursiva” sobre Amazônia (Pizarro, 2009, p. 26). A mudança do sistema interpretativo das significações sobre a Amazônia necessita de uma mudança do sistema interpretativo de signos.
Ana Pizarro, pesquisadora de literatura e da história, sempre focalizado no objeto da sua abordagem sobre a Amazônia aponta às implicações ideológicas das instâncias narrativas e suas subjetividades ideológicas ou sua formação científica. Uma abordagem que sempre lembra ao clássico Pierre Bourdieu (2003, p. 17): “contribuir para essa reflexão sugerindo algumas questões sobre o que é a lógica própria do mundo científico [...] desencadear um processo de auto-análise coletiva”. Manter a atenção sobre os procedimentos metodológicas evita cair nas seduções dos discursos variados, valoriza a perspectivação das abordagens que se aproxima às complexidades estruturais e semióticas de acontecimentos históricos tanto no horizontal quanto na vertical.
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Edwin A. Abbott (2016 [1884], p. 25). Uma percepção muito atual em vários trechos da Amazônia. No tempo de Francesco de Orellana e do Padre Carvajal, o “vale” era uma linha contínua de verde sobre a água. Mas, de qualquer forma, Amazônia não é somente um “segmento de reta” ou um “vazio”; cf. mais adiante o comentário sobre o livro de Amália Martelli (1969) e o tempo moderno brasileiro, no século 20, ver os capítulos IV e V do livro de Ana Pizarro.
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“Existem obras de História do Amazonas, do Pará, do Acre, das regiões amazônicas dos países hispânicos” (Souza, 2009, p. 13). Posterior de uma estadia na Universidade da Califórnia/EUA, o autor do livro esclarece a origem e os motivos de apresentar seu estudo introdutório, “uma obra de mais fôlego [...] exigiria bem mais esforço que um texto, deliberadamente sintético, modestamente escrito e destinado apenas a servir de introdução aos alunos” (Souza, 2009, p. 14). Sobre o interesse nas Estados Unidas, há uma longa história, refiro-me, aqui, só sobre a missão de Charles Wagley, publicado em 1953 (Amazon Town), porque envolvia o escritor da minha longa pesquisa, Dalcídio Jurandir. Wagley escolheu, por indicação de Jurandir, o município como campo de pesquisa empírica.
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Ver o registro dos discursos sobre a história da Amazônia por Cristina Pompa (2003, p. 21-30) e, naturalmente, as duas antologias (D’Angelo; Perreira, 2007; Bolle; Castro; Vejmelka, 2010) entre muitas outras obras.
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Seja lembrada a viagem de Fátima Monteiro e Willi Bolle, seguindo o caminho de Francisco de Orellana (Bolle; Castro; Vejmelka, 2010, p. 19-56).
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Arthur Conan Doyle apudEric H. Cline (2021, p. 134). Com esta referência ao Sherlock Holmes, o antropólogo Cline caracteriza a investigação sobre a Idade Tardia da Bronze. O desenvolvimento das descobertas, os achados mais recentes, assim Cline - tão natural na ciência autenticamente engajada, abrem as visões e interpretações anteriores para novas perspectivas. Para mim, razão suficiente para pensar nos estudos da Ana Pizarro, avançando com olhares sagazes sobre matérias estabelecidas para abrir portas e janelas de conhecimentos diferenciados.
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“La Amazonía no me era ajena. Yo estuve exiliada en Venezuela y en Venezuela el universo amazónico no es una presencia fuerte, pero existe. No desde aquí de Chile, donde muchos se preguntaban qué hace una chilena estudiando el Amazonas [...] No sabemos nada de esto, nada. Entonces, al otro día comencé a buscar y a buscar y presenté un pequeñísimo proyecto a la Universidad de Santiago y me financiaron un año para preparar un proyecto mayor que presente a la Guggenheim y me lo dieron. Con esa beca, en un año había leído bastante, pero lo que me llamó profundamente la atención en esas búsquedas es que tú estás en Sao Paulo y nadie sabe nada de la Amazonía; o sea, los brasileños del sur son ignorantes de ese mundo. No encuentras libros. Ibas a las librerías y te pasaban libros de turismo con fotos bonitas. Tuve que empezar a buscar en la Biblioteca Nacional en Río y finalmente decidí yo ir a la Amazonía.” (Pizarro, 2019).
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O estudo de S. Klengel aborda o Europa posterior da Segunda Guerra Mundial (1945-1952) e os intelectuais latino-americanos naquele espaço cultural e político.
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Sobre a percepção geográfica do continente, suas regiões e populações, ver a parte IV (“Centro/Periferia? No labirinto de Identidades do Pós-Guerra”) do estudo da Klengel (2011, 191-252).
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“Bastide também viu esses ensaios [1948] como tentativas de fazer afirmações sobre a ‘essência’ das nações latino-americanas no contexto da psicologia das étnias/dos povos [Völkerpsychologie]” (Klengel, 2011, p. 217).
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O livro foi publicado somente em 1966. Pedro Maligo (1998, p. 167) cita a carta de Euclides para Coelho Neto (10/03/1905): “Depois, aí, e num livro: Um Paraíso Perdido, onde procurarei vingar a Hylaea maravilhosa de todas as brutalidades das gentes adoidadas que a maculam desde o século XVII”).
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Ver o capítulo “Euclides da Cunha and the Re-Invention of Myth” (Maligo, 1998, p. 33-48). Nos primeiros textos de Euclides sobre a região, antes da viagem à Amazônia, a região é mencionada “with the potential for diferente military confrontations and border disputes between Peru and Bolivia, and Peru and Brazil. Only in ‘Entre o Madeira e o Javari’ does Euclides attempt an interpretation of Amazonia” (Maligo, 1998, p. 36).
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Pompa (2003, p. 41) e, mais adiante, ela cita uma carta de Amerigo Vespucci: “Não têm lei nem fé nenhum, vivendo segundo natureza (...) não têm Rei, nem obedecem a ninguém” (Pompa, 2003, p, 101-105) apresenta as fontes religiosas e discursos antropológicos sobre a busca da “Terra sem Mal’, um milenarismo atribuído aos Tupinambás e suas migrações ao Norte do continente. Pensamos na visão milenarista joaquimita; “na visão edênica de Vasconcelos, que coloca o paraíso terrestre no Brasil, ou no grandioso projeto das reduções jesuíticas do Paraguai como realização do Reino de Deus na terra, ou, finalmente, no próprio Vieira” (Pompa, 2003, p. 48, 58 e 62).
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Ver Villena (2003, p. 179, 181) a mapa de León Pinelo, identificando o “Plano del Paraíso en la América Meridional” no sul do rio Maranhão, uma área que abrange o rio Madeira e Tapajós e vai até o rio Putumayo que liga, no mapa, o rio Negro ao rio Orinoco comprovado pelo Alexander von Humboldt. As fontes relatam “un valle húmedo”, encontram-se “muchos elementos bíblicos como son, el castigo genesíaco por desobediência a una divinidad ‘dueña del Concimiento’” (Villena, 2003, p. 228).
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O que fazer com os continentes África e Asia? Ver, um pouco adiante, Márcio Souza (2009, p. 27-32) e Ribeiro e Pressler (2022).
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Ver Márcio Souza (2009, p. 6, 34-35, 37, 42). As cerâmicas marajoara e tapajônica, “as mais recentes apresentavam um conjunto de formas surpreendentes datadas de aproximadamente 4.000 a.C. nos sambaquis da Guiana, e 3.000 a.C., nos achados da localidade de Mina, na boca do Amazonas [...] Por volta de 3.000 a.C., as sociedades de horticultores passam a marcar a presença na região”. Ver também Villena, 2003, p. 131, 141 e 165, a semelhança das formas desenhados dos petróglifos com os monolitos em antigas comunidades lacustres em várias regiões andinas, representando “Manos Cruzados” e “Antebrazos Descruzados”. Appiah relata um símbolo do povo Akan em Gana, semelhantes daqueles referidos anteriormente, que se chama Sankofa e significa “’go back and get it’ learning from the past” (Appiah, 2019, p. 225). É impossível, neste breve artigo, relacionar as implicações entre oralidade e escrita; ver os capítulos na antologia de D’Angelo e Perreira (2007) e Pressler (2021).
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O romance circulou entre os amigos, o mais conhecido foi Johann Wolfgang von Goethe; ver a história e a recepção do romance Frey Apolonio (Cruz, 2020).
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Por exemplo, último romance de José Maria Ferreira de Castro, O instinto supremo (2019) trata o projeto Rondon e a papel do Curt Nimuendajú na Amazônia.
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Plainville, uma “vila simples/plana”, lembra do romance Flatland, o Mundo Plano. “The Brazilian Amazon is clearly an under-developed area [...] Like Itá, the community as Plainville is also considered to be a ‘backward’ and ‘poor’ community” (Wagley, 1953, p. 275). Wagley se refire a nota “’Amazon address’ do Presidente Getúlio Vargas announced in 1940 […] ‘The Amazon, with the fecund impulse o four wish […] will become a chapter in the history of civilization’. Vargas’ statement was in a sense a forerunner of Truman’s ‘Fourth Point’ and of the technical-assistance programs of the United Nations” (Wagley, 1953, p. 289).
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Ver Pizarro (2009, p. 122-133), sobre o papel dos intelectuais. Ver também Mann (2013, p. 413-446) sobre atualidade, China tornou-se o maior utilizador da borracha. As chamadas “Terras Pretas de Índio” na Amazônia comprovam que tinha comunidades de agricultura e não só caçadores e colecionadores (Mann, particularmente o capítulo 9 “Amazonia”, 2011: 319-359), e, naturalmente, ver toda a literatura científica sobre terra preta na América. Ver Neusa Pressler (2010, p. 161-183), “Econegócios e Cooperação Internacional: Novos Discursos sobre a Amazônia”, e Eckhard E. Kupfer (2011, p. 185-205), “Amazônia: do cacau à borracha à alta tecnologia”.
